Apocalipse - A Era Dos Mortos
76 Capítulo 76 - Apesar de tudo
Notas iniciais
Pov – Mary
Descansar não dura muito, zumbis começam a se aproximar, ouvimos os sons e não tem nada a fazer se não continuar, é noite ainda, a floresta está escura, pego Scott no colo, ele se encosta em meu ombro, não sei quanto mais meu pequeno pode aguentar de tudo isso.
Daryl caminha a minha frente, próximo de mim, a besta sempre em punho, com uma criança não resta muito para mim se não apenas caminhar, atrás dele, aceitando tudo calada, as lágrimas presas em algum lugar, a velha Mary querendo ressurgir, uma luta interna desesperadora.
Os sons ficam cada vez mais perto, apressamos o passo, meu coração pulando, aperto mais Scott, meus braços dormentes de tanto caminhar com ele, passamos por alguns arbustos e chegamos a uma pequena estrada de terra, um velho carro está parado ali, a porta aberta, um corpo no chão, coisas espalhadas a sua volta.
Daryl me olha, sei o que tenho que fazer, enquanto ele espera os zumbis tento dar partida no carro, Scott ainda em meus braços, é inútil e eu meio que sabia disso, o som dos mortos cada vez mais próximo, caminho até Daryl, ele olha em volta, então ergue a porta do porta-malas, não nos resta escolha, coloco Scott lá, ele se agarra a mim.
─Calma, vou ficar com você! Sussurro entrando também, ele já esteve num frízer e quando saiu estava sem ninguém, sei como isso o assusta – Vem! Eu o aperto a mim com a faca na mão enquanto Daryl amarra um lenço nos fechando dentro do porta-malas, a besta fica apontando para o vão os sons nos alcançam, Scott se esconde em meu peito, treme, eu o envolvo.
Daryl fixa o olhar, é como se estivesse sozinho, ligado no modo defesa, não nos vê, não vê nada, tudo que quer é manter nossos corpos funcionando, afasta zumbis, consegue comida e agua e apenas isso, sufoca todos os sentimentos, parece arrependido de nos ter com ele, de ter dado uma chance a uma nova vida, como se isso só tivesse tornado tudo pior.
Scott felizmente sabe como se comportar, chora em silêncio agarrado a mim, ficamos ali, imóveis e mudos por horas, então finalmente o som vai sumindo, eram muitos com certeza, seguem não sei para onde e ficamos ainda ali até amanhecer.
Meu pequeno acaba adormecendo mais uma vez, o som finalmente some e sei que posso abrir e deixar o claustrofóbico esconderijo, desamarro o lenço, Scott acorda nos olha confuso, descemos os três, a estrada está limpa, respiro um tanto aliviada, Scott está no chão, fica nos observando juntar coisas que poderiam ser úteis no futuro, a quanto tempo não precisamos fazer isso?
Foi a tanto tempo, um tempo em que havia tanta dor e tanta esperança, agora é só dor, depois de recolher tudo Daryl me dá as costas e segue em frente, não diz uma palavra, nem sei quando foi a última vez que disse algo, eu pego a mão de Scott e o sigo, caminhamos um tempo pela estrada.
─Scott precisa descansar! Eu aviso umas horas depois – Talvez possa caçar algo, arrumar um lugar para...
─Vamos pela floresta! Ele diz seco, obedeço em silencio.
─Cansado filho? Pergunto a Scott.
─É! Ele responde – Quando a gente vai para casa?
Meu coração se contorce numa dor sem fim, como dizer a ele?
─Vamos achar uma casa nova! Digo simplesmente, ele ergue o olhar, me encara confuso, depois apenas continua caminhando, achamos uma pequena clareira, montamos um pequeno abrigo.
─Fica ai quietinho que eu vou ajudar o papai a cuidar de tudo! Ele concorda.
Começo a arrumar formas de cercar o lugar, apenas um pequeno perímetro, nada que impeça um zumbi de nos pegar, é apenas para nos avisar, abro um buraco no chão, com a ajuda de um espelho retrovisor faço fogo, os dias que passamos nas ruas quando deixamos a fazenda, as coisas que Daryl me ensinou, muitas vezes sem ao menos saber o quão útil seria.
Me levanto a procura de Daryl, sei que ele não vai longe, tem medo de não nos ouvir, eu o vejo retirando a pele de uma cobra, ele me ignora, passo a mão pelo cabelo, não aguento mais isso, finalmente ele se deu conta do peso que sou, que Scott é.
Silencioso ele volta me entrega a carne enquanto vai cuidar do couro dela, eu asso, e sirvo primeiro Scott, ele me olha confuso, agora só tem dois olhares, medo e confusão.
─Come filho! Eu peço e ele obedece, sempre obedece, Daryl se senta distante, pega sua parte e fica entretido mastigando, não sei até quando vai me ignorar, quero fazer algo, afogar essa dor que me consome, me engole.
─Quero água mamãe! Scott me pede, é isso, eu preciso de uma bebida, uma daquelas que descem queimando a alma, nunca bebi, tenho meus motivos, foi uma vida infernal tudo regado a Jack bêbado, mas quero sentir algo que não seja só tristeza, ou apenas esquecer um pouco.
─Preciso de uma bebida! Digo a Daryl que me atira a garrafa de água – Bebida de verdade, com álcool, nunca bebi uma, por causa do... Você sabe, ele estava sempre... Mas agora acho que preciso, pensei que podíamos procurar algo.
Sou completamente ignorada, não aguento mais a letargia de Daryl, sua completa falta de emoção, preciso fazer algo.
─Tudo bem! Digo decidida, ele precisa despertar, tenho que fazer algo – Fica aqui com o papai! Digo a Scott quando me levanto – Fique com sua cobra seca! Pego minha faca e me afasto.
Scott não poderia estar mais seguro, e preciso de um minuto sozinha, ou quem sabe despertar algo nele, um sopro de vida.
Caminho pela mata, então zumbis se aproximam, ainda não me viram, me escondo atrás de uma árvore, que idiota, como pude fazer uma tolice dessas?
Atiro uma pedra para longe, eles seguem o som, apenas um continua e seguro firme a faca, penso em Scott e Daryl, burra e burra, me mal digo, então ele se afasta e eu respiro, ouço um som de passos me assusto ao dar de cara com Daryl e Scott, ele me olha com desprezo enquanto Scott segue até mim, mereço aquele olhar, ´pego a mão de Scott e seguimos em frente, ao menos eu o tirei daquele lugar.
─Acho que já passamos por aqui! Digo no meio do caminho, como é seu novo costume ele me ignora, quando me dou conta estamos de novo no acampamento – Mas que droga, voltamos para cá! Não quero ficar aqui, precisamos fazer algo, não posso deixar que Scott fique no meio do mato para sempre – Não vamos ficar aqui para sempre! Aviso a ele irritada, não quero ser a Mary que aceita tudo, preciso lutar por ele, por Scott e por mim, pego a mão de Scott e dou as costas a ele que me segura furioso.
─Já se divertiu! Ele tenta me puxar, me solto dele.
─Qual é seu problema? Grito – Ainda sente alguma coisa? Ele me olha – Acha que está tudo acabado, é talvez isso seja um sentimento, mas o que quer é isso? Eu o provoco – É isso que quer oferecer para o Scott, passar o que nos resta de vida perto do fogo comendo cobras? Daryl está mudo e chega dessa droga toda – Posso me cuidar, posso me virar, vou conseguir uma bebida!
Scott nos olhava, apertava minha mão com força, só quero despertar Daryl é minha última cartada.
Dou as costas a ele mais uma vez, um minuto depois sinto ele me seguindo, um alivio me invade.
Caminhamos em silencio, ele me seguia, parece querer me deixar decidir, toma a frente, que se dane, estamos mortos mesmo, quero um abrigo descente para meu filho, erguemos aquela prisão, podemos fazer de novo, achar o que restou da nossa família e recomeçar.
Chegamos a um campo de golfo me viro para ele, que está impassível, tenho certeza que o clube pode ter uma bebida e mais que isso, alguma segurança para meu filho.
─Pode ter gente ai! Eu comento, forço a porta, nada ele vasculha um corpo no chão, faz sinal para darmos a volta, zumbis caminhavam em nossa direção, quase uma dúzia deles, a porta está aberta, essa é a hora que fazemos nossa pequena formação, Scott entre nós dois, eu preparo minha besta, prefiro a faca nesses momentos, mas sei que a besta é mais seguro, logo vamos ficar sem flechas.
O lugar é sombrio, assustador, três zumbis balançam presos a cordas, gente que decidiu sair, Daryl odeia isso, eu sei o quanto isso o incomoda por conta do que lutou para viver, ele assim como eu é um sobrevivente, preciso fazê-lo se lembrar.
Vamos observando tudo, recolhendo coisas, sinto a mão de Scott segurando minha blusa, firme e calado, observo a elegância que um dia aquele lugar já ostentou.
Daryl recolhe dinheiro e joias numa mochila, não o entendo, fico observando e então a porta é forçada.
─Mamãe! Scott se aperta a mim, eu o pego no colo.
─Vamos! Daryl abre uma porta, passamos e ele a fecha com força, caminhamos pela parte de dentro do clube, de sala em sala, chegamos a cozinha, deixo Scott próximo do pai e caminho mais fundo, encontro a garrafa, parece vinho, para mim não faz diferença, me apoio na estante de ferro e pego a garrafa, balança um pouco faz um barulho, odeio barulho, me afasto e então lá vem aquelas droga de zumbi, acabo tendo que destruir a garrafa nele, eu o mato e então Daryl está ali, mais uma vez segurando a besta e me encarando com Scott a seu lado, venho fazendo uma besteira atrás da outro, quero apenas chamar atenção dele, mas não sei mais como fazer.
Os zumbis nos encontram, parto na frente com Scott de novo em meu colo, seguimos para outra sala, paro quando percebo que Daryl desistiu de fugir, está derrubando zumbis, coloco Scott atrás de mim, armo a besta, mas não posso usar, ele está furioso, acertando todos que vão surgindo, até sobrar apenas um então ele começa um ataque, golpeia e golpeia o zumbi, descontando nele todos as suas frustações, me assusta, depois quando a cabeça do zumbi explode ele finalmente para me olha e só posso dar-lhe as costas e seguir em frente, finalmente o bar.
─Conseguimos – Eu o encaro – Sei que é tolice para você, mas se seu modo de lidar com isso é espancando zumbis o meu é esse.
As garrafas estão quebradas, encontro apenas uma pela metade, não sei o que tem ali, não me importo, espero que seja amarga, que desça queimando e afogue toda minha dor.
Daryl fica por ali, fingindo não se importar, coloco Scott num dos bancos ao meu lado, encaro a garrafa.
Encaro a garrafa, depois meu filho, eu o escolhi, tirei de um frízer, levei comigo, enchi de amor e esperança, e agora isso, a verdade cai sobre mim finalmente, acabou, esse é nosso fim, não somos mais que uma pequena matilha de lobos, lutando por sobrevivência, tentando voltar para casa.
Então eu choro, me esqueço de ser forte, me esqueço de cuidar de uma criança e apenas choro.
Daryl caminha até mim e toma a garrafa, atira no chão com força, aguardente de pêssego, foi o que li, agora apenas cacos no chão, assim como eu ou Daryl, apenas cacos espalhados pelo chão.
─Sua primeira bebida não vai ser essa, vem sorvetinho! Ele pega Scott no colo, abre a porta e me encara – Vamos!
Seco minhas lágrimas, me levanto e sigo em frente, entramos mais uma vez pela floresta, seguimos em frente, caminhando em silencio, ele carrega um pouco Scott enquanto eu sigo com a besta, depois ele coloca nosso bebê no chão e pega a besta chegamos a uma velha casa, os vidros quebrados, a sujeira pelo chão o velho galpão nos fundos, tantas memorias, não quero pensar nisso.
─Aqui! Daryl pega uma caixa com vários potes cheios de bebida.
─Bebida ilegal! Comento, qualquer um que tenha vivido com Jack sabe reconhecer isso.
Entramos na casa, está felizmente limpa, nada de zumbis, coloco Scott num pequeno sofá, ele se aconchega, entrego um pacote de biscoitos para ele, dou o último comprimido e um copo de água, ele sorri, adoro aquele sorriso leve.
─Que sorriso lindo! Eu beijo seu rosto e ele me faz um carinho.
─Mamãe é aqui nossa casa? Ele me pergunta.
– Ainda não.
─É! Ele responde e se volta para a bolacha distraído.
Me sento então para bebê, tomo um primeiro gole.
─Vá com calma! Daryl me pede.
─Não vai beber?
─Alguém tem que cuidar de você, do Scott, vigiar!
─Sim senhor Dixon.
Começamos a arrumar um pouco o local, Daryl martela a janela, pregando uma taboa, não vai durar muito, se der para meu filho dormir umas horas já está perfeito, ele se encosta na poltrona e adormece.
─Ele está esgotado! Eu comento, Daryl não responde nada – Ele é nosso, escolhemos isso, ensinamos a nos chamar de mamãe e papai.
─Olhe em volta Mary, me diga, não é como voltar no tempo? Ele me pergunta – Vamos, reconhece esse lugar, eu reconheço, é como minha infância, ou a sua com Jack, a velha cadeira onde aquele babaca ficava sentado se embebedando o verão todo, as marcas de tiros, Jack praticava no lixo que era tudo a sua volta, assim como meu pai, eu sei, o balde para cuspir o fumo, internet!
Ele atira uma folha de jornal velho, sim, é a mesma coisa, então um zumbi geme na janela, deixamos que fique lá, nos sentamos e ele se serve de um gole, falamos sobre quem éramos, diferentes e iguais, conheço a história dele, é a mesma que a minha, mas eu sucumbi, aceitei enquanto ele teve que lutar, sobreviver, Daryl se levanta tropeçando faz barulho.
─Silêncio Daryl! Eu peço e ele se irrita.
─Virou minha babá agora? Me ataca, nunca o vi assim, me sinto de novo o velho saco de pancadas – O que foi, acha que não sei, que não entendo, quer saber sobre como me sinto, é isso que está sentindo, acredite, eu nunca precisei de ninguém, nunca dependi de ninguém! Ele grita.
─Para com isso, vai acordar o Scott, chamar os zumbis!
─Vamos, vamos nos divertir um pouco! Ele me puxa para fora, me arrasta pelo braço em direção ao zumbi, está fora de si, não ´me importo, vivi uma vida com Jack, e nem mesmo agora com ele sendo tão brusco eu poderia confundi-lo com aquele monstro o que assisto é uma explosão de alguém que está com medo, cansado e com medo.
Ele prende o zumbi no troco de uma árvore, me puxa querendo que eu o acerte.
─Vamos brincar um pouco, vamos, acerte ele, esqueceu como se faz? Me puxa para ele me liberto.
─Chega! Eu acerto minha faca no zumbi.
─O que quer de mim? Ele finalmente está fora de si, demonstra toda sua dor.
─Quero que pare de fingir que não sente nada, que não se importa, quero que pare de agir como se o que vivemos não tivesse importância como se as pessoas que perdemos não importassem, eu sei que sente.
─É o que acha?
─É o que sei! Desafio e ele me encara ainda mais furioso.
─Isso é bobagem.
─Não é, eu sei, estamos aqui, eu e seu filho, escolheu essa família, não pode nos ignorar, não pode fingir que não existimos só porque está com medo! Grito, que se dane se zumbis vão surgir, eles virão de qualquer modo.
─Eu não tenho medo de nada! Ele joga em mim toda sua fúria, seu rosto um centímetro de mim, o solhos azuis cheios de rancor e medo, não é sobre mim, sobre Scott, é sobre ele e tudo que guardou, toda a culpa e solidão que sempre carregou.
─Eu vejo seu medo, eu sei que sente!
─Cala boca, para de dizer tolices, de sonhar e se comportar feito uma idiota, não vai ver essas pessoas nunca mais, estão mortos!
─Não, não pode ter certeza! Eu grito, quero vê-los de novo, aprendi a amar todos eles, são fortes, estão por ai, eu sei que sim.
─O governador avançou direto nos nossos portões – Ele me dá as costas foge do meu olhar amoroso, porque acha que não merece – Eu parei de procurar, eu desisti, é culpa minha!
─Não, Daryl não! Eu o abraço por trás, colo meu corpo ao dele, Daryl ainda tenta se soltar.
─Hershel, você o amava não é, era o pai que escolheu, eu podia ter feito algo! Ele então chora, Daryl Dixon a fortaleza que sempre me manteve de pé, que salvou minha vida uma centena de vezes chora e só posso me agarrar a ele, tentando de algum modo dividir um pouco o peso que carrega.
Quando finalmente as lágrimas acabam voltamos para casa, Scott dormia profundamente, nos sentamos na varanda, a porta entreaberta para ouvirmos Scott.
Daryl fala sobre o passado, os fantasmas escondidos nos fundos do armário, das coisas que não podemos perdoar, somos iguais, ele me conta sobre Merle, põe em palavras o que sempre deixou claro em atitudes, é nossa história de novo se confundindo.
─Sente falta do Merle? Eu sei que sinto, ele fica me olhando, é quase meu Daryl de volta, mas quero mais, quero um novo Daryl livre de todo esse peso – Eu sinto, sinto falta de tudo que poderíamos construir, ver nosso sorvetinho crescer, os filhos que Maggie e Glenn teriam, Carl, nossa bravinha – Sinto um nó na garganta difícil de superar, me estrangula me impedindo de continuar – Sou uma tola não é?
─Era para ser assim.
Sim, mas não é culpa de nenhum de nós.
─Eu queria mudar! Digo a ele.
─Você mudou!
─Não o suficiente, não como você, nasceu para esse mundo.
─Me acostumei com as coisas sempre difíceis, sabe disso, é assim para você também.
─Você precisa salvar quem você é agora, em momentos como esse é isso que importa, talvez seja o último homem de pé, você é o último homem de pé! Enfatizo.
Ele me olha, talvez um dia só reste ele, eu sei o quão mais forte que eu Daryl é, sorrio para ele, agora ele realmente parece leve, dá um meio sorriso.
─Vamos entrar.
Antes de ficar de pé Daryl me dá um beijo, senti muito a falta de estar assim, em seus braços, nos afastamos e ele se põe de pé.
─Devíamos queima-la! Ele me olha, é isso, queimar o passado, a merda de vida que tivemos, ele segue para porta.
─Precisaremos de mais bebidas.
Ele abre um sorriso que vi poucas vezes, devolvo o sorriso ficando de pé, acordo Scott, recolho as coisas que vamos levar e então espalhamos toda bebida pela casa, jogando para o alto num momento de rebeldia.
Saímos para fora, Daryl me dá os fósforos pega um maço de notas.
─Faz as honras? Aceito com um sorriso, coloco fogo em um pacote de dólares que é nesse momento um símbolo do que esse mundo virou.
Daryl atira em direção a casa e o fogo sobe alto, é Jack quem está ali queimando, Merle, as surras da infância, as bebedeiras, são nossas magoas e perdas, a solidão, tudo queima em labaredas altas que lambem o céu e levam para longe nosso passado.
Ficamos livres, tudo é agora mais fácil e somos mais leves que o ar, e finalmente nossa pequena matilha de lobos pode finalmente caminhar para casa.
Paramos um instante para com um gesto simbólico mandar nosso passado para o inferno, Scott nos imita e depois de sorrirmos damos finalmente as costas para tudo aquilo.
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