Apocalipse - A Era Dos Mortos
73 Capítulo 73 - Indo longe demais
Notas iniciais
Pov – Daryl
Eu sabia que ele viria, cedo ou tarde aquele infeliz viria terminar o que começou, não esperava por um tanque, mas lá está ele, e vamos lidar com isso, não vamos nos render ao crápula.
Mary está com Scott nos braços, fico em dúvida de onde devo deixá-los, se ele nos atacar não quero que os dois estejam lá dentro, mas aqui não parece um lugar apropriado para uma criança, a verdade que numa guerra não existe um lugar apropriado para ninguém.
Acabamos de descobrir que tem um psicopata entre a gente, um imbecil que abre coelhos e nem temos ideia de quem é, eu realmente cheguei a pensar que isso era um problema e no minuto seguinte o problema realmente se anuncia, o baque da explosão deixa claro isso.
Agora sim temos um problema, um dos grandes, maior até que essa doença, mas se esse imbecil pensa que pode nos pegar está enganado, ninguém vai se render aos seus desmandos, ele acha que nos engana, sei quem ele é, Phillip Blake é um covarde, o maior de todos que já vi, se esconde sob essa máscara de tirano, mas não passa de um covarde que não aguentou o tranco de viver no meio dessa merda toda.
−Rick, venha até aqui. Precisamos conversar.
O caolho começa a pressão, vamos ver até onde podemos ir com isso.
−Não cabe a mim, temos um conselho agora, eles decidem! Rick tenta argumentar, sei que não quer mais o peso das decisões, mas também sei que não é hora de sentarmos em uma porcaria de reunião do conselho.
−Hershel é do conselho? Ele pergunta e então lá está Hershel sendo colocado de joelhos – Michonne é do conselho? E Michonne é colocada a seu lado, ele acha que os colocando assim de joelhos está nos dobrando, não podia estar mais errado, lutamos muito, vencemos a morte muitas vezes, nosso espirito não se dobra diante de sua arrogância, isso ele nunca vai conseguir.
−Hershel! Mary diz apertando mais Scott, eu sei o que aquele homem representa para ela, respiro fundo sinto a tensão entre os nossos, ele sabe o quanto Hershel é precioso, é arrogante, covarde, mas não posso dizer que seja burro, se perdeu foi pela arrogância e insanidade, não por falta de inteligência.
−Não está em minhas mãos! Rick grita.
−Você tomará as decisões hoje, Rick. Venha até aqui e vamos conversar.
Rick me olha, eu sei tudo que aquele olhar quer dizer, aceno concordando, não é preciso palavras para dizer que confio nele e em suas decisões, que sinto que ele precise estar de novo nesse lugar, mas que não temos escolha, ele concorda e então seus olhos seguem para Carl, o que mais esse garoto vai ter que assistir?
−Nós vamos passar por mais isso! Rick o tranquiliza, Carl concorda, é um menino forte, um dia vai liderar sobreviventes, nasceu com a marca de um líder, nunca se rende.
Abro o portão e vejo Rick caminhar em direção as cercas, não é fácil caminhar sozinho em direção a um tanque, mas aquilo não o assusta, eu o conheço, Rick teme por todos nós, estamos mais indefesos que nunca, temos mais crianças e doentes do que um dia sonhamos que teríamos.
Enquanto Rick caminha devagar ganhando tempo me reúno com o grupo.
−Não podemos com todos eles! Isso é um fato e temos que levar em conta, me lembro das palavras de Merle, viver hoje para lutar amanhã – Vamos pela ala principal e saímos pela mata como o planejado.
Nunca fomos tolos para achar que estávamos seguros, temos muitos planos de fuga, planejamos sair desse lugar muitas vezes, nos preparamos para hordas, talvez não estivéssemos preparados para o caolho, mas isso não importa.
Sasha faz uma careta, Mary me olha firme, ela é corajosa quando o assunto é lutar pelos que ama.
−Estamos em menor número! É só fazer a conta e sabemos que não podemos vencer isso – Quando checaram o estoque do ônibus pela última vez?
−Antes de irmos ao Big Spot, estávamos com pouco estoque como agora.
Sasha avisa, ela ainda está fraca, mas assim como Mary é uma guerreira quando se trata do grupo.
−Podemos dar um jeito! Mary diz decidida.
−Se a coisa piorar vão todos para o ônibus.
Mary me diz com o olhar que não vai sem mim, eu sei disso, se for a nossa hora então vamos fazer isso juntos.
−Avisem a todos.
−E se não souberem quando? Tyreese pergunta – Quanto esperaremos?
−O quanto pudermos.
É isso, vamos esperar o quanto pudermos, torcer para Rick vencer aquela batalha, não que acredite nisso.
−Solte-os agora. Eu ficarei aqui e podemos conversar o quanto quiser.
Ouço Rick dizer, não acho que vai conseguir convencer o cara a dar meia volta, nem acho que seus homens vão desobedecê-lo, ele tem esse dom de iludir e aprisionar as pessoas.
−Você tem um tanque, não precisa de reféns.
−Preciso. É para mostrar como estou falando sério. Não quero fazer um buraco no nosso novo lar.
Sabia que era essa sua intenção, ele nunca foi homem suficiente para entrar aqui e limpar o lugar, mas agora que fizemos todo trabalho acha que pode simplesmente tomar.
−Vocês tem até o pôr do sol para irem embora daqui ou eles morrem.
Insano de merda, ele acha mesmo que vamos colocar o rabo entre as pernas e simplesmente deixar o lugar feito ratos covardes?
Rick tenta argumentar ele volta a ameaçar.
−Não se trata do passado e sim do presente.
−Temos crianças aqui, algumas doentes, não vão sobreviver.
Ele não quer convencer o governador, sabe que o cara é um lunático, sua intensão é tocar seus soldados, fazê-lo duvidar.
−Eu tenho um tanque e os estou deixando partir. O que mais temos para conversar?
Recolho as armas de modo discreto, é hora de ficarmos prontos, estão todos atentos ao dialogo lá em baixo, as tentativas de Rick em evitar uma guerra.
−Está bem? Pergunto a Bob antes de entregar uma arma a ele.
−Sim.
Confio nele, tivemos nossas divergências, mas no momento precisamos de todos e só quero ter certeza que está firme nesse momento.
Vou entregando as armas, e então chego em Mary, ela me olha assustada, coloca Scott no chão, faço um carinho em seus cabelos, tão pequeno, ele me olha assustado, meu pequeno lutador, venceu essa doença e vai vencer essa guerra, vai ficar vivo.
−Se tiver que entrar no ônibus quero que faça isso! Eu digo a Mary, ela me olha suplicante – Escolhemos ele, então agora é a hora de mostrar o quanto estamos dispostos.
−Eu sei que não vai sair daqui sem acabar com eles, como posso te deixar para traz?
−Encontro você, sabe disso, Scott é sua prioridade! Eu lhe dou um beijo leve, apenas para passar confiança.
−Acaba de dizer que é para sempre! Ela me olha abatida.
−Sim Mary, por isso mesmo sei que posso achar você.
Continuo meu trabalho, posiciono todos e então volto minha atenção para a conversa lá e baixo.
−Eu poderia atirar e vocês revidariam eu sei, mas acontece que vocês vão morrer todos, nós não. Não precisa ser assim, como eu disse, você decide.
Rick está perdendo o controle, posso sentir, está a cada segundo mais tenso, Phillip não é diferente, acho que esperava que fossemos sair na primeira ordem.
−O barulho atrairá mais deles para cá, quanto mais demorar, mais difícil será para sair daqui.
O governador comunica depois de abatera tiros dois zumbis que se aproximavam.
Carl e eu temos os homens do governador na mira, deixo Carl ao meu lado porque é um bom atirador e porque sei que precisa de alguém que o controle.
−Precisamos fazer algo.
−Seu pai cuida disso.
−Eles estão conversando. Eu poderia matar o governador agora.
−A 45 metros?
−Sou bom de tiro.
Carl pode até estar certo, mas não podemos arriscar e colocar tudo a perder, não ainda.
−Eu poderia acabar com isso agora! Carl tenta me convencer.
−Sim. Ou poderia começar outra coisa. Precisa confiar nele! Isso é sobre muitas coisas, Carl precisa resolver de uma vez suas questões com o pai, não se trata apenas do Governador, se trata de pai e filho, de como eles convivem e se relacionam, mas não é hora para pensar sobre isso.
O ônibus se posiciona, Mary e Scott deviam seguir para ele, mas ela ainda tem esperanças e está posicionada assistindo ao embate, sei que não pode dar as costas a Hershel e posso entender isso. O dia está chegando ao fim, logo as coisas vão acontecer, seja o que quer que aquele homem tenha em mente não vai esperar a noite cair.
−Podemos todos vivermos juntos.
Não, não podemos eu penso quando ouço Rick oferecer e Phillip sabe disso.
−Tem quartos suficientes para todos nós.
−Mais que suficientes, mas minha família não se acomodaria sabendo que está sob o mesmo teto.
Aquele infeliz não tem família, nem sabe o que isso significa.
−Podemos viver em blocos diferentes, nunca teríamos que nos ver até estarmos prontos.
Hershel intervém, está esperançoso. Quando não está?
−Não pode funcionar, não depois de Woodbury, não depois de Andrea.
Ele tem razão sobre isso, não quando eu e Michonne estamos presentes, nenhum de nós dois pode viver sob o mesmo teto que aquele covarde.
−É mais fácil que ficarmos atirando uns nos outros. Não acho que temos escolhas.
−Você não tem! Ele pressiona Rick, coloca sobre ele a decisão de manter ou não nosso grupo vivo, sabe o quanto isso pesa para Rick.
−Não vamos sair, tente e seremos obrigados a revidar, os tiros vão atrair mais deles, eles vão derrubar as cercas e sem elas esse lugar é inútil. Podemos todos morar na prisão ou nenhum de nós morará.
Agora Rick consegue, deixa o impasse nas mãos dele, sabe que os homens que o acompanham não querem uma guerra, e é uma oferta boa, eles podem tentar.
A ideia de que Rick está certo, que vai acabar convencendo seus homens o irrita e ele salta do tanque, a espada de Michonne é entregue a ele e sem pensar duas vezes ele segue até Hershel.
−Podemos consertar as cercas! Sim eles podem, eu sei e todos sabemos, ele não está disposto a abrir mão de nada.
A espada se encosta no pescoço de Hershel, sinto todo nosso grupo fraquejar, não ele, não Hershel e toda sua esperança, ele é nosso pilar, o que nos norteia, é Hershel quem nos traz de volta quando seguimos por caminhos obscuros.
−Você, você de rabo de cavalo – O tom de Rick é de urgência, desespero – É isso que você quer? É isso que vocês querem?
−Nós queremos o que você tem, é isso hora de cair fora idiota! O infeliz do tanque avisa e sei que esse não vai sair daqui vivo, ele é meu.
−Já lutei com ele antes e depois seus homens se tornaram lideres aqui, abaixem suas armas e atravessem os portões, sejam um de nós. Esqueceremos tudo isso e ninguém precisa morrer.
Hershel ergue o olhar, mesmo com uma espada em seu pescoço posso ver que está orgulhoso, sabe que conseguiu o que realmente queria, nos manter humanos.
−Todos que chegaram até aqui, todos fizemos os piores tipos de coisas, para nos mantermos vivos, ainda podemos nos redimir, não fomos longe, todos podemos mudar.
A espada vai se afastando do pescoço de Hershel, aperto minha arma, ele não vai se render e então a espada corta o ar e desce cheia de ódio nos mutilando a todos, p pescoço de Hershel pende o sangue se espalha e somos todos dominados pelo ódio, ele acaba de nos tirar a fé e de algum modo sabe disso, não quer mais a prisão, foi mais uma vez apenas dominado pelo ódio e rancor, o corpo de Hershel tomba lentamente, nosso maior e mais corajoso guerreiro.
−Não! Rick grita dando o primeiro tiro e então estamos todos atirando, vejo o governador com um tiro no braço Rick com um na perna e eu e Carl atiramos tentando proteger Rick, Michonne rola pelo chão, no meio da confusão é esquecida e sei que vai conseguir sair dali, agora só quero manar o máximo deles para o inferno.
Atiramos todos, a distância é um problema, mas derrubamos alguns, eles responde com mais tiros.
−Matem todos eles! O desgraçado grita e o tanque começa seu trabalho de destruição, vem lento e imponente em nossa direção, derruba as cercas com facilidade, derruba com ela nosso lar, e diminui o valor dos que caíram por ela, Lori, T-dog, Zack, Axel, Oscar, e Merle, todos eles de algum jeito morreram por esse lugar, por essa família, não pode ter sido em vão.
Nos separamos todos, vejo Mary atirando, Beth ao lado de Maggie, Sasha e Tyreese e então continuo, quanto mais homens derrubarmos mais chances temos, mas sei que são muitos, que podemos matar todos mas nunca manter a prisão de pé.
O tanque vem explodindo nossas paredes, avança colossal, não vou deixar que continue com isso, preciso dar chance ao grupo de partir, Carl não está mais comigo.
−Mary o ônibus! Eu sei que posso encontra-la, e se cair aqui quero acreditar que ela está viva e que pode continuar sem mim, ao menos por ele.
Uma explosão espalha fumaça e ela se abaixa um pouco, aperta a mão de Scott e sabe que não tem escolha, nos olhamos e eu poderia me perder ali, nos olhos dourados de Mary, amo você, digo mentalmente, mas ela sabe disso, é minha para sempre, leva com ela a Jaspe, então me dá as costas e se afasta com Scott.
Agora minha guerra pessoal começa, se for para ir para o inferno vou levar muitos comigo, todos que tentarem ferir minha família.
Deixo o governador para Rick ou Michonne, sei que um dos dois vai acabar com aquilo de uma vez, chega desse homem e sua insanidade, o mundo já está cheio de gente como ele, não vai sentir falta de um maluco.
Fico sozinho, de um lado, zumbis se aproximam, sei que estão vindo, mas não tenho tempo para eles, os homens do governador estão atirando em mim e eu os quero, vou pegar todos, então um zumbi se atira sobre mim, não vai ser uma coisa insignificante como essa que vai me derrubar, não no meio de uma guerra.
Enfio minha faca em sua cabeça estúpida e o uso como escudo, no fim eles não são tão inúteis assim, me aproximo, atiro uma granada e derrubo todos eles de uma vez, pro inferno bando de covardes.
O ônibus partiu, Mary, eu penso com o coração apertado, mas agora quero o tanque, não saio daqui antes de manda-lo para os ares, estou ficando cercado por zumbis, corro até o tanque e solto uma granada em seu cano, o homem sai dele assustado, rola para o lado e quando fica de pé eu estou pronto, ele ergue os braços rendido, é tarde demais para isso, teve uma chance não quis, que queime no inferno, todos nós fomos longe demais eu o acerto com minha flecha, a mesma que uso para matar os insignificantes zumbis, ele não vale mais do que isso.
Fico parado, não tem mais nada, a prisão caiu, não sobrou nada, eles finalmente chegaram onde queriam, só o que vejo é fumaça, escombros, e morte, como sempre foi desde que o apocalipse se anunciou.
Mary, penso nela e em Scott, então ela surge correndo, Scott apertando sua mão, é como uma alucinação.
−Mary! É tudo que consigo dizer.
−Fui para o ônibus, as crianças não estavam lá, eu e Beth nos dividimos para procura-las, não pude deixar ele lá.
Ela chorava e eu a abraço.
−Temos que ir!
−Não podemos, nossa família, Beth... As crianças.
−Não tem mais nada aqui Bruxa, temos que ir, podemos encontra-los, mas agora temos que sair antes que seja tarde.
−Hershel! Ela me diz, é apenas um lamento, vamos ter muito tempo para lamentar, mas agora é mais uma vez hora de partir, correr e fugir, estamos de novo como nos primeiros dias, mas não somos mais os mesmos, a morte nos transformou.
Pego Scott no colo, e Mary empunha sua besta, vamos sair daqui, deixar tudo para trás e recomeçar mais uma vez, ela está comigo, ele está comigo, então eu tenho tudo.
Deixamos a prisão pela floresta, o barulho das explosões e o fogo trouxe todos os zumbis da região, mas eles estão desnorteados e sair é fácil, seguimos pela estrada, coloco Scott no chão, ele está assustado, mas sabe como se comportar no meio da confusão, fica silencioso e obediente, é só o que conhece, uma vida de medo e queria muito poder dar a ele mais que isso, talvez algum dia eu possa, talvez em algum lugar possa haver segurança, se esse lugar existir eu vou encontrar com certeza vou.
−Estou feliz que não entrou no ônibus.
−Também estou, não sei se poderia sem você, espero que estejam todos bem.
−Vão estar, todos nós vamos ficar bem! Ela me dá a mão e seguimos pela estrada, o dia sendo substituído pela noite escura, a mesma escuridão que nos assombra a alma.
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