Apocalipse - A Era Dos Mortos
7 Capítulo 7 - É só o começo
Notas iniciais
Pov – Daryl
Eu ainda não acredito que deixaram meu irmão algemado num telhado, como puderam fazer isso? Mas ele era forte, o cara mais durão que conheço, Merle está bem, tem que estar, vou encontrar ele, voltar ao acampamento pegar Mary e dar o fora, esses idiotas não podem me impedir.
Mary devia estar muito assustada agora, não sei se acreditou quando prometi voltar, ela não parece confiar muito nas pessoas, não sei por que prefere ficar comigo, mas se é isso que quer é assim que vai ser, Merle tinha concordado, ele tinha concordado em leva-la conosco e agora estava preso num maldito telhado e Mary estava sozinho mais uma vez no acampamento, tinha passado a noite em claro a minha espera, eu devia ter voltado, fiquei atrás daquela porcaria de cervo que acabou na boca de um desgraçado de um zumbi.
−É melhor que ele esteja lá, para o seu bem! Eu não resisto a uma ameaça, T-dog aquele covarde, como pode deixar meu irmão para traz eu nunca deixaria um homem naquela situação, ele diz qualquer coisa não me interessa, olho para frente o tal Rick parecia ser um cara legal, estava voltando por que queria, não acho que seja culpado, conheço Merle, ele estava procurando encrenca a muito tempo.
Descemos, e seguimos para o telhado depois pegaríamos as armas e antes de anoitecer eu estaria com Mary, droga eu não posso ficar com essa garota na cabeça o tempo todo.
Tiramos as correntes eu entre apressado, não tem nada lá, vejo as algemas as malditas algemas ainda presas, sangue e a mão de Merle.
−Não! Grito, ele cortou a própria mão, fico fora de mim aponto a arma na cabeça de T-dog, aquele covarde infeliz, Rick me aponta a dele, me ameaça, e se não fosse por Mary, dois de nós não voltariam ao acampamento, mas me rendo, faço isso por ela.
Saímos a procura de Merle, seguindo se rastro de sangue, ele matou zumbis, cauterizou a própria mão e saiu pela janela.
Discuto mais uma vez com eles, Rick se oferece para me ajudar a encontra-lo, acabo concordando, mas armamos um plano para pegar as armas antes, Glenn iria sozinho, o cara tinha coragem, sou obrigado a admitir.
É claro que se pode piorar sempre piora, um chicano maldito aparece, Glenn é levado e tenho muita vontade de arrebentar a cara de alguém, fomos até lá para pegar Merle e as armas, estamos sem ele, perdemos um homem e temos um maldito garoto como refém.
O policial tem que dar uma de bonzinho quer convencer o garoto a nos ajudar com palavras suaves, pego a mão de Merle e atiro nele.
−Olha o que aconteceu com o último cara que me desafiou! Grito, ele treme e abre o bico, assim era muito mais fácil, penso aliviado, quero sair logo dessa merda, Merle estava vivo e estava por ai se protegendo, ele decidia quando morrer, nenhum zumbi de merda faria isso, então agora eu tinha de me preocupar com Mary.
Os chicanos fazem cena, ameaçam, querem nossas armas, voltamos para nosso esconderijo, Rick decide entrar, garante que devia isso ao Glenn, nos deixa livres para partir, não sou covarde, ele veio me ajudar, não posso dar as costas a ele agora, seguimos juntos, entramos e uma velha aparece, nos leva para dentro e os filhos das putas estavam nos enganando com aquela história de gangue, eram apenas babás de um bando de velhinhos que não viveriam mais que uns meses.
O bom policial entrega metade de nossas armas, ele não estava entendendo que aquilo era uma porra de um apocalipse, que os mortos estavam de pé e que não tinham pena, ele tem um filho, como pode deixar armas para trás, ainda nos faz prometer segredo.
O caminhão não estava mais lá, meu coração acelera, eu sei o que aconteceu, só pode ser isso.
−Quem pode ter levado o caminhão? Glenn pergunta.
−Merle! Rick responde e só penso em Mary, é claro que ele não levaria nada em consideração, ela pagaria junto com os outros.
−Ele vai buscar vingança no acampamento! Aviso e só o que nos resta é correr para lá, ele não pode machucar Mary, ela chorou por ele, mas conheço Merle, ele não se importa, não consegue fazer isso.
Anoitece, ficamos atentos ao perigo, nenhum lugar mais era seguro, estávamos bem próximos quando ouvimos tiros e gritos e só penso em correr até ela.
Assim que nos aproximamos eu os vejo, zumbis atacando, começo a atirar em meio a gritaria, vasculho o local preciso saber que ela está bem, então vejo Mary enfiar uma faca no olho de um zumbi que tentava morde-la, outro vinha por trás ela não o vê e eu atiro derrubando ele.
−Mary! Grito por ela enquanto corria, derrubo mais dois, eram muitos tiros, e então ela se aproxima, os olhos cheios de pânico – Fica perto de mim! Ela afirma apertando a faca na mão.
E eles estavam todos mortos, no fim se não tivéssemos as armas não teria sobrado ninguém, abaixo minha arma, cansado de correr, lutar e gritar, olho para ela e para minha surpresa ela me abraça, se encosta em mim assustada e chorando, eu a envolvo, quero cuidar dela.
−Shiu, já acabou! Tento acalma-la, havia muita dor a nossa volta, muitos mortos, zumbis, pessoas do grupo, estávamos abraçados cercados por mortos, aquilo me dá a dimensão de onde estou de como o mundo é agora, que não posso simplesmente pegar Mary e partir, temos que ficar todos juntos, esse é o único jeito de isso funcionar – Se defendeu, foi corajosa! Eu a lembro.
Acaricio seus cabelos, gosto de como são macios, ela se aperta a mim, soluça, demora até se sentir pronta para se afastar, para olhar em volta e vê Amy morta, Andrea sentada com ela, imóvel Mary chora, eu as vi conversando algumas vezes.
−Amy! Ela diz num lamento – As crianças? Pergunta apertando minha mão nem notei que estávamos de mãos dadas.
−Estão todas bem! Respondo olhando em volta elas estavam nos braços dos pais.
Ficamos todos do lado de fora das barracas apenas parados, em alerta esperando amanhecer para cuidar de tudo, ela fica do meu lado.
−Merle? Me pergunta com os olhos marejados.
−Cortou a própria mão e se mandou! Aviso com a voz angustiada.
−Então ele está bem, Merle não se entrega! Ela me diz e eu olho para ela, passei o dia tentando dizer isso, enfim alguém que concorda, faço que sim, ela deixa algumas lágrimas correrem, eu as seco, não sei quando fiquei assim gentil, mas ela é tão delicada e inocente.
Ficamos ali sentados, assistindo Andrea velar a irmã, o dia amanhece.
−Como está? Pergunto a ela antes de começar a trabalhar tínhamos muito o que fazer e eu estava furioso.
−Triste, com medo, vai me levar com você não é? Ela me pede, aqueles olhos dourados de novo me consumindo, afirmo com a cabeça por que fico momentânea mente sem palavras – Desculpe, eu... eu...
−Fique tranquila, preciso ajudar a limpar isso, queimar essas coisas, ver se estão todos mortos, mas preciso que se acalma e que fique longe daquela louca! Aponto Andrea com a irmã.
−Vou ajudar! Avisa – Eu posso fazer, ser útil, não vou ser um peso prometo!
−Ei! Eu faço ela me olhar – Não é um peso, fique aqui.
Começamos o trabalho, queimar corpos e separar os membros do grupo, uma merda de sentimentalismo que nunca vou entender, de repente alguém avisa que Jim foi mordido, maldição eu penso o infeliz fica calado, não estou acreditando que passamos toda a noite com um zumbi em potencial, quero acabar com ele, mas é claro que os mocinhos não permitem, eu sei que estou mais irracional do que sempre estive, mas quem poderia me condenar, meu irmão tinha sido deixado num telhado e eu tinha Mary para proteger.
Amy acorda zumbi e Andrea faz o que tem que fazer, um tiro no meio da cabeça, eu teria feito o mesmo, mas não esperaria, não deixaria que alguém que gosto virasse uma dessas coisas.
Vou até Mary que chorava mais uma vez, me agacho diante dela, ela me olha, tenta respirar, não consigo não pensar em quando eu não estava por perto, em como alguém podia ferir aquela pequena flor delicada.
−Acabou! Aviso.
−Não Daryl, apenas começou, só posso passar por isso se... – Ela se cala, não termina a frase, mas não desvia o olhar.
−Se?
−Apenas esqueça, eu estou bem! Não quero obriga-la a falar e volto ao trabalho.
Usamos minha caminhonete para carregar os corpos para o tal funeral, não participo, não sou hipócrita.
Depois nos reunimos, Rick quer ir até o CCD, acha que lá teremos respostas ou quem sabe uma chance, quem quisesse ir deveria estar pronto na manhã seguinte, todos ficam pensativos.
−Mary! Eu a chamo e seguimos para minha barraca, ela se senta me olha confusa, assustada, sempre achando que vou deixa-la para trás – Precisamos decidir o que fazer, quer ir com eles?
−Só quero ir onde você for! Ela me responde olhando para os próprios pés, não sei porque eu, mas a verdade que eu também só quero ir onde ela for.
−Acho que devemos seguir com eles, é mais seguro estarmos em grupo, tudo bem?
−Tudo, mas vai ser uma viagem perdida, essas coisas dominaram o mundo, não tem mais nada, se tivesse já teriam dado um jeito! Ela me diz sem esperança.
−Comece a ter fé Mary, não pretendo morrer e nem deixar que morra então pare com isso!
−Nunca vai me machucar não é? Ela me pergunta, como poderia?
−Nunca! Respondo convicto, ela me olha nos olhos e de novo sinto aquele baque – Vamos arrumar tudo descer para um banho antes que escureça, vamos partir cedo.
Mary me segue, desmonto a barraca de Merle, tenho que engolir a vontade de chorar, já derramei muitas lágrimas, mais do que aquele bando de imbecis mereciam assistir. Coloco a moto na carroceria, quero que Merle saiba que cuidei dela, depois desmonto a nossa, sim acho que agora que prometi cuidar dela a barraca é nossa, prefiro dormir no carro é mais seguro.
−Daryl? Ela me chama e é sempre aquele treco estranho na boca do estomago quando chama meu nome.
−Juntamos tudo que sobrou de comida, coma! Ela me entrega um prato e comemos juntos.
−Vamos dormir no carro, bem trancados é mais seguro! Ela concorda, depois de comer quando tudo estava pronto vamos para a caminhonete.
−Fico no banco do motorista, você é maior, precisa descansar por que vai dirigir.
−Mary...
−Por favor, me deixe retribuir! Ela me pede e concordo, gosto quando ela tenta cuidar de mim.
−Deixe o vidro fechado, é mais seguro! Eu peço a ela, ficamos sentados nos bancos, ela era mesmo pequena, estava encolhida e parecia tão frágil.
−Jim enlouqueceu, passou horas abrindo covas, tive medo, eles são boas pessoas, mas achei que se não voltasse, que eles não se importariam em me deixar para trás, Ed bateu na Carol, Shane surtou e espancou ele, me fez lembrar.
Acho que quer me contar, não sei se imagina que sei de tudo.
−Jack?
−Tenho marcas, manchas, estão sumindo, nunca achei que sumiriam, mas estão sumindo! Ela me olhava nos olhos, tenho que tomar cuidado, eles me hipnotizam de uma maneira que me deixa quase doente por ela – Quando me chamou hoje, lá no meio daquele ataque, faz parecer que mereço, mas eu não tenho certeza se faria o mesmo se soubesse que eu, as coisas que aconteciam... eu não queria, eu tentei...
Tinha tanta dor naqueles olhos, as palavras saiam empurradas estranguladas, eu sei o que ela quer me contar, mas não quero ouvir, não muda nada do que penso dela.
−Chega Mary! Eu peço, não quero que sofra mais – Vamos descansar, um outro dia quando as coisas estiverem mais calmas se ainda quiser falar.
−Está bem! Ela se encolhe, mas ainda me olhava e quero ela em meus braços, e acho que é onde ela quer estar, estendo a mão, pro inferno se estou fazendo uma burrada, sou um Dixon, sempre fazemos burradas, ela vem imediatamente, foi feita para meus braços, simplesmente se encaixa neles, se recosta em meu peito e fico fazendo um carinho leve em seus cabelos.
Acordo com a luz do sol no meu rosto, Mary dormindo sobre mim, ela não acordou nem uma vez durante a noite, nenhum grito, nenhum pesadelo, pisco e vejo o grupo reunido, olhavam para o carro, bando de curiosos, o quem tem de errado em dormir com a minha garota no colo, eles acham que é isso que ela é.
−Mary! Eu a chamo, ela acorda na primeira, pisca e se afasta quando se dá conta de onde está, senta no outro banco e estava corada, aquele monstro tirou muitas coisas dela, mas não sua inocência.
−Dormi! Ela constata, acho a frase pouco inteligente e isso não era comum a ela.
−Como? Pergunto.
−Não reparou, eu dormi, como todos fazem fechei os olhos e acordei hoje, sem pesadelos, não me lembro quando foi a última vez, acho que era criança! Ela falava empolgada – Foi antes de... – Não termina, o quase sorriso desaparece – Foi a muito tempo, e justo essa noite, quando perdemos tanto.
−Parece mesmo descansada! Eu falo para não dizer o que realmente penso, que está linda como uma flor – Vamos, o grupo deve estar querendo partir.
Descemos e uma pequena reunião começa, depois das instruções Morales decide seguir sozinho com a família, Rick o doador de armas entrega um revolver a ele, eu bufo, Glenn foi sequestrado por conta daquelas armas e antes do fim da semana ele doaria todas.
As crianças se despedem, começa mais uma daquelas cenas de abraços e decido que já tinha o bastante.
−Vamos Mary! Voltamos para o carro e seguimos em comboio.
O treler quebra no meio do caminho, era um milagre aquela coisa grande e inútil ainda funcionar, não sei porque não tínhamos deixado aquilo para trás, mas enfim o problema não era meu.
Jim decide que preferia ficar no caminho, depois de uma pequena discussão ele é retirado do treler e deixado numa árvore, todos se despedem, ele foi corajoso, lutou por todos no acampamento e estava fazendo o mesmo agora, me despeço com um aceno, não sou de palavras.
Seguimos viagem, Mary estava calada, deixar Jim na estrada foi uma coisa difícil, o grupo tinha diminuído consideravelmente, e eu sabia que ficaria ainda menor, aperto um pouco o volante quando penso que poderia ser Mary, não vou deixar, decido.
A cidade era um oceano de mortos, eu penso quando descemos diante do CCD, assustador, olho para Mary e ela morde o lábio, já tinha visto ela fazer isso antes e gosto, preciso parar de pensar essas coisas, eu sei que se sente protegida e que confia em mim, se eu a tocar, como no fundo sei que quero fazer ela vai fugir, se sentir como aquele maldito a fez se sentir e não quero, nunca vou fazer isso.
−Está anoitecendo fique perto, isso é só um cemitério gigante! Digo a ela quando nos reunimos ao grupo e caminhamos para a porta, estou completamente alerta, a besta nas costas e a arma em punho, vou pegar uma arma com Rick e entregar a Mary antes que ele termine de doar todas.
Estava trancado, claro que estava, não basta o mundo acabar, tem que acabar com requintes de crueldade.
A confusão se instala mais uma vez é claro que sou eu que começa com ela, querendo matar o Rick partindo para cima de todo mundo e matando um zumbi porque sou o único silencioso naquela porcaria de fim de mundo de merda.
Não vou deixar Mary morrer, é bom que o responsável por toda essa merda de apocalipse saiba, estávamos voltando Shane arrastando Rick que implorava para uma porcaria de câmera quando a porta começa a se abrir e devo confessar que sinto um alivio sem fim, Mary apertava meu braço e eu a puxo para mim, ela gosta do meu toque não me repudia como faz com os outros, se é só o que vou ter vou aproveitar, caminhamos para dentro do desconhecido, o que quer que fosse era melhor do que aqui fora.
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