Apocalipse - A Era Dos Mortos

63 Capítulo 62 - Trinta dias sem acidentes


Notas iniciais
Mais um capítulo, espero que gostem, nem sempre vai ter o mesmo nome, talvez eu faça um capitulo entre um e outro episódio, afinal a série só volta em fevereiro e não quero fazer hiatus, ao menos não muito, talvez continue por mim mesma, ou faça uma pausa curta, vamos ver como as coisas seguem.

Pov – Mary

−Vamos tomar café? Eu pergunto ao meu pequeno depois de amarrar seus sapatos, ele afirma com um movimento de cabeça.

−Vai sair? Pergunta me enlaçando o pescoço, suspiro com uma louca vontade de dizer que não, mas eu vou, tenho que ir, meu medo de algo acontecer a Daryl e não estar com ele me assusta demais.

−Prometo que quando chegar vou brincar muito com você, e podemos jogar aquele seu jogo e brincar com o carrinho o que acha?

−Papai Daryl também? Daryl me olha terminando de se vestir, eu devolvo o olhar e beijo Scott, ele tem as bochechas tão fofas dá vontade de morder.

−Também! Respondo pegando Scott no colo, mas logo ele pede chão se contorcendo em meus braços, não vai perder a chance de descer degrau por degrau enlouquecendo Daryl.

Saímos para fora, o dia ainda estava frio embora os dias quentes estivessem a caminho, encontro Beth com Judith no colo, a pequena está cada dia mais linda e esperta, já surgiram os primeiros dentinhos e ela balança o mordedor rosa sorrindo, beijo sua bochecha.

−Beth o Scott vai ficar brincando com as crianças enquanto saio com o Daryl na missão, pode apenas dar uma olhada se ele precisar?

−Claro! Ela me sorri – Vou deixar Judith lá dentro e volto logo aqui fora, preciso de água, nos vemos antes de saírem.

Continuo andando, Daryl vai na frente, a cada passo que dá escuto um “Bom dia senhor Dixon” Ele responde com acenos e sei que sempre fica incomodado com isso, Daryl assim como eu nunca gostou muito de chamar atenção e agora é simplesmente o herói da prisão, metade das pessoas aqui devem a vida a ele e não cansam de ser gratas.

Ele caminha na minha frente em direção a cozinha, Patrick está lá ajudando como de costume, é um menino ótimo, sempre disponível e completamente encantado por Daryl pode se ver isso pelo olhar.

−Bom dia Daryl! Doutor S está sentado comendo algo.

−E aí doutor S! Daryl responde quando se aproxima da mesa.

Eu não consigo evitar sorrir, ele me olha sem entender.

−Que foi? Pergunta e dou de ombros – Rick também trouxe muitos.

−Não recentemente! Contraponho – Deu a eles um lugar seguro, alimenta-os, é normal que te amem! Eu continuo e ele ergue as sobrancelhas.

−Certo senhorita, mas foi você quem trouxe o jantar! Ele me diz mastigando a carne – Isso está muito bom! Ri para mim carinhoso, acho que se não estivéssemos cercados de gente até me beijaria.

−Amor queria te mostrar uma coisa! Peço, estou preocupada com as grades, quero a opinião dele antes de sair – Patrick, pode ficar um pouco aqui com o Scott? Ele logo se aproxima – Mamãe já vem certo? Ele concorda enquanto tomava sua caneca de leite.

−Senhor Dixon! Patrick está solene me controlo ao perceber o ar surpreso de Daryl – Queria agradecer o cervo que trouxe ontem, foi uma fartura e ficaria honrado em apertar sua mão.

Eu os olho achando tudo muito divertido, Daryl que comia com a mão sorri, lambe dedo por dedo só para provocar o garoto que continua ali com a mão estendida, cheio de orgulho, Daryl então aperta sua mão.

−Sabe Patrick, quem caçou o cervo na verdade foi minha mulher! Daryl diz antes de me puxar pela mão deixando o garoto com cara de bobo e eu meio tonta pelo que ele disse.

Não devo ter ouvido direito, ele disse minha mulher, sempre que faz algo assim fico tonta, e se fala desse modo para outros sempre custo a acreditar.

−Que foi bruxa? Ele me pergunta quando caminhava ao meu lado em direção as cercas.

−É que sempre fico surpresa quando diz minha mulher, me deixa emocionada.

−Garotas! Ele me beija e então paramos diante das cercas, quatro pessoas matavam zumbi pela grade, os malditos dominando nosso espaço cada vez mais.

−Olhe! Eu mostro a cerca – Acha que estamos seguros, que não pode acontecer de termos que fugir?

−Sempre podemos nos mudar! Ele brinca.

−Acho que se acumulou muito está noite, olha lá nossa torre cheia deles, pelo menos umas três dúzias.

−Nossa torre é? Ele passa o braço sobre meu ombro.

−Está todo contentinho hoje? Eu digo rindo.

−Minha garota caçou um cervo ontem ficou bem feliz sabe e tivemos uma ótima noite! Eu fico completamente corada, desvio o olhar quando ele ri de mim, ainda devolvo a provocação eu penso.

−Eles não se espalham mais, e aumentou muito desde o mês passado, não acha?

−Quanto mais gente aqui, mais atraímos eles, esse malditos agarradores de cerca adoram se amontoar.

−Tenho medo, eles ficam forçando as cercas, é manejável, mas por quanto tempo?

−Até quando for possível! Ele me diz, não é uma resposta muito exata – Mas nada vai acontecer hoje, então não se preocupe, em todo caso sabe que não precisa ir.

−Mas vou, eu quero, pelo menos mais hoje, depois talvez eu pare um pouco, mas hoje quero ir.

−Algum motivo especial?

−Um medo diferente apenas isso.

Daryl me abraça quando percebe que estremeço, me beija de leve e depois caminha para dentro me puxando pela mão, Maggie se aproxima com Glenn, tem um ar preocupado.

−Ei bruxa vou chamar a Sasha e já nos reunimos.

Glenn o acompanha e fico sozinha com Maggie, ela me olha, morde o lábio seguro sua mão.

−Vai me dizer? Eu pergunto e ela está séria.

−Glenn acha melhor eu não ir junto hoje.

−Sei, e ele acha isso por algum motivo em especial? Eu pergunto e ela se senta, faço o mesmo sem soltar sua mão.

−Mary, talvez eu esteja gravida! Ela me diz e fico boquiaberta, mas depois sorrio seria uma coisa boa eu acho, mas talvez eles não pensem assim.

−Isso é bom!

−Eu acho que poderíamos ter se quiséssemos, é seguro agora, mas mesmo assim eu não sei, da medo, de qualquer modo ainda é só uma suspeita.

−Seu pai já sabe?

−Ninguém além de nós três, mas prefiro assim, Glenn mal dormiu essa noite preocupado, cuida dele lá fora?

−Vamos ficar bem! Eu a abraço, porque agora abraço pessoas – Pode contar comigo para o que precisar, quando chegar conversamos mais.

Ela abre um sorriso e volta para sua cela, eu vou em busca de Scott que estava sentado com Patrick ao lado.

−Mamãe, vai demorar muito? Ele me pergunta já fazendo bico quando me aproximo.

Como queria dizer a ele que não, que seria tudo rápido e seguro, mas apenas o abraço e então Daryl me chama.

Scott vai para seus braços, aperta o pescoço de Daryl que acaba sem opção a não ser retribuir o carinho.

−Papai Daryl vai voltar para casa?

−Claro! Ele beija o pai choroso e depois Daryl o entrega para Patrick – Voltamos antes da hora da leitura.

Daryl avisa a Patrick que concorda, e damos as costas aos dois, temos que preparar o carro, sempre levamos primeiros socorros, uma muda de roupas em nossas mochilas, mais combustível, tentamos prever todo tipo de confusão no caminho e ainda assim sempre podemos ser surpreendidos por algo novo.

−Zack vai conosco! Daryl me diz e estranho, normalmente vamos nós com Arthur, Sasha, Maggie e Glenn, quando Michonne está ela sempre vai junto, mas Zack?

−Maggie não vai, ele pretende substituí-la.

Beth caminha com um balde, Zack a faz parar e Arthur imediatamente se afasta visivelmente incomodado.

Zack avisa que vai conosco, faz charme, espera que Beth demonstre alguma tensão, mas ele nem imagina toda sorte de coisas porque já passamos, ela está acostumada a ver as pessoas que ama saindo para as ruas todos os dias.

−É perigoso ir lá fora! Zack tenta lembra-la.

−Eu sei! Ela responde rindo e se afasta, quando passa por mim pisca e sorrio.

−Não vai se despedir? Ele pergunta surpreso.

−Não.

Ela nos deixa e Daryl ri.

−Parece aquelas novelas românticas! Ele comenta terminando de preparar o carro.

−Olha quem fala! Zack provoca.

Então é a vez de Bob se aproximar com sua mochila nas costas. Sasha o olha sem muito animo.

−Quero ir junto, pagar pelo que estão fazendo.

−Só faz uma semana! Sasha rebate – Quando Daryl te encontrou estava sozinho, preciso ter certeza que sabe trabalhar em grupo.

−Só vamos fazer se for fácil! Daryl avisa.

−Bob era médico do exército Sasha! Glenn que chegava completa, eu fico quieta, não sei como lidar com isso, é mesmo uma decisão difícil e se ele fizer uma bobagem e colocar tudo a perder.

Sasha é vencida e acaba por concordar.

−Vamos de moto Bruxa, estamos bem acompanhados hoje, acho que vai ser uma boa ideia.

Concordo porque adoro andar na garupa de sua moto. Quando saímos Daryl diminui ao ver Michonne no portão conversando com Rick, abro um sorriso adoro saber que está de volta, sempre temo por sua vida quando sai.

−Olha quem está de volta! Daryl cumprimenta.

−Não o encontrei! Ela avisa, eu me recosto em Daryl, essa busca por vingança é tão assustadora para mim – Estou pensando em tentar Macon.

Daryl é contra, fala sobre o número de zumbis no caminho e as coisas que ela pode encontrar, Mich não gosta muito de sua postura, ela acredita que precisa encontra-lo e que de algum modo Daryl deveria apoia-la já que Merle se foi por conta daquele lunático.

Daryl conversa uns minutos com Rick, informa onde vamos e pede para que Rick considere a possibilidade de voltar a andar armado, Rick desconversa, não sei por quanto tempo essa roupagem de fazendeiro vai funcionar, Rick é um líder, está fugindo disso agora, mas acho que um dia simplesmente vai entender que não é possível.

Rick se recusa a nos acompanhar e Michonne se oferece, Carl resmunga e ela promete voltar então partimos.

Quando chegamos a música ainda tocava alta, Michonne estranha e Daryl explica a ideia.

−Bom, tenha certeza que é seguro e agarre o que puder! Ele diz caminhando na frente, eu vou logo atrás, andamos pelo acampamento do exército, muitos corpos espalhados, tudo revirado, como de costume uma bela cena de filme de terror.

−Se for mesmo seguro voltamos amanhã com mais gente! Ele continua, agora a segurança vinha em primeiro lugar, principalmente depois do que passamos na última vez que saímos os dois, a lembrança do apartamento me causa um arrepio, Daryl pisca para mim percebendo minha tensão.

Sabemos que essas lojas abrigaram muitas pessoas e Daryl então bate no vidro, se zumbis estiverem lá dentro com certeza serão atraídos pelo som, esse é nosso costume antes de entrar.

−Me deem um segundo! Ele diz se sentando no batente, Zack que é um dos seus seguidores se senta do lado, eu fico de pé com Mich e Arthur a minha volta.

−Acho que entendi.

−Entendeu o que? MIch pergunta a Zack.

−Estive tentando adivinhar o que Daryl fazia antes do apocalipse.

−Está fazendo isso a tipo umas seis semanas!

Daryl avisa, eu me divirto com as teorias de Zack, adoro ouvi-las e passo a prestar atenção.

−Uma chance por dia lembra?

−Vai, manda.

Daryl tem um ar divertido, foi mesmo uma noite perfeita, eu penso gostando de vê-lo assim.

−O jeito que você é na prisão, membro do conselho, sempre ajudando as pessoas, sabe rastrear, mas sabe, é meio grosseiro. Um tira da homicídios.

Eu e MIchonne explodimos numa longa gargalhada, que faz com que os dois se voltem, isso definitivamente teria matado Merle.

−O que é tão engraçado? Daryl pergunta fingindo magoa.

−Nada, faz muito sentido! Mich não resiste.

−Na verdade o cara está certo. Disfarçado, eu era um tira disfarçado! Não acredito na cara de pau de Daryl Dixon – Eu não gosto de falar sobre isso, era muito pesado sabe?

−Mesmo? Zack pergunta entre surpreso e confuso, o ar de riso de Daryl o entrega – Acho que vou continuar tentando.

Um zumbi surge na vidraça nos despertando.

−Vamos lá detetive! Michonne o chama e seguimos para porta com o velho pé de cabra que sempre nos acompanha.

Abrir e limpar a porta não dura nem um minuto, estamos cada dia melhor nisso, a metade de um corpo de soldado caída na porta chama atenção de Bob, não sei se porque era apenas uma metade, ou se porque pertencia a um soldado.

Sasha nos dá as instruções de costume, e depois disso entramos, primeiro varrer tudo em formação e só depois nos espalharmos para pegar o que for preciso.

Tudo caminha bem e seguimos as compras, sinto falta de Maggie nessas horas, é divertido fazer isso com ela, sempre rimos das coisas tolas que encontramos e que um dia foram tão importantes.

Nos separamos, eu sigo perto de Daryl por que se me afastasse muito ele teria uma sincope, levo minha besta e uma arma mais pesada, mas no momento não uso nenhuma das duas, apenas vasculho prateleiras quase tranquila.

Um barulho nos desperta, corremos e Bob está preso sob uma estante de bebidas.

−Tudo bem? Daryl pergunta a Bob – Está ferido?

−Não só meu pé que ficou preso, me ajude a levantar a estante.

−Todos estamos bem, na seção de vinhos! Arthur avisa se juntando ao grupo que levantava a estante.

Então a coisa mais estúpida e inacreditável acontece, um zumbi cai do teto, seus intestinos o mantem preso como um alpinista no teto da loja, fico paralisada olhando aquela cena bizarra para dizer o mínimo.

−Pessoal, acho melhor a gente se mandar.

Glenn nos pede atento, estamos todos olhando para o telhado.

−Bob ainda está preso, vamos soltá-lo.

Mas aquilo não era suficiente, nunca é, Deus não se cansa de nos testar e uma chuva de zumbis começa, pisco sem acreditar, era isso mesmo, agora eles caiam do céu?

Estamos confusos e cercados, e dessa vez sim, eles vem de todos os lados inclusive de cima, saber que um zumbi simplesmente pode cair na sua cabeça te dá uma sensação de inutilidade que apavora.

A confusão de corpos caindo de todos os lados vai nos separando, ouço Daryl gritar por mim, Bob pedia ajuda, e tudo que posso fazer é matar os que vão me cercando, Arthur se aproxima de mim, e ao meu lado seguimos derrubando zumbis, a besta não é suficiente e decido usar a arma, atiro sem medo de fazer barulho, quero encontrar Daryl.

−Arthur o Daryl! Eu digo e vamos seguindo em direção a ele, quando chegamos está sobre caixas cercado de zumbis e eu e Arthur atiramos, Daryl suspira aliviado.

Um barulho nos chama atenção e quando olhamos para cima o teto todo sedia com o peso de um helicóptero sobre ele, então essa era a razão da chuva.

−Vem Daryl! Eu o chamo assustada.

−O Bob! Zack avisa e seguimos para ele, não podemos deixar o cara para trás, Arthur e Daryl chegam no momento exato, ele lutava com um zumbi que se arrastava em sua direção, já estive assim e é terrível, Arthur o puxa e Daryl pisa em sua cabeça explodindo seus miolos naquele show de sangue e massa encefálica podre que já vimos tantas vezes.

Zack forçava a estante, eu procurava matar os zumbis que tentavam se aproximar, Glenn fazia o mesmo, não sei bem onde estão os outros.

Daryl puxa Bob, o resto do grupo começa a se aproximar e o teto começa a ceder.

−Vamos! Todos gritavam e já caminhávamos para saída quando o grito de Zack nos faz virar, um zumbi estava sobre ele e era tarde demais.

−Zack! Eu grito, mas Daryl me puxa, vejo Arthur tentar se aproximar dele, Glenn o força a sair, não tem mais nada a ser feito, corremos enquanto o teto caia sobre nossas cabeças.

Voltamos para casa silenciosos, assustados com o que aconteceu, abatidos pela perda de Zack, tristes em nos lembrar que é preciso apenas um instante para tudo mudar.

Eu e Daryl seguimos apressados em busca de Scott, senti falta dele e muito medo, poderíamos não ter voltado, simplesmente saído e nunca mais voltado, todos nós poderíamos estar mortos por conta de uma estupida chuva de zumbis.

Ele pede colo quando nos vê, está com Hershel que logo percebe que algo deu errado.

−Patrick o deixou comigo, o que aconteceu?

−Zack! Eu digo e não é preciso mais do que isso para ele entender.

Daryl me beija abatido faz espontaneamente um carinho em Scott.

−Oi papai, eu fiquei triste, e chorei de novo.

−Sim você chorou! Daryl responde e me olha, eu sabia que era hora de escolher, ele não podia perder os dois, meu coração palpita diante da possibilidade, mas dissemos sim ao menino, é meu filho, eu o amo e só me resta aceitar.

−Mamãe não vai mais sair pequeno, não se preocupe! Digo isso olhando para Daryl que afirma com a cabeça, nos puxa para seus braços e ficamos assim uns minutos, depois ele se afasta.

−A missão era minha responsabilidade, vou dizer a Beth o que aconteceu.

Daryl me avisa triste, Arthur para a seu lado.

−Se importa se for junto, acho que talvez mesmo ela se fingindo de durona precise de um amigo.

−Claro Arthur, é uma boa ideia! Daryl toca meu rosto – Te encontro na nossa cela, vai com a mamãe sorvetinho! Ele diz apertando o nariz de Scott que sorri, inocente do mundo que o cerca.

Os dois se afastam e me lembro do calendário estranho que Beth mantem em seu quarto, hoje mesmo o vi, trinta dias sem acidentes, voltamos ao ponto de partida mais uma vez.

Notas finais
O que acharam adoro essa chuva de zumbi!rsrsrs Beijos