Apocalipse - A Era Dos Mortos

64 Capítulo 64 - Se abrindo


Notas iniciais
Mais um capítulo, esse é intermediário, falei que alguns seriam assim, é entre o primeiro e o segundo episódio. Espero que aprovem

Pov – Daryl

Fico surpreso com a reação da Beth, ela é uma jovem muito corajosa amiga de Mary, cuida da Bravinha como se fosse dela, mas está cada dia mais distante dos próprios sentimentos, acho que isso é apenas o jeito que ela encontrou de não sentir tanto medo, de sobreviver.

Eu já cheguei a achar que isso funcionaria, mas comigo não deu certo, Mary entrou na minha vida e entendi que me esconder nunca funcionaria, não consegui resistir ao que sinto por ela e junto com esse sentimento veio tudo que ela me trouxe, um garotinho com cara de anjo que me chama de papai, uma família e o respeito de todos à minha volta.

Me sentir útil e necessário, para ela e para as pessoas a minha volta, talvez Beth precise encontrar seu lugar, e acho que Arthur é o cara que pode ajudar.

Caminho para minha cela onde provavelmente Mary vai estar brincando com Scott que vai me ver e dizer, que eu o achei, e então vou dizer que sim e me afastar, porque sou um grande babaca e tenho medo de parecer um idiota.

Quando cheguei hoje quis mesmo abraçar ele de verdade, mas não consegui, sou um Dixon e isso é o que os Dixons fazem, afastam as pessoas.

Assim que entro vejo Scott brincando com Mary e seu cavalinho.

−Você me achou! Ele diz como suspeitei que faria.

−Sim, achei você! Respondo me sentando, Mary vem para meus braços.

−Beth ficou bem? Ela me pergunta preocupada – Acha que devo ir até lá?

−Ela reagiu bem e o Arthur está com ela, na verdade acho que ela esconde um pouco o que sente.

−Beth não conhecia a dor até isso começar, não é como nós, foi mais difícil para ela, esse foi o jeito que ela encontrou de viver nesse novo mundo.

−No fim ele nem é tão diferente do que era, ao menos para mim ou você, já enfrentamos muitos zumbis antes de toda essa merda de apocalipse começar.

−Sim, e perdi todas as lutas até arrombar minha porta.

Ela suspira olha para Scott que estava completamente envolvido com o brinquedo e falava sozinho, vez por outra ouvia um papai e acho que estávamos os dois envolvidos em alguma grande aventura, sorrio involuntariamente.

−É difícil! Mary me diz.

−O que é difícil?

−Arthur gosta da Beth de verdade, deve ser difícil para ele estar lá consolando ela agora, sabendo que ela está triste pela perda de alguém que gostava.

−Isso mostra que ele gosta mesmo dela, se é capaz de fazer isso.

−Sim, acho que está certo, Beth também gosta dele, ela não queria fazer o Zack sofrer, mas não sentia por ele o mesmo que sente pelo Arthur.

−Uma boa confusão.

−Do tipo que eu nunca me meteria, nunca conseguiria ficar com qualquer outra pessoa, amo você demais para aceitar que qualquer outra pessoa se aproxime.

−Bom saber, evita que minha besta entre em ação! Eu brinco, sou ciumento, sei disso, mesmo sabendo que não tenho nenhuma razão para isso.

Maggie surge na porta da cela, sorri para Mary.

−Glenn me contou, vim dizer que é bom ter vocês dois aqui! Ela sorri Mary se levanta – E sobre aquilo, foi um alarme falso!

Mary a abraça, não sei do que estão falando mas posso ver o alivio no rosto de Maggie.

−Não sei muito o que dizer.

−Não diga nada, eu sei que adoraria me dar os parabéns caso fosse verdade e entendo isso, mas estou aliviada, podíamos ter, porém é bom que não tenha acontecido.

−Se precisar de qualquer coisa, estou aqui.

−Sei que está Mary, é uma boa amiga, a melhor para ser honesta, vou ver a Beth!

−Arthur está com ela! Mary avisa.

−O garoto não perde tempo, gosto disso! Ela sorri de um modo triste – Então depois vejo minha irmã.

Maggie e Mary se abraçam mais uma vez e depois Mary volta para meus braços.

−Esse casal adora te encher de segredos! Eu brinco.

−Maggie achou que estava gravida, ficou tensa, foi por isso que não foi hoje, Glenn não deixou.

−Caramba! Eu digo aliviado, gosto muito de Maggie e Glenn e uma gravidez depois do que vimos acontecer com Lori deve ser uma espécie de tortura que ninguém merece passar.

−Mas como ouviu foi um alarme falso.

−Que bom! Eu não consigo evitar comemorar – Deve ter sido difícil para o Glenn, eu bem que o achei meio distante e preocupado.

−Acho que agora estão bem, e o susto de hoje traz todo mundo de volta, chover zumbi foi, sei lá, sul real.

−Bruxa era apenas isso que faltava, eles caírem do céu, mas realmente foi assustador.

−Tive muito medo! Ela me diz encostada em mim, eu trago sua mão até meus lábios e beijo os nós dos seus dedos.

−Eu também! Acho que preciso me abrir com ela, dizer um pouco como me sinto, embora seja estranho fazer isso, mas Mary faz, me diz o tempo todo tudo que passa por sua cabeça, preciso aprender a fazer o mesmo.

−O que você tem?

−Nada, estou cansado de perder pessoas.

−Acho que nunca estamos prontos, sempre dói.

−É difícil! Eu a envolvo mais, ela se encosta mais em mim, e olha para Scott tão absorto que mal nos vê, para ele basta que estejamos lá – Sempre que vamos para rua, ou quando nos colocamos em uma situação de risco a primeira coisa que penso é que quero que você fique bem, que viva.

−Eu sei disso, posso sentir.

−Acontece que hoje, quando aqueles zumbis de merda começaram a cair a nossa volta a primeira coisa que pensei foi no Scott, que precisava trazer você de volta, que ele não podia ficar sem mãe.

−Assim como não pode ficar sem pai! Ela rebate.

−Pai! Resmungo – Pai não serve para porcaria nenhuma, que diferença faz na vida de alguém ter ou não um pai, é você quem cuida dele, alimenta e faz dormir, da banho, acalma!

−Está errado, ele precisa de você, não pode tomar o seu pai como exemplo, você não é como ele.

−Ás vezes eu não tenho tanta certeza! Quero me abrir com ela, mesmo isso sendo tão difícil – Quando chegamos aqui e você pegou ele no colo, abraçou, beijos, acho... Acho que queria fazer o mesmo, acontece que não consigo, não sei fazer isso.

−Claro que sabe, apenas tem medo! Mary se vira para ficar de frente para mim – Só precisa descobrir do que tem medo.

Fico mudo, são tantas coisas, tem uma barreira, um muro que me impede de ir muito longe.

−Se tem medo de ser rejeitado é uma tolice, ele nunca vai fazer isso, a menos é claro se decidir fazer isso quando ele estiver descendo as escadas, porque isso é uma grande aventura da qual ele não abre mão.

Ela tem razão e sorriu, ele adora subir e descer as escadas.

−Não é só isso.

−Tem um pouco de medo de parecer ridículo, por que aprendeu que esse tipo de carinho é errado, ou porque ninguém nunca fez isso por você.

−Pode ser.

−Acha ridículo quando o Rick fica ninando a Judith, ou faz um carinho no Carl?

−Não! Respondo com honestidade, acho aquilo interessante e corajoso.

−Então por que com você seria ridículo?

−Talvez por que as pessoas não esperam me ver abraçando e beijando um garotinho, jogando bola com ele no pátio, essas coisas que...

−Que queria fazer, acho que a curiosidade das pessoas não duraria mais que uns minutos, além disso nunca achei que fosse o tipo que desse toda essa importância aos outros, ao que eles pensam eu digo.

−É complicado Bruxa! Eu a beijo de leve – De muitas maneiras, essa coisa toda que construímos em cima de areia movediça, a ideia de me entregar tanto e depois...

−Perder!

Dou de ombros, ela volta para meus braços se encolhe, sabe que tudo pode ruir num instante, mas ainda assim abre espaço, luta para mudar, se abrir, deixou as pessoas entrarem em sua vida mesmo depois de tudo que passou.

−Devia tentar, acho que é tudo que Scott quer, e você sabe como fazer, é delicado comigo, me esperou, cuida de mim, me ama e demonstra, por que seria diferente com ele?

−Primeiro que nossa relação é diferente, somos íntimos de uma forma diferente, e não pude evitar você, mas tentei! Eu digo e ela sorri concordando com um movimento de cabeça.

−Eu também!

−Mas não durou nada! Eu a lembro – Fiquei maluco por você logo de cara.

−E eu por você, mas acontece que com o nosso pequenininho não foi diferente, ficamos bobos com ele logo de cara. Por isso não posso mais ir com você, ele sofre e isso me machuca.

−Ele precisa que um dos dois cuide dele, para se sentir seguro.

−É! Scott responde de onde estava, e rimos os dois.

−É o que sorvetinho?

−Ninguém pode sair que eu choro.

−Está ouvindo a conversa dos adultos é seu sorvetinho fofoqueiro! Eu brinco com ele.

Ele vem para perto de nós, e tomo coragem para fazer o que quero, pego Scott no colo, ele se senta e sorri é bem bonitinho, tem os olhos cor de mel que brilham tanto quanto os de Mary.

−Papai não vai mais lá fora também?

−Tenho que ir, para buscar comida para você.

−Eu choro!

Ele se encosta em mim e faço um carinho nos cabelos lisos dele, Mary me sorri.

−Pode brincar de corrida?

−Pode! Eu me animo – Mas eu dirijo a Ferrari.

−Tá! Ele me deixa um minuto e volta com os brinquedos – Mamãe não tem carrinho.

−Eu fico assistindo.

Mary se senta encostada na parede e fica assistindo nossa brincadeira, Scott ganha todas as vezes, não sei se isso é certo, mas ele é tão pequeno, tem tanto a perder lá fora, só quero que aqui entre nós ele ganhe tanto quanto for possível.

Scott não me deixa mais, em nenhum momento acho que sentiu alguma mudança porque me pede atenção o tempo todo, depois de comer subimos, era hora de colocar o pequeno na cama e isso nunca era um problema.

Acontece que dessa vez ele não quer dormir, está ansioso e quer brincar mais, jogo com ele mais uma vez seu joguinho de tabuleiro, Mary está absolutamente surpresa comigo.

−Agora tem que dormir sorvetinho, a mamãe te coloca na cama.

−O papai que põe! Ele pede e engulo em seco, mas sigo com ele ao beliche, coloco Scott na cama cubro e fico olhando para cara dele, não sei bem como se faz, ele segura minha mão e fecha os olhos, depois leva o dedo a boca.

É muito encantador vê-lo assim, mas não acho que chupar dedo seja uma coisa boa nesse mundo que vivemos, uma hora pode estar com os dedos contaminados com alguma porcaria qualquer e ficar doente e nem sei o que faria se meu pequeno tivesse uma doença.

Logo estava dormindo, tiro seu dedo da boca, ele leva de volta, repito o gesto ele mais uma vez coloca o dedo na boca, Mary ri de mim e desisto.

−Ok, você venceu! Eu sigo para nossa cama.

−Patrick está sendo muito legal com ele, Carl também, mas Carl não gosta muito de ficar com as outras crianças.

−É bruxa, Carl quer crescer logo, ele e Rick estão numa bela briga, mas o caminho que ele estava tomando era mesmo assustador.

−Eu sei, mas o que vimos, o que fizemos, é difícil.

−O dia começou tão bem, e terminou bem, mas no meio do caminho...

−Vou morrer de medo de ficar aqui enquanto você sai.

−Eu vou morrer de medo de estarem aqui e eu longe, essas cercas, esse monte de agarradores, acha que é fácil, sabe que toda vez que saímos tenho medo de voltar e estar tudo perdido.

−Vou cuidar dele, proteger e te esperar, mas estamos bem pode dar um tempo nessa coisa de sair não pode?

−Posso, acho que sim, vamos reunir o conselho e discutir isso.

−Porque acha que a Carol não deixa o Scott nas aulas de leitura?

−Não tenho ideia, mas quero descobrir, estou achando a Carol meio estranha, mas aqui na nossa cama não é lugar de pensar em Carol! Eu a beijo e ela me sorri.

−E no que vamos pensar? Ela me pergunta corada.

−Que tal as coisas que Mary gosta, podemos começar com respirar no pescoço, o que acha?

−É um bom começo! Ela me diz com a voz doce, tem aquele sorriso suave no rosto, os olhos brilham como sempre e eu a beijo, um longo beijo – Amo você! Sussurro porque isso também é uma coisa que Mary gosta e eu também.

Mais uma vez é perfeito, sempre é perfeito acho tão surpreendente, depois dormimos. Acordo com Scott me cutucando abro os olhos e ele se senta entre mim e Mary.

−Oi! Ele diz – Vamos brincar lá com o Patrick e a Mika?

−Quer brincar com a Mika é? Eu faço cocegas nele.

Mary abre os olhos e logo se senta.

−Que foi? Ela pergunta preocupada.

−Papai vai me levar com a Mika.

Mary sorri, está nas nuvens desde que me viu brincar com ele sem medo e colocar o pequeno para dormir.

Pov – Mary

Depois de tudo que passamos ontem com aqueles zumbis caindo sobre nossas cabeças nunca poderia imaginar que as coisas tomassem esse rumo, Scott e Daryl grudados o tempo todo, as coisas que Daryl me disse, eu já sabia de tudo aquilo, mas foi bom sentir que ele confia em mim a ponto de me constar.

Então acho que depois que disse se sentiu livre e simplesmente está completamente encantado pelo pequeno, colocou ele na cama, brincou e fez carinho e agora acordo com os dois falando baixinho cumplices, é tão emocionante que chego a sentir vontade de chorar.

Scott está pronto e muito ansioso para brincar com as outras crianças, acho isso muito bom, ele precisa se sentir bem com os outros, ou vai acabar um mini Daryl ou Mary, com dificuldade de viver em sociedade, mas ele agora está tão confiante que começa a se abrir.

−Pensei que já que não vai mais sair em missões e Scott está tão tranquilo com as crianças podíamos caçar, isso é mais seguro, a floresta é bem aberta e acho difícil ficarmos presos, além disso nunca demoramos muito e podemos fazer isso enquanto ele brinca com as crianças de manhã, o que acha?

−Acho a ideia perfeita, vamos descer com as bestas! Eu respondo feliz, quem sabe dou sorte, adorei alimentar as pessoas e queria muito fazer de novo.

Lá em baixo Sasha se aproxima de Daryl para conversar, sirvo o café de Scott, ele bebericava o leite despreocupado, comia uma massa feita com farinha velha que as mulheres preparavam e que quase se parecia com pão.

Carl se aproxima de mim, está um tanto relutante eu noto.

−Algo errado? Pergunto preocupada.

−Podemos conversar em particular?

−Sim! Olho para Scott – Qualquer coisa chama o papai ele está logo ali! Aponto Daryl em pé não muito distante, ele sente e me olha de longe, aponto Scott e com um gesto peço para ficar de olho, ele faz que sim e me afasto com Carl, nos sentamos nos degraus da escada do nosso bloco de celas.

−Pronto estamos sozinhos! Eu aviso.

−É estranho aqui, me lembro das coisas de antes, da minha mãe, do poleiro do Daryl! Carl ri – Do T-dog.

−Eu sei, você ficava muito aqui sentado, de olho no Hershel.

−É, Mary se descobre um segredo, o que faz com ele?

Certo o menino descobriu um segredo de alguém e está em dúvida de como agir, fico pensando, eu contaria a Daryl e pediria a opinião dele.

−Acho que procuraria alguém próximo para dividir comigo se achasse que não posso simplesmente lidar com ele sozinha.

−É isso que estou fazendo, descobri que a Carol ensina as crianças a se defenderem de ataques, ela os treina escondido.

Então era isso que ela fazia, por isso Scott não podia r junto.

−E não sabe o que fazer com essa informação? Eu pergunto.

−Não. Quer dizer, eu não queria esconder isso do meu pai, mas não sei o que ele vai dizer se souber.

−Sabe Carl, eu tenho o Scott agora, amo aquele garotinho e tenho muito medo de algo acontecer a ele, se ele fosse só um pouco maior acho que gostaria que soubesse se defender – Sou obrigada a ser honesta, não posso negar que tenho meus problemas com Carol, mas aquilo não é sobre nós – Mas acho que isso é uma decisão dos pais das crianças, sei que ela está fazendo isso para protege-los, e acho que ela tem medo de se repetir, você sabe...

−Sophia! Ele me diz e concordo – Eu pensei nisso, e fiquei um pouco com raiva, de não poder usar mais minha arma, de ela fazer isso escondido, de tantas coisas, mas eu acho que as crianças devem aprender.

−E qual afinal é seu dilema?

−Não quero trair ninguém, mas não quero mentir para o meu pai, estamos bem juntos agora ele está fazendo de tudo para eu ficar bem e se mentir, se ele descobrir que sabia e fiquei calado, não quero andar para trás com ele de novo.

−Foi a Carol quem te contou?

−Não, eu vi, estava escondido, mas vi e ela sabe que vi.

−Nesse caso não está traindo ninguém já que ela foi descuidada, se queria segredo devia ter se cuidado mais, além disso você está certo sobre seu pai, vocês estão bem amigos agora.

−Não posso decepcionar ele de novo.

−Então se vai se sentir melhor conte a ele, e seja claro diga que acha certo treinar as crianças e que está apenas dividindo isso com ele, mostre que está maduro e deixe que ele decida o que fazer com isso.

−Obrigado Mary, você sempre me ajuda, eu vou ver o que faço.

Carl sorri e segue para seu trabalho com o pai, fico mais uns minutos sentada na escada, porque as pessoas tinham essa mania irritante de me contar segredos?

Agora era minha vez de decidir o que fazer com isso, contar a Daryl era um fato, desde o segredo de Glenn e Maggie na farmácia a três mil anos atrás que não escondo mais nada dele.

Me levanto pronta para ir ao encontro dele quando escuto tiros e gritaria, corro, Daryl e Sasha faziam o mesmo, Beth estava abraçada a Judith.

−Cuida do Scott Beth! Eu peço antes de correr para fora junto com o resto do grupo, não sei bem de onde vem a confusão, se são zumbis ou sobreviventes, mas o que quer que seja estou pronta para defender minha família.

Notas finais
E então o que acharam, agora no próximo já sabem a doença chegou, pobre Patrick! Beijos