Apocalipse - A Era Dos Mortos

6 Capítulo 6 - Descobrindo sentimentos


Notas iniciais
Capítulo novo, espero que gostem.

Pov – Mary

Ele diz que vai voltar, mas como pode ter certeza depois do que vimos na floresta, porque sou tão covarde, não quero ficar aqui com essas pessoas, quero seguir com ele, e daí se um zumbi me encontrar? Quem se importa, acho que nem mesmo eu me importo, porque ele ou qualquer outro se importaria?

Mas eu sou uma covarde que só sabe obedecer, que teme tanto se machucar que só o que consegue é se esconder e chorar, essas malditas lágrimas não tinham ido embora, porque voltaram?

Fico parada assistindo Daryl sumir na floresta, não sei o que fazer, nem como me comportar, caminho até a barraca e me sento, só me resta esperar, era estranho assistir as pessoas convivendo como velhos amigos, dividindo tarefas, contando sobre suas vidas, se tivesse algo para contar eu contaria, mas ninguém quer ouvir as lamurias de uma garota sozinha.

Me lembro das horas que passei na floresta, ele me deixou atirar com a besta, mais do que isso me ensinou, eu cacei um esquilo, nem acredito que fiz isso, essa é uma história que poderia contar, tentei fazer isso, mas o Merle não se importou, ele não se importa com muitas coisas, não se importa com coisa alguma, nem com o irmão, ao menos não como deveria, não gosto do modo como ele fala com o Daryl, ele é especial e merecia ser reconhecido, eu sei que está sempre preocupado com o irmão, com as encrencas que ele cria, mas Merle não enxerga isso, mesmo assim, na maior parte do tempo ele convive comigo, mesmo com suas brincadeiras grosseiras eu sei que só quer chamar a atenção das pessoas, tem medo de parecer invisível, eu sei como é ser invisível.

Eu não conseguia parar de pensar em Daryl, no modo como meu coração batia descompassado quando ele olhava para mim, ou chamava meu nome, desde a primeira vez que ouvi fiquei assim, ele é bonito, forte, por dentro e por fora, tem tanta coragem que me impressiona, mas eu sei que ultrapassei todos os limites, ele não deve me suportar mais, passo o tempo todo esperando para ficar perto dele, crio confusão entre ele e os outros por conta dos meus pesadelos, e agora como se não fosse o bastante acorda-lo todas as noites com meu choro, eu ainda fico chamando por ele, nem quero imaginar o que pensa de mim.

Além de tê-lo acusado de ter me entregado nas mãos de Jack, eu estava confusa, não sabia se estava dormindo ou acordada, que ridícula. Ele disse que Jack não pode mais me machucar, não sei o que sabe, o quanto sabe, rezo para não saber demais, o que ele pensaria de mim se soubesse as coisas que aconteciam comigo.

Faria como minha mãe fez, diria que a culpa é minha, foi tão difícil contar, se soubesse nunca teria contado, mas agora eu sei e nunca vou contar a ninguém, principalmente a Daryl, se ele me olhar com os mesmos olhos que minha mãe olhou, não sei se suportaria.

−E então como foi matar um zumbi? Amy me pergunta se sentando do meu lado.

−Assustador! Eu respondo – Nunca achei que poderia fazer aquilo, fiz porque ela atacaria o Daryl.

−Formam um casal bonito! Ela me diz e não nego, ninguém parecia acreditar nisso – Eu pessoalmente acho ele meio assustador, e não gostei do modo como ele falou com a minha irmã, mas Andrea não é fácil.

−Ele é um cara muito especial, alimenta todos, cuida de mim, e tem razão sua irmã não é fácil, ele é impulsivo, mas Daryl é a melhor pessoa que conheço! Eu não quero que ninguém fale coisas ruins dele, principalmente se ele não está presente para se defender.

−Você é suspeita para falar, está apaixonada por ele, se não está perto dele fica de longe olhando! Amy me diz e fico corada e confusa, será que ela tinha razão?

Eu não posso estar apaixonada, primeiro porque seria a maior burrice do mundo segundo porque eu não tenho esse tipo de sentimento, não gosto de ser tocada, me dá agonia, me traz lembranças, claro que Amy está maluca.

Ele me tocou na floresta, me puxou para seus braços quando achou que pisaria naquela armadilha que eu pretendia pular porque não sou sega e tinha visto ela ali, quando fez isso, quando estive em seus braços não pensei em nada ruim, na verdade me senti bem, foi como no meu sonho, meu coração bateu tão rápido e se ele não tivesse se afastado eu teria ficado ali.

−Está pensando nele! Amy me acusa rindo – Ele não deve demorar, não demoraram ontem.

−Mas agora é diferente, ele me disse que pode ser que nem volte hoje! Respondo sem esconder minha decepção.

−Eu também estou preocupada com a minha irmã, ela é o tipo feminista, quer estar na mesma posição que os homens, eu pessoalmente não me importo de ser protegida! Amy me diz e então Sophia e Carl se aproximam chamando Amy para ensiná-los algo sobre pesca, ela tinha pescado com Andrea, conseguido muitos peixes – Já estou indo! Ela avisa – Vem junto! Me chama acabo aceitando, não tinha nada que eu pudesse fazer mesmo.

Depois do almoço entro na barraca, me deito pensativa, a opinião de Amy sobre meus sentimentos não saíam de minha cabeça, seria uma burrice sem limites me apaixonar por Daryl, ele nunca olharia para mim, não tenho nada que pudesse atraí-lo, seria apenas mais um sofrimento na minha vida.

O calor fica insuportável no meio da tarde e eu saio da barraca, penso em Merle na cidade, quando Glenn ia sozinho ele costumava voltar mais rápido, eles estavam demorando.

Então um som ecoa pelas montanhas e todos ficamos atentos e confusos, e um carro vermelho como alarme disparado surge virando a curva e se aproxima, eu tremia com medo de serem estranhos com más notícias, mas Glenn desce e os homens tem uma pequena discussão sobre o barulho, eu olhava de um para outro assustada, Shane desliga o alarme, Amy estava assustada perguntando o tempo todo da irmã.

−Andrea está bem, está todo mundo bem, quer dizer menos o Merle! Meu coração se aperta, se algo tivesse acontecido com ele Daryl ficaria arrasado.

Um caminhão para logo atrás e nosso grupo começa a descer, vejo o abraço de Andrea e Amy, todos se cumprimentando felizes por estarem bem, mas nada de Merle surgir.

Eu já estava tomando coragem para perguntar quando alguém fala algo sobre um policial e um homem desce do caminhão, ele para quando olha para o grupo e escuto Carl gritar pai e correr e só então me dou conta que era ele o pai de Carl quem estava chegando, não consigo acreditar na coincidência da situação, Lori chorava, os três choravam abraçados, fico emocionada, como seria ser amado assim?

Como seria ter para onde correr, onde receber conforto e esperança, no meio daquela confusão toda era muito bom ter uma família.

−Cadê o Merle? Tomo coragem e pergunto ao Glenn, ele me olha um pouco tenso.

−Mary o Merle, ele ficou meio fora de controle sabe, o Rick teve de algema-lo num telhado.

−Quem é Rick, e porque não soltaram ele? Eu estava tensa, se Daryl chegasse e seu irmão não estivesse ele ficaria furioso, não sei o que faria, e se simplesmente fosse embora?

−Rick é o marido da Lori que ela achou que estava morto, o cara novo, e bem a chave das algemas caiu num buraco, Merle acabou ficando preso estavam invadindo! Ele se cala e arregalo os olhos, será que tinha sido devorado, ou ainda estaria lá algemado e sozinho?

Volto para perto da barraca, me sento com os olhos marejados, sinto pena de Merle, isso não se faz, nem mesmo com alguém como ele, tão intratável, o que Daryl pensaria, o que faria? Eu choro por muito tempo, a noite cai, Rick conta sobre acordar num hospital em meio ao apocalipse, fico de longe ouvindo, Shane discute com o marido de Carol, por conta do fogo alto, eu olhava o tempo todo para a floresta, penso em Merle num telhado e Daryl na mata, estou sozinha, não posso passar por esse tormento sozinha, me encolho.

Todos se recolhem, entro na barraca, mas não durmo, não poderia, tenho medo dos pesadelos do escanda-lo que faria sem ter Daryl para me acordar, além disso tinham os zumbis, eles não estavam mais tão longe assim, se um aparecesse não sei o que seria, olho para a faca que tinha ficado comigo na floresta e fico perto dela, esperando, no meio da madrugada eu me sento e olho o movimento do lado de fora, vejo Shane no teto do treler, sentado, e com um olhar assustador, Merle não estava nem Daryl se um homem quisesse entrar ninguém impediria me encolho sentada e mantenho meus olhos bem abertos até o dia amanhecer e a movimentação recomeçar então deixo a barraca, eu estava muito cansada, tinha sido uma longa noite, mas ainda assim só conseguia pensar em Daryl, se ele estava bem, se ainda voltaria, Carol passava as roupas de Rick, ele tinha uma cara boa, de gente do bem, mas quando penso no que fez com Merle fico em dúvida.

Tomo café e me encolho na frente da barraca, estava um dia bonito, olho para o céu e então ouvimos gritos vindos das crianças, estremece, quando vejo os homens correndo, me levanto mas não me aproximo, Carl abraça Lori, então caminho em direção aos baques surdos e vejo um cervo caído, meio devorado, reconheço as flechas de Daryl, um zumbi era espancado pelos homens, não entendo todo aquele desgaste, todos sabíamos que o único jeito era acertar a cabeça.

Então alguém corta a cabeça dele fora e um barulho na floresta chama a atenção de todos que apontam suas armas, dou uns passos para traz assustada e ele surge, meu coração dá um salto, a primeira coisa que sinto é alivio, depois uma onda de pânico, não quero que ele sofra, não quero que vá embora.

−Merda, estava caçando esse cervo a horas! Ele diz irritado – Filho da puta! Chuta furioso o corpo do zumbi, muitas vezes, as pessoas estavam tensas, apenas observando enquanto ele descarregava sua frustação no zumbi, dá mais uns passos e vê a cabeça ainda fazendo movimentos, como se quisesse morder alguém me sinto assustada e mais uma vez caminho para traz – Qual é pessoal, sabem que ter que ser no cérebro! Ele mira e dispara acertando o olho daquela coisa, retira suas flechas e só então ele me vê, para um segundo, me olha e caminha para o acampamento, eu fico parada, sem saber o que fazer.

Assisto seu caminhar seguro, uma dúzia de esquilos pendurados em seu ombro, uma noite inteira caçando para essas pessoas para chegar e descobrir que seu irmão tinha sido deixado algemado num telhado.

−Merle! Ele chama e eu começo a chorar, mais uma vez as malditas lágrimas – Irmão, trouxe esquilos, vamos assar, Merle! Daryl passa os olhos pelo acampamento, buscando pelo irmão.

−Ei Daryl, precisamos conversar! Shane e aquele tom conciliador que me assusta, que me soa falso – Tivemos um problema. Daryl para acho que já tinha entendido a situação.

−Cadê o Merle! Shane tenta explicar o que não tinha explicação – Ele está vivo ou morto! Ele grita.

Vejo Rick se aproximar também se apresentar, me afasto assustada, eles estavam em número maior e não quero que machuquem Daryl, os esquilos voam, Daryl pega a faca vai para cima de Rick, eu fecho meus olhos, fico fraca, e Daryl é dominado por Shane, ele era policial sabia como fazer aquilo.

−Isso é ilegal! Daryl reclama.

−Apresente uma queixa! Não gosto de vê-lo assim, meu coração dói e minhas lágrimas continuam a rolar, Rick fala com ele depois Shane o liberta.

Ver a angustia de Daryl me destruía.

−Onde ele está, vou buscar meu irmão! Ele avisa andando de um lado para outro, tentando se controlar, secando lágrimas.

−Ele vai te mostrar, não é isso? Lori diz a Daryl recriminando Rick que concorda.

Eles decidem como seria, Glenn e T-dog que se sentia culpado iriam com eles, não quero me separar de Daryl mais uma vez, se Merle estivesse morto eu não sei se ele voltaria.

−Ficou bem aqui? Ele me pergunta.

−Posso ir com você buscar o Merle? Peço ainda chorando.

−Nem pensar! Ele grita, eu me encolho de susto – Quero me concentrar em achar meu irmão, não posso ficar cuidando de você! Ele ameniza o tom, eu faço que sim.

−Se encontrar ele vão voltar? Pergunto sabendo que se Merle estivesse bem eles nunca mais poderiam conviver no mesmo espaço, não Merle e Rick.

−Vou! Ele responde se sentando e limpando suas flechas todos se preparando para a busca.

Eu estava de pé diante dele, olhava para ele suplicante, sem medo de parecer estupida, tremia, se ele me deixasse para traz eu não conseguiria continuar.

−Se não encontrar ele vai voltar? Um soluço escapa por minha garganta e só então ele ergue o rosto para mim.

Quando ele se preparava para me responder ouvimos Lori dizer que Merle não valia o esforço, que era pior que qualquer um ali.

−Olha como fala do meu irmão! Ele exige ela o ignora e ele respira fundo e me encara.

−Não quero ficar com essas pessoas! Ele sabia que estava me comportando feito uma criancinha, que ele estava tenso e que só pensava em salvar o irmão, que devia estar incomodado com a minha insistência, mas antes de ele partir eu precisava saber se poderia espera-lo.

−Eu disse que se partisse levaria você comigo, não disse? Faço que sim – Certo, então é isso, não sei o que vai ser, mas volto aqui nem que seja para buscar você!

Aquelas palavras que deveriam me acalmar que tenho certeza tinham sido ditas com esse único objetivo tem efeito contrário, eu desabo em lágrimas, ninguém nunca sequer pensou em fazer algo assim por mim, ele estava me prometendo algo grande, e isso me assusta, tenho mais medo agora.

Daryl passa as mãos pelos cabelos, olha em volta por que todos assistiam meu espetáculo e isso o estava deixando irritado, mas eu simplesmente não conseguia parar de chorar, ele larga a besta, as flechas e me olha sem saber o que fazer.

−Vem comigo! Me chama caminhando para sua barraca, acho que agora ele vai ficar furioso e me dar uma boa surra, eu penso quando o sigo obediente.

−Desculpe! Digo já lá dentro me encolhendo num canto, ele se senta, mexendo na mochila.

−Para de chorar, já disse que volto e vou cumprir minha promessa, quero que arrume nossas coisas certo, e as do Merle, deixe tudo pronto, se for o caso quando eu chegar vamos embora.

−E se não voltar, se nem você nem o Merle voltarem, o que eu faço?

−Você fica viva e segue com o grupo! Ele me diz, queria dizer a ele que sem ele não quero ficar viva, mas não digo, tento controlar meu choro, nunca senti isso, mas queria que ele me abraçasse como fez na floresta – Teve pesadelos? Ele me pergunta do nada e pisco – Essa noite, teve pesadelos? Ele repete a pergunta.

−Não dormi! Eu respondo – Fiquei com medo! Daryl me olha um longo minuto, não sei o que seus olhos dizem, se está me condenando ou não.

−Durma, descanse enquanto estou fora, está de dia, não vai acordar ninguém com seus gritos, se tivermos que partir como vai ser?

Eu não respondo nada, não vou mentir dizendo que posso fazer isso quando não posso.

−Tenho que ir! Ele me diz e deixa a barraca caminhando para o caminhão, fica nervoso esperando o resto do grupo de busca buzinava, resmungava, depois eles partem e me fecho na barraca aos prantos, mais uma vez.

Seriam longas horas até sua volta, não quero pensar em como seria lá, quando achassem Merle ou pior, quando achassem os restos dele, eu podia ser mais esperta, saber me virar, se fosse ele me levaria, se tudo desse certo, se Daryl voltasse, eu me esforçaria para aprender a me defender, aprenderia a lutar e assim ajudar ele a continuarmos até encontrarem a cura, se isso acontecer e quando acontecer eu penso como vai ser depois, vou viver o agora, esse é o único jeito de eu conseguir ao menos tentar passar por isso.

No meio do dia desço com as mulheres para lavar roupa, levo as de Daryl e as de Merle, estávamos reunidas e as mulheres conversavam sobre muitas coisas, do que sentiam falta o que esperavam, Shane brincava com Carl mais distante, vejo Lori se aproximar e eles discutem, depois Shane fica parado lá.

Tem algo no comportamento de Shane que me assusta mais do que em qualquer um, um fingido controle emocional, uma bomba relógio prestes a explodir, era assim que eu o via e isso me apavora, tenho medo de um dia Daryl ou mesmo eu nos tornarmos alvos de sua ira.

Então o marido de Carol e as mulheres estavam brigando, não sei como começou, estava distraída e não vi, apenas vejo uma gritaria, as mulheres protegendo Carol que era puxada por ele que furioso desfere um tapa em seu rosto só consigo ver Jack, meu rosto arde imediatamente, ando para traz, tremendo e então Shane estava lá, ele o puxa o arrasta para longe desfere socos, conheço essa violência, sei como é, não consigo me mexer, elas gritam pedem para ele parar, Shane demora para se dar conta, do que estava fazendo, mas se afasta quando percebe, não vejo mais nada, sou arrastada para o passado.

Sou eu quem está caída, eu sinto os golpes, a dor, ninguém pede por mim, ele não para, nunca para, não adianta implorar, sangrar, é só quando apago que tudo chega ao fim, depois é se encolher num canto, lamber as feridas, esperar pela próxima vez.

−Mary! Sou chacoalhada, volto a realidade, Ed tinha sido levado, não havia mais nada ali, só Amy me chacoalhando tentando me trazer de volta, sinto suas mãos em volta dos meus braços e me afasto num sobressalto – Calma! Ela me diz suave – Ele já foi levado, que aconteceu, saiu do ar?

−Eu... Eu, nada fiquei assustada! Respondo me esquivando.

−Vem, vamos subir, é melhor ficarmos todos juntos até eles voltarem, que cena assustadora, Shane saiu do controle, acho que na verdade Ed mereceu, mas não sei se aprovo isso, não somos bárbaros!

−Talvez não! Eu respondo sem muita certeza, me ponho a caminhar ao lado de Amy, quando chegamos ao acampamento me sento num canto, encolhida, a cena de violência se repetindo em minha mente, se os mortos não voltassem logo para suas tumbas o mundo se tornaria de novo um lugar para os bárbaros, eu conheço esse mundo, não quero viver nele, não aguento mais, minha mente segue para Daryl, ele deveria estar voltando, se tudo desse certo seguiríamos juntos, e talvez se pudesse ficar perto dele eu poderia aceitar viver nesse novo mundo, talvez Amy estivesse certa, talvez eu tenha me apaixonado, não é gratidão, ninguém fica com o coração aos pulos apenas por gratidão, penso nele quase o tempo todo, isso não tem nada a ver com amizade, gratidão ou segurança, a ideia me assusta, será que ele já percebeu, se desconfiar vai me mandar ficar longe, talvez mude de ideia sobre me levar com ele, quem sabe riria de mim, preciso sufocar essas coisas, ninguém pode saber.

Descobrir esse sentimento me deixa em completo pânico, porque não sei como lidar com isso, nunca pensei que pudesse sentir isso, achei que a vida me tivesse tornado imune a isso, mas não ele tinha me conquistado, o problema é que nunca quis fazer isso, eu não podia culpa-lo, a culpa era toda minha e eu é que deveria lidar com isso

A noite começa a cair e todos se reúnem mais uma vez em volta da fogueira, ninguém estava realmente tranquilo, todos sabiam que aquela demora significava algo, eu só pensava que Daryl tinha enlouquecido por conta de Merle, que as coisas tinham saído do controle e que eu seria esquecida ali, deixada para trás pelos irmãos Dixon, mas então passo os olhos e vejo a moto de Merle, ele nunca a deixaria para trás se não voltassem por mim voltariam por ela, tenho vontade de sorrir com esse pensamento, mas não faço isso, não sei fazer.

Notas finais
E então o que acharam?
Comentem.