Apocalipse - A Era Dos Mortos
54 Capítulo 54 - Aprendendo uma nova palavra
Notas iniciais
Pov – Daryl
Acordo sentindo uma mãozinha me cutucar, abro os olhos e Scott me acordava e a Mary ao mesmo tempo, ela pisca meio sonolenta e sorri assim que o vê.
−Já acordei! Ele diz pegando o cavalinho e olhando de um para outro – Demorou!
−Desculpe! Mary diz puxando ele para seus braços, ele se deita muito contente, me apoio na mão para poder olhar para os dois – Mas voltamos, sempre vamos voltar.
−É! Ele sorri – Tenho um cavalo! Ele nos mostra, quer atenção, quer conversar e sou obrigado a admitir que é um menininho bem lindo.
−Como se chama seu cavalo? Mary pergunta ele olha para o cavalo.
−Chama cavalo! Responde me fazendo rir.
−Muito original! Eu comento.
−Quero leite! Ele avisa e me lembro que devia estar mesmo faminto.
−Está com fome? Eu pergunto e ele confirma com a cabeça – Pede para a mamãe te levar lá em baixo.
Ele me olha confuso sem saber de quem eu falo, Mary me olha emocionada e beijo seu lábios, é isso que ela quer, é isso que vai ter.
−Essa mamãe! Aponto Mary – Pede para a mamãe Mary.
Ele olha para ela, está pensativo, acho que não entende muito o que nada disso significa, afinal para ele é só um nome, mas é muito para ela e quero que ele aprenda.
−Quero leite! Ele diz a Mary que está com a voz meio embargada quando responde.
−Claro sorvetinho, vamos descer e comer um pouco.
Descemos os três uns minutos depois, o refeitório está vazio e me sento com ele enquanto Mary remexe nas panelas buscando algo para comermos.
Depois de uns minutos Maggie entra e se senta comigo e com Scott.
−Feliz seu pequeno chorão? Ela bagunça seu cabelo sorridente, ele apenas concorda com a cabeça me olhando – Que bom, eu também.
−Aqui está! Mary se junta a nós trazendo comida para todos, Scott olha para o prato faminto e agora começaria a lambança de comida para todo lado.
−Mamãe trouxe comida? Eu pergunto a ele muito empenhado – Quer ajuda? Ele me olha e depois para Mary.
−Quer que o papai te ajude? Mary pergunta a ele e isso é mesmo estranho, muito estranho, não sei bem o que sinto.
Minha primeira referência de pai é o meu pai e isso é realmente uma péssima ideia, levando quem ele foi em consideração não quero ser pai de ninguém, mas depois penso em Rick, em seu esforço por Carl e Judith, no olhar orgulhoso que ele lança para os filhos às vezes e Hershel, sim, o amor que tem pelas filhas, o modo como enfrenta tudo por elas, e quero ter um pouco disso, posso ao menos tentar, não sei se um dia ele vai me olhar como Beth e Maggie olham para Hershel, como se ele fosse o centro de tudo, a certeza de um final feliz.
−Papai e mamãe é? Maggie ria abertamente – Posso ajudar! Ela avisa e depois olha para Scott – Vamos lá Scott, papai, mamãe, papai, mamãe! Ela dizia apontando de um para o outro muito rápido – Decorou? Ele ri, gosta da brincadeira – De novo? Pergunta e Scott apenas concorda sorridente.
−Maggie você é meio maluca! Mary garante.
−Eu sei, papai, mamãe, papai, mamãe! Scott ri mais ainda – Vou indo, estou atrás do Glenn, depois nos falamos, decora em seu chorão!
Ela nos deixa e começamos a comer.
Scott como todos os dias derrama um pouco em volta de si mesmo, Mary recolhe sua sujeira e depois leva seu prato tenta pegar o meu e o seguro.
−Posso fazer isso bruxa! Respondo me levantando, não quero que se lembre do passado, mas me incomoda vê-la trabalhando para mim, faz me sentir como se ela ainda fosse a Mary de antes a que tinha medo de mim, que fazia tudo por que achava que era assim que tinha que ser, porque tinha medo de que eu machucasse ela.
−Amor! Ela me segura, me impede de levantar – Eu sei que pode fazer, sei que não sou sua empregada e que gosta de mim independente de qualquer coisa, agora eu sei, isso é só uma gentileza um jeito de cuidar do homem que eu amo, não se preocupe com isso.
−Está certo! Me rendo entregando meu prato a ela, Mary se curva me dá um beijo e depois segue com os pratos, olho para Scott – E você garoto, o que quer fazer agora?
Garoto, lá estou eu esperando que o pequeno me chame de pai e nem mesmo pronuncio o nome dele.
−Quero desenhar.
−Ok! Respondo – Vamos esperar sua mãe voltar! Digo e ele faz de novo cara de quem não está entendendo do que se trata.
Mary volta para nós e parece muito contente, sorrindo sem parar, devia ter feito isso antes, sabia o quanto era importante para ela.
−O gar... Scott quer desenhar! Me corrijo e ela alarga o sorriso — Acho que merecemos umas horas de descanso, vamos ficar lá com ele?
−Claro que sim! Ela diz pegando a mão dele e voltamos para cela, nem quero saber de nada a nossa volta, foram horas de terror e quero apenas esquecer que podíamos ter apodrecido naquela droga de apartamento.
−Eu desenho! Scott pega seus papeis e lápis e se senta.
−Antes quero mostrar as coisas que trouxe para você! Mary diz contente pegando a mochila.
−Presente? Ele pergunta largando tudo e se apressando para se juntar a nós.
−Sim senhor! Ela avisa abrindo as mochilas, tira algumas roupas que ele não se interessa muito, dois pares de sapatos de inverno, ele olha um pouco interessado, mas estava claro que ele não considerava nada daquilo como presentes, seu interesse era unicamente no que estava por vir e ela retira um jogo de tabuleiro com letras e números, seria bom para ele aprender a ler e escrever, isso o interessa e ele se esquece do resto, Mary retira uns mordedores de bebê e seria bom para Judith.
−Que legal, brinca? Ele me pede e acho que não levo o menor jeito para aquilo.
−Mamãe brinca! Responde e ele olha para Mary, ela fica paralisada, só porque ele associou a palavra mãe a ela, nem posso imaginar o que vai ser no dia que ele disser mamãe.
−Brinca? Ele pede e ela concorda.
−Espera só um minuto! Ela arruma tudo antes de se sentar com ele e acho isso muito engraçado, essa mania que ela tem de arrumação – Está rindo de mim?
−Pode apostar! Eu garanto.
Ela então dá de ombros e se junta a Scott, o jogo como eu pensei era chato, mas o diverte e me contento em assistir apenas, os pensamentos um tanto distantes.
As coisas ficaram sérias agora, não que algum dia tivesse brincado com Mary, mas agora não somos só duas pessoas que simplesmente podem colocar a mochila nas costas e cair na estrada, agora temos uma criança e precisamos estar prontos para defender sua vida.
Uma hora ele vai sair por ai me chamando de pai e se isso acontecer quero que possa realmente confiar em mim.
Pai, sei lá como vai ser isso, como vou me sentir e me comportar, mas ele é um garotinho bem especial, nunca creditei em Deus, ele nunca atendeu meus pedidos de garoto sozinho nas noites de terror, mas se ele existe, se ainda está no comando das coisas lá em cima, então mandou o garoto com endereço certo, deu a Mary o filho que ela sempre sonhou, deu a única coisa que aquele infeliz tirou dela e que eu não poderia jamais consertar, todo o resto ela curou, mas isso era para sempre e o pequeno está aqui agora.
E não só é um presente para Mary como ela quer dividir comigo, minha garota quer dividir tudo comigo, cada pensamento, cada palavra, isso é estranho para mim, mesmo hoje, mas ao mesmo tempo é a melhor parte, o quanto podemos dividir um com o outro, o quanto podemos ser o remédio um do outro.
−Parabéns! Mary me desperta, pisco e volto minha atenção aos dois, eles estão rindo – Ganhou e aprendeu a letra A.
−É! Ele é sempre muito econômico nas palavras eu penso, o que só reforça que está no lugar certo, eu e Mary juntos não falamos nem a metade do que uma pessoa comum conversa aqui nesse lugar, se formos comparar com alguém como Maggie por exemplo seriamos quase mudos.
−E agora? Ela pergunta para ele que me olha, ele não vai me convencer a jogar isso, nem pensar.
−Uma volta lá fora para testar o sapato novo! Eu decido me livrando do jogo, ele concorda ficando de pé.
Descemos e Beth está com Zack no pátio, nunca acho que ela fica muito feliz com ele embora o garoto use todos os clichês que consegue para chamar lhe a atenção e talvez justo por isso não tenha muito sucesso.
Eles acenam nos chamando e caminho para os dois, com Scott do meu lado, Mary para um instante a senhora Richard não pode vê-la, deve ter mais uma dúzia de ideias sobre como as coisas devem ser na prisão.
−Oi Scott! Beth o cumprimenta e ele meio inseguro segura na minha calça.
Só pode estar achando que vou deixa-lo com ela de novo.
−Não vai dizer oi? Pergunto a ele que esconde o rosto na minha perna negando com a cabeça.
−Tenho uma outra teoria sobre o que fazia antes! Zack me diz, todo dia tinha uma teoria diferente.
−Era um guia de turistas que vinham caçar nas florestas da Geórgia, acertei não foi?
Eu e Beth nos olhamos e ela o puxa pela mão o levando para longe.
−Cala boca Zack! Ele ainda me olhava enquanto era arrastado por Beth.
−Acertei? Me pergunta – Não faz mal, ainda descubro!
−Voltei! Mary diz e se encosta em mim, estava um vento cortante e o dia chegava ao fim, devia ser por volta de seis da tarde, acho que ainda estava cansado dos momentos de tensão por que sinto meu corpo moído, mas bem que gostaria de um tempo com Mary na torre, mas primeiro Scott precisava se acalmar, ainda estava com medo de sairmos.
Caminhamos para dentro despreocupados e então o dia, eu sabia, não podia continuar tão bem assim, Carol surge diante de nós assim que colocamos os pés no refeitório, eu e Mary nos olhamos e Scott imediatamente me pede colo, a ideia que ele tem medo dela me irrita profundamente e a olho furioso.
−Sabe quantos membros do grupo estavam prontos para ir atrás de vocês? Ela pergunta irritada – Metade. Michonne, Glenn, Maggie e até o Rick se comprometeu a largar tudo e seguir em busca do casal de aventureiros.
−De novo isso Carol, anda repetitiva! Mary responde sem paciência.
−Eu não vou perder esse lugar, não vou deixar que estraguem tudo, ainda mais por conta de um garotinho, ele não é melhor que as outras crianças aqui!
−Claro que não é! Mary rebate.
−Se achassem mesmo isso não andariam com ele pendurado para cima e para baixo, deixando todo mundo louco com suas lágrimas quando saem, fazendo o grupo se virar para cuidar dele, não deixam ele se acostumar que está sozinho agora, que todo mundo está! Ela estava gritando e definitivamente para mim chega disso, Scott está agarrado a mim, não entende realmente o que se passa, mas sabe que é sobre ele que é sobre estarmos com ele.
Eu entrego Scott para Mary e dou dois passos para ficar diante de Carol, aquilo nunca foi sobre ela e Mary, sempre foi sobre eu e ela, a ideia errada que fez de mim desde que Sophia desapareceu.
−Primeiro! Eu a encaro – Não mexa com meu filho, segundo, não grite com a minha mulher e terceiro, vá para o inferno! Digo num tom baixo e firme, os olhos fixos nela como um último aviso.
Carol me olhava de boca aberta, quem quer que tenha me ouvida deveria estar na mesma situação, sem acreditar no que estava ouvindo, afinal sou Daryl Dixon, eu não coleciono afetos, ou não colecionava, até Mary entrar na minha vida.
Sem alternativa, ou talvez apenas se dando finalmente conta, Carol nos dá as costas e se afasta, não ligo a mínima para o resto das pessoas que assistiam a cena me volto para Mary e ela sorria muito contente.
−Vamos? Eu chamo como se nada tivesse acontecido agora um tanto sem graça pelas coisas que disse ela concorda, ainda de olhos brilhantes e Scott me pede colo, eu o pego e voltamos para nossa cela.
Scott se distrai mais uma vez com seus brinquedos, hora está com o carrinho, hora com o cavalinho, sempre nos olhando, eu e Mary apenas nos deixamos ficar ali, assistindo sua brincadeira, amanhã a vida volta ao normal, ou algo perto disso porque agora temos um filho, fico pensando em como seria se o mundo não tivesse acabado, o quanto eu e Mary podíamos construir juntos.
−Quero comida, pode descer? Scott pede parado diante de nós, eu olho para Mary, era mesmo hora de comer e fazer o garotinho dormir, sinto falta de ter minha garota nos braços.
Ele nunca tem problemas para pegar no sono, o que acho fantástico, porque preciso de uns momentos com Mary principalmente hoje, ela se deita comigo assim que ele dorme, sorria encantadora.
−Disse minha mulher! Está corada, os olhos brilhantes.
−Disse, mas digo isso sempre!
−Não senhor, diz minha garota! Ela se aconchega.
−Não é a mesma coisa? Rio dela, mulheres levam essas coisas de um modo diferente, mas eu sei do que ela está falando, e é isso mesmo, Mary não é mais só minha garota, minha namorada, é mais do que isso, Mary e minha mulher a pessoa com que divido a vida, mesmo a vida sendo essa que temos agora.
−Para você é? Ela me pergunta e percebo uma leve decepção, beijo Mary.
−Não bruxa, não é, quando eu fiz aquele esforço sobre humano e pedi para ser minha garota eu realmente não sabia onde estávamos indo.
−O que pensou?
−Que estava só marcando território! Ela franze o nariz como adoro, mordo seu lábio – Isso mesmo, é tão linda eu pensei vamos afastar os gaviões de cima dela, e também pensei, essa garota é perfeita demais quero ela para mim.
−E eu aceitei na hora, porque queria ser sua!
−Mas depois... – Ela se ajeita muito interessada – Depois fiou cada vez mais perfeito e como você nunca fugiu apavorada eu fui percebendo que é mais do que isso.
−Não sei porque fica sempre achando que iria embora!
−Como poderia ser diferente? Pergunto me virando e então estamos colados, os olhos fixos um no outro – Você é toda delicada e eu um ogro.
−Amo você, nem imagina o quanto! Ela me conta – Não sabe o que significa para mim ser sua e estar aqui agora.
−Para mim, também, e agora ainda mais porque temos um garotinho.
−Temos! Ela está exultante com a ideia – Obrigada meu amor!
Então eu a tomo para mim, mas uma vez quero Mary, nunca vou enjoar, nunca vou me cansar, ela sempre se entrega, sempre corresponde.
Desde que o mundo acabou meu sono é muito leve, qualquer movimento estou desperto, e quando sinto Scott se remexer na cama eu abro os olhos, pela escuridão ainda era noite e o vejo descer da cama e caminhar choroso para nós, Mary dormia tranquila em meus braços, ele não nota meus olhos abertos.
−Mamãe! Ele cutuca Mary e sorrindo eu fico quieto esperando que ela acorde para ouvi-lo pela primeira vez a chamando de mãe – Mamãe Mary! Ele a chacoalha de novo e ela abre os olhos, eles já se abrem cheios de lágrimas – Mamãe os bichos!
Finalmente o pequeno aprendeu uma nova palavra.
Mary se senta olhava para ele sem acreditar, pisca confusa, seca os olhos e então envolve Scott num longo abraço, está emocionada, ele não entende muito, mas gosta do carinho se aconchega em seus braços.
−Foi só um sonho querido, vai passar, quer que a mamãe durma com você? Está explodindo de orgulho ele faz que sim com a cabeça, ela se movimenta para levantar eu a seguro.
−Fica aqui com ele! Digo antes de me dar conta do que disse, ela está mais emocionada ainda.
Mary se aconchega a mim com o pequeno em seus braços, ele relaxa e volta a dormir enquanto ela fica acariciando seus cabelos.
−Você ouviu não é? Ela soluça – Não foi sonho?
−Não bruxa, ele disse com todas as letras.
Ela volta a dormir e faço o mesmo, ele aprendeu rápido, pelo menos mamãe ele aprendeu rápido, isso me deixa feliz, Mary precisava ouvir, precisava desse momento, para realmente se sentir mãe e tenho que confessar que no fundo também espero um pouco por isso, não vou me derreter em lágrimas como Mary, mas acho que vou ficar meio com cara de bobo quando ele disser.
Talvez ele não diga, pode ser que apenas aprenda a pronunciar meu nome e simplesmente eu seja o Daryl, não tenho muito cara de pai, não sei muito fazer carinho nele, agradá-lo como Mary está começando a fazer, talvez ele se afaste um pouco agora.
A ideia me deixa um tanto incomodado e eu me sinto ridículo, parece que estou com ciúme do garotinho, me mexo para olhar os dois, são perfeitos juntos, melhor dormir e parar de pensar bobagem, se Merle pode ler pensamentos lá do inferno está definitivamente tendo um ataque.
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