Apocalipse - A Era Dos Mortos

50 Capítulo 50 - Primeiras lições


Notas iniciais
Olá pessoas queridas. Espero que gostem.

Pov – Daryl

É um belo sorriso de gratidão eu tenho que admitir, o garotinho sabe conquistar, ele de debate no colo de Mary pedindo chão, gostava de andar, ela o deixa livre e ele me puxa pela calça, acho que não sabe falar meu nome, só o que sabe é me puxar quando quer atenção.

−O que foi? Pergunto olhando para baixo.

−Machucou? Ele me pergunta e vejo minha camisa suja de sangue, quando não estávamos assim melecados de sangue de zumbi? Puxo o ar com força e olho de novo para ele.

−Não, estou bem! Respondo para tranquiliza-lo – Vou me lavar bruxa! Aviso Mary que sorria toda linda para mim – Que foi? Pergunto confuso.

−Nada! Ela responde, fica corada – Está bonito, só isso! Franzo a testa.

−Está querendo ser sequestrada? Eu pergunto antes de roubar lhe um beijo.

−Quem sabe? Ela diz e estava quase fazendo algo sobre isso quando Maggie e Glenn entram no refeitório falando alto e rindo, me afasto dela.

−Salva pelo gongo! Brinco antes de sumir para o banho.

Encontro Mary mais tarde, ela estava linda como sempre, Scott brincava no chão da nossa cela, empurrava o carrinho de um lado para outro, imitava o som de um motor e Mary sorria sem nem ao menos se dar conta, minha garota era agora uma sorridente mulher, mas um dia foi frágil e triste e por isso cada sorriso dela vale muito para mim.

−Achei você! Eu digo me sentando a seu lado.

−E eu também! Scott diz erguendo o rosto para mim.

−Sim, achei você também.

−Maggie está toda feliz porque encontrou um monte de vidros de perfume, fez o Glenn trazer todos! Mary me conta rindo.

−Ela pretende dar banho nos zumbis, porque não adianta nada se encher de perfume se tudo a nossa volta tem esse cheiro de morte! Eu respondo.

−Foi o que o Glenn disse a ela! Mary me conta – Mas é bom acharmos essas coisas, faz parecer que o mundo não acabou, ela trouxe um livro de culinária também, acho deu para a Beth, eu cozinhava bem.

−Merle não me deixava esquecer disso! Eu me lembro do nada – O assado da esquisita é o melhor que já comi, ele me dizia!

−Nossa, isso doeu! Ela se encosta em mim – Deu saudade dele agora! Aperto Mary só ela para ter saudade de Merle e suas grosserias.

−Desculpe, não queria que ficasse triste! Eu a envolvo.

−Estou bem! Ela sorri delicada – Ainda é cedo o dia está chuvoso e acho que podemos ficar aqui quietinhos não é?

−Podemos sempre fazer tudo que a senhorita quiser.

−Vou pedir a Beth para ficar um pouquinho com o Scott e vou tomar banho, me espera?

−Sim, mas porque vai levar ele para a Beth?

−Ele pode ficar aqui com você? Ela me pergunta com aquela voz suave de anjo que minha garota tem e me deixa alucinado por ela.

−Achei que estávamos fazendo isso juntos! Respondo meio magoado.

Os olhos dela brilham e ela faz algo que nunca fez antes, se senta no meu colo, se aconchega em meus braços se enrolando a mim emocionada.

−Quando acho que não posso te amar mais do que amo faz uma coisa assim e fico tonta! Me confessa e preciso de todo auto controle do mundo para não carrega-la para o colchão e matar a saudade que estou de tocar Mary.

Mas posso beijar Mary é isso que faço, eu a beijo longamente depois a afasto, ela está corada.

−Está me provocando a muito tempo, vamos falar sobre isso mais tarde! Brinco com ela que se encosta em mim de novo com um sorriso no rosto.

−Vou tomar banho e já venho! Ela diz decidida, sai dos meus braços e segue para mochila depois olha para Scott que ainda brincava distraído – Eu já venho.

Ele me olha preocupado.

−Você fica aqui? Me pede e apenas concordo com a cabeça, Mary nos deixa e fico olhando para ele, não sei o que pensar, não sei até onde posso ir com isso, mas sei que não posso voltar e sei que não quero.

−Pode comer mais bala? Ele me pede apontando os doces sobre sua cama.

−Acho que sim, mas não come tudo de uma vez se não a Mary briga com a gente.

−Tá! Ele se levanta e meche no saquinho – Só duas! Ele mostra a mão com quatro dedos acabo rindo.

−Sabe contar? Pergunto distraído me ajeitando no colchão no chão e olhando para ele que já enfiava a terceira bala na boca.

−Um, dois, sete...

−Três! Eu corrijo rindo, do erro e da meleca gosmenta e rosa escorrendo pelo canto de sua boca quando tenta falar com a boca cheia de bala.

−Um, dois, sete, três...

−Não! Rio mais e ele caminha para mim – Vamos lá, eu te ajudo, um... – Ele vai repetindo – Dois, três... – Scott engole as balas e olha para o pacote – Depois agora estamos contando, quatro, cinco! Acho que até cinco já é um começo.

Ele repete sozinho e vou corrigindo quando erra na terceira vez conta tudo direito e acho que é bem esperto.

−Acertou! Comemoro, será que um dia vai se lembrar que fui quem lhe deu as primeiras lições?

Uso a barra da blusa dele para limpar a meleca da boca, ele resmunga e se senta do meu lado, sou obrigado a admitir que gosto desses momentos de tranquilidade, dos dias de paz.

−Pode desenhar? Me pergunta e entrego papel e seus lápis, me dou conta de que ele não sabe nada, é mesmo um bebê, cuidar dele significa ensiná-lo a ler, escrever, contar, tudo isso é assustador – Vou desenhar meu carro.

−Boa ideia.

−Você escreve meu nome aqui? Ele pede e escrevo seu nome no canto da folha.

Ele sorri e então começa a rabiscar como de costume, fico olhando para ele sem me dar conta de que assim como Mary eu também estou com um sorriso no rosto.

−Agora você! Ele me estende o papel – Desenha um avião.

Me sento direito e imito seus rabiscos, ele ri.

−Assim não, direito! Pede rindo e faço um desenho para ele, eu até que sabia desenhar um pouco quando era garoto, mas depois de um tempo apenas esqueci isso, e todo o resto, não fiz coisas assim, não recebi elogios e incentivos, estava sempre sozinho demais, olhava em volta e não havia nada, só um quarto mofado e bolorento, vazio de tudo, móveis, atenção e gente.

−Melhor? Pergunto e ele concorda.

−Que bonito! Diz contente.

−Agora você desenha! Ele se distrai mais uma vez e Mary entra.

Ela se senta comigo e ele pede que desenhe para ele, mas Mary é uma garota, desenha florzinhas e corações e ele obviamente não acha muito divertido, ela reclama e ficamos ali por muito tempo distraídos com ele.

Anoitece e nem nos damos conta, ele então abandona o papel e se senta nos olhando.

−Sei contar! Ele avisa a Mary – Um... – Ele me olhava buscando ajuda vou concordando a cada número dito – Dois, três, quatro, cinco! Ele bate palma para si mesmo.

−Parabéns! Mary sorri.

−Ele que me ensinou! Me aponta e ela me beija.

−Obrigada! Me diz e depois olha para ele que levava o dedo a boca sonolento.

−Já está com sono? Eu pergunto.

Ele afirma e descemos para comer, depois Mary o coloca na cama, segura sua mão e logo Scott dormia tranquilo. Ela vem para meus braços.

−Ele é um bom menino não acha?

−Acho, mas acho que minha garota me provocou o dia todo e se bem me lembro prometi uma conversa sobre isso.

−Amor o Scott... – Ela diz baixinho quando eu a puxava para mim.

−O garoto dorme feito uma pedra e vamos ficar no modo silencioso − Eu aviso fazendo ela rir – Agora vamos falar sobre as coisas que Mary gosta.

−Se vamos ficar no modo silencioso é melhor mostrar! Ela diz me surpreendendo mais uma vez eu a beijo em resposta e então estamos perdidos um no outro.

A chuva termina apenas na manhã seguinte, e passo a manhã ocupado com nossas flechas e armas, limpando e verificando se tudo estava funcionando, a horda que vimos não saía de minha cabeça, Scott fica por perto de mim quase toda manhã, vez por outra Mary deixa seus afazeres e vem saber dele, está toda empenhada em cuidar do garoto e gosto de vê-la assim.

Depois do almoço saio para o pátio, apenas três zumbis caminhavam pelo lado de fora e penso que seria bom caminhar um pouco pela floresta, quem sabe caçar algum pequeno animal, talvez Mary queira ir comigo.

Nem sei se vamos ter outra chance antes da neve, ela caminha em minha direção, lentamente enquanto dava a mão para o garotinho que sorria e acenava para mim.

−Achei você! Scott me diz quando chegam perto, assim como disse ontem e Mary ri, franze o nariz como gosto tanto quando me vê olhando para ela feito um bobo.

−Pensei que podíamos caçar um pouco, que acha, não vamos longe, só uma volta aqui por perto, uma hora, talvez duas.

−Sério! Ela se anima – Vamos, vou deixar o Scott com...

−Eu vou junto.

Ele segura minha calça muito firme, me olha assustado, fico olhando para ele, nem era assim tão perigoso, ele era leve e não acho que corremos mesmo algum grande risco em dar uma voltinha do lado de fora com ele.

−O que acha, não é assim tão perigoso?

−Eu acho que tudo bem.

Ela responde sorrindo de mim para ele, e eu o olho.

−Tem que passar pelos zumbis.

Ele olha para as grades, vem para perto de mim e concorda.

−Fica aqui com ele, vou pegar sua besta! Aviso Mary – Precisa parar de deixar ela na cela.

Eu reclamo bravo, se algo der errado tudo que Mary tem e uma faca na cintura.

−Não estamos mais sozinhos Mary, não se esqueça! Eu me afasto e ela está sorrindo, acabo de brigar com ela e ela sorria, só porque fiz uma menção leve sobre termos o garoto.

Passamos pelos zumbis e caminhamos para floresta, gosto do cheiro de terra úmida e das folhas agora mais verdes, mas está mais frio que o normal e com certeza não vamos conseguir caminhar muito com os passos minúsculos do garotinho que segurava a mão de Mary feliz pelo passeio.

−Olha Scott, um ninho de passarinho! Ela aponta a copa de uma árvore.

−Tem bebê lá? Ele sussurra.

−Porque está falando tão baixinho? Mary se abaixa a seu lado para saber enquanto eu olho em volta confirmando se tudo estava bem.

−Para os bichos não ouvirem a gente, Lissa me ensinou! Ele continua sussurrando.

Era bom saber que podíamos contar com seu silencio num momento de necessidade.

Seguimos mais um pouco e depois nos sentamos num tronco de árvore, o pequeno precisava descansar, ele se senta sobre a terra molhada e brincava com pedrinhas distraído.

−Queria ter um quintal para ele! Mary me diz enquanto assistíamos sua brincadeira – E noites de natal, roda-gigante!

−Um mundo de coisas que tal vez ele nunca descubra que existiram.

−Um mundo de coisas que não tive e queria oferecer a ele.

Ela sorri olhando em volta, nada de zumbis, depois suspira e retira a besta das costas a apoia no chão a seu lado.

−Não vou mais me afastar dela, você tem razão, depois daquela horda não podemos mais brincar com isso.

−Acho que não mesmo! Eu sorrio para ela.

Ficamos em silencio um tempo, distraídos com nossos pensamentos, fico pensando se a prisão era mesmo segura e por quanto tempo aquelas grades nos protegeriam, na luta que foi para manter aquele lugar.

Merle me vem à mente, sua morte estúpida, tudo por aquele pedaço de esperança e pode ser que um dia simplesmente tenhamos que deixar aquele lugar, o que ele acharia se me visse aqui, sentado na floresta assistindo um garotinho se sujar de terra, diria que fiquei maluco e que só faço merda, diria que esse meu coração mole vai acabar me matando e mais todo tipo de palavras sujas que aquele idiota conhecia, e mesmo assim ainda gostaria dele.

−Acha que um dia ele vai pensar em mim como a mãe dele? Mary me tira de meus pensamentos, eu sei que é isso que ela quer.

−Tenho certeza que sim, acho que ele já gosta de você assim, mesmo que ainda não tenha um nome para isso.

−Está arrependido? Ela me pergunta sem esconder a preocupação – Quer dizer, ele nos prende um pouco, nos preocupa muito, é tão indefeso, assustadoramente dependente, isso é...

−Não, não me arrependo de nada, ele está aqui agora e não tem nada que possamos fazer sobre isso, ele é nossa responsabilidade, podíamos ter ido embora quando ouvimos os gritos, muitos teriam ido e não seria nenhuma vergonha nesse mundo de hoje, não depois que os mortos se levantaram e caminham famintos por nossa carne, mas acontece que não fugimos, fizemos uma escolha.

−Você é a coisa mais importante da minha vida, nunca quero que sofre por minha causa, tenho medo de magoar você, por isso me preocupo de... não sei, invadir demais seu espaço, exigir coisas que não quer me dar.

Ninguém nunca se preocupou tanto assim comigo, com o que sinto ou desejo, mas para Mary isso parece tão importante quanto respirar e só posso amar ainda mais minha garota por isso.

−Segurou firme minha mão Mary, se lembra, eu disse que estava aqui, eu estou!

Seus olhos cintilam pelas lágrimas que ela logo afasta com um sorriso.

−Sempre está!

Então o momento perfeito é interrompido Scott corre para mim e um zumbi surge a distância por entre as árvores, hora de voltar para a frágil segurança dos muros da prisão.

−Está tudo bem garoto! Mary arma a besta se estivéssemos sozinhos nem nos daríamos ao trabalho, mas o pequeno estava assustado e ela derruba o zumbi, depois ficamos de pé e seguimos nosso caminho, Scott desiste de caminhar e segue de volta no colo.

Passo o garoto para ela quando chegamos o número de zumbis aumentou um pouco na nossa porta, passamos pelas grades, fizemos uma abertura para entrar e sair sem ser preciso abrir os grandes portões, Mary passa com ele e preciso derrubar um zumbi antes de atravessar a grade, Scott tem os olhos serrados de medo, sinto pena de como tudo deve ser terrível para ele.

−Que ideia estúpida em garota! Carol se precipita assim que entramos, Mary coloca Scott no chão – Sabe que se acontecer alguma coisa lá fora com vocês metade do grupo vai querer sair em uma maldita busca e resolve dar um passeio no bosque?

−Carol você só pode ter ficado louca! Mary responde.

−Louca está você, e você Daryl que faz tudo que a princesinha quer, eu só estou fazendo tudo que é preciso para manter esse lugar funcionando e o tempo todo coloca o grupo em risco!

Carol estava exaltada, algumas pessoas passam olhando, Scott se esconde atrás de mim e Rick e Maggie caminham em nossa direção prevendo uma bela confusão.

−Sabe o que eu acho, que está perdendo toda noção do ridículo, essa sua necessidade de me atingir saiu dos trilhos a muito tempo, você não liga a mínima para essas pessoas, não liga a mínima para coisa alguma.

Mary se aproxima dela bastante irritada e irreconhecível, fico onde estou, acho que está mesmo na hora de elas se entenderem de uma vez.

−Eu estou aqui todos os dias cuidando das coisas, ensinando as crianças, distribuindo comida...

−Ensinando as crianças que eu salvo lá fora, distribuindo a comida que eu trago para casa, seu trabalho não é melhor nem mais importante que o meu, cada um tem uma função, mas você quer mais do que isso, quer a minha vida!

−Ainda acha que é isso, que quero seu homem? Carol se aproxima ainda mais dela.

−Não você nunca quis meu homem, você queria o tipo de homem que achava que ele era, mas que agora sabe que ele nunca foi, você não vai mais me atingir, não pode me pegar Carol! Mary diz a um centímetro dela, a voz firme e decidida.

−A menininha mimada está irritadinha, vai me bater? Ela ri – Olhem bem, ela está tentando me machucar.

−Tive uma vida de violência, não vou tocar em você porque não sou assim, isso seria me tornar alguém que não quero ser, mesmo sabendo que é isso que está buscando a muito tempo, uma mão pesada de novo, desculpe, não vai ser a minha, minha resposta a todo seu ódio e rancor é dane-se, não me atinge!

−Vou fazer o que for preciso para manter esse lugar princesa, cuidado! Carol ameaça claramente Mary e só então dou um passo em sua direção.

−Esse lugar não precisa de você Carol, não precisa de nenhum de nós, esse lugar sobreviveria sem qualquer um, perdemos muitos e ainda estamos aqui, vamos continuar, não tenho medo de você nem de suas ameaças, quero que siga seu caminho e me deixe em paz, não vou permitir que você atravesse meu caminho mais uma vez!

Mary elegantemente dá as costas a Carol e devolve o sorriso amigável de Maggie, depois aperta firme a mão de Scott e caminhamos para dentro, estranhamente está calma e segura, nenhuma lágrima, nenhum medo.

−Amo você! Eu digo em seu ouvido sem diminuir o ritmo da caminhada ela passa o braço pela minha cintura.

−É só por isso que pude fazer algo assim, porque me ama, mas essa foi só uma pequena à mostra de quem ela se tornou, coisas grandes ainda virão, precisamos ficar prontos.

Notas finais
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