Apocalipse - A Era Dos Mortos

47 Capítulo 47 - Chega de fugir


Notas iniciais
Olá pessoas queridas, aqui mais um capítulo, espero que gostem, não consigo resistir acabo e quero postar, sou péssima no suspense.

POV – Mary

Daryl segue para fora, vai ajudar a terminar a cozinha externa, eu me sento com Scott no refeitório, Beth me entrega Judith e vai buscar sua mamadeira, depois quando caminhava para mim vejo Zack se aproximar dela e os dois trocam olhares e um leve beijo, pisco sem acreditar, ele sai para fora e ela se senta comigo.

−O que foi isso? Pergunto sem resistir quando ela pega Judith e oferece a mamadeira ao bebê que suga feliz, Scott empurrava o carrinho na mesa distraído.

−Estamos começando algo, nada sério! Ela diz dando de ombros.

−Nunca nem desconfiei! Comento – Ele chegou a tão pouco tempo.

−Eu sei, mas Zack é um cara leve, me diverte e não exige muito de mim.

−Desculpe Beth, mas achei que você e o Arthur... Ele gosta de você.

−Arthur é especial, somos... éramos muito amigos! Alguma tristeza passa por seus olhos eu noto.

−Eram?

−Ele ficou um pouco distante depois que eu e Zack começamos a nos aproximar, acho que não esperava, antes estava sempre comigo, me ajudava em tudo, então o Zack chegou e ele foi mais direto sabe, o Arthur se afastou.

−Está triste com isso?

−Eu o entendo, temos que fazer o que for melhor, para não sofrer e se ele preferiu assim não posso fazer nada.

−Beth, acho que gosta do Arthur! Eu não consigo entender muito o que está passando por aquela cabecinha, ela sorri.

−Está parecendo a Maggie! Ela reclama, depois volta sua atenção para Judith – Arthur é especial, ele é o tipo que a gente gosta e quando acontece é de verdade, eu não posso... Nada é para sempre hoje em dia, e se eu o amasse e ele me deixasse seria insuportável então prefiro me manter longe, já o Zack, ele é legal, me faz rir.

−Entendi, está fugindo dos seus sentimentos, fica com o Zack para não se apaixonar pelo Arthur.

−Simples e direta! Ela me diz com uma sobrancelha erguida – Assim como você faz com ele.

Ela olha para Scott eu faço o mesmo e ele sentindo-se observado nos olha sorrindo.

−Acho que sim.

Sou obrigada a admitir, ela se levanta com Judith que dormia e caminha para colocá-la no bercinho improvisado.

−Agora me diga como estão as coisas como você e seu namorado.

Me pergunta se sentando novamente.

−Bem, quer dizer depois que me machuquei não temos você sabe...

−Sei, porque tem o Scott agora?

−Não ele não seria um problema, quer dizer ele é um problema, sabe disso, assumir uma criança, nesse mundo é um problema, principalmente quando Daryl deixa claro que não pode fazer isso.

−Mas ele nunca diria realmente não para você, e se quer fazer isso devia lutar.

−Eu não acho que possa, mas de qualquer modo eu nem sei se seria boa com ele!

−Você seria perfeita sabe disso, e o Daryl também seria.

−Acho que ele seria perfeito mesmo, ainda que seja meio arredio ele acaba se rendendo ao garoto, está sempre sorrindo para ele.

−Se Scott não é um problema o que é um problema?

−Scott não é, mas minha perna sim! Eu acabo rindo e ela também – Mas agora já me sinto ótima só falta coragem para dizer a ele.

−Que tal agora, Estou livre posso ficar com ele e vocês dão uma fugidinha quem sabe para a torre três, sei que gostam muito de lá.

Eu queria, nossa como queria, adoraria estar nos braços dele, na verdade precisava, só em seus braços eu realmente podia me afastar de tudo, me esquecer do resto a minha volta. E limpar minha mente de todos os problemas, com Daryl nada mais existe, sim um tempo com ele seria perfeito.

−Agora, no meio da manhã?

−Até eu acho que isso não faz a menor diferença, vai logo!

Me levanto decidida pego água e um copo pisco para ela, e Scott me olha.

−Pode ficar um pouquinho com a Beth? Ele concorda sei que não gosta, mas me obedece, caminho para fora.

Encontro Daryl trabalhando com os outros, ele se aproxima de mim com um meio sorriso no rosto.

−Cadê o garoto? Porque ele não admiti que está louco pelo garotinho e não nos deixa ser uma família de uma vez, eu penso quando ofereço a água com os olhos – Quero! Eu o sirvo.

−Ele ficou com a Beth!

−Está andando bem, fiquei te observando.

−Estou ótima.

Ele coloca o copo e a garrafa na futura mesa da cozinha, começo a me interessar profundamente por uma pedrinha no chão, chuto ela, puxo de volta e sei que Daryl está me olhando sem saber o que se passa comigo.

−Bruxa.

−Muito trabalho? Eu pergunto olhando muito rápido para ele e voltando minha atenção a pedrinha no chão e o importante trabalho de rolar com ela de um lado para o outro.

−O de sempre, precisa de alguma coisa?

−Eu... na verdade, estive pensando... Nós dois podíamos... –Desisto, essa minha covardia sempre me dominando − Nada, volte ao trabalho! Eu já ia lhe dar as costas quando ele me segura.

−O que quer me dizer Mary? Ele me faz olhar para ele.

−Pensei que podíamos ir um pouquinho na torre! Digo de uma vez com medo de me arrepender e sem nenhuma coragem de olhar para ele.

−Isso é o que chamo de um convite irrecusável! Ele brinca me puxando para ele, depois de um rápido beijo me afasta para tirar as luvas de trabalho – Vamos?

Daryl pega minha mão e eu o olho de relance, está sorrindo, um lindo sorriso.

Caminho para torre com o coração aos saltos, feliz e cheia de saudade, ao mesmo tempo com vergonha de ter feito o convite, não sou antiquada a ponto de achar que esse é um privilégio masculino, apenas me sinto tímida em fazer eu o convite, e insegura com medo de que ele ache que por que fiz o convite...

−Não estou pensando nada! Ele me garante quando abria a porta e me ajudava a subir as escadas.

−Me conhece tão bem!

O dia estava gelado, logo teríamos neve, mas só o que sinto é meu corpo queimar, ele me envolve e me beija longamente, fico com o coração acelerado, nem percebo que estamos no colchão que não estou mais vestida e então estamos envolvidos, pertencendo um ao outro, nada mais existe, não sinto frio, medo, só desejo e aquela paixão que me consome por completo.

−Senti sua falta! Ele me diz num sussurro, eu o puxo para mim, gemo e ele me beija profundamente, tem tantas palavras naquele beijo, fala de amor e saudade me sinto flutuar.

Depois ficamos nos olhando silenciosos, foi intenso eu não acho nada para dizer, me sinto emocionada com o modo como ele me olha, aqueles olhos azuis que me fazem lembrar de um céu de verão, o ar feliz, o toque leve de sua mão acariciando meu rosto, nunca vou me acostumar que Daryl Dixon me ama.

−Tenho uma coisa importante para dizer – Eu olho para ele muito atenta – Pode me roubar do trabalho sempre que quiser, isso foi realmente especial.

Eu o beijo, e ele se ajeita do meu lado, sinto frio e me aconchego em seus braços, ele puxa uma coberta que só pode ter sido trazida por Maggie, nos envolve.

−Eu te amo.

−Não sei não, acho que só quer usar o meu corpo, me roubando assim no meio da manhã! Fico corada enquanto ele ri de mim.

−Podia ser pior eu podia estar interessada só no seu dinheiro! Ele me olha surpreso.

−Ser um cara cheio da grana às vezes é mesmo um problema.

−Está pode ser uma das poucas vantagens do apocalipse, ele igualou todas as pessoas.

−Nisso você tem razão, mas ainda tem uma divisão, está em ser forte ou fraco, você por exemplo está no grupo dos fortes! Ele me diz orgulhoso.

−Aprendi com você, era só uma garota apavorada, infeliz e sem nenhuma razão para querer viver, você mudou tudo isso.

−Nem imagino um mundo onde você não existe, que bom que agora tem uma razão para viver.

−Agora acho que tenho que te deixar trabalhar e ficar com o Scott.

−O garoto está bem!

O garoto, era sempre assim que ele o chamava, como posso deixar Scott entrar na minha vida se Daryl nem ao menos se deixa chama-lo pelo nome, não consigo reprimir um suspiro de incerteza.

−Vamos resolver isso.

Eu não sei o que ele entende por resolver isso, mas acho que no fim a ideia de Carol vai ser boa, eu sei que seu plano é apenas me afastar de Daryl, me deixar claro que nunca vamos ser uma família feliz, de todo modo é lá que o pequeno vai dormir, preciso me afastar dele antes que simplesmente não possa mais fazer isso.

−Acho que todo mundo vai saber o que viemos fazer aqui! Eu coro com a ideia e ele me beija.

−Você é a coisa mais linda desse mundo! Ele diz só para meu coração falhar – Amo que seja assim, não importa quanto tempo passe continua tímida e delicada, mesmo nesse mundo horrível que temos agora.

−Resumindo uma boba! Eu brinco e ele me beija longamente e sei que deveríamos descer, mas simplesmente não consigo me afastar dele e logo estamos de novo entregues.

−Amor da próxima vez que sair eu posso ir? Estou bem agora! Pergunto quando estamos nos vestindo, acho um bom momento para fazer pedidos.

−Sabe bruxa, adoro ter você do meu lado lá fora, mas quem vai decidir isso é o Doutor S ou o Hershel.

−Você é um mandão! Eu reclamo e ele me beija.

−Vamos descer que tenho uma cozinha externa para terminar, ordens da minha garota!

−Vai ser muito bom termos um espaço assim, vai ver.

−Eu sei, por isso estou me empenhando.

Descemos de mãos dadas e fico corada quando Maggie passa por mim com aquele ar de riso no rosto, Daryl me puxa para um beijo antes de voltar ao trabalho e acabo parando para conversar um instante com as pessoas, a senhora Richard não podia me ver que vinha com uma lista de ideias e planos, ela adorava me contar tudo por que sabia que eu pertencia ao conselho.

Quando muito mais tarde encontro Beth, Scott estava sentado em sua cela, os olhos tristes e vermelhos, ela sorri aliviada quando chego.

−Você demorou e ele achou que tinham ido embora, Mary ele está muito apegado a vocês dois.

Meus olhos se enchem de lágrimas, fico muda, nem consigo olhar para ele, Beth me abraça carinhosa, sabe a luta interna que me encontro.

−Vai resolver! Ela tenta me tranquilizar, mas isso todos fazem acontece que não tem como resolver, quero ficar com o pequeno e Daryl não e eu não sei viver sem ele, então nada pode se resolver.

−Eu sei disso, mas acontece que não gosto do modo como isso vai ser resolvido, me faz mal.

−Então pense em uma outra maneira! Ela me abraça mais uma vez – Pare de fugir dele Mary, não enxerga que isso não está adiantando nada, já está completamente rendida, só o que está conseguindo é se magoar.

−Não posso Beth, Daryl...

−O cara é completamente apaixonado por você, quer que seja feliz, não vai ficar contra.

−Não quero que ele fique contra ou a favor, quero que divida comigo, ou é assim ou não posso fazer.

−Certo, não acho que eu seja uma boa conselheira, mal consigo decidir o que é melhor para mim! Ela suspira e sei que está confusa com seus próprios sentimentos, sorrimos uma para outra.

−Vamos subir Scott? Eu o chamo me afastando de Beth ele me estende a mão sempre tão confiante, não sabe como posso ser má com ele, que pretendo deixa-lo ir, que sou covarde, que ainda sou a velha Mary cheia de medo e dúvidas que só faço o que me mandam.

−Não chora! Ele me diz quando entramos na cela e só então me dou conta de minhas lágrimas, eu as seco muito rapidamente e tento sorrir.

−Pronto já passou, quer mais papel? Ele concorda com a cabeça e volta para seus desenhos enquanto eu apenas me sento no colchão olhando para o nada, o coração em frangalhos mesmo depois de horas tão felizes com Daryl.

Passo todo o dia tentando esconder minha angustia, o medo de como seria deixar o garotinho de lado, ele é só um bebê.

Almoçamos do lado de fora depois fico um pouco sentada lá assistindo o trabalho dos homens, converso com Maggie, mais tarde volto para cela por que estava muito frio e Scott podia acabar doente. Passo o dia tentando evitar as lágrimas, é tudo inútil, uma reunião do conselho é marcada para o dia seguinte e depois do jantar subo com Daryl e Scott, uma dor que parecia rasgar meu peito.

Daryl sabe que não estou bem, ele me conhece, mas parece tão confuso que não acho que possa me ajudar, de algum modo sinto que tenho que tomar coragem e dar um passo para resolver logo isso.

−Está cansado não é? Pergunto enquanto subíamos a escada lentamente assistindo o andar lento de Scott.

−Gosto de ficar cansado, a ideia de passar os dias sem nada para fazer me assusta, gosto de controlar as coisas.

−Eu sei, por isso essa perna me deixou tão abatida, não fazer nada me irrita também.

−Você ficou um dia de molho, depois só fez o que quis! Ele brinca comigo, mas não consigo sorrir, estou tensa demais para isso.

Chegamos ao topo da escada, Scott suspira e olha para baixo, orgulhoso do próprio esforço, meu coração se aperta, não quero ter que fazer isso, reprimo as lágrimas, não ainda.

Vou para cela ao lado, não tinha mais cheiro de tinta, estava bem arrumada, com lençóis limpos e uma luminária acesa, detesto como Carol pode ser mesquinha na maior parte das vezes, ela é uma mulher fria agora, que não tem medo de ferir, deixou a doce Carol morrer junto com Sophia.

Respiro fundo, e me volto decidida a fazer logo o que é preciso, quanto mais distante eu deixa-lo mas fácil será para ele, sim, para ele, eu não tenho como sair disso sem me machucar, mas posso ao menos tentar impedir que aquele pobre garotinho se apegue demais e isso lhe cause muito mais sofrimento, me convenço que é por ele que vou fazer isso, mas não muda nada, a dor é a mesma.

−Olhe Scott, que quarto lindo você tem agora? Me forço a parecer feliz, sou uma péssima mentirosa, Daryl me olhava, mais uma vez não sei o que seus olhos querem dizer, quando se trata do menino eu nunca sei o que ele sente ou pensa.

−Meu? Ele não parece gostar.

−Vem, vou ficar com você aqui, olhe que cama legal, é de menino.

Ele caminha assustado, chega perto de mim, depois olha para Daryl parado na porta da cela, chego a achar que assim com Scott ele também está assustado.

−Eu já vou! Digo a Daryl que relutante deixa a cela.

Coloco o pequeno na cama, me deito a seu lado e ele segura minha mão como na primeira noite, antes de confiar em mim, fico ali, apertando aquela mãozinha frágil, assistindo sua pequena luta contra o sono, até que seu aperto de mão relaxa e ele leva o dedinho polegar a boca, a respiração compassa num sono leve e posso deixar as lágrimas me dominarem, depois me afasto dele, ele não parece perceber, continua seu sono inocente.

Preciso sair daqui, me obrigo a deixar a cama e depois de olha-lo com atenção, caminho para minha cela, Daryl estava no colchão no chão, acho que não contava que eu fosse conseguir, eu me deito e ele me abraça mudo.

Ali em seus braços eu simplesmente não sei fingir e deixo as lágrimas rolarem num choro silencioso que molha seu peito enquanto sinto seu carinho suave nas costas, ele não diz nada, mas sei que está tão angustiado quanto eu, porque estamos os dois confusos e cheios de medo.

Eu quero desesperadamente parar de chorar, mas me sinto horrível e triste e simplesmente acho que nunca mais vou conseguir me recompor.

Daryl me afasta depois de um tempo, sem dizer nada se levanta e deixa a cela, me sinto ainda mais sozinha, não sei onde ele foi e nem porque me deixou, mas nem dá muito tempo de criar dúvidas logo o vejo entrar de novo na cela, trazendo Scott que ainda dormia nos braços e colocando ele na cama com cuidado, choro ainda mais.

Ele se deita de novo, me envolve em seus braços, de conchinha como sempre dormimos, beija meu pescoço carinhoso, esse é o homem que eu amo.

−Você não quer que ele fique lá e ele não precisa ficar, agora pare de chorar e vamos dormir, está tudo bem meu amor, eu te amo.

Nem consigo responder, só me encolho mais em seus braços sentindo sua proteção, e fecho meus olhos, ainda não sei bem o que isso quer dizer, mas não vou fugir mais, não posso.

Notas finais
Comentem!!!! Beijos