Apocalipse - A Era Dos Mortos

45 Capítulo 45 - Aumentando o grupo


Notas iniciais
Sabem como sou ansiosa né? Então ficou pronto eu quero postar, aqui está mais um capítulo, espero que gostem.

Pov – Mary

O pobre menino estava assustado, perdido, e nos olhava pedindo um mundo de coisas, coisas que não sabia se poderia oferecer. Meu sonho sempre foi construir uma família, ter um filho e ser feliz, era um sonho impossível, e ainda é, não posso ter filhos e agora que o mundo acabou, que só o que temos é o momento presente, que não somos donos de mais nada, agora isso passou a ser ainda mais distante da minha realidade.

Mas eu poderia amar aquela criança e isso me assusta, por que Daryl não quer deixou isso claro, não queria antes e não quer agora que o mundo acabou e não posso abrir mão dele, então o melhor a fazer é não me apegar.

Estamos olhando o pequeno sem saber o que fazer, ele é tão pequeno, está assustado e de algum modo confia em nós, talvez por que fomos nós a salvá-lo naquele frízer.

−O que a gente faz? Daryl me pergunta.

−Eu não sei, acho que podemos apenas deixar ele ai um pouco, ele não está chorando nem nada.

−Certo, até a Beth se organizar e poder... Sei lá, cuidar dele! Daryl pega o colchão na cama de cima, coloca no chão e nos sentamos os dois de frente para o garotinho, ele nos olhava mudo.

−Já é noite, será que ele não quer dormir? Eu sussurro.

−Está com sono? Daryl pergunta ele nega com a cabeça – Certo!

−Com fome? Ele nega, claro que não estava tinha acabado de comer.

−Ele é bem calado.

−É.

O pequeno desce da cama com muita facilidade, caminha até nós e se senta no meio dos dois, eu o olho e Daryl fazia o mesmo ficamos então os três sentados em silêncio.

Maggie aparece na cela, trazia um copo e cobertas além de um saco plástico que parecia cheio de roupas.

−Oi! Ela sorri para o pequeno que não responde – Olha gente, a Beth que mandou, é leite para ele, o meu pai disse que ele precisa, cobertas e umas roupas que ela conseguiu, disse que deve dar para se virarem uns dia − Maggie estava rindo de nós.

−Obrigada Maggie! Me levanto e pego tudo da mão dela, entrego o copo a Scott e coloco o resto na cama.

−Então é isso! Maggie nos dá as costas e ficamos de novo sozinhos com ele.

−Posso estar enganado, mas acho que Beth nos mandou um tipo de recado! Daryl me diz com um ar apavorado, nem consigo achar nada para responder, ele parecia completamente assustado.

−Meu carrinho sumiu! Scott nos avisa, não me lembro de ter visto nada além dele no tal frízer.

−Vou achar um brinquedo para você.

−Eu vou! Daryl se apressa e caminha para fora – Não vou ficar sozinho com ele.

−Não demora! Eu peço com medo, não tinha medo de Scott, tenho medo do que ele pode fazer comigo.

−A Lissa está demorando.

Eu não sei como dizer a ele que Lissa não vem mais que está morta, então não digo nada e ele me entrega o copo agora vazio, ficamos em silêncio e me sinto apreensiva.

−Achei! Daryl entra com um carrinho na mão, entrega a Scott que sorri – O Carl me arrumou, nem acredito, quando sairmos podemos dar uma olhada por ai, ver se achamos algo para as crianças.

−É podemos, tem muitas crianças agora.

−O bicho comeu a Lissa? Scott nos surpreende, era tolice achar que o garotinho não sabia como as coisas eram, todos sabiam, não tinha mais ninguém inocente sobre isso e claro que estando nas ruas ele já deve ter visto alguém sendo atacado.

−Você vai morar aqui agora, mas não precisa ter medo.

−Vai fechar a porta? Ele olha para a grade aberta.

−Não tem zumbi aqui, não se preocupe.

−Quem matou eles?

−Scott, apenas não se preocupe, eles não podem entra aqui.

Ele fica mudo, e entendo que posso não querer cuidar dele, que posso tentar não me apaixonar, mas que no momento não posso me esquivar da responsabilidade, então eu pego o pequeno no colo, ele é leve, Beth deve ter usado o sabonete de Judith porque ele cheira como um bebê, sigo com ele para cama, o beliche diante de nós, eu o deito e cubro, as noites eram quase sempre frias, ele segura minha mão, acho que tem medo de ficar sozinho.

−Vou ficar aqui! Eu o tranquilizo e ele coloca o polegar na boca, se vira e fecha os olhos, um menininho que chupava o dedo era muita covardia eu penso sorrindo.

Acho que ainda estava muito esgotado porque logo ele adormece, e depois de me certificar que está confortável olho para Daryl que estava ainda no mesmo lugar, não sei o que aquele olhar significa, mas sinto a intensidade dele.

Nos deitamos abraçados.

−Vamos dar um jeito não vamos? Eu digo tentando tirar dele algum apoio, ele apenas me olha, está muito tenso, posso sentir – Amanhã vou falar com a Beth.

−Amo você, e isso é grande para mim, maior do que achei que seria, não tem mais espaço, não no meio desse caos.

−Não vou te pedir isso, eu sei do que está falando, mas ele está aqui agora e não podemos apenas dar as costas, mas Beth vai nos ajudar, eu acho.

Daryl me sorri, um sorriso fraco e cheio de dúvidas, posso entender isso, nossas histórias são parecidas e eu o entendo, assim como ele me entende, de qualquer modo, até amanhã não tem nada que nenhum de nós possa fazer e o que nos resta é dormir.

−Eu te amo! Digo por que é verdade e porque acho que ele precisa ouvir isso.

−Eu também te amo bruxa, mas acho que no momento só nos resta dormir.

Ele me beija e nos enroscamos para dormir como todas as noites, fico olhando aquele pequeno ser dormindo abraçado a um carrinho e sinto pena, ele não tem nada, e nesse momento ninguém está disposto a oferecer nada a ele, já fui essa criança, já me vi assim, sei como é, os zumbis são só um tempero à mais, mas sei como é essa dor e Daryl também sabe.

Demoro a pegar no sono, meu coração dói de pena e culpa, não me afasto de Daryl um só segundo durante toda noite, estou com um medo diferente agora, não consigo entender de onde ele vem, só quero estar ali nos braços dele, acho que ele sente que me aperto a ele toda vez que se mexe.

Desperto pela manhã e sinto Daryl acordado, abro os olhos ele está com um braço me envolvendo enquanto o outro apoia a cabeça eu o olho e ele está vidrado no menino que brincava sozinho com seu carrinho empurrando sobre o travesseiro e fazendo o som do motor.

−Bom dia! Eu o desperto e ele me sorri, me beija de leve e ficamos nos olhando um longo tempo – Te amo.

−Amo mais sabe disso! Ele sempre me provoca com isso, é nosso jeito adolescente que nos pega quando estamos sozinhos, quando queremos fazer o outro relaxar.

−Não sei de nada!

Ele volta a se deitar do meu lado, me puxa para mais perto dele e me beija, depois nos afastamos e tenho que pensar no garotinho diante de nós.

−Vamos amor, quero ver como estão as coisas com a Beth.

−Vamos bruxa.

Scott é um menino obediente num minuto está pronto me deixa ajuda-lo sem reclamar, depois descemos os três, eu o ajudo na escada, seguro sua mão entramos no refeitório e escuto o choro de Judith no colo de Beth que mexia numa panela enquanto balançava a menina, eu e Daryl nos olhamos assustados.

Rick pega o bebê dos braços de Beth e só consegue que ela chore ainda mais.

−Meu pai já vem! Beth avisa a Rick

−O que ela tem? Perguntamos nos aproximando de Rick.

−Não sei, mas resmungou a noite toda, tive que acordar a Beth, ela não quer mais ninguém! Rick nos avisa.

Beth termina a mamadeira e Hershel entra caminhando com suas muletas.

−Vamos ver essa garotinha! Ele diz pegando Judith dos braços do pai, examina com atenção – Acho que é cólica, isso é bem normal, seria bom um chá, e uma massagem na barriguinha dela.

−Vou cuidar disso! Beth pega a pequena do colo do pai ela se acalma um pouco e simplesmente não posso pedir a ela que cuide do menino, meu coração começa a acelerar.

−E você pequeno? Hershel puxa Scott para perto dele, examina os olhos, depois manda que abra a boca, o tempo todo sorria para ele, Scott segura na calça de Daryl acho que está assustado – Está um pouco abatido, desnutrido, deve ter passado maus bocados nas ruas, ele tem que tomar pelo menos três copos da formula todos os dias, e de resto parece um bom menino, certo Scott?

Hershel diz isso olhando de mim para Daryl assumindo que nós éramos responsáveis por ele.

−Hershel... – Abro a boca para dizer alguma coisa, não sei o que falar e fico calada, ele nos sorri enigmático.

−Temos reunião do conselho em meia hora! Hershel nos diz se afastando, Beth tinha sumido para nosso bloco de celas com Judith, Rick caminhava para seu trabalho do lado de fora e me sinto perdida.

Pego um copo da fórmula de nossa bravinha e sirvo a Scott junto com umas bolachas velhas, ele se senta na cadeira sem qualquer dificuldade, era um menino muito esperto apesar de pequeno, Daryl tomava uma xicara de café.

Estamos completamente silenciosos sem saber muito o que fazer quando a senhora Richard aparece, ela nos sorri assim que nos vê caminha para nós e começo a ter esperanças, talvez ela estivesse disposta a nos ajudar.

−É um menino lindo! Ela acaricia seus cabelos, ele olha para Daryl buscando mais uma vez proteção – Meu neto tinha a idade dele quando tudo começou, falei com minha filha por telefone e ela me disse que viria de carro com o marido e o filho, eles me mandaram esperar por eles, nunca chegaram, mas ainda tenho esperanças, se uma velha como eu conseguiu quem sabe?

−Acho que tem muitos grupos como o nosso.

Tento animá-la, ela me dá um sorriso triste e depois olha para Daryl dá um tapinha leve em seu ombro, sorri carinhosa como sempre faz com ele.

−Fico orgulhosa do que estão fazendo, não tenho mais idade nem forças para fazer isso.

Daryl desvia o olhar, ela sorri como se percebesse.

−Nós... ele se cala.

−Sabe cuidar de órfãos sempre foi algo nobre, mas hoje com esse mundo em que vivemos o que estão fazendo é muito mais importante, não é só uma vida, é a tentativa de garantir a continuidade da raça humana.

Olhamos todos para o menino que bebia o leite alheio ao significado daquela conversa, depois ela nos deixa e sem alternativa seguimos para reunião do conselho com Scott nos acompanhando.

−Acho que devíamos tratar desse assunto no conselho! Digo a Daryl que ergue uma sobrancelha.

−Com o garoto por perto? Ele me abraça e suspiro sem saber o que fazer.

A reunião começa como de costume com Glenn e seu relatório do que precisamos decidir, algo sobre as nossas saídas em busca de suprimentos nos dias de mais frio, a divisão do trabalho, novas ideias que um morador ou outro deu sobre as atividades na prisão, resolvemos tudo muito rápido se eu não der muito palpite Carol não reclama e hoje não quero mesmo problemas.

−Estive pensando sobre as crianças! Eu começo – Acho que ficam muito sem ter o que fazer, seria bom ter alguém para não sei, dar umas aulas, ou distraí-las com brincadeiras.

−Eu também pensei nisso! Sasha avisa – Principalmente aquelas que estão meio sozinhas, algumas ficam de mão em mão sem ninguém que assuma a responsabilidade.

−Que tal alguém para ler com eles todos os dias, temos tantos livros, uma hora por dia, seria bom não acham? Hershel propõe.

−Mary você podia fazer isso, seria bom é boa com a Judith e o Carl, acho que pode ser boa com todos! Sasha argumenta e antes que eu pudesse responder Carol se coloca contra.

−Quero fazer isso! Ela diz determinada – Tenho tempo livre de sobra para isso e não fico por ai atrás do meu...

−Ótimo! Hershel não deixa que ela termine sabendo que sua intensão era de algum jeito me ofender – Faça isso então Carol, acho que se envolver com as crianças vai te fazer bem.

−Acho que vai ser melhor ainda para elas, mas claro que estou falando de crianças e não bebês com o pequeno aqui! Ela aponta Scott que estava sentado no chão com seu carrinho e uma folha de papel onde fazia rabiscos com lápis de cor que Sasha encontrara – Ele precisa de alguém como a Beth, que se dedique integralmente, uma babá.

−Somos todos um pouco babás agora, acho que manter as crianças do grupo à salvo é nosso trabalho – Eu comento me sentindo um pouco atingida por seu comentário.

−Sempre foi e sabemos bem como se comportou naquela floresta a algum tempo atrás.

−Quando fui atrás da sua filha mesmo correndo o risco de ser devorada por um zumbi enquanto você apenas se lamentava protegida pelo grupo na estrada? A reunião chega ao fim para mim.

−Pediu por isso! Daryl a adverte quando ela pensa em abrir a boca para retrucar e se levanta – Vamos! Ele me chama Scott fica de pé junto com ele, como se soubesse que devia segui-lo, eu faço o mesmo e deixamos a sala, demoro a me recompor, quando me acalmo estávamos chegando ao pátio.

Scott andava a nossa frente feliz com o espaço e muito distraído com o carrinho quando ergue o olhar e percebe os zumbis em nossas cercas, é a primeira vez que sai para o pátio, no mesmo instante ele corre para Daryl chorando.

−Os bichos! Ele chora apontando a cerca.

−Calma garoto! Daryl o pega no colo – Eles não podem entrar aqui.

O menino esconde o rosto assustado.

−Vamos entrar.

Eu os chamo e entramos para dar de cara com Beth balançando Judith.

−Que bom que os achei! Ela relaxa – Não tem nenhum chá que possa dar a ela, além disso tenho pouca fórmula, agora que o Scott está dividindo com ela, talvez para no máximo uma semana.

−Ok Beth, vamos procurar! Eu aviso olhando para Daryl que concorda na mesma hora.

−Não precisamos ir muito longe, vamos só nós dois de carro, na cidade mais próxima, já estivemos lá mais podemos dar uma volta e olhar nas casas da região também, quem sabe?

−Obrigada, eu ajudo com ele, Scott vem ficar na minha cela um pouco com o bebê?

Ele nega com a cabeça.

−Podia mostrar seu carrinho para a bravinha o que acha? Ele concorda comigo e segue com Beth virando a cabeça a cada passo, eu e Daryl nos encaramos cheios de incertezas.

−Vou preparar o carro e você as armas.

Ele me beija de leve, me sorri querendo me tranquilizar e depois nos separamos.

A estrada estava como de costume vazia, seguimos até uma pequena vila de casas elegantes, era evidente que ali viviam famílias felizes com suas crianças correndo pelos jardins nos dias quentes de verão, com seus animais domésticos e era mesmo possível imaginar a cena eu penso quando descemos os dois e pegamos nossas armas.

−Daryl, olha essa tem brinquedos no jardim, devia ter crianças, vamos começar por ela?

−Certo! O escorregador vermelho estava sujo e coberto por folhas secas, do lado um balanço pendia quase caindo uma tristeza me invade.

A casa está vazia e silenciosa, vasculhamos tudo antes de seguirmos para a cozinha, fico remexendo os armários enquanto Daryl cuidava de nossa segurança e acabo me lembrando do nascimento de Judith de nós dois naquela creche tentando desesperados achar um alimento para manter aquele bebê vivo, de como tudo está diferente hoje. Encontro pouca coisa, algumas latas de sopa, doces velhos, e por sorte uma lata de fórmula, apenas uma o que devia durar no máximo mais uma semana, mas era melhor que nada.

−Não tem mais nada amor, essas pessoas não tomavam chá!

−Ok, então melhor irmos. — Seguimos para a casa vizinha, e assim que entramos um zumbi surge do banheiro e Daryl o acerta com uma faca, outro tenta descer uma escada, rola até a metade e fica preso entre as grades laterais, mais uma vez Daryl acerta uma faca em sua têmpora.

−Vai Mary olha se encontra alguma coisa, essa droga começa a me preocupar.

Abro os armários um a um com pressa, finalmente encontro vários pacotes de chá, meu coração se acalma um pouco, recolho todos, Beth teria que se virar com aquilo.

−Achei uns remédios nos armários, quem sabe isso ajuda! Ele me mostra dou de ombros nunca entendi disso.

Arrumo a mochila que levava nas costas colocando tudo que encontramos e quando estávamos caminhando para a porta escuto uma sucessão de tiros e gente meio gritando do lado de fora, olhamos pela janela, algumas pessoas lutavam com zumbis que vinham de uma rua lateral, não era um número grande mas os tiros com certeza atrairiam mais, saímos os dois, o carro estava a uma distância razoável e assim que chegamos lá fora damos de cara com o grupo, havia um homem que tentava proteger duas meninas, um rapaz jovem e mais umas três pessoas, não consigo realmente contar por que um zumbi surge vindo da lateral da casa e salta sobre nós, Daryl o acerta com a besta e eu disparo uma flecha, então outros dois surgem as pessoas se aglomeravam num círculo de pânico.

−Nossa munição acabou! O homem grita.

−Mary cuidado! Daryl me pede, o rapaz que estava com o grupo é o único que parece mais preparado, ele acertava zumbis com o cabo do rifle que carregava ajudando a derrubar os zumbis, todos gritavam assustados.

−Calem a boca! Daryl grita, o som diminui e uma mulher que estava com eles tenta correr, é pega por um zumbi cai assim que ele alcança seu pescoço, outro homem sai da formação para ajudá-la e também é atacado.

−Fiquem juntos! Eu peço armando a besta mais uma vez.

Agora apenas quatro zumbis caminhavam em nossa direção, Daryl pega um, eu o outro e tudo começava a se acalmar quando mais alguns surgem da lateral da casa nos obrigando a caminhar nos afastando, então mais uma pessoa sai da formação apavorada, me empurra tentando fugir em direção a casa que acabávamos de sair, caio sobre o balanço infantil que havíamos passado a alguns minutos ele pende para o lado, o ferro se dobra e todo brinquedo desaba sobre minhas pernas.

−Mary! Daryl grita e ao mesmo tempo sinto um pedaço do cano atravessar minha coxa numa dor alucinante, reprimo um grito e me dou conta que estava presa.

Daryl e o rapaz dão conta dos zumbis, um deles que o jovem havia derrubado com o cano de sua arma se arrasta em minha direção, a boca abrindo e fechando em movimentos frenéticos, as mãos de dedos enegrecidos e unhas roídas tentando desesperadamente me alcançar, pego minha faca, não posso sair do lugar, Daryl está matando zumbis desesperado para chegar até mim, eu espero o zumbi, e então quando ele está perto o suficiente acerto minha faca no meio de sua cabeça e seus movimentos sessam imediatamente, sinto os ossos partirem e o sangue escorrer quando puxo minha faca de volta.

Olho em volta num misto de alivio e dor, Daryl acertava a cabeça do último zumbi de pé e corre para mim assustado.

−Calma amor! Ele me diz se ajoelhando ao meu lado, e para me chamar de amor na frente de desconhecidos deve estar mesmo desesperado – Merda, merda, está bem?

−O ferro atravessou, estou presa! A dor me domina no momento que percebo que estamos fora de perigo.

−Que bando de idiotas, como estão vivos até agora, uma porra de uma burrice atrás da outra! Ele grita com as pessoas olhando para mim sem ter a menor ideia do que fazer.

−Calma meu amor! Eu digo a ele – Precisamos dar um jeito de tirar isso da minha perna.

−Esperem! Um homem se aproxima – Sou médico! Ele diz cauteloso, com medo de Daryl.

−Então faça algo! Daryl pede apertando minha mão, o homem se ajoelha e olha minha perna.

−Vamos lá, esse ferro não tem mais que alguns centímetros de diâmetro, não vai chegar a fazer um grande estrago, não parece ter atingido nenhuma veia, ou nervo.

−O que precisa! Daryl pergunta.

−De ajuda, tenho tudo que precisamos em minha mochila, rasgue a calça para podermos fazer um curativo depois.

−Ótimo, faço o que for preciso. Garoto como é seu nome? Daryl pergunta para o rapaz de pé, um dos poucos que nos ajudou realmente.

−Zack! Ele responde prontamente, Daryl pega minha pistola e entrega a ele.

−Fique de olho em tudo Zack!

−Agora aqui, vamos puxar o ferro e fazer um curativo, mas ela vai precisar de antibióticos, e repouso, para a perna cicatrizar.

O homem abre a mochila e retira algumas bandagens, e iodo.

−Podemos providenciar tudo isso! Ele avisa angustiado a dor me consumindo enquanto lutava desesperada comigo mesma para impedir os gritos que certamente aliviariam a dor e convidariam mais zumbis.

−Segura ela firme, eu vou puxar de uma vez, sinto muito não tem outro jeito!
Daryl me segura, mas não era preciso, eu conheço a dor, já aguentei muito dela, não vou desmaiar feito uma garotinha, não depois de uma vida com Jack.

−Não se preocupa amor, eu estou bem! Tento tranquiliza-lo com os olhos marejados.

−No três! O homem diz – Um, dois, e... – Eu reprimo um grito enquanto aperto a mão de Daryl até cortar sua circulação deixando seus dedos brancos, o homem não espera o três e quando puxa sem aviso meu coração parece falhar, mas depois é só uma dor suportável enquanto ele faz um curativo rápido em mim.

Estou nos braços de Daryl que ainda me apertava firme, acho que agora apenas por conta da sua tensão.

−Vamos ficar bem bruxa, já vamos para casa! Quando ele diz isso o médico que terminava o curativo não resiste a um olhar.

−Pronto! O médico diz e então Daryl me solta.

−Obrigada! Eu aperto a mão do homem diante de mim – Como é seu nome?

−Caleb Subramanian! Ele diz e acabamos sorrindo um para o outro – Eu sei é um nome diferente.

−Ok Doutor S! Daryl brinca – Vocês estão indo a algum lugar?

−Só fugindo, como todos, apenas seguindo em frente, perdendo pessoas todos os dias! Ele diz olhando em volta, tinham acabado de perder três pessoas do grupo.

−Estão caminhando?

−Não! Zack responde – O carro do doutor quebrou, não cabiam todos no meu e descemos aqui, ficamos duas noites nessas casas, mas hoje essas coisas começaram a chegar de todos os lados, decidimos tentar achar mais um carro já que não cabíamos todos no meu e então...

−Essa bagunça toda.

−É! Doutor S como Daryl o chamou nos olha – E vocês, parecem bem, vocês tem um grupo, um lugar?

−Sim, e podem seguir conosco se quiserem! Ele diz – Principalmente agora que o doutor cuidou da minha garota! Ele me sorri.

−Desculpe, mas tem certeza que seremos aceitos, sabe tem lugares que...

−Estarão seguros lá, é uma prisão a alguns quilômetros, se querem ir é melhor me seguirem preciso levar Mary para casa! Daryl termina o assunto me carregando no colo até nosso carro e me colocando no banco a seu lado, depois me dá um beijo leve e o doutor estava com sua mochila ao nosso lado.

−Nós vamos, decidimos, posso pegar uma carona aqui, os outros cabem no outro carro, agora que perdemos...

−Entra! Daryl o convida, Uns minutos depois Zack surge com seu carro, um homem com duas garotas entre dez e doze anos entra com ele e mais ninguém havia restado.

−As meninas são Lizzie e Mika, perderam a mãe a pouco tempo, aquele é o pai delas, estamos juntos a algumas semanas, e vocês, seu grupo é grande?

−Somos uma comunidade doutor, alguns de nós juntos desde o começo, somos uma família! Eu respondo enquanto minha perna doía miseravelmente, me recosto no banco do carro, penso em Scott, se ele estaria bem, e pegamos a estrada.

Fecho meus olhos tentando controlar a dor, Hershel me daria um remédio, Daryl me faz um carinho leve no rosto.

−Logo vamos estar em casa bruxa! É só isso que quero.

Notas finais
Espero que gostem e comentem.