Apocalipse - A Era Dos Mortos
44 Capítulo 44 - Surpresa no frízer
Notas iniciais
Pov Daryl
O que foi aquela primeira visita a torre com Mary?
Nunca pensei que podia ser assim, que ela podia me deixar tão entregue como me deixou, já voltamos lá outras vezes, aliás nas últimas duas semanas temos ido muito lá e é sempre incrível, não que na cela seja ruim, longe disso, mas a torre tem gosto de liberdade.
E por conta disso agora tenho que ficar me controlando para não passar o dia sorrindo feito um completo idiota.
−Acorda! A voz de Tyreese me desperta, eu pisco olhando para ele Cara você não tá legal, que cara é essa?
−Não é da sua conta! Respondo mal-humorado O que foi?
−Vai me ajudar aqui ou não, o que estamos fazendo aqui fora?
−Cravando essas malditas estacas horas! Respondo caminhando até ele e o ajudando a enfiar mais uma na lateral do portão Vamos temos muito que fazer!
Pegamos outra e enfiamos nos buracos previamente abertos.
−Acho que terminamos isso até o fim do dia, o portão ficou ótimo, e acho que depois disso concluímos nossos planos de segurança, vai faltar a tal cozinha aqui na ala externa, ideia da sua namorada.
−É eu sei.
−Vou começar o trabalho amanhã, Sasha me disse que vão sair em uma nova missão, queria te pedir, sabe, você é um cara legal, pode só dar uma olhada nela para mim?
−Ty, sua irmã é completamente capaz de se defender, todas as mulheres daqui são, ao menos as que saem em buscas, mas se está preocupado, posso garantir que nunca deixamos ninguém para trás.
−Obrigado! Continuamos nosso trabalho, agora em silencio como realmente gosto, no fim da tarde estava tudo feito, tínhamos muitas estacas que impediriam ao menos um número grande de zumbis de entrar cada vez que abríssemos o portão.
Tudo estava mais seguro e organizado agora, e a ideia de um conselho tinha ajudado muito, além disso, as pessoas eram bem receptivas, e finalmente estávamos construindo uma comunidade.
Hershel estava fazendo uma horta com as mudas e sementes que encontramos numa loja de jardinagem em nossa última saída.
Os zumbis que chegavam ao portão estavam começando a aumentar, antes não chegavam a meia dúzia, mas agora eles pareciam se juntar cada dia mais.
Um grupo foi criado para matar zumbis pela cerca se a quantidade aumentasse, e espalhamos facas e objetos próprios para o trabalho por toda cerca, eu, Mary, Sasha, Maggie e Glenn costumávamos sair quando era preciso, ou pelo menos uma vez na semana para dar buscas pela região, Rick estava tentando virar um fazendeiro, aprendia tudo que podia com Hershel, e era o responsável por ir a floresta atrás das armadilhas que colocamos lá, eu e Mary saíamos quase todo dia para caçar também e já estava começando a pensar em pagar um cervo para ser caçado por ela, não entendo bem porque ela quer fazer isso, mas acho que para se sentir uma verdadeira caçadora, Mary quer um animal grande, quem sabe importamos um elefante, ela ficaria exultante.
−Amor! Ouço sua voz doce me chamar quando caminho para dentro com Ty, reprimo um sorriso, não sei porque isso é tão importante para ela, mas o fato é que ela adora me chamar assim na frente das pessoas e eu simplesmente não me importo o que é ainda mais estranho.
Me viro e ela caminhava para mim com Judith nos braços, me aproximo e beijo Mary, depois faço um carinho rápido no bebê.
−O que estava fazendo não te vi a tarde toda.
−Eu fiquei cuidando das coisas lá dentro com a Maggie e a Beth, separando roupas de frio, cobertas, não vamos ter suficiente para todos, principalmente quando a neve chegar.
−Podemos procurar por isso amanhã! Passo meu braço sobre seu ombro e caminhamos para dentro.
−Senhor Dixon! Arthur me chama, Mary esconde um sorriso, era mesmo estranho ver aqueles garotos me chamando de senhor Dixon Soube que vão sair amanhã, posso ir junto?
−Arthur está aqui só há três semanas, tem ajudado muito em tudo, mas sair acho que ainda é cedo.
−Sou bom lá fora, mesmo, desde o começo me virei bem sozinho, pode apostar.
−Esse é o ponto Arthur, não trabalhamos sozinhos, somos um grupo, um cuida do outro, da próxima vez está bem, além disso Michonne está de volta e ela vai junto, já temos um bom número, fique e mantenha todos seguros.
−Está certo! Ele me diz orgulhoso voltando para o refeitório, o garoto estava sempre ajudando Beth, não acho que ela tenha percebido seu interesse e nem acho que ele vai fazer mais do que andar atrás dela, mas era bom ter alguém de confiança dentro da prisão, assim ela e Judith que eram as mais indefesas ficavam seguras.
−Ele gosta da Beth, mas acho que ela não sabe.
−Também acho Bruxa! Entramos e damos de cara com Carol e seu olhar irado, ela estava cada dia mais fria, sua participação nas reuniões eram sempre irritantes, qualquer coisa que saísse da boca de Mary era imediatamente rebatida por ela, se Mary um dia dissesse que tinha a cura para essa merda de epidemia eu desconfio que ela tentaria nos convencer de que não precisávamos só para contrariar Mary.
Felizmente o conselho não lhe dava ouvidos e sempre fazia o que fosse melhor para o grupo.
−Está cansado?
−Muito, mas terminamos, agora é só cuidar das coisas aqui dentro, acho que aos poucos estamos construindo um bom lugar e de qualquer modo é bom manter a mente ocupada.
−Isso é mesmo, assim não precisamos realmente pensar no que esse mundo se transformou.
−Vou tomar um banho, adoro termos água encanada sabia? Eu beijo Mary mais uma vez a cada dia ela me parecia mais bonita.
−Te espero aqui.
−Certo!
Revisamos nossos planos antes de dormir, iriamos até uma cidade a alguns quilômetros ao norte, Michonne tinha passado por lá quando voltava para casa e garantiu que o lugar era bom.
Pela manhã eu e Mary descemos prontos, e depois de comer nos reunimos ao grupo, Maggie e Glenn com aqueles coletes irritantes que eu me recusava a usar e Mary também, por que ela se sentia presa e achava que perdia um pouco da mobilidade e eu apenas porque acho ridículo.
Saímos em dois carros, eu e Mary seguíamos em um enquanto o resto iria no outro.
Mary e eu sempre ficávamos conversando na estrada, sobre tolices do dia, ou coisas do passado, a viagem acabava sempre sendo divertida e nem víamos o tempo passar.
A cidade estava como sempre vazia, ao menos era o que parecia, nada de pessoas nas ruas, apenas sujeira, carros abandonados e as marcas de que um dia gente muito desesperada correu por aquelas ruas, um corpo ou outro caído pelo chão e zumbis, nunca passamos mais que uns minutos sem que pelo menos um deles surgisse pelas ruas.
Mas eu sempre ficava mais tranquilo quando Michonne estava conosco, o grupo ficava mais forte que nunca, entramos juntos num hipermercado, em formação como de costume, primeiro fazíamos uma varredura e depois nos espalhávamos então era pegar tudo e sair o mais rápido possível, quase nunca arriscávamos demais.
Matamos quatro zumbis na varredura e nos dividimos, Mary sempre comigo, Glenn com Maggie e Sasha com Michonne.
Mary segue comigo para o setor de enlatados, tudo revirado, mas aprendemos que no desespero as pessoas se esqueciam de olhar as prateleiras mais altas e era exatamente ali que encontrávamos muitos tesouros, recolhemos tudo que podíamos em nossas mochilas, frutas secas, carne, feijão, sopas e mais sopas.
−Mostarda! Mary sorri quando encontra o vidro Podíamos fazer hambúrguer de esquilo, pense nisso amor, podemos ficar ricos! Ela brinca.
−Sim Mary seremos os milionários do apocalipse.
−Melhor que sopa e esse feijão infernal. Ela me diz quando nos afastávamos atentos.
−Qualquer coisa é melhor que isso.
Encontramos Maggie e Glenn carregados de produtos de higiene e depois Sasha e Michonne traziam os produtos de limpeza e outras coisas que pudessem ser úteis.
−Podemos ir? Eu pergunto e todos concordam.
Deixamos a loja e carregamos os carros.
−Precisamos de cobertas e roupas de cama, temos muita gente.
−Certo Sasha, vamos nos dividir, em duplas, nos encontramos aqui em uma hora, depois deixamos a cidade.
−Nada de arriscar! Glenn nos lembra E por favor sem tiros, não queremos companhia.
Nos dividimos, eu e Mary pegamos uma rua lateral caminhando com cuidado, olhando as lojas, estamos em silencio e depois de caminharmos até o fim da rua sem uma loja que nos interessasse decido que o melhor era voltar.
−Vamos voltar bruxa, se tivermos que andar mais é melhor pegar o carro, que adianta achar um lugar e não ter como carregar as coisas.
−Tem razão, espero que tenham tido mais sorte.
Estamos voltando e já estávamos na metade do caminho quando ouvimos gritos e um choro de criança nos olhamos e quando me dou conta Mary já corria de encontro ao som, um bar do lado direito da rua, eu a sigo, não que pretendesse não ajudar, mas acontece que ela sempre era a primeira a correr num momento como esse, seu instinto de proteção estava sempre alerta.
−Sem fazer besteira! Digo quando chegamos na porta do lugar, ela se posiciona para abrir a porta, eu me preparo para entrar na frente.
Quando entramos vejo uma mulher lutando com dois zumbis que tentavam pegá-la, a arma caída a alguns metros dela, tinha muito sangue e sei que é tarde, mas atiro minha flecha no primeiro e puxo o outro que Mary acerta assim que o jogo para longe, então um avança sobre mim vindo de trás do balcão, Eu o empurro e acerto ele com o cabo da besta ele cai e mais uma vez Mary o pega com uma flecha que atravessa sua têmpora, vasculhamos o lugar e não havia mais nenhum então nos aproximamos da mulher que agonizava.
−Socorro! Ela diz mas não tinha muito a fazer, a pobre tinha vária mordidas pelo corpo, seus olhos apavorados me surpreendem No frízer, por favor, tem uma carta... Eu escondi lá, por favor.
−Calma! Mary segura sua mão, ela aperta a mão de Mary Vai ficar tudo bem.
−Precisam cuidar... o frízer.
A mulher que não parecia ser muito mais velha que Mary parecia em choque e não sabíamos afinal do que ela estava falando.
Ela estremece, uma bola de sangue sai de sua boca, depois ela tem outro espasmo, Mary não solta sua mão, a mulher olha em direção ao frízer e então puxa o ar com força, depois simplesmente estava morta.
Eu enfio minha faca em sua têmpora, era o que podia fazer, Mary chorava, se levanta com as mãos sujas de sangue.
Olhava em volta atenta.
−O que está procurando bruxa? Eu pergunto percebendo sua tensão.
−O corpo! Ela soluça O corpo da criança, ouvimos um choro não foi, depois parou, ele deve... droga não podemos deixar se transformar! Está transtornada Me ajuda a achar! Me pede sem esconder seu desespero, eu nem me lembrava que tínhamos ouvido o choro de uma criança.
−Calma! Eu então me lembro da mulher dizendo algo sobre uma carta no frízer e caminho até o balcão do outro lado havia um frízer desse que ficam deitados, seguimos até ele, Mary se prepara para abrir enquanto eu armo a besta, muito atento, não acho que estamos a procura de uma carta Vai!
Ela me obedece e assim que levanta a tampa o que vemos é uma criança soluçando baixinho.
−Ai meu Deus! Mary se apressa em tirá-lo de lá, era um menino quase um bebê, sujo de sangue, ela o coloca sobre o frízer, examina seu corpo o sangue não era dele Não tem nenhuma mordida! Ela me diz aliviada.
O menino ainda chorava, ela o pega de volta nos braços, se vira impedindo que o pequeno visse a mulher no chão.
−Está tudo bem! Ela diz a ele que apenas chorava enquanto ela tentava acalma-lo.
−Lissa! Ele pede Lissa! Nos olhamos.
−A Lissa não está aqui, eu sou Mary, este é o Daryl, não chore, está com sede, fome? Ele afirma.
−Vamos bruxa, vamos tirá-lo daqui.
Mary carrega a criança enquanto eu caminhava a seu lado agora protegendo os dois com a besta em punho, o menino para de chorar, se encosta em Mary e dava para ver que estava cansado.
Fico tranquilo quando avistamos os carros, os outros pareciam ter tido mais sorte e carregavam o carro com muitos cobertores, mas param quando nos veem, Maggie caminha em nossa direção assustada, posso entender, Mary estava toda suja de sangue e carregava uma criança nos braços.
−Pelo amor de Deus, que merda é essa? Ele diz quando se aproxima.
−Ouvimos gritos num bar, não chegamos a tempo de salvar... mas ela o escondeu num frízer! Mary responde e mesmo com meias palavras Maggie compreende.
−Ele está bem?
−Acho que sim, encontraram tudo?
−Sim, melhor irmos, vou pegar água e alguma coisa para você dar a ele na viagem de volta.
Maggie se afasta correndo e então chegamos ao carro, estávamos todos um tanto perplexos com o que tinha acontecido, Maggie traz para Mary alguns biscoitos de chocolate, uma garrafa de água e meia dúzia de barras de cereal.
−Vamos! Eu peço entrando no carro, sinto Mary um pouco assustada quando senta do meu lado com a criança no colo.
−O que vamos fazer? Ela me pergunta e dou de ombros em resposta nos olhamos uns minutos e dou partida no carro.
−No momento vamos dirigir até a prisão!
Ela abre a água, serve o garoto que bebe metade da garrafinha, depois ela entrega a ele uma das barras de cereal e ele aceita, mastigava como se não comece a muito tempo dava pena de ver seu desespero, quando termina olha para o pacote de biscoitos.
−Quer? Mary pergunta e agora ela sorria, um pouco mais calma, ele confirma apenas com a cabeça e ela o serve, depois oferece de novo a água e o garoto termina com a garrafa, Mary me olhava a cada segundo, sei sobre crianças tanto quanto ela, quer dizer, temos a bravinha que é um pouco de todos, mas nunca é nossa responsabilidade cuidar de verdade dela, normalmente só ficamos paparicando ela, nada além disso.
O garotinho começa a demonstrar seu cansaço se encosta em Mary e acaba adormecendo no mesmo instante.
−Ele dormiu ou desmaiou? Eu pergunto fazendo minha Mary dar um daqueles sorrisos lindos que fazem meu coração saltar.
−Dormiu.
Ela o arruma nos braços e então coloca a mão no bolso da jaqueta que ele usava, retira um papel dobrado.
−Amor, deve ser a carta.
−Abre bruxa!
Mary abre o papel, me olha e começa a ler.
Bem se está lendo isso é provável que eu esteja morta, e só posso rezar para que meu pequeno Scott esteja seguro em seus braços, ele é meu sobrinho, seus pais morreram nas primeiras semanas da infecção, quando ainda nem acreditávamos muito que os mordedores existiam mesmo, eu consegui salvá-lo e fugimos, nos juntamos a um grupo, há alguns dias o que restou desse grupo foi morto num ataque, consegui fugir e estamos sozinhos, não foi difícil achar papel e caneta, ninguém mais os quer.
Scott tem três anos, é uma criança saudável, já foi um bebê alegre e sorridente, mas agora anda muito assustado, ele fala bem e é muito esperto, pode caminhar, come sozinho, e sabe quando é preciso ficar em silencio, não usa mais fraldas, só o que posso pedir é que não o deixe para trás, não sei quanto tempo ele ainda tem, ninguém sabe não é? Mas dê a ele uma chance.
Obrigada, de alguma maneira ele acabou em suas mãos isso deve significar alguma coisa!
Lissa
Mary me olha com os olhos marejados, depois olha para o pequeno dormindo em seu colo.
−Scott é um nome bonito! Ela me diz e ergo uma sobrancelha Beth vai saber como cuidar dele não é?
−Espero que sim.
−Pobre criança, deve ter passado maus bocados na estrada.
−Parece cansado, se não tivéssemos chegado...
Nem consigo terminar a frase pensar em uma criança presa em um frízer sozinha era algo inquietante, muitos devem ter passado por coisas assim, balanço a cabeça para afastar as imagens assustadoras que se formam em minha mente.
−Ele devia estar esgotado.
Ela me diz e concordo com um movimento de cabeça, depois de uma hora nosso carro falha e paramos, era preciso mais gasolina, desço e Mary continua sentada com o menino no colo enquanto eu e Glenn enchemos o tanque com a gasolina que havíamos trazido.
O garoto acorda se senta no colo de Mary olha em volta me vê entrando no carro depois de terminar de abastecer.
−Bicho! Ele aponta um zumbi que saia da floresta em direção a nosso carro em seus passos lentos, o menino deixa o colo de Mary e corre para o meu se esconde assustado.
−Calma, já vamos embora, ele não vai te machucar! Eu dou um tapinha leve em seu ombro, Glenn está impaciente me dando farol alto logo atrás.
−Vem Scott! Mary o puxa para ela e ele a abraça se escondendo, coloco o carro em movimento e quando passamos pelo zumbi ele aperta os olhos.
Se acalma quando o carro volta a andar e acaba adormecendo mais uma vez, quando abre os olhos estávamos entrando na prisão e é aquela pequena confusão, Rick nos olha, Carl também, dou de ombros mais uma vez, um grupo vem ajudar a descarregar os carros e Beth se aproxima de boca aberta quando vê Mary com o menino no colo.
−O que foi isso?
−Nós o encontramos, ele está sozinho agora Beth, está sujo e com fome eu acho, seu nome é Scott.
−Eu te ajudo, você está coberta se sangue, se feriu? Ela pergunta a Mary quando pega o garoto no colo, minha Mary responde com um movimento apenas Precisa de um banho, vá eu te ajudo, vou cuidar dele, acho que temos umas roupas por ai e quantos anos ele tem?
−Três.
Eu aviso, Beth olha para ele que parecia meio relutante em seus braços, e se afasta.
Eu e Mary nos abraçamos, agora mais tranquilos, que dia complicado, estou faminto e com a cabeça fervilhando.
−Vou tomar um banho, estou cheia de sangue, te vejo no refeitório?
−Certo! Ela caminha para dentro com Maggie e Michonne uma de cada lado, Rick me olha se aproximando.
−Encontramos o pequeno num frízer, com uma carta! Rick balança a cabeça abatido.
−Judith! Ele me diz.
−Somos muitos Rick, qualquer um daria a vida por ela! Eu tento tranquiliza-lo ele afirma com a cabeça e se afasta.
Consigo entende-lo perfeitamente, cuidar de uma criança tão pequena no meio dessa porra toda é uma tremenda responsabilidade, infelizmente Rick não pode evitar.
Depois de um banho rápido e de comer um prato de sopa que me deixa muito contente já que o frio estava começando a nos causar problemas sigo com Mary para nossa cela, ela se deita abraçada a mim.
−O que foi meu amor, preocupada?
−Chocada! Ela se aperta a mim Essas coisas nos dão uma noção da realidade e isso me assusta, tenho medo de um dia perder você!
Queria muito dizer que isso nunca aconteceria, mas simplesmente não posso, ninguém pode, então eu a beijo, um longo beijo.
−O que importa é que estamos juntos agora.
−Sim, isso é o que importa, eu te amo.
−Sabia que amanhã estamos com o dia praticamente livre?
Ela me sorri, se enrosca em mim um tanto corada, não importa quanto tempo passe ela ainda fica corada.
−Isso é muito bom, acha que podemos... você sabe, ir na torre?
−Podemos, bruxa, sempre podemos!
Um choro de criança se aproxima de nossa cela e então Beth surge na porta com o menino nos braços.
−Desculpem, mas ele não para de chorar, eu nem consigo colocar a Judith para dormir, dei banho nele e comida, mas ainda assim ele parece muito assustado, talvez se acalme um pouco aqui!
Ela o balançava nos braços ele tinha o rosto escondido no ombro de Beth.
−Tudo bem Beth podemos tentar! Eu respondo e quando ele ouve minha voz se arruma no colo de Beth e quando me vê dá os braços me pedindo colo.
Pego o garoto e ele para de chorar, fico meio confuso com aquela criança no colo.
−Vou indo! Beth nos deixa apressada, eu coloco o menino sentado no beliche.
Ele soluça, mas não chora mais, olho para Mary e ela para mim, estamos os dois de pé, de mãos dadas olhando para o pequeno garotinho sem saber muito o que fazer com ele, o pequeno nos olhava do mesmo jeito, tão perdido e assustado quanto nós dois.
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