Apocalipse - A Era Dos Mortos
39 Capítulo 39 - Esperança
Notas iniciais
Pov – Mary
As pessoas se espalham pelo refeitório, todas assustadas e perdidas, sinto pena, mais pena do que medo, são idosos e crianças em sua maioria, olho para eles, e depois para Daryl, ele está tão confuso quanto eu, essa coisa de lidar com pessoas é difícil para os dois.
Carol e Beth tomam a frente, Hershel as ajudava, Michonne apenas se senta nos degraus e fica observando as coisas acontecerem, Carl sumiu para sua cela, ele está mais parecido comigo agora, acho que está desiludido com as pessoas.
Rick se aproxima de mim, Maggie e Glenn se juntam a nós.
−Temos comida para toda essa gente? Daryl pergunta.
−Vou saber disso logo, precisamos apenas acomodar todos, depois limpar um outro bloco, arrumar os portões, são tantas as coisas que temos que fazer! Rick olha em volta – Viram o Carl?
−Lá dentro! Eu respondo e ele suspira.
−Podemos sair e procurar comida na região, dar buscas pelas cidades vizinhas, temos algumas fazendas por aqui! Daryl se compromete, só sei que vou estar com ele.
−Estou dentro! Michonne se pronuncia se juntando a nós.
−Podemos formar um grupo e fazer uma busca, temos um mapa da região, não vamos deixar nada nos desanimar! Glenn sorri – Vencemos!
−Glenn a Andrea está morta, ele deixou ela presa com um zumbi, e está por ai ainda! Michonne avisa.
−Está bem, eu sei disso, mas partiu sozinho não é, como pode nos oferecer uma ameaça?
−No momento temos que nos preocupar com o que temos aqui, mas não vamos baixar a guarda! Rick comenta e Michonne concorda, mas acho que ela nunca vai desistir de encontrar com ele, acertas suas contas.
−Vou ajudar a arrumas espaço! Eu digo depois de apertar a mão de Daryl e caminho para as celas, quero ir até a cela de Merle e recolher suas coisas, acho que Daryl sofreria em fazer isso e precisamos do espaço, não tinha muito ali, apenas uma camisa que era de Daryl e ele usou e lixo pelo chão.
Recolho as coisas com o coração apertado, acho que ele teria uma chance, que seria diferente aqui, é uma pena que nunca vamos saber e meus olhos se enchem de lágrimas.
−Chorando pelo Merle? Daryl me pergunta entrando.
−É! Respondo simplesmente.
−Sabe que ele está lá no inferno rindo de você agora, não sabe? Ele me abraça.
−Sei, e ainda está me chamando de esquisita e ex cunhada! Daryl ri.
−E eu de molenga, no mínimo! Ele me puxa para fora da cela – Vamos, Merle se foi e vamos continuar, ele detestaria que ficasse por ai chorando.
−Está certo, é que vim arrumar as coisas e me lembrei dele, mas já passou! Seguimos de volta para o refeitório.
Daryl deve estar cansado e com fome, ajudo Beth com a refeição, os novos moradores vão se dispersando, se reunindo em celas e depois ficamos apenas nós, nossa família, não acho que um dia aquelas pessoas todas vão ter o mesmo significado para nós, mas podemos aprender a gostar deles.
−Não vamos mais ficar com medo das pessoas, nem deixar ninguém para trás, vamos seguir ajudando quem surgir em nosso caminho! Rick promete.
−Vamos confiar em qualquer um? Eu pergunto muito preocupada com isso, podemos ser bons, mas não precisamos ser tolos.
−Não Mary, vamos tentar fazer de uma maneira que possa funcionar, mas acho que por hora vamos descansar, todos precisamos!
−Certo, ficamos de folga até amanhã! Daryl diz me olhando eu me abraço a ele – Tem comido para todos? Pergunta a Beth.
−Por uns dias! Ela responde.
−Então acho que podemos apenas dormir umas horas! Maggie comenta se esticando – Detesto esses dias intermináveis!
−No fim estamos todos aqui! Hershel nos lembra.
−E o governador limpou os pátios! Eu comento, todo aquele ataque e só o que conseguiu foi matar zumbis – Quando fizemos foi mais silencioso, mas ele foi mais rápido!
−Desde quando a senhorita faz piadas! Daryl diz sorrindo e me envolvendo, dou de ombros.
−Comecei agora! Respondo.
−Vamos bruxa, vamos dormir! Devia ser quase meio dia quando seguimos para nossa cela, estou esgotada, moída pela tensão e o medo.
−Acredita que estamos aqui? Eu digo quando nos deitamos abraçados.
−Foi incrível.
−Daryl! Estou cansada, mas quero conversar com ele sobre isso – Acho que estou com um pouco de medo de como vai ser com todas essas pessoas, com as que ainda vão chegar.
−Com medo de como vai ser com as pessoas, ou com medo das pessoas? Ele me pergunta, sinto vergonha de ser assim, queria ser diferente, mas não consigo evitar e gosto de dizer a ele, gosto de dividir tudo com ele.
−Com medo das pessoas! Confesso.
−Eu vou estar por perto, logo se acostuma com eles como se acostumou com o grupo, lembra como era na pedreira, mal falava com eles.
Ele tinha razão, mas demorou para me sentir bem, quase bem, ainda não gosto muito que toquem em mim, a não ser Hershel, mesmo Maggie e Beth me incomoda um pouco, os outros preciso me controlar para não empurrar para longe.
−Fica com vergonha de eu ser assim?
−Sim, eu tenho vergonha de namorar a garota mais bonita, valente e especial do apocalipse! Ele me beija – Que tolice, e você sente vergonha de mim?
−Do homem mais bonito, corajoso e forte do apocalipse? Brinco com ele – Um cara mal, um demolidor? Claro que não.
−Tem uma coisa que quero entender, tem muito medo de pessoas, se encolhe, mas quando tem que enfrentar um zumbi fica quase calma, porque?
−Zumbis são fáceis de entender, querem minha carne, caminham em minha direção sem disfarçar, não sabem quem eu sou, é só uma máquina, então sei o que tenho que fazer, me defendo, mato, corro, me escondo, não me engano nunca.
Eu me arrumo em seus braços, ele fazia um carinho leve nas minhas costas.
−As pessoas?
−Pessoas são diferentes, nunca sei o que esperar, e tem muitas maneiras de me ferir, não são só dentes e fome, elas enganam, traem e te obrigam a se degradar de um jeito que parece que não tem volta nem concerto, me assustam por que nunca sei quando vai ser, e tenho que esperar.
−Não é sempre assim! Ele me diz.
−Não, eu sei disso conscientemente, mas acontece que esse medo me domina de uma maneira que quase sempre não consigo conter, raciocinar, quando me disse aquelas coisas na estrada acreditei na hora, não podia ter acreditado, desde que me salvou só fez cuidar de mim, me protegeu, me esperou, e eu simplesmente acreditei, por que sempre acho que é assim que as pessoas são, mentem e enganam.
−Eu sei como é isso, tenho minhas marcas também, e tenho minhas barreiras de proteção.
−Mas é estranho que as minhas nunca funcionaram com você, sempre pode me tocar, sempre quero ficar perto, acho que eu amo você desde antes! Eu conto a Daryl que me beija depois de sorrir.
−Sabe quantas vezes já me apaixonei por você? Ele me pergunta e acho estranho.
−Uma?
−Errado! Ele diz e agora está sobre mim, os olhos fixos nos meus, fazia um carinho leve no meu rosto, afastando meus cabelos – Me apaixonei primeiro pela garota triste que passava na minha porta, depois pela garota perdida que precisava de proteção, e de novo pela que cuidava de mim, me apaixonei pela que era corajosa e cheia de esperanças que caçava criancinhas, pela mulher forte que ajudou a limpara essa prisão matando zumbis, e quando saiu do bloco de celas com a bravinha no colo eu me apaixonei mais uma vez e quando me estendeu a mão no momento mais difícil da minha vida. O tempo todo eu me apaixono por você.
Eu pisco e umas lágrimas escorrem, não era para chorar, mas não consigo evitar.
−São de felicidade! Eu me apresso a dizer quando ele as seca – Porque nunca achei que um dia alguém gostaria de mim, ninguém nunca gostou.
−Não foi só o Jack que te magoou não é?
−Foi todo mundo! Eu respondo – Minha mãe, ela não se importava, muita gente sabia o que acontecia comigo, os vizinhos, quando fugia, quando pedia ajuda, depois meu patrão, quando arrumei aquele trabalho ele sabia e um dia o filho dele até tentou me agarrar, a outra funcionária que me ajudou, só ficavam falando coisas sobre mim quando passava, mas me ajudar, não isso nunca.
−Como toda cidade podia saber disso menos eu? Ele se pergunta.
−Você nunca falava com ninguém! Eu respondo, só vivia na floresta.
−Teria sido diferente se soubesse, nunca passaria por cima de uma coisa como essa!
−Por que me ama? Eu sorrio para ele, não quero ter essa conversa pesada, que faz meu coração doer.
−Muito!
−Eu te amo mais! Respondo.
−Nunca, eu que te amo mais, muito mais!
−Ama nada, já ficou bravo comigo e tudo! Ele me beija.
−Foi ciúme o que só prova que te amo mais!
−Nada disso! Ele morde meu lábio.
−Já você bruxa brigou comigo por que deixei umas roupinhas pelo chão, e agora quem ama mais? Eu tenho exata noção de que às vezes parecemos dois adolescentes, mas gosto disso, de quando é leve e delicado, de quando podemos só viver o momento esquecidos do resto.
−Eu! Acabamos rindo e ele me beija adoro seus beijos e mais ainda quando as mãos dele entram assim por dentro da minha blusa e tocam minha pele, por que ele sempre usa todas as coisas que Mary gosta e quando vejo estamos entregues, fico com um pouco de medo de alguém aparecer e nos ver, ainda é dia e a prisão está muito movimentada e esse medo acho que deixa as coisas ainda mais intensas e me esqueço de tudo e simplesmente deixo acontecer, me sinto como da primeira vez, por que está claro e posso ver direitinho seus olhos azuis me fitando o tempo todo, sou dele, nasci apena para isso, para me entregar a ele.
Depois ficamos ali na nossa pequena cama, apenas abraçados nos olhando e trocando carinhos.
−A lista de coisas que Mary gosta só aumenta! Eu brinco.
−O que acrescentou na lista, sabe que preciso ficar devidamente informado de tudo.
−Um tiquinho de medo de sermos pegos em flagrante! Eu respondo com o rosto queimando e fazendo ele rir.
−Hum! Ele estreita os olhos – Posso providenciar isso mais vezes meu amor! Ele me diz e meu coração salta.
−Do que me chamou? Pergunto e ele ri.
−De Mary! Brinca comigo.
−Nada disso! Eu o beijo.
−Então foi de bruxa! Ele tenta me beijar e fujo dele.
−É melhor confessar se quiser outro beijo!
−Eu te chamei de meu amor, mas não vai me ver fazer isso na frente de todo mundo! Ele diz e eu o beijo.
−Não preciso!
−Te amo! Ele me diz – Mas precisamos dormir.
−Eu sei! Ele me beija e nos enroscamos para dormir e o sono me domina em questão de minutos.
Acordo quando já é noite, tem barulho lá em baixo, mais barulho que de costume, vamos ter que aprender a viver em comunidade, eu mais que os outros vou ter que me esforçar.
−Bom dia! Daryl brinca e me viro para ele – Mesmo correndo o risco de ficar fofo, principalmente depois de ficar te chamando de meu amor preciso admitir que estou com muita fome!
−Vamos demolidor! Eu brinco – Vamos comer!
Depois de comermos alguma coisa e passarmos por um monte de gente que nem sabia que estava entre nós seguimos para o pátio, Maggie e Glenn olhavam para a torre três abatidos.
−Que foi Maggie? Eu pergunto.
−O paraíso foi abatido, uma grande perda para a humanidade! Ela brinca apontando a torre.
−Já disse que dá para dar um jeito! Glenn avisa.
−Eu ajudo! Daryl promete e fico corada, Maggie me cutuca e evito seu olhar, ela ri de mim.
−Podemos dividir! Maggie sussurra, acabo rindo com ela, depois Beth chega com a bravinha no colo, Rick e Carl se juntam a nós e Hershel e Carol também.
−Vamos recomeçar! Hershel suspira – Nunca pensei que chegaríamos tão longe!
−Nenhum de nós! Glenn comenta – Mas estamos aqui!
−E vamos continuar, e vamos fazer isso juntos! Beth comenta – Gosto dessa família que construímos! Ela chama Michonne que se junta a nós – Agora sim família completa.
Me recosto em Daryl, eu também gosto dessa família que construímos, mesmo tendo que conviver com o fato de que perdemos alguns pelo caminho, gosto de como estamos agora, mesmo com Carol e essa mania que ela tem de tentar me separa do meu amor, posso conviver com ela, e quem sabe um dia possamos até nos tornar amigas e esquecer o que passou, não sei, só o tempo pode responder essa pergunta.
−Amanhã acho que a prioridade são os portões! Daryl comenta.
−Concordo! Glenn balança a cabeça e Maggie faz careta, acho que a prioridade dela é a torre – Acho que podemos fazer algumas mudanças, pensei em umas coisas que pode ficar bom.
−Morgan tinha um bom sistema de defesa contra zumbis! Rick avisa, acho que podemos usar umas coisas que vimos lá.
−As estacas com certeza! Michonne comenta e Rick nos explica como era a rua que Morgan preparou.
Todos dão palpite e logo Sasha e Tyresse se juntam a nós, montamos alguns planos emergenciais e depois cada um segue para um lado fico mais um pouco do lado de fora, o dia seria um inferno de tanto trabalho eu penso olhando todos aqueles corpos para recolher e queimar.
−Muitos corpos não é? Daryl me diz.
−Pior são os que não estão inteiros! Eu digo fazendo cara de nojo.
−Vamos bruxa, melhor é dormir de novo! Estávamos entrando quando um homem me para na entrada do refeitório.
−Oi! Ele diz me olhando – Você estava em Woodbury com os outros que foram nos buscar não é? Eu faço que sim com a cabeça meio assustada.
−Quero muito agradecer, vocês foram muito bons, principalmente depois de tudo que aconteceu! Ele me estende a mão e adoraria sair correndo, não sei se consigo me abrir assim a ponto de conviver com todo mundo, Daryl passa o braço por meu ombro e me sinto mais forte, aperto a mão do homem e logo me afasto.
−Não foi nada! Respondo e puxo Daryl em direção a nossa cela.
−Não precisa ter pressa, uma hora se acostuma! Daryl me tranquiliza assim que entramos eu concordo com um movimento de cabeça e voltamos para cama.
−Nunca me disse o que o Shane te fez! Eu olho para ele, nem me lembrava mais dele.
−Ele me ameaçou!
−Porque?
−Estava me ensinando a atirar, ficou muito perto fiquei nervosa ele foi meio grosseiro, disse que não roubava namorada de amigo, uma coisa assim, eu disse que o Rick não concordava com isso, ele me ameaçou, disse que algo podia acontecer comigo ou com você me empurrou eu cai e felizmente o Rick chegou e corri para perto de você.
Conto tudo de uma vez sem nem ao menos respirar ele me olha um tempo, não sei o que está pensando.
−Foi bom não me contar! Ele me surpreende – Eu teria feito uma loucura, aquele canalha bem que mereceu seu fim!
−Por isso não contei, nunca quero mentir para você e não gostei de esconder isso, mas fiquei com medo de brigarem, ele estava louco, um dos dois acabaria morto.
−Pode ter certeza! Ele me puxa para ele.
−Está bravo comigo?
−Não, bravo comigo, não queria ir e te forcei!
−Mas ele me ensinou mesmo, isso temos que concordar, era um babaca, mas graças a ele sei atirar.
−E é muito boa nisso, a melhor que conheço!
−Tem muitas crianças sozinhas! Eu digo do nada, nem sei porque pensei nisso – deve ser horrível para elas, tenho tanta pena que nem consigo me aproximar.
−Mas agora tem muita gente para cuidar deles!
−Sim, eu não posso, prefiro ficar no time que vai para as ruas, vai me deixar sair com você?
−Vou, mas se prometer não fazer nenhuma loucura!
−Não faço loucuras! Me defendo.
−Mas é cheia de coragem, quero você sempre perto de mim!
−Prometo!
−Ótimo, reparou que está de noite?
−Sim! Não o entendo e fico olhando para ele, mas ele se move e ficamos de frente um para o outro.
−E que dormimos a tarde toda?
−Sim! Agora entendo e não posso deixar de sorrir.
−Acho que vamos ter que arrumar alguma coisa para fazer até sentirmos sono! Ele diz me puxando para ele.
−Contar carneirinhos? Eu brinco.
−Mary anda muito engraçadinha! Ele me beija – Gosto disso!
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