Apocalipse - A Era Dos Mortos

26 Capítulo 26 - A primeira vitória


Notas iniciais
Mais um capitulo espero que gostem!

Pov — Mary

Eu sei que não devia deixar Daryl praticamente sozinho com aqueles presidiários, mas acontece que eles me assustam, de algum maneira a postura, o jeito de falar e andar, tudo me lembra Jack, simplesmente não suportei.

Além disso Hershel está ferido, quero estar com Maggie e Beth, ainda que seja só isso que possa fazer, entro no bloco de celas e Lori e Carol estão tentando estancar o sangue, sei que Carol andou aprendendo algumas coisas com Hershel durante esse tempo que estivemos na estrada, torço para que consiga salvá-lo.

Maggie e Beth estão de pé assistindo tudo apavoradas, Carl, eu e Glenn ficamos na porta, sei que Glenn está pronto para fazer o que for preciso.

Meu coração fica dividido entre minha preocupação com Hershel e meu medo por Daryl lá fora com cinco homens que parecem não ter nada a perder.

Hershel está desmaiado, o sangramento diminui, mas precisamos de muitas coisas, antibióticos, ataduras, sem isso como podemos mantê-lo vivo?

Rick e T- Dog entram trazendo suprimentos, uma boa quantidade.

−Onde está o Daryl? Pergunto assustada, meus olhos cheios de lágrimas.

−Calma, ele está bem cuidando dos caras, vamos ajuda-los a tomar um bloco de celas! Rick me tranquiliza, ou tenta, a ideia de Daryl sozinho com cinco homens me assusta um pouco, Rick conversa um pouco com Lori e depois ele e T seguem ao encontro de Daryl.

Carl desaparece, Beth está em uma cela preparando roupas para o pai, Maggie pede para ficar sozinha com Hershel, sei que quer se despedir e eu apenas me sento na escada, não sei o que fazer, queria estar ajudando Daryl a limpar outro bloco, ou procurando remédios para Hershel, a ideia passa por minha cabeça e imediatamente penso em Carl, olho em volta.

Garoto maluco, só pode ter ido atrás da enfermaria sozinho, preciso fazer alguma coisa, Maggie e Beth estão envolvidas com o sofrimento de Hershel, Glenn está lá garantindo a segurança de todos para o caso de ele morrer e se transformar, Lori está gravida e não posso preocupa-la.

Daryl vai ficar furioso, mas não posso deixar o menino sozinho e sigo na direção que ele pode ter ido, pela única porta que passaria sem ser visto, o lugar está escuro, estou com minha faca na mão e caminho em silencio, é ainda mais assustador sozinha, dois corredores depois escuto um barulho, minha vontade é seguir na direção oposta, mas Carl está lá dentro e só me resta verificar.

Caminho muito tensa, a mão já esteve mais firme segurando uma faca, respiro aliviada quando vejo Carl limpando prateleiras.

−Carl! Ele se assusta, dá um pulo e me olha, vejo o alivio em seus olhos – Seu pai e sua mão vão te matar!

−Mas achei a enfermaria! Ele me diz sorrindo vitorioso.

−Parece que sim! Digo ainda na porta – Pega logo tudo e vamos! Chamo apressada.

−Mary! Ele grita com os olhos arregalados e quando me viro um zumbi avançava sobre mim, eu tropeço nos meus próprios pés e acabo por cair com ele sobre mim, não posso gritar, Carl está comigo, é só o que consigo pensar enquanto o seguro tentando me desvencilhar, aquela boca de dentes pretos a centímetros do meu rosto gemendo e batendo os dentes nervosamente, preciso ser rápida penso, uso toda minha força para empurra-lo e quando ele volta em minha direção enfio a faca e o sangue jorra para todos os lados eu o empurro e me levanto apressada, Carl me olhava apavorado, eu respirava com força e então puxo Carl pela mão.

−Vamos embora daqui! Saímos rápido, caminhamos próximos um do outro e chegamos em segurança.

−Achei que estava organizando a comida! Glenn reclama.

−Melhor que isso! Ele entrega orgulhoso os remédios que conseguiu.

−Onde conseguiu isso? Lori pergunta.

−Achei a enfermaria, fiz a rapa! Ele anuncia e Lori fica irritada.

−Foi sozinho?

−Fui, mas a Mary foi atrás de mim! Ele reclama, Lori me olha agradecida, depois briga com ele que se revolta e Beth intervém.

−Carl, ela é sua mãe não pode falar assim com ela!

Eu estou toda suja de sangue e me afasto para me limpar um pouco, se Lori soubesse o perigo que Carl correu ficaria ainda mais preocupada.

Me junto aos outros na espera desgastante, não sei se Hershel pode sobreviver ao que está passando, ficamos em silencio, assistindo sua dor seus gemidos fracos, Glenn e Carol saíram e então algo parece estar errado Beth começa a gritar por socorro e Lori assume a liderança, fico perplexa com sua coragem, ela faz massagem cardíaca e respiração boca a boca, Hershel tem um espasmo e a agarra, ela luta para se libertar e Carl aponta sua arma, Lori se solta e Hershel abre os olhos e depois desmaia mais uma vez.

Tenho dificuldades em voltar a me acalmar, me afasto a espera de Daryl com medo de algo ter dado errado lá em baixo, quando escuto passos meu coração volta a acelerar, peço a Deus que ele esteja voltando e o vejo entrar, corro até ele mesmo sem saber se vai gostar e o abraço, ele me envolve, me olha nos olhos.

−Está tudo bem! Me avisa, eu suspiro aliviada e nos juntamos ao resto do grupo, a espera de uma reação de Hershel, ele ainda não tinha febre e isso nos enchia de esperança.

Ficamos atentos e então ele abre os olhos e não posso conter minhas lágrimas, é a primeira vez que vencemos, me recosto em Daryl que me dá aquele sorriso de lado, um tanto discreto, mas que demonstra sua felicidade, perdemos tanto desde que tudo começou, na verdade perdemos todas as batalhas, essa é a primeira que conseguimos vencer. Hershel está vivo, foi mordido, e ainda assim está entre nós, isso é fantástico.

Rick aperta sua mão, Hershel eu sei, mesmo sem conseguir falar está agradecendo, Daryl me aperta a ele e eu o olho, vou ter que contar que achei a enfermaria e o Carl que um zumbi me atacou e ele vai ficar uma fera.

Nos afastamos e deixamos Beth e Maggie com o pai, sigo com Daryl para nossa cela.

−Como foi lá? Pergunto adiando a hora de contar o que fiz.

−Uma grande porcaria! Ele me diz se sentando, não esconde o cansaço — Só sobraram dois presos, Rick teve que matar o líder deles, o outro foi mordido, arranhado ou sei lá o que e o cara não teve a menor piedade, quase arrancou a cabeça dele.

−Nossa! Eu o abraço.

−Achamos a lavanderia! Ele me diz sorrindo – Os dois que sobraram estão no outro bloco de celas, um deles fugiu, Rick o trancou lá fora, os zumbis devem ter dado conta dele.

−Será? Eu pergunto – E se ele conseguiu escapar?

−Não sei e nem quero pensar nisso agora! Sinto que aquela situação mexe com ele mais do que o normal.

−O que foi?

−De algum jeito esses caras presos aqui, fico pensando no Merle, sabe que ele esteve preso muitas vezes, e se estivesse num lugar desses, é estranho pensar nisso.

−Eu sei! Respondo.

−Não precisa ter medo dos caras, acho que os que ficaram estão bem longe e não acho que queiram fazer nada contra a gente, eu sei que ficou assustada.

−O jeito deles, me lembra... não me sinto bem com eles por perto só isso! Não quero nem pronunciar o nome dele, do homem que me destruiu, Daryl me abraça.

−Jack! Ele diz – Achei que era isso, estamos bem bruxa, não se preocupe, e agora temos comida e um teto seguro, Hershel está vivo, vencemos!

−Ao menos por hoje! Eu digo, não quero me encher de esperança, nunca se sabe como as coisas podem ficar.

−E aqui, tudo bem? Ele me pergunta e me afasto um pouco, me preparo para sua ira, não quero mentir, mas ao mesmo tempo não quero que ele ache que não mereço sua proteção que faço tudo errado, eu sei que irrito as pessoas – Mary? Ele sabe que estou prestes a dizer alguma coisa que ele não vai gostar de ouvir.

−Lori disse que precisávamos de remédios, e ataduras, então o Carl logo sumiu, eu sabia que o menino só podia ter ido sozinho procurar, e bom você não estava aqui, o resto estava envolvido em alguma coisa e só me restou ir atrás dele, eu o encontrei e ele encontrou a enfermaria... eu... Um zumbi me atacou eu cai mas está tudo bem peguei ele e trouxe o Carl de volta!

−Pode repetir o que disse? Ele me pede com os olhos estreitos, está bravo eu sei.

−Tudo? Pergunto meio incerta.

−Não só a parte que entrou lá sozinha atrás daquele moleque irresponsável e lutou com um zumbi! Ele diz ficando de pé, anda de um lado para outro, passa as mãos pelos cabelos e depois me encara.

−Eu... sinto muito! Digo num fio de voz e acho que vou chorar, mas não quero fazer isso porque sou adulta e posso fazer minhas próprias escolhas, e droga só quero que ele me desculpe.

−Mary, entende o que fez? Ele me pergunta – Eu sei que é capaz de matar um zumbi, mas esteve lá dentro hoje, viu o que aconteceu com o Hershel, como pôde fazer isso? Ele está mesmo bravo, tão bravo que nem está gritando.

−Por isso tive que ir atrás do Carl! Conto a ele, é um péssimo argumento eu sei, devia ter ido buscar o Glenn e a Maggie para irem comigo, mas eu estava tensa, não pensei no perigo, devia dizer isso a ele, mas só consigo ficar calada olhando para o chão feito uma completa idiota.

−Eu realmente não posso te deixar sozinha! Ele diz – Isso foi... não acredito, eu estava lutando por um lugar seguro para você e estava aqui tentando se matar?

Bom, agora ele conseguiu, não consigo mais evitar as lágrimas e começo a chorar, Daryl me olha, para de caminhar de um lado para outro.

−Alguém já deu uma bronca no garoto?

−Lori! Eu digo sem olhar para ele – Vai ficar bravo comigo para sempre não é? Eu sabia que iria, mas não consigo evitar, crianças me preocupam mais do que qualquer coisa, e depois eu pensei na Lori, no quanto ela ficaria desesperada se algo acontecesse com o Carl.

−Eu sei está bem! Ele diz, agora parecia mais calmo – Mas por favor, dá próxima vez pense no meu desespero também, já perdi o Merle, só tenho você, se te perder o que eu vou fazer?

Eu fico paralisada ao ouvir isso, é mais do que um eu te amo, aquilo é especial demais, ele é tudo que tenho, mas nunca me vi na mesma posição e isso me desperta, me dá a noção do quanto sou importante para ele, me arrependo do que fiz, nunca mais vou ser descuidada.

−Você também é tudo que tenho, desculpe! Ele se aproxima de mim e me abraça.

−Tem que me prometer que vai ficar viva! Ele me pede e não sei bem como posso prometer algo assim, mas posso sempre tentar – Só estou nessa por você, então preciso que prometa que vai ficar viva!

−Eu prometo que vou ficar viva! Digo solene, não sei até quando posso cumprir essa promessa, mas posso me esforçar e parar de fazer tolices.

−Ótimo, ainda não dormiu não é? Ele me diz mudando de assunto.

−Foi tanta coisa, nem pensei nisso, mas estou bem eu juro!

−Sei que está.

−Me perdoou?

−Não sei! Ele me diz sorrindo – Acho que está sob observação, vamos ver se merece meu perdão! Ele me beija e se não me perdoou tudo bem desde que continue me beijando assim eu penso quando me entrego aos seus braços esquecida de todo o resto.

Mas Daryl se afasta, me olha sério, passa a mão nos meus cabelos e me beija de leve.

−Está abatida e com olheiras! Me diz sem esconder a preocupação.

−Uma bruxa? Eu pergunto e ele sorri de novo.

−Horrível, muito pior que qualquer zumbi que já topei no caminho! Ele me beija.

−Ruim assim? Eu brinco me encostando nele.

−Precisa dormir, amanhã temos muito trabalho.

Ele me obriga a deitar e me abraça, eu sei que também está cansado, estamos tão esgotados que nem fome sentimos, dormir nesse momento é mais importante que comer.

−Vai ficar aqui não é? Eu pergunto só para me certificar.

−Prometo! Ele me beija o pescoço, isso é bom demais, se fizer de novo não vou conseguir dormir eu penso, mas o sono me domina, caio na escuridão de um sono sem sonhos, apenas a completa inconsciência.

Dormimos até o dia seguinte, acordo antes dele, mas não me mexo, é bom demais estar ali, quietinha em seus braços, adoro que a cama seja pequena e que precisamos ficar bem juntinho, penso se agora as coisas seriam mais tranquilas entre a gente se poderíamos namorar se eu seria dele de novo, foi tudo tão perfeito, mas foi a tanto tempo, não sei como vai ser agora, nem mesmo sei se ele ainda me deseja.

−Isso é muito bom! Ele diz na minha nuca me fazendo sorrir, é realmente muito bom – A quanto tempo não podemos apenas acordar assim, sem nenhum medo ou preocupação!

−Uma eternidade! Eu comento e ele me aperta.

−Está com fome? Ele me pergunta e me viro com cuidado para ele não cair, Daryl me olha adoro olhar para ele quando acorda, acho que é quando está mais bonito, me lembra sempre um menino, estou sorrindo feito uma idiota, eu penso.

−Que foi? Ele me pergunta, dá para ver que estou com um sorriso tolo no rosto.

−Nada! Eu respondo – Só achei fofo você acordar com fome e com essa cara de menino preguiçoso!

−Fofo? Ele finge que está bravo – Me achou fofo? Reclama me puxando para ele – Estou perdendo a mão, imagina o que o Merle diria se ouvisse isso?

−Nunca diria que é fofo na frente dele! Eu brinco e ele me beija.

−Eu te chamo de bruxa e me chama de fofo? Ele me faz um carinho – Arrume um outro jeito de me chamar, fofo nem pensar!

−Prometo pensar em algo menos fofo!

−Acho que temos que levantar e começar nosso dia, temos muito que fazer! Ele me lembra — E quero acabar logo! Aquilo me soa como uma promessa e gosto disso.

Lori cuidou de preparar uma refeição está todo mundo acordando, se reunindo, o lugar está sujo, temos corpos por todos os lados, temos mesmo muito que fazer, antes do café vou até a cama de Hershel, Daryl fica parado na porta me olhando falar com ele.

−Oi! Eu beijo sua testa, gosto tanto dele, sou tão grata por um dia ele ter me oferecido um teto, mesmo que tenha preferido ficar com Daryl ninguém nunca fez algo assim por mim – Como está?

−Muito bem! Ele diz com a voz ainda fraca – E você?

−Feliz que ainda está aqui!

−Logo vou estar de pé, não quero que se preocupe comigo, e tome cuidado está bem?

−Prometo!

−Gosto muito de você Mary, é uma moça muito especial, eu sei que foi tudo difícil, mas estamos aqui e vamos ficar todos bem.

−Eu sei que vamos! Volto a beijar sua testa e depois me afasto não quero deixar ele cansado – Descanse, venho te ver depois, prometo!

Eu o deixo e sigo com Daryl até onde todos estavam reunidos, nos decidimos a começar a limpeza pelo lado de dentro, precisamos ter um lugar descente para comer e dormir, além disso o cheiro de sangue estava ficando insuportável.

Passamos o dia ocupados, limpando e recolhendo lixo, lavamos roupas, comemos e quase não penso em problemas, o dia voa, e já estava anoitecendo quando decidimos descansar, sigo com Maggie e Beth para um banho, o lugar estava seguro, mas decidimos ir juntas porque Beth está com medo, o banho é frio, mas temos um chuveiro e isso é simplesmente fantástico, ainda não é o lugar mais limpo do mundo, mas é melhor que as ruas.

Depois seguimos para o pátio, espero por Daryl para comer, ele vai tomar banho, antes passa por mim e me rouba um beijo, eu fico tonta, porque ele só me beija, não diz nada e depois sai muito rápido, é como se simplesmente não pudesse resistir e Maggie sorri quando ficamos sozinhas.

−Não disse? Ela brinca – Carol e Daryl! Faz careta – Você tem cada ideia!

−A ideia não foi minha! Eu respondo rindo – Mas estamos bem, ele ficou furioso quando soube que fui atrás do Carl, mas depois me desculpou!

−Todos ficamos furiosos! Ela me diz séria.

−Teria feito o mesmo! Eu retruco e ela concorda – Maggie acha que eu e ele, você sabe, acha que ele ainda quer?

−O assunto é sexo? Ela sorri toda animada, eu apenas confirmo com a cabeça – Não sei Mary, acho que ele pode preferir jogar cartas, sei lá, quem sabe ler um livro, deve ter uma biblioteca nesse presídio! Eu olho para ela confusa, e ela começa a rir de mim – Qual é Mary? Claro que ele quer, mas depois do dia de ontem e sabendo que a senhorita não dormia desde que o apocalipse começou ele não tentaria nada, eu e o Glenn também só dormimos, mas eu tenho observado aquela torre de vigia o que acha dela?

−Ainda estamos falando de sexo? Eu pergunto sem entender bem o que a torre tem a ver com isso.

−Mary eu adoro você! Maggie brinca – Sim, ainda estamos falando de sexo, estou pensando que lá deve ser bem reservado, não acha?

−AH! Eu acabo rindo da minha idiotice – Não sei, será que não dá para ver nada daqui?

−Sei lá! Ela dá de ombros – Quem não quer ver estrelas não olha para o céu!

−Você é maluca!

−Vou pensar no caso, se for seguro e discreto eu te aviso!

Eu não acho que teria coragem de convidar Daryl para ir até lá comigo, mas em todo caso, nada impedia ele de fazer o convite, de todo modo nem sei se ele ainda pensa nisso, posso ter entendido mal seus planos de acabar cedo com o trabalho.

Comemos todos juntos, estamos mais unidos que nunca, Carl se aproxima de mim, está tímido e me olha sério, adoro aquele sorriso tímido dele e o chapéu quase tampando os olhos.

−Mary, meu pai me pediu para vir me desculpar, ele disse que fiz muito mal e arrisquei sua vida e também quero agradecer por ter ido atrás de mim e me salvado, acho que aquele zumbi podia ter me atacado se estivesse sozinho, me desculpe.

−Estou bem Carl, não se preocupe! Não quero dar uma bronca nele ou fazer um sermão, acho que ele já tomou todas as broncas que merecia, ele sorri e se afasta, nem olho para Daryl sei que vai estar com seu olhar de reprovação.

−Não se preocupe é um pouco demais não acha bruxa? Daryl diz no meu ouvido e na verdade acho que dizer coisas no ouvido, mesmo coisas assim, tipo quase uma bronca podem entrar na lista das coisas que a Mary gosta.

−Ele é só um menino! Eu o lembro, mas Daryl não vai levar muito isso em consideração.

−E seria um menino sem pescoço se você não tivesse voltado! Ele ameaça, eu fico muda, só espero que um dia ele me perdoe, mas isso parece que vai demorar.

−Pessoal, é melhor irmos dormir, amanhã teremos um dia tão movimentado quanto o de hoje! Rick chama nossa atenção, vamos começar a recolher os corpos lá fora e limpar aquele pátio.

−Acho uma ótima ideia, achei que esse povo ficaria aqui para sempre! Daryl me puxa pela mão em direção a nossa cela.

Eu tinha limpado tudo com a ajuda de Beth e arrumado o máximo possível, ao menos estava limpa e cheirava a detergente que encontramos na lavanderia, a cama tinha lençóis razoáveis, e tínhamos algumas velas e um lampião que ficava aceso lá em baixo e iluminava um pouco o corredor.

−Não vejo a hora de estar tudo em ordem para quem sabe podermos sair e caçar! Ele me diz me puxando para seus braços – Que acha?

−Se estiver com você tudo bem! Eu respondo e ele me beija.

−Vai estar, não posso te deixar sozinha que a senhorita apronta!

−Vai ficar sendo mal comigo para sempre? Eu pergunto.

−Eu te amo Mary, e me prometeu que ficaria viva, vai ter que se esforçar muito e cumprir sua promessa!

−E você, vai fazer o mesmo, porque não quero ficar aqui se não estiver!

−Pode apostar, sou um Dixon, eu decido a hora de morrer!

−Que cara mal! Eu brinco e ele me beija, meu coração acelera, quando nos afastamos estou ofegante.

−Está muito melhor, esse negócio de ser fofo não é comigo! Ele me diz e não tem ideia de como está longe da verdade, mas não preciso dizer isso a ele, Daryl pode continuar achando que é mal, e eu posso continuar achando que é o cara mais gentil e encantador que já vi na vida e é por isso que eu o amo.

Notas finais
E então ficou bom? Comentem, adoro os comentários.