Apocalipse - A Era Dos Mortos
22 Capítulo 22 - A queda
Notas iniciais
Espero que gostem.
Pov – Daryl
−Dale não tinha medo de dizer o que pensava de mostrar o que sentia, sempre que eu ia tomar uma decisão eu olhava para o Dale e ele me olhava com aquele olhar dele, todo mundo já viu aquele olhar uma vez na vida – Rick diz e eu concordo – Ele via as pessoas como elas eram, sabia coisas sobre nós, como realmente somos, ele disse que nosso grupo está rachado e o melhor jeito de honrarmos ele é mostrarmos que estava errado, vamos nos unir, a partir de agora vamos fazer do jeito dele, é assim que vamos honrá-lo.
Posso fazer isso, posso ao menos tentar, não resta escolha para nenhum de nós, se perder Sophia nos separou, perder Dale nos uniu, acho que ele de algum modo está feliz com isso.
Depois do enterro o trabalho começa, precisamos achar o furo na cerca, encontrar o caminho que aquele cabeça oca de merda encontrou e verificar se mais deles passaram.
−Vou com você! Mary me diz, ela sabe realmente como matar essas coisas e vou estar por perto, então eu concordo, pegamos a caminhonete, eu, Mary, T-Dog, Andrea e Shane.
No caminho ficamos calados, Mary vai comigo e T na caçamba, sentimos o vento no rosto, mas não é como na moto, não tem aquela sensação de liberdade e paz, hoje é só tristeza.
Descemos perto das cercas, forçando cada uma delas, verificando, começo meu trabalho de rastrear, ninguém diz nada sobre isso, nenhum deles sabe como fazer isso, a não ser Mary, ela está cada dia mais preparada, acho que pela sua história, por tudo que já sofreu, é corajosa, sabe ser fria quando o assunto é matar zumbi e andar pela floresta, fizemos muito isso nos últimos dias e ela já conhece o processo, vejo as pegadas, não é um só e com um assobio indico o caminho, seguimos a trilha e lá estavam eles, pegamos alguns, depois continuamos de carro e um boi estava sendo devorado, meia dúzia de mortos caminhando para se alimentar descemos.
Mary atira suas flechas, Andrea e os outros usam ferramentas da fazenda, vamos derrubando um a um, é uma pequena vingança, estamos cheios de ódio, não é só matar zumbis, é assumir um papel, dar um recado.
Depois voltamos para a fazenda, tão silenciosos como antes, estamos reunidos e Hershel diz que devemos ficar todos dentro da casa, somos muitos, mas não temos escolhas o gado chama os zumbis, outros virão e o acampamento está longe de ser seguro.
Decidimos turnos de vigia e perímetros de proteção, os carros agora ficariam na porta, para o caso de uma fuga, não temos mais escolhas.
É claro que não quero ficar numa casa cheia de gente sem qualquer privacidade, muito menos agora que Mary me disse sim, mas manter minha garota viva é o que importa.
Não vamos mais matar Randall, e Rick me pede para acompanhá-lo, vamos deixar o garoto longe, concordo, se vamos fazer diferente é melhor começar logo com isso.
Recolhemos nossas coisas, levamos para a casa, os carros e minha moto ficam prontos.
−As mulheres ficam aqui e os homens lá! Lori sapara os grupos, não eu e Mary, não vou dormir longe dela, ela me olha preocupada e sei que tem medo de ter pesadelos.
−Ela não está falando de nós! Eu a tranquilizo e ela me sorri enquanto começava a arrumar as coisas, puxo Mary, ela vem para meus braços e eu a beijo, como posso estar me sentindo tão leve?
−Nada de varal dos horrores! Ela brinca e concordo – Já estava mesmo enchendo de moscas! Ela ri, é bom ver que ainda pode sorrir, se refazer.
−Vou com o Rick soltar o prisioneiro, fica perto do... – Droga isso era difícil, queria dizer Dale, era nele que confiava – Do Glenn! Detesto ter que deixar minha garota nas mãos daquele coreano, mas é melhor torcer para ele ter se entendido com a namorada.
−Eu fico, queria ir com você!
−Não dessa vez não, mas depois que fizermos isso as coisas ficam mais calmas, vamos cuidar um do outro e ficar bem! Ela concorda, tenho vontade de dizer que a amo, mas está todo mundo andando de um lado para outro então desisto e vou procurar Rick e decidir que caminho seguiremos.
Nos encontramos na varanda, ele está com um mapa.
−Vamos leva-lo para Senóia, uma hora para ir uma para voltar mais ou menos! Gosto da ideia, mesmo preparando a casa, reforçando janelas e portas, aumentando a segurança e montando vigias não quero me afastar muito de Mary – Podemos perder o sol mas já vamos estar perto de casa.
−Aquele garoto já estava me enchendo o saco, já vai tarde! Eu aviso, realmente quero virar essa maldita pagina.
−Aquilo que fez ontem à noite! Ele quer me agradecer, eu sei, mas foi ele quem fez o que era preciso quando Sophia saiu do celeiro e de algum jeito está tentando manter todos vivos.
−Não tem razão para você carregar o mundo nas costas.
−E consegue ficar em paz com tudo isso? Ele me pergunta, e sim posso ficar em paz, fiz o que acredito que era certo.
−Não me vejo trocando socos com você, ninguém iria vencer essa briga! Eu sei que ele está grato, posso no fim ficar amigo desse xerife, é um cara descente e Mary precisa se cercar de gente assim.
O babaca do Shane se aproxima, vem com aquela cara de amigo, que definitivamente não sei como Rick suporta mas como não me diz respeito decido me retirar e me despedir da Mary antes de sairmos.
−Vou ver a Mary! Eu os deixo.
Encontro Mary ajudando na arrumação, levo ela para os fundos da casa, ela me abraça.
−Já está na hora? Pergunta tensa – Não quero ficar tanto tempo longe de você!
−Duas horas, três se tivermos problemas.
−Não fala em problemas! Ela me pede se apertando a mim – Agora que eu... – Fica corada e beijo seus lábios.
−Sim bruxa, justo agora! Eu acabo rindo, estava bom demais para ser verdade.
−Acham mesmo que é hora para isso! Carol diz e nem tinha notado sua presença, Mary se afasta de mim, mas eu a trago de volta – Quer dizer, acabamos de enterrar o Dale, tem todo esse caos, se não enxergam isso eu realmente não sei como vai ser! Ela diz e Mary está assustada – A cesta está pronta, como o Rick me pediu que fizesse, não saio por ai caçando zumbis, mas ainda sou útil!
−Cuida da sua vida! Eu respondo a ela, sou muito mais gentil do que ela merece, não tenho culpa se ela está sofrendo, não vou deixar que Mary pague por isso, ela entra de volta.
−Carol está muito triste! Mary me diz.
−Se souber que se deixou maltratar vai me ver muito furioso, todos perdemos, desde que essa merda começou, ela não é dona de todo sofrimento da terra.
Mary concorda e beijo seus lábios doces mais uma vez, preciso ir, mas quero acalmá-la um pouco e logo ela está em meus braços, sua respiração acelerada, e acabo tendo que me afastar, antes de ter Mary já era difícil agora então fica ainda pior.
T-dog vai buscar Randall e então volta gritando que o cara fugiu, tudo estava trancado, as algemas ainda estavam lá, todos estão confusos e só nos resta caça-lo.
Shane chega com uma história de que foi dominado, que o cara está armado, está com o rosto arrebentado e nem assim acredito nele.
−Fica lá dentro! Eu digo a Mary antes de sair, não sou delicado, é um aviso quero que fique segura – Não larga a besta!
Saímos para floresta, não acredito em uma palavra de Shane, e deixo isso claro, ele se defende e Rick nos separa em dois grupos, vou com Glenn e sei muito bem qual é a de Shane.
A noite começa a cair, eu e Glenn mal nos enxergamos.
−Isso é inútil, me dá a lanterna! Eu sei que tem algo errado nessa história.
−Acho que voltamos à estaca zero! Glenn reclama.
−Se for fazer alguma coisa é melhor fazer direito, tem sangue fresco nessa árvore, andaram um do lado do outro, está tudo remexido, tiveram problemas.
Um zumbi se aproxima chamo a atenção de Glenn, nos separamos, ele está distraído e então segue em direção a Glenn quando fica diante dele Glenn se espanta e acaba atacado, corro para ajudar mas erro a flecha e ele me ataca, caímos e Glenn refeito do susto me salva tirando ele de cima de mim e o acertando com seu facão.
−Beleza! Agora vou ter que ser grato ao coreano, desde que ele fique longe da Mary, tudo bem, era o Randall, inacreditável, investigo o corpo do garoto, o pescoço foi quebrado – Ele não tem mordidas, morreu pelo pescoço quebrado.
−E como isso é possível? Nos olhamos e voltamos para casa, estou preocupado, sei o que aconteceu e espero que Rick tenha voltado.
Mary corre para mim assim que chego, sinto seu alivio, gosto disso, ainda não me acostumei muito, mas posso me acostumar.
−Rick já voltou? Pergunto – Ouvimos um tiro!
−Não, eles podem ter atirado do Randall! Lori está assustada.
−Nos pegamos ele, virou um zumbi, Shane não sabe rastrear, estavam juntos caminhando na floresta.
−Pode voltar lá e descobrir o que está acontecendo? Sinto o pânico de Lori e agora que tenho Mary entendo como deve ser difícil para ela, faço que sim, Shane tem outros planos isso é evidente para mim e acho que agora todos sabem disso.
Saímos para fora, Mary e Andrea vem comigo e Glenn, Mary com sua besta e ia dizer a ela para ficar quando ficamos simplesmente mudos, nunca pensei que pudesse ter tantos deles juntos, acho que nenhum de nós chegou mesmo a imaginar algo assim.
Apagamos as luzes e recolhemos as armas, olho para Mary.
−Não é melhor entrarmos? Glenn sugere.
−Um bando desses vai pôr a casa abaixo! Aviso – Fica perto de mim! Mary concorda, detesto ver seu olhar tão assustado, ela está com a besta nas costas e uma pistola nas mãos.
−O Carl sumiu! Lori visa e agora o grupo está e pânico, outra criança não, eu penso.
Hershel se recusa a partir, quer derrubar zumbis.
−É minha fazenda, vou morrer aqui! Tem muita convicção em suas palavras, e afinal para onde posso levar Mary, se o grupo quer lutar então lutamos.
−Tá bom, é uma noite boa como qualquer outra! Anuncio.
Mary me acompanha na moto, não vou ficar longe dela com essa maldita fazenda cercada de zumbis, paro numa cerca.
−A pistola Mary, deixe a besta para um outro momento.
Atiramos, ela é boa, o celeiro está em chamas, ficamos até a cerca começar a cair sigo até o treiler que Jimmy dirigia.
−Vá até o celeiro, Rick ou Carl podem ter começado o fogo! Ele obedece e eu e Mary continuamos a atirar, não resta mais nada a fazer, não podemos vence-los, são muitos e nem toda nossa munição daria conta.
A fazenda caiu, nada mais pode ser feito, o celeiro queima, me lembro de Sophia, mais uma vez perdemos, não sei até quando vamos continuar assim.
−Temos que ir! Mary está atrás de mim, me envolve e está chorando.
−As pessoas... Não podemos, Carl está desaparecido, Beth...
−Desculpe Mary, não temos mais tempo! Acelero para fora da fazenda, Mary chora abraçada a mim, enquanto nos afastamos, nenhum de nós olha para trás, dirijo em meio a zumbis, surgindo da floresta e nos cercando o tempo todo numa pequena estrada de terra, é tudo tenso e apavorante, na moto isso ainda é mais dramático, por que tenho medo que um deles puxe Mary, então quando amanhecia vejo os faróis de um carro, só pode ser Glenn perdido, eu chamo sua atenção e seguimos em direção a rodovia, T-dog aparece no caminho, vamos todos para onde deixamos aquele infeliz recado para Sophia.
Assim que me aproximo vejo Rick, Hershel e felizmente Carl, paramos, todos e as pessoas se abraçam, comemoram, Carl e Lori, Hershel e as filhas, Mary está em meus braços, ainda está assustada, ainda aperta a arma na mão, eu a acalmo.
−Estamos bem agora.
−E os outros? Ela pergunta.
−Shane? Lori podia ficar calada, eu penso, perguntar para o marido sobre o amante é no mínimo deselegante, mas Shane está morto e está ai alguém de quem não vou sentir a menor falta.
−Patrícia foi pega, estava segurando minha mão! Beth chora, Patrícia era muito querida para ela – Jimmy alguém o viu?
−Foi rendido, estava no treiler e pegaram ele! Rick avisa.
−Andrea? Mary pergunta.
−Nós a vimos cair! T-dog responde, foi cercada.
−Tem certeza? Ninguém responde, não podemos deixar ninguém para trás – Vou voltar lá! Quero fazer isso, não gosto de deixar ninguém.
−Não! Rick pede – Não vamos mais nos separar, Andrea está morta ou perdida na floresta, não tem nada que possamos fazer! Eu sei que no fim ele tem razão, e eu não posso levar Mary comigo, nem deixa-la para trás.
−Vamos pegar a estrada e sair daqui! Rick nos diz, confio nele e em seus instintos, e não podemos ficar ali no meio da estrada expostos.
−Não vamos pelas rodovias principais está cheio deles, como esse infeliz ai, deixa que dou um jeito nisso! Eu derrubo um errante que caminhava em nossa direção.
Mary e eu temos poucas flechas e pego a minha de volta, depois volto para perto dela, e decidimos partir, subimos na moto, o grupo se divide nos dois carros que temos e pegamos a estrada, rumo a lugar nenhum, sem saída e esperança, cercados pela morte, mas Mary está comigo, só de pensar que podia não estar, que podia ter ficado para trás, não posso me separar dela, nem por um minuto, se ela não estivesse comigo na moto, talvez nunca mais pudéssemos estar juntos, ela é como Andrea, estaria na frente matando zumbis e protegendo os outros, e de agora em diante se vamos fazer isso vamos fazer juntos.
No meio da viagem Rick buzina e paramos, eu sabia que o combustível não seria suficiente, uma pequena discussão começa, Rick não quer que ninguém se separe, o grupo começa a reclamar e como Mary diz é fácil criticar quando não se precisa fazer nada, Rick decide que ficaríamos acampados ali e na manhã seguinte buscaríamos combustível, acho uma boa ideia.
−Concorda com isso? Carol me pergunta, tem algo naquele olhar, ela não esconde sua irritação com Rick, nem me dou ao trabalho de responder, acho tudo uma grande merda, mas confio em Rick e se ele prefere ficar é o que faremos, mais discussão, sempre mais discussão.
Então Rick nos conta a verdade, algo que Jenner confidenciou a ele.
−Estamos todos contaminados!
−O que? Não sei o que isso significa se muda realmente alguma coisa, mas isso parece importar menos ao grupo, tudo que conseguem pensar é que Rick não disse, que guardou segredo, não me importo com isso, Rick se afasta, Mary me abraça.
−Está bem? Pergunto – Vamos dar um jeito se tiver uma cura... se não tiver...
−Daryl é evidente que estamos todos contaminados, nunca me preocupei com isso, que diferença isso pode fazer? Ela me diz – Se vamos nos transformar em zumbis, por conta de uma mordida ou de uma morte natural, que diferença pode fazer?
−Eu sei Mary, no fim acabamos mortos do mesmo jeito!
−Rick fez bem em não contar, embora para mim, não tenha feito muita diferença, eu não acho que todos esses zumbis que tem por ai que todos aqueles que invadiram a fazenda tenham sido mordidos.
−É uma bruxa muito inteligente! Eu brinco abraçando ela.
Está frio, fazemos uma fogueira e nos sentamos, mas ninguém está realmente tranquilo, a cada som a cada soprar do vento, uma crise de pânico.
Mary está sentada ao meu lado, eu a deixo um instante, vou colocar mais lenha na fogueira, T-dog está de vigia no pequeno acampamento, apenas os restos de alguma antiga construção de pedras, mas protege um pouco do frio e se dermos sorte de zumbis.
−Ele vai nos matar! Carol me diz quando me aproximo – Você pode oferecer muito mais! Ela completa – É só o capanga dele! Quer me convencer ao que, fazer uma rebelião? Eu confio no cara e não tenho nenhuma intenção de fazer nada por ela, essa mulher me tira do sério – Fica ai só preocupado com sua namorada e Rick está nos afundando!
−O que você quer? Acabo perguntando – Rick fez muito por mim.
−Quero um homem honrado! Ela confessa, olho para ela sem acreditar na sua ingratidão.
−Rick tem muita honra! Eu me afasto dela e de repente estão todos apavorados.
−Vamos embora! Maggie pede, eu estou com minha besta em punho e todos esperam algo de Rick, cobram dele com se Rick tivesse começado o apocalipse, nem sei como ele aguenta eu já teria mando todos para o inferno, e enfim Rick explode.
−Querem ir, pois vão podem tentar a sorte lá fora, vamos ver como se saem, eu matei meu melhor amigo por vocês, minhas mãos estão limpas, sabem como ele era, que estava fora de controle, se querem ir podem ir, mas se ficarem saibam que isso não é mais uma democracia!
Ninguém se mexe, eu sabia que não iriam a lugar nenhum, que era fácil ficar reclamando, choramingando mas o que todos queriam era alguém para assumir as responsabilidades.
Não me importo que ele seja o líder dessa gente, eu realmente não ligo a mínima para isso, quero proteger minha garota, eu a amo e ela é tudo que tenho, se puder ajudar aos outro enquanto faço isso tudo bem, posso fazer isso.
Mary me abraça enquanto esperamos amanhecer sentados juntos diante do fogo, ela parece calma, ou talvez seja apenas o choque de estarmos em lugar nenhum, sem comida, segurança, nada, não temos nada.
−Vamos achar um lugar seguro Mary! Eu a tranquilizo e ela me olha sorrindo, o doce sorriso de Mary, me lembro que eu os contava no começo e agora são tantos.
−Eu já encontrei! Ela me diz – Aqui! Se recosta em mim – Amo você, o resto não me importa!
Se não importava para Mary porque importaria para mim, ela fica quietinha em meus braços, ficamos todos em silencio, assistindo as horas passarem lentamente, o dia mais louco e comprido da minha vida, não durma a tanto tempo, a última vez que acordei Mary ainda não era minha, Dale ainda estava vivo e morávamos numa fazenda tranquila e segura.
Notas finais
Acho que só vou postar na segunda, estou meio na correria, amanhã posto Fim dos tempos, quem sabe hoje se der tempo de terminar o capítulo.
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