Apocalipse - A Era Dos Mortos

21 Capítulo 21 - Mais uma perda


Notas iniciais
Mais um pessoal, o próximo é o ultimo da segunda temporada, ou seja vai ter zumbi para tudo que é lado!kkk
espero que gostem.

Pov Mary

Ele me ama e fazer amor é bom, mais que isso, foi o momento mais perfeito da minha vida, nunca soube o que era ser feliz, completamente feliz, como era viver um momento de plenitude, sem medo, só sentindo, eu sei que é ele, Daryl é o responsável por isso, não entendo por que me escolheu, não entendo o que nos liga dessa maneira, mas não vou tentar analisar nada, vou só viver esse momento e rezar para que nunca acabe.

Agora aqui nos braços dele depois de ele me dizer que não quer ir a lugar nenhum é tão especial, como posso não chorar, estou estragando tudo, mas eu o amo tanto que não consigo controlar as lágrimas.

−Nunca chorei de felicidade! Conto a ele ainda em seus braços, sentindo suas mãos acariciarem minhas costas.

−Então pode continuar chorando! Ele me beija de leve – Me esqueci! Me diz do nada – Tenho um presente para você!

−Um presente? Fico sem acreditar – Acho que nunca ganhei um presente.

Daryl me beija e pega nossas roupas estou completamente envergonhada, nua na frente dele, mas ele parece achar normal, e deve ser para outras garotas, mas para mim é estranho, me deixa tímida e detesto ficar assim, quero tanto ser uma mulher adulta para ele.

−É uma bruxa! Ele me beija, gosto que brinque assim – Não se preocupe com sua aparência, você é linda! Ele me beija de novo – E tem que admitir agora conheço seu corpo Mary, não é mais segredo, então não sinta vergonha de mim.

−Acho que isso vai demorar um pouco, não é minha aparência, é... – Eu não sei explicar.

−É se sentir desprotegida, mas eu amo você Mary, não tem que ter medo e agora, como disse, conheço seu corpo, cada parte dele, ainda não decorei, mas chegamos lá! Ele pisca e me faz rir mais uma vez – Mas posso fechar os olhos! Ele tampa o rosto com a mão e fica me olhando por entre os dedos, esse não pode ser Daryl Dixon eu penso ainda sorrindo e pegando minhas roupas.

Quando saímos da barraca estou completamente tímida de novo, parece que o que acaba de acontecer está escrito na minha testa.

Seguimos para caminhonete, ele me faz parar e fechar os olhos, estão todos curiosos assistindo aquela cena, Daryl está feliz como um menino.

−Pode abrir! Eu abro e ele segurava uma besta, como a sua, novinha e eu fico paralisada – Encontrei uma para você, agora somos um casal armado e perigoso! Ele me beija, fico sem palavras, voltamos para o acampamento decididos a caçar um pouco juntos, quero mesmo testar minha besta.

Eu entro na barraca para trocar de blusa e prender os cabelos ele fica arrumando tudo, ouço a voz de Dale, conversando com Daryl.

−O lance de virmos para cá é para ficarmos longe de vocês! Daryl avisa, saio da barraca e fico assistindo a conversa de longe

−Vai precisar mais do que isso! Dale tem aquela voz gentil que não permite muito descontrole −Estou preocupado com seu novo papel no grupo!

−Não preciso da minha cabeça analisada, esse grupo está rachado, é melhor cuidar de mim e da Mary.

−Faz parecer que não se importa!

−Eu não me importo mesmo, Mary está segura comigo.

Eles falam sobre Shane e Daryl garante que Rick sabe quem é Shane e o que fez com Otis, depois se afasta estou de pé na frente da barraca e saio com ele depois de um aceno para Dale, gosto dele, não quero magoá-lo, mas o que posso fazer?

Passamos um tempo na floresta, mas não caçamos nada, nem poderíamos porque Daryl me puxa toda hora para me beijar, e eu claro fico meia hora só para me recompor, tentando fazer meu pulso se estabilizar, minhas pernas ficarem de novo firmes, cada vez que me toca me lembro do que aconteceu e aquela sensação me domina de novo, preferia estar na barraca, mas acho que ele quer ir com calma comigo, está sempre sendo cuidadoso, no fim acabo treinando um pouco, fiquei mesmo boa nisso, tenho boa mira e mãos firmes, depois voltamos por que vai ter um conselho, uma tolice, todos sabemos o que vai acontecer.

Estava no fim da tarde quando nos reunimos na casa de Hershel, ninguém está contente com os acontecimentos, ninguém quer realmente tomar a decisão e Dale passou o dia articulando com todos, mas não acho que tenha conseguido alguma coisa.

É decidido que a maioria vence e Dale começa a debater, ele não está errado sobre nenhum de seus argumentos, mas isso não muda as coisas, ninguém quer arriscar a vida depois de tudo para salvar um garoto que não conhecemos.

−Vocês estão conversando o dia todo, estão andando em círculos! Daryl diz cansado do dilema.

Eu fico ouvindo tudo por que quero me decidir sozinha sobre como devo pensar essa situação, mas minha vida é uma vida de sofrimento, conheço a maldade, sei o que um homem pode fazer, não quero passar por isso de novo, não quero Beth ou Maggie passando por isso, não quero arriscar minha felicidade.

Não sabia como era antes, mas agora sei, eu sei como é estar nos braços de um homem e o que vivi antes era só terror e violência, não quero ninguém vivendo aquela sujeira.

Dale está lutando, sinto seu desespero, sua vontade de manter o tal Randall vivo, e sei que é mais do que isso, ele não quer se contaminar, aceitar que as coisas mudaram, que o mundo morreu e que agora é a seleção natural, só os mais fortes sobrevivem.

−Mary até você, se permitirmos isso... esse mundo que estão falando, é feio, não quero viver nele.

−Desculpe Dale, mas não conheço esse mundo de direitos que está falando, nunca vivi nele, não posso te ajudar, o mundo que conheço... Não quero que as pessoas que amo venham a conhece-lo.

Não sei o quanto as pessoas a minha volta entendendo que estou dizendo, mas não me importo, Daryl sabe do que estou falando e isso me basta.

A votação começa e apenas Andrea fica ao lado de Dale, sei que é por ele e não por suas convicções, queria poder fazer o mesmo, mas não posso.

Dale sai do conselho muito triste, bate no braço de Daryl e diz que ele tinha razão nosso grupo está mesmo rachado, depois da reunião encerrada e a morte decidida, ficamos todos em silencio até que o grupo se dispersa, eu caminho um pouco com Daryl de mãos dadas, silenciosos cada um perdido nos próprios pensamentos.

−Vou estar com Rick, tirar o garoto do depósito, levar para o celeiro e ajudar!

−Você é forte, não se esquiva, não se esconde! Sinto orgulho dele, mesmo sabendo que estamos caminhando para perder um pouco nossa humanidade, mesmo sabendo que todos preferem se esconder e fingir que não sabem de nada, Daryl está de novo na linha de frente.

−Você também, sei que adora o Dale, mas enfrentou ele e deu sua opinião!

−Não quero que o garoto morra, não é como se não me importasse, mas me parece uma questão de escolhas, fiz as minhas!

−Fique com o grupo está bem, ignore Carol, depois vamos ficar juntos, estou sentindo sua falta! Meu coração acelera.

−Eu também! Fico toda vermelha, ele sabe do que estou falando e me beija, depois me leva até o acampamento.

Sai com Rick e Shane e me sento para espera-lo, Maggie está lá e fico perto dela, meu coração está dolorido.

Dale pega sua arma e começa a se afastar eu sigo até ele.

−Desculpe, não ter ficado do seu lado! Meus olhos estão marejados.

−Você é diferente Mary, sua história, sua vida, não sei os detalhes, mas sei que foi difícil, sinto muito, sei o que quer proteger e posso entender, fez uma escolha baseada em experiências, o que me magoa são os outros, os que preferem não se envolver, os covardes que se escondem atrás da liderança do Rick! Ele está mesmo magoado – Vou caminhar um pouco, me afastar do que vai acontecer, sinta-se abraçada.

−Dale! Eu o chamo quando ele começa a andar – Posso receber esse abraço! Ele sorri e volta até mim, me abraça, não é bom, ainda traz lembranças e medo, mas não é uma dor como antes, depois eu o olho caminhar para longe e volto para perto do grupo, esperando por Daryl, acho que vai precisar de mim quando voltar.

Pov – Daryl

Caminhamos com o garoto chorando e implorando, sinto raiva de estar ali, de o mundo ter se tornado essa grande porcaria, mas não vou me deixar intimidar, principalmente agora, tenho Mary, realmente tenho, ela é minha e ninguém vai estar entre nós.

Sei que aquilo pesa em Rick e que Shane está dando pulos de alegria, pelo que vai acontecer e principalmente pelo modo como isso vai afetar Rick.

Estamos no celeiro, o garoto está amarrado vendado e de joelhos, com a minha ajuda, chora e implora, eu nunca imploraria.

Rick fica pronto, a arma na cabeça e teria feito se Carl não tivesse aparecido.

−Atire pai, Atire! Shane arrasta Carl e Rick não consegue atirar, eu levo o garoto de volta, acho que também não teria feito se fosse meu filho, mas acontece que não é e já estou de saco cheio dessa merda de dilema, levo o infeliz de volta, prendo ele mais uma vez e vou buscar Mary, quero ficar com ela, tocá-la de novo, esquecer essa porra toda.

Ela me abraça assim que me aproximo.

−Rick avisou! Me diz suspirando.

−Vamos para o subúrbio bruxa! saio puxando ela pela mão, chega dessa história por hoje, esse dia está incrivelmente longo, oscilando entre perfeito e irritante.

Estamos em nosso varal dos horrores quando escuto gritos e corro, sei que Mary está atrás, mas os gritos são de Dale e só consigo correr, chego primeiro e o que vejo é assustador um zumbi estava sobre ele, Dale tentava lutar, mas estava sem forças, eu ataco o zumbi, rolo com ele e enfio minha faca em seu cérebro sem piedade.

Corro para Dale, ele está agonizando, a barriga completamente aberta.

−Aqui! Eu chamo – Ajuda! Grito – Calma aí amigão! Mary chega, se apavora quando vê Dale, então todo grupo está lá, em desespero, lutando pela vida de Dale, pedindo a Hershel para salva-lo.

Mary e Andrea completamente desesperadas.

Hershel chega, olha o ferimento, não precisa ser um médico para saber, aquilo não tem salvação, Hershel demonstra e isso abala a todos.

−Ele está sofrendo, façam alguma coisa! Andrea pede, Mary apertava a mão de Dale, ele agonizava mudo, seria uma longa espera e é preciso fazer algo.

Não suporto o sofrimento de Mary e a agonia de Dale, Rick saca a arma e caminha para ele, todos mais uma vez desviando o olhar, mas Mary se mantem firme com ele, vejo que Rick está sofrendo, ele não precisa carregar tudo, posso fazer por ele, posso fazer por Mary e posso fazer por Dale, pela confiança que tinha em mim, me aproximo e pego a arma, Rick fica surpreso mas não reluta, me ajoelho, os olhos de Dale me pedem isso, eu sinto.

−Desculpa amigão! Disparo.

Então fica só o choro, a tristeza de mais uma perda, o completo conhecimento do mundo em que vivemos agora, não é um paraíso protegido, um mundo paralelo onde podemos viver felizes sem zumbis nos caçando, é só uma fazenda cercada por arame farpado e que com certeza agora tem um buraco.

Ajudo Mary a ficar de pé, ela me abraça em prantos, sei o quanto adorava Hershel e o que perde-lo representa para ela, de algum modo para todos nós, num minuto tudo está diferente e não quero mais me esconder com Mary, não quero mais ficar longe de todos, não podemos fingir que está tudo bem.

Temos que tirá-lo dali, mais um enterro, não Sophia não foi a última, nem Dale vai ser e eu não sei se posso aguentar se um dia Mary estiver ali, não, esse não é um lugar onde se possa encontrar um grande amor e ser feliz, mas eu encontrei, encontrei meu outro pedaço e tenho que lidar com isso agora.

Recolhemos o corpo, abrimos uma cova e ficamos de guarda, se um zumbi nos alcançou outros poderiam surgir.

−Vamos voltar para perto dos outros! Aviso a Mary que está encostada em mim, ela apenas afirma com a cabeça, ainda soluça um pouco, Dale era importante para quase todos, Shane é o único que nunca se importou e embora tente demonstrar algum pesar não tem nada ali.

Quando começa a clarear sigo com Mary para nosso acampamento, recolhemos nossas coisas, ela não chora mais.

−Dei um abraço nele! Me diz quando desmontava nossa barraca – Me desculpei por não ter apoiado ele, Dale me entendeu, não estava bravo comigo.

−Mary, quem poderia ficar bravo com você? Ela vem para meus braços, queria tanto um tempo com ela, fazer Mary esquecer esses momentos, a imagem do corpo de Dale dilacerado, aquele resto de gente podre estirado a seu lado.

−Daryl, eu não quero ficar longe de você, sinto medo.

−Vamos achar o furo na cerca, não se preocupe.

−Não é desse medo que estou falando, eu por alguma razão que desconheço não temo os zumbis, eles não me assustam tanto, ao menos não mais do que o normal, tenho medo de algo acontecer e não estarmos juntos.

−Sei do que está falando! Arrumo seu cabelo atrás da orelha, ela está linda, mesmo com os olhos vermelhos pelo choro, mesmo abatida continua linda – Vamos ficar juntos, não se preocupe.

Levamos tudo para o acampamento, não me preocupo de montar nada, vamos enterrar Dale e sei que será dolorido para todos. Quando o mundo manda um recado como esse não se pode ficar imune, é preciso reconhecer os sinais, caminhamos juntos, um pequeno cemitério, mais um dos nossos, outra perda, enterramos Dale, o velho agora pode curtir suas férias com aquele chapéu ridículo, está livre do medo, da dor, e no final não teve que abrir mão de suas convicções, nesse mundo em que vivemos, no meio de um apocalipse essa é a única maneira de se manter fiel a convicções, para os vivos só resta aceitar e fazer o que é preciso, mas acho que ainda podemos fazer isso sem perder por completo a dignidade, sem nos afastar tanto de quem éramos, ao menos podemos tentar.

Notas finais
Aguardo comentários, adoro saber o que pensam.