Apocalipse - A Era Dos Mortos
17 Capítulo 17 - Um novo problema
Notas iniciais
Pov – Daryl
Mary felizmente dormiu, estava precisando descansar depois da crise que teve, eu estava mesmo estranhando que não tivesse chorado nem mesmo no enterro de Sophia, sabia que uma hora iria explodir, já estava pronto para esse momento.
Me enrosco mais nela, não consigo dormir, não consigo relaxar, minha mente trabalha frenética. Sophia está morta, esse grupo está perdido, tudo está confuso e não sei como vai ser de agora em diante, só sei que não vou me render a eles, não vou deixar que me suguem sem nem ao menos se perguntarem se me importo, minha função agora é manter Mary viva.
Ouvir as confissões de Mary foi uma das coisas mais difíceis que fiz, assistir seu completo desespero, sua absoluta falta de autoestima, ela não tem ideia de quem é, do quanto é especial, acha que não vale mais do um desses zumbis estúpidos que andam atrás de nós, mas isso só me fez gostar mais dela, e me deu mais vontade de cuidar dela, ela não sabe mas posso esperar, posso esperar quanto tempo for preciso, não vou passar dos limites com ela, nem posso imaginar como seria se ela me olhasse com medo.
Agora ela é realmente minha garota, nunca fui assim, nem sei como é essa coisa de ter uma namorada, alguém fixo na minha vida, mas não tinha outro jeito, ela é bonita demais, delicada demais, eu sei como esses caras olham para ela, ninguém pode realmente ficar imune a sua beleza, agora ela é minha e posso quebrar a cara daquele coreano se ele resolver contar segredinhos no seu ouvido, e dar uma lição no Shane se decidir se meter com ela.
Mary não enxerga essas coisas, mas eu sim, não sou possessivo, nem ciumento, claro que não sou, mas cuido do que é meu, isso é só proteção e cuidado, ela me escolheu, desde o primeiro momento, ficou sempre perto de mim e não gosta que mais ninguém toque nela, então eu vou cuidar, e vou ser paciente e tentar gritar um pouco menos, qualquer hora ela vai acabar saindo correndo, mas sou assim quando me dou conta já fiz uma grande besteira, já perdi o limite, acho que todos aqui já se deram conta disso.
Toco seus cabelos, não é fácil ficar assim tão perto, mas continuo porque eu.... Droga fico procurando a palavra para definir o que eu sinto, mas isso é uma grande merda, porque só penso em sentimentos grandes, desses que nem consigo pronunciar sem ficar apavorado.
Acho que o melhor é simplesmente não pensar e deixar as coisas acontecerem, eu a deixo dormindo e saio da barraca em silencio, está de noite e preciso acender uma fogueira, vou aproveitar e pendurar as carnes que cacei, e já que Rick deixou meu colar de orelhas na barraca vou pendura-lo também, isso vai afastar aqueles idiotas que vão me chamar de maluco, mas com certeza vai fazer Mary sorrir.
Acendo o fogo, Mary ainda dormia, me sento cutucando as brasas, reavivando as chamas e pensando em tudo que está acontecendo a minha volta, coisas demais para me deixar feliz e um caminhão delas para me deixar infeliz, preciso escolher qual vou atirar para longe.
Carol caminha para mim, que droga, não quero falar com ela ou com mais ninguém, ela se aproxima rápido.
−Ninguém encontra a Lori e os dois ainda não voltaram! Carol me diz assustada.
−É aquela idiota me pediu para ir atrás deles, mas eu disse a ela que cansei de ser pau mandado! Respondo sem a menor paciência para ela ou os problemas daquela magrela e seus dois maridos.
−E você não disse nada? Ela não vai conseguir me fazer sentir culpa, não mais.
Carol me dá as costas e já se afastava, mas acho que ver Mary dormindo na barraca desperta algo nela que retorna, que inferno essa gente!
−Não faça isso, já perdi minha filha! Que merda de onde essa mulher tirou que devo alguma coisa a ela.
−É e também não era problema meu! Respondo desejando que ela se toque, só Mary ainda é problema meu e é bom que Carol saiba disso, ela tem muito a dizer, mas apenas me dá as costas, não quero essa mulher em volta de mim me cercando, tenho Mary e muito medo do que ela pode pensar sobre isso, Mary é muito frágil, não posso deixar que se sinta insegura sobre isso.
Mas se Carol estava enxergando as coisas diferente a culpa era de Mary que me pediu para entregar aquela flor para ela, isso era para ser uma coisa nossa, fiz o que me pediu e olha o que consegui, essa mulher acha que pode me dizer como viver minha vida.
Continuo meu trabalho de construir um lar bem assustador para afastar os intrusos, acabo rindo da ideia quando penduro meu colar de orelhas num varal improvisado.
Penso naqueles idiotas no meio da rua a essa hora, mas que merda, não quero me preocupar, e porque aquela magrela estúpida não foi pedir ao namoradinho número dois para ir atrás do namoradinho número um? Eu não sou o único homem dessa merda de acampamento, nem me passou pela cabeça que ela sairia sozinha atrás deles, que se dane, se ninguém voltar até de manhã vou fazer uma busca. É o jeito.
Eu estava tranquilo, esperando Mary acordar, não me importo com o silencio, nem com a solidão, me acostumei com isso, e não estou mesmo sozinho, Mary está comigo, mas então lá vem Carol mais uma vez o que afinal aquela mulher quer de mim? Carol olha meu colar de orelhas e posso notar sua repulsa.
−O que você quer aqui? Eu pergunto mostrando minha raiva – Não quero você aqui! Ela devia ter demonstrado toda essa preocupação com a filha, se tivesse ficado de olho nada disso teria acontecido.
−Não faça isso, não se afaste, ganhou seu lugar! Ela me diz como se isso fosse importante para mim – Essa garota... Mary, ela podia ser uma boa namorada antes, mas agora, toda essa confusão, não deixe ela te levar para longe de todos.
Cala essa boca! Eu esbravejo – Não sabe o que está falando! Que gente estúpida – Acha que pode falar da minha vida, acha que sabe do que está falando, não me conhece moça, nem conhece minha garota! Ela me olhava fixamente, não acredito nisso – Você não é problema meu! Que se dane se Mary acabaria acordando – Sophia também não era, está sozinha, sem marido, sem filha! Sei que estou sendo cruel, mas ela precisa sair da minha vida, parar de me perseguir – Só precisava ficar de olho nela em vez de cuidar da vida dos outros! Ela me deixa, sai chorando e só quero que me deixe em paz.
Volto a me sentar perto da fogueira e então Mary deixa a barraca, está linda como sempre esteve, ela sorri ao se dar conta que já era noite, caminha pelo nosso pequeno acampamento e para diante do colar de orelhas, vamos ver se já a conheço como achei, ela sorri e toca a corda, fazendo ele balançar.
−Então Rick não deu fim ao seu suvenir! Brinca me olhando de longe, como achei que faria – Você é um péssimo decorador! Eu sorrio para ela, a um minuto queria matar alguém e agora estou sorrindo feito um idiota apaixonado.
−Descansou? Pergunto e ela sorri mais uma vez.
−Muito o que significa que vai ser uma longa noite sem sono! Eu podia mesmo pensar em uma boa maneira de passar o tempo, mas não vou dizer isso a ela.
−Vem aqui Bruxa! Eu a chamo e ela caminha para mim, se senta e eu a envolvo, ficamos olhando para fogueira.
−Vai assustar todo mundo com esse seu varal dos horrores! Ela diz e a trago mais para perto.
−Descobriu meu plano! Brinco com ela, Mary bebe água – Com fome, temos coelhos e esquilos para o jantar, ou pode seguir até a casa das suas amigas e comer com eles.
−Coelhos e esquilos com... posso dizer que é meu namorado? Ela fica linda assim corada, e beijo seus lábios, como gosto disso, se não estivéssemos no meio de uma porcaria de um apocalipse eu a levaria para um quarto e nunca mais sairia de lá.
−Acho bom que me chame assim, é o único jeito de afastar os gaviões! Eu digo, uso um tom de brincadeira, mas não estou brincando.
−Que bobagem! Ela diz e me afasto para pegar a carne e colocar para assar – Quer que faça isso?
−Não. Hoje você está de folga!
−Sabe se eles já voltaram? Ela pergunta e eu olho para ela de mal humor, não consigo evitar.
−Porque se preocupa tanto com aquele coreano?
−Eu não estou preocupada só com ele, estou preocupada com todos eles, desculpe, mas não consigo evitar, Rick e Glenn estavam conosco desde o começo e Hershel nos recebeu é pai das meninas, me preocupo com os três lá fora.
−Eu sei disso! Respondo quando vejo que deixei ela triste, o problema é que o coreano pode confundir essa coisa de amizade – Apenas... esqueça, está tudo bem se não voltarem prometo procurá-los amanhã!
−Carol veio aqui? Ela pergunta – Como ela está?
−Como sabe?
−Achei que tinha ouvido a voz dela, mas estava mergulhada num sono tão profundo que não consegui acordar, estranho isso, acho que precisava descansar.
Pode ser uma bobagem minha, mas não quero contar a ela as coisas que aquela mulher vem fazendo, não estou afim de correr riscos, não agora, acabamos de começar algo, quem sabe no futuro se tudo ficar mais sólido eu diga a ela.
−Achou estranho que nos mudamos, veio saber se estava tudo bem, foi uma visita rápida.
Mary não questiona mais nada, comemos juntos, ela não se preocupa com o cardápio, não olha para fazenda desejando estar com eles, gosta de estar comigo, se sente segura e nem imagina como isso me deixa feliz, nunca sou a primeira opção de ninguém e quando ela demonstra isso me deixa... não sei, orgulhoso talvez.
Eu a envolvo, ela se recosta em mim e ficamos quietos, felizes e abraçados, matando o tempo, preciso conversar com o Rick, saber das intensões de todos, decidir o que vamos fazer.
−Você não dormiu.
−Como sabe?
−Senti quando me deixou e saiu, mas não tive medo porque sabia que estava aqui fora, que podia gritar por você se tivesse um pesadelo e viria me acordar e então não tive nenhum.
−Isso é bom! Respondo brincando com seus dedos delicados.
−Daryl! Ela me diz – Minha palavra chave é Daryl.
Fico mudo, não sei o que pensar sobre isso, gosto de ser importante assim para ela, me dá medo também de não ser capaz de protege-la como merece e precisa, mas ainda assim me dá uma noção do que estamos vivendo.
−Vamos nos deitar, se não voltarem quando amanhecer vou procurá-los! Ela sorri, eu sei que quer que eu faça isso.
Ela se deita e eu fico olhando para ela, é tão bonita e delicada, ela toca meu rosto, tem os dedos leves e delicados, depois faz um carinho no meu cabelo e sorri.
−O que foi? Pergunto dando um beijo leve nela.
−Você diz que me agarrou no CCD, mas eu também me aproveitei um pouquinho.
−Que pena que foi só um pouquinho! Brinco voltando a beijar minha garota.
−Queria tocar em você e foi o que fiz, fiz um carinho em você, assim como agora e depois toquei no seu cabelo, eu queria muito fazer isso, achei que nunca teria outra chance!
−E eu mal me lembro de nada! Reclamo.
−Abriu os olhos e disse que queria me beijar, mas não faria porque sabia que depois não se lembraria.
−Desculpe, deve ter ficado assustada!
−Um pouco, mas acho que teria correspondido, sempre que me beija eu... – Ela desvia o olhar, como pode ser assim tão suave.
−O que acontece quando te beijo? Eu volto a beija-la dessa vez longamente – Preciso saber, é para nosso curso intensivo de coisas que Mary gosta.
−Acontece um monte de coisas, meu coração dispara, minhas pernas ficam bambas e... tenho a sensação de borboletas no estômago, como nos livros, é bobagem?
−Não! Eu beijo Mary, um longo beijo, desço meus lábios por seu pescoço, sim as coisa que Mary gosta, é assim que vou conquista-la, ela suspira, me envolve, volto a beijar seus lábios enquanto ela acaricia meu rosto com seus dedos leves sobe para meus cabelos, me afasto um pouco, gosto de ver seus olhos brilhando, ela me deseja, talvez não reconheça isso, mas sente – É uma bruxa muito feia, assustadora, nem sei como posso estar aqui! Ela não gosta de ser bonita, mas eu adoro que seja.
−Você é um homem muito corajoso! Ela diz e pisca – Pode me beijar de novo?
−Posso fazer essa caridade! Eu a beijo, colo meu corpo ao dela, suas mãos repousam nas minhas costas, as minhas não vão muito longe, não ainda.
−Do que gosta? Ela me pergunta quando me afasto para respirar um pouco, não é fácil manter o controle, principalmente se ela me faz uma pergunta dessa.
−Dos seus lábios, e das suas mãos, de quando me olha assim, quando me corresponde, gosto quando sorri.
−Das mãos? Ela olha para elas, eu pego a mão direita beijo seus dedos – Delas ou de quando elas tocam em você?
−Dos dois! Brinco mordendo seu dedo – Mas só quero que elas façam o que quiserem, sou paciente.
−E pode se controlar? Ela fica corada, sempre fica, acho que não importa quanto tempo passe sempre vai ficar – Eu sei que não devia ficar perguntando essas coisas, mas... eu... às vezes quero tocar você, mas não quero provocar e depois fugir.
−Sei disso, vamos considerar tudo como experiências para descobrir o que a senhorita Mary gosta, então sinta se livre! Ela ri e pela primeira vez me puxa para um beijo, acho isso um avanço gigante.
Ficamos assim um bom tempo, trocando beijos e carinhos, até que a envolvo para dormirmos, era bom estar com ela e já que o mundo tinha acabado e não tínhamos muito o que fazer vamos ter muito tempo para descobertas.
Acordo quando amanhece, Mary se mexe puxa meu braço e acabo acordando, olho para seu rosto suave, ela segurava minha mão perto de seu rosto, eu a beijo no pescoço, fico assistindo sua reação, ela sorri sem abrir os olhos e repito o carinho, ela geme, e se vira abrindo os olhos.
−É uma bruxa muito dorminhoca!
−Fiquei até tarde acordada! Mary me lembra como se pudesse esquecer.
−Vamos saber se os babacas já chegaram ou se tenho de sair numa missão de resgate.
Quando chegamos no acampamento estão todos preocupados, Rick ainda não voltou, vejo Lori e acabo ficando tranquilo, pelo menos ela está bem, um problema a menos.
−Vamos atrás deles, é o jeito! Digo a Shane, eu sei que ele não quer achar ninguém, mas nunca vai dizer isso, T-Dog e Andrea decidem seguir conosco.
−Vai tomar cuidado né? Mary me pergunta.
−Vou, mas quero que fique na casa, com suas amigas certo, Beth precisa de você e a Maggie também, não vá para nosso acampamento sozinha, é longe do grupo!
−Eu gosto de morar no subúrbio! Ela brinca enquanto arrumávamos o carro para partir – E estou armada! Ela ainda carregava uma pistola, ficava bem nela, era estranho, mas combinava com ela.
−Mesmo assim! Ela sorri obediente, eu beijo seus lábios e sem alternativa vou falar com Dale – Pode ficar de olho na Mary! Ele sorri muito feliz, não sei porque fez isso, não disse nada demais.
−Acho que agora ela é mesmo sua garota! Ele me diz e eu olho para ele espantado – Eu nunca acreditei naquela história de que eram namorados!
−Que seja! Eu lhe dou as costas e me junto ao grupo, estávamos nos preparando para sair quando o carro surge e assistimos os três voltarem, fico bem aliviado, não preciso sair e eles voltaram vivos, nada de lágrimas, os três descem e é aquela cena melosa de abraços e beijos, e todos querendo saber o que aconteceu.
−Quem é esse? T-Dog pergunta apontando o carro, que porra era aquela, quem era aquele garoto vendado no banco de trás?
−Esse é o Randall! Pelo tom de Glenn não era um amigo.
Hershel informa que precisava operar o garoto e ele é levado para dentro, aquilo era uma grande porcaria, eu não sei se gosto muito disso, Mary está aqui, o cara é um desconhecido e não sei quais os riscos disso, já tenho Shane e aquele seu tom de presidente do apocalipse para me preocupar, o cara estava tirando todos do sério, e logo faria uma grande tolice e espero mesmo estar perto quando isso acontecer, não sei o que ele fez com Mary, mas sei que ele fez algo e quero dar uma boa lição nele.
−Está tudo bem? Mary me pergunta enquanto todos pareciam decidir o que achar da situação.
−Ainda não sei, mas vamos descobrir! Eu beijo seus lábios, ficamos sentados nos degraus da varanda, seria uma boa vida mesmo, ficar ali com Mary, criar animais e esquecer que não tem mais nada lá fora, que o mundo acabou, mas eu não tenho esse tipo de ilusão.
O grupo se reúne na sala de jantar do velho, por mais que queira me manter longe aquilo me diz respeito e preciso participar da tal reunião, pego Mary pela mão e entramos, ela se senta e fico em pé na porta, Carol me olha, desvio o olhar, aquilo é irritante.
Rick quer tratar o garoto e deixa-lo em algum lugar distante, Shane quer mata-lo, para mim tanto faz, deixa-lo longe e matar dá no mesmo, o garoto está arrebentado, não vai durar nem uma hora lá fora.
Hershel deixa claro que não quer Shane na fazenda e o manda calar a boca, acho uma ótima ideia, a reunião parece chegar ao fim, fico feliz, por poder me mandar Mary me sorri com aquele sorriso doce e gentil.
−Eu vou ver a Beth! Ela me avisa.
−Faça isso, te espero no varal dos horrores! Ela sorri e se afasta, no minuto seguinte Carol caminhava em minha direção não tenho nada para falar com ela e simplesmente me afasto deixando ela sozinha.
Como Dale sabia que ela não era mesmo minha garota e porque agora do nada decidiu que era, vou perguntar a ele, ou talvez não, que diferença faz a opinião daquele velho idiota, que diferença faz a opinião de qualquer um deles, Mary é minha agora e isso sim tem importância.
Caminho tranquilo, quem sabe depois de darmos um jeito no maldito garoto eu e Mary pudéssemos sair um pouco e caçar, era um problema se resolver para outro surgir imediatamente, uma grande merda de fim de mundo isso sim, e eu claro tinha que achar a garota certa justo agora, passei quatro anos do lado dela e só agora faço alguma coisa, Merle diria uma bela babaquice sobre isso e eu teria de calar minha boca e aceitar porque fui mesmo um grande idiota.
Notas finais
Até amanhã bjs
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