Apocalipse - A Era Dos Mortos
15 Capítulo 15 - Sophia
Notas iniciais
Espero que gostem.
Pov – Mary
Quando Glenn caminhou para mim com aquele olhar de pânico só consegui pensar, ele vai me contar um segredo e o Daryl vai ficar bravo de novo.
−Mary o celeiro está cheio de zumbis, vou contar a eles agora, então só fica do meu lado! Ele me pede e não sei bem o que isso significa, não acho que alguém vá culpa-lo por isso.
O silencio que se segue depois de seu anuncio é assustador, todos meio incrédulos, Daryl me olha muito sério.
−Ele acabou de me falar! Não quero que ele pense que guardei um segredo desses.
−Certo! Ele se levanta com dificuldade – Guardou tanto esse segredo podia ter esperado eu terminar meu café! Diz entregando o prato a Carol que nos olhava boquiaberta.
Seguimos todos em direção ao celeiro, meio sem saber o que zumbis no celeiro queria dizer.
−Fica atrás de mim! Daryl me diz cheio de impaciência.
Chegamos ao celeiro, Shane se aproxima olhando pelas frestas, Rick e Daryl fazem o mesmo, mas logo se afastam já Shane continua olhando, depois nos reunimos na frente do celeiro.
−Você não vai me dizer que está tudo bem, com isso! Shane começa a perder o controle, posso sentir.
−Não, não está, mas essa terra não é nossa.
−Rick ou resolvemos isso ou vamos embora! A ideia de ir embora me apavora, só consigo pensar em Sophia.
−Não podemos ir embora! Rick diz, Daryl começa a caminhar de um lado para outro sei que tudo vai virar uma confusão.
−Minha filha ainda está por ai! Carol diz e sua angustia é a mesma que a minha, um celeiro cheio de zumbis, eles não estavam tão longe como pensei que estariam e Sophia estava lá fora sozinha.
Shane começa seu discurso há muito que sua intensão é deixar Sophia para trás, entro em pânico, Rick garante que não podemos deixa-la e partir.
−Eu estou perto de achar a garota, achei a boneca a dois dias! Daryl se aproxima enfrentando Shane.
−Foi só isso que achou, uma boneca! Shane não desiste de nos convencer, quer de todo modo que simplesmente deixemos a menina, eu começo a chorar por que se ele convencer o grupo eu não posso ir, tenho que acha-la – Se ela estivesse viva por ai e te visse vindo todo esquisito com sua faca e um colar de orelhas ela correria para longe é isso que faria! Aquele ingrato que nunca fez nada por ninguém tem coragem de dizer isso e sinto a revolta explodir em Daryl.
−Vou te mostrar quem é esquisito! Daryl parte para cima dele – Eu sei qual é a sua, sei idiota covarde, gosta de assustar garotas e deixar criancinhas para trás!
Uma briga começa e Rick se coloca entre eles enquanto gritavam um com o outro tentando se agredir.
Rick e Glenn conseguem separá-los, ficamos no meio de um impasse, ninguém quer realmente ficar assim cercado de zumbis, sabemos o que são essas coisas e o que podem fazer, mas não estamos em casa e não podemos deixar Sophia para trás, Rick promete resolver, não acho que possa, não depois de Dale nos dizer que Hershel não conseguia aceitar que aquelas pessoas estavam mortas, para ele era uma doença e tinha cura.
Nos dispersamos, Daryl me puxa pela mão para longe, eu sei que está preocupado, mas nada me assusta mais do que a ideia de deixar Sophia para trás, não posso desistir dela.
−Não chegue nem perto desse maldito celeiro! Ele me diz ainda andando de um lado para o outro, angustiado – Eu não sei o que aquele idiota fez com você, mas ele vai pagar por isso!
−Shane não é importante! Eu aviso, quero acalma-lo – Sophia é! Não posso não chorar, me coloco no lugar dela, me sinto sozinha e assustada no meio de lugar nenhum sem ninguém para me proteger ou consolar.
−Eu vou voltar a procurar por ela! Ele me abraça, não sei se quer me acalmar ou se acalmar.
−Daryl, eu acho que deveria dizer que está precisando descansar, que ainda está ferido, que os outros podem fazer isso, mas eles desistiram, todos eles, ninguém tem mais esperança.
−Eu tenho, você tem, Carol deve ter também, ela é mãe, a menina deve estar em primeiro lugar para ela.
−Podemos continuar, posso ir com você, viu que sei atirar, talvez a cavalo, onde não precise andar para não abrir os pontos.
−Vamos achar a Sophia está bem? Ele me beija de leve, me envolve em seus braços e ficamos um tempo assim, olho para o celeiro, Shane está de guarda, vai fazer alguma coisa, eu sei que não vai desistir de invadir o celeiro e matar os zumbis e por mais que odeie ele, não posso lhe tirar a razão.
−Posso ir com você? Peço, porque quero ajudar e por que tenho medo de ficar sem ele, Daryl me afasta.
−Certo! Me beija, sei que não é hora para isso, mas adoro quando ele simplesmente me beija no meio de todos como se eu fosse mesmo sua garota – Vou selar um cavalo e vamos procurar Sophia.
Ele começa a se afastar e fico paralisada olhando para lugar nenhum com medo de tudo a minha volta.
−Fiz mal? Glenn me pergunta e eu olho para ele.
−Eu disse que aquele lugar era sinistro! Lembro.
−Tentei te contar! Ele me sorri e começa a se afastar – Bom agora a Maggie vai me matar.
−Ela pode não saber ainda, mas fez isso por ela também, diga isso a ela.
−Continue treinando, quem sabe fica boa em dar conselhos! Ele brinca.
−E você pare de colecionar segredos! Ele bufa, balança a cabeça em negação.
−É tudo que eu queria, pode acreditar.
As coisas mudaram, sinto pena da família de Hershel dessa esperança tola de uma cura, não tem cura, não tem remédio, só o que se pode fazer é tentar diminuir a dor e acabar com o sofrimento daqueles que um dia amamos, mas ele não sabe, nunca esteve lá fora, não foi perseguido, não assistiu pessoas sendo devoradas, sem perdão, sem culpa, tudo que aquelas coisas sentem é fome, uma fome sombria, são só bocas, dentes e mandíbulas, músculos e instinto, máquinas incansáveis, não sei porque estão de pé, não sei até quando vão estar, não sei quantos de nós ainda vão cair, o que sei é que ainda estamos aqui, e que de algum jeito temos que continuar, nunca tive esperanças, nunca achei que teria uma chance, uma vida, mas agora que Daryl me deu isso não quero perder.
Eu volto para o acampamento, entro na barraca e pego um elástico para prender o cabelo, troco de blusa e me preparo para seguir a trilha com Daryl, depois deixo a barraca e me sento para espera-lo, temos que encontrar Sophia, é só uma menininha, eu já fui uma menininha, ninguém me salvou, ninguém fez nada por mim, fiquei perdida na floresta por toda uma vida, zumbis sempre me perseguiram, morri todos os dias um pouquinho e não posso deixar que se repita.
Pov – Daryl
Gente estúpida! Guardar zumbis no celeiro, se queriam um suvenir porque não arrancaram umas orelhas? Não acredito que deixei Mary dormindo ao lado de um celeiro cheio de zumbis, não acredito que nenhum de nós pensou em seguir até lá e checar, e aquele coreano estúpido, como guarda um segredo desses, era isso que queria contar a Mary, detesto essa mania que ele tem de achar que a minha garota é sua confidente.
Como quero achar logo a menina e seguir para longe daqui, Mary também quer, vamos sair os dois, ela me ajuda e eu cuido dela, achamos a garotinha e vamos embora, quem quiser ficar que fique.
Entro no celeiro e Carol me segue, eu sei que espera que encontre sua filha, ela está sempre por perto sendo gentil comigo por que tem esperança.
−Você não pode! Carol me diz.
−Eu estou bem e a Mary vai comigo.
−Hershel disse que você precisa ficar bom! Eu começo a me preparar, a sela está pronta e pego os arreios.
−Eu não me importo!
−Eu sim! Ela me diz e aquilo me desperta – Rick vai seguir a trilha, você vai ficar ainda pior, não sabemos se vamos acha-la! Não acredito no que estou ouvindo, me viro e a encaro – Eu não sei!
−O que?
−Não posso te perder também! Ela me diz, não quero ouvir, não quero acreditar, me perder, a filha está sozinha, no meio de uma floresta cheia de zumbi e ela não pode me perder? Sinto nojo daquela mulher, aquela gentileza toda não tinha nada de gratidão.
Eu me afasto, atiro longe a sela, sinto uma dor que me faz curvar, só Mary parecia se preocupar, só ela era capaz de colocar a menininha antes de qualquer coisa, só Mary sabia como era estar perdido e sozinho, e não ter ninguém que acredite, que lute por você.
É tudo uma merda, a vida é uma merda, essa fazenda, esses zumbis e essa porcaria de grupo, tudo é uma porcaria e eu estou farto disso, de gente que esquece e desiste, pego Mary pela mão assim que me aproximo e me afasto com ela, Mary sabe que algo deu errado que estou bravo, mas me segue calada, caminho por algum tempo, sei onde vou leva-la, ela acredita, ela ainda tem esperança.
−Está vendo? Eu mostro a ela as flores, as rosas cherokee.
−É um símbolo, não é, um aviso! Mary me diz emocionada.
−Eu vou encontrá-la! Mary caminha para perto de mim e me abraça, eu beijo seus lábios – Só o que posso fazer é procurar por Sophia e... cuidar de você! Esse é meu jeito de dizer a ela que gosto dela, que ela é importante e espero que entenda.
Ficamos ali, quietos e abraçados, juntando nossas forças e esperanças, ela toca a flor, seca uma lagrima, tem um pouco de Sophia em nós dois, resgatá-la é como uma chance, um recomeço.
O tempo passa sem que me dê conta, gosto de ficar com ela em meus braços, de sentir que alguém pensa como eu que acredita nas mesmas coisas.
−Eu briguei com a Carol mais cedo... disse... ela desistiu, não queria que saísse atrás da menina.
−Eu vi que estava bravo, então foi isso, devia se desculpar com ela! Eu não entendo – É uma mãe, está com medo, medo de ter esperança e depois ver tudo ruir, talvez só quisesse se poupar.
−Não, elas são todas iguais, o que queria era... – Ela não gostou do jeito que tratei Andrea, se disser que Carol falou em me perder vai ficar preocupada por que acha que posso desistir dela, melhor não dizer nada.
−O que ela queria? Mary me pergunta.
−Eu não sei, eu vou me desculpar está bem? Ela sorri com aquela doçura, eu fico olhando para ela, mas temos que voltar, descobrir se Rick saiu na maldita trilha ou não, antes que fique tarde para irmos atrás dela nós dois.
No caminho de volta encontro com Carol e Mary solta minha mão, seu olhar me diz que devo me desculpar, no fundo quero fazer isso, só não sei como se faz isso, fico olhando para Carol, ela estava triste e só o que espero é que o nome daquela tristeza seja Sophia.
−Me desculpe por hoje cedo! Eu peço e ela diz que tudo bem.
−Você só queria procura-la.
Seguimos todos juntos e assim que me aproximo vejo uma pequena confusão se formando na varanda da fazenda, estou tão farto de tudo isso.
Ninguém está procurando por Sophia, tem uma porcaria de um celeiro cheio de zumbis e tudo que fazemos o dia todo é andar em círculos, Shane se aproxima com nossas armas.
−Está comigo? Ele me entrega uma arma.
−Estou! É isso, para mim chega, Mary também pega uma arma e começa uma grande confusão com Shane incitando todos, mas eu não me importo, não vou ficar parado, Glenn acaba pegando uma arma e Lori e Shane discutem, Maggie se envolve, avisando que o velho vai nos mandar embora, mas aquele velho idiota acha que está numa bolha de vidro e a verdade é que não tem mais nenhum lugar que seja seguro e tudo que quero é acabar logo com essa merda, no meio da confusão assistimos Rick caminhar com Hershel, o garoto, Jimmy ou seja lá qual for seu nome e dois zumbis, feito dois cachorrinhos em coleiras, não acredito que Rick se prestou a isso!
Aquelas coisas comem gente e ele ajuda o lunático? Obedece como se fosse uma porcaria de um garotinho de recados?
Corremos todos, enfim Shane explode, eu sabia que aconteceria e simplesmente não me importo.
−Shane! Rick grita com ele.
−Me diz sente alguma coisa por esses monstros? Acha que essas coisas sentem alguma coisa? Não estão doentes, só sabem matar, mataram o Otis e a Amy.
Shane atira no zumbi, que continua se debatendo, mais um tiro e depois outro seu discurso cada vez mais inflamado e então o tiro de misericórdia e o zumbi despenca e Hershel se deixa cair, entregue, meio que se dando conta.
O discurso de Shane continua e em meio a seu completo descontrole começa a arrebentar a maldita porta e quero que se dane, vamos matar zumbis então, Mary está comigo, a porta estoura, e eles começam a sair.
Nos posicionamos, um pelotão de fuzilamento é o que nos tornamos, Mary não se esconde, não foge, está de pé e está armada, e não posso deixar de admirar sua força.
Eles começam a sair, estão mortos, mas não descansam, caminham e caminham e vamos derrubando um a um, mesmo em meio ao desespero de alguns e os gritos de Rick, Glenn se junta a nós.
Não, nós não somos assassinos, não fomos nós que começamos com isso, mas ninguém pode nos julgar por não desistir, eu não vou me entregar, se querem me pegar que venham, se esse é o plano de Deus ou se o Demônio tomou o poder não me importa, vou ficar e vou lutar e nunca vou me arrepender por isso.
Os zumbis estavam caídos, todos eles, um silencio brutal nos invade, nenhum olhar consegue se descolar da porta, mas estamos na era dos mortos o fim nos alcançou afinal, e ela surge na porta com seu andar lento e robótico, com sua fome mórbida, não nos vê, só o que vê é sua fome, seu gemido nos domina, seus olhos mortos nos hipnotizando.
−Sophia! Carol tenta correr até ela, só o que posso fazer é impedir, ninguém consegue se mover.
Sophia caminha nos dizendo que acabou, que não há lugar para esperança, que não tem recomeço, que somos sobreviventes e é só o que somos, olho para Mary tenho medo do que isso representa para ela, mas Mary está de pé, assistindo nosso mundo ruir num instante de dor, é Rick quem caminha para ela, é Mary que está a seu lado, foram eles que se embrenharam na mata para encontrá-la, é deles essa dor de não ter conseguido.
O tiro de Rick não dói mais do que o choro agonizante de Carol, nem é mais expressivo que o silencio do grupo. Perdemos.
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