Apocalipse - A Era Dos Mortos

14 Capítulo 14 - Aulas de tiro


Notas iniciais
Olá pessoas queridas, mais um capítulo, Sophia ficou para o próximo se não ficaria muito grande.
espero que gostem.

Pov – Mary

Detesto ter que fazer isso, mas Daryl tem razão o grupo está todo seguindo para a aula, o que me deixa mais preocupada, embora saiba que Dale pode cuidar dele para mim, eles não se gostam, mas se respeitam.

Vamos até os limites da fazenda, latas e garrafas são colocadas em posição de alvos e recebemos instruções gerais, depois a aula começa, acho o alvo meio fácil demais, tão pertinho, miro mais distante quando me lembro de Daryl me dizendo que enxergo bem, isso deve ser de algum modo útil.

Estamos atirando, vejo algumas garrafas se quebrarem e latas saltarem, Rick e Shane caminhavam por nossa volta, dando conselhos e incentivos, os dois param do meu lado.

−Não desiste uma hora acerta! Shane me olha com aquele ar superior de quem acha que sabe tudo.

−Quem disse que não acertei? Eu o questiono um pouco orgulhosa, mirei na letra o de um letreiro numa distância enorme e acertei todos os tiros, os dois se olham, depois de se certificarem que falava sério.

−Acho que está pronta para as aulas avançadas! Rick me avisa e os dois riem.

−Parece que encontrei alguém para me acompanhar a cidade e ver se achamos Sophia! Shane decide e tremo um pouco, não quero ir a lugar nenhum com ele.

−Não Shane, algo me diz que Daryl vai ficar furioso, siga com ela para as aulas avançadas, Andrea também está atirando bem, ela te acompanha.

Nem posso esconder o alivio que sinto, Rick me sorri e depois reúne o grupo.

−Estão indo bem, Andrea e Mary se destacaram e vão fazer aulas mais avançadas com o Shane o resto segue comigo para o acampamento, depois o Shane deixa a Mary e vai com Andrea procurar Sophia.

−Se vamos passar o dia fora preciso ir até o acampamento antes! Andrea comunica.

−Nesse caso, vem comigo e o Shane segue com a Mary depois te levo até eles e trago Mary de volta.

Droga vou ficar sozinha com esse infeliz, não quero, ele me assusta, eu detesto ter medo de tudo, detesto não ter coragem de simplesmente dizer eu não vou com Shane, mas é assim que sou, uma tola idiota, fico incomodada quando ficamos sozinhos, Shane prende um pedaço de tronco numa árvore, estamos só um pouco mais distantes de onde estávamos, ainda nos limites da fazenda, mas longe demais de Daryl, longe demais de qualquer um que possa me ouvir.

−Vamos ver se é tão boa com um alvo em movimento! Shane me provoca, ele balança a corda e me manda atirar, fico assustada por que realmente faz uma grande diferença e zumbis são lentos mas ainda assim se movem.

Erro os dois primeiros tiros, Shane andava de um lado para outro irritado e me desconcentrando.

−Vamos Mary, esqueça o resto e atire! Ele grita comigo, detesto seus gritos.

Ele caminha para perto de mim, fico imóvel, assustada quando ele se encosta em mim e pega minha mão tentando acertar minha mira, não tem como não reagir, eu me afasto, sempre faço isso, são meus instintos.

−Calma! Ele diz no meu ouvido, tremo com os olhos marejados e me afasto mais – Não costumo pegar a mulher dos outros.

−Não sei se o Rick concorda! Eu me defendo e no mesmo instante me arrependo que bela hora para ficar corajosa, vejo o rosto dele se transformar em uma máscara de ódio, ele prende meu braço, e lá se vai a coragem, só consigo tremer olhando para o chão.

−Se abrir essa sua boca mais uma vez... – Ele estava colado a mim, falava no meu ouvido, prendia meu braço com força – Vai ver que eu talvez não tenha tanta consideração assim pelo seu caipira! Não respondo – Acidentes acontecem o tempo todo nesse mundo de agora, ele pode se ferir fatalmente, ou você pode.

−Eu não...

−É a mulher mais bonita desse grupo sabia? Ele segura meus cabelos com a outra mão – Posso querer saber como é pegar você dê jeito, então fique calada!

Shane me empurra, eu caio sentada, arranho o braço, não me mexo, não olho para ele, só o que quero é sumir dali, ele andava de um lado para outro, passava a mão pelo cabelo, não sei se desistiu de me ameaçar, não sei se tem alguma intenção de me deixar sair dali.

−Mary! É Rick, meu coração começa a acelerar quando me levanto e vejo Andrea caminhando tranquila com aquela bolsa que não entendo por que carrega para todo lado – Vamos! Rick faz sinal e apenas corro sem olhar para Shane ou Andrea, só quero voltar para o acampamento e ficar perto de Daryl.

Eu entro no carro, acho que Rick percebe meu incomodo.

−É o jeito dele de treinar, eu sei como é, ele pressiona um pouco! Olho para Rick muda, ele não pode mesmo estar defendendo o amigo? Será que ainda não percebeu, será que ninguém percebeu que aquele cara vai explodir e nos criar um grande problema?

Eu não respondo, só me encolho no carro, ele me ameaçou, ameaçou Daryl, se contar para alguém, se Daryl souber então vai ser uma confusão, uma guerra, as pessoas vão preferir o Shane, não posso criar problemas, eu me decido, por Daryl e por Sophia, ninguém está mais interessado em achar ela, só ele se preocupa, a menina está sozinha perdida a dias e eles preferem praticar tiro ao alvo, se Daryl tiver que ir embora ela ficara perdida para sempre.

Desço do carro e sigo direto para barraca, não falo com ninguém, estou desesperadamente tentando controlar minhas lágrimas, não sei porque isso sempre acontece comigo, não sei porque ninguém se importa, porque me tratam assim como se não fosse nada, tem sempre alguém querendo me destruir, por um instante Daryl me fez esquecer quem eu realmente sou, mas Shane acaba de me lembrar.

Entro na barraca, Daryl estava ainda deitado, com uma cara péssima, me olha irritado.

−Morre de medo do Shane, mas não teve nenhum problema em se enfiar na floresta sozinha com ele! Era só o que eu precisava, aquela acusação acaba comigo, me encolho num canto e desabo em lagrimas, poderia ter ido chorar em outro lugar, mas simplesmente não tenho mais forças.

Como posso passar por isso assim, fazendo tudo errado? Ele me mandou aprender, agora briga comigo porque fui, briga comigo porque sou amiga do Glenn, eu não sei o que essas pessoas esperam de mim, porque tinha que ter sido a Sophia, teria sido tão mais fácil se eu tivesse me perdido na floresta, eles teriam seguido seu caminho.

Pov – Daryl

Merda o que foi que eu fiz? Não posso ser o responsável por essa crise de choro, eu me aproximo de Mary, puxo ela para meus braços e isso realmente dói, ela não oferece nenhuma resistência, se encolhe e continua a chorar, não era um choro qualquer, era mesmo um choro convulsivo de quem guardou muitas lágrimas.

Aquilo não era um chafariz como cheguei a achar, era uma exposição deles e estavam todos ligados e jorrando água, Mary vai desidratar se não conseguir controlar todas essas lágrimas.

−Está tudo bem Mary! Tento acalma-la, acontece que não levo o menor jeito para isso – Se não queria ir podia ter ficado! Eu acaricio seu cabelo, ela estava encolhida em meus braços, o rosto escondido.

−Mas você me mandou ir! Ela soluça, eu mandei? Eu mando nela?

−Mary não precisa me obedecer, nem obedecer a ninguém.

−Não consigo! Isso é verdade, parece que dá um clique na cabeça dela cada vez que alguém dá uma ordem ela simplesmente obedece, nunca questiona.

−O que aconteceu, o que aquele maldito fez com você? Ela não responde, mas sei que algo aconteceu, ela não teria uma crise dessas por nada.

−Eu... eu só não queria ter ido, é só isso! Está mentindo, mas não vou insistir, não agora, vou descobrir e depois arrebentar aquele idiota!

−Ouvi que deu um show lá, que atira muito bem! Ela ainda chorava, mas não como antes.

−Se convence-los a ficarem parados posso matar um a quilômetros! Ela me faz rir e dói mais uma vez por que realmente estou numa péssima posição.

−Vem Mary! Eu a puxo, volto a me deitar e trago ela comigo – Vamos só ficar aqui até se acalmar.

−Eu não quero fazer mais nenhuma aula, esses zumbis que me comam e morram de indigestão!

−Já estão mortos! Eu a lembro rindo – Mas não precisa se preocupar com isso, vamos ficar bem e quando melhorar eu mesmo ensino você a atirar, não acho boa ideia tentar convencer os zumbis a ficarem imóveis.

Mary acaba sorrindo, e adoro isso, mais do que achei que gostaria, era estranho como me sentia feliz quando Mary estava feliz em como tudo que vinha dela mexia comigo. Fui péssimo com ela, mas Mary não me recriminou, pelo contrário, relevou tudo e cuidou de mim.

Ela seca as lágrimas e me olha, com aqueles olhos dourados cheios de dor e sinto vontade de proteger Mary, cuidar dela como ninguém nunca fez.

−Tem ideia de como é bonita? Eu digo a ela quero que sorria, gosto quando ela sorri.

−Não quero ser bonita! Ela me diz e acho que posso entender porque.

−Que alivio! Brinco – Não sou um bom mentiroso e já que não se importa quero dizer que é horrível, já vi muito zumbi com uma aparência melhor que a sua, é uma bruxa! Ela sorri, um largo sorriso, que faz meu dia se iluminar.

−Uma bruxa?

−Com verruga e tudo! Eu a beijo e ela se acalma – Uma bruxa que sabe beijar! Ela fica corada.

−Sei? Ela me faz um carinho no rosto e volto a beija-la longamente – Eu gosto quando me beija.

−O que mais gosta? Ela desvia o olhar está tímida, envergonhada e acho encantador, e o mais estranho é que nunca acho nada encantador.

−Se disser não vai pensar...

−Não vou pensar nada, já disse, vai ter que dizer todas as palavras! Garanto a ela.

−Gosto quando dormimos juntos, gosto quando anda comigo de mãos dadas! Era estranho, mas eu fazia mesmo isso, não me dava conta na maior parte das vezes – Gosto de quando me olha assim e quando respira perto do meu pescoço!

−Hum! Eu a deito devagar ela fica me olhando, os olhos brilhantes, os cabelos espalhados sobre o travesseiro – Pescoço é? Eu beijo seus lábios, depois desço beijando seu pescoço de leve, respiro perto dela, volto a beijar seu pescoço, mordo o lóbulo da orelha, sinto sua respiração acelerar – Assim? Pergunto em seu ouvido, ela está muda, gosta, mas tem medo.

Não sei se tem medo de mim ou apenas de gostar, porque acha que é errado.

−Não tem nada errado em gostar! Eu digo olhando em seus olhos, afasto seus cabelos e a beijo de novo, ela corresponde, suas mãos se afundam no meu cabelo, começa a relaxar, se soltar, colo meu corpo ao dela e Mary me envolve, mas estamos no meio da tarde, cercados de gente andando de um lado para outro e ela vai mesmo ter que dizer que me quer, quero ouvir todas as palavras e sei que só quando estiver realmente pronta vai ter coragem então me afasto – Vai ter que dizer as palavras lembra? Eu pergunto ela está corada, me olhando confusa.

−Tenho medo! Ela me conta, estamos apenas nos olhando – Medo de dizer e não gostar e tenho medo de não dizer e se cansar de esperar e correr para... Andrea ou sei lá quem.

−Não vou correr para nenhum lugar principalmente aquela loira imbecil, não precisa ter medo, enquanto isso vamos descobrindo o que gosta! Ela fica mais uma vez corada me faz querer mais.

−Mesmo eu sendo uma bruxa?

−Mesmo assim agora vamos sair daqui um pouco quero me sentar lá fora! Se ficar aqui mais um minuto mando minha promessa para o inferno.

O clima está péssimo, é palpável a tensão entre todos, tem muita coisa acontecendo a minha volta, eu sinto assim que me sento e Mary me serve uma xicara de café.

Glenn está nervoso, Rick e Lori estão no meio de uma crise e é só olhar para ver, Shane me olha desconfiado o que só confirma minha tese de que ele fez algo a Mary e vou descobrir, Dale também não parece muito tranquilo.

O dia termina, mais uma vez nem sinal de Sophia, me decido que poderia continuar as buscas na manhã seguinte, quem sabe de cavalo, não posso desistir da garotinha, ela está por ai e uma hora um zumbi acaba dando sorte.

Mary se envolve em ajudar as mulheres com o jantar, conversava com Lori, e sorri com algo que Carl diz, quando a resgatei ela não sabia o que era sorrir, mas agora era mais fácil para ela, Mary estava mudando, mesmo depois da crise de hoje à tarde ela estava mais confiante.

Um dia me diria as palavras, quero essa garota como nunca quis ninguém, mas o mais assustador é que ela me quer e é isso que mexe comigo o modo como precisa de mim, como confia em mim, me deixa... não sei explicar o que sinto, não sei se tem um nome, um nome me vem à cabeça, mas não quero pensar nisso, é muito grande, não sou esse tipo de cara, não sinto esse tipo de coisa, isso era para homens como o Rick, Merle daria um nome a isso, um bem grosseiro, eu só... eu não vou pensar mais sobre isso.

Dormimos cedo, eu preciso descansar para me sentir pronto para continuar as buscas, dormimos de novo como no CCD, gosto de ter Mary assim perto, de dormir com o nariz na sua nuca, sentindo seu cheiro, o problema é que sou paciente, mas não sou de ferro, não sei quanto posso aguentar disso.

Estamos todos tomando café, nosso grupo apesar de todos os problemas acaba que é unido, brigamos o tempo todo, mas sempre acabamos assim próximos, sei que tem algo errado, vejo Glenn se aproximar de Mary, dizer algo a ela e ela o olhar surpresa, depois ele se levanta e chama nossa atenção, parece que vai rolar um discurso, não sei se gosto disso.

−Pessoal! Glenn nos chama, olha para Dale e depois para Mary os dois parecem incentivá-lo – Então, o celeiro está cheio de zumbis!

Notas finais
Aguardando os comentários.
obrigada.