Apocalipse - A Era Dos Mortos
13 Capítulo 13 - Mary com ciúme
Notas iniciais
Pov – Mary
Daryl me beijou, me beijou na frente de todos, no meio da manhã, e foi a coisa mais intensa que senti, quase como caminhar nas nuvens, teria participado mais se soubesse o que fazer, queria me entregar, tocar nele, sentir seus cabelos, mas não sei o que fazer e não sei se quero fazer qualquer coisa.
Mas nada na minha vida pode realmente ser completamente bom e ele se desculpa, deixa claro que não queria me beijar, me chama de mentirosa e depois confirma que sabia de tudo.
É claro que ele nunca iria querer beijar alguém como eu, é claro que aquilo não passou de um reflexo dos desejos que os homens tem, e quem melhor do que Mary para aplacar isso? Eu soluço encolhida nos fundos da casa, não o vejo partir, não sei se vai voltar e não devia me importar, mas acontece que me importo é só com isso que me importo.
Tento encontrar algum auto controle, todos nos viram trocar aquele beijo, e perceberam que tivemos uma briga, felizmente estávamos longe o bastante para sermos ouvidos, nunca sobreviveria se tivessem ouvido.
−Posso? Maggie surge do meu lado pedindo licença para se sentar, a fazenda era dela quem sou eu para dizer não, concordo tentando secar minhas lágrimas e engolir o choro.
−Foi um beijão! Ela sorri – E deve ter sido uma bela briga!
−Eu... – Não encontro nada para dizer.
−Vi você com o Glenn mais cedo e não gostei muito! Ela me diz – Depois quando vi o beijo, pensei, Ok, ela nunca vai querer nada com o Glenn! Ela abre um largo sorriso, quer claramente me animar e fico emocionada.
−Glenn é um amigo! Aviso, não sei se posso mesmo chama-lo assim, mas ele me procurou pediu ajuda e o mundo está acabando não restou muita gente.
−O esquentadinho do seu namorado também ficou com ciúme? Daryl com ciúme? Que grande tolice eu penso.
−Não! Respondo – Foi outra coisa, mas tudo bem.
−Não chore mais, tem tanta coisa acontecendo em volta, fique tranquila, tudo vai se resolver.
−Pode ser! Eu digo sem muita esperança, Daryl nunca mais vai chegar perto de mim, perdi tudo, ele me odeia, me acha uma mentirosa e justo agora que descobri que eu o amo.
−Vem me ajudar com o almoço, detesto cozinhar, mas hoje vamos ajudar a minha irmã e a Patrícia.
Eu descasco legumes, lavo folhas e escuto o papo animado das três, ninguém toca no assunto Daryl e muito menos Glenn, acho que não sabem de nada, depois elas insistem que coma com a família, aceito sem muita opção, fico silenciosa durante toda refeição, não consigo não pensar em Daryl e sua segurança. Ajudo com a louça e me retiro logo depois.
Me sento sozinha sob uma árvore, vejo Rick e Shane chegarem e Glenn e Maggie se envolverem numa conversa na varanda, depois fico sozinha, nem mesmo tenho onde dormir, me dou conta, secando uma lágrima, Andrea e T-dog também chegam, nada de Daryl, nada de Sophia.
As horas vão passando, e então Andrea sobe no treiler para fazer a vigia, ela quer tanto ser como os homens, mas nenhum deles permite.
−Zumbi! Ela grita e me levanto olhando para onde ela apontava sua arma, só consigo ver Daryl, cansado e ferido é o que me parece, nenhum zumbi o perseguia.
Os homens começam a correr armados, demoro a entender que estão achando que Daryl é o zumbi – Não! Eu corro.
Estava no meio do caminho quando ouço o tiro daquela idiota da Andrea e vejo Daryl cair, meu coração dói, ele é tudo que tenho, não importa o que pensa de mim, eu o amo, minhas pernas fraquejam quando grito seu nome e vejo todos sobre ele.
−Daryl! Eu me aproximo chorando desesperada.
−Calma Mary, ele está bem! Rick me diz e duvido, Daryl estava tudo menos bem, sujo, ferido, sangrando e com um tiro na cabeça, quero estrangular Andrea.
−Está sangrando! Eu toco seu rosto.
Daryl é levado para dentro, Hershel toca meu ombro quando passa por mim, quero ir junto, sou impedida por Rick.
−Fique um pouco aqui Mary, seu nervosismo pode atrapalhar! Ele me pede com aquele jeito gentil e sincero que agora reconheço nele, obedeço, essa sou eu, sempre obedeço, Andrea se aproxima de mim, está chocada, me olha cheia de pesar e vergonha.
−Me perdoe Mary! Ela diz.
−Isso é porque precisa ficar o tempo todo tentando medir forças com os homens! Eu reclamo, nunca abro a boca para dizer coisa alguma, aceito tudo que me oferecem, mas ninguém ali merece mais respeito que Daryl, ele vem cuidando das buscas por Sophia desde que tudo começou, não mediu esforços.
−É fácil falar, faz o que quer, tem a proteção de Daryl, caminha pela floresta, mata zumbis, não precisa ficar lavando roupa! Ela me diz e suspiro, não era hora para aquele tipo de discussão principalmente porque não sei de onde tirou aquilo.
−Esqueça! Respondo – Não foi na minha cabeça que atirou, se desculpe com ele! Eu me sento na porta, uma enxurrada de lágrimas me dominam mais uma vez, quero ver ele, mesmo que me mande ir embora.
−Seu namorado está bem! Hershel me diz quando sai – Ajude-o a se limpar e pode cuidar dele aqui esta noite, ele pode precisar de algo.
−Muito obrigada por cuidar dele! Eu digo soluçando ele me sorri.
−Não precisa chorar mais, ele vai achar que está morrendo se entrar lá assim.
Concordo, seco o rosto respiro e entro, depois de limpar Daryl e ajuda-lo a comer eu o deixo por um instante, ele está sério e calado, não sei se me quer por perto ou não, se me odeia ou apenas me é indiferente, não sei coisa alguma, só o que me importa é cuidar dele, não acho que mais alguém faria isso e além do mais é o que quero, quero ter certeza que está seguro e a salvo, não sinto fome, mas preciso mastigar alguma coisa, como uma maçã, tomo um suco na cozinha da fazenda enquanto todos riem tranquilos sigo até a barraca assustada, me troco e volto para o quarto, ninguém me vê passar, entro em silencio, não quero acordá-lo e me arriscar a ser expulsa do quarto, me sento encolhida, e então ele me chama, não importa o que ele pensa de mim, ninguém pensa muitas coisas boas mesmo, eu corro para seus braços, é lá que quero ficar e decido que ele tem que saber o que eu falava com Glenn, ele não faz nenhuma pergunta apenas concorda e ficamos nos olhando, queria que ele me beijasse de novo, para ter certeza de que era sempre assim maravilhoso.
Ele me diz que acredita em mim, está sendo sincero, posso ver em seus olhos e então ele me envolve, não consigo não chorar, ninguém nunca se importa e ele parece que sim, fico um pouco tensa, estamos numa cama ele pode querer mais, mesmo assim quero que me beije, não entendo esse meu impasse, quero pertencer a ele e tenho um medo alucinante disso acontecer.
Ele me beija e é tão delicado, como pode ser assim? Não tem força, só carinho, cuidado, nos separamos e não quero nunca ir embora dos seus braços.
Fico triste que isso só aconteceu agora, justo quando está tudo acabando, quando temos que ter tanto medo, quando não se pode mais sonhar, depois ele fica me olhando.
−Achei a boneca dela! Ele me diz – E agora com esses pontos, como vou poder procurar?
−Outros podem ir! Eu o animo.
−Ninguém parece realmente acreditar mais nisso.
−Eu acredito! Realmente acredito – Está se sentindo bem? Pergunto, ele ainda parece abatido.
−Mais do que deveria, pensei que nunca mais chegaria aqui! Nem gosto de pensar na ideia – Foi um inferno, Merle não calava aquela maldita boca! É impossível esconder o espanto – Eu sei, foi meio que uma alucinação, mas de algum jeito me deu força.
−Merle está vivo! Comento, não consigo não acreditar nisso.
Daryl afasta uma mecha do meu cabelo do rosto, me faz um carinho, me beija de leve, só um encostar de lábios leve o suficiente para meu coração saltar.
−O que fez hoje? Ele me pergunta e quero dizer a verdade, mas vou parecer uma boba.
−Nada demais, ajudei um pouco as irmãs Grenne, com a comida e a louça, Maggie me convidou para almoçar quando me viu... elas são pessoas boas. Eu tento desconversar e ele me faz mais um carinho.
−Quando fiz você chorar? Ele me diz e eu olho para ele, aquele assunto é dolorido.
−Não é grande coisa! Respondo, todos que conheço já fizeram isso ao menos uma vez.
−Me expressei mal, eu queria beijar você, mas não queria forçar você, não queria te afastar, achei que fugiria, por isso me desculpei.
Eu concordo com um movimento de cabeça, ele queria me beijar e estava preocupado.
−Queria que eu a beijasse? Ele me pergunta, porque não pode ser como antes quando não falávamos sobre essas coisas, mas se temos de falar eu não vou mentir.
−Queria, mas eu... tenho medo das outras coisas...
Fico completamente vermelha, ele vai me mandar embora me chamar de boba, infantil, e agora que sabe de tudo, hipócrita, sei lá tanta coisa, nem consigo olhar para ele.
−Não tem mais nada além de beijo! Ele me diz – Não precisa nunca ficar com medo!
−Mesmo se fizer um carinho em você? Ele me olha sem entender minha linha de raciocínio, não quero me comportar como uma menininha, eu vou mudar isso, aos poucos, juro a mim mesma, mas agora é um pouco assim que me sinto – Ás vezes quero fazer um carinho em você, mas tenho medo que pense que quero outra coisa!
−Como fez no CCD? Eu fico para morrer de tanta vergonha, ele se lembra, sentiu, achei que estava dormindo – Não me lembro de quase nada, só um toque leve dos seus dedos, meio como se estivesse sonhando, mas prometo que não vou achar nada, se e quando quiser terá de me dizer as palavras.
−Palavras?
−Sim, cada uma delas! Ele me beija de leve mais uma vez – Daryl quero que faça amor comigo! Meu coração acelera e respiro mais rápido, nunca vou ter coragem de dizer isso, ele me sorri – Não tem ideia de como posso ser paciente.
Só concordo com um movimento de cabeça, não sei bem o que está acontecendo com a gente, se estamos nos entendendo se agora sou mesmo a garota do Daryl como todos pensam, mas gosto que seja assim, e se um dia quero agir como uma mulher adulta é melhor começar a me mexer e então eu toco seu rosto, faço o contorno de cada parte dele, mesmo com aquela faixa na testa protegendo o ferimento eu o toco com carinho, ele fecha os olhos, não faz nenhum movimento, toco seu cabelo.
Depois ele me beija longamente e de novo minha respiração acelera e nos separamos.
−Vou colocar isso tudo no cantinho de coisas boas que acontecem com Mary! Eu sorrio para ele.
−É! Ele ri – Tem um cantinho assim?
−Depois que conheci você tenho.
−Mas magoei você hoje, te fiz chorar.
−Vou colocar no canto onde as coisas ruins que acontecem com Mary ficam tentando se esconder, tem tantas coisas lá que o que fez hoje vai se perder na imensidão e não vai ter nenhuma importância! Ele me olha com pesar, me beija de novo, adoro isso e acho que não vai ter jeito de eu deixar de gostar.
−Acredite, eu sei como é! Eu sei que ele sabe, vi as marcas que carrega no corpo, mas podemos tentar juntos de algum jeito, ao menos igualar um pouco as coisas.
−Preciso te deixar dormir, deve estar esgotado! Eu o lembro – Quer alguma coisa?
−Não, vamos só dormir um pouco.
−Pode ser como dormimos no CCD? Tomo coragem para perguntar e ele me beija de novo sorrindo.
−Foi mesmo um bom jeito de dormir! Eu sorrio de novo e me viro, Daryl me envolve, sinto sua respiração na minha nuca, seu braço me envolver e adormeço, depois de me lembrar que durante o dia achei que nem tinha mais onde dormir.
Acordo e a primeira coisa que penso é que Daryl me beijou, mais de uma vez, e de um jeito meio torto me pediu desculpas pelo que disse, me dou conta que estou em seus braços e isso é fantástico!
Quero realmente sair e deixar ele descansar mais um pouco, buscar algo para ele comer, mas acontece que estou presa a ele, completamente presa por seus braços e pernas, acho que quando acordar vai sentir dor, mas eu não fiz nada, estou na mesma posição que estava quando adormeci, ele que se enroscou em mim.
Me lembro do medo que tive, Andrea é uma idiota, para ser gentil, não tem como ser amiga dela, mesmo ela sendo irmã da Amy, não consigo me entender com ela, e aquele colar de orelhas, só um Dixon para fazer algo assim, acabo rindo.
−Acordar rindo é novidade! Ele diz na minha nuca, não me mexo, não quero machuca-lo.
−Me lembrei do colar de orelhas! Conto a ele que ri e sinto um arrepio pelo corpo.
−Onde foi parar meu suvenir?
−Rick recolheu, achou que o Hershel não entenderia o humor na ideia! Aviso – Não sei se jogou fora ou guardou, mas espero que tenha jogado fora!
Eu me viro para ele, com cuidado para não machuca-lo e completamente envergonhada, nunca acordo em seus braços sem ficar um pouco constrangida, mas dessa vez é ainda pior, eu pedi para dormir assim com ele e ele me beijou e falamos sobre coisas... me lembro de ele me dizendo que teria de pedir a ele se um dia quisesse, meu Deus, que vergonha.
−Está bem? Pergunto.
−Não por muito tempo, não quero ficar de molho com a menina desaparecida e a gente preso aqui, esse velho não nos quer aqui, acho que já deixou isso claro, só não vê quem não quer!
−Eu sei, mas isso não deve demorar, enquanto isso o Rick pode continuar as buscas.
Ele não responde nada, ao invés disso toca meu rosto, meu coração acelera, eu não sei lidar com isso, não consigo me decidir se só gosto ou se só tenho medo, os dois não pode ser.
−Quero sair daqui! Ele me diz – Prefiro ficar na barraca!
−Ajudo você! Me levanto e ele se senta geme de dor.
−Maldição! Esbraveja – Porcaria de pontos!
Hershel entra no quarto depois de uma leve batida, me olha recolhendo as coisas dele ergue uma sobrancelha.
−Onde vai? Pergunta.
−Me recuperar na minha barraca! Daryl responde mal humorado.
−Coma primeiro, minha filha vai trazer seu café e depois tome um banho, melhor não deixar isso infeccionar, não temos antibióticos o suficiente para o tanto que seu grupo usa.
Maggie entra sorrindo, traz uma bandeja com café, Hershel examina os pontos e depois de dizer que está tudo certo deixa o quarto.
−Aqui tem uma toalha para você! Maggie estende a Daryl, o banheiro é logo ao lado, vou ficar com a Mary te esperando.
Daryl resmunga um obrigado e eu o ajudo a se levantar e é claro ele detesta precisar, entrego roupas a ele, que detesta mais ainda que eu tenha feito isso para ele e sai do quarto.
−Não disse que não precisava chorar tanto que logo se entenderiam? Ela me diz e ele nem estava no corredor é claro que ouviu, fico completamente vermelha e ela morde o lábio num pedido de desculpa.
Começo a arrumar tudo Maggie me ajuda, não quero deixar nada fora do lugar arrumo a cama, troco os lençóis e recolho a bacia, quando Daryl entra faz cara feia, felizmente Maggie já tinha saído.
−Já disse que não é minha empregada, eu podia ter arrumado tudo! Reclama de mal humor, eu olho para ele é claro que ele não podia, mal consegue se mexer sem resmungar de dor – Come! Ele diz apontando a bandeja que estava servida para dois, me sento e pego uma fatia de bacon, achei que nunca mais comeria aquilo, tomo uma xicara de chá, e uma torrada, ele termina a refeição e se levanta.
−Vamos! Caminha para porta e nem me atrevo a oferecer ajuda, mas Rick surge na ponta da escada.
−Uma ajuda para chegar aqui em baixo? Oferece.
−Pareço ter quebrado as pernas? Ele responde começando a descer, Rick por alguma razão que desconheço não se importa, fica lá em baixo sorrindo enquanto descemos.
−Mary, Shane vai sair logo mais para dar aulas de tiro, ele é o melhor instrutor que conheço, quero que o acompanhe!
Fico calada, detesto a ideia, não quero aprender nada com Shane, não respondo nada e sigo com Daryl até a barraca, ele se deita e olha para fora resmunga de má vontade.
−Não acredito que vou ficar de molho aqui!
Eu só consigo pensar em Shane e aulas de tiro, será que Daryl não podia me ensinar depois que se recuperasse?
−Acha que preciso ir nessas aulas? Pergunto, mas é quase um pedido.
−Precisa! Ele me diz me decepcionando – Vem aqui! Me chama e sento a seu lado, ele me puxa para ficar mais perto, me dá um beijo leve, eu sorrio, cada vez que ele faz isso fico surpresa – É importante, não vai estar sozinha, vai todo grupo, eu sei que não confia no babaca e faz bem, mas é só uma aula, precisa aprender a se defender de zumbis isso é fundamental.
Fico ali deitada com ele, esperando que fossemos chamados para a aula de tiro e então Andrea entra, ela nos olha e eu me sento envergonhada, uma tolice já que todos achavam que ele era meu namorado, não tinha nada demais em estar abraçada a ele.
Ela entrega um livro ele olha a capa abre e folheia.
−Sem figuras? É uma piada, eu sei e não gosto que ele seja tão gentil com ela, afinal ela atirou na cabeça dele.
−Não é grande coisa, e nem acho que precise disso para se distrair enquanto se recupera! Ela me olha, é como dizer que eu sou uma boa distração, acho que não ligo de ajudá-lo a se distrair – Desculpe, me sinto culpada e ridícula! Ela diz.
−Estava protegendo o grupo, fez o certo! O que? Eu realmente detesto ouvir isso, ela sorri, e se levanta.
−Se precisar de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo é só falar! Avisa e penso que ele não precisaria de nada, nada que eu não pudesse cuidar, droga estou com ciúme que situação ridícula, fico corada quando ela saia da barraca ele a chama.
−Se atirar em mim de novo reze para eu estar mesmo morto! Ela sorri sem graça e nos deixa.
Fico olhando para o chão, estou com ciúme e isso é só mais uma das tantas coisas que não sei lidar.
−E essa cara de brava, é comigo ou com a Andrea? Ele me pergunta e eu nem tinha percebido que dava para notar minha expressão de desagrado.
−Não estou brava com nenhum dos dois! Respondo sem olhar para ele – Se não se importa que ela atire na sua cabeça, porque devo me importar? Nem me reconheço.
−Certo! Ele diz – Está brava com os dois! Diz e sinto que está rindo embora não olhe para ele – Quando ela atirou em mim para proteger o grupo de algum jeito estava protegendo você! Ele me diz – Por isso não posso ficar bravo!
Certo aquilo foi bem gentil, meu coração pula, mas ainda não olho para ele, mas agora o motivo é outro, meus olhos estão marejados porque além dele ninguém mais se importa.
−Eu sabia que era você, que estava ferido, mas não o confundi com um zumbi!
−Ótimo! Ele ri – Mas isso só significa que enxerga bem! Agora olho para ele, adoro a cor dos seus olhos, de como ficam bonitos quando ele parece tranquilo.
−Eu sei que ela não podia saber! Acabo admitindo de má vontade.
−Tão brava que quer chorar? Ele me pergunta quando nota meus olhos molhados.
−Não é isso! Respondo – É que... eu acho estranho quando alguém se preocupa só isso.
Ele fica calado, vejo Carl saindo para fora, andando bem já recuperado, sorrio e ele acompanha meu olhar.
−Que bom! Digo quase para mim mesma.
−Ótimo, agora é só encontrarmos Sophia e seguir para longe! Diz se remexendo incomodado com os pontos.
−Vou trazer água para você, já que vou ter que seguir para as aulas de tiro, precisa de mais alguma coisa?
−Nada! Ele me diz e o deixo um pouco sozinho vejo Glenn andando de um lado para outro e sinto que tem algo errado, ele olhava toda hora para o celeiro, eu acompanho seu olhar.
−É sinistro não é, esse celeiro? Eu sempre achei o lugar meio assustador, além de ser bem trancado o que acho estranho para um celeiro.
−Como descobriu? Me pergunta assustado- Quem te contou?
−Do que está falando? Eu o olho sorrindo, Glenn é meio maluco – Ninguém me disse nada, é só que acho meio filme de terror o que hoje em dia é uma grande bobagem já que moramos num filme de terror.
−Entendi! Ele diz suando – Mary se alguém te contasse uma coisa se precisasse desabafar e pedir um concelho, será que acha que seria uma traição... eu alguém me disse uma coisa....
−Glenn se lembra o que me disse ontem? Ele passa a mão no cabelo, estava apavorado – Sou péssima conselheira, pede ajuda ao Dale!
−O que tem eu? Dale se aproxima, olho para os dois e os deixo sem dizer nada, pego água e volto para barraca.
−Mais segredos? Daryl me pergunta, não sei porque ele implica tanto com o Glenn.
−Acho que sim, mas dessa vez mandei ele contar ao Dale, sou péssima conselheira.
−Ele não parece se importar! Ele me diz irritado.
Eu coloco a água perto dele e já não estou mais tão tranquila, fico com medo de ter feito algo errado de ele me dizer mais alguma coisa que me machuque e me faça chorar e eu apenas me sento e fico quieta.
−Vamos Mary! Ouço a voz de Lori me chamando e olho para ele que me olhava sério.
Ele está bravo comigo e não quero sair e deixar ele assim sem dizer nada, mas não sei o que fazer, queria mesmo é que ele me deixasse ficar, mordo o lábio indecisa, ele me olhava sem me dar uma única pista do que estava pensando e então eu sigo até ele e dou um beijo leve nele quando me afastava ele me puxa e me dá um daqueles beijos longos que me fazem flutuar.
−Tome cuidado! Me diz quando me solta, faço que sim completamente tonta e deixo a barraca, estou tão feliz que podia fazer aula de tiro até com o diabo que não me importaria.
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