Apocalipse - A Era Dos Mortos
12 Capítulo 12 - Colar de orelhas?
Notas iniciais
Esse que eu acho ficou bem fofo, vai em homenagem a minha querida e sensível amiga Thays, que me acusa frequentemente de tentar matá-la de pura curiosidade!kkkk
Beijo sua linda!
Pov – Mary
Estava mesmo escuro quando chegamos e percebo o olhar de tristeza de Carol sobre nós, aquilo me doía, principalmente porque por alguns minutos enquanto caminhava com Daryl de volta para fazenda eu me esqueci de tudo.
Zumbis, Carl baleado e Sophia, descobrir meus sentimentos por ele me deixou completamente confusa e só conseguia pensar nisso.
−Venham comer! Dale nos chama, estavam reunidos em volta da fogueira e enquanto comíamos Daryl explicava nossa descoberta, as pessoas ficaram animadas, as buscas começariam cedo na manhã seguinte, mas eu estava vetada.
−Pode nos ajudar aqui Mary, já que não vai sair na busca! Lori me diz gentil.
−Acho que Mary seria útil nas buscas, já mostrou que tem sangue frio para matar um zumbi na hora do desespero! Shane olhava diretamente para Daryl, eu sabia que aquilo era uma clara provocação. Daryl ergue o olhar para ele, não diz nada.
Depois de terminar de comer me puxa pela mão, estava irritado eu percebo e sei que não é comigo, então não fico tão preocupada.
−Vamos dormir Mary, amanhã eu saio cedo em busca de Sophia, como aliás venho fazendo todos os dias! Enfatiza e o sigo silenciosa.
Nos deitamos cada um no seu canto, como era quando dormíamos no acampamento e me lembro que é a primeira vez que dormimos na barraca desde que saímos de lá.
Daryl não diz nada, fica quieto olhando para o teto, eu olhava para ele, nem me dou ao trabalho de esconder isso.
−Não me importo de sair em busca de Sophia! Aviso.
−Mary! Ele se vira para mim sério – Eu pretendo seguir sozinho, dei uma olhada no mapa, e depois do que encontramos tem uns lugares que quero ir e preciso fazer isso sozinho, não vou te levar comigo e não quero que vá com T-Dog e Andrea, e menos ainda com esse Xerife babaca do Shane.
−Eu fico! Digo rápido por que não tenho a menor intensão de seguir com Shane a nenhum lugar.
−Então durma! Ele me diz e me encolho silenciosa.
−Vou tentar! Eu respondo sabendo que vou gritar e que todo o acampamento vai ficar de mal humor por isso, mas então ele me olha por um instante abre os braços num convite que aceito, me recosto nele e como sempre fazemos não tocamos no assunto, apenas me deixo ficar ali e adormeço.
Acordo com o canto dos pássaros, e um galo parecendo estar a quilômetros, abro os olhos, Daryl ainda dormia, fico uns minutos olhando para ele, tão bonito e tranquilo, queria fazer um carinho nele, mas não tenho coragem e prefiro deixa-lo dormir um pouco mais, sei que vai ter um dia difícil, me levanto e deixo a barraca.
As pessoas pareciam ainda dormir e apenas me sento olhando o horizonte, era um dia bonito, claro, de céu azul como os olhos dele, eu penso.
−Oi! Glenn surge de repente e me assusta – Desculpe, não queria te assustar, de novo.
−Tudo bem! Eu digo tentando ser gentil – Algo errado? Ele parecia estranho, tirava e colocava o boné, balançava a cabeça como se estivesse pensando em algo.
−Você é uma garota certo? Ele me diz do nada.
−Parece que sim! Eu respondo sem entender onde essa conversa chegaria.
−Ontem eu e a Maggie... pode guardar um segredo, não pode? Ele me pede e afirmo com a cabeça, eu mal falava com as pessoas, não seria um grande esforço guardar um segredo – Fui numa farmácia ontem com a Maggie e... bom você sabe, nós transamos!
−Puxa! Eu digo corada, eles eram rápidos, será que essa coisa era assim, será que ela queria?
−Foi ela que... eu queria é claro, mas nunca falaria sobre isso assim, logo de cara, o problema é que agora, ela está estranha, parece brava, sendo bem má comigo, o que acha?
Pobre Glenn, tanto esforço para contar um segredo e escolhe justo eu, péssima escolha.
−Acho que não posso ser uma boa conselheira! Eu respondo, então vejo Daryl sair da barraca, me olha torto e se afasta, será que fiz algo errado durante a noite, nem tive pesadelos...
−Mary! Glenn me desperta.
−Desculpe, mas eu não sei o que dizer, Dale parece mais preparado para ajudar você!
−Talvez, você namora sério, acho que não tem muito esse problema! Ele diz eu não me dou ao trabalho de discordar, seria perder tempo, Maggie passa por nós e olha Glenn de má vontade – Vê! É disso que estou falando, que grande confusão fui me meter.
−Devia falar com ela! Eu tento ajudar, não que eu tivesse coragem de fazer isso se estivesse no lugar dele, mas quem sabe com ele não seria uma maneira de resolver as coisas.
−Mary, você é uma péssima conselheira! Ele coloca o boné e sorri – Achei que por ter um relacionamento sério poderia me ajudar, mas pelo visto.
−Sinto muito! Sinto vontade de sorrir – Lori também tem um relacionamento sério.
−Não sei não, as coisas para ela podem estar bem complicadas agora! Ele me diz se levantando – Obrigado por me ouvir! Glenn me deixa sozinha, Daryl estava distante e com uma péssima expressão no olhar, me sento na frente da barraca abatida, seria um dia longo e triste.
Pov – Daryl
Aquele coreano estava me tirando do sério, e Mary não estava fazendo por menos, é a segunda vez que os pego de segredinhos, eu não sou o idiota do Rick se é o que ela pensa.
Tomo uma xícara de café fumegante antes de me reunir com o grupo para decidir como seriam as buscas.
Depois de toda aquela conversa indico meu caminho.
−Vou pegar um cavalo e cobrir essa região pela montanha! Aviso.
−Boa ideia! Rick diz animado, Shane quer desistir das buscas dá para perceber pelo modo como está o tempo todo colocando empecilhos em tudo, um garoto da fazenda se aproxima se oferecendo para seguir junto, T-Dog me provoca com a história que contei sobre o chupa cabra, dane-se se não acreditam sei o que vi.
−Bom então é isso, Daryl vai sozinho, eu vou com Shane e Andrea segue com T-dog.
Ótimo a reunião acabou e posso me mandar vou até o estábulo e preparo um cavalo, mas Mary está na minha cabeça, vou deixar ela sozinha e nem me despedi, preciso dizer a ela para não fazer nenhuma bobagem e saber que conversa era aquela com o Glenn, que se dane que não temos nada, todos pensam que temos, não vou pagar de corno, e nem deixar aquele coreano imbecil se meter com ela, Mary é sensível, inocente, aposto que nem mesmo percebeu algo.
Deixo o cavalo pronto e sigo até ela, estava sentada diante da minha barraca, voltei ao estágio em que não tem nada nosso, eu não por acaso, montei a barraca mais distante de todos, não sou sociável, nunca fui e não quero ser.
Ela se levanta quando me aproximo, me olha com aqueles olhos lindos e delicados, depois que falei para ela da flor seu olhar mudou, ela me olha de um jeito que está me deixando maluco, a verdade é que depois de dividir aquilo com ela meu olhar também mudou, não sei o que é, mas estou mais consciente dela que nunca.
−Já vai! Ela me pergunta tensa, torcia os dedos.
−Vou! Aviso, sem querer ser muito gentil porque estou bravo – Vou de cavalo, assim cubro uma área maior!
−Vai voltar, não é? Ela me pergunta assustada.
−Não se preocupe comigo! Já não estou mais tão furioso – O que conversava com o coreano? Pergunto de uma vez e ela me olha, é aquele baque.
−Queria contar, mas é um segredo! Me diz de cabeça baixa – Um segredo dele, sinto muito!
−Sei, dividem segredos agora? Eu estou mais irritado que nunca, por que ela não podia ter inventado uma mentira, dito que falavam do tempo, da vida, não Mary tem que ser honesta, linda e honesta, dou um passo em sua direção, ela não se move, não desgruda os olhos dos meus – Sabe que todos pensam que é minha garota, não sabe?
−Sim eu sei! Ela me diz num fio de voz, mas é claro que não tem a menor ideia do que eu estou dizendo.
−Então não me faça de idiota! Eu digo e ela pisca um tanto assustada, uma lágrima escorre e me lembro de Jack, me sinto um monstro e toco seu rosto, como Mary pode ser tão linda, aqueles olhos dourados, aquela boca delicada que estava sempre pedindo para ser beijada, eu me perco nela, me esqueço o que vim fazer, não consigo me mover, não consigo desviar o olhar, estou preso a ela e parece que com ela não é diferente.
Eu não sei como cheguei tão perto, como minha mão foi parar em sua cintura e porque a outra estava descansando em seu pescoço, não sei como ficamos assim tão pertinho um do outro, sinto seu calor, sua pele roçar na minha, só um movimento e então eu estava com meus lábios envolvendo os dela num delicado beijo, eles são macios e gentis, como tudo nela, eu me esqueço todo o resto e me entrego ao beijo, ela corresponde abrindo a boca e recebendo minha língua que a invade, sou delicado, o máximo que posso, é Mary e ela merece que seja assim, aprofundo o beijo, suas mãos estavam em meus braços, sinto seu toque suave.
Nossa respiração descompassa, a envolvo mais, Mary se deixa levar e então me lembro onde estamos, e quem é ela, as coisas que passou e a promessa que me fiz de não afastá-la, magoá-la, me afasto.
−Desculpe Mary! Eu digo enquanto ela piscava com o rosto corado tentando se situar – Não queria beijar você! Eu me arrependo assim que digo, que coisa estupida, ela me olha magoada.
−Não! Me diz com os olhos marejados – Eu achei que... queria que tivesse sido você, meu primeiro beijo, eu esperava que fosse assim e... e não queria? Ela me acusa, não sei porque acha que preciso acreditar nessa história que nunca foi beijada, sei o que Jack fez com ela, e isso de ser o primeiro ou não é bobagem.
−Não precisa mentir! Eu digo me enrolando ainda mais, como posso ser tão estupido – Sei o que acontecia, quer dizer não sabia na época, Merle me contou, o Jack e você... – Por favor Deus corte minha língua antes que seja tarde demais, ela e Jack? A coitada era abusada e digo ela e Jack?
−AH! Ela me diz magoada – Nesse caso é claro que não queria, quem iria querer não é? Ela soluça dando alguns passos para trás – Quem iria querer os restos do brinquedinho do Jack! Meu coração para de bater um segundo, era assim que ela se sentia, mas o pior é que era assim que ela achava que eu a via.
−Mary! Eu digo e ela caminha mais para longe, sem esconder suas lágrimas.
−Tem razão, Merle disse a verdade, aquele monstro fez muitas coisas... mas eu não menti, nunca ninguém... – Ela toca os lábios – Vá fazer sua busca, faça algo por alguém que realmente merece.
Mary corre para longe e eu fico paralisado, olho em volta e todo acampamento me olhava.
−Vão para o inferno! Eu pego minha besta e vou em busca do cavalo, que merda de idiota eu sou, como fui estragar tudo assim em um maldito segundo?
Entro para floresta cansado e pensativo, Mary nunca foi beijada, esperava que eu a beijasse e consegui em um segundo dizer que não queria e ainda chama-la de mentirosa, alguém pode ser mais imbecil do que eu?
É claro que não, eu sou afinal um Dixon, somos os reis da confusão, sempre dizendo a porcaria da coisa errada, sempre estragando tudo!
Ela nunca mais vai olhar para mim, e é isso que mereço, mentirosa, eu tive a cara de pau de dizer que estava mentindo! Minha cabeça trabalhava a mil, nunca vou achar nada assim, nem um elefante dançando rock na minha cara se não tirar Mary e aquele beijo da minha cabeça.
Acontece que não existe a menor possibilidade de não pensar no beijo, foi simplesmente... não sei nem como dar um nome, incrível? Delicioso? Foi mais, foi perfeito, nunca me senti assim, Merle deve estar rolando de rir, sou um paspalho, um estúpido.
Balanço a cabeça, preciso afastar esses pensamentos, me concentrar na floresta e em Sophia, as palavras amargas de Mary me invadem, fazer algo por alguém que realmente merece, quem merece mais que a doce e encantadora Mary e seus olhos dourados?
Fixo meus olhos no rio logo abaixo, tem algo ali, era a boneca de Sophia, sei que era, desço do cavalo e caminho meio escorregando até lá, sim era isso a boneca de Sophia, eu pego a boneca, prendo na roupa.
−Sophia! Eu grito, levar Sophia seria um bom presente para Mary, talvez ela me perdoasse – Sophia! Volto a gritar, nada de resposta e retomo minhas buscas com o cavalo, de novo distraído e então o cavalo infeliz se assusta com alguma porcaria e empina, relincha e me atira ao chão, mas como tudo sempre pode piorar rolo um maldito barranco e sinto uma das minhas flechas atravessar minha cintura numa dor insuportável caio direto na água.
Demoro uns segundos para me acostumar com a dor, me arrasto para fora da água, tenho que dar um jeito naquilo – Merda! Eu esbravejo, tiro as mangas da camisa, amarro uma na outra e prendo a flecha, se tudo der certo o velho podia tirar de mim quando chegasse na fazenda.
Algo se mexe nos arbustos, me preparo e óbvio, estou sem minha besta, mas que inferno, volto onde cai, sem minha besta eu não saio, melhor morrer.
Eu a encontro, e começo minha maldita subida, descer foi mais dolorido, mais também mais rápido, no meio do caminho me desconcentro de novo, aquilo era só lama e quando me dou conta estava mais uma vez caindo, feito uma porcaria de um saco de estrume.
−E ai irmãozinho, vai ficar ai deitado feito uma bichinha? Abro os olhos e lá está o meu irmão.
−Irmão! Eu pisco sem enxergar muito bem.
−O que está fazendo, virou a cadela do xerife?
−Não virei a cadela de ninguém! Me defendo – Perderam uma menininha.
−Está procurando uma menininha, mas não se esforçou muito para me achar.
−Você, fugiu, não esperou, voltamos lá, Rick voltou comigo.
−Eles não ligam a mínima para você, riem nas suas costas, é só um caipira para eles, logo vão se livrar de você, devia seguir até lá e dar um tiro na cabeça desse Rick!
−Me deixa Merle! Eu tento me manter acordado.
−Vai levanta, sua garota está lá na mão do coreano, vai deixar isso assim, lutei tanto para virar um homem e vai morrer ai? Ele me chacoalha e eu desperto, olho para meus pés e não era Merle e sim um maldito zumbi mordendo minhas botas, chuto ele. Tento me afastar e ele pula sobre mim, nos debatemos, lutamos, estou mesmo lutando e dando socos em um zumbi de merda? Pego um pedaço de madeira e racho sua cabeça oca com umas belas pancadas.
Mas não consigo descansar, outro caminhava e só tem uma coisa a fazer, não tenho força para lutar, arranco a flecha que atravessava meu corpo com uma dor insuportável e monto a besta como se fosse a primeira vez, estou fraco o maldito se aproxima eu o seguro com o pé e a flecha atravessa aquela merda de cabeça.
Vou voltar para a maldita fazenda, eu me preparo, aperto melhor o ferimento tentando estancar o sangue, abro o esquilo que cacei no caminho e me alimento, depois me preparo para subir, mas acho que mereço um prêmio, uma relíquia, arranco as orelhas daqueles dois infelizes e faço um belo colar, nunca mais se metam com um Dixon, era meu recado.
Começo minha subida, uso toda força que tenho, vou chegar, Mary vi ter que me ouvir e estamos perto de Sophia, eles tem que saber, merda, inferno de barranco que parece crescer a cada nova investida minha.
E então lá estava Merle e aquela boca maldita me dizendo todo tipo de bobagem, vou arrebentar aquela cara estupida dele se falar mais uma vez da Mary.
Chego enfim no meu destino, sinto um enorme alivio, agora era só caminhar feito um desgraçado e chegaria na fazenda e Mary ficaria mesmo triste de saber que no fim os malditos zumbis não deram conta do recado.
Caminho arrastando minha besta, não vou sem ela, avisto a fazenda, que imagem maravilhosa, penso puxando a perna sem forças, Mary, preciso falar com ela, dizer que acredito, todos correm para mim, uma novidade.
Mas espere, estão armados – Que porra é essa! Eu penso parando com eles todos me olhando, será que estou assim tão irreconhecível, me machuquei um pouco estou meio sujo mas...
−Por que não atira de uma vez ou para de me apontar essa merda! Rick tinha uma péssima mania de me apontar armas.
Ouço o som antes de sentir o baque e caio mais uma vez feito um saco de estrume, ouço o grito de Mary, estou meio tonto quando a confusão a minha volta começa.
−Era brincadeira! Aviso quando tudo começa a escurecer, droga Mary vai achar que eu morri.
Acordo em uma cama, com Hershel me costurando e Rick e Shane sentados me olhando, Mary devia estar mesmo brava, achei que estaria ali comigo, penso um pouco magoado.
−Como está? Rick pergunta.
−Ferrado! Respondo – Achei a boneca da Sophia, no leito do rio, cadê o mapa? Ele abre o mapa na cama, e mostro a ele a localização, aquela porra de agulha doía e resmungo, Hershel termina de me costurar.
−Onde está meu cavalo? O velho me pergunta.
−Aquele maldito que quase me matou? Se tiver juízo deixou o pais!
−É uma égua brava eu teria dito se tivesse me pedido permissão.
Aquele velho não tinha ideia mesmo que a porcaria do mundo estava acabando, nem me dou ao trabalho de responder, Ele reclama com Rick, nos acusa de sermos imprestáveis diz que não sabe como estamos vivos e acho uma boa ideia ele sair pela cidade e ver como as coisas estão, mas fico quieto, estou mesmo interessado é em saber onde está Mary.
−Nós já vamos, antes que Mary se derreta de tanto chorar lá fora.
Ela estava chorando, estava chorando por minha causa, quem sabe me perdoava, não que fosse pedir perdão por que não sou esse tipo de cara.
Fico sozinho e no minuto seguinte a porta se abre e não me viro para saber o que está acontecendo.
−Está bem? Aquela voz suave faz meu coração acelerar, ela merece que me vire, mesmo que isso doa muito.
−Beleza! Respondo e vejo ela caminhar até a bacia e umedecer uma toalha, depois volta até mim e sem dizer nada começa a me limpar, eu realmente estou péssimo.
−Dói? Me pergunta enquanto limpava meu peito e subia com o pano e felizmente eu estava na pior condição em que já me encontrei na vida ou aquilo seria mesmo um problema.
−Muito! Mulheres gostam de sentir pena e como me meti numa bela encrenca não custa fazer uma cena, e afinal não estou realmente mentindo.
Ela se afasta e não posso evitar sentir sua falta, mas ela foi apenas trocar a toalha e então limpa meu rosto e me lembro que estou nu, me arrumo mais nos lençóis antes que ela corra para longe, estou calado por que se disser mais alguma tolice ela pode decidir terminar o que a floresta e aqueles zumbis começaram.
−Tem roupas limpas aqui! Ela diz me olhando com os olhos vermelhos e a voz triste – Vou buscar seu jantar, deve estar com fome.
−Obrigado! Eu digo buscando alguma reação em seu olhar.
Aproveito que estou sozinho e me visto, dói infernalmente, mas eu tinha um plano então precisava ficar vestido.
Mary me traz o jantar me ajuda a sentar e fica me olhando enquanto como, estou mesmo com fome e como muito mais rápido do que deveria, me sinto indisposto, bebo uns goles do suco, o apocalipse parece que não chegou aquela fazenda, pulou as terras do velho. Termino e ela retira a bandeja do meu colo, sai me deixando sozinho e fico sem saber o que fazer, escuto as risadas de todos lá em baixo, é claro que ela estava louca para me deixar e ir ficar com eles, e agora que andava cheia de segredinhos com o coreano, não precisava mais de mim, eu me deito com dificuldade, o que tenho que fazer é achar a menina e me mandar, fecho os olhos cansado.
A porta se abre um pouco depois, deve ser mais algum idiota me fazendo uma visita, nem olho e sinto o peso na cama, abro meus olhos e lá estava ela sentada na outra extremidade ocupando um espaço mínimo, encolhida e olhando para frente.
−Mary! Eu a chamo e ela me olha triste.
−Desculpe, não queria te acordar, só vou ficar aqui, caso precise de alguma coisa, e além disso não posso dormir na barraca, vou acordar todos, você sabe... os pesadelos, mas eu.... eu não vou dormir, não quero, só...
−Vem Mary! Eu a chamo e sem esperar lá estava ela colada em mim, os olhos fixos nos meus, encolhida.
−Glenn, ele e a Maggie, os dois você sabe, fizeram... ele me pediu um conselho e segredo.
Ela me conta e me sinto um completo idiota, bom mas isso não tem sido bem uma novidade, ficamos em silencio um bom tempo, ela está tão perto de mim, eu a abraço, Mary não recusa não se mexe, mantem o olhar.
−Sei que não mentiu! Aviso, realmente acredito nela, gosto de saber que só eu vou sentir aqueles lábios, que são meus.
Seus olhos se enchem de lágrimas, sei que está feliz porque acredito nela, me aproximo mais, quero beijar Mary de novo, apenas beijar, ter certeza que foi isso mesmo que senti e então eu a beijo mais uma vez, ela aceita meu beijo, participa dele, me permite vasculhar sua boca, depois me afasto quando minha respiração acelera, e ficamos mais uma vez nos olhando, não sei porque ela está aqui, mas está e não quero que vá embora.
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