Apocalipse - A Era Dos Mortos

1 Capítulo 1 - Irmãos Dixons


Notas iniciais
Já tenho uma Fanfic no mesmo tema, essa é minha segunda fic, espero que gostem, adoro TWD e o personagem Daryl Dixon, essa é minha visão da história, e de como eu vejo alguns personagens e de como Mary se encaixa nela.
Enfim vamos conversando conforme as coisas vão acontecendo.

Pov — Daryl

Eu limpo a mão suja de graxa e pego a peça que estava solta e mais uma vez enfio a cabeça para dentro do capô do carro, a chave de fenda estava no bolso de trás e eu a puxo me concentrando em apertar a peça, depois me afasto e olho para um barulho vindo do fim da rua, um cachorro parecia enfurecido.

Me pergunto onde Merle tinha se enfiado nos últimos dois dias, ele mal tinha saído da cadeia e já devia estar de novo envolvido em alguma porcaria de encrenca, eu tinha gasto todas as minhas economias pagando sua maldita fiança, e ele some no dia seguinte.

Justo agora que essa história de mortos vivos não parava de passar na televisão, a cada dez minutos um novo vídeo surgia, esse negócio de celular dava nisso, estava todo mundo filmando, eu mesmo nunca tinha visto nenhum, mas as imagens eram impressionantes, gente sendo devorada em plena luz do dia, confusão e gritaria.

Há quatro dias não se fala em outra coisa e as pessoas estão começando a ficar com medo, o exército está nas ruas e isso só podia significar uma coisa, cedo ou tarde receberia um telefonema de Merle da prisão.

Vou até o banco do motorista e dou partida, o motor ronca em perfeito estado, desligo e sigo de volta para o motor, confiro se estava tudo em ordem antes de baixar o capô, estava distraído e então eu a vejo passar.

Todos os dias ela passava diante da minha casa, vinha de cabeça baixa, era sempre triste, quando chegava na minha porta e só nesse momento, erguia o olhar, não durava nem dois segundos, ela olhava para minha casa, depois baixava de novo o olhar e seguia para sua casa no fim da rua, nunca nos falamos, ela era a garota mais bonita e triste que já vi, tinha olhos dourados, que me lembravam dois potes de mel, os cabelos tinham a mesma cor, ela era delicada, nunca vi seu sorriso, nunca vi nada além de seus olhos tristes e ainda assim sempre de relance.

Sua história era a história de todos que vivia naquele lugar, um bairro pobre, habitado pelos esquecidos e renegados, seu padrasto Jack era amigo de Merle, um bêbado viciado que só viva metido em confusão, sua mãe assim como a minha era uma alcoólatra, mas a minha estava morta a muito tempo.

A garota passa e ergue o olhar como todos os dias, depois continua seu caminho e eu fico parado tentando não acompanhar seus passos até a casa da esquina, ela não era nenhuma menininha, devia ter vinte e poucos anos, por isso não entendia como ainda estava lá, porque nunca tinha dado o fora daquele lugar, aquilo não era para ela ou talvez ela não fosse diferente de Jack e a mãe, ninguém por ali era.

Balanço a cabeça voltando a realidade, entro em casa e o dia já estava acabando pego uma cerveja e me sento no sofá, ligo a televisão procurando por um programa de esporte, mas só havia aquela história de zumbis, se um te mordesse você tinha uma febre e depois se transformava também, então atacava outros e por isso o negócio estava se espalhando.

Desligo a televisão e pego minha besta decidido a caçar um pouco, uma das razões pela qual me mudei para aquele lugar há quatro anos é que em cinco minutos de caminhada eu estava dentro da floresta, pego minha besta minha mochila com tudo pronto para algumas horas ou quem sabe uma noite na floresta.

Bato a porta, mas não me preocupo em trancar, ninguém seria maluco de entrar na casa dos irmãos Dixon, o calor estava infernal e entro na floresta pensativo, minha mente volta para garota que acabara de passar por mim, Merle e Jack às vezes falavam dela, o melhor assado que já comeram, a esquisita e silenciosa, Mary era motivo de piada para eles, mas eu sabia muito pouco dela, Jack não era meu amigo, embora às vezes ficasse na minha casa estendido no sofá depois de agredir a mulher e a vizinhança chamar a polícia, mas só quando Merle estava, se eu ouvisse gritaria fazia questão de fechar tudo, não quero fazer parte disso, mesmo sabendo que a mulher e a filha estavam lá por que queriam.

Sigo caminhando devagar, evitando barulhos, apenas caminhando e procurando um cervo, uma manada não estava longe a semanas eu estava atrás deles, mas acontece que por alguma razão eles estavam atentos e assustados era difícil encontrá-los.

Já amanhecia quando volto para casa de mãos vazias, era domingo e já que não tinha trabalho podia dormir um pouco, quando chego Merle estava estirado no sofá apagado com uma garrafa de tequila que ele abraçava como se fosse uma garota, o grande imbecil.

Me jogo na cama e apago, quando acordo o dia estava chegando ao fim, depois de um banho desço e encontro Merle bebendo na sala em companhia de Jack.

−A garotinha acordou! Merle me provoca por que não sabe agir de outro jeito – Olha isso irmãozinho! Ele me ponta a perna de Jack e vejo uma curativo gigante e mal feito, ainda muito sujo de sangue, Jack parecia meio abatido, um tanto pálido.

−Que merda é essa? Pergunto abrindo uma cerveja.

−Cruzei com uma daquelas coisas, derrubei ele e me mordeu, o filho da puta me mordeu! Jack esbraveja – Esses desgraçados só morrem com um tiro na porra da cabeça oca, matei o infeliz, mas essa merda dói.

−Devia ir ao hospital, tão dizendo que essa porra faz a pessoa virar também! Aviso mas na verdade eu não ligo a mínima se aquele infeliz vai morrer ou não, ele era um lixo.

−Se entrar num hospital eu saio de lá preso, e não estou nem um pouco afim de assistir essa confusão de dentro de um presidio.

−Como quiser! Eu me levanto e deixo os dois em casa sigo para a lanchonete do velho Tim, quero comer e beber em paz, sem ter que aguentar aqueles dois falando e bebendo sem parar.

Chego no bar que estava como todas as noites de domingo cheio de desocupados, peço um prato de assado e batatas e uma cerveja, me viro para televisão e pela primeira vez não era sobre esporte, também não estava no mudo e todos estavam silenciosos, ouvindo atentos, um coronel do exército respondia perguntas e dava dicas de como agir, não se aproximar, se for mordido seguir para um hospital, manter portas e janelas fechadas e promete evacuar áreas muito atingidas.

−É o apocalipse! Um velho bêbado diz encostado no balcão, o tempo todo imagens de ataques eram mostradas.

A entrevista chega ao fim e quando o repórter volta ao ar avisa que foi instalado lei marcial, não posso deixar de pensar em Merle, termino meu jantar tomo mais uma cerveja e depois de pagar caminho de volta para casa, estava a pé a noite estava quente e mesmo sem querer admitir eu estava preocupado com essa história de zumbis.

Encontro Jack saindo da minha casa estava mais pálido e abatido, penso em Mary se não era perigoso ficar na mesma casa que ele, não sei se acredito muito nessa história que todo mundo morre quando é mordido, mas sei lá, estava tudo uma baderna.

Nem vejo Merle sigo direto para cama e acordo com o telefone tocando logo cedo, atendo irritado, só podia ser engano, ninguém ligava para mim e Merle só recebia telefonemas de seus amigos viciados que a essa hora estavam dormindo ou drogados demais para ligar.

−Daryl! Era a voz de Scott, eu trabalhava para ele na oficina há dois anos, era um cara razoável, não me enchia o saco e me deixava fazer meu trabalho em paz – Daryl, estou fechando a oficina e deixando a cidade! Ele dizia às pressas, eu ouvia uma confusão de vozes e gritos.

−O que aconteceu?

−Como assim, eles estão por todos os lugares, está tudo uma confusão, está tudo sendo saqueado, tem gente sendo atacada na rua, minha mulher e eu vamos para Atlanta, está todo mundo fugindo, quando isso acabar tem seu emprego de volta.

Ele desliga e passo a mão pelo rosto e bufo, mais essa, estou desempregado.

Quando chego na janela fico surpreso, um zumbi caminhava gemendo no meio da rua, pisco sem acreditar, ouço gritos e latidos, um tiro a distância, a tal doença tinha mesmo nos alcançado, acho que era melhor deixar tudo e seguir para outro lugar, pelo menos até essa merda acabar.

Merle estava na sala olhando pela janela quando me aproximo, ele me olha cínico.

−Essa merda vai feder muito ainda! Ele me diz – E ai qual vai ser?

−Vamos sair daqui, Scott me ligou, fechou a oficina e está seguindo para Atlanta!

−Estou sempre pronto para pegar a estrada e me divertir.

Merle estava drogado como de costume e tinha os olhos desfocados, mas era melhor aproveitar isso e sair de uma vez, ou ele acabaria desistindo dizendo que não era um covarde e me chamando de qualquer coisa ofensiva.

Junto roupas, pego minha besta e ponho nas costas, Merle tinha uma pistola e tínhamos um rifle de caça, recolhemos tudo, as barracas estavam na caminhonete, eu sempre estava pronto acostumado a me enfiar na floresta por dias, com Merle não era diferente.

Apronto o carro enquanto Merle organizava suas coisas na moto, eu sabia que ele não iria sem ela, batemos a porta e vejo um zumbi caminhando em nossa direção, fico parado ouvindo gritos de todos os lados, Merle pega a pistola e atira o zumbi cai na mesma hora.

−Tem que ser na cabeça! Ele diz rindo — Não era o dono da loja de ferragens, bem feito me chamou a polícia uma centena de vezes! Merle ri despreocupado, olho para ele e depois para casa de Jack, será que Mary estava bem, como seria para ela ficar no meio de toda essa confusão.

−Não acha que devia ir ver se o Jack está bem, se não pretende deixar essa merda? Eu pergunto.

−Você é uma bichinha delicada mesmo, porque não diz logo que quer saber da gostosa da Mary?

−Cala essa boca! Resmungo de mal humos, toda aquela porra a nossa volta e ele me enchendo o saco – Vamos até lá! Eu me decido entrando no carro e parando dois minutos depois na porta da casa velha e caindo aos pedaços com paredes descascadas e cheiro de mofo exatamente como a minha, Merle caminha ao meu lado e bato na porta, mais zumbis surgindo pelas ruas e gente saindo das casas gritando.

−Que porra Daryl, o mundo está acabando, vai ser educado agora! Merle grita e chuta a porta, eu já estava com a besta em punho e ele com a arma na mão, a porta arrebenta e vejo o corpo da mãe de Mary estendido no chão dilacerado, Jack estava de pé e caminhava com passos incertos para Mary que estava parada de pé num canto da sala, os olhos fixos nele, muda apenas esperando, olho aquilo confuso, ela não gritava, não tentava fugir, estava paralisada, ouço os gemidos de Jack a dez passos dela e então sem alternativa eu enfio uma flecha na cabeça dele que cai feito um saco de lixo, nunca matei um homem, não sei se posso dizer que é a primeira vez que faço isso, não sei se aquele ser de olhos amarelos e pele gosmenta e cinza pode ser chamado assim.

Mary continua estática, agora olhando para o corpo de Jack no chão.

−E ai, vamos embora ou vai pedir a garota em casamento irmãozinho? Merle me desperta.

Não posso deixar a garota ali, sozinha no meio daquele caos, com mortos-vivos por todos os lados, e em choque.

−Pegue umas roupas e vamos sair daqui! Eu digo e ela me olha, não esboça reação, olho pela janela, a confusão estava dominando o ambiente – Anda logo! Eu grito e ela pisca – Vai, é surda, pega suas coisas, garota maluca! Ela simplesmente me obedece, sobe as escadas e Merle ri de mim, faz um ar de deboche e segue para cozinha, o amigo estava morto no meio da sala e ele parece não se importar.

Vou até ele que tirava um grande pedaço de carne do forno e não acredito no que estava fazendo.

−Experimente nunca comeu nada igual! Reviro os olhos, mas ele estava certo tudo estava uma confusão e começo a remexer armários e prateleira, pego algumas latas e potes e enfio numa mochila jogada no chão e levo junto um pacote de garrafas de água.

Jogo no carro e volto para dentro, Merle ainda comia o assado com a boca suja e a cara despreocupada de quem está de férias, Mary surge na porta trazia uma mochila nas costas e os cabelos estavam presos num rabo no alto da cabeça, ela ainda não tinha dito uma palavra.

Em silencio pega um pote e coloca a carne depois me olha sem saber o que fazer como se esperasse minhas ordens.

−Vamos! Eu chamo e saímos, quando chegamos do lado de fora ela paralisa na porta os olhos abertos sem acreditar na confusão, mais zumbis surgiam, entretidos em seguir as pessoas que apareciam, eu a puxo pelo braço impaciente, que ideia a minha de carregar aquele peso morto comigo – Entra na porra do carro! Grito quase atirando ela para dentro e dou a partida pegando a estrada.

Dirijo por duas horas no mais completo silencio, a moto de Merle hora sumindo na estrada, hora aparecendo, o sol estava insuportável e olho para Mary muda sentada ao meu lado, ela suava um pouco na testa usando por alguma razão estupida uma blusa de mangas compridas e calça jeans.

Então paramos com Merle a nossa frente quando a rodovia principal estava parada com carros e pessoas sem saber para que lado seguir.

Eu desço e ela continua imóvel, olho para Merle parado sobre a moto, a estrada tomada por carros e confusão.

−Vamos dar um tempo aqui, ver que merda está rolando! Ele diz e eu concordo, olho para Mary e falo sinal para ela descer, mais uma vez ela obedece muda e se encosta no carro um pouco distante de mim.

Um trailer para logo atrás e um velho de barba branca e duas louras gostosas descem, as pessoas conversavam umas com as outras faziam amizade, eu tinha a besta nas costas, não estava disposto a ser pego de surpresa.

Mais de uma hora se passa e o transito continua parado, pego água no carro estendo uma garrafa para Mary que aceita, uma garotinha nos olha e Mary oferece a agua, a criança pega com um sorriso tímido que Mary não corresponde, entrego outra garrafa para Mary, Merle me olha atravessado, com cara de quem não está interessado em fazer caridade.

Um grupo se afasta para saber o que afinal estava acontecendo, voltam quase duas horas depois, eu estava sentado no capo do carro, Merle dormia dentro dele e Mary continuava no mesmo lugar.

−Atlanta já era! Um homem acompanhado de uma morena muito bonita avisa – Estão bombardeando tudo, não sei o que aconteceu, mas parece que estão todos tentando sair de lá! As pessoas a nossa volta começam a se assustar uma grande confusão dá início e Merle desce do carro de mal humor.

−Vamos embora daqui Daryl, chega dessa merda, estamos parados a horas, sem direção.

−Pensei em irmos para pedreira, podemos montar as barracas caçar e pescar no lago, é alto o bastante para esses zumbis não nos alcançarem e podemos esperar darem um jeito nessa merda de epidemia.

Merle me olha pensativo, sua expressão distante, ele olha para Mary se perguntando o que fazer, eu não pretendia deixar a garota para trás, se tinha tirado ela da boca faminta de Jack não a deixaria no meio do caminho.

−Parece que o bebezinho pensa de vez em quando, é o melhor, vamos chegamos antes do anoitecer! O homem que tinha se afastado para descobrir o que estava havendo e o velho se aproximam.

−Ouvimos o que disseram, acha que podemos formar um grupo e seguir com vocês? O velho pergunta – Meu nome é Dale, aquelas são Andrea e Amy, nos encontramos no meio dessa confusão.

−Sou Shane, eu concordo, podemos seguir juntos quanto mais gente mais seguro! Ela avisa e acho a ideia péssima pretendia recusar mas Merle abre um largo sorriso que eu conhecia muito bem, ele tinha planos eu penso.

−Vocês tem razão, vamos juntos! Ele diz e me olha, fico calado, olho para Mary, aquele silencio já estava me irritando.

−Vamos Mary! Eu chamo e vejo um lampejo de algo em seus olhos quando pronuncio seu nome, o que ela achava que eu não a conhecia, que garota idiota, era linda e eu não conseguia ficar muito tempo sem olhar para ela, mas era meio esquisita mesmo como meu irmão costumava dizer.

Pegamos a estrada, um grupo razoável, meia dúzia de carros, alguns que eu nem tinha notado a nossa volta, vamos ver quanto tempo duraria essa história de amiguinhos se ajudando no meio dessa encrenca toda.

Notas finais
Espero que tenham gostado da introdução, comentem.
obrigada!!