Apocalipse - A Era Dos Mortos
58 Capitulo Bônus - Parte 3
Notas iniciais
Pov – Mary
Acordo sem saber onde estou, cada milímetro do meu corpo dói, a cabeça está confusa, me encolho sem abrir os olhos, ele vai voltar e vai continuar e dessa vez eu não sei se posso aguentar.
Então a mente começa a clarear e me lembro de ouvir barulho, confusão e então Daryl estava comigo e me carregava para longe, me tirando para sempre de perto do monstro, eu só posso ter sonhado com isso penso abatida, quero abrir os olhos, mas minha cabeça dói e não tem nada para ver, não sei o que é sonho e o que é verdade e juntando forças abro os olhos para tentar descobrir.
Não reconheço onde estou, nunca estive nesse ambiente, pisco e tento me mexer tudo dói e desisto.
−Mary? Meu Deus é a voz dele, não foi sonho ele me salvou, me viro devagar e lá está Daryl e seus olhos azuis a me fitar preocupado – Oi! Ele tenta sorrir.
−Pensei que era um sonho!
−Não é, como se sente? Ele se aproxima – Posso levar você a um hospital se quiser.
−Eu prefiro ficar aqui! Aviso envergonhada, agora ele sabe de tudo, me cubro tentando esconder o máximo meu corpo.
−Temos uma vizinha a senhora Richard, nem sabia que ela existia, mas a mulher é maluca está lá em baixo, fez uma sopa para você e está disposta a ajudá-la a tomar um banho, cuidar das feridas, posso chama-la aqui?
Fico emocionada e concordo, ele se afasta.
−Vai trabalhar? As coisas começam a clarear na minha cabeça, Jack vem atrás de mim eu sei que sim.
−Hoje não! Ele me diz – Está segura Mary, eu estou aqui e meu irmão está na sala, não tenha medo.
A mulher é muito gentil, não faz perguntas, apenas me ajuda, tomo banho e visto uma roupa confortável, ela me ajuda a limpar o machucado no canto da boca, o rosto está vermelho e inchado ainda, mas depois ela coloca gelo e desincha, tenho alguns arranhões pelo corpo, e sei que virão mais manchas roxas para coleção, mas que diferença faz?
Depois ela me ajuda a tomar a sopa, me dá na boca porque me sinto tão fraca que não consigo comer sozinha.
−Eu não sabia que ele era tão bom! Ela me diz quando termina de me obrigar a comer a última colherada – Vai cuidar bem de você e se precisar pode contar comigo, a muito tempo rezo para alguém fazer o que ele fez.
−Eu também! Digo num fio de voz os olhos marejados, pela vergonha de quem eu sou e a gratidão pelo que ela diz.
−Tem mais lá para você comer mais tarde, se precisar é só me chamar, aquele outro também não é ruim, mal educado e grosso, mas ajudou o irmão.
−Obrigada! Eu digo sem forçar para conversar.
−Durma, coma e se recupere! Ela sorri e me deixa, fico grata, por ela me ajudar e por me deixar, ela é do tipo que fala tocando e cada vez que me tocava eu tinha vontade de fugir.
Uns minutos depois Daryl entra, ele me sorri e fico corada, estou sentada na cama, me dou conta de que estou horrível. Ele fica me olhando uns minutos sem dizer nada.
−Parece melhor!
−Obrigada! Agradeço por tudo e meus olhos ficam de novo marejados – Nunca vou poder agradecer o que fez, eu sinto muito, não queria...
−Está tudo bem, não precisamos falar sobre nada disso agora, apenas fique bem, comprei uns analgésicos, e o Merle alugou uns filmes, mas é o Merle, sabe como é, trouxe dois filmes de zumbis.
Eu sorrio por entre as lágrimas, porque ele está sendo tão bom, porque foi me salvar, porque me trouxe para sua casa?
−Gosto desses filmes, não tenho medo, se fossem fantasmas eu teria, mas zumbis não existem então tudo bem.
−E fantasmas existem? Ele brinca.
−Prefiro não duvidar! Ele ri com gosto e liga a TV e o DVD, coloca o filme depois de me dar um comprimido para dor.
−Vai assistir comigo? É um pedido e fico corada por ter tido coragem de pedir a ele.
−Não pretendo perder sua cara de susto quando aqueles mortos-vivos dominarem a terra?
O filme é um tanto assustador tenho que admitir, mas nada que me faça correr de medo, e agradeço a Merle mentalmente por ter escolhido algo assim, se tivesse trazido um romance ou um drama eu teria me derretido em lágrimas.
Estou quase fechando os olhos de sono quando o filme acaba e Daryl desliga o dvd sem esconder a decepção.
−Nem um gritinho de pavor! Ele brinca – Que coisa, Merle vai se decepcionar quando disser a ele.
O dia tinha acabo eu percebo pela pouca luz que entrava pela janela, dois filmes de zumbi numa tarde ao lado de Daryl e seus comentários engraçados de como a besta seria útil num apocalipse.
−Daryl o que eu vou fazer agora? Eu pergunto quando minha realidade me domina de novo.
−Comer sopa, antes que meu irmão acabe com ela e depois dormir.
−Mas...
−Uma coisa de cada vez! Ele me diz – Vou buscar sua comida.
Depois de comer fico olhando para ele recolher meu prato, e descer tenho medo de ficar sozinha os pesadelos dessa vez serão um inferno eu penso, mas então ele volta, abre o armário e pega travesseiros e uma coberta.
−Descanse está bem?
−Onde vai? Pergunto preocupada.
−Para o sofá, vou ficar bem...
−Não, eu vou! Me levanto e fico tonta, Daryl me ampara e ficamos nos olhando um instante, nunca sinto nada ruim quando estou em seus braços.
−Vai é se deitar e ficar quieta.
−Se dormir vou ter pesadelos então pode ficar com sua cama, eu fico aqui quietinha no canto não te incomodo, prometo.
Ele me olha um instante.
−Posso ficar Mary, mas só se concordar em dormir, já dividimos uma barraca e era menor que essa cama então por mim tudo bem, mas precisa dormir.
−Eu concordo! Concordaria com qualquer coisa para não ficar sem ele.
Daryl se deita ao meu lado, eu me encolho para não incomodar ele, mas fico olhando seu rosto que me dá tanta tranquilidade.
−Vai trabalhar amanhã? Pergunto com medo.
−Sim, mas o Merle vai ficar em casa, não precisa ficar com medo.
−Ele sabe?
−Sim, eu vou avisar que está doente lá no seu trabalho e sua amiga Maggie quer falar com você vou deixar recado para ela vir vê-la.
−Ela pode vir aqui na sua casa? Eu sorrio feliz com a chance de poder conversar com minha única amiga.
Gosto de Maggie, eu a conheci quando ela foi fazer compras para a fazenda do pai, ela gosta de conversar e foi a única a conseguir me arrancar mais do que palavras educadas de uma atendente, depois disso de vez em quando vinha na loja no fim do dia conversava um pouco caminhava comigo uma parte do caminho para casa, sempre quis convidar Maggie para um café, queria agradecer a gentileza com que sempre me tratou, mas nunca pude fazer isso, e agora que estou aqui que todos sabem o que se passa comigo preciso de alguém com quem possa desabafar, me sinto confusa e quero conselhos, Maggie podia me ajudar, quem sabe.
−Claro que sim! Ele me responde tranquilo, eu sito meus olhos pesados.
Acordo apenas na manhã seguinte, uma sensação de paz, sinto os braços de Daryl me envolverem, ele respira na minha nuca e está todo enrolado em mim, aquilo é de longe a melhor coisa que já senti, mas estou com medo, um medo maluco de ele querer mais quando acordar ao mesmo tempo que quero aproveitar aquela sensação de proteção. É bom dormir assim de conchinha.
Me dou conta que não tive pesadelos, foi a primeira vez que dormi uma noite inteira, queria que ele acordasse para contar a ele, por outro lado quero aproveitar mais um pouco esse momento e fico imóvel.
Daryl se mexe, me envolve mais, suspira e depois salta da cama, quase caio com o movimento brusco.
−Merda! Ele diz muito bravo, andava de um lado para outro – Merda, eu... Droga, que merda, eu... Não pretendia, porcaria, Mary desculpe está bem, eu.. – Ele passa as mãos pelos cabelos – Não pretendia de modo algum tocar em você, sinto muito, foi involuntário, desculpe, eu sou um retardado mesmo estava...
É claro que ele não queria me tocar, eu penso magoada, quem iria querer.
−Está tudo bem, não fez nada demais, não se preocupe! Eu respondo desesperada para não chorar na frente dele, estava adorando estar em seus braços e ele odiando, deve ter achado que eu era outra pessoa, fico sentada na cama olhando para minhas mãos.
−Vou me aprontar para o trabalho, fique na cama, nada de tentar se levantar, meu irmão está lá em baixo, diz bobagens o dia todo, mas pode confiar nele.
Daryl dizia tudo enquanto abria gavetas e retirava roupas, solta mais uma meia dúzia de palavrões antes de deixar o quarto e um tempo depois escuto a moto sair.
Me levanto e depois de me aprontar caminho para fora do quarto e sigo até a beira da escada, minhas pernas estão doendo, tudo em mim dói, mas decido descer e assim que chego na sala Merle estava no sofá folheando um livro, eu nunca imaginei vê-lo assim, ele ergue os olhos quando me vê.
−De pé cunhadinha, é mesmo dura na queda! Ri com gosto – Você parece acabada, mas ainda bem que desceu, meu irmão me fez prometer te levar comida, água e sei lá mais quantas mil ordens aquele idiota achou que estava me dando.
−Desculpe! Eu digo, nem sei bem pelo que estou me desculpando, são tantas coisas a minha volta, me sinto confusa.
−Vai comer, depois vamos achar o que fazer, quem sabe jogar cartas.
Eu obedeço, a cozinha estava uma bagunça e depois de uma xícara de café eu começo a lavar a louça, não é a primeira vez que fico assim, completamente machucada, e nunca tive ninguém para cuidar de mim, e muito menos pude me dar ao luxo de ficar de cama, sinto muita dor enquanto lavo a louça, mas deixo a cozinha arrumada depois vou ao encontro de Merle.
−Fez um bom trabalho naquele lixo, está bem?
−Sim!
−Merle, o Daryl me disse uma vez que você nunca fica muito tempo... Não vai embora, vai?
−Não enquanto meu irmão estiver nessa encrenca, sabe que ele vem atrás de você assim que melhorar, meu irmão fez um belo estrago, mas Jack é um canalha bem barra pesada, vai ficar de pé de novo e vem te buscar.
Estou completamente tremula, eu sei que ele está certo e não tenho medo por mim, tenho medo pelos irmãos Dixon, os únicos que já fizeram algo por mim, mesmo com toda fama que carregam.
−Eu sei disso, acha que eu devo ir embora? Começo a chorar, mesmo sem querer chorar na frente de Merle.
−Não, meu irmão vai ficar puto se fizer isso, e damos conta do Jack, você fica, mas para de ser esquisita, esse mundo não tem espaço para os fracos, ergue essa cabeça e para de drama.
−Eu vou fazer alguma coisa para mudar! Não olho muito para ele, Merle me assusta.
−Começa agora! Ele fica de pé –Vem aqui! Fico sem entender o que ele quer – Anda esquisita, me acerta!
−O que?
−Escuta com atenção, se aquele infeliz colocar as mãos em você vai precisar lutar, a bichinha do meu irmão se acha um herói, mas vai acabar fazendo merda, então é bom que esteja pronta, espere ele chegar bem perto – Merle se aproxima muito de mim e fico tremendo – Quando ele estiver quase colado você dá uma joelhada!
−Uma...
−Exato, sem dó, ele vai estar distraído, você nunca reage, se fizer direito Jack vai ver estrelas e então é só correr, se tiver tempo arrebente o que tiver por perto na cabeça dele quando estiver se contorcendo, apague o cara.
−Obrigada! Eu digo sem muita esperança de ter coragem de fazer algo assim.
−Quando descobri já era grande, se soubesse antes...
−Eu sei! Ele parece querer se desculpar e fico grata, de todo modo não quero falar sobre isso com ele e mudo de assunto – Merle eu e o Daryl caçamos um cervo tem muita carne e queria fazer um assado, se lembra que sempre disse que ele gostaria de comer meu assado?
−Vai em frente!
−É que... se fizer uma lista, você pode ir ao mercado?
−Cunhadinha você só pode estar de brincadeira!
Merle reclama um caminhão, mas depois pega a lista as chaves da caminhonete que Daryl deixou para o caso de me sentir mal e Merle ter que me levar ao médico e me obriga a acompanha-lo, tem medo de me deixar sozinha e Jack aparecer, fico no carro porque estou horrível.
Passo a tarde cozinhando, nunca me senti tão feliz, quero agradar Daryl ver a cara dele quando experimentar minha comida, cuidar dele um pouco, uso o desengordurante que fiz Merle comprar para deixar tudo limpo e depois sigo para o quarto tomo banho me visto e desço, meu rosto estava muito melhor, só uma marca rosada muito leve, meu corpo também doía muito ainda, mas com dois comprimidos logo me sentiria bem, a moto para e meu coração começa a bater descontrolado, Merle está no sofá a casa está dominada pelo cheiro da carne no forno e tenho que me segurar para não correr para a porta quando o vejo entrar.
−Que faz na sala, não devia estar na cama? Ele diz nada gentil, meu coração dói um pouco – Que cheiro é esse?
Ele caminha para cozinha e quando vê tudo arrumado fica ainda mais furioso.
−Passou o dia cozinhando e limpando? Ele grita e me encolho – Não é minha empregada, não está aqui para isso, e se piorar, tinha que ter ficado na cama!
Me sinto uma completa idiota, sem saber o que fazer ou dizer, sempre faço tudo errado, mereço essa droga de vida que sempre tive, que tolice a minha achar que ele ficaria feliz, deve mesmo é estar louco para se ver livre do problema que arrumou quando me deu aquela carona, eu tento controlar a vontade de chorar, quase sinto falta do nó na garganta que ele desatou e agora qualquer coisa me deixa assim em lágrimas.
−Eu vou subir! É tudo que consigo dizer antes de dar as costas aos dois irmãos e subir para o quarto de Daryl.
Pov – Daryl
Eu tive um maldito dia infernal, o tempo todo preocupado com Mary, confuso com o modo como ela me faz sentir, sem esquecer do momento que entrei naquele maldito cativeiro e a encontrei ferida e assustada como um animalzinho.
Preocupado em deixar Mary com Merle, sabendo que aquele maldito vem atrás dela cedo ou tarde, tudo uma confusão na minha mente, quero ficar com ela, cuidar e proteger e nunca me senti assim, não consigo lidar com isso, tenho medo, ela é delicada e eu um completo estúpido, Mary merecia um cara mais preparado para isso, e sei que ela é no máximo grata, nada além disso, confia em mim, e o que faço?
Acordo enroscado nela, depois de tudo que ela passou nas mãos do maldito eu faço o que, me enrolo todo nela e acordo achando que dormi no paraíso, claro que ela vai querer dar o fora na primeira oportunidade e simplesmente não posso impedir. São tantas coisas na cabeça e quando chego em casa pensando em perguntar a Mary o que ela queria comer para comprar na rua, achando que estaria quietinha na cama vejo tudo arrumado e comida pronta como se ela me devesse alguma coisa, como se eu fosse aquele monstro estúpido que fazia Mary de escrava.
Claro que não precisava gritar, não sou idiota, sei disso, mas sou impulsivo e quando vi já tinha feito tudo que não queria fazer, agora ela subiu magoada e Merle está me encarando como se eu fosse um grande imbecil.
−O que é?
−Você é meio ridículo sabia? Merle reclama – Eu vou te dizer uma coisa, infringiu a única regra que tinha, colocar uma garota em sua cama, mas já que fez isso e acho que é um molenga e não vai nunca mandar a garota embora então faça o que é certo e trate ela com respeito! Era mesmo Merle me dizendo isso? Me pergunto sem acreditar.
−Cuida da sua vida Merle! Me defendo.
−Podem me acusar de tudo, mas sempre trato mulher com respeito, só grito se ela pedir! Ele ri – Mary nunca vai pedir isso!
−Agora é Mary? Reclamo sem me controlar.
−Otário! Ele me acusa – Eu vou te contar uma coisa, a esquisita, se prefere assim, sempre me ouviu dizer que você adoraria o assado que ela faz, mas você é um estupido, isso foi uma dessas frescuras de mulher que quer agradar seu homem, imbecil! Ele consegue me deixar ainda mais culpado.
−Eu...
−Olha aqui, ela me fez fazer compras no mercado com uma listinha na mão feito uma bichinha cozinheira só para te agradar e você faz isso?
−Vou consertar! Me rendo.
−Faça o que quiser, eu vou comer aquele assado e me mandar estou de saco cheio de ser babá da sua mulher.
Olho a escada com medo, subo lá e digo o que? Respiro fundo e caminho devagar, abro a porta e Mary está encolhida na cama.
Ela se levanta quando entra, acho que sente um pouco de medo de mim, isso me dói, nunca mais vou fazer ela se sentir assim.
−Não queria gritar! Paro diante dela – Sou um imbecil, só fiquei preocupado com você.
Acho que disse algo errado por que ela começa a chorar, dou uma passo e paro diante dela.
−Pensei que estava bravo, não sabia que estava preocupado, ninguém nunca...
−Eu sei, acabo de tomar uma bronca do maior ogro do planeta, então acho que fiz uma besteira sem tamanho.
−Tudo bem, eu faço isso, irrito as pessoas.
−Está errada, é delica não irrita ninguém! Eu fico olhando para aqueles lindos olhos dourados, dois potes de mel, que estão me olhando de um jeito que me deixa completamente hipnotizado, não sei como minha mão foi parar em sua cintura, nem porque a outra descansa em sua nuca, não tenho a menor ideia de como cheguei tão perto e é só um movimento, apenas isso e posso sentir seu gosto, não penso em nada.
Quando me dou conta estou beijando Mary, sentindo cada parte do meu corpo reagir de um jeito que nem sabia que existia, ela corresponde, suas mãos estão apoiadas no meu peito, mas ela não se move, só corresponde ao beijo, os lábios doces, dão espaço para minha língua e então trago Mary mais para perto.
Mas me dou conta que é Mary, que não posso e me afasto depressa, ela me olha sem entender o que se passa.
−Desculpe Mary não queria beijar você! Eu digo e ela me olha decepcionada.
−Não! Diz confusa – Eu queria, ninguém nunca me beijou e eu... Eu queria que fosse você.
−Mary não precisa mentir, eu sei que você e o Jack.
Deus corte minha língua antes que acabe com tudo, ela e Jack? Não acredito que disse isso, chamei a garota de mentirosa e ainda coloquei tudo de uma forma como se ela e o maldito fossem algo, Mary está com os olhos marejados, me olha magoada.
−Então é isso, claro que nunca iria querer me beijar, sou só o brinquedinho do Jack, quem iria querer me beijar, posso dizer que ele fez muitas coisas, mas ninguém nunca chegou perto dos meus lábios, e eu queria que fosse... Não menti!
Ela se afasta de mim, caminha meio atordoada para porta e me sinto um completo palhaço, foi o primeiro beijo da garota, eu além de dizer que não queria ainda a chamei de mentirosa.
Corro até ela impedindo Mary de sair.
−Me escuta, fiz tudo errado, não entendeu, eu queria beijar você, faz tempo que queria, mas não queria que fosse assim, não queria te forçar... Eu acredito em você.
−Queria me beijar?
−Muito! É melhor admitir de uma vez – Há muito tempo, mas você não gosta que toquem em você.
−Gosto quando toca em mim, não sei porque, mas com você é diferente.
Eu me aproximo de novo dela, ela não se importa que toque nela e então faço um carinho em seu rosto, ainda marcado, ela me olha profundamente, e de novo beijo Mary, e acho que agora nunca mais vou conseguir parar de fazer isso.
−Você é tão linda! Digo quando nos afastamos um pouco.
−Não quero ser bonita! Ela me diz um pouco triste, posso entender isso, depois de tudo que viveu por conta da beleza.
−Nesse caso posso confessar, se lembra dos zumbis que vimos no filme? Ela faz que sim – Você é mais feia que a maior parte deles, assustadora, uma bruxa!
−Uma Bruxa?
−Sim, com verruga e tudo! Eu beijo Mary mais uma vez, ela corresponde, seus lábios tão delicados são meus, gosto de saber disso, que ninguém nunca vai saber como é o gosto do beijo de Mary – Vamos, quero experimentar esse assado que meu irmão fala tanto! Eu a ajudo a descer as escadas, estamos sozinhos, ela me serve e sinto que está feliz, só isso me importa, fico procurando um nome para o que sinto e tudo parece tão grande e definitivo que me assusta.
Ela cozinha mesmo muito bem, e depois do jantar caminho com Mary para o sofá, ela se aconchega em meus braços, eu a beijo mais uma vez.
−Sua amiga Maggie vem te visitar no sábado.
−Vou voltar para o trabalho amanhã, já me sinto melhor! Não quero que faça isso, mas a verdade é que lá eu fico mais tranquilo, não sei quanto tempo posso confiar a segurança de Mary a meu irmão.
−Tudo bem Bruxa! Ela sorri quando a chamo assim – Vamos juntos e voltamos, assim fica segura e estamos perto.
−As pessoas comentam coisas sabe, e eu... Pensam que sou sua garota e não sei o que dizer, agora que estou aqui vão só falar mais, eu tento desmentir, mas ninguém acredita muito. Acha ruim, quer dizer, eu não quero que pense que sou eu que fica falando para as pessoas...
−Eu também penso! Quero Mary comigo e acho que é melhor deixar isso claro de uma vez, para ela e para o resto, Mary é linda e se um idiota tentar alguma coisa quero ter o direito de quebrar a cara do infeliz.
−Você o que?
−Eu também penso que é minha garota! Ela pisca incrédula – Quer ser minha garota? Fico me sentindo ridículo, nunca na vida fiz isso, pedir uma garota em namoro e pior ficar torcendo feito um completo tolo para ouvir um sim.
−Eu quero, mas tem certeza eu....
−É perfeita! Não quero que se diminua – E é minha agora! Beijo Mary, um longo beijo e então eu compreendo, amo Mary, essa é a verdade, amo Mary e quero dizer a ela, mas não consigo e se não consigo colocar em palavras posso demonstrar e ela talvez perceba.
−Daryl! Mary me diz quando nos afastamos – Eu tenho medo, gosto quando me beija e toca em mim, mas tenho medo do resto.
−Não tem mais nada, é só isso Mary, e vai ser sempre até que esteja pronta e me diga todas as palavras.
−Palavras? Ela me pergunta sem entender, ainda está em meus braços, não sou um cara romântico, nunca fui, mas Mary precisa que seja o mais delicado que possa, e se quero ter essa garota em minha vida preciso aprender.
−Daryl quero que faça amor comigo! Ela me olha espantada, eu mesmo me sinto um pouco assim, pelo que disse e principalmente por que gostei de dizer – Isso mesmo, até lá vamos descobrindo as coisas que Mary gosta.
Eu volto a beijar Mary, minha garota, ela corresponde e agora parece relaxar, isso é bom porque quero Mary, mas posso esperar, posso esperar para sempre, esperei a vida toda por ela.
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