Apocalipse - A Era Dos Mortos

80 Capitulo 80 - Encontro


Notas iniciais
Olá pessoas, espero que estejam bem, mais um capitulo.

Pov – Daryl

Mary adormece logo depois de Scott, fico de guarda sentado no banco da frente olhando para lugar nenhum e pensando como seria esse tal Terminus, talvez ela estivesse certa sobre os outros sobreviventes terem seguido para lá.

Arthur está vivo, outros poderiam estar, meus irmãos do apocalipse com quem vivi todo tipo de luta, queria poder reuni-los de novo, seria bom para Scott e Mary, e seria bom para mim também.

Mary acorda no meio da noite, sorri para mim, se estica no banco, boceja e passa a mão pelo rosto.

─Agora você dorme, eu faço a vigia.

Tento protestar, mas ela não aceita e no fundo eu realmente preciso de umas horas de sono seguro, minha mente já não funciona como deveria, os meses seguros na prisão nos desacostumou da vida na rua, da fome e do medo de ser devorados.

─Certo bruxa! Adormeço quase que imediatamente, eu não aguentaria mesmo mais muito tempo.

─O papai que me deu, ele achou a gente e deu o fleme! Escuto a voz suave de Scott.

─Foi mesmo!

─A gente vai morar no carro! Ele diz e escuto um som de beijo estalado – É mamãe, aqui, chega de andar lá fora com os bichos.

Abro os olhos e meu sorvetinho está no colo de Mary, ele me olha atento, me arrumo no carro, é dia, na verdade é dia alto já, dormi por horas, meu corpo dói, mas me sinto refeito.

─Acordou! Scott constata – Eu também já acordei.

─E acordou bem falante pelo visto.

─É! Ele diz vindo para meu colo, sempre acho estranho quando ele faz coisas assim, demonstra seu afeto por mim, troca os braços de Mary pelos meus, parece alguma piada, quem poderia me preferir, por um instante que fosse se pode estar com Mary.

─Temos que ir sorvetinho.

─AH! Ele reclama, posso entender que está cansado e que por alguma razão se sente seguro aqui, mas ele precisa de um lar, e não, esse galpão não é um lar para meu filho, mesmo na era dos mortos acho que deve haver um lugar onde meu pequeno possa ter um mínimo de segurança.

─Vai ser legal, vamos caminhar nos trilhos e achar uma casa bem grande para morar, quer?

─Quero! Ele diz mudando de ideia.

Não arrumamos e deixamos o galpão, eu o fecho bem, quem sabe se um dia não precisamos voltar, parece seguro para um momento de desespero.

Pegamos os trilhos, no meio do dia consigo um coelho e Mary o prepara num fogo baixo na floresta, encontro água e nos sentamos para comer.

─Eles estão bem perto não acha, notei umas pegadas, acho que nos aproximamos demais! Mary me diz enquanto serve Scott, o sorvetinho, eu acabo de descobrir, adora carne de coelho, e gosto de vê-lo comer, não é muito, não chegamos nem perto de ficarmos alimentados, mas não falta nada para ele, pelo menos não ainda, está corado, tranquilo e interessado em tudo a sua volta, os zumbis não chegam a nos incomodar, ainda não encontramos nada que nos tenha feito correr ou lutar, ao menos não ainda, isso parece até algum tipo de proteção divina, temos sob nossa proteção um bebê, lutar com zumbis com ele por perto seria um grande problema.

─Vamos comer e seguir viagem, mais um dia e acho que chegamos a esse Terminus.

─Será que tem alguém lá?

─Quem sabe? Respondo e nos erguemos, mal comemos, e ainda guardamos uma parte para Scott comer mais tarde, temos mais duas latas de pêssegos e uma de sopa, ele está seguro até terminus.

Decidimos não parar á noite, não acho prudente, continuamos seguindo em frente, silenciosos, nos afastamos um pouco dos trilhos por medo de encontrar com o grupo de Arthur, quem sabe acampando no caminho, vamos por uma estrada próxima.

Diminuo o passo quando noto sons a nossa frente, puxo Mary para floresta podem ser zumbis, ou podem ser os amigos de Arthur, nos dois casos não quero arriscar, principalmente à noite.

Caminhamos devagar, Mary com Scott no colo, eu levo a besta armada, depois de uns metros paramos, um carro está na estrada, tem pessoas reunidas, noto que é o grupo de Arthur, as roupas e o comportamento não deixam dúvidas.

Eles parecem ter reféns ou algo assim, forço a visão, Arthur toma um soco depois de pedir que deixassem as pessoas irem embora, um homem abre a porta do carro, retirando o que parece ser um garoto e então tudo acontece muito rápido, o garoto é Carl, Rick e Michonne são os reféns, uma confusão começa e não posso deixá-los ali, são minha família.

Arthur está apanhando, o homem derruba Carl e sei o que pretende, não enquanto um de nós estiver de pé.

─Fica aqui! Digo a Mary que apertava Scott impedindo que ele assistisse o que estava acontecendo.

Mary me olha assustada, eu a amo, mas não poderia carregar a culpa de não ter feito nada, me aproximo a tempo de ver Rick ultrapassar todos os limites, preso pelos braços do homem, ele morde seu pescoço, não é naquele momento mais que um zumbi ao mesmo tempo que demonstra naquele gesto o quão distante está disso, faz pelo desejo cego de proteger o filho, conheço isso, ele cospe e o sangue espirra em todas as direções, aproveito o momento e acerto uma flecha no homem que apontava a arma para Michonne, ela não hesita, pega a arma que era apontada para ela e atira em um dos caras que batia em Arthur, eu acerto o outro.

O nojento que tentava molestar Carl se ergue trazendo com ele o garoto que se debatia assustado, ele tinha uma faca em seu pescoço.

Todos nós apontamos nossas armas.

─Se afastem! Ele diz olhando para todos, sabe que não tem saída.

Firmo minha mira, vou enfiar uma flecha no olho daquele infeliz e ele nem mesmo vai saber o que aconteceu.

─Ele é meu! Rick diz irreconhecível, caminha com passo firme, o homem solta Carl tentando se render, o menino corre para os braços de Michonne que o acolhe protetora, Rick não desvia um milímetro de seu objetivo, está fora de si quando a primeira faca atravessa a barriga do homem que ousou se aproximar de seu filho, a faca sobe cortando o homem abrindo suas entranhas num show grotesco, e então ele fica ali, numa sucessão de golpes que deixa a todos sem ação até que esgotado ele cai ao lado do corpo, está em choque, ficamos um instante paralisados, todos nós.

Não sei mais quem somos, até onde podemos ir, não sei mais do que somos capazes, o quão diferentes somos do Governador ou desses homens mortos a nossa volta, não sei mais se somos de algum modo diferentes dos zumbis que caminham sem destino em busca de nossa carne, morremos todos quando o mundo acabou, somos apenas um arremedo do que éramos, são apenas os laços que criamos que nos afastam dos zumbis.

Mary se aproxima e Carl olha para ela, seus olhos brilham e os dois se abraçam numa longa crise de choro, construíram uma amizade bonita, passaram juntos por coisas que ninguém pode entender.

Sei que choram de alegria por estarem de novo juntos, mas também pelo que perderam, Pego Scott no colo, Rick está encostado no carro, parece fora de si, ninguém se aproxima dele.

Passado o primeiro momento começamos a fazer o que é preciso, retiro os corpos da estrada para longe do carro, Michonne e Mary me ajudam enquanto Carl fica no carro com Scott, recolho todos os pertences dos homens que atacaram Rick.

Só então noto Arthur um pouco mais distante, ele está bastante ferido e parece confuso, como se não soubesse se é bem-vindo, me aproximo.

─Rick vai agradecer quando estiver em condições! Aviso me sentando a seu lado – Está bem?

─Não sabia que fariam algo assim, tentei sair, mas percebi que eles não me deixariam simplesmente ir embora, fui ficando, sai da prisão com a Beth, depois de um tempo ela foi sequestrada, cruzei esses caras, achei que em um grupo tinha mais chances de procura-la, eles estavam atrás de um grupo e eu pensei que talvez ela pudesse estar nesse grupo, então acabei ficando com eles, foi quando do nada eles decidiram atacar e quando vi era o Rick, tentei convence-los, se soubesse quem eram do que eram capazes...

─Está tudo bem Arthur, ninguém está culpando você, deu sua vida por eles, fique bem.

─Vou ficar, mas não vou desistir da Beth!

─Não vamos, agora descanse um pouco, vou conseguir agua e você fica de vigia enquanto isso, aproveita e recolhe tudo de valor e as armas que aqueles idiotas tinham, vamos levar tudo para esse tal de Terminus.

Deixo Arthur, caminho até Mary, ela seca a testa, me sorri feliz por estar de novo com o grupo.

─No fundo está feliz não é bruxa?

─Muito! Ela diz me abraçando.

─Já vai amanhecer, deita lá no carro com a Michonne e os meninos – Olho para Rick – Vou conversar com o Rick e depois quando amanhecer vamos seguir para Terminus, o sorvetinho deve estar querendo você.

─Está bem amor! Ela se encosta em mim um instante – Foi tão assustador.

─Eu sei, mas estamos todos bem – Olho para Rick imóvel – Ou quase!

Mary me beija de leve e segue para o carro, eu ajudo Arthur com os pertences dos caras, ele vai contando sobre os códigos que tinham, mas nem precisaria, eu conheço aquela gente, vive com gente como eles por toda minha vida.

Me sinto aliviado por não ter me precipitado, se eles tivessem visto Mary, depois do que tentaram fazer com Carl eu nem sei o que seria, acho que estaríamos todos mortos agora.

Está tudo pronto, Arthur se estica um pouco no capô do carro, Mary, Michonne e os dois meninos estão dormindo dentro do carro e com isso é hora de uma conversa com Rick, pego uma garrafa de água e meu lenço me aproximo dele oferecendo o pano.

─Devíamos deixar para beber.

─Você não pode se ver mas ele pode! Ele entende que não era bom Carl vê-lo naquele estado, coberto de sangue e com o olhar perdido, me sento a seu lado.

─Mary queria procurar por vocês, eu não, simplesmente desisti.

─Pensou no seu filho!

─E só nele, ficamos sozinhos e não sabia, não tinha ideia do que estava acontecendo, só queria mais um dia, foi...

─Daryl eu não procurei por ninguém, está tudo bem, está aqui agora, estamos juntos de novo! Rick me diz e isso de algum modo diminui um pouco a culpa que sinto por ter simplesmente desistido de todos – Você é meu irmão.

─O que você... Qualquer um faria, fez o que era preciso.

─Não, eu... aquilo foi... Viu o que fiz como Tyresse, só estou aqui pelo meu filho, tudo que importa é protege-lo.

─Eu sei, vamos seguir em frente agora, somos fortes de novo, vamos nos reerguer, se Terminus não for um bom lugar achamos outro! Rick sorri.

─É bom te ver otimista! Ele diz e ficamos de pé.

Rick termina de se limpar, acordamos o grupo e pegamos os trilhos mais uma vez, vai ser um longo dia de caminhada até Terminus.

Enquanto caminhamos vamos contando as coisas que passamos desde que a prisão caiu, encaixando as histórias, e chegamos à conclusão que é possível que outros podem ter conseguido, ao menos mais alguém.

O paradeiro de Beth é algo que preocupa a todos, não gosto muito de pensar quem a pegou e o que afinal fizeram com ela, depois de ver o que o grupo do tal Joe fez, me dá medo só de pensar.

Paramos no meio do dia, dividimos o que tínhamos de comida, Carl está completamente silencioso, Arthur também.

Ele está apaixonado e não se conforma, só aceitou seguir para terminus quando garantimos que se Beth não estivesse lá ajudaríamos ele em sua busca.

Chegamos próximos a um túnel, não é boa ideia seguir por ele, os zumbis ainda são nosso maior problema, ninguém está em seu estado físico perfeito e não é hora de arriscar, vamos por dentro da floresta, assim que o prédio surge paramos mais distantes, é hora de tomar decisões.

─Vamos nos dividir e olhar por ai, não é seguro entrar sem saber o que nos espera.

Concordo com Rick, então vamos em duplas, depois de umas voltas nos reunimos mais uma vez.

─Sem guardas, sem trancas, seguro demais, não gosto disso.

─Nem eu! Rick concorda comigo.

─Mary você vai ficar aqui fora com Scott, Arthur e as armas.

─Daryl... – Ela tenta protestar.

─Bruxa não vamos arriscar entrar ai com o Scott, nem com todas as nossas armas, se algo der errado...

─Se algo der errado não vou seguir em frente sem você, acha que posso simplesmente ir embora com o Arthur? Ela tem os olhos marejados.

─Mary acho que o Daryl está certo, é bom ter uma retaguarda, você e Arthur são fortes, podem de algum modo nos ajudar e é bom garantir, se tudo for mesmo seguro o Daryl vem te buscar, se nos metermos em encrencas temos vocês dois para nos salvar.

O plano de Rick é bom, ela acaba aceitando, levamos os três para longe, armamos arames para proteção, presos em latas para o barulho avisar da aproximação de zumbis.

Ela fica no centro com Arthur e Scott, agora tem uma mochila de armas e se eu não voltar com certeza ela vai seguir em frente com Scott.

─Daryl eu não consigo sem você, mesmo com o Arthur, mesmo com o sorvetinho, eu não posso.

─Eu vou voltar aqui e pegar você, nós fizemos nossa escolha, ele é nossa escolha e temos que fazer o que for preciso.

Ela começa a chorar, eu puxo Mary para meus braços, não tenho a menor convicção que vou vê-la de novo, beijo seus lábios, nem me importo com quem está conosco, apenas a envolvo num longo beijo, ela se entrega, sinto suas lagrimas molharem meu rosto quando a aperto junto a mim, quero que guarde com ela esse momento, de algum modo ela sabe que é uma despedida.

Depois me afasto dela e pego Scott no colo, o tempo todo ele aperta o cavalinho na mão, sorri para mim completamente inocente.

─Cuida da mamãe! Eu digo a ele que sorri concordando.

─Papai vai embora? Meu coração se aperta, beijo sua bochecha, ele me abraça – Fica papai!

─Eu não demoro, fica bonzinho.

─Vamos! Rick me chama, dou mais um abraço em meu filho, coloco ele no chão, beijo os lábios de Mary mais uma vez e sem pensar muito dou as costas a todos, é melhor ir de uma vez ou não terei forças.

Caminhamos em silencio em direção as grades, pulamos para dentro e a cada segundo acho mais estranho que ninguém apareça, o lugar não pode estar assim tão vazio, vamos invadindo o lugar.

Ouço a voz que um dia ouvimos no rádio, entramos num grande galpão, algumas pessoas pareciam trabalhar, homens e mulheres, todos parecendo em ótimas condições, eles nos olham, estão espantados embora disfarcem bem.

─Vieram nos roubar? O homem que possivelmente é o líder pergunta.

─Não! Rick diz firme.

Paramos todos lado a lado, sinto que algo parece errado, acho que não sou o único, estamos todos em alerta total, penso em Mary na floresta com meu sorvetinho, só torço para poder estar com eles de novo, terminus é um risco, mas também uma chance, não posso deixar de dar a eles essa chance, são tudo que tenho.

Notas finais
Gostaram? Eu decidi realmente terminar a fic, então teremos mais pissivelmente dois capitulos, no próximo as coisas em terminos vão esquentar. claro que não posso seguir a série e vou fazer minha versão de Terminus. Comentem para me dizer o que acharam. beijos e obrigada.