Apocalipse - A Era Dos Mortos
78 Capitulo 78 - Separação
Notas iniciais
Pov – Arthur
Na primeira hora de caminhada pelos trilhos ficamos absolutamente silenciosos, Beth está abatida, mas ainda assim esperançosa, ninguém é mais otimista que Beth, estou sozinho a muito tempo, me acostumei e quando cheguei ao grupo da prisão não fiz muito esforço para ser diferente.
Me lembro de Daryl questionando meus motivos para sair, se entendia que precisava voltar, mas acho que naquele momento ainda me sentia em casa e não me importava se voltaria vivo ou não.
Mas então tinha Beth e ela é tão doce que quando me dei conta já estava envolvido, mas ela me afastou se envolveu com Zack e nem posso dizer que achei ruim, na verdade achei que era o melhor, quanto menos se tem, menos se perde, ficamos longe um do outro por queríamos demais estar perto.
Acontece que tudo mudou, do dia para noite tudo mudou, Zack morreu a infecção se espalhou e o tal governador destruiu tudo e em meio a essa confusão toda acabei confessando a ela e ouvindo que Beth corresponde e então ficamos sozinhos.
Não sei como vai ser agora, mas Beth é minha prioridade, mantê-la viva, encontrar sua família, ou o que restou dela.
Acredito que aquelas pessoas eram fortes e treinadas demais para terem morrido todos, mas acho difícil que um dia ela posso se reunir a eles, Beth para, respira fundo e pega a garrafa de água na mochila, toma uns goles, um zumbi surge vindo da floresta, não nos importamos muito com ele, que venha conosco desde que não nos alcance, seguimos em frente.
─Sabe que esse lugar pode não existir mais, não sabe Beth?
─O que sei é que qualquer um do grupo que viu um desses cartazes seguiu para lá.
─Já pensou que pode ser uma armadilha? Ela me encara um segundo, depois volta sua atenção aos trilhos, segue caminhando.
─Não quer ir? Me pergunta um tanto magoada.
─Não é isso, só não quero que se encha de esperanças e que fique preparada para o pior.
─Eu estou Arthur. A muito tempo que estou preparada para o pior, mas meu pai... – Ela se cala sinto que ainda não se sente pronta para recordações – Que bom que está comigo! Diz e seguro sua mão, ela sorri um tanto corada, ainda é um tanto estranho, ficamos meio sem saber como agir um com o outro, com ou sem fim do mundo o começo de um relacionamento é sempre igual.
O zumbi que nos seguia fica para trás, as horas vão passando e é só caminhar e caminhar por aqueles trilhos que parecem jamais ter fim, mas precisamos comer, dormir, não sei me virar na floresta, não sou Daryl, vamos ter que deixar os trilhos quando chegarmos numa cidade.
Anoitecia quando a paisagem começa a mudar, ao invés de mata cercando os trilhos começamos a notar uma cidade se anunciando, fico aliviado.
─Vamos ter que achar um lugar seguro para passar a noite Beth e comida, mais água, quando amanhecer continuamos.
─Tem certeza que não podemos só seguir em frente?
─Sim, eu tenho, não vai ser fácil chegar onde quer, muito menos seguro, temos dias de caminhada pela frente, zumbis e quem sabe o que mais podemos encontrar?
─Mas não acha que uma cidade pode ser perigoso?
─Olhe! Eu aponto dois prédios logo ao lado dos trilhos – Não precisamos entram muito na cidade, ficamos num desses dois prédios e assim que amanhecer pegamos os trilhos de volta.
Ela concorda e fico grato, deixamos os trilhos, um zumbi se aproxima, usa um vestido rasgado, caminha em nossa direção e prefiro dar cabo dela antes de chegar ao prédio, deixo o corpo estirado ao chão, chegamos no primeiro prédio, devia ser algum tipo de fábrica, a porta está aberta, as janelas quebradas e entramos, vou na frente, Beth me segue com a faca na mão, está limpo, abro uma porta, devia ser um escritório, nada de zumbis, fecho assim que me sinto seguro.
Beth abre as gavetas de uma mesa elegante de madeira de lei, nada de útil parece sair de lá, enquanto isso abro uma outra porta, um banheiro, está limpo, começo a remexer as gavetas, recolho algumas aspirinas, tem todo tipo de produtos de higiene abro a torneira e a água escorre, primeiro um tanto barrenta pelo tempo fechada, depois cristalina, me arranca um sorriso e quando me viro Beth também sorria ao meu lado.
─Vai primeiro! Deixo o banheiro fechando a porta atrás de mim, então vejo um armário – Uou! Digo feliz quando abro uma das portas de correr – Azeitonas e uísque! Pego dois copos, as azeitonas, a garrafa e levo tudo para o chão acarpetado, me sento e logo Beth deixa o banheiro, está limpa penteada e sorridente. Tão linda quanto sempre esteve, quase consigo me ver de novo na prisão.
─Olhe o que achei! Mostro a ela, que engole em seco, dá de ombros e se senta diante de mim – Volto num minuto! Sigo para o banheiro, me lavo na pia, uso sabonete e pasta de dente, é incrível, quando volto Beth está imóvel encarando a garrafa parece estar no meio de um dilema.
Me sento silencioso, esperando que faça ou diga algo.
─Nunca na vida bebi, meu pai... Eu não aproveitei muito as coisas sabe, não sabia que iria acabar, mas acabou e quero saber como é.
─Não precisa se não quiser.
─Eu quero!
Ela me estende o copo, sirvo uma dose e fico assistindo enquanto dá o primeiro gole faz uma careta e depois sorri, então repete, e agora nada de caretas.
─Estamos seguros aqui, bebe comigo! Ela convida, não acho boa ideia visto que Beth enche o copo pela segunda vez muito empolgada, mas acabo me servindo de uma pequena dose, apenas para relaxar.
─Azeitonas! Eu abro o vidro – Acho que o cara costumava relaxar assim no fim do dia.
─A garota você quer dizer! Ela me corrige – Era uma mulher, não viu o banheiro cheio de cremes e produtos de beleza?
─Pode ser! Dou de ombros, não faz diferença, Beth dá mais um grande gole – Vai com calma, se nunca bebeu não sabe o que é uma ressaca.
─Temos aspirinas! Ela balança o vidrinho na minha frente – Meu pai bebeu por um tempo, agora acho que posso entender por que!
─Pode?
─É uma sensação difícil de resistir, amortece a dor, o medo.
─A saudade? Pergunto com alguma pena, Beth nunca ficou sozinha, sempre esteve com pessoas que amava, o pai, a irmã e os amigos, Judith, nem quero pensar no bebê.
─Achei que poderia acabar tudo bem, achei que meu pai envelheceria, que Maggie teria filhos com o Glenn, que ficaríamos seguros, sinto falta, muita falta!
─Eu sinto muito! É tudo que posso dizer, me conformei com minhas perdas há muito tempo, depois foi só assistir gente chegando e partindo, mal tendo tempo de conhecer melhor.
Puxo Beth para perto de mim, ela se encosta em meu ombro, está escuro, mal nos enxergamos, economizo a lanterna para as noites em que sei que vamos passar ao relento.
─Nem sei como seria se não estivesse aqui! Ela me diz e acaricio seu rosto, nem sei se eu estaria ainda vivo não fosse ela, acho que depois de tudo teria desistido.
─Eu sei que perdeu muito Beth, mas eu acho no meu caso é diferente, eu acho que só tenho você, não que não me importe com o que aconteceu com as outras pessoas, mas só tinha você.
─Então que bom que estamos juntos e que vamos seguir em frente e quando nos reunirmos aos outros vai se abrir mais, dar espaço, não tem outro jeito de viver se não confiando e amando as pessoas a nossa volta.
─Você me basta! Aviso, ela se afasta um pouco para me olhar.
─Ainda está muito magoado, foi uma garota? Eu olho para ela, toco sua pele, não gosto muito de falar de mim – Pode dizer.
─Nunca teve para mim nenhuma garota importante, apenas você, mas eu não fui sempre assim, já fui um garoto bem assustado, perdido e assustado, cheguei aqui muito mais por sorte que talento, me dá medo não ser quem espera que eu seja.
─Eu não espero que me salve de nada, que me mantenha viva ou algo assim, estamos juntos nisso, se não der certo então ao menos tentamos, mas espero que saiba que de modo algum acredito que está aqui por sorte.
─Melhor acreditar.
─Nem mesmo eu cheguei tão longe por sorte, se estamos aqui fizemos por merecer, lutamos, uma luta interna.
─Talvez esteja certa, mas de qualquer modo não pude salvar minha família, não pude nunca salvar ninguém.
─Por isso se esconde?
Ela toma mais um longo gole, se ajeita mais em meus braços, suspiro, não sei se esconder é bem a palavra, soa um tanto covarde.
─Não sei se é bem me esconder, mas está certa de algum modo crio mesmo um escudo, mas nada disso importa agora, estamos sozinhos.
─Essa bebida me deixou bem mole! Admite e não acho boa ideia, não é momento para isso.
─Então chega, prometo que levo a garrafa com a gente, mas chega, tente dormir.
Beth me sorri um tanto languida, fica ainda mais sensual, mas não é o momento, talvez nem mesmo tenhamos um momento, beijo seus lábios, apenas um carinho leve e depois ela se deita no tapete, eu me arrumo ao seu lado, a porta está trancada e tem um móvel encostado na frente, é o máximo que posso fazer e esgotado me deixo relaxar até cair na inconsciência.
O dia amanhece e acordo com alguns raios de sol que passavam por uma fresta na janela batendo em meu rosto, Beth dorme ao meu lado, os raios de sol deixam seus cabelos brilhantes, meu sol particular, me movo o tempo todo em sua órbita.
─Minha cabeça vai explodir! Ela diz sem abrir os olhos – Por favor, se um zumbi aparecer me entregue a ele! Sorrio, eu avisei – Acho que quero vomitar!
─Aspirinas baby! Brinco – Fica quietinha, vou te dar água e um comprimido, você vai se sentir melhor logo.
Ela toma o remédio, bebe a água e volta para o chão, vou até a janela, pela fresta só posso ver o galpão onde as máquinas estão abandonadas, penso no frenesi que algo assim devia ser, no barulho dos dias de trabalho.
Preciso ir lá fora, encontrar comida, olho para Beth ainda deitada, parece seguro deixa aqui, mas me dá medo nos separarmos, isso é tudo tão difícil, me aproximo.
─Beth preciso sair um pouco, não demoro!
─Arthur prefiro que espere um pouco eu me sentir melhor e então vamos juntos.
─Não vou sair da fábrica, apenas quero achar o refeitório, quem sabe encontro alguma comida.
Ela resmunga qualquer coisa, deixo a sala, nada de zumbis e caminho pelos corredores desço uma escada e me vejo no grande galpão, são máquinas grandes e eu as circundo cuidadoso, um zumbi pode surgir a qualquer momento, passo tranquilo por toda extensão do lugar, do outro lado algumas portas, um banheiro, um possível vestiário, encontro uma mochila, algumas roupas e um colchão no chão, talvez alguém ainda esteja por perto, deixo o local e sigo em direção a outra porta, finalmente o refeitório, abro gavetas e armários, encontro um pote de doce de leite, um saco de balas e cereal vencido. Recolho tudo e levo comigo na mochila que encontrei, vejo mais uma porta, paro um instante decidindo o que fazer.
Não vale a pena, não vou arriscar já que deixei Beth sozinha, dou as costas e volto para o escritório, encontro Beth na mesma posição, me aproximo, ela geme, me faz rir, sei que não é o momento para isso, mas é divertido estar com ela em sua primeira ressaca.
─Come alguma coisa Beth depois tome mais uma aspirina.
─Podemos ficar mais hoje? Ela pede se sentando – Acha que é seguro?
─Acho que sim, mas agora come! Ela obedece, mastiga os cereais com cara de nojo, depois vai ao banheiro lava o rosto e bebe água toma outra aspirina e logo em seguida dormia.
Reforço a segurança da porta, agora um pouco intrigado com o que encontrei lá em baixo, talvez quem quer que seja já tenha ido em bora, talvez esteja morto, mas é melhor garantir.
Fecho bem todas as janelas sigo até o banheiro, subo na latrina para olhar a janela um pouco acima, dá para passar uma pessoa e dá direto na rua, observo um instante, tudo parece calmo e silencioso, fecho para não chamar atenção e volto para perto de Beth.
Ela dorme por horas, acorda no fim da tarde, está refeita, rimos um pouco disso, ela se lava mais uma vez, comemos e preparamos nossa mochila, vamos partir assim que amanhecer, não me sinto mais tão seguro.
Conversamos mais um pouco, falamos baixo, a noite nos atinge, dessa vez tomei o cuidado de fechar tudo tão bem que fica ainda mais escuro, nos abraçamos.
─Quer beber alguma coisa? Brinco ela me empurra, depois ri.
─Meu último porre, sou mesmo uma droga de menina de família, nem consigo me rebelar!
─Foi bem, eu garanto!
─Falei demais?
─Não, esteve perfeita.
─Lá na prisão, se lembra que nos declaramos? Ela pergunta.
─Perfeitamente!
─Mudou alguma coisa? Está em dúvida.
─Nada, eu amo você Beth.
─Também amo você, nunca mais vou fugir disso, vamos ficar juntos, não importa o que aconteça!
─Nunca vou te deixar, acredite.
Eu não resisto a um beijo, não ´´e hora para romance, mas é Beth a mulher que amo e estamos sozinhos e tudo parece seguro, eu a trago para mais perto, ela me envolve e quando vejo estamos nos entregando ao desejo, que se dane, nunca sou impulsivo, mas agora quero ser.
Nem noto como tiramos a roupa, mas sinto a pele macia de Beth tocar a minha, queria poder olhar em seus olhos, mas está escuro, ela me puxa para mais perto, toca minha pele, não tem muito da garota tímida e gosto disso, de como sabe me dizer o que quer.
─Te amo Arthur! Ela me diz – Mas nunca fiz isso antes! Tento me afastar ela me impede – Não, eu quero, quero por que é finalmente a pessoa certa! Ela me beija e está certa, para mim também é pela primeira vez a pessoa certa, então é de algum modo como se nunca tivesse feito.
Procuro ser cuidadoso, ela parece não estar tensa, trocamos longos beijos, caricias sensuais até que sinto que está pronta e então me deixo livre e tudo parece perfeito, ela diz meu nome, é tão doce.
─Amo você!
Beth adormece em meus braços, acabo pegando no sono também, acordo com um barulho na porta, me sento assustado, então ouço os gemidos, a porta sendo forçada, não é apenas um.
─Beth! Chamo baixo, ela se senta – Vista-se temos que sair daqui, rápido!
Recolhemos tudo a porta está cedendo, droga a janela arrebenta e um zumbi tenta passar, está escuro e arrasto Beth para o banheiro.
─O que vamos fazer? Ela pergunta assustada quando a porta finalmente cede e o primeiro entra seguido por outros, fecho a porta do banheiro.
─A janela, vai, dá para rua, anda!
─E você? Ela me abraça, eu a empurro.
─Estarei logo atrás de você – Eles forçam a porta, não consigo pensar de onde vieram, andei pela fábrica não encontrei sequer um zumbi, como podem ter se aglomerado nessa quantidade?
Ajudo Beth a subir, ela abre a janela, me olha assustada, passa espremida para o outro lado, seus olhos demonstram seu medo, depois escuto o baque, não é tão alto, dois metros no máximo, jogo a mochila para ela e subo, a porta começa a abrir quando passo pela janela um zumbi já invadia o banheiro.
Caio no chão, e então escuto o grito de Beth e um carro parte derrapando, a mochila fica no chão, Beth, levaram Beth.
─Beth! Grito tentando alcançar o carro – Beth! Deus não pode ser, corro pela estrada, uma hora, duas, não sei, sigo a estrada na direção do carro, sei que nunca vou alcança-la, mas simplesmente não posso parar, ela é tudo que tenho, então corro, meus pulmões ardem pelo esforço, o suor escorre por meu rosto, pinga umedecendo minhas roupas.
─Beth! Grito mais uma vez, então amanhece, e chego a um cruzamento, vejo mais uma vez a linha de trem, de um modo estranho todos os nossos passos sempre nos levam de volta a esses malditos trilhos.
Me sento esgotado, não sei para que lado seguir, não sei quem pode ter levado Beth, nem porque, não posso pensar sobre isso, prometi a ela que ficaríamos juntos, que nunca a deixaria e não vou fazer isso, nem que seja a última coisa que eu faça vou encontrar Beth.
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