Apocalipse - A Era Dos Mortos

49 Capitulo 49 - Ópera dos mortos


Notas iniciais
Olá pessoas queridas! Aqui está mais um capítulo, e esse é especial para um amigo querido que me fez uma recomendação e quero dedicar a ele, Willian(Wade Burt Carlysle) para você, tomei o cuidado de escolher um capitulo não muito romântico porque você me acha uma melosa romântica que eu sei e você alias adora dizer! Admita acha mesmo isso! Agora espero que goste.Obrigada pelo carinho sabe que fico muito feliz! Espero que todos gostem!

Pov – Mary

−Está pronta? Daryl me pergunta no refeitório logo cedo, Scott tomava o leite distraído – Estão todos a nossa espera.

−Estou, a Beth está bem e vai ficar com ele.

Olhamos os dois para o pequeno que deposita o copo vazio na mesa de aço diante de nós.

−Acabei! Ele diz passando o braço na boca para limpar o bigode de leite que tinha se formado e sujando o braço e a blusa de mangas compridas que usava.

−Scott! Eu me abaixo para ficar diante dele, quero que ele fique bem, toda vez que nos afastamos ele chora e queria que nos esperasse sem medo – Eu e o Daryl temos de sair, a Beth vai ficar cuidando de você, tudo bem?

−Quero ir.

−Não pode é perigoso! Eu digo tentando tranquiliza-lo. Seus olhos estão cheios de lagrimas e fico sem saber o que fazer – Voltamos logo!

Ele desce da cadeira e segura a barra da calça de Daryl que não esconde que está assustado.

−Deixa eu ir? Ele pede a Daryl que me olha pedindo socorro.

−Tem zumbis lá fora, você tem medo, aqui é seguro.

−Eu vou ficar com medo!

−Trago um brinquedo se prometer ficar com a Beth! Daryl diz tentando se soltar dele.

Scott solta a calça e Beth entra com Judith nos braços e os olhos assustados.

−É verdade que o Arthur vai junto? Ela pergunta.

−Sim Beth ele vai, mas não se preocupe não vamos demorar! Eu aviso e ela sorri com aquele ar delicado que tem, Scott puxa Daryl pela calça mais uma vez ele o olha.

−Compra bala?

−Vai ficar com a Beth? Ele pergunta e Scott confirma com um movimento de cabeça, não parece muito confiante – Nesse caso vamos comprar bala.

Eu me abaixo de novo e beijo Scott, gosto de sentir o cheirinho de bebê que ele tem, ele me aperta o pescoço e me levanto então ele dá os braços a Daryl pedindo colo, Daryl demora a decidir o que fazer, mas relutante ergue o menino nos braços.

Scott abraça Daryl e me seguro para não me derreter em lagrimas, Daryl não reagi muito, não o envolve como eu faria, apenas se deixa abraçar, depois ele afrouxa o abraço e encara Daryl.

−Bala vermelha!

−Está ficando muito exigente! Daryl responde colocando ele no chão e imediatamente pega a besta, não o olha mais – Vamos bruxa!

Dou mais um beijo no garoto e sigo para o carro, Maggie estava parada na porta do utilitário preto, batia os dedos nervosamente na lataria.

−Vamos logo casal, parecem um par de noivas! Daryl bufa com a brincadeira, eles estavam sempre se provocando.

Entramos no outro carro, Arthur já estava lá sentado no banco de traz eu e Daryl entramos e me viro sorrindo para ele.

−Pronto? Pergunto quando Daryl dá a partida.

−Sempre! Ele responde animado.

Rick nos abre o portão e ganhamos a estrada.

−Quer dizer que é um mestre ninja? Eu brinco com Arthur sem olhar para trás, os olhos fixos na estrada deserta a minha frente.

−Nem de longe! Ele responde desanimado – Eu era um garoto tímido e solitário que vivia apanhando na escola dos garotos maiores – Ouço seu suspiro – Meu pai fez de tudo para me ajudar, me colocou no futebol, apanhei mais ainda, depois tentou me colocar no time de basquete, um desastre.

−E então decidiu fazer artes marciais e passou a bater em todo mundo? Daryl pergunta rindo.

−Não, meu mundo eram os quadrinhos de super heróis, e adorava filmes de luta, fui fazer artes marciais só para meu pai me deixar apanhar em paz, nunca fui um aluno especial nem nada, mas quando entrei na faculdade comecei a colecionar essas armas, eu sabia como usá-las por conta das aulas, mas nunca achei que precisaria, tinha muitas, até uma como a da Michonne.

−E onde estão todas elas? Eu pergunto.

−No meu quarto na casa dos meus pais, quando fugi de lá só o que consegui pegar foi isso, porque era com isso que estava acertando os zumbis que pegaram minha irmã.

−Sinto muito! Eu digo arrependida de ter trazido lembranças ruins a ele, sempre me esqueço que só eu estou melhor agora que o mundo acabou, que o resto perdeu muito com o apocalipse.

−Tudo bem! Ele responde – Até me juntar a um grupo de sobreviventes eu não tinha nenhuma arma de fogo e foi essa aqui que me salvou, acabei melhorando muito, agora sou bom com ela.

−Espero que não precise provar! Daryl diz e depois ficamos em silencio por muito tempo.

A paisagem era cinza, o céu carregado de grossas nuvens, passamos pela vila que encontramos o grupo do Doutor S, seguimos mais um tempo pela rodovia principal e então avistamos a cidade que pretendíamos tentar, ruas silenciosas e repleta de lixo e devastação essa é minha primeira visão.

Daryl estaciona o carro diante de uma loja de departamentos de dois andares, ficamos em silencio um tempo, olhamos em volta nada de zumbis.

Descemos todos e nos reunimos na porta, Sasha passa as instruções, agora Arthur parece atento e não escondia a tensão, um zumbi vira a esquina, metade do braço pendurado, as roupas puídas pelo tempo, sujo de graxa e fazendo aquele som irritante, estava a meio quarteirão e não nos damos ao trabalho de fazer nada, apenas seguimos para as grandes portas duplas diante de nós.

Assim que invadimos a loja uma luz fraca iluminava seu interior vinda de uma claraboia no andar superior, duas escadas uma de cada lado davam acesso ao primeiro andar.

−Vamos varrer esse andar primeiro se for necessário subimos, se não vamos embora.

Começamos nossa varredura, Daryl ficava sempre perto de mim, a loja estava muito revirada, tenho que pular três corpos amontoados num corredor, a cada vez que virávamos um corredor meu coração saltava ansioso.

Uns minutos depois ouço um baque e o barulho característico de gosma se espalhando, um zumbi com certeza.

−Estou bem! Athur avisa.

Recolho duas lanternas caídas no chão e quando me levantava sinto uma mão se precipitar em minha direção, dou um pulo para traz e a flecha de Daryl atravessa o crânio de uma mulher caída antes mesmo de eu ter tempo de compreender o que se passava.

Sorrio fracamente ele respira fundo e continuamos, mais nada de zumbis no andar de baixo, mas também não havia nada que nos interessasse e nos reunimos diante de uma das escadas.

−Subimos? Daryl pergunta.

−Acho que sim! Sasha responde — Não achamos nada de útil aqui.

Nos dividimos, eu Daryl e Artur por uma escada e Sasha, Glenn e Maggie pela outra.

O andar de cima parecia mais interessante, todo lado esquerdo era de pequenas lojas, uma praça de alimentação e farmácia.

Vamos para farmácia enquanto o outro grupo tenta as prateleiras laterais do lado oposto.

−Não acredito! Digo feliz quando vejo uma prateleira com pelo menos uma dúzia de latas de fórmula.

Divido as latas entre a minha mochila e a de Daryl, remédios não haviam muitos, mas Arthur pegava tudo que encontrava e colocava na mochila dele, vinte minutos depois tínhamos varrido a farmácia com tudo de útil que havia ali e estávamos com o leite que era nossa prioridade, podíamos voltar para casa tranquilos quanto a isso.

Saímos da farmácia e vejo do outro lado também com mochilas cheias o resto do grupo nos esperando, aceno para Maggie, os três olhavam em nossa direção, as largas escadas de mármore logo atrás deles e então meu aceno se congela no ar quando vejo zumbis aparecendo pela escada.

−Maggie! Eu grito assustada ela se vira junto com os outros dois, Glenn acerta o zumbi que se aproximava primeiro.

−Merda! Daryl diz e me volto, zumbis surgiam a nossa volta vindos de todos os lados, devia ter pelo menos vinte deles caminhando para nós, vamos derrubando um ou outro mais próximos até nos fechamos num círculo no meio da loja.

−Estamos cercados, vem mais pelas duas escadas! Daryl avisa.

−Aquela porta nos fundos! Eu aviso já que estou virada para os fundos da loja, apenas três zumbis nessa direção – Deve ter uma saída de funcionários, janelas, qualquer coisa!

−Vou abrir caminho! Artur avisa, então pega a corrente que ficava presa a sua foice e gira sobre a cabeça, ele pode achar que é uma arte ninja, para mim lembra um filme de faroeste, ele atira a corrente e pequena bola de metal da ponta explode a cabeça de um zumbi tingindo o chão a nossa volta de tons rosa e preto com cérebro e tecido morto, ele repete o movimento, outra cabeça explode, agora Daryl está a seu lado e acerta uma flecha no terceiro.

Caminhamos em formação os zumbis agora muito próximos, com seus braços erguidos, e seu andar incerto, uma passagem se forma e temos que aproveitar a chance.

−Vamos! Glenn convida e corremos, a porta está felizmente apenas encostada, passamos para o outro lado e a princípio não se vê nada, quando nos acostumamos com a luz precária vinda de duas janelas altas o que vemos é uma escada.

Daryl e Arthur começam a descer na frente, estamos em silencio, a porta por que passamos apenas encostada, não sei quanto aguentaria nem o que encontraríamos no andar de baixo.

Em baixo apenas outra porta como a de cima, dupla e de ferro, Daryl abre uma fresta e fecha em seguida.

−Atenção tem pelo menos uma dúzia aqui em baixo, não nos sentiram aqui ainda.

Ele sussurra e todos ficamos prontos, empurro a besta para as costas, o melhor é usar minha faca.

Daryl abre mais uma vez dessa vez podemos todos dar uma olhada o caminho até a saída tem pelo menos meia dúzia de zumbis e nem temos ideia de como está lá fora.

Ele fecha a porta e nos encaramos.

−E então? Ele pergunta me puxando para seu lado – Arriscamos?

−Acho que não temos escolha.

Eu respondo e todos concordam com um movimento de cabeça, sinto a mão de Daryl apertar firme meu braço me obrigando a olhar para ele.

−Fica perto de mim! Ele tinha os olhos fixos nos meus, concordo com a cabeça – No três.

Ele conta devagar e no três abre a porta com tudo e corremos, Daryl acerta um zumbi com o cabo da besta, Arthur outro com a foice e eu me abaixo quando uma mão ensanguentada se precipita sobre mim, desvio, não é hora de brincar apenas corro, trinta segundos de pura adrenalina e estamos do lado de fora correndo para os carros.

Já diante deles depois de termos certeza que estamos todos bem, nos sentimos paralisar.

Aquilo só podia ser uma miragem, ficamos observando a cena diante de nós, tudo não dura mais que poucos segundos, segundos assustadores.

Primeiro, antes mesmo de focalizar a visão para ter certeza do que estava vendo ouço aquele som, a ópera dos mortos, os ruídos de seus gruídos todos juntos criava um som uniforme, cheio de melancolia, uma canção fúnebre nos lembrando que estamos na era dos mortos, que é deles cada pedaço de chão, depois quando minha visão se ajusta o que vejo é um gigante organismo caminhando em nossa direção, a morte assim em grande quantidade cria por mais incrível que pareça a sensação de uma vida gigante, eles vinham de todos os lados, caminhavam a um quarteirão de nós.

Homens, mulheres, de todos os tamanhos, jovens, velhos, bem vestidos, maltrapilhos, seus corpos em decomposição, alguns ainda inteiros, outros faltando membros, em comum tinham a palidez assustadora, o cheiro característico de carne podre e o andar desengonçado de bebês assassinos.

−Que porra é essa? Daryl diz paralisado e boquiaberto apertando minha mão.

−A cidade toda está aqui! Sasha continua.

−Pessoal, melhor irmos! Arthur nos desperta quando os zumbis da loja começavam a sair dela caminhando em nossa direção.

Corremos para os dois carros, não dá tempo de fazer nada, ré é a melhor escolha e Daryl sai logo atrás de Glenn que fazia o mesmo, só dois quarteirões depois entramos em uma rua e seguimos para frente, os três em silencio, perplexos com o que acabamos de assistir.

Deixamos a cidade no mais completo silencio, era a maior cidade que já estivemos e nem chegava perto do tamanho de Atlanta, fico pensando o que poderia estar acontecendo no resto do mundo, se éramos os escolhidos, quantos mais ainda estariam de pé num mundo como esse.

Passamos por um posto de gasolina meia hora depois e Daryl estaciona diante de uma loja de conveniência.

−Acha que ainda tem combustível aqui? Arthur pergunta quando Daryl destravava a porta e pegava a besta.

−Com certeza não.

Ele responde enquanto descíamos e eu não tinha a menor ideia do que ele queria num lugar como aquele.

−Então...

−Balas Arthur, preciso de balas vermelhas! Daryl responde caminhando em direção a entrada da loja com a besta em punho, como posso sorrir num momento como esse? E como posso não sorrir?

Eu o sigo também com a arma em punho, Sasha, Maggie e Glenn se posicionam de guarda, antes de entrar vejo Glenn testar as bombas de combustível, sonhar ainda era permitido, eu penso.

A loja estava vazia de zumbis, o que era bom, mas de qualquer modo não havia muito ali, revistas e jornais espalhados pelo chão, latas e garrafas espalhadas, Daryl dá a volta no balcão, abre algumas portas de baixo do caixa, apoia no balcão duas pistolas e duas caixas de munição.

−Sabia que encontraria coisas assim! Ele diz quando Arthur colocava tudo na mochila – Aqui bruxa, balas vermelhas! Ele se levanta com um lindo sorriso torto e um saco de doces na mão – Agora podemos ir e vou tomar mais cuidado com minhas promessas! Ele diz me puxando pela mão.

Me lembro da minha infância, minha mãe bêbada, eu devia ter uns seis anos, ela prometeu que se ficasse quietinha e não chorasse ela me traria chocolates pela manhã.

Passei minha primeira noite sozinha em casa e pela manhã ela chegou bêbada acompanhada de um homem e sem nada nas mãos, nada além de uma garrafa de rum, ele tinha razão, era preciso tomar cuidado com as promessas.

Entramos todos nos carros e seguimos viagem.

Meus olhos se voltam para a estrada quando as primeiras gotas de chuva começam a cair, o barulho continuo do para-brisa do carro me relaxando, apagando os momentos de tensão dentro da loja, e a horda se zumbis que caminhavam para nós.

−Acha que está chovendo na prisão? Eu pergunto.

−Acho que está chovendo em todo estado! Daryl me responde.

−Hershel vai gostar disso! Encosto minha cabeça no vidro do carro, penso em Scott, ele vai ficar feliz com as balas que Daryl carrega no bolso da jaqueta, reprimo um sorriso, ele não jogou no saco junto com as outras coisas, ele leva as balas com ele, sei que quer entregar pessoalmente e sei que está atrás de um sorriso do pequeno, que ele não consegue chamar pelo nome, mas que também não consegue afastar.

−Está bem? Ele puxa minha mão para perto dele, eu a repouso em sua coxa, gosto disso, dessa intimidade comum de casal, sorrio para ele que volta a atenção para a estrada.

−Estou aprovado senhor Dixon? Arthur pergunta.

−Sim Arthur, só falta aprender a me chamar de Daryl!

−Desculpe! Ele sorri – Acho que posso então me consideram um dos membros do grupo de busca?

−Se quer fazer isso tudo bem, mas faça pelos motivos certos está bem?

−Não entendi? Ele questiona.

−Faça pelas pessoas que precisam, não porque está entediado ou querendo apressar as coisas, gosto que todos voltem, se voltar para casa for parte dos seus planos é bem-vindo.

−Quero voltar para prisão, ainda não é para mim um lar, mas pode ser um dia, quem sabe?

Eu sei que ele gosta da Beth e ela dele, isso é confuso para mim, não sei como se foge desse tipo de sentimento, nunca consegui ficar longe de Daryl, na verdade nunca nem mesmo consegui tentar isso.

Chegamos e Tyreese nos abre o portão com Karen a seu lado, acho que são ou vão ser um casal, descemos e Rick se aproxima.

−E então como foi lá fora?

−Rick, foi difícil, conseguimos tudo, mas se visse o que vimos, se algo assim chegar aqui...

Daryl não termina a frase, olha para nossas grades preocupado.

−Uma horda?

−Uma cidade deles! Daryl avisa me puxando de leve pela mão.

Scott estava sentado no colo de Hershel quando entramos no refeitório, ele tinha os olhos vermelhos, deve ter chorado muito.

−Olhe Scott! Hershel chama sua atenção e só então ele nos vê desce apressado do colo e corre para mim, eu o pego no colo.

−Oi sorvetinho! Eu o beijo – Tudo bem? Ele afirma com a cabeça.

−Trouxe balas vermelhas para todo mundo que não chorou, conhece alguém? Daryl pergunta a ele que nega com a cabeça.

−Todo mundo chorou aqui hoje? Eu brinco e ele afirma, olho para Daryl que dá de ombros.

−Nesse caso pode ficar com elas você! Ele entrega o pacote de doces e os olhos do menino brilham, um largo sorriso se forma em seu rostinho de anjo.

−Só para lembra-los o mundo acabou e não temos dentistas, vão com calma com esses doces! Hershel nos avisa e olhamos os três para ele – Ok, é só escovar bem os dentes depois! Ele diz quando percebe nosso olhares magoados.

Notas finais
E então o que acharam?