Apocalipse - A Era Dos Mortos

75 Capítulo 75 - Esperança


Notas iniciais
Olá pessoas, como viram o último episódio não teve Daryl então fiz um capitulo com Pov Beth, se lembram que ela fugiu da prisão com o Arthur né? Então vamos ver como estão. Espero que gostem.

Pov – Beth

Sei que faz tempo, mas vou ser sincera, eu me esqueci de você. Depois da fazenda nós andamos muito, mas algo bom aconteceu finalmente. Encontramos uma prisão e o papai acha que podemos transforma-la em um lar. Poderíamos cultivar a terra, encontrar animais, parar de fugir e se alimentar mal. Um lugar onde Lori pode ter o bebê em segurança. Acordei na minha cama ontem, no meu próprio quarto, mas sempre deixo minha mala arrumada, deixo minha arma por perto, sei que nunca estaremos realmente seguros, tenho medo de ficar esperançosa, mas essa manhã o papai me disse algo “Se você não tem esperança qual o sentido de viver?” Então desfiz minha mala e te encontrei, podemos realmente viver aqui pelo resto de nossas vidas, Não vamos morrer, nenhum de nós. Agora eu acredito, acredito pelo papai, se isso não funcionar, não sei como continuarei.

As coisas tolas que escrevi no diário saltavam em minha mente enquanto corria, os sonhos tolos de uma menina tola, esperanças, apenas esperanças.

Eu não posso mais correr, minha respiração está acelerada, meus pulmões ardem, Arthur me puxa pelo braço me dando força, me arrasto atrás dele, tropeço, escorrego e torço o pé, meu rosto coberto por lagrimas.

Os zumbis nos cercando, as árvores esbarrando em meu rosto, arranhando minha pele, Arthur derruba o zumbi mais próximo, continuamos a correr, então ficamos sozinhos, nada de zumbis a nossa volta, finalmente paramos, a noite caindo aos poucos.

−Estamos seguros agora! Arthur para e respiro fundo, controlando meu medo – Fique calma!

−Calma? Eu digo tensa, assustada e com medo de processar o que vi, o que vivi – Não consigo, as coisas... As pessoas...

−Vamos encontrar todos! Arthur me diz, eu o abraço, me aperto a ele emocionada, é tudo que quero, reunir o que sobrou da minha família, não pode ser só nós dois.

−Vamos não é, Rick, Carl, Maggie eles tem que ter conseguido, eu sei que sim!

−Mas precisamos descansar, não sei como fazer isso Beth, não sou como Daryl, não posso rastrear, simplesmente não consigo.

−Damos um jeito, refazemos o caminho do ônibus, Maggie deve ter ido naquela direção, Glenn estava lá, ela sabe disso.

−Amanhã!

−Não! Falo alto, não podemos esperar tanto.

−Beth, precisa se acalmar, é noite, no momento precisamos apenas nos manter vivos!

Eu não quero ficar viva, quero os meus, quero minha família, eu não quero esperar, preciso manter minha esperança firme. Fé, é isso apenas a fé pode ainda me manter viva, sem isso não posso continuar.

Fico paralisada no meio da floresta enquanto Arthur acende uma pequena fogueira, olha em volta procurando por zumbis depois me puxa para sentar, me envolve num abraço protetor, tremo em seus braços, me lembro do beijo que demos, das minhas esperanças naquele momento e logo depois tudo ruiu.

Meu pai, meu pai e toda sua fé e esperança, então caio num choro convulsivo, me entrego às lágrimas preciso me livrar dessa dor, é a única maneira de seguir em frente, Arthur apenas me deixa chorar, com a mão em volta de mim, meu rosto escondido em seu peito.

Depois as lágrimas vão embora, fica apenas um vazio, um espaço gigante que só o sorriso de Judy e os olhos esperançosos de meu pai poderiam preencher, elas estão bem, vasculhei a prisão antes de partir, não encontrei nem sinal das crianças, isso só pode significar que minha pequena está viva.

−Melhor? Ele me pergunta, afirmo e ele beija minha testa.

−Podemos ir agora, já vai amanhecer?

Ele fica de pé, me abraça mais uma vez e então seguimos em frente, o dia amanhece e ainda estamos na floresta, paramos no rio para beber água, é impossível nos aproximarmos, zumbis surgem de todos os lados, a confusão na prisão, o barulho dos tiros do canhão, toda correria os confundiu, deixou a floresta cheia deles.

Corremos mais uma vez, então estamos numa pequena estrada de terra, quero seguir em direção ao ônibus, Arthur concorda e segue ao meu lado.

Dois zumbis se aproximam e fico pronta, Arthur pega um e eu acerto o outro no olho, empurro o corpo para longe e seguimos em frente.

Eu não devia ter me mantido tanto tempo na sombra da minha família, escondida dentro da prisão como uma criança tola, agora aqui estamos, sozinhos, cansados, Arthur tendo que fazer tudo enquanto mal posso me defender.

−Desculpe! Digo abatida enquanto caminhamos, ele me olha confuso – Desculpe por não poder ser mais útil, sinto muito!

−Que tolice, não imagino ninguém mais útil, fez as escolhas mais difíceis, cuidar de um bebê...

−Não quero falar sobre isso, não ainda! Digo com o coração partido, ainda posso sentir o cheiro dela, a textura de sua pele, os sons que emitia, era minha, de algum jeito era minha e deixei que morresse – Ela está...

−Você não pode ter certeza, vamos apenas seguir adiante.

Finalmente depois de horas com sede e fome encontramos uma casa, Arthur para na porta, saca a pistola e me olha, faz sinal para que eu fique na porta, não posso, não quero, preciso aprender a me defender, dou um passo em sua direção, me rebelando silenciosamente, ele revira os olhos e então empurra a porta, entramos um atrás do outro, a casa está abandonada, toda revirada, passamos por sobre alguns moveis tombados, a sala está limpa, portas abertas indicam que os outros cômodos também estão ou seriamos recebidos por zumbis, mesmo assim vamos de sala em sala, Arthur sempre a minha frente, o andar de baixo está limpo.

Um baque surdo e constante vindo do andar de cima nos chama atenção, subimos as escadas atentos, é assustador e me trás tristes recordações, já passei por isso, foram meses na estrada, com Lori gravida, mas ao menos estávamos juntos, éramos então uma família, agora isso não existe mais.

Chegamos ao topo da escada, apenas uma porta se mantinha fechada.

−Fica! Ele me diz.

−Não! Ergo o queixo decidida, vou em frente, nada nem ninguém vai me impedir de cuidar de mim, não agora, chega de me esconder, quero proteger mais do que ser protegida.

Abro a porta enquanto Arthur aponta a arma que carrega, um zumbi salta para fora e Arthur atira, o zumbi cai e outro vem logo atrás, dessa vez eu o acerto e ele cai junto ao corpo já estendido ao chão, passamos por cima dos dois e então entramos, tudo limpo.

Descemos e seguimos para cozinha, abro armários em busca de algum alimento, encontro algumas latas de frutas secas, coloco na mesa enquanto Arthur fechava janelas e cortinas, além da comida encontro duas garrafas de agua na geladeira, o cheiro de comida estragada se espalha assim que abro.

O cheiro no novo mundo, morte e podridão, é isso, chego a sentir saudades do cheiro de esterco que vivia reclamando na minha infância, meu pai dizia que era o cheiro da vida se recompondo, isso nunca fez tanto sentido como agora.

Arthur arruma coisas para prender a porta, encosta uma velha escrivaninha e então vem ao meu encontro, se senta comigo.

Cadeiras em volta de uma mesa, um arranjo de flores de plástico estava caído sobre a mesa e eu o coloco de pé, arrumo a amarelada toalha de renda, enquanto isso Arthur abre uma das latas, dividimos a comida e em silencio engolimos tudo, a luz do dia entrava pela janela da cozinha, os raios de sol criavam um caleidoscópio de feixes coloridos que dançavam pela cozinha.

−Eles estão vivos! Eu digo quando acabamos – Ainda existe beleza Arthur, ainda se pode sonhar.

Arthur toca meu rosto, devo estar horrível, descabelada, suja e suada, mas ele sorri carinhoso, meu coração acelera um pouco, sinto sua mão gentil na minha nuca, com cuidado ele me puxa para um beijo, correspondo, e depois nos afastamos.

−Amo você Beth, vou fazer o que for preciso para manter você viva!

−Não, eu não quero que faça isso, quero que faça de tudo para termos uma chance juntos, não se arrisque por mim, se tiver que acabar que seja de uma vez, os dois juntos porque eu não posso e não quero continuar sozinha.

−Vamos achar sua família, Maggie, Glenn, Daryl e Mary, as crianças, quem quer que tenha sobrevivido.

−Lembra quando disse que para sobreviver eu precisava me afastar dos meus sentimentos? Pergunto a ele.

−Me lembro de cada palavra daquele momento.

−Não quero mais viver assim, não sei quanto tempo temos e quero simplesmente me entregar, salvar o que restou de vida dentro de mim, não me importo mais se vai doer, o que quero é preencher esse vazio, esse oco no meu peito.

−Amo você Beth, amei calado por um bom tempo, estou aqui, mas esse vazio não sou eu, não posso preenche-lo, sinto muito, mas vai ter que arrumar um espaço para mim e saber que o vazio continua, ele tem nome e não é o meu.

−São todos que perdi! Eu concordo com ele.

−Ainda não, você ainda não perdeu ninguém! Ele me diz me ajudando a ficar de pé – Durma um pouco, vamos descansar hoje, amanhã seguimos em frente.

Me encolho no sofá enquanto Arthur se senta numa cadeira próximo a janela, abre uma pequena fresta para ficar de vigia.

Acabo adormecendo, um sono agitado e confuso, meu pai ao meu lado, meu pai caído sangrando, Maggie, gritos, confusão, zumbis, então acordo num salto, o coração acelerado.

Procuro por Arthur, ele está no mesmo lugar, agora me encara sério.

−Pesadelo? Me pergunta e faço que sim, estou subitamente tímida, amo Arthur, já o beijei e no momento ele é tudo que tenho, mas não somos íntimos, passo a mão pelo cabelo e fico de pé.

−Vou lavar o rosto para despertar depois fico de guarda e você dorme um pouco.

−Feito! Ele diz depois de pensar um pouco, acho que preferia me deixar dormir, mas sabe que precisa descansar.

Lavo o rosto e prendo melhor os cabelos, não me olho muito no espelho, não quero me ver, pensar em mim como mulher, não agra, não consigo.

Volto para sala e tomo o lugar de Arthur que dorme, assim como eu, de imediato, me sento com os olhos fixos na rua, assustadoramente vazia e silenciosa, um vento leve batia, folhas secas corriam o asfalto num movimento suave, criando vida onde só se vê morte.

Arthur acorda no meio da madrugada, assim como eu vindo de um pesadelo, segue para o banheiro e depois puxa uma cadeira e se senta ao meu lado, saio da cadeira e me sento em seu colo, ele me envolve e ficamos em silencio esperando o tempo passar, vejo o dia surgir lentamente, assisto o andar lento e desengonçado de um zumbi que passa solitário e segue sem se dar conta que tudo que quer está assim próximo, é um caminhar sem fim, sem medo ou qualquer sentimento é apenas a morte passando de pé.

É a era dos mortos, e nós, os intrusos e desesperados lutamos por mais umas horas, nuns dias, lutamos por mais um prato de comida, por mais um abraço, um olhar, não restou nada, só os que morreram e os que mataram.

−Vamos Beth, temos que ir antes que seja tarde demais para encontrarmos alguém, vamos em direção ao ônibus.

Recolho o resto de latas que encontramos, pego a garrafa de água que sobrou e seguimos em direção a estrada, no meio do caminho encontramos o zumbi que assisti caminhar pela janela a pouco, ele está a nossa frente com seu andar trôpego, a camisa social que um diz foi azul e agora é só terra e sangue está rasgada e puída.

Ele nos sente, se vira, a boca aberta rosnando, gruindo, volta lento em nossa direção, não paramos, seguimos em direção a ele e Arthur pega a velha arma de desenho japonês como sempre costumava chamar, gira se afastando de mim e acerta a cabeça oca do zumbi, vejo o sangue espalhar pelo asfalto, apenas continuamos.

Depois de horas de caminhada, três zumbis que matamos e meia dúzia que deixamos para trás em seu andar lento chegamos ao ônibus.

Demoro a tomar coragem de me aproximar, as pernas tremulas, Glenn, meu cunhado, meu irmão, ele estava no ônibus e agora o ônibus está ali, parado no meio da estrada, de longe vejo um amontoado de corpos, encaro Arthur.

−Seja forte! Ele me diz.

Afirmo com a cabeça, sem condições de falar, apresso o passo, são só corpos.

−Alguém passou por aqui! Ele me diz.

−Não sobrou ninguém, é isso? Digo com a voz embargada – Glenn, ele... Preciso ter certeza! Começo a virar os corpos procuro por ele, cada corpo que viro dilacera meu coração, eu conheci aquelas pessoas, convivi com elas, dividi minhas esperanças com elas e agora estão mortas.

−Ele não está entre os mortos! Arthur me diz, não sei se me sinto aliviada ou não – Vou olhar dentro do ônibus, fique aqui! Ele entra pela parte de trás a porta está aberta, salta uns minutos depois.

−Nada? Eu pergunto torcendo os dedos.

−Não Beth, o Glenn são está aqui, pode ter fugido, pode ter sido ele a derrubar esses zumbis.

−Talvez, Maggie e o resto do grupo, podem ter vindo atrás de Glenn, quem sabe estão todos juntos? Me agarro a essa tola esperança.

−Quem sabe? Ele me diz, acho que mais para me agradar do que por acreditar.

−Mas e agora? Eu o encaro – Para onde Arthur, que caminho vamos seguir?

Ele me olha, depois encara a estrada, fica silencioso um minuto, pensando, observando.

−Em frente Beth, apenas vamos seguir em frente, agora estamos nas mãos do destino, sinto muito, é ele quem vai decidir se vamos ou não reencontrar os nosso.

Eu não tenho alternativa, nenhum sinal deixado por quem quer que tenha passado antes de mim, só resta seguir em frente e recomeçamos a caminhar.

Zumbis sempre em nosso encalço, meia dúzia deles nos seguindo, apressamos o passo, o som me irritando, dominando todos os meus sentidos, odeio essas coisas, odeio a vida maldita que temos.

Num impulso eu me viro, retiro a faca da cintura e caminho apressada ao encontro deles.

−Beth! Ouço o grito de Arthur atrás de mim, começo a correr e sem pensar derrubo o primeiro enquanto o segundo já avança sobre mim, empurro aquele corpo estupido e gelado, mais um avança e eu o acerto, então são dois a minha volta e ouço o primeiro disparo de Arthur, depois mais um tiro e ainda acerto mais um zumbi, o último, solto a faca no chão e caio no choro, Arthur me abraça.

−Desculpe! Eu digo confusa me apertando a ele – Desculpe, eu, foi... Eu não sei.

−Está tudo bem, vamos, vem comigo! Ele me puxa pela mão – Os tiros acabaram chamando atenção, logo isso vai estar um inferno.

Ele mal termina de falar e mais zumbis surgem, só nos resta correr, é assim agora, corremos contra o tempo, contra a morte, nada mais faz sentido e depois de um tempo chegamos a uma linha de trem, paramos sem fôlego.

Uma faixa presa em um vagão de trem abandonado nos chama atenção, paramos diante dela.

−O que pode ser esse santuário? Eu pergunto com os olhos fixos na faixa.

−Não sei Beth, mas acho que vamos descobrir.

Notas finais
E então, gostaram? Comentem. Posso recomendar uma história que adoro? É sobre o normam já recomendei nas outras fics, mas é que gosto muito e acho que é tão leve que quem gosta de romance vai gostar, menos você Artur!rsrsrs vou colar o link aqui também. Beijos http://encontrosedesencontros.jimdo.com/