Apocalipse - A Era Dos Mortos
72 Capítulo 72 - Minha para sempre
Notas iniciais
Pov – Arthur
Eu tenho todos os motivos do mundo para comemorar. Estamos vivos, depois da confusão de zumbis invadindo a prisão e os tiros no isolamento a maioria de nós está bem, Beth está bem.
Antes de sair com Michonne, Hershel me permite falar com Beth, diz que tudo bem eu voltar até o isolamento o contar a ela que as coisas estão em ordem agora, que Daryl chegou com a medicação.
−Oi! Eu digo entrando, Judith está deitada na cama improvisada e Beth assim que me vê corre para mim, eu a abraço, gosto de tê-la assim, tão perto, ela parece aliviada e demora a se afastar de mim.
−E então?
−Está tudo bem agora! Começo assim para acalmá-la – Mas as grades caíram, entraram muitos zumbis, eu, Rick e Carl conseguimos conter todos.
−Ouvi a confusão, foi assustador, quase saí umas três vezes.
−Demos um jeito no portão, e teve um ataque no isolamento, Mary e seu pai cuidaram de tudo, mas Maggie teve que entrar lá, Glenn passou mal, quase o perdemos.
−Maggie! Beth se emociona, está triste – E o Daryl?
−Chegou e todos estão sendo medicados, acabo de ver Mary e o filho deles saindo para o pátio, estão todos se recuperando.
−Que alivio! Ela sorri e eu a puxo para perto de mim, faço isso num impulso, ela não oferece resistência, me abraça e fecha os olhos – Estou cansada e assustada, sei que temos que fazer o que é preciso, mas tudo que queria agora era abraçar minha irmã e meu pai.
−Ele está bem, saiu com MIchonne, foi respirar um pouco eu acho, deve ter sido terrível lá dentro.
−Acho que sim! Ela se afasta um pouco para me olhar – Que bom que voltou, não quero ficar aqui sozinha Arthur.
Toco seu rosto, faço um carinho em Beth, ela é delicada e tão linda, queria dizer que vou ficar aqui até tudo acabar, mas não posso, tenho muito o que fazer lá fora, ainda temos corpos para arrastar e coisas para concertar.
−Não vai ficar não é? Ela se dá conta – Eu sei, precisa ajudar lá fora.
−Desculpe, quero estar aqui com você, mas não posso.
Fico preso em eu olhar, não é hora para isso, racionalmente eu entendo isso, e sou um cara racional, sempre fui, até esse exato momento, agora só penso em beijar Beth, tocar seus lábios e me deixar levar por essa emoção.
Algo em seu olhar me diz que é o que ela quer também e então eu a beijo, ela aceita ser beijada, passa os braços sobre meus ombros e eu a puxo mais para mim, é um longo beijo, nos entregamos por completo, meu coração descompassa, minha respiração acelera e sei que é hora de parar, antes que seja tarde.
Ela está corada quando me afasto, mas sorria e fica ainda mais bonita.
−Não quero que seja só isso!
−Eu também não! Ela me conta – Acho que fugi um pouco de você porque tinha medo.
−Tinha medo de mim? Isso me confunde.
−Não. Medo do que sinto, eu sei que pareço forte, que tento fingir que as coisas são assim agora e tudo bem, que podemos apenas seguir em frente, agradecer pelas pessoas que passaram pelas nossas vidas e apenas continuar, mas não é assim que me sinto realmente.
−Eu sempre soube disso, nunca achei que era fria ou algo assim.
Faço um carinho em seu rosto, quero que entenda isso.
−Antes de ir, precisa entender uma coisa, quando tudo isso começou, lá no passado, naquele tempo que parece mais uma outra vida! Ela sorri de um modo triste, beijo seus lábios mais uma vez apenas um toque leve – Nessa época, meu pai acreditava que tinha uma chance de tudo se resolver, minha mãe foi mordida, outros que conhecíamos e amávamos também, ele os deixava num celeiro, eu acreditava tanto que tudo ficaria bem que não me importava, e então o grupo do Rick chegou, eles estavam na estrada, já tinham passado por muita coisa, não acreditavam mais nessa tolice.
Ela me olha triste, ainda mais triste, trago Beth para mais perto de mim.
−Abriram o celeiro, mataram todos, isso inclui minha mãe, eu me aproximei, fui chorar sua morte, mas ela ainda estava viva, acordada, zumbi, sei lá que nome dar a isso, me atacou, quase me mordeu, minha própria mãe.
−Eu entendo Beth, todos passamos por momentos assim.
−Espere, não terminei! Ela me avisa – Bom estou contando isso porque na época eu fui muito fraca e tentei me matar!
Ela espera por minha reação, apenas faço um movimento com a cabeça, eu já sabia disso, Maggie me contou a muito tempo, quando descobriu que eu estava apaixonado por Beth e teve medo de que eu a ferisse.
−Me arrependi, mas ao mesmo tempo eu entendi que minha única chance de sobreviver a isso é me distanciando um pouco das coisas e foi por isso que tentei fugir de você, gostar de você me assusta, perder você me apavora.
−Todos nós temos medo, mas se escolhermos viver com medo, então não vamos realmente viver, e de que adianta lutar tanto?
−Sei disso, agora eu sei!
−Não posso prometer que vou ficar vivo, mas posso prometer que enquanto estiver vivo vou fazer o que for possível para você ficar ao meu lado.
−Isso é o bastante! Ela me diz e eu beijo mais uma vez Beth, depois ainda relutante me afasto dela – Se cuida, volto quando der.
Saio mais uma vez para o pátio, mas agora eu me sinto leve, Beth gosta de mim isso é tudo que me importa.
Pov – Mary
Eu me sinto muito melhor, Scott parece um pouco menos abatido, os remédios com certeza nos deixaram mais fortes, e agora sei que vamos superar isso, Bob nos chama para mais uma dose e aceno para Daryl, mas ele larga o que está fazendo e vem comigo, fico grata porque Scott se debate e chora toda vez que precisa ser medicado.
−Vem sorvetinho! Ele pega nosso filho no colo e mesmo no meio dessa confusão toda a doença serviu para deixar tudo mais certo e claro, agora mais do que nunca me sinto dele, e sinto Scott nosso, quase como se ele sempre tivesse sido.
Bob nos medica e Scott tem uma crise de choro que lhe provoca uma bom acesso de tosse, ele fica com Daryl até se acalmar e depois se encosta nele sonolento.
−Mary fique com isso, são as próximas doses, só precisa de mais uma e acho que duas para o Scott, guarde e dê a ele a cada quatro horas.
−Chega de injeção? Eu pergunto.
−Sim! Ele me garante – Eu dei doses cavalares para todos vocês.
Bob volta para dentro, acho que vai ficar com o Glenn que ainda parece muito fraco, ele afinal esteve a um passo da morte.
Eu queria me trocar e queria dar um banho em Scott, acho que todos dois nos sentiríamos muito melhor com isso, nosso bloco de celas está agora liberado, já que todos ali de algum modo tiveram contato com a doença então não tem problema ficarmos lá.
Daryl me acompanha, fica distraindo Scott enquanto tomo um banho rápido e me troco, depois me espera dar banho nele e vesti-lo, ele toma leite e seguimos para nossa cela.
−Eu estava louca de saudade daqui! Digo quando deito Scott na cama e ele leva o dedo na boca, Daryl revira os olhos.
−Esse dedo! Ele afasta o dedo dele de novo – Não pode chupar o dedo!
−Só um pouquinho! Scott pede carente e Daryl suspira.
−Certo! Responde resignado.
Ficamos olhando para ele uns minutos e ele adormece mais uma vez, mas está corado e não é por conta da febre, eu também me sinto bem, a doença não tinha avançado muito no meu caso e acho que por isso os sintomas sumiram quase que por completo, só sinto um incomodo que me causa uma tosse leve, nada que não lembre uma gripe apenas.
−Você parece muito bem e tranquila! Ele me diz e eu me abraço a ele.
−Ele melhorou, você está aqui, o que mais posso querer?
−Amo você! Ele me diz e eu fecho os olhos, adoro quando ele diz isso – Sinto falta de você.
−Também sinto! Respondo e ele me beija de leve, agora já não me importo mais, só espero e desejo que ele não fique doente.
−Acho que o medo que senti desde que essa doença nos pegou me fez ver muitas coisas! Ele me diz me fazendo um carinho no rosto – Eu te amo Mary, e isso, mesmo eu já tendo dito algumas vezes, tem um novo sentido agora.
−Também amo você, é tudo que tenho e tudo que na verdade quero ter!
−Eu estava andando... Quer dizer, fomos pegos por uma horda e precisamos abandonar o carro, ficamos a pé e eu estava mesmo com medo e meio sem esperança, as coisas são confusas para nós dois, essa coisa de ser minha garota...
Acho que ele quer me dizer algo e começo a ter um pouco de medo, e se ele me disser que me ama, mas acha que com a doença e o fim do mundo é melhor nos afastarmos?
−Não quer mais que eu seja sua garota? Eu pergunto e não posso deixar de ficar assustada meus olhos já estão cheios de lágrimas.
−Claro que quero, não é isso, o que quero dizer... Bom eu estava caminhando a pé com os outros e achei que você podia estar doente, que podíamos chegar tarde, passou todo tipo de coisa pela minha cabeça e então eu vi uma pedrinha no chão, uma... – Ele remexe os bolsos e tira uma pedrinha verde – É uma jaspe.
−É linda! Eu respondo tocando a pedra, as lagrimas continuam a correr porque não tenho ideia do que ele quer me dizer, mas o que quer que seja o está deixando muito nervoso.
−Sim! Ele sorri de leve – Me fez pensar em você, em todos os doentes e no quanto eu precisava chegar a tempo, para não te perder e não perder ele! Daryl olha para Scott dormindo – Compreendi que eu, Mary eu te amo!
−Daryl o que quer me dizer? Pergunto porque toda essa volta para terminar do mesmo jeito que começou não pode ser.
−Gosto que seja minha garota, namorada, mas acho que precisa ser mais e pensei que essa pedrinha, não é uma aliança, mas é como um símbolo, Mary eu quero que seja para sempre!
Fico uns segundo olhando para ele, toda minha vida passa por minha cabeça, os anos de tortura nas mãos de Jack, o apocalipse, ele me salvando, o primeiro beijo, a primeira vez que fizemos amor, ele me dizendo que me amava, uma, duas, várias vezes, Scott e a vida que aos poucos fomos construindo, mas nunca achei que um dia ele me diria isso.
Eu estou emocionada e choro, me encosto nele chorando, Daryl me abraça.
−Gosto de dizer que é minha garota, mas agora quero dizer que é minha mulher.
−Eu te amo, e quero ser sua mulher, Daryl eu... O modo como me faz feliz, como me dá o que preciso, como me completa, tudo que quero é ser sua e ser sua para sempre.
Daryl me beija, como não nos beijamos a dias e queria muito poder ter um momento nosso, me entregar a ele para selar essa promessa, mas não podemos e então tento demonstrar tudo naquele beijo e isso me arrebata, porque ele corresponde da mesma maneira.
−Agora se me perguntarem eu posso dizer que sou sua mulher? Eu pergunto quando nos afastamos, nunca estive mais feliz, e penso no cantinho das coisas boas que acontecem com Mary, no lugar que guardava umas poucas palavras gentis, um carinho e alguns beijos e que agora não poderia existir, por que não pode acomodar o mundo, Daryl me deu o mundo.
−Sim senhora, é minha para sempre.
−Mas e você, eu sou sua e sei disso antes mesmo de me pedir, mas você é meu?
−Sempre fui, desde o começo, nunca teve mais ninguém, nunca vai ter!
−Eu te amo! Eu conto a ele que me beija de novo e mais uma vez e depois se afasta me entregando a pedra, nosso símbolo e é mais bonito e original que uma aliança, mais a cara dele.
−Guarde! Ele me pede e a aperto junto a mim.
−Sempre! Eu respondo.
−Fique aqui Mary, vou falar com o Rick e depois eu e ele vamos contar ao Ty o que aconteceu, que foi a Carol, não sei como ele vai reagir, queria vingança e agora ela foi embora ele pode culpar o Rick.
−Eu te espero aqui!
Daryl me dá mais um beijo e depois de uma última tentativa de tirar o dedo de Scott da boca ele nos deixa.
Eu fico sentada um pouco, olhando para a pequena pedra em minha mão, me sinto tão feliz que estou como que flutuando, Scott se mexe ainda dormindo.
Então ouço um burburinho de vozes e um estrondo que faz o prédio tremer, meu coração descompassa, é um ataque.
Olho em volta, pego uma mochila e coloco umas peças de roupas para Scott que estava chorando sentado.
−Calma filho! Eu digo a ele, pego os remédios que Bob nos mandou tomar, a garrafa de água que temos na cela, guardo tudo, minhas armas estão comigo e pego meu filho no colo.
−Papai! Ele grita.
−Vamos ficar com ele não tenha medo!
A besta e a mochila estão nas costas, levo Scott no colo, estou tremendo muito, minhas pernas mal me respondem porque tenho medo do que vou encontrar lá fora.
Saio para fora e então eu o vejo, o Governador estava de volta, trazia mais do que novos inimigos, trazia um tanque e só aquela máquina feroz diante de nossas grades já eram um anúncio do que viria a seguir.
−Aconteça o que acontecer fique grudada nele e perto de mim, ele não veio conversar! Daryl me diz com os olhos fixos nos meus.
−Eu prometo! Digo em resposta, Maggie e Beth estão ao meu lado, Arthur, Sasha, Tyresse, Carl e Rick, Bob também, todos os que estão acostumados a lutar, mas onde estão Michonne e Hershel?
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