Apocalipse - A Era Dos Mortos
70 Capítulo 70 -Caos
Notas iniciais
Pov – Mary
As pessoas estão claramente piorando, os acessos de tosse, os espasmos e o sangue surgindo pelos olhos. Doutor S já não pode mais ajudar, Hershel por outro lado está incansável.
Glenn e Sasha também pioraram, isso é visível, eu me sinto cansada e dolorida, mas nada que se compare aos dois, Scott só tosse, a febre nunca sobe muito, acho que crianças são realmente mais fortes, porque todas que estão aqui estão em melhores condições que os adultos.
Não quero pensar muito na demora de Daryl, no que ela representa, ele vem, eu sei que vem, apenas preciso fazer meu trabalho e esperar enquanto ele faz o dele, além disso está com gente forte a seu lado, zumbis não vão impedi-lo de fazer o que é preciso e voltar para casa.
Depois da conversa com Rick sigo de volta para minha cela com Scott, ele quer ficar o tempo todo no colo, pergunta por Daryl a cada cinco minutos, acho que se sente seguro com ele por perto, não posso culpa-lo, eu também me sinto mais segura quando ele está por perto.
O que Rick vai fazer com o que sabe sobre Carol não me importa, ela também não se importa, pelo menos é o que acho, não fez nenhum esforço para esconder o que fez, ao menos é o que acho, qualquer olhar mais atento chegaria a conclusão que foi ela.
Carol está sempre querendo manter tudo sob seu controle, deixou claro dezenas de vezes o quanto a segurança da prisão é importante e quando a cerca cedeu, quando estávamos todos, desesperados para mantê-la de pé, usando nossas próprias mão para isso, onde estava? Se Rick não tivesse tido a ideia dos porcos ela teria cedido, todos que estavam em condições ajudavam, menos ela e por que? A resposta é simples, se aproveitou da confusão para matar e queimar duas pessoas.
Mas agora Rick já sabe e não vou me preocupar com isso, não vou me preocupar com nada além de manter meu filho vivo.
−Mamãe cadê o papai?
−Está chegando! Eu respondo demonstrando toda confiança, mas na verdade não sei quando isso vai acontecer.
Pego meu pequeno no colo e sigo para o andar de cima, Hershel está com problemas eu percebo uma pequena confusão.
Henry está engasgando, tosse e se debate, Glenn tenta ajudar, Sasha está com eles mas está tão fraca que me dá pena.
−Preciso que fique calmo Henry! Hershel pede, nem sei como pode estar tão confiante ainda, eu o admiro cada dia mais – Ajude a segurá-lo Mary! Hershel me pede e coloco Scott no chão para ajudar, com destreza ele passa um cano na garganta do homem que luta por ar desesperado, estamos todos tensos.
Deus não quero ver meu menino assim! Eu penso enquanto seguro seus braços com toda minha força e isso só me mostra o quanto estou fraca, somos três e mal damos conta de controla-lo, quando termina de entubar Henry com o que ele chama de aspirados, Hershel nos observa, os três tossiam, graças ao esforço.
−Bebam um pouco do chá! É uma ordem e obedecemos enquanto ele aperta o pequeno balão jogando ar nos pulmões do homem – Reunião do conselho?
−Faltam dois membros – Sasha o lembra.
−Então vamos fazer novas regras antes que voltem, eu declaro que teremos macarrão às terças-feiras, todas as quartas-feiras.
Nos olhamos, ele faz de tudo para nos manter firmes e meus olhos se enchem de lágrimas quando sirvo mais um pouco de chá para Scott agora mais uma vez em meus braços.
−Eu sei, primeiro precisamos achar macarrão.
Ele respira fundo, está suado e cansado, mas nos faz acreditar que nunca vai sucumbir, que sempre vai estar inteiro para nós, eu só posso ser grata por termos Hershel aqui, é um presente, ele dá instruções a Sasha de como continuar o trabalho, nos exige turnos, quer nos manter ocupados.
−Mary você vai descer com Scott e colocá-lo para descansar e Glenn pode me ajudar na ronda?
Todos obedecemos imediatamente, Glenn é o mais pessimista eu tenho que admitir, está revoltado com o que está passando, se sente inútil e ficar longe de Maggie não ajuda em nada.
−Quanto tempo isso vai manter ele vivo? Ele pergunta, eu não sei se quero ouvir a resposta.
−O tempo que estivermos dispostos a mantê-lo vivo. O tempo que for necessário.
Desço com meu pequeno nos braços, me sento de novo na cama com ele, preciso solta-lo um pouco, apenas para tossir, uma crise que me deixa uns segundos sem ar, depois com medo de assustá-lo eu me esforço a parecer bem.
−O papai está com tosse também?
−Não! Eu respondo firme, embora não possa ter certeza sobre isso.
−Queria que ele ficasse aqui, vamos buscar ele? Scott começa a chorar e como choro vem mais tosse, eu o abraço.
−Não chora por favor! Imploro quando ele tossia descontrolado, se Scott cuspir sangue eu simplesmente não vou aguentar.
Aos poucos ele se acalma e adormece, não o solto, mantenho meu pequeno nos braços como se isso fosse garantir sua vida ou a minha.
Glenn e Hershel passam com outra maca, mais um morto, meu coração se contorce e aperto meu filho nos braços, sei o que vai acontecer, Glenn vai terminar de fazer porque Hershel é humano demais para fazer isso.
−Mary! Glenn surge na porta da cela – Acho que meu tempo está acabando, se sente bem?
−Pare de dizer isso! Eu peço chorando – Vá descansar!
−Eu vou, só fique atenta, sabe que Hershel não pode fazer se eu...
−Glenn...
−Certo! Ele me dá as costas e sobe. Aproveito que Scott está dormindo e me entrego a minha dor, numa longa crise de choro que se mistura a uma tosse irritante me tirando o ar, bebo mais uns goles do chá, não posso cair agora, preciso ser forte ou Daryl nunca vai me perdoar.
Coloco Scott na cama quando percebo uma pequena confusão, saio e um homem estava caído, mais um morto, estamos perdendo a guerra me dou conta, Hershel pega sua faca, as pessoas estão olhando de suas celas, meu sinto tonta, mas não posso deixar que ele faça isso, não quando sei o que isso provocaria nele, se Hershel perder as esperanças então não vai nos restar mais nada.
Ele quer que voltem para suas celas, mas as pessoas não podem fazer isso, sabem o que se passa, assistem o homem morto e sujo de sangue como se vissem a própria morte, não é diferente comigo, caminho até a maca depois de fechar minha cela, Scott está lá dentro dormindo.
−Vamos colocá-lo aqui! Eu ajudo Hershel a colocá-lo na maca.
Hershel me olha nos olhos, meu coração está doendo, o tempo nos alcançou e chegou derrubando tudo, mais uma vez estamos perdendo, será que algum dia vamos vencer essa guerra?
−Vá descansar! Ele me pede e sinto que de algum jeito ele está pronto, não queria que tivesse que fazer, mas sei que nenhum de nós pode mais ser poupado e obedeço. Ainda o vejo resignado empurrando a maca, então volto para perto de Scott.
Hershel volta e percebo seu abatimento.
−Rick esteve aqui, ele mandou Carol embora, mas acho que sabia disso.
−Que foi ela sim, que ele a mandaria embora não.
−Não quero pensar nisso agora, estive conversando com ele e Mary, acabo de dizer que uma alma aflita mata mais rápido que um germe!
−Tenho medo Hershel, pelo Scott, e por todas essas pessoas, medo de ter que seguir sem ele eu não quero, não posso, tenho medo de ele ter que seguir sem mim, Daryl está lá fora, se sairmos disso, se conseguirmos nunca vai ser igual não é?
−Não querida, mas temos que confiar nos planos de Deus, ainda acho isso, ainda tenho esperança.
−Acha que ele está me punindo? Eu soluço e Hershel me abraça – Por ter duvidado dele a vida toda?
−Não, ele está te testando, a vida é um teste, vamos aprender Mary, apenas descanse.
Ele começa a se afastar, sai fechando as celas e sei que caminhamos para o fim, me sinto frágil, eu já voltava para dentro quando Hershel me grita e então corro, quando chego Sasha estava caída e ele a ajudava, eu tossia e me descontrolava enquanto tentava ajuda-lo.
Sasha se recupera e volto a ficar com Scott, ele acorda, me olha muito abatido.
−Dói muito!
−Já vai passar! Busco o ar com força, falar está cada vez mais difícil, a febre me domina, e tenho medo de machucar meu filho, de me tornar um monstro diante de seus olhos, quero Daryl, desesperadamente, meus olhos ficam marejados – Tome mais chá! Eu o sirvo, tomo mais uma caneca e fico olhando para ele, Daryl pode cuidar dele, eu sei que pode.
Tenho medo de não ter tempo de me despedir, o tempo mais uma vez me impedindo, me açoitando, eu os amo tanto, me sinto ingrata por não agradecer, por querer mais, eu os tive, era para estar morta sem nunca ter conhecido a felicidade, mas não foi o que aconteceu, Daryl me salvou, me deu uma vida e sonhos, Scott veio junto e agora só posso ser grata, se partir agora ganhei mais do que perdi.
−Fiquem todos em suas celas! Hershel grita e ouço o som que tanto conheço, zumbis, meu coração bate descontrolado.
−Fique aqui filho, não chegue perto das grades! Eu saio e fecho a cela, ainda o escuto me chamar, tossir e chorar, mas então Hesrhel está no chão, um tiro é disparado quando um zumbi ataca outro homem, consigo tirar o zumbi de cima de Hershel e quando vejo o homem armado está no chão sendo devorado enquanto sua arma dispara, um tiro acerta uma mulher que cai ferida, ajudo Hershel a ficar de pé e pego minha faca, outro zumbi surgia de uma cela, então chegou a hora, a doença por fim nos venceu.
Estou apenas com minha faca, a pistola ficou em algum lugar na cela, Caleb nos avisou que tinha armas em sua cela, olho para cima e vejo Lizzie atraindo um zumbi, como que fala com um cachorrinho.
−Venha garoto! Ela dizia enquanto caminhava para trás, olho um instante para Hershel, mais zumbis surgindo das celas que deviam estar fechadas, mas foram abertas pelos curiosos.
Está tudo uma confusão, Hershel sobe para ajudar Lizzie, eu começa a fechar celas, um zumbi se aproxima e acerto sua cabeça, estou fraca demais para lutar com todos eles.
−Para as celas! Grito com as pessoas, mas estão desesperadas demais e correm perdidas pelo bloco, vejo Hershel tirar o zumbi de cima de Lizzie, Scott tossia e gritava por mim, com medo da confusão, um zumbi atraído por seu grito tentava pega-lo pelas grades, acerto ele e ainda vejo meu pequeno encolhido no canto da cela, melhor assim, zumbis subiam as escadas, Hershel estava lá em cima com crianças e Glenn, tento chegar até lá derrubando um zumbi, mas tem muitas pessoas, fecho os que consigo em suas celas.
−As armar do doutro Heshel! Eu grito sem saber se ele me ouviu, não tenho força para pegar zumbis com apenas uma faca e volto para minha cela para buscar minha pistola.
−Mamãe! Scott tenta se abraçar a mim, cada segundo é importante e eu apenas o afasto saindo com a arma, escuto tiros vindos de cima e sei que Hershel está armado, a escuridão me impede de ver o que se passa, um zumbi surge do nada do meu lado, me prende as grades, me sinto zonza, meus olhos embaçam enquanto luto com ele e me lembro da pistola atiro e ele cai, quando me refaço do susto dou de cara com Maggie que acerta um zumbi que se aproxima em meio a escuridão.
Felizmente ela tem uma lanterna, olhamos para cima e Hershel lutava com Henry zumbi, ele precisava do aspirador para Glenn e não quer que Maggie atire, mas ela mira e dispara, nem sei como pode ser tomar uma decisão como essa, felizmente Henry fica imóvel e Hershel consegue o que quer, Scott tossia convulsivo.
−Vai Mary, eu ajudo meu pai! Maggie não dá espaço para dizer não, sinto que ela esteja aqui, mas agora Hershel precisa de ajuda e não posso deixar Scott, ela sobe correndo, ainda escuto seu apelo desesperado.
Glenn tem que resistir, abro minha cela e me aproximo de Scott, ele vem para meus braços, chorando.
−Desculpe filho, desculpe! Peço culpada por tê-lo deixado.
Scott está com febre, treme em meus braços, assustado com os momentos de pavor que passamos. Uma crise de tosse o domina e então quando se acalma a boca está suja de sangue.
Meu coração se contorce e estremeço, me controlo, mas estou tremendo quando limpo sua boca, ele respira com dificuldade, está abatido, eu o abraço chorando, não consigo mais, simplesmente não tenho mais forças sozinha.
−Por favor! Eu peço, em meu desespero – Calma sorvetinho, vamos ficar bem!
Choro abraçada a ele, toda minha força se esvaindo, eu não posso perde-lo, não aguentaria, faço com que tome um pouco do chá, ele se acalma, respira com dificuldade, mas agora não chora mais.
Hershel surge na porta da cela me olha tão cansado que sinto pena.
−Scott! Digo mostrando o lenço sujo de sangue e ele apenas continua me olhando.
−Vai dar tempo! Me diz – Glenn está bem, conseguimos.
Ele me deixa sozinha mais uma vez com meu pequeno no colo, então escuto movimento mais uma vez e lá está ele, Daryl surge na porta da cela, pálido e cansado, vem em minha direção e minhas esperanças se renovam, ele me abraça, Scott o olha e sorri.
−Achei você! Daryl diz pegado o pequeno no colo, me encosto em seu ombro, ele me puxa para seus braços – Consegui os remédios, Bob está preparando tudo, vamos conseguir.
−Eu te amo! É tudo que consigo dizer, agora posso deixar que ele cuide de tudo, eu só quero ficar assim, em seus braços, ele me beija de leve – Não devia, estou...
−Sei disso! Ele me diz carinhoso tocando minha testa – Não me importo.
Me encolho em seus braços, com ele aqui posso suportar qualquer coisa, acho que Scott também.
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