Apocalipse - A Era Dos Mortos
71 Capítulo 71 - se recuperando em meus braços
Notas iniciais
Pov – Daryl
A viagem de volta foi na minha opinião a viagem mais longa que já fiz na vida, eu estava ansioso e ao mesmo tempo com medo do que encontraria, medo de como Scott e Mary estariam, isso é muito difícil para mim.
Nunca fui muito bom em lidar com sentimentos, e agora, mesmo me esforçando ainda tenho problemas com isso, sei o que sinto, essa parte eu entendi, o que ainda é um problema é como demonstrar, como lidar com o que eles provocam em mim.
Quando chegamos, a noite acabava de cair, assim que entramos eu percebo que as coisas foram difíceis, as grades caíram, sabia que um dia cairiam, mas está claro pelo número de corpos que eles deram um jeito, mas isso pouco me importa agora.
Tyreese corre para dentro, já eu, caminho mais lentamente, medo, é exatamente isso que sinto e detesto me sentir assim, porque simplesmente não posso continuar se algo tiver acontecido com eles.
Assim que os encontro meu coração dá um pulo, meu estômago se contorce numa sensação que agora eu reconheço e simplesmente gosto.
Mary está doente, no fundo eu sabia que estaria, mas temos os remédios agora, vão fazer efeito, se consegui chegar é porque tudo vai dar certo.
Eu os envolvo, ver o sorriso do meu sorvetinho faz tudo valer a pena, ele me chama de pai e hoje eu fiz o que os pais fazem, lutei por ele, e me orgulho disso.
Beijo Mary, ela reluta por que tem medo que fique doente também, não me importo, ou ficamos todos bem ou é melhor que pegue logo essa coisa, fico com os dois se recuperando em meus braços.
Pela confusão do lugar, os mortos mais uma vez se levantaram, aposto que Mary teve que lutar, admiro sua força, nem imagino o terror de estar trancado aqui, com uma criança indefesa e zumbis tentando te devorar.
−Pelo visto as coisas ficaram feias.
−Muito! Ela se aconchega mais em meus braços – Um ataque, só eu e o Hershel para conter todos, foi assustador, Maggie entrou, não a queria aqui, Glenn está muito mal, achei que ele não resistiria.
−Bob já está preparando os remédios, Maggie estar aqui não vai ser problema, agora podemos cuidar dos doentes.
−Perdemos muitos, quase ao mesmo tempo, tipo como se fosse uma espécie de limite, senti como se o prazo tivesse acabado.
−O que importa é que estamos aqui e todos fizeram o que era preciso fazer!
Ela tosse, com um lenço na boca, nada de sangue e agradeço, Scott que está conosco, parece bem pior.
−Ele... Scott, sangue! Ela me diz com os olhos já marejados.
−Shiu, nem pense nisso! Eu peço, ao menos eu não poderia pensar.
−Papai demorou muito, eu chorei! Scott me diz e sorrio, conheço essa história — Tem zumbi aqui, fiquei sozinho.
−Não vai mais ficar sozinho, eu já cheguei, achei você.
Ele está em meu colo, a cabeça encostada em mim, os olhos abatidos de dar pena, então Bob entra na cela.
−Já medicamos o Glenn, agora é você Mary.
−Primeiro ele! Ela pede e ele começa por Scott, traz uma injeção com as doses que preparou, Scott chora muito e tenho que segura-lo e isso é absurdamente dolorido para mim, como se eu mesmo o estivesse maltratando.
Bob faz um rápido exame em Scott, Mary mostra o lenço sujo para ele que faz um movimento afirmativo com a cabeça.
−Não é tarde demais, posso garantir! Bob a tranquiliza, mas não garante que tudo vai ficar bem.
Depois é a vez de Mary, Bob avisa que volta em quatro horas para repetir o processo.
−Obrigado Bob! Eu digo, não nos falamos desde a faculdade e aquela garrafa, ele assente e se afasta.
−Papai fica aqui comigo! Scott pede, os olhos fechando, não sei se gosto que ele durma.
−Ele quer dormir? Eu pergunto preocupado.
−Sim, eu tive medo também, mas Hershel diz que é bom, ele armazena energia quando dorme.
−Certo, então acho que o senhor precisa de um pouco de sono não é sorvetinho?
−No colo! Ele me segura pela camisa, acho muito estranho alguém preferir ficar comigo se pode ficar com Mary, mas no momento só quero que fique no meu colo e que consiga dormir.
Não passa nem cinco minutos e ele está dormindo, eu o coloco na cama, e trago Mary para junto de mim enquanto ficamos observando Scott dormir.
−A grade caiu! Digo a Mary que se afasta um pouco para me olhar – Deram um jeito, foi antes de eu chegar, parece que foi tudo ao mesmo tempo.
−Eu pensei que algo assim estava acontecendo, ouvi tiros e além disso estávamos encrencados aqui e só Maggie entrou.
−Pelo tanto de corpos foi assustador lá fora! Eu digo quando ela se encosta de novo em mim, tosse um pouco, sinto que está com febre.
−E lá fora, como foi?
−Deu tudo certo, tivemos alguns atrasos, mas tudo bem.
Não vou contar a ela sobre aquela horda descomunal que nos pegou na estrada, não quero assustar Mary.
−Foi grave assim? Ela me pergunta e acabo por sorrir, não consigo esconder muito dela.
−Voltamos todos, trouxemos os remédios, então não foi assim tão difícil.
−Senti tanto sua falta!
−E eu a sua, me acostumei com você lá fora comigo, às vezes queria falar com você, te procurava ao meu lado.
−Está sendo um demolidor! Ela me adverte e rimos, eu a beijo mais uma vez, ela se afasta – Não faz isso, tenho medo!
−Quer dizer que agora recusa beijos?
−Eu não recuso beijos nada! Ela ri – Você me faz rir, pensei que nunca mais iria sorrir.
−Papai! Scott choraminga e olhamos de imediato, mas ele está apenas dormindo, me chama em seu sono, fico imóvel.
−Fala com ele! Mary me pede, mas ele está dormindo, o que vou dizer?
−Falar o que? Ele está dormindo bruxa.
−Papai! Ele chama e tosse.
−Deixe apenas que ouça sua voz, para saber que está aqui.
Eu seguro sua mão com cuidado, ele a aperta.
−Estou aqui! Digo para ele – Pode dormir, eu vou ficar aqui.
Scott leva o dedo a boca, detesto esse dedo na boca.
−Aposto que foi isso que o deixou assim! Reclamo tirando seu dedo da boca, ele logo o leva de volta, Mary ri e eu olho para ela me perguntando o que pode diverti-la tanto.
−Acho tão... Acho... Estou doente não briga comigo, acho fofo você assim, sendo um pai preocupado! Ela me diz e tenho que concordar, é estranho ser um pai desses que educa, tiro de novo o dedo dele da boca, ele resmunga e volta a chupar o dedo.
−Vou tirar essa mania dele, tem que ter um jeito!
Desisto e ele volta a dormir, aos poucos vai soltando minha mão e volto a abraçar Mary.
Me arrumo no beliche e sinto a pedrinha no bolso, a que me lembrou Mary, eu decido guardar para outro momento, quero que tenha um significado para ela, não é uma aliança como Glenn deu a Maggie, mas vai lembrar Mary que eu a quero para sempre.
−Amor! Ela me chama e desvio meus olhos de Scott e olho para ela – David e Karen, foi a Carol.
−Como? Me espanto – Como sabe disso?
−Eu desconfiava, na verdade eu tinha certeza, mas estava tudo confuso e nem deu tempo de falar com você, então o Rick veio falar comigo, eu disse que devia perguntar para ela, e ela admitiu.
−Tyreese vai ficar... O que Rick...
−Ele a expulsou! Ela me corta contando, eu olho para ela demoro a entender o que isso quer dizer – Ficou bravo com ele?
−Não, não sei, eu acho isso confuso, ela estava meio louca, mas mandar embora parece meio drástico, de qualquer modo, mesmo que eu não tivesse coragem de fazer algo assim, entendo os motivos dele.
−Eu não queria ficar perto dela, pensei que se Scott, eu ou você... Ela teria feito o mesmo.
−Aquela pequena confusão aqui na porta, era sobre isso?
−Sim, eu já sabia que tinha sido ela, mas não quis dizer nada.
−Ela vai ficar bem, se transformou muito nos últimos tempos, agora é forte, se teve forças para algo assim, vai se virar bem.
Eu acredito mesmo nisso, até torço um pouco, ela nos fez muito mal, mas ainda me lembro da mulher frágil da pedreira, a que perdeu a garotinha, e dessa mulher eu sinto certa falta, eu e Mary lutamos muito com ela.
−Você comeu?
−Não bruxa, só corri e lutei, mas agora estou aqui, vocês estão bem e isso é o que importa. E você, dormiu?
−Nem um segundo, não podia dormir, tenho pesadelos, sabe disso.
−Mas acho que agora devia dormir um pouco, eu preciso ir até lá fora, ver como estão as coisas, tentar erguer a cerca para podermos ficar tranquilos.
−Eu tenho medo de ter pesadelos, espero você voltar.
−Bruxa, preste atenção, eu venho logo, Scott vai estar aqui, Maggie está por perto, e se gritar estarei aqui num segundo, precisa descansar para se recuperar, só até a próxima dose do remédio.
−Tem certeza? Ela está cansada, os olhos pesam eu posso ver isso.
−Fico até pegar no sono! Ela concorda.
Ajudo Mary a se deitar ela traz Scott para perto e espero que pegue no sono, isso é bem rápido, me demoro a observá-la, é absolutamente linda de um jeito especial, delicada, minha rosa Cherokee, beijo seus lábios e faço um carinho em Scott, então me afasto, vou em direção a Maggie, ela segurava a mão de Glenn que usava um tubo na boca, acho triste vê-lo assim.
−Maggie! Ela me olha – Como ele está?
−Vai ficar bem, meu pai e Bob estão fazendo a ronda, e Mary, Scott?
−Dormindo, estão bem, preciso sair um pouco, ver se ajudo lá fora, as grades caíram, Rick deu jeito com Carl e Arthur.
−Eu fico de olho nela, não se preocupe, fechou a cela? Faço que sim, ainda é arriscado deixa-la tão indefesa, não temos certeza de nada ainda.
−Volto logo.
Sigo até Rick, com ajuda de Arthur e Tyreese, erguemos as grades, usamos madeira para manter as grades.
−Com o barulho que fizemos me assusta pensar o que pode acontecer!
Rick me avisa.
−Só nos resta esperar, os doentes estão sendo medicados, acho que tudo vai ficar bem.
−É o que espero, Carl teve que se juntar a nós, e Maggie precisou entrar lá, agora estamos todos em risco.
−Sim, mas vamos ficar bem, eu sei que sim! Me mostro confiante.
−Michonne me falou sobre a horda.
−Não podemos vencer uma coisa como aquela, nunca poderíamos, não sei o que os juntou, para onde estão indo, mas são centenas, milhares talvez.
−Vamos pensar nisso quando tudo isso passar.
Concordo me afastando de Rick, ele está relutante em assumir seu posto de líder, mas é isso que ele é, goste ou não, e cedo ou tarde teria que voltar, eu ajudo um pouco com os corpos, mas depois de um tempo decido entrar para ficar com Mary, o resto pode esperar.
−Vou ver Mary! Aviso a distância, ele sorri, concordando.
Mary estava tossindo quando chego, mas a febre tinha cedido por completo, ela me vê e se senta, vem de novo para meus braços.
−Se lembra que tinha medo de tudo, que esperava que eu me aproximasse? Eu brinco com ela – Agora é diferente, gosto mais assim, menos quando recusa beijos, mas eu entendo, eu te amo muito mais e por isso você pode recusar beijos e eu não.
−Não ama nada, eu que amo mais.
−Quer apostar?
−Bobo! Ela me abraça – Como estão as coisas?
−Erguemos a cerca, é um quebra galho, apenas por um tempo, quando essa crise passar vamos repensar a segurança.
−E Glenn, sabe dele?
−Está bem, mas chega de Glenn, já ficou aqui todo esse tempo sozinha com ele, não sei não!
−Eu, Glenn, essa doença infernal e uma dúzia de zumbis, foi mesmo muito divertido! Ela me responde.
−Estou de olho na senhorita.
−Quando ele acordar, quando for de dia, acha que podemos ir lá fora um pouco? Ela me pede com aqueles olhos dourados que me deixam tonto – Estou angustiada.
−Vamos pedir ao Hershel!
−É de dia já?
−Não, ainda é noite, que tal dormir mais um pouco?
−Chega de dormir, quero sarar logo, Sasha está bem?
Faço que sim, mas não sei dizer, apenas quero que ela fique despreocupada, Bob retorna com a medicação, Scott acorda, chora mais uma vez para ser medicado, depois se acalma e se recusa a voltar a dormir, ficamos os três e então Hershel entra na cela, Mary corre para seus braços, ela o ama muito e ele a aperta aliviado.
−Foi muito bom ter você aqui, para me ajudar, sem sua ajuda não teria conseguido.
−Hershel você foi um herói, só superei por que o tinha aqui comigo, obrigada! Ela volta a abraça-lo, está chorando, ele afaga seus cabelos, carinhoso.
−Bobagem, fomos todos nós, como sempre, cada um fazendo seu trabalho sem questionar.
−Me sinto muito bem, acha que podemos ir um pouco lá fora quando ficar de dia?
−Claro, chega de isolamento, Beth e Judith estão fechadas, os outros todos já estiveram em contato com a doença, então pode sair e respirar um pouco, os dois podem.
Hershel deixa a cela e Scott vai para o chão, se senta com seu cavalinho e respiramos aliviados.
O dia clareia e saio para fora com Mary e Scott, ele está em meu colo, me sinto feliz por estar ali com eles, eu sei que temos muito o que fazer, recolher corpos, limpar tudo e nos organizarmos mais uma vez, mas no momento não consigo me afastar deles, só de pensar que poderia ter perdido os dois me dá calafrios e só quero ficar com eles por perto.
−Papai os zumbis estão tudo no chão! Scott me mostra a cena, não sei se é boa ideia deixa-lo ver algo assim, mas acontece que essa é nossa realidade, e o fato é que poderia ser pior, esses ao menos, estão no chão.
−Sim, estamos bem seguros aqui, eles estão todos mortos!
Mary me sorri, está abatida, mas tão feliz que fico observando-a um pouco, ela acena para Michonne, Hershel surge caminhando devagar, Rick e Carl cuidam da horta, tudo mais uma vez voltando a normalidade, ao menos isso.
−Vai! Ela me diz – Eu sei que está agoniado para ajudar, e tem mesmo muito o que ser feito, vou ficar sentada aqui olhando você.
−Não, o papai vai sair de novo?
−Vou ficar aqui, sempre por perto, vai poder me ver.
Ele vai para o chão e Mary o segura pela mão, os dois se sentam no sol fraco, e me afasto despreocupado, Hershel e Michonne entram no carro e deixam a prisão para queimar mais corpos enquanto eu junto o resto dos corpos, Arthur me ajuda, e de vez em quando me viro para observar minha pequena família, toco o bolso e sinto a pedrinha, assim que tudo isso terminar vou entregar a ela.
Scott me acena todas as vezes, está encostado em Mary abraçado ao cavalinho, a tosse está quase sumindo, mas estão ainda fracos, vamos ficar bem, temos que ficar.
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