Apocalipse - A Era Dos Mortos

65 Capítulo 65 - Infecção


Notas iniciais
Mais um pessoas lindas! Espero que gostem.

Pov – Mary

−Zumbis no bloco D! Ouço Glenn gritar quando estava saindo, como pode ser isso? Eu penso enquanto corria.

−E o bloco C? Rick pergunta também em disparada.

−Limpo! Sasha responde antes de sumirmos para dentro do bloco.

−Não há brecha! Daryl nos lembra o que só tornava a ideia de zumbis no bloco mais estranha.

Eu não acredito na confusão que vejo, correria, gritaria, gente sendo atacada, crianças e adultos absolutamente desnorteados.

Só me resta ajudar, Daryl, Glenn e eu vamos matando zumbis e tirando de cima das pessoas, Rick tentava evacuar a área, Carol reúne as crianças, vejo Daryl salvar um garotinho, evito uma mordida em uma jovem um segundo antes, e então fica só o choro de medo e nada mais, o bloco parecia limpo.

−Aqui em cima! Daryl diz já subindo as escadas, vou com ele, Glenn já tinha subido.

Logo no topo da escada o corpo de uma mulher, alguém jovem, me entristece pensar que tudo pode acabar assim, então uma confusão me chama atenção, quando olho, Glenn luta com um zumbi, meu coração acelera e já apontava a besta, mas Daryl é mais rápido.

−Abaixe-se! Ele grita, Glenn obedece e Daryl acerta uma flecha no zumbi que cai para dentro da cela, sigo com eles quando Rick já levantava Glenn.

−Obrigado.

Ele agradece a Daryl, Rick ergue a cortina e então eu o vejo, o pobre Patrick, com uma flecha na testa transformado em zumbi, percebo alguma mudança, ele parece ter chorado sangue, um arrepio passa por meu corpo.

−É o Patrick! Daryl diz abatido, ele andava bem próximo de nós, cuidando de Scott, meus olhos se enchem de lágrimas, Daryl olha para baixo, para os corpos espalhados pelo chão do bloco D – São todos eles! Sim eram muitos, e todos pessoas queridas que conhecíamos e respeitávamos e que agora estavam mortas, era difícil entender e aceitar isso.

Temos que olhar as celas, saber se estão limpas, faço dupla com Glenn, e Rick ajuda Daryl, Rick não quer matar zumbis, não quer lutar com sobreviventes, mas de que adianta fugir, essa droga sempre nos alcança e sem escolha ele entra em uma cela para verificar, sai com o canivete sujo, não temos como fugir, nenhum de nós tem.

A última cela estava trancada, Rick se aproxima, um zumbi surge, ele o puxa e acerta sua testa.

Daryl abre a cela, ficamos um instante sem saber o que pensar, Glenn desce para buscar o doutor S, quem sabe ele tem uma explicação para o que se passa.

−Sem ferimentos ou mordidas! Rick constata, eu fico ao lado de Daryl, ele me olha tentando demonstrar tranquilidade, mas não está tranquilo.

−Derrame pleural! Doutor S informa e isso não faz sentido algum para mim.

−Sufocou até a morte com seu próprio sangue.

Hershel sabe que precisa ser mais claro porque não entendemos nada dessa coisa de medicina.

−Por isso parece que chorou sangue? Eu pergunto.

−Sim, por isso essas marcas no rosto.

−Vi um zumbi assim lá fora! Rick se lembra.

−E o Patrick.

Daryl comenta e meu coração se aperta, será que havia uma doença a nossa volta?

Doutor S nos explica como funciona a pressão o porquê o sangue explode pelos olhos, nariz e boca, me assusta, me encolho um pouco.

−É uma doença transmitida pelos zumbis? Bob pergunta se aproximando.

−Não isso já acontecia antes, um pneumococo, ou uma gripe forte isso é mais provável.

−Alguém o trancou bem a tempo! Hershel diz olhando para o corpo no chão.

−Não, Charlie era sonâmbulo, se trancava antes de dormir, como pode, ontem estava tranquilo comendo churrasco, e agora morto por conta de um resfriado, em um dia?

−Eu tinha um porco doente, morreu rápido.

Rick comunica e isso só me deixa ainda mais tensa, algo está no ar, sinto um medo que não imaginava sentir de novo.

−Porcos e pássaros, era transmitida assim antes. Precisamos fazer algo a respeito dos porcos.

Matar os porcos vai ser uma tristeza, mas temos que pensar nas pessoas, e se mais alguém pegar isso? Penso em Scott, estou evitando pensar nele, mas não posso evitar, ele passou boa parte do dia de ontem com Patrick, andou em seu colo, brincou com ele.

−Se tivermos sorte, pode ser que seja só esses dois casos! Doutor S tenta mostrar otimismo.

−Há muito tempo que não vejo ninguém ter sorte! Bob comenta, não sei se concordo, eu tive bastante sorte desde que tudo isso começou.

−Todos nós aqui fomos expostos.

Hershel nos lembra, meu coração bate a mil, olho para Daryl, só consigo pensar em Scott agora.

−Daryl, o Scott! Eu digo e o tom soa mais como um pedido de socorro, ele passa a mão pelo meu rosto me faz um carinho leve, mas não é hora para isso e Daryl se afasta.

−Vamos reunir o conselho! Daryl avisa e descemos para sala de reunião, Mika se aproxima no caminho, ela segurava a mão de Scott que chorava, ele vem para meu colo quando me vê, eu o pego sem saber o que fazer, olho para Hershel.

−Ele passou o dia com o Patrick Mary, esteve mais perto dele que qualquer um, sinto muito, mas isolar Scott com os que não tiveram contato é uma ideia ruim, melhor ele ficar com você.

−Fica com ele Bruxa! Daryl me diz e eu apenas abraço Scott, seguimos para reunião.

Nos sentamos juntos, eu coloco Scott no chão, ele pega o cavalinho e se distrai, acostumado a ficar por perto quando nos reunimos.

Pov – Daryl

−Duas pessoas morrendo assim tão rápido? Carol comenta – Temos que separar todos que foram expostos.

−Todo pavilhão, todos nós, talvez mais.

Era muita gente exposta eu lembro.

−Sabemos que essa doença pode ser letal, mas não sabemos a facilidade com que se espalha, alguém está apresentando sintomas que conhecemos?

−Não podemos esperar para ver! Carol diz muito firme – Temos crianças aqui! Ela tinha razão, meu pequeno estava brincando no chão e eu olho para ele preocupado, nem sei o que faria se algo acontecesse a ele – Além disso quem morre vira uma ameaça

−Precisamos coloca-las em algum lugar, não podem ficar no bloco D!

O tom preocupado de todos me assusta um pouco, Mary e Scott expostos a isso, me dá medo pensar que posso perder os dois para uma porcaria de doença, se temos que isolar as pessoas então é o que faremos.

−Podemos usar o bloco A.

Mary lembra, o lugar estava limpo, era o isolamento possivelmente de presos mais perigosos.

−Corredor da morte? As palavras de Glenn são pesadas, mas honestas – Não sei se isso é uma melhoria.

−Estar limpo já é uma melhoria, acha que servirá ao doutor S? Pergunto a Hershel.

−Eu vou ajudá-lo a preparar tudo.

Então ouvimos uma tosse contínua, nos olhamos atentos.

−É a tosse do Patrick, ele veio me buscar para brincar papai? Scott fica de pé, sinto Mary ficar fraca, seu rosto perde a cor quando ela pega nosso garotinho no colo, Carol olha atravessado, Hershel nos pede calma com o olhar e seguimos para ver quem afinal está apresentando os sintomas.

Ouvimos a voz de Tyreese perguntar se Karen estava bem quando passavam.

−Tem certeza que está bem, não parece.

Carol intervém, Karen explica que está com tosse, Ty avisa que vai leva-la para descansar em seu bloco de celas, Judith está lá e Hershel explica a situação, eles ficam preocupados, mas não temos escolhas, é preciso separar todos, Karen avisa que David também estava tossindo e Glenn segue para busca-lo.

−Vou enterrar os corpos! Comunico e Hershel me pede uma nova reunião mais tarde, concordo, Mary e Scott seguem comigo, Carol fica parada, sinto sua preocupação, deve ser por conta das irmãs, Lizzie e Mika acabaram de perder o pai e acho que ela se sente responsável por elas, talvez isso a ajude a ficar mais centrada, quebre um pouco o gelo que se transformou seu coração, mas no momento tenho trabalho a fazer e apenas caminho com minha pequena família para longe.

Hershel me mandou usar máscara e luvas, posso fazer isso, meu problema no momento é a exposição de Scott a essa droga de doença, minha mente não se afasta disso.

−Posso ir com você papai? Ele me pede quando paramos no meio do pátio.

−Não pequeno, você fica com a mamãe, eu não demoro está bem?

Ele faz bico e Mary o coloca no chão depois se encosta em mim, está assustada e me lembra a Mary dos primeiros dias.

−Amor! Ela diz abatida – Eu não sei o que fazer.

−Fique por aqui, ao menos por enquanto, vou cavar as covas, depois... Eu não sei bruxa, apenas me espere.

Beijo Mary, que se dane, estou tão sujeito a pegar essa porcaria quanto ela, e no fim pelo menos estamos os três juntos, Scott nunca ficaria longe de nós de qualquer modo.

Sigo para o infeliz trabalho de abrir covas, essa é uma tarefa que nunca acaba, no começo achava que o certo era fazer uma grande fogueira e que se dane, mas agora depois de tanto tempo, de conhecer e me envolver com essas pessoas, acho digno dar a elas um enterro, já é uma vida miserável, ao menos isso podemos oferecer.

Rick caminha em minha direção.

−Que bom que você estava lá.

−Não fui muito útil desarmado.

−Foi sim! Ele precisa entender o quanto é importante sua presença no grupo, sua voz de comando – Você mereceu todo tempo que tirou de folga, não estaríamos aqui sem você.

Eu realmente acredito nisso, sem ele não estaríamos todos juntos, eu mesmo possivelmente teria seguido sozinho com Mary desde a pedreira.

−Fomos todos nós.

−Não, foi você primeiro. Vai nos ajudar a resolver isso?

−Estraguei tudo tantas vezes – Ele nunca vai ter certeza disso, ninguém vai, certas ou erradas foram as decisões dele que nos trouxeram até aqui e afinal a maioria de nós está aqui, perdemos muitos, mas outros chegaram – Comecei tudo na estrada, mas eu... Quase perdi meu filho, quem ele era, então estou aqui para o que mais esse lugar precisar.

−Como eu disse, você mereceu, mas sobre o que importa, você enxerga os erros, eu vejo quando a coisa fica feia, e você está ai com uma pá.

Ele sabe como conduzir as coisas em momentos de crise, não tem medo de errar, eu compreendo isso, e sabe que é hora de voltar, sempre soube que esse dia chegaria.

−Rick, Daryl! Maggie nos grita.

Olhamos assustados o que mais vai acontecer hoje? Eu penso cansado e então lá estavam os malditos agarradores tentando derrubar nossas cercas.

−Merda! Grito já correndo, em direção a cerca.

−O barulho os atraiu, agora a cerca está cedendo.

Maggie avisa e então Mary chega para ajudar, pega uma das armas que mantínhamos nas cercas e começa a derrubar zumbis.

−Cadê o Scott? Pergunto preocupado.

−Com a Mika, estão bem.

Eu concordo, precisamos de todos agora.

−Estão vendo isso? Sasha nos chama atenção nos aproximamos e para nossa surpresa haviam ratos pelo chão, ou restos deles − Alguém os está alimentando? Aquilo é mais grave do que parece, tem algum maluco entre nós, ou um assassino decidido a derrubar a prisão? Mas então a cerca pende e corremos.

A cerca começa a ceder, estarmos perto os deixa ainda mais sedentos, apoiamos com as mãos, não vai aguentar muito, todos falam ao mesmo tempo.

−Se continuar assim vai cair e eles vão entrar! Mary nos lembra.

−Daryl pegue o jipe, já sei o que fazer! É disso que estou falando, Rick tem seus instintos, sabe o que fazer em crises e estamos em meio a uma crise.

Pego o jipe e quando vejo Rick juntando os porcos numa grande caixa entendo seu plano, então é isso, eles precisavam ser eliminados e está é uma boa hora para isso, Maggie nos abre o portão, eu dirijo enquanto Rick vai entregando os porcos aos zumbis, ele os cortava antes de atirá-los ao chão para serem devorados, três porcos, uma ironia eu penso, resta saber quem é o lobo mal, nós, ou esses zumbis de merda, talvez Deus e essa sua mania insuportável de nos pôr a prova.

Os gritos dos porcos, o gemido dos zumbis, seu caminhar desforme o desespero pela carne fresca, tudo isso me faz lembrar de muito tempo atrás, no bar do Tim, aquele velho bêbado e seu comentário, “É o apocalipse” foi o que ele disse, achei aquilo uma grande tolice, mas sim, é o apocalipse, o velho deve estar morto, todo mundo está, talvez eu mesmo já esteja, só não consigo enxergar, mas hoje, agora, eu vou lutar, não importa até quando, nem quantas perdas ainda vamos contabilizar, eu vou lutar.

Tem algo grande à caminho dá para sentir no ar, os dias de paz chegaram ao fim, a chuva de zumbis foi só o cartão de visitas do que nos espera, mas não vai ser a primeira vez, então já estamos prontos.

Quando entro Mary já estava com Scott, ela me esperava do lado de fora, sentada em um banco, Scott encostado nela abatido.

−Que foi? Eu pergunto quando me aproximo ele me pede colo, eu o pego.

−Ele ouviu sobre o Patrick.

Mary me conta, Scott se encosta em mim, apoia a cabeça no meu ombro, não tenho a menor ideia do que dizer a ele, então apenas faço um carinho em seus cabelos.

−O Patrick não vem mais, o zumbi que comeu ele? Scott me pergunta, eu o olho pensativo, não sei o que responder, o que poderia dizer para confortá-lo.

−Sim, foi isso mesmo, mas você está seguro.

Se ele ficar doente não quero que saiba que isso matou Patrick, meu coração falha ao pensar sobre isso, se acreditasse em Deus pediria a ele que livrasse o garoto dessa, mas não acredito.

−Papai, vai sair?

−Não! Respondo e ele concorda com a cabeça ainda encostada em mim, Mary vem para meus braços, acho que agora tenho que ser forte pelos três.

−Onde vamos ficar com ele? Ela pergunta preocupada −Não podemos voltar para nosso bloco a bravinha está lá com a Mich e a Beth, o bloco D foi interditado e não quero levar ele para o bloco A, lá estão os doentes pelo que entendi.

−Sim bruxa, lá estão os doentes e não quero ele lá, vou dar um jeito, podemos ficar na torre, nos escritórios, não sei, viu o Artur? Eu não o tinha visto o dia todo.

−Ele ficou protegendo o bloco C quando tudo começou, depois queria ajudar, mas Maggie achou melhor ele ficar distante, já que não esteve em contato com os doentes, e bom ter alguém forte que esteja fora de risco.

Maggie tinha razão, além disso Michonne está com o pé torcido, todos os outros correndo risco de infecção o ideal é estarmos com alguém inteiro para uma emergência e algo me diz que teremos muitas.

Assisto de longe Rick colocar fogo no chiqueiro dos porcos, é uma pena que tenham sido sacrificados, foi uma boa aventura captura-los, mas acabou.

Carl caminha em nossa direção, para diante de Mary.

−Ela veio falar comigo, me pediu para não contar a ele, achei errado me pedir isso, e depois do que aconteceu hoje, bom eu contei ao meu pai, você estava certa, dei minha opinião, acho que ele aceitou.

As pessoas contam segredos a Mary tipo a cada dez minutos, aquilo é impressionante eu penso ouvindo a conversa dos dois sem ter a menor ideia do que estão falando.

−Se sente melhor agora? Ela pergunta para o olhar abatido de Carl.

−Muito, acho que fiz o certo, não me sinto um traidor.

−E não é! Ela diz decidida.

Carl mostra sua arma a Mary ela sorri, ele devolve o sorriso, mas são sorrisos tristes, gosto da amizade deles.

−Ele me devolveu, não queria que fosse assim, mas depois de hoje... Não tem volta não é Mary? Carl pergunta e ela faz um carinho em seu cabelo, dessa vez ele não se esquiva, acho que está precisando disso.

−Acho que não, ao menos não sobre isso, mas seu pai não te devolveu a sua arma por conta do ataque, acredite, foi por que confiou nele e contou a verdade, os zumbis sempre estiveram à nossa volta e mesmo assim ele te deixou desarmado, mas agora confia de novo em você.

Carl acena com a cabeça, depois se afasta, ela me olha, Scott dormia no me ombro e apenas nos sentamos quando ela faz um gesto me pedindo isso.

−Carl me procurou antes do ataque.

−Eu vi, mais um segredo para sua coleção?

−Acho que agora não mais, Carol anda ensinando as crianças a matar, se defender ou como queira chamar.

−A hora da história que nosso pequeno sorvetinho é absolutamente vetado! Eu comento e ela confirma.

−Eu tinha certeza que era algo assim.

Mary se recosta em meu ombro depois de um longo suspiro, ajeito Scott melhor ele ressona e ficamos os dois olhando para ele, acho que foi a tensão ou talvez a perda de Patrick, ele nunca dorme de dia, mas agora parece cansado.

−Não acho errado ensinar as crianças.

Mary me diz depois de fazer um carinho em mim, eu sorrio.

−Mas... – sei que ela tem uma ressalva.

−Mas temos um conselho para decidir essas coisas, e aquelas crianças tinham pais para decidir isso, ela não tinha esse direito.

−Concordo, se foi longe sobre isso o que mais pode fazer.

−Exato, ela me assusta um pouco.

Ela que se metesse com minha família, ela ou quem quer que fosse, eu beijo Mary, e ficamos apenas ali, sentados assistindo o sono de Scott, as coisas estavam ficando tão boas, é uma pena que justo agora tudo isso nos atingiu.

−Ele é tão lindo! Ela diz sorrindo, eu olho para ela – Adoro quando está com ele no colo, você fica tão...

−Olha lá! Eu provoco como uma advertência – Nada de me chamar de fofo.

−Não, você fica tão... Demolidor com ele no colo! Rimos, sim mesmo no meio daquele caos, afinal já nos acostumamos com essa porcaria toda.

−Isso, assim está melhor.

Notas finais
O que acharam? Acho que só vou postar outro na quinta, beijos