Apocalipse - A Era Dos Mortos

41 Capítulo 41 - Apenas um passo


Notas iniciais
Olá pessoas, mais um capítulo, amanhã posto em Fim dos tempos então essa agora acho que só na quarta. espero que gostem.

Pov – Mary

−Já anoiteceu, vamos descer, você deve estar com fome.

Daryl me diz quando estamos deitados, Eu respiro fundo está tão bom aqui, apenas deitada nos braços dele, ouvindo as batidas do seu coração, conversando tolices enquanto ele enrola uma mecha dos meus cabelos nos dedos a horas.

−É estranho não é? Eu pergunto a ele do nada, me apoio no cotovelo para poder olhar em seus olhos, o meu céu de verão – Como podemos apenas ficar juntos, é estranho.

−Nos entendemos mesmo, mais do que com qualquer outra pessoa, isso é bom.

Ele tem razão, é bom, me faz bem, quando estou com ele é quando me sinto mais completa, gosto de ouvir a sua voz, de saber o que ele pensa, da conversa fácil, nenhum dos dois tem esse jeito fora desse nosso pequeno mundo, só aqui somos assim.

−Você é meu amigo, acho isso engraçado, eu te amo, sou sua garota, mas somos amigos e não achei que podia ser assim, gosto de contar tudo que acontece na minha vida, não tenho medo de você.

−Eu sei bruxa, é assim comigo também, nunca escondo nada de você, e sobre ter medo, não quero que sinta medo de ninguém, precisa ser forte, eu sei que isso é difícil, mas se confia em mim, precisa enfrentar as pessoas.

−Eu confio em você! Respondo apressada – Mas isso não me impede de sentir medo, hoje quando... Eu achei que não iria aparecer ninguém, que se surgisse uma pessoa, não me defenderia.

−Mas eu vou te defender sempre, primeiro vou ferrar com tudo, como fiz hoje, gritar com você, mas depois vou respirar e ficar do seu lado.

−Quando me deu as costas, foi só um segundo, mas foi o pior segundo da minha vida!

−Não devia me deixar fazer isso, sabe que essas coisas são difíceis para mim também e devia me chamar atenção, dizer, ei idiota, sou sua garota você tem que cuidar de mim! Eu abro um largo sorriso, nunca vou conseguir fazer isso cobrar dele uma atitude, sou sempre a garota que aceita tudo e nunca pede nada.

−Não é sua obrigação cuidar de mim!

−Claro que é, está no contrato! Ele sempre me faz sorrir – Não leu?

−Que contrato? Pergunto rindo.

−O contrato que assinou para ser a garota do Daryl, está lá, tenho que cuidar e proteger você, e tenho que fazer você sorrir todos os dias, e te ensinar a se defender!

−E assinou esse contrato? Pergunto ainda rindo – Deve ter muitas vantagens para ter valido à pena.

−Sim, tem mesmo, não acredito que assinou sem ler, está lá, nunca pode brigar comigo porque faço bagunça, nem ficar brava comigo, e tem que me perdoar todas as vezes que grito e faço tolices e escuto suas conversas, já fiz isso duas vezes, dizer que sou um cara mal, e nunca, jamais me chamar de fofo, ou qualquer apelido desses em público!

−E eu assinei esse contrato?

−Assinou! Ele me beija – É a garota do Daryl então tem que cumprir sua parte.

−Ok! Eu o beijo – Pode contar comigo.

−Então vamos comer e saber como estão as coisas na prisão.

Não gosto de ter que sair da nossa cela, encontrar as pessoas, ouvir seus comentários nas minhas costas, mas não tenho opção, preciso ser corajosa e quero começar ainda hoje.

Encontro Maggie no refeitório, ela caminha até mim com passos decididos.

−Espero que esteja bem, fiquei muito preocupada, passou o resto do dia trancada na cela.

−Estou bem Maggie, desculpe te preocupar! Maggie sabe como ser uma boa amiga, me defende sem nem querer saber se mereço, adoro ter ela em minha vida.

−Não foi nada, vamos comer e dormir que amanhã saímos cedo.

Ela me sorri carinhosa, eu me afasto de Daryl um segundo para me forçar a dar um abraço nela, ela sabe como me sinto sobre isso e nunca se aproxima de mim, mas retribui o carinho imediatamente, e depois seguimos para o refeitório

Eu como sem muita vontade, a ideia de estar sendo observada me incomoda um pouco, depois Rick vem falar conosco, Hershel está com ele.

−Como está querida? Hershel segura minha mão todo carinhoso, eu tento sorrir – Soube do que aconteceu, sinto muito, mas isso é parte do viver em comunidade, vamos dar um jeito nisso, logo vamos nos adaptar certo? Ele sorri.

−Prometo tentar.

−Daryl sobre a Carol – Rick nos olha – Precisamos decidir juntos como agir, o que ela fez foi muito errado, mas...

−Eu quero falar eu mesma com ela! Aviso e todos me olham – Não vou brigar, só quero falar com ela.

−Ok! Rick concorda muito rápido, acho que está aliviado por não ter que tomar nenhuma atitude sobre isso, já Daryl fica me olhando um tempo quando ficamos de novo sozinhos.

−Quer mesmo fazer isso? Ele me pergunta.

−Quero! Eu sei que é apenas um passo, mas muitos virão depois desse e vou me tornar uma mulher forte e decidida, capaz de me defender de pessoas e suas pequenas maldades.

−Mas tem que me prometer não deixar que ela te magoe! Ele é o homem mais especial que conheço e só posso sorrir em gratidão.

−Isso eu não posso prometer, mas prometo me esforçar! Ele me beija de leve, desde que descemos as escadas está abraçado a mim, ou segurando minha mão, não se afastou um único segundo.

O homem da briga não apareceu e pouco me importo se está bem ou não, na verdade acho bom que fique uns dias de cama até Daryl esquecer o que houve.

−Daryl podemos arrumar as armas e olhar o mapa agora? Glenn pede com Michonne a seu lado – Quanto mais cedo sairmos amanhã melhor, não podemos arriscar perder o sol.

−Pode ir, eu te espero aqui com a Beth! Tranquilizo Daryl, mas na verdade quero aproveitar e falar com Carol. Assim que eles somem eu procuro por ela, Ela estava na própria cela sentada sozinha e quando me vê fica de pé desafiadora.

−O que quer aqui princesinha?

−Falar com você – Eu vejo minha coragem descer pelo ralo, mas me forço a ficar e olhar para ela.

−Vai choramingar por que o cara deu em cima de você? Ela ri – Acorda princesinha, o mundo é esse agora, ser fraca e desprotegida vai te matar, além disso eu não estou disposta a facilitar para você.

−Eu não sou uma princesinha mimada como quer acreditar, muito pelo contrário, minha vida sempre foi um inferno, estou melhor agora, isso deve dar a você uma dimensão de como era antes.

Faço questão de olhar em seus olhos, quero que veja que estou falando a verdade.

−Papai era bravo e não queria que namorasse o bad boy da rua? Ela desdenha.

−Não, meu pai morreu quando eu era muito pequena não me lembro dele, minha mãe se casou de novo e desde os dez anos o marido dela fazia tudo que queria comigo, sabe o que é isso, Ed não era nenhum santo e vi que passou por muitas coisas com ele.

−Isso não é da sua conta! Ela está irritada eu posso notar, mas não me importo.

−Não mesmo, só vim dizer que o que fez foi horrível, e conseguiu me magoar, me fazer sentir como um lixo, se queria isso conseguiu, mas não vou sair daqui, não vou embora, não vou ficar longe do Daryl e não vou desistir de ser feliz, pode continuar tentando se quiser, mas quero que saiba que só vai conseguir afastar as pessoas de você e me unir ainda mais a ele.

−Daryl é um homem do tipo machão, o que ele vai achar quando souber que não é assim uma florzinha, que sabe bem como são as coisas, e descobriu bem cedo! Ela não cansa, não sente remorso ou arrependimento, está fria como gelo e sinto pena.

−Eu acho que é surda, ou louca, mas vamos lá, vou repetir, eu não vou deixar o Daryl, ele é meu namorado, me ama e sabe quem eu sou, viemos do mesmo lugar, você não entende, mas cuidamos um do outro e não vai me tirar ele, por que ele não quer nada com você, Daryl sente pena de você, apenas isso.

−Pode ser que não fique com ele, mas cedo ou tarde ele se cansa de você, é pegajosa, dependente e mimada!

−E acha que quando ele se cansar vai correndo para seus braços amargos e rancorosos?

Eu não espero resposta, já dei o meu recado e só quero seguir em frente e continuar minha vida, deixe que ela decida como quer viver a dela, juro a mim mesma que nunca mais vou me curvar diante dela, e então vou ao encontro do grupo reunido olhando um mapa.

A cidade, o percurso e o grupo é decidido e torço para ser um dia fácil, quero que todos fiquem bem.

Decidimos começar pelas fazendas da região, talvez encontrar animais, reunir suprimentos e armas.

Quando deixamos a cela seguimos direto para o pátio, a noite estava agradável, mas não seria por muito tempo, o inverno estava muito próximo e logo a neve nos alcançaria queria que estivéssemos seguros quando esses dias chegassem.

−Falei com a Carol! Aviso quando ficamos sozinhos e ele me abraça.

−Brigaram?

−Não, disse a ela que não sou quem ela pensa e que não vou me afastar de você como ela quer.

−E?

−Acho que não adiantou nada, mas o que importa é que agora ela sabe que não vou mais aceitar tudo calada, que não pode fazer tudo que quer e ainda sair vitoriosa.

−Ainda não acho certo que fique por isso mesmo, ela não pode agir sempre como quer criar uma confusão como essa e ficar impune.

−Ela está cada dia mais sozinha, não cria laços com ninguém vai acabar se afogando nas próprias magoas.

−Não quero que leve ninguém com ela! Ele me diz e sei o que quer dizer, mas ela é parte da família, e não podemos apenas jogá-la para fora, não até ela fazer algo que realmente mereça essa resposta.

−Até lá só quero seguir adiante, com você! Eu me recosto em seu ombro, meia dúzia de zumbis caminhavam pelas cercas, seus passos lentos, seu olhar perdido, é tão absurdamente inquietante, parece uma mentira, uma grande piada, e me dá medo de um dia acabar assim.

−O que foi? Ele me desperta.

−Não quero ser como eles, quero que quando chegar minha hora eu possa ter sorte e simplesmente morrer.

−Não vai acontecer, não vai!

−Não podemos saber disso, eles também tentaram, em algum momento fugiram lutaram, sonharam, isso é o que todos fazemos, não sei se temos mais sorte ou mais azar, mas um dia isso nos alcança.

−Não bruxa! Ele me abraça forte – Nunca vamos terminar assim, mas se acontecer, então não vai ser nenhuma humilhação, não depois de termos lutado tanto, se tombarmos ao menos podemos dizer com orgulho que foi em meio a batalha!

−Tem razão! Eu me tranquilizo e desvio meus olhos para o céu, perdemos muito, mas ganhamos mais estrelas, estrelas que ficavam escondidas quando o mundo ainda era vivo, mas agora que tudo está morto, que as noites são escuras e assombradas, podemos ao menos assistir o brilho das estrelas, nos garantindo que ao menos lá fora tudo está como antes.

Quando entro no carro na manhã seguinte para nossa primeira saída desde que tudo se acalmou estou cheia de esperanças, não tenho medo, Daryl está comigo e podemos cuidar um do outro.

As estradas estão vazias como de costume, e pegamos sempre as rodovias secundárias, avistamos a fazenda que pretendíamos visitar uma hora depois de sairmos, foi uma viagem razoável, ficamos quase o tempo todo em silencio, mas não foi ruim.

Estou no banco da frente ao lado de Daryl que dirigia e desço para abrir a porteira, entramos agora completamente ligados, é difícil não pensar na fazenda de Hershel nos dias mais felizes da minha vida, quando ele disse que me amava, quando me entreguei a ele, sorrimos um para o outro, não é preciso dizer nada.

Vamos direto para a casa, uma construção muito parecida com a que um dia frequentamos.

Está vazia e não encontramos nenhum zumbi, não no térreo, então subimos, estamos todos silenciosos e atentos, Michonne fica em baixo nos dando cobertura, Glenn abre a primeira porta e entramos, nada de zumbis, sabemos como fazer essas buscas fizemos isso por todo um inverno, é assim de quarto em quarto, até que chegamos no último e quando abrimos a porta um casal de zumbis nos avança, Daryl derruba um com a flecha e Glenn o outro com seu facão, depois começamos a recolher tudo que poderia ser útil, cobertas, lençóis, travesseiros e roupas, em baixo encontramos pouca comida, mas os potes de doces caseiros são animadores.

Uma caminhonete estava estacionada nos fundos, dava para ver que devia estar ali a muito tempo, Resolvemos carrega-la, por que não caberia tudo no carro.

Olhamos para o celeiro, não era uma boa recordação, mas decidimos entrar, nos preparamos e abrimos.

Nada parece se mexer nos primeiros segundos e começamos a relaxar, ouvimos algo cair do lado de dentro, Daryl ergue a besta.

−Tem alguém ai? Glenn pergunta.

−Temos crianças aqui, por favor não nos machuquem! Ouvimos uma voz masculina e agora estamos todos atentos.

−É melhor saírem para conversarmos! Daryl grita.

Então depois de uns minutos, um homem duas mulheres e duas crianças saem de dentro do celeiro.

−Não queremos machucar ninguém! Daryl avisa e baixa a besta, o grupo se acalma um pouco – Estão aqui a muito tempo?

−Chegamos ontem, no meio da noite, foi assustador, nosso carro quebrou na estrada, tivemos que nos esconder, pensei que não conseguiríamos, mas ficamos seguros.

−Estão indo para algum lugar? Pergunto sem desviar os olhos das crianças.

−Fugindo como todos, mas vocês parecem bem e são fortes, tem um lugar?

−Podemos ajudar, somos fortes, podemos trabalhar! A mulher se oferece e nos olhamos todos.

−São só vocês? Daryl os questiona.

−Não tem dois rapazes conosco, eles saíram para dar uma busca pela região, já devem estar voltando.

−Quando chegarem decidimos então – Daryl propõe e sei que no fim vamos levar todos, não podemos deixar crianças na rua se temos um lugar seguro.

Glenn e Maggie ficam com o grupo enquanto eu Daryl e Michonne continuamos nossa busca, encontramos alguns sacos de milho e farinha, ferramentas em um galpão e colocamos tudo no carro.

Quase uma hora depois quando estávamos todos reunidos os rapazes chegam, carregavam apenas facas, nada de armas pesadas, e nos reunimos mais distantes para conversarmos.

−Decidimos não deixar ninguém para trás! Glenn começa.

−E não vamos! Daryl avisa.

Levamos o pequeno grupo conosco, assim que paramos os carros eles descem impressionados, fico emocionada ao notar o brilho de esperança nos olhos de todos, e decido que não posso mais ter tanto de medo de pessoas, pessoas são importantes, principalmente agora que o mundo não nos pertence mais.

Sorrio e me abraço a Daryl, ele nunca vai ser capaz de saber o quanto fez por mim, descarregamos os carros, decididos a repetir a saída no dia seguinte.

−Foi um dia bom! Digo a ele – Ajudamos sobreviventes, estou feliz que fizemos isso!

−Que bom bruxa! Ele me beija – Agora vou ajudar o Glenn com o tal conserto da torre, antes que Maggie o coloque de castigo, e depois assim que estiver pronta vamos descobrir o segredo desse lugar!

Fico com o coração acelerado só de pensar sobre isso, num misto de insegurança e ansiedade, ele me puxa para dentro pela mão enquanto Beth ajudava os novos moradores a se instalarem.

−Obrigado senhor Dixon! O rapaz diz quando passamos por ele – O senhor nos salvou!

−Não foi nada Patrick, seja bem-vindo!

Notas finais
Comentem, adoro quando recebo os comentários.
obrigada, mesmo se não comentarem o importante é ler!!