Apocalipse - A Era Dos Mortos

4 Capítulo 4 - Palavra chave


Notas iniciais
Mais um capitulo, espero que gostem e esse capítulo é especial para a JUSSARA CULLEN que é uma amiga querida, e fez minha primeira recomendação, nem acreditei, estou muito feliz, obrigada!!!
E espero comentários.
Obrigada

Pov — Mary

As coisas no acampamento parecem estar se acertando para todos, pelo menos todos os outros, para mim tudo continua confuso e assustador, não sei como seria se Daryl não estivesse aqui, ele é o mais próximo que tenho de um amigo, ou coisa do gênero.

Eu sei que ele deve estar completamente arrependido de ter salvo minha vida, o tempo todo ele precisa cuidar de mim, não consigo me encaixar, ainda durmo na barraca dele porque não tenho onde dormir, ainda não falo muito com as pessoas e se isso não fosse o bastante ainda o acordo todas as noites com meus gritos.

Ele disse para pensar em algo que gosto, só consigo gostar dele e isso é assustador, eu não sou nada, o que ele poderia querer comigo? Talvez algum dia se ele continuar assim sem uma mulher que goste ele faça o que eles sempre fazem e tenho medo disso, não consigo não ter, tive uma vida toda disso.

Não sei se suportaria se ele fizesse, por que seria uma dor sem fim, gosto dele, de ficar perto, de ouvir sua voz, de sentir sua respiração tranquila quando ele dorme, mas eu o irrito, sei que sim porque as vezes ele perde o controle e grita comigo, mas esta sou eu Mary, todos se irritam comigo, tem algo em mim que afasta as pessoas, que faz com que achem que não sou nada.

As pessoas do acampamento por exemplo, elas convivem entre sim, alguns já se comportam como velhos amigos, mas eu fico esquecida, ao menos até a hora de limpar a caça e lavar as roupas, eles não são maus, a culpa é minha eu é que não me encaixo, não tenho nada para contar, e eles o tempo todo contam suas histórias, falam da família de como era antes.

Merle caminhava de um lado para outro pelo acampamento, fazendo um comentário grosseiro aqui e ali, deixando as pessoas irritadas, eu tinha medo de um dia ele explodir e criar uma briga, fico encolhida no meu canto esperando Daryl voltar da caçada, desde que ele disse que encontrou um zumbi na floresta tenho medo.

−Boneca meu irmão está bem, é um Dixon! Ele ri – Nós sabemos como andar nessas matas, ainda vai ter sua noite quente! Ele faz gestos grosseiros eu desvio o olhar sei que ele só está provocando, querendo um problema.

−Merle! Ouço a voz de Daryl e sinto um alivio me percorrer o corpo – Irmão! Ele chama mais uma vez e então surge – Olha o que eu trouxe! Ele mostra sua caça, um cervo adulto, espero que signifique que vai sair menos.

Ele me olha de longe, eu desvio o olhar com vergonha.

−Olha aqui boneca! Merle me chama – Seu namoradinho caçou um bom jantar e vai estar tinindo hoje à noite! Daryl o olha irritado, mas não diz nada, eu sei que assim como eu ele estava preocupado de Merle criar problemas com o grupo.

−Ei amigo, mais respeito com a garota! Shane pede, eu sei que ele queria evitar aquelas grosserias que Merle dizia por conta das mulheres e crianças presentes, mas não gosto dele, tenho medo, ele me assusta mais que qualquer um.

−Está ouvindo ela reclamar? Merle responde irritado.

−Eu já vi que ela não liga, mas temos outras mulheres aqui, e elas não gostam desse tipo de tratamento! Shane tinha aquele tom gentil que não dava espaço para uma briga e isso deixava Merle ainda mais furioso.

−Me perdoem! Ele faz um gesto teatral – Não queria ofender as damas! Ele solta uma longa gargalhada e deixa o acampamento seguindo para a pedreira – Vou pescar! Anuncia. Dale tinha um barco e material de pesca e de vez em quando Merle se enfiava no lago por horas.

Só depois que Merle some de nossa visão sinto Daryl relaxar, ele vem em minha direção e meu coração bate mais rápido, me encolho um pouco, com medo de ele achar que sou a razão da briga.

−Pode ajudar as mulheres com o cervo? Ele pede – Duvido que elas consigam dar conta de trata-lo.

−Claro! Eu me levanto e me junto as mulheres, começamos a limpar o cervo, retirar sua pele, Carl se aproxima, nos olha com cara de nojo.

−Nossa Mary você leva jeito com facas, caramba!

−Obrigada! Respondo e continuo meu trabalho ele fica com nojo e se afasta, Carol e Andrea estavam comigo, Lori preparava temperos para a carne, olho em volta em busca de Daryl e me surpreendo ao me dar conta de que ele estava próximo, limpando suas flechas e ouvindo a conversa.

−Onde aprendeu Mary? Andrea pergunta, ela nunca mais foi grosseira comigo depois que se desculpou.

−Em casa, moro num lugar simples, caçar é comum, qualquer um sabe fazer isso, limpar eu digo, caçar é outra coisa você tem que ter talento! Respondo e volto minha atenção para o trabalho, Carol me ajudava mais e Andrea apenas olhava.

−Do quem tem mais saudade? Carol me pergunta.

−De nada! Eu respondo simplesmente e sinto que se entreolham curiosas.

−Nem da família? Andrea questiona – Onde estão seus pais?

−Mortos! Eu continuo, mas minha vontade era fugir dali, não quero pensar nisso, não quero me lembrar de nada disso.

−Zumbis? Agora era Carol quem perguntava – Foi uma loucura, no caminho para Atlanta vimos cada coisa.

−Eu rezo todos os dias pelos meus pais, não vejo a hora de isso acabar e podermos chegar em casa! Andrea continua – Mas não respondeu, foram essas coisas?

−Não me lembro do meu pai e minha mãe... é foi um desses monstros! Eu respondo começando a ficar nervosa, meus olhos ardendo pelas lágrimas, depois que Daryl me salvou as lágrimas que antes tinham me abandonado voltaram e as vezes eu não tinha nenhum controle sobre elas.

−Desculpe Mary! Carol diz com pesar ao notar minha angustia – Que curiosidade estupida, esqueça que perguntamos isso.

−Tudo bem! Respondo – Pode segurar aqui? Peço erguendo o cervo para virá-lo, Carol e Andrea me ajudam e continuamos nosso trabalho.

Daryl continua calado apenas nos olhando trabalhar e limpando suas flechas muito lentamente, depois de tudo pronto Shane e Lori separam uma quantidade para assar e o resto é guardado no treler de Dale na geladeira, eles tinham um gerador e as coisas ainda não estavam tão ruins

Eu lavo as mãos e me sento na frente da barraca de Daryl, estava cansada, o dia estava terminando, e eu dormia tão mal todas as noites e caminhar até a pedreira as vezes duas ou três vezes era cansativo, dobro os joelhos e apoio a cabeça neles, queria entrar um pouquinho e me deitar, mas não sei o que vão dizer se vão precisar de mim e se Daryl vai se importar.

−Mary! Ouço ele me chamar e me assusto ergo a cabeça tinha cochilado eu acho – Estou dividindo a barraca com você, não precisa esperar que mande entrar, pode entrar e sair dela quando quiser, vá descansar lá dentro.

−Obrigada! Eu gosto tanto quando ele é gentil.

Ele se senta na frente da barraca e eu não queria mais entrar, queria ficar ali com ele, mas entro e me deito, o dia estava acabando, mas ainda estava abafado, queria que aquelas manchas sumissem para eu poder usar uma roupa mais leve sem me sentir humilhada.

Fecho meus olhos não quero dormir, se tiver um pesadelo e não tiver ninguém para me acordar, se Daryl não estiver ali.

Uma palavra chave ele tinha dito, Daryl era minha palavra chave, eu penso e depois adormeço

Eu estava de novo em casa, estava no quarto quando minha mãe grita, não me mexo com medo e depois os gritos se acabam e desço as escadas devagar para ajudar ela por que sei que devia estar machucada, Jack sempre sabia como machucar e então ele estava devorando minha mãe e depois estava sobre mim e eu estava no quarto e ele tampava minha boca para eu não gritar e me lembro que estou sonhando, não é real, Daryl, a palavra é Daryl ele vai chegar vai atirar sua flecha, vai me tirar dessa agonia, eu o chamo mais uma vez.

−Mary! Eu me sento de um salto, pisco com a respiração acelerada, tremia assustada – Pronto tudo bem, foi mais um pesadelo.

−Posso caçar com você? Eu nem sei como tive coragem de dizer aquilo, não sei de onde veio aquele ímpeto, mas queria ficar perto dele e queria ser forte.

−Tudo bem! Ele me diz com a mesma rapidez, faço que sim com a cabeça me sento – Vem comer.

Saímos da barraca e todos me olham, fico constrangida.

−Às vezes eu também tenho sonhos ruins! Sophia me diz com seu sorriso triste, ela se senta ao meu lado, Daryl caminha para onde Lori servia a comida – Ainda bem que seu namorado foi correndo quando chamou ele.

−Como disse? Fico completamente corada.

−Você ficou gritando Daryl, Daryl, e ele correu para dentro, não se lembra?

−Não! Respondo e ela mais uma vez sorri.

−São o casal mais bonito que tem aqui! Ela diz e então Daryl volta com um prato de comida para mim e fico ainda mais surpresa, as pessoas não fazem coisas boas para mim, eu pisco pegando o prato, penso no meu pedido e se ele me levaria mesmo ou se mudaria de ideia.

−Obrigada! Eu digo num fio de voz.

−Vou dar uma olhada no Merle! Ele se afasta e fico com Sophia sentada do meu lado.

−Acha que vamos ficar aqui muito tempo? Ela pergunta.

−Não sei Sophia, talvez.

−O Carl acha que vamos ficar aqui para sempre! Ela diz – Ele é legal e ficamos amigos.

−Isso é bom! Eu respondo tentando parecer animada, mas só conseguia pensar que tinha gritado por Daryl que ele devia estar me achando uma maluca e que além disso como se não tivesse me comportado suficientemente como uma lunática eu ainda tinha pedido para ele me levar junto, se ele me levasse o que eu duvidava, como seria?

−Sophia! O pai dela chama e ela estremece um pouco, ele me lembrava Jack.

−Tenho que ir! Ela sai correndo e eu termino de comer e levo meu prato para onde deixamos a louça, Dale estava lá e sorri com aquela gentileza dele.

−Isso está deixando todos meio fora de controle! Ele diz – Não tem problema sabe, as pessoas se preocupam, mas ninguém estranha realmente.

−Pelo menos não mais! Eu digo triste.

−Mas nem tudo é tão ruim, estamos seguros aqui, e não está sozinha, tem seu namorado e novos amigos, ao menos um! Ele diz sorrindo, toca meu ombro e me afasto de imediato, não queria fazer aquilo, era instintivo, olho para ele num pedido de desculpas mudo, acho que de alguma maneira ele entende, me sorri carinhoso.

−Todos temos traumas, fantasmas! Ele diz – Vai aprender a superar.

−Obrigada! Eu digo – Desculpe se sou muito... relutante, não é com você é...

−Com a vida! Ele ri – Vá descansar está abatida.

Eu concordo e sigo para a barraca, Daryl tinha dito que não precisava pedir então eu entro e me deito, acho que se dormisse teria outro pesadelo e fico apenas deitada e quieta, esperando o tempo passar ouvindo as conversas do lado de fora, ouço a risada exagerada de Merle, ele era estranho, e eu devia odiá-lo, ele era amigo do Jack, mais de uma vez assistiu Jack me humilhar nunca fez nada por mim, mas eu não conseguia sentir ódio dele, tinha apenas medo, mas isso não era grande coisa, acho que tinha medo de tudo e de todos então não era nenhuma surpresa.

Daryl entra e se deita, eu estava de olhos fechados fico imóvel, ele se arruma, ajeita o travesseiro e eu fico olhando para ele de costas para mim, prestando atenção nas costas e no modo como se moviam por conta da sua respiração, nos cabelos quase loiros lisos e curtos.

−Vamos sair cedo amanhã, tente dormir Mary.

Meu coração bate rápido, já, eu achei que demoraria mais para sair depois de trazer um cervo, na verdade achei que ele nunca me levaria, e depois como ele tinha notado que estava acordada?

−Eu vou tentar! Respondo me encolhendo, então ele se vira, não se aproxima de mim, mas fica me olhando com aqueles olhos azuis que pareciam um céu de verão, eu não consigo desviar do seu olhar, meu coração batia feito um louco e tenho medo que ele pudesse ouvir.

Nenhum dos dois diz nada, mas ficamos assim, apenas nos olhando, então eu começo a me acalmar meu coração desacelera, minhas pálpebras pesam e adormeço imersa naquele olhar.

Eu estou nos braços de Daryl, estamos juntos, abraçados olhando o sol se pôr numa linda tarde de verão, sinto uma brisa suave e não tenho medo, não tenho nojo, ele me toca e gosto disso, gosto de suas mãos afastando meus cabelos do rosto e do sorriso dele, ele me puxa para um abraço, não quer me usar, ele gosta de mim, é tudo perfeito e então alguém me puxa pelo braço é Jack, com seu olhar lascivo, seu desejo sujo, não quero ir com ele porque sei o que vai acontecer.

−Daryl! Eu o chamo, ele não pode me deixar ir – Daryl, não deixa ele me levar! Eu peço chorando, mas ele não liga, não luta – Daryl! Não Jack!

Mais uma vez sou acordada por Daryl eu o olho com magoa, ele me deixou ir.

−Deixou ele me levar! Choro ainda confusa, sem entender bem o que afinal estava acontecendo.

−Estava sonhando Mary, Jack está morto, não pode mais te machucar! Ele me diz e eu o olho assustada, quanto ele sabia, será que sabia de tudo, de todas as coisas que me aconteceram.

Eu afirmo com a cabeça, procuro acalmar meu choro, ele me odeia, aposto que me odeia, não o deixo ter uma noite de sono tranquilo, ele já deve estar preferindo os mortos-vivos.

−Volte a dormir! Ele me dá as costas e eu me encolho.

Acabo dormindo de novo, mas não sonho mais com coisa alguma, pela manhã me levanto antes dele, estava sentada do lado de fora da barraca, só Glenn estava acordado porque tinha ficado de vigia, ele se senta do meu lado.

−Tudo bem? Me diz sorrindo – Esse negócio de mortos é uma loucura né?

−No começo achei que era mentira! Eu conto a ele – Trabalhava numa loja de ferramentas, ia e vinha todos os dias e nunca vi nada, então não acreditei.

−Quando teve certeza? Ele me pergunta.

−Quando quase morri e Daryl me salvou.

−Eu entregava pizza, por isso conheço bem a cidade, quando começou a aparecer essa história fiquei com medo e depois quando vi o primeiro mandei tudo para o inferno e fui me cuidar.

−Acha que tem cura? Eu pergunto, gosto de Glenn, ele era um cara leve, não me dava muito medo.

−Sei lá! Ele diz dando de ombros – Mas essa coisa não vai me pegar se puder evitar!

−Nem sei como tem coragem de entrar na cidade.

−Alguém tem de ir, pelo menos conheço os lugares e sou rápido! Ele se levanta, apoia o braço no meu ombro para fazer isso e eu me afasto como sempre, muito rápido, ele quase cai e me olha confuso.

−Está pronta Mary! Ouço a voz de Daryl atrás de mim, o tom era de irritação, me levanto imediatamente, me viro e ele está de pé com a besta nas costas e uma cara de poucos amigos, eu apenas faço que sim com a cabeça – Ótimo, vamos!

−Onde vão? Glenn pergunta.

−Ao cinema, tem um filme ótimo, é sobre zumbis que dominam a terra, vai gostar do realismo! Daryl responde – Caçar o que acha? Ele lhe dá as costas eu olho para Glenn meio que me desculpando e sigo até Daryl.

−Preciso levar alguma coisa? Ele me olha de cima a baixo, eu uso calça jeans uma camiseta branca de mangas longas e um par de tênis, ele me entrega sua faca.

−Tem um cinto? Me pergunta e afirmo – Pega e tenta prender a faca, assim não entra lá completamente desarmada.

Obedeço e corro até a barraca saio uns minutos depois já com a faca presa e caminhamos juntos para a floresta, eu não sei o que estou fazendo mas gosto de me sentir assim, se pudesse sorrir eu sorriria, mas não sei fazer isso.

Notas finais
E então o que acharam?
Opinem.
bjs