Apocalipse - A Era Dos Mortos
32 Capítulo 32 - Mentira
Notas iniciais
Bom espero que gostem!
Pov – Mary
Esse dia está sendo uma sucessão de problemas, parece que foi a séculos que vi Daryl entrando com Carol nos braços trazendo-a das tumbas, nunca fiquei com tanto medo em toda minha vida.
Tive medo de Daryl não me deixar ir com ele, depois de não conseguirmos salvar Glenn e Maggie e quando o vi sendo rendido por aqueles estúpidos eu quase desfaleci, nunca teria lhe dado as costas, lutei com Rick, me debati e pedi para me deixar, mas ele jurou que voltaria para resgatar Daryl então me rendi.
Atirei em sobreviventes, matei um, eu Mary matei um homem, não sei como pensar sobre isso, se foi certo ou não, mas era ele ou um dos meus, e os meus são tudo que tenho, minha família.
Quando vi Merle e Daryl lutando um contra o outro, aquilo me doeu a alma, eu sei o quanto Daryl sentiu a perda do irmão e ser traído teria sido uma dor sem limites para ele, mas no fim lutaram juntos e conseguimos sair.
Fiquei feliz por Merle estar vivo, pelos irmãos estarem reunidos de novo, mas tudo durou pouco, me esqueci por um minuto do que Merle fez Maggie e Glenn passarem, eu devia odiar ele, amo Maggie e Glenn, mas acontece que ele é irmão do Daryl, ele é a única família que ele tem e não consigo odiá-lo, além disso Merle ajudou Daryl a me salvar.
Amanhece e continuamos caminhando, está todo mundo tenso, eu ando muito calada ao lado de Daryl, só queria poder estar em seus braços de novo, quero logo chegar a prisão, não sei bem como as coisas vão ser agora, o tal governador sabe onde estamos, ele pareceu meio fora de si, um lunático, e se for em busca de vingança, fizemos um bom estrago na cidade dele, pelo menos meia dúzia de seus homens estão mortos e Merle o deixou.
−Será que a mulher conseguiu levar o Glenn em segurança até o carro? Pergunto a Daryl, ele dá de ombros, está perdido em seus pensamentos, Merle está calado, todos estamos e Maggie e Rick estão o tempo todo caminhando na frente, então eu sinto medo, as coisas não seriam iguais.
Vejo Glenn e a mulher próximos ao carro quando nos veem eles correm em nossa direção.
−Graças a Deus! Glenn diz enquanto caminha, Rick fica na frente de todos.
−Preciso que baixe a arma, temos um problema aqui! Ele diz quando os dois percebem a presença de Merle e é uma confusão de armas e gritos e parece que todo mundo tem um bom motivo para matar Merle, mesmo aquela mulher que nem sabíamos bem quem era queria vê-lo morto, não tem como isso acabar bem.
−Ele nos ajudou a sair de lá! Daryl avisa na frente do irmão enquanto Glenn apontava um arma para ele, estou tonta e sem saber o que fazer.
Merle é incapaz de manter a boca fechada e provoca o tempo todo, isso nunca vai dar certo e começo a me desesperar.
−Quer tirar isso da minha cara! Daryl grita com Glenn, acho que Glenn nunca atiraria em Daryl não depois de ele quase morrer para resgatá-lo e Glenn acaba baixando a arma, Merle ria.
−Virou um selvagem! Merle ri do irmão.
−Selvagem é você andando com aquele tipo de gente! Ele grita para o irmão.
Descobrimos que Andrea é amiga da mulher e que agora é também namorada do governador, nem acredito que ela está viva, mas não há tempo para comemorar, a confusão continua, agora Daryl e Merle discutem, eu fico sem saber como acalma-los por que ainda sinto medo de Merle, Rick resolve o problema apagando Merle com uma coronhada em algum ponto magico que só os policiais e os durões conhecem, ele cai apagado.
−Imbecil! Daryl esbraveja para o irmão caído.
Nos reunimos no meio da estrada, Merle apagado mais distante e a mulher parada no carro a espera das decisões, eles não querem levar Merle, não sei como podem sequer pensar a respeito, como podem cogitar pedir isso a Daryl.
−Não vai dar certo! Rick comunica.
−Tem que dar! Daryl diz.
−Vai dar confusão! Rick lembra, claro que iria, mas podíamos resolver, sei que sim.
−Olha esse tal de governador deve estar indo para a prisão, Merle conhece ele pode ajudar.
−Eu não vou querer ele lá! Maggie avisa e meu coração dói, nem mesmo ela que amo tanto está pensando em Daryl, mas não digo nada, não sei o que passaram na mão daquele infeliz e tudo por conta de Merle.
−Vai mesmo querer ele dormindo no mesmo bloco de celas que a Beth, ou a Mary?
−Ele não é um estuprador! Daryl responde irritado.
−O amigo dele é! Glenn responde e fico mole, dou um passo para trás pensando em Maggie, não sei o que aconteceu com ela, mesmo que seu olhar de indignação diga que Glenn está errado eu tenho medo, minha mente viajando para longe e voltando num segundo de pavor.
−Ele não tem mais amigos depois de ontem à noite! Daryl está lutando, porque eles não podem se lembrar de tudo que ele já fez? Torço os dedos nervosa, rezando para chegarem a um acordo.
−Não vai funcionar!
−Vai mandar o Merle embora e trazer a última samurai com a gente? Daryl não esconde sua irritação.
−Ela não fez nada de errado!
−A gente não sabe quem ela é, o Merle é da família!
−Não! Glenn responde – Ele é seu irmão a minha família está bem aqui, e esperando a gente na prisão!
−E você é parte da família! Rick lembra Daryl.
−Certo, a gente se vira! Daryl diz desistindo de lutar – éramos só nós antes disso começar!
−Não! Eu me pronuncio, mas ele ainda não me olha.
−Sem Merle, sem mim! Ele avisa e eu, o que vai acontecer, vejo Merle despertando, se levantando estão todos paralisados sem acreditar no que Daryl dizia.
−Vai cair na estrada de novo, depois do inverno que passamos? Rick pergunta – E a Mary?
−Ela vai ficar bem com vocês! Ele diz, meu coração acelera – Cuida da bravinha e do Carl, se despeçam de todos por mim! Ele nem sequer me olha, não consigo conter a angustia, minha respiração fica restrita, o ar não chega aos pulmões, as pernas formigam.
−Eu não quero ficar com eles! Eu digo e só então ele me encara.
−Ficar viva é mais importante que ficar comigo, vai voltar com eles! Ele me diz parado diante de mim.
−Você prometeu que não me deixaria, disse que me ama! Eu tento lembra-lo.
−Mary eu não quero você comigo! Ele grita – Esqueça as coisas que disse! Ele baixa os olhos, não consegue me olhar – Foi tudo... foi só para... Eu disse o que garotas como você gostam de ouvir, não vou levar você comigo, não tenho saco para cuidar de mocinhas indefesas! Ele me dizia e mesmo assim, mesmo me ferindo ainda era perto dele que queria ficar.
−Mentiu o tempo todo? Pergunto chorando.
−Menti, quer a verdade eu menti o tempo todo! Ele continua gritando comigo, as pessoas ficam assistindo.
−Vem Mary! Maggie se aproxima de mim – Vamos para casa! Eu não deixo que me toque, eu não quero que mais ninguém me toque, é sempre igual, cedo ou tarde vão me machucar de um jeito ou de outro vão me destruir e não quero mais dar chance de me despedaçar.
−Eu não vou voltar para a prisão! Aviso Maggie por entre as minhas lágrimas, as últimas que derramaria.
−Não vou levar você comigo! Daryl grita tão perto de mim que estremeço.
−Não vou com você, eu vou com o Merle! Respondo rezando para Merle não me recusar, eu talvez não tivesse nenhum amor próprio, na verdade não tinha, mas simplesmente não podia conviver com a ideia de que Daryl está por ai e eu não sei onde, ele pode me odiar, mas não pode fazer isso a distância.
Estão todos indignados, falando ao mesmo tempo tentando me convencer, e então olho para Merle.
−Vem ex cunhadinha! Ele gargalhava – Até que enfim escolheu o Dixon certo!
−Merle! Daryl grita com ele – Ela não vai!
−Ela vai onde quiser! Ele responde – Vamos viver muitas aventuras cunhadinha!
Daryl estava com suas coisas nas costas andava de um lado para outro furioso, eu pego minha mochila minha besta e uma pistola, tinha direito a levar uma, lutei por cada uma dessas armas, lutei pela prisão e por todos eles, assim como Daryl e nenhum deles se lembrou disso, penso na minha pequena menina, no bebê que trouxe ao mundo e em Carl, nas lágrimas que Beth derramaria e no carinho especial que tinha por Hershel e seu convite para morar com ele, queria me despedir.
Abraço Maggie, ela chorava junto comigo.
−Não pode ir depois de tudo que ele disse! Ela me diz baixinho no meio de nosso abraço.
−Não posso ficar sem saber dele, não importa se ele me odeia, eu o amo! Eu sussurro em seu ouvido, ela me aperta – Faria o mesmo!
−Tenha cuidado! Ela me diz e me afasto sem olhar para trás sigo ao encontro da risada assustadora de Merle, eu o temia, mas nada me dava mais medo do que nunca mais ver Daryl.
Passo por ele e não o encaro, ele estava paralisado, ninguém pode me impedir, ninguém pode me culpar, um dia ele me disse que eu era livre, eu não quero ser livre, quero ser dele.
Passamos horas caminhando no mais completo silêncio, Daryl não me dirige um único olhar, não sei o que fazer, me sinto fraca e cansada, com medo dele, de Merle e de tudo que pode acontecer, medo de ele convencer o irmão a me mandar embora, estou com vergonha de mim mesma.
Nunca devia ter acreditado, como pude achar que alguém como ele poderia me amar? Aquele nó na garganta que sempre me acompanhou volta a me dominar, eles não param e eu também não, os dois estavam com suas armas em punho atentos a tudo que acontecia na floresta, eu apenas caminhava, se um zumbi surgisse e me atacasse todos sairíamos ganhando, então não me dou ao trabalho de me proteger.
−Sabe ex cunhada, se tinha uma pessoa que achei que estaria morta era você! Merle me diz – Toda delicadinha! Ele continua – Mas vi que é valente!
Eu não respondo nada quando ele começa a caminhar do meu lado, Daryl fica atento, o tempo todo eu presto atenção nele, em seus movimentos e reações.
−Vamos ver se vai ter chance de lavar minhas cuecas mais uma vez! Ele ri – Fez bem em deixá-los o governador vai matar todos eles!
Meu coração palpita, Rick não arriscaria a vida deles, já devem estar deixando a prisão e quem sabe logo estariam na estrada e eu nunca mais os veria de novo, me perdi para sempre de todos eles.
−Vamos caçar um pouco, nos divertir, sabe mesmo usar essa besta, foi o molenga do meu irmãozinho que te ensinou? Eu estou calada, assustada e triste, não quero conversar com ele.
−Merle presta atenção nas coisas! Daryl reclama – temos que achar algo para comer!
−Claro caçador! Ele diz com seu costumeiro desdém – Temos que alimentar nossa garota! Ele diz tocando meus cabelos e me afasto como sempre fiz, me encolho assustada, sinto medo de ele ter entendido errado de achar que quero que ele me toque, Daryl não me ama, mentiu para mim, já teve o que queria e duvido que se importasse.
Dou um passo para o lado e Daryl estava entre nós, troca um olhar com o irmão que não sei o que significa, não sei de mais nada.
Um zumbi surge vindo do meu lado, eu o vejo, uma mulher, suja de calças jeans e camiseta de super herói, ela tinha só um pé de sapato e uma mordida no braço, fico olhando para ela, se tivesse cortado o braço a tempo talvez estivesse viva, quem a deixou para trás, quantos choraram por ela, qual a sua história? Isso não tinha mais importância, ela estava morta e queria comer minha carne e poderia comer mesmo os que choraram por ela, talvez tenha feito.
Uma flecha atravessa seu crânio e ela cai diante de mim.
−Qual é o seu problema? O grito de Daryl me desperta, eu me viro e pela primeira vez meus olhos se encontram com os dele, ainda são aquele azul que me acalma, ainda é um céu de verão, mas agora estão indignados – Está ficando louca?
Não respondo nada, não quero me defender, não adianta ele não se importa comigo, eu não me importo comigo, ninguém se importa!
Depois paramos mais uma vez, Eu me sento quando os dois começam um a conversar sobre que caminho seguir, não sei onde estamos, nem para que lado fica a prisão, mas queria muito que estivessem indo para aquela direção, para ajudar nosso grupo.
−Estamos caçando a horas, não tem nada aqui! Daryl reclama – Quem sabe podemos voltar para a estrada e ver aquelas casas.
−Virou mendigo agora?
−Cala a boca Merle.
−Foi isso que aprendeu com seu amiguinho xerife? Merle nunca para de provocar, não sei de onde vem tanta fúria – Acho que quer é me levar de volta para a estrada, quer me levar para aquela prisão!
−É melhor que aqui! Daryl reponde.
−Para o ex casalzinho talvez, não para mim, e não faz diferença, estão todos mortos! Mais uma vez meu coração pula, quando os deixei só pensei em mim, na minha dor e no meu medo de ficar longe de Daryl, eu os deixei na hora que mais precisavam, mas eles fizeram o mesmo comigo, todos eles, Daryl, Maggie, Rick e Glenn, todos me deixaram, meus olhos ardem, me afasto um pouco.
−Como pode ter certeza? Ouço Daryl perguntar e não escuto a resposta, que diferença faz a opinião de Merle, ele não liga para ninguém – Mary! Daryl me chama, achei que nunca mais o ouviria pronunciar meu nome, eu me volto – Não se afaste! Ele diz tão abatido quanto eu, apenas obedeço, a velha Mary de sempre.
Continuamos a caminhar, é só o que fazemos a tanto tempo, andar, lutar, fugir, se esconder, eu não me importava antes por que tinha Daryl comigo, por que achava que as pessoas se importavam e que tinha uma família mas agora que sei que não tenho nada, simplesmente me sinto esgotar, meu corpo não quer mais responder, minha mente não quer mais trabalhar.
Meus movimentos ficam mecânicos, ligo o automático e apenas continuo, obedecendo as ordens dos dois, e caminhando.
A floresta está mais densa, temos que desviar de arvores e galhos secos pelo chão, os dois discutem sobre direção, posso apostar que Daryl está certo, mas Merle nunca daria o braço a torcer.
−Posso ter perdido a mão, mas você perdeu o senso de direção! Merle reclama – Quer apostar?
−Não vou apostar nada, porque tudo tem que ser uma competição para você?
−Calma só quero me divertir! Merle está cansado, todos estamos e nunca me senti tão fora do lugar e então ouço o choro de uma criança, só consegui pensar na Bravinha.
−Ouviu isso? Daryl pergunta, mas eu já caminhava em direção ao som se vou morrer que seja fazendo ao menos uma vez algo que preste eu penso quando vejo uma família sendo atacada numa ponte por um grupo de zumbis, não paro para ouvir as queixas de Merle, começo a caminhar em direção a família que bem podia ser a minha e Daryl logo passa minha frente.
−Eu vou ajudar fica aqui! Ele me diz mas não dou ouvidos, sigo com ele e assim que me aproximo derrubo um zumbi com a besta, faço como Daryl pego minha flecha de volta e sigo para outro, não me importo com nada só quero que o bebê pare de chorar, que tenha uma chance, vou para o próximo, a família falava em espanhol e não tenho a menor ideia do que diziam, eu e Daryl íamos derrubando os zumbis enquanto Merle simplesmente assistia a tudo de longe despreocupado, um zumbi tentava alcançar a mulher pela traseira do carro, o pobre bebê, a mãe gritava assustada.
−Daryl! Eu o chamo e ele segue até lá, mata o zumbi esmagando sua cabeça e depois de uns minutos estava tudo limpo, e só então Merle se mexe, quando o faz é com a única intensão de pilhar a família, acho que Daryl sente vergonha dele, posso notar pela sua expressão.
−Deixa eles irem! Ele pede, é mais como um aviso, mas Merle não se importa, está enfiado dentro do carro mexendo em tudo, Daryl se aproxima posso ver seu estado de espirito, está com nojo do irmão, ele aponta a besta – Sai do carro! Merle não acredita na atitude do irmão.
Daryl só baixa a arma quando a família parte e então eu dou as costas aos dois e sigo na frente desejando que esse dia nunca tivesse começado, que Maggie e Glenn nunca tivessem saído em busca de leite, queria aquela mentira que vivia de volta.
Quando chego na floresta de novo seguida pelos intempestivos e briguentos irmãos Dixon tudo escurece e do nada eu apago, quando abro os olhos Daryl estava me abraçando.
−O que aconteceu? Ele me pergunta, eu pisco, passo a mão pelo rosto, não sei o que aconteceu – Está bem? Mary fala comigo por favor! Sua voz é urgente e me lembra o Daryl que dizia me amar, sinto saudade.
−É só frescura de mulher estamos caminhando sem comida e ela cansou! Merle reclama – Vai levanta e caminha garota! Ele me diz.
−Não escuta ele, o que foi, alguma dor? Daryl me pergunta.
−Eu estou bem! Respondo sem muita certeza – Não se preocupe! Eu me solto dele e me ponho de pé, ficar assim tão próxima é uma dor absurda, quero que ele me abrace e diga que me ama de novo, mesmo que seja mentira.
−Ouviu, você fica todo preocupadinho, salvando desconhecidos e o que acho engraçado é que ficou todo amiguinho daquele xerife o cara me algemou no telhado.
−Eu não estava lá! Daryl encara o irmão, eu fico imóvel assistindo mais aquela discussão – Eu voltei por você, não fui que te algemei, você fez isso, estava pedindo por isso! Daryl grita.
- A gente ia roubar o acampamento! Merle o acusa e sei que Daryl nunca teria feito isso.
−Não aconteceu! Daryl se defende.
−Porque eu não estava lá para te ajudar?
−Como quando eu era criança? Daryl o acusa – Quem deixou quem?
Merle tenta atacar Daryl que acaba caindo e sua camisa rasga, dou um passo na direção deles, mas quando Merle vê as marcas no irmão paralisa.
−Eu não sabia, ele...
−Fez com você também! Ele lembra – Por isso foi embora antes! Daryl se levanta e caminha até mim – Está bem? Me pergunta, afirmo com um movimento de cabeça, estou tensa com a briga dos irmãos – Vamos! Ele me puxa pelo braço sem qualquer delicadeza.
−Onde vai? Vejo pela primeira vez medo nos olhos de Merle e sinto pena.
−Vou voltar para casa, para o meu lugar!
−Eu não posso voltar! Ele diz numa suplica – Quase matei aquela negra vadia, espanquei o garoto chinês, eu não posso ir com você!
−Ele é coreano! Daryl avisa ainda me segurando pelo braço – Eu posso estar partindo, mas é você quem está amarelando mais uma vez! Daryl o lembra, eu não quero que Merle fique para trás, eu sei que a história deles os tornou assim e sei que ele pode ter uma chance de ser feliz se ficar com o grupo, um dia se acostumam, ninguém fecharia a porta para Daryl e quem quer que estivesse com ele – Vem Mary! Ele prendia minha mão com força na dele.
−Vem com a gente Merle! Eu peço, não importa que Daryl não me ame eu o amo e sei que ele quer o irmão por perto.
−Ei ex cunhadinha, não disse que ficaria comigo, por que está partindo com ele?
Porque seguiria ele até o inferno eu penso e porque ele está quase esmagando meus dedos de tanto que os aperta, mas não digo nada apenas olho para Merle e ele sabia.
−Ela nunca vai ficar aqui com você! Daryl sai me arrastando pela floresta e seguimos de volta em silencio, eu sei que Merle está vindo conosco e não sei como vai ser quando chegarmos, mas só de estar voltando para casa com ele já me sinto feliz, por um minuto achei que ele me deixaria com Merle na floresta e isso seria como morrer para mim.
Daryl não solta mais minha mão e a cada dez passos me perguntava se estava bem, eu apenas concordava sem muito o que dizer, me sentia fraca e cansada.
−Estamos chegando, tem certeza de que está bem?
−Tenho! Respondo sem qualquer convicção – Eles vão acabar aceitando ele.
−Eu sei! Ele diz e quando estávamos perto da prisão Merle nos alcança.
−Sabe ex cunhada, só vim porque me pediu, então vai ter que ser legal e me ajudar com aqueles babacas!
Eu pretendia responder mas tiros incessantes vindos da prisão me fazem estremecer de medo e Daryl me olha.
−Vai! Eu peço e ele começa a correr com Merle a seu lado eu faço o mesmo, quando chegamos o cenário é o de uma guerra, o portão está destruído, zumbis caminham pelo pátio que um dia limpamos e Rick está sendo atacado por muitos zumbis, Daryl e Merle o ajudam enquanto eu fico chocada olhando para dentro do que se tornou nossa casa, depois eles se juntam a mim e sei que os dias de esperança e sossego tinham chegado ao fim uma guerra estava por vir e eu me sentia fraca demais para lutar, Daryl mentiu para mim, o cantinho das coisas boas que acontecem com Mary não passou de uma mentira, as únicas verdades na minha vida são a dor e a indiferença, tudo que é bom e um dia me fez feliz não passa de uma grande mentira.
Notas finais
beijos.
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