Apocalipse - A Era Dos Mortos

11 Capítulo 11 - Rosa cherokee


Notas iniciais
Mais um capitulo, espero que gostem, e comentem, enfim chegamos a fazenda.

Pov – Mary

−Vamos Mary, precisa descansar um pouco, eu fico por perto caso acorde gritando! Nunca vou entender porque ele me dispensava tantos cuidados, ainda não tinha digerido a ideia de que tinha ido atrás de mim, Daryl Dixon o cara mais incrível do mundo tinha arrombado aquela maldita porta para me salvar e a verdade é que sonhei com isso por quatro anos.

Fiquei confusa quando Amy me acusou de estar apaixonada, mas a grande verdade é acho que gosto dele a muito tempo, desde que o conheci as coisas só pioraram, ele não saia da minha cabeça, e quando Jack entrava no meu quarto, quando aquelas coisas aconteciam eu sonhava que ele um dia arrombaria minha porta e me tiraria de lá, e isso só tornou tudo ainda pior, mais dolorido, e o que era só desespero e angustia se tornou também uma tortura, depois de um tempo aquela ideia se tornou só um sonho bobo de menina e a deixei esquecida, sempre achei que ele nem sabia que eu existia. Todos os dias quando passava pela porta dele eu erguia o olhar, não resistia, Daryl era um homem livre, um cara que sabe o que quer e eu queria ser como ele, agora acho que entendo isso melhor, eu não queria ser como ele, eu queria ser dele.

Então descubro que foi ao meu encontro, que foi me salvar, e ele cuida de mim, me faz achar que mereço, não sei se isso é bom, porque um dia ele vai descobrir que não mereço e então vou ter que conviver com sua indiferença, eu sei o que é indiferença, sempre vivi assim, mas se vier dele, vai me matar.

Andamos de mãos dadas, pode não ser nada para ele, mas aquele gesto é tão delicado para mim, nunca achei que faria algo assim, caminhar de mãos dadas com alguém.

Entramos no treiler e Carol chorava copiosamente num canto, Andrea estava completamente psicótica montando e desmontando uma pistola, de uns dias para cá era só o que fazia.

Daryl se deita no chão no meio do corredor e eu me sento de frente para Andrea, ela ergue o olhar por um segundo, depois volta sua atenção ao trabalho e eu encosto a cabeça no vidro, penso em Sophia, sozinha na mata, sem esperança, com fome, medo, mais uma lágrima, nem me importo em secá-la, outra vira depois.

O choro de Carol, o som irritante de Andrea montando a arma, tornava impossível relaxar, e fico apenas ali, silenciosa, esperando as horas passarem, penso em Glenn e T-dog e torço para estarem bem, e Carl como pode ter tomado um tiro, os mortos estavam de pé, se arrastando atrás de carne humana e o menino acaba com um tiro? Isso é uma grande ironia.

−Vem Mary, vamos procurar um pouco por Sophia! Daryl diz se levantando, eu sorrio sem resistir – Preciso do pente! Ele diz a Andrea que responde com uma careta entregando o que ele quer, eu o vejo pegar a besta e colocar nas cotas.

Pego minha faca e vejo o olhar de gratidão de Carol que para de chorar, saímos e Dale nos olha de cima do treiler.

−Vamos procurar um pouco por Sophia! Ele avisa e vejo o quanto isso lhe custa.

−Agora, não parece perigoso? Dale era muito protetor, fico grata, mas só me interessa a proteção de Daryl, é com ele que quero estar o resto não tem importância.

−Quem sabe ela vê a luz da lanterna! Ele avisa e saímos juntos.

Caminhamos muito tempo em silencio, sei que vamos encontrar Sophia, ela vai ficar bem e vamos seguir a diante, o que quer que isso signifique.

−Não vejo o olhar dos outros em você! Ele me diz e fico sem entender, ele percebe – Você acredita!

−Acredito, tenho que acreditar! Eu respondo, nunca fui o tipo de pessoa que cria esperanças, me acostumei a muito tempo a aceitar e me submeter, mas procurar Sophia de algum jeito me faz achar que estou fazendo algo, resgatando aquela menininha de dez anos que um dia eu fui – E você acha que podemos encontrá-la?

−Ainda nem começamos! Ele diz suave caminhando ao meu lado – Isso aqui e a Geórgia, não as montanhas do Tibet, podemos encontrá-la! Faço que sim concordando, não sei de onde Sophia vem, mas se foi criada por nossa região deve saber como se virar – Já fiquei perdido na floresta, por nove dias, era mais novo que ela e tudo deu certo, comia frutas e limpava a bunda com folhas de urtiga.

−Acharam você? Eu pergunto com pena do menininho perdido.

−Ninguém nem se deu conta que tinha sumido, meu pai estava na farra com uma garçonete, o Merle estava de novo num reformatório! Ele diz fingindo uma indiferença que estava longe de sentir – Eu achei o caminho de volta, quando cheguei fui direto para cozinha, comer alguma coisa, deu tudo certo, só minha bunda que coçava! Ele me diz e acabo rindo, rindo como acho que nunca ri.

−Desculpe! Eu digo sem ter coragem de olha-lo – Eu sei que é uma história triste! Aviso, mas ele sorria.

−Sophia tem pessoas procurando por ela, isso já é uma boa vantagem.

Concordo, apenas com um movimento de cabeça e continuamos a caminhar em silencio, era assustador estar ali, no escuro caminhando por uma floresta correndo o risco de encontrar um zumbi, mas ao mesmo tempo me sentia segura e tranquila, Daryl estava comigo, atento a tudo e me deixando com ainda mais esperanças.

Ouvimos um barulho meu coração acelera, se estivesse sozinha seguiria na direção contrária, mas ele estava comigo e caminhamos para onde o som nos levava, lá havia uma barraca, e um zumbi pendurado em uma corda nos galhos de uma árvore, deixou um bilhete, contando que foi mordido e desistiu.

−O imbecil não sabia que tinha de explodir a cabeça! Daryl diz despreocupado, o homem estava com as pernas corroídas e gemia tentando nos alcançar, me sinto enjoada – Pode vomitar se quiser! Ele me diz com simplicidade.

−Vamos mudar de assunto! Eu peço quase de joelhos – Como aprendeu a caçar?

−Precisava comer, temos isso em comum, isso é o mais perto que o idiota chegou de uma refeição! Eu não estava mais conseguindo conter meu enjoo.

−Não íamos mudar de assunto? Reclamo e ele ri de mim.

−Uma vingança por ter rido da minha bunda! Eu sei que ele estava querendo me fazer relaxar mas a ideia estava sendo um fracasso – Vamos volta!

−Não podemos deixa-lo assim! Eu peço a ele.

−Mary ele não oferece nenhum risco! Daryl me diz e mesmo sabendo que ele tinha razão sinto pena e não me mexo, acho que ele entende e volta.

−Eu sei! Mas isso não significa que posso conviver com isso.

Fico olhando para aquele cadáver se debatendo na corda desesperado por mim, não quero virar um desses, não quero desistir, a algum tempo eu poderia ter me acostumado, até pedido por isso, naquele dia terrível e ao mesmo tempo perfeito em que Daryl arrebentou a porta eu praticamente pedi, mas agora, eu não queria mais, agora queria viver, precisava, mesmo sem saber porque me sentia assim.

−Olhando para ele, dá vontade de viver não é? Ele me diz, sei que sabe que em alguns momentos eu não me importo muito comigo.

−Não sei se porque preciso, ou talvez por habito, mas de fato quero viver! Aviso a ele que resmunga um pouco quando acerta uma flecha na cabeça do zumbi – Vamos! Me chama já saindo e o sigo apressada, agora meu medo por Sophia só aumenta.

−Acha que encontraram a fazenda? Eu pergunto enquanto caminhávamos de volta.

−Está preocupada com o coreano? Ele pergunta subitamente de mal humor, eu olho para ele tímida, dou de ombros.

−Você não está? Devolvo a pergunto, afinal tínhamos nos tornado um grupo, de algum jeito tudo que passamos nos uniu.

−Eles sabem se virar! Ele diz e volta a ficar silencioso, depois de um tempo para e me olha.

−Queria ter ido com eles? Pergunta irritado.

−Não! Eu aviso sem saber o que o irritou – Eu devia ter ido? Não sabia que queria que eu fosse.

Não consigo esconder que a ideia de ele me querer longe me magoa um pouco.

−Falei que você ficava não falei? Ele me diz voltando a caminhar, eu o sigo silenciosa, não sei o que fiz para deixar Daryl bravo, é esse meu jeito, irrito as pessoas, não fosse isso as coisas que me aconteceram talvez nunca tivessem acontecido.

Se eu fosse diferente, se tivesse algum valor Jack não teria feito o que fez, minha mãe talvez se preocupasse mais comigo e ele agora não estaria tão furioso, sou mesmo uma grande estupida.

Passamos um longo tempo na floresta, nem um sinal de Sophia, nenhum sinal de coisa alguma que pudesse nos dar esperanças e mesmo assim eu as tinha, quando voltamos vejo Carol correr para o treiler, é difícil não ter o que dizer, não saber o que fazer.

Entramos no treiler silenciosos e Daryl se deita de novo no mesmo lugar, eu volto a me sentar, não faltava muito para amanhecer e fico quieta com a cabeça mais uma vez apoiada no vidro, Andrea e Dale estavam do lado de fora, e Carol acho que cansada de chorar adormece, nem me lembro quando foi a última vez que dormi.

Estou cansada e triste, Daryl ficou bravo comigo e não abriu a boca durante toda a volta, me encolho, as lágrimas rolando, sempre rolando, fecho os olhos e adormeço.

Estou na floresta caçando Sophia, me perdi do grupo, ninguém se importa, chamo por ela, mas é Jack que aparece, eu tento correr dele, mas ele me alcança e me atira ao chão, grito por socorro, grito por Daryl, ele me protege, está bravo, mas vai aparecer, ele é minha palavra chave e então abro os olhos e lá estava ele me envolvendo em seus braços, suspiro aliviada, não devo ter dormido muito ainda era noite quando olho pela janela.

−Desculpe! Soluço – Não vou dormir mais, prometo! Ele me olha, não parecia estar mais bravo comigo, seu olhar era gentil.

−Vai sim, precisa! Ele me diz e me puxa para o chão junto com ele, me envolve e não quero sair dali, não quero dizer nada, quero apenas ficar quieta em seus braços onde coisas ruins nunca acontecem, onde posso dormir e não sonhar.

−Ainda está bravo comigo? Eu pergunto baixo com medo de acordar Carol, já ele parece não se preocupar muito com isso porque me responde em alto e bom som.

−Pareço estar bravo com você? Eu estremeço só o tom da resposta já dizia tudo, sim parecia, mas não me atrevo a dizer, só me encolho mais e fecho meus olhos apertando bem, para evitar olhar para ele e ver sua irritação, Daryl acaricia meus cabelos, como pode ser isso a um segundo gritava comigo e agora me faz carinho.

Acabo relaxando, sempre estranho quando ele me faz um carinho, quando me agrada e me acalma, eu queria tanto fazer o mesmo, tocar nele como fiz quando estava bêbado, mas tenho medo, todo tipo de medo, de ele não gostar, ou de achar que quero que ele... não eu não quero, quero só ficar assim, adormeço.

Estava claro quando acordo com Carol tentando nos pular, me levanto e acabo acordando Daryl ele passa as mãos pelo rosto e se senta.

−temos que ir até a fazenda, saber como as coisas estão.

Concordo, mas concordaria com qualquer coisa que me dissesse, principalmente quando ele me olhava daquela maneira que fazia meu coração bater acelerado, encontramos os outros lá fora e depois de deixar um recado e suprimentos seguimos para a moto.

A estrada secundaria que pegamos é tão agradável, com os campos verdes a nossa volta, um vento suave no rosto me dando a sensação de que o mundo ainda é o mesmo, que podemos parar em algum lugar estender uma toalha xadrez e fazer um piquenique, avistamos a fazenda, ultrapassamos a porteira e fechamos os portões com todo cuidado, depois seguimos viagem e então estávamos diante de uma bela casa de fazenda.

Descemos todos e somos recebidos pelo nosso grupo, meu coração se acalma quando percebo a expressão tranquila de Rick e Lori, Dale faz a pergunta, eles dizem que Carl está bem e se recuperando, que devem isso ao dono da fazenda Hershel e Shane, um homem morreu, o que atirou em Carl, fez algo para salvá-lo, Otis, vai haver um enterro simbólico, todos seguimos junto, Daryl está relutante, mas me acompanha.

Eles pedem uma palavra de Shane e por alguma razão não acredito naquele discurso de como Otis foi um herói, nunca acredito em nada que venha de Shane, ele nunca me pareceu confiável.

Começamos a organizar um acampamento no jardim do dono da fazenda, no meio do trabalho começa uma pequena reunião, era preciso reorganizar as buscas, Rick estava impossibilitado, Shane também e Daryl se oferece para seguir sozinho, meu coração acelera, não quero ficar aqui sem ele e sempre tenho medo de que ele esteja me deixando.

Hershel proibi armas na fazenda, evidente que Rick decide respeitar e Daryl simplesmente ignora, a reunião chega ao fim com a decisão de que deveriam ensinar todos a atirar, quero aprender, talvez Daryl me ensine, se um dia tomar coragem eu peço a ele.

Me afasto quando Maggie anuncia que precisa ir a farmácia e Rick manda que leve Glenn com ela, vejo Daryl caminhando para mim quando eu olhava para a nossa barraca no chão sem saber muito o que fazer.

Fico olhando para ele, quando Daryl andava parecia dizer, saia da minha frente se não quer encrenca, e adoro isso, bom eu adoro tudo nele.

−Vou deixar as coisas prontas para você antes de sair! Me avisa se abaixando e começando a montar a barraca – Quero que fique aqui, não saia por ai se não sabe onde estamos, pode se perder ou encontrar um errante.

−Vai mesmo sair? Eu pergunto sem resistir.

−Vou! Ele me responde sem me olhar.

−Vai voltar?

−Certo Mary, já está tarde e não vou muito longe então pode ir comigo, mas amanhã você fica aqui! Ele me diz e eu sorrio mais uma vez, essa coleção de coisas boas que acontecem com Mary estava cada vez maior.

Montamos a barraca dele e guardamos tudo dentro depois ele pega a besta e já estávamos saindo pelos fundos quando Rick o chama.

−Não nos deve nada Daryl, podemos fazer isso amanhã! Rick diz e nunca vou entender porque fez aquilo, porque não podia ser apenas grato, eu o olho e vejo Daryl o encarar.

−Só que eu não tenho a vida toda! Ele diz dando as costas a Rick, sigo com ele.

Já estava começando a me acostumar com a floresta e principalmente em caminhar com Daryl na floresta, gostava de ver como se sentia seguro e confortável naquele ambiente, encontramos uma clareira com uma casa grande e Daryl se prepara. Entramos na casa eu sempre atrás dele, um pouco assustada, alguém esteve ali e não preciso ser um gênio para perceber, comeu e se escondeu, ele vê um armário e faz sinal para ficar atrás dele, como se precisasse disso, eu nunca abriria aquilo sozinha.

Não era um lugar onde um adulto pudesse caber, mas era perfeito para Sophia e eu o olho com minha esperanças renovadas, sorrimos e deixamos a casa, só podia ser ela, Sophia se escondeu ali, talvez tenha passado uma noite, se alimentou, faz só três dias, ela devia estar bem, quem sabe não está nesse momento nos esperando na estrada.

Do lado de fora Daryl vê uma flor branca, se abaixa encantado, olhando para ela, estranho ver aquele homem durão rendido a uma pequena flor, ele me olha sério.

−Essa é uma rosa cherokee, a história é que quando os soldados americanos estavam tirando os índios de suas terras, as mães cherokee, ficaram de luto, na trilha das lágrimas, elas sofriam muito por estarem perdendo seus filhos, a fome, doenças, muitos desapareceram – Ele não me olhava muito, acho que estava envergonhado, mas eu não conseguia desgrudar os olhos dele – Então os anciãos fizeram uma oração, para dar força, elevar o espirito, dar esperança, no dia seguinte essa flor nasceu, onde as lágrimas das mães caíram.

−É uma linda flor! Eu digo com meus olhos marejados, pela história, por ser ele a contar e por compreender que amo Daryl Dixon, aquilo me faz perder o ar por um segundo, eu o amo.

−Eu não sou tolo para achar que uma flor floresça assim por um irmão, mas acho que pode florescer por uma mãe.

−Devia levar para Carol! Eu digo e ele me olha em dúvida – Ninguém tem mais muita esperança, acho que isso deixaria ela mais forte.

Ele olha para a flor e faz o que pedi retira com cuidado e caminhamos de volta em silencio, amo Daryl Dixon e agora não tenho a menor ideia de como lidar com isso.

Vamos até o treiler na estrada, eu faço sinal para que entre, não acho que deva fazer parte desse momento, ele perdeu Merle, ele entende melhor a dor de Carol, eu não, nunca senti nada assim, nunca perdi nada porque nunca tive nada.

Daryl sai do treiler uns minutos depois, estava visivelmente emocionado, fico olhando para ele encantada, é tão perfeito, especial, era claro que me apaixonaria, quem poderia evitar isso, mas não sei que tipo de amor é esse, quero ficar perto dele e quero sentir seu toque e morro de medo que ele faça isso.

Não sei como é não ser forçada, não sei como uma mulher se sente, tenho medo de ser a mesma coisa e com isso matar esse amor que me faz sorrir, ele estava me olhando de um jeito diferente e desvio o olhar.

−Vamos voltar Mary, amanhã as buscas continuam, vamos achar Sophia, precisamos.

Ele pega minha mão e caminhamos de volta pela floresta, não era uma distância tão grande assim, e a noite começava a cair, chegaríamos antes do dia acabar.

Estou andando pela floresta de mãos dadas com o homem que amo, eu olho para ele e sorrimos um para o outro, gosto de sorrir.

Notas finais
Espero que tenham gostado e quem puder que tal dar uma olhada na fic da minha amiga Thays, garanto que no minimo vão ganhar uma otima amiga espero que gostem http://fanfiction.com.br/historia/398188/Vivendo_No_Apocalipse_De_Zumbis/)