Apocalipse

43 Sangue Derramado


Notas iniciais
Heya!! Leitoras, Leitores... Atrasada como de costume, certo? Mas aqui estou eu! Só pelo título já dá pra perceber o quão sério eu falei em relação ao banho de sangue... :v —Boa Leitura! ~May ♥

Os minutos daquela madrugada banal se passavam lentamente, parecendo mais uma eternidade. Tudo que se ouvia era o vento forte batendo contra a janela fechada do quarto, além da respiração de Ellie e Lilian, calmas e constantes. Dividiam a cama de casal do quarto de Oliver. Por mais que estivesse cansada, Lizzie mal conseguia manter os olhos fechados, sentia o corpo afundado no colchão macio, além do calor compartilhado sob as cobertas, porém, uma sensação estranha a impedia de dormir.

Encarava um ponto qualquer na escuridão, tendo a impressão de que algo se movia ali, entretanto, era apenas sua imaginação lhe pregando uma peça. A mente estava vazia, nem um único pensamento aleatório sequer rondava sua cabeça, para que assim pudesse se distrair. Virou-se de um lado para o outro, sem que perturbasse os sonhos das outras duas, mas nenhuma posição lhe parecia confortável.

Decidiu que seria melhor sair do quarto e procurar algo com que se ocupar. Levantou devagar, tentando mexer as cobertas o mínimo possível depois calçou suas pantufas e tateou o cômodo todo em busca da porta, sem fazer barulho. Havia apenas uma vela iluminando o corredor, sendo possível ver Snow dormindo tranquilamente, enrolado em suas cobertas, e Íris sentada no chão, brincando de montar e desmontar uma pistola. Pediu silêncio para a outra garota e desceu a escada com passos leves.

Como era costume, a lareira da sala estava acesa, e Aika aproveitava o calor da mesma. Nick estava sentado ao lado da collie, tendo seu caderno de desenho e um lápis em mãos.

— Também sofre de insônia, isolado? — disse ela com voz baixa, chamando a atenção do rapaz.

Nick levantou o olhar e sorriu com o comentário:

— Tô sem sono... — respondeu no mesmo tom de voz, observando-a se aproximar.

Lizzie sentou no tapete, próxima do rapaz, pegando alguns papéis que estavam espalhados pelo piso e olhando os desenhos contidos neles.

— Seus desenhos são muito bons. — ela comentou após terminar de ver, organizando-os em um monte único e colocando em um canto.

Ele apenas sorriu em resposta e voltou a riscar a folha do caderno. A garota observou suas mãos por alguns instantes, depois se aproximou da lareira, acordando Aika sem querer. A collie lhe lançou um olhar cansado e balançou a cauda com suavidade, voltando a encostar a cabeça no assoalho de madeira.

— Você tá quieto... — Lizzie comentou, abraçando seus joelhos e apoiando a cabeça nos mesmos. — Algum problema?

O rapaz ficou em silêncio por um tempo, colocou o lápis no espiral do caderno, fechando-o em seguida e pondo sobre os papéis arrumados, voltando o semblante apreensivo para a ruiva:

— To me sentindo deslocado... — ele respondeu. — Desde que a minha irmã morreu eu me sinto desse jeito. Mas agora, vendo você com a sua irmã, me sinto mais deslocado ainda...

— Awn, não fica assim! — disse a ruiva, empurrando de leve deu ombro, abrindo um sorriso. — Querendo ou não, você faz parte da minha família.

Nick sorriu de volta, enquanto fitava seus olhos, notando a sinceridade em suas palavras.

— Você falando assim me sinto até um pouco melhor... — ele comentou, um pouco sem jeito. — Eu tenho uma pergunta... Por que não temos nada sério?

— Por que eu não quero... — ela observou seu semblante por alguns instantes e, antes que ele voltasse a indagar outra coisa, voltou a falar. — Tenho medo que aconteça alguma coisa... Então eu prefiro evitar sofrer.

Ele levantou as sobrancelhas, analisando o semblante de Lizzie, imaginando que ela estivesse brincando.

— Uau... Não sabia que você se importa com as pessoas... — ele comentou com sarcasmo, abrindo um sorriso de canto.

— Claro que eu me importo! — ela respondeu, lhe dando um largo sorriso e empurrando seu ombro outra vez. — Principalmente com você.

— Sério? Por quê?

— Porque eu te amo.

Os olhos de Nick brilharam ao ouvir estas palavras, e um sorriso involuntário se formou em seu rosto.

— Beleza... Ou você tá doente ou eu tô sonhando... — Nick comentou, rindo em seguida.

— E se isso for realmente um sonho...? — a garota indagou, inclinando-se na direção do rapaz, mantendo um sorriso.

— Eu não quero acordar nunca mais! — disse ele, puxando-a para mais perto de seu corpo, lhe beijando demoradamente, sem a mínima pressa, depois se afastou para fitar os olhos esmeralda da garota, ainda sorrindo. — Você sabe que eu também te amo, né?

— Eu sei... — a ruiva sussurrou em resposta, sorrindo do mesmo modo.

— Você não quer casar comigo?

— Não abusa do momento, Nick. — ela rebateu, lhe dando um beijo rápido e se afastando em seguida, sentando no sofá.

— Tudo bem, eu tento de novo outra vez... — respondeu, fingindo uma expressão triste.

Ela revirou os olhos e se esticou no sofá, fitando o lustre no teto. Talvez aquela sensação estranha fosse só coisa da sua cabeça. Nick voltou a desenhar em seu caderno e o silêncio reinou no local outra vez.

Longos minutos se passaram. Lizzie já estava cochilando no sofá, enquanto Nick guardava o que tinha usado, quando o som das latas chocando-se umas contra as outras ecoou do lado de fora, chamando a atenção de ambos. A ruiva saltou do sofá, encarando a porta com desconfiança, passou as mãos na cintura, procurando sua arma, mas tinha deixado-a no andar superior.

— Puta merda! Tô desarmada! — ela sussurrou alto para o rapaz.

— Eu também! — ela respondeu no mesmo tom de voz.

— Galera! — a voz de Íris ecoou no alto da escada, como um grito abafado, que apenas eles poderiam escutar. — Tem um grupo lá fora, estão todos armados e estão vindo nessa direção. Se eu atirar chamaria atenção...

— Então eles vão acabar entrando! — Lizzie sussurrou de volta, em tom irritado.

— Calma! Não estamos aqui em baixo? — disse Nick. — Íris, você fica à espreita aí na escada, se alguém subir, você descarrega um cartucho se for necessário. Nós dois vamos matar um a um, a escuridão está a nosso favor.

— Só tem um problema, gênio, e a lareira? — Lizzie indagou.

— Por qual motivo você acha que eu deixaria aquele balde com água ali, querida? — ele respondeu como se fosse o óbvio, lhe dando um sorriso de canto.

Ela estreitou os olhos e voltou o olhar para a lareira, de fato tinha um balde no canto, mas ela não tinha percebido antes. Ouviram a maçaneta sendo girada e se apressaram. Enquanto Nick apagava as chamas da lareira, Lizzie foi até a cozinha, chamando Aika consigo e pegando duas das facas mais afiadas. O grupo invasor começou a forçar a entrada na porta, dando fortes batidas na mesma, contudo, madeira que bloqueava a porta poderia aguentar o tranco por mais algum tempo.

Agora em breu absoluto, Nick se juntou à ruiva, ambos agachados atrás do balcão da cozinha, aguardando o momento exato para agirem. Ouviram o som da madeira começando a ceder, as batidas contra a porta começaram a ser mais fortes, e com um intervalo de poucos instantes. O rapaz alcançou a mão nua da garota, que lhe lançou um olhar e um sorriso confiante. A madeira finalmente cedeu, e a porta se abriu com um tranco. Dois homens armados com pistolas adentraram na casa, iluminando o local com pequenas lanternas.

— Parece que não tem ninguém... — disse um deles, mantendo a voz baixa.

Outros três homens adentraram, dois deles com armas de fogo e lanternas, enquanto o terceiro tinha sua lanterna presa à roupa, e trazia consigo uma espécie de katana. Com cautela, os homens se dispersaram, andando com passos lentos para o interior da casa.

Um dos homens voltou-se para a cozinha, jogando a luz da lanterna nos balcões e armários, enquanto se aproximava com cautela. A dupla esperou um pouco, depois começou a se deslocar com calma para o lado direito do balcão, dando a volta, assim como o homem se aproximava pela esquerda. Nick fez um sinal para a garota, sinalizando que surpreenderia o homem pela frente, ela assentiu e deu a volta no balcão, ficando atrás do mesmo.

Nick levantou subitamente, torcendo o braço do homem e tirando a pistola de suas mãos. Antes que o homem reagisse, Lizzie tapou sua boca e fez a lâmina afiada deslizar com rapidez no pescoço desprotegido, ouvindo o sangue jorrar nos armários e no chão. O rapaz a ajudou a colocar o corpo desfalecido no chão, com cuidado para não fazer barulho, escondendo-o atrás do balcão. O rapaz desligou a lanterna e guardou em seu bolso, depois travou a arma e colocou em sua cintura. A ruiva fez um sinal para a collie ficar atrás do balcão, mantendo-se escondida.

Outro homem voltou do fim do corredor que levava ao quintal, dirigindo-se para a escada. O sangue de ambos gelou quando notaram a luz da lanterna subir, porém, antes que ele alcançasse os últimos degraus, o rosnado feroz de Snow ecoou no andar superior, e um vulto branco lançou-se no pescoço do homem, mordendo com firmeza, fazendo o corpo tombar para trás e cair das escadas. Foi possível ouvir o pastor belga rasgando a garganta do homem e o sangue pingando nos degraus.

A ruiva se apressou e colou-se à parede, notando que outra luz se aproximava, fez um sinal para o rapaz ficar à espreita, enquanto atravessava a sala furtivamente. A luz voltou-se na direção do grande cão branco, mostrando seu pelo empapado de sangue, e a garganta aberta do homem desfalecido, que ainda tinha as órbitas abertas. Antes que tivesse tempo de puxar o gatilho, Lizzie lançou-se em suas costas, segurando o cabelo com firmeza e degolando-o em seguida, mas não teve tempo de segurar o corpo, que caiu com pesar em cima da garota, fazendo barulho ao tocarem o chão.

Jogou o corpo para o lado e levantou, mas foi surpreendida por outro homem, que se aproximou pelas sombras, agarrando-a por trás, prendendo seus braços rentes à cintura, e colocando a katana em seu pescoço. A luz da lanterna de Nick voltou-se na direção do homem da katana, assim como a pistola destravada. O homem estreitou os olhos por causa da forte luz, mas não cedeu. O último integrante do grupo se aproximou, jogando sua luz na direção do rapaz, e apontando a arma com firmeza em sua direção.

— Um movimento brusco e os dois morrem! — disse o homem que segurava a katana, em tom alto e claro.

— Vocês estão em desvantagem! — Nick retrucou. — Solta ela!

Outras lanternas se acenderam na escada, voltando-se para os dois homens. Íris tinha o homem da katana na mira de seu rifle, enquanto Nathan apontava sua pistola para o outro.

Lizzie sentia o sangue quente correndo em suas veias, mas tentava se acalmar para não fazer algo estúpido. Odiava a sensação de estar vulnerável, embora a lâmina da katana não a amedrontasse. O homem que a segurava apertou a lâmina contra o pescoço exposto da ruiva, enquanto a apertava conta o seu corpo, analisando o local. Por alguns instantes, ela sentiu que o homem vacilava em relação aos seus atos, medindo com cautela suas possibilidades.

— Nós vamos sair! Mas a garota vem com a gente como refém. — disse o homem da katana, puxando o corpo de Lizzie na direção da porta, mesmo que ela se recusasse a mexer um músculo sequer.

O som de um disparo ecoou por toda a casa, fazendo um buraco no assoalho. Tenso, o homem parou e voltou o olhar para Nick, que tinha o semblante sério e os olhos fixos no homem.

— Não concordamos com nada, caralho! Você fica paradinho aí! – esbravejou o rapaz, saindo de trás do balcão com passos cautelosos, acompanhado da collie, que rosnava ferozmente, com os pelos do pescoço eriçados e os dentes a mostra.

Tentando não se mostrar intimidado, ameaçou outra vez puxar a lâmina, mostrando a firmeza com que segurava o cabo da katana, raspando no pescoço da garota e abrindo um pequeno corte, sendo possível ver o sangue escorrer. O silêncio reinou outra vez, e os olhares desconfiados alternavam entre as armas de fogo, que pareciam apontar em uma única direção. Até mesmo o outro homem do grupo invasor não sabia para quem apontar a arma, além de ter o corpo todo trêmulo.

— Dylan? – a voz de Lilian ecoou na escada, com um leve receio, e a morena desceu alguns degraus para fitar o rosto do homem.

— Lilian? Eles te fizeram de refém? – Dylan, o homem da katana, indagou de volta, afastando um pouco a lâmina do pescoço de Lizzie.

— Claro que não! Solta a minha irmã! — respondeu em tom irritado.

Hesitando, o homem recolheu a katana, deixando-a ao lado do corpo, depois soltou o corpo da ruiva. A garota se afastou um pouco, a raiva e o ódio eram visíveis em seu semblante. O outro homem abaixou a arma e logo em seguida o trio abaixou as suas. Notando o ato, Lizzie mediu com cautela os movimentos de todos, depois tomou um impulso e chutou com força entre as pernas de Dylan, fazendo-o arquear as costas para frente e cair de joelhos no chão, mantendo a testa rente ao assoalho.

— Encoxa a sua mãe da próxima vez, desgraçado! — disse a ruiva em tom de pura raiva, observando-o se encolher em grande satisfação.

Antes que a ruiva voasse no homem e arrancasse as veias do seu pescoço com as próprias unhas, Nick a segurou com força, arrastando-a para longe dele, sem se importar com o quanto ela se debatia. Lilian desceu as escadas correndo, saltando por cima do corpo desfalecido e indo checar o estado de Dylan. O grupo ainda ficou à espreita na escada, até que o clima tenso se amenizasse.

Após Lizzie se acalmar, o rapaz a escoltou até o tapete da sala, onde ela se sentou e abraçou os joelhos. Nick ficou em pé ao lado dela, como se previsse outro ataque de surto. A collie se aproximou, mantendo a cabeça baixa e as patas quase arrastando no assoalho, deitou-se preguiçosamente sobre os pés da ruiva, jogando todo o seu peso sobre os mesmos. Os olhares ficaram vidrados na direção dos invasores, até Dylan se recuperar e levantar com dificuldade, apoiando-se em Lilian.

Tomaram o lado oposto do tapete, intimidados pelo olhar vazio e fixo que Lizzie lançava sobre eles, deixando tudo mais tenso. Enquanto Nick se afastava para pegar algumas velas na cozinha, Lilian manteve os olhos na irmã, temendo que ela fizesse algo, e então tomou a atenção para si:

— Esse é o Dylan... Ele é o capitão de outro grupo de busca, assim como o Jon. – disse para a irmã, depois voltou o olhar para os dois homens. — Essa é a Lizzie, minha irmã gêmea, e aquele é o Nick.

O silêncio reinou outra vez, a desconfiança estava estampada em cada semblante da sala. Nick acendeu as velas e colocou-as sobre a mesa de centro e sobre a lareira, para que iluminasse a maior parte possível do cômodo, depois se sentou ao lado de Lizzie.

— Como vamos explicar para a tenente esse mal entendido? – Dylan indagou, tentando livrar-se dos olhares penetrantes da ruiva.

Lizzie sorriu de modo assustador e balançou os ombros, mostrando que não se importava com as consequências.

— Isso é problema de vocês... – disse em tom extremamente calmo, ainda com os olhares voltados para Dylan. – Mexeram com as pessoas erradas em uma hora muito crítica...

Dito isso, Lilian a fuzilou com o olhar. O homem da katana ficou ainda mais inquieto com o comentário.

Notas finais
Tava tudo bem, e do nada tudo virou caos e.e Quaro meus comentários u h u Podem comentar... Eu tava vendo aqui... E acho que faltam pelo menos 20 capítulos pra eu acabar a história... (Isso porque eu tô chutando, nem eu sei ao certo quantos capítulos faltam...) Então já preparem seus kokoros e.e