Apocalipse
19 Nathan
Notas iniciais
– Então está decidido, vou trazer o seu aprendiz. — disse Alex após um longo discurso.
O homem saiu da sala, permitindo que Lizzie pudesse finalmente bocejar. Alex a convocou em sua sala naquela manhã para falar a respeito do projeto de aprendizagem dos jovens, e pediu para a garota ajudar. Entretanto, Lizzie parou de prestar atenção na metade do discurso, era algo cansativo, e ela não estava muito a fim de ficar ouvindo, então apenas concordava com a cabeça.
A ruiva esfregou os olhos e ficou atenta aos ruídos vindos do lado de fora. O som de passos ficavam cada vez mais altos, ela se recompôs e ficou encarando a porta. Alex a abriu de uma vez, entrando com um rapaz que a ruiva já conhecia.
– Lizzie, esse é Nathan, ele será o seu aprendiz. Nathan, essa é a Lizzie, sua instrutora. Creio que vocês se darão muito bem, a Lizzie é especialista em sobrevivência. Você vai aprender muito com ela.
– Com certeza. — ela disse com um leve sorriso de deboche.
– Muito bem... Vou te dar essa folha que permite você retirar qualquer armas do estoque... Sempre que precisar apresente essa folha. — disse Alex entregando uma folha para a ruiva.
A garota assentiu e o homem os liberou. Os dois saíram, Lizzie dobrou a folha e guardou-a no bolso. Em silêncio, os dois seguiram para fora da mansão.
– Achei que eu tinha me livrado de você... — disse a ruiva.
– Você teve sorte que eu não contei a ninguém sobre a pancada que você me deu na biblioteca... — disse o rapaz.
– Oh meu Deus! Que medo! — ela virou para ele e fez uma cara de assustada. — Ele ia contar pro Alex!
A garota riu zombeteira, riu como se fosse a coisa mais engraçada do mundo, até que ficasse sem ar.
– Vai lá e conta pro papai! — ela completou.
Nathan ficou sério e estreitou os olhos. A ruiva tomou fôlego e seguiu caminho.
– Por hora vamos esquecer isso. — Lizzie continuou — Você tem bastante coisa pra aprender, e o pior é que eu nem sei por onde começar... Vou precisar de um tempo pra elaborar as "aulas". Mas hoje eu vou testar você.
Nathan a fitou por um tempo e depois continuou seguindo-a. Os dois param na sombra de uma árvore de folhagem densa. A garota sentou na grama, apoiando as costas no tronco e começou a encarar o rapaz. Nathan sentou e ficou em silêncio.
– O que você sabe sobre os infectados? — ela indagou.
– Sei que eles comem pessoas.
– E...? — ela arqueou uma sobrancelha.
– Só sei isso...
– Hum... Qual sua idade?
– Vou fazer doze.
– Ah, então deve ser por isso. — ela sorriu. — Há quatro anos atrás os países desenvolvidos juntaram-se para criar a cura de uma doença chamada AIDS, mas quando o projeto estava perto de ser finalizado foi acrescentado uma substância radioativa acidentalmente. Fizeram testes em animais mas, aparentemente, não surtiu efeitos anormais. Então fizeram testes em humanos com a doença, um grande número de pessoas foi infectado. Elas adoeceram e dentro de três dias morreram. Mas o que ninguém esperava era que eles voltassem à vida... E assim que o mundo virou uma merda!
O garoto ficou ponderando, enquanto Lizzie tomava fôlego para continuar:
– Você deveria ter entre 7 e 8 anos quando isso aconteceu. — ela disse com toda certeza do mundo. — E parece que te protegeram muito bem, a ponto de você não saber disso... Alguma explicação?
– Meus pais eram do exército americano.
– Ah... Sorte a sua! — ela deu uma risadinha. — E por que me encarregaram de cuidar do você?
– Talvez por que meu pai não tem tempo pra mim... — ele desviou o olhar, agora encarando o chão.
– E daí?
– "E daí"?! — ele a encarou enraivecido. — Você fala como se não fosse nada de mais, você não tem família?
– Não. — ela balançou os ombros e sorriu.
O garoto bufou voltou a encarar a grama.
– Na verdade eu tenho a minha border collie... Ela é a minha família. — ela voltou a falar.
– E seus pais?
– Longa história, você não vai querer ouvir. — Lizzie levantou começou a caminhar. — Vamos lá, vou te ensinar alguma coisa pra você não ficar de bobeira, ou fazendo bullying...
Ele levantou e apressou-se para alcançá-la.
Enquanto caminhavam, Lizzie notou a agitação na cidade, pessoas circulavam carregando caixas por todos os lugares, outros pareciam limpar as ruas e as lojas.
Nick é Juliette também estavam passando por ali. Quando Juliette avistou Lizzie rapidamente abraçou o braço de Nick, a fitando com um sorriso. Lizzie desatou a rir até ficar sem ar.
– Mas que garota infantil! — ela disse entre os risos. — Ela acha que eu tenho ciúmes, coitada!
Nathan a observava confuso.
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