Apocalipse
16 Desespero
Notas iniciais
Algumas horas depois, Lizzie já estava mais calma, porém, continuava intrigada sobre Thompson. A ruiva estava sentada em um galho de uma árvore, ponderando sobre a vida enquanto encarava o céu. Aika estava deitada sobre as raízes daquela enorme árvore, dormindo tranquilamente.
A garota passou a observar a cidade, via pessoas e crianças vagando e conversando. A essa altura, já não sentia a mínima vontade de interagir com outras pessoas, nunca teve essa vontade, sempre preferiu ficar sozinha. Ao longe, viu Nick passando por alí, ele segurava duas caixas grandes de papelão, e pareciam estar pesadas.
De imediato, Lizzie saltou da árvore e correu na direção do rapaz. Aika percebeu o movimento e se pôs a correr atrás da ruiva.
— Ei, Nick! — ela o chamou.
Nick parou e virou na direção de Lizzie, mesmo que não conseguísse ver direito, por causa das caixas.
— Precisa de ajuda? — ela perguntou.
— Seria bom... Obrigado.
Lizzie pegou uma das caixas. Ela estava um pouco pesada.
— O que tem aqui? — a ruiva indagou.
— Sinceramente, eu não sei... Deve ser algo relacionado a ala médica da Casa Branca... Eu estou indo para lá agora.
Os dois começaram a caminhar na direção da Casa Branca. Ficaram em silêncio por um tempo, até Lizzie começar a falar.
— Eu estava te procurando...
Nick a olhou pelos cantos dos olhos e sorriu.
— Eu já ia te procurar também, assim que terminasse minhas tarefas...
— Eu queria te perguntar algumas coisas sobre o Thompson... — disse a ruiva.
Nick engoliu em seco e ficou sério.
— Justamente ele? — o rapaz indagou.
— Infelizmente, sim...
— Ok... Vamos à Casa Branca primeiro, depois conversamos.
A dupla seguiu caminho na direção da mansão, em silêncio absoluto. Era como se o nome "Thompson" fosse um tabu para ambos. Mas o que teria de tão errado e tão grave com esse homem? O que ele poderia ter feito? Essas perguntas rodeavam a cabeça da ruiva, embora ela já tivesse algumas teorias.
Nick entregou as caixas para sua irmã, agindo naturalmente, como se nada de ruim estivesse acontecendo ao seu redor. Lizzie ficou observando-o e ponderando sobre isso, como ele conseguia fingir tão bem? Nick já teria usado esse truque com ela alguma vez? Outras dúvidas surgiram, mas ela não as levou a sério.
Alex os chamou em sua sala e explicou sobre os aprendizes. Resumidamente, estavam treinando jovens para suceder os "soldados" da cidade futuramente. O homem pediu à Lizzie que ajudasse no projeto, tento um rapaz como aprendiz. Lizzie aceitou, mesmo achando que aquela ideia não fosse tão boa. Antes que saíssem da sala, Alex pediu para a dupla procurar alguns itens para os preparativos do Festival do Solstício, entregando uma lista para Nick.
Fizeram um intervalo de 30 minutos para se prepararem e se encontrarem no portão principal. A ruiva achou melhor deixar Aika em casa, então só pegou sua mochila, trocou de roupa e tomou rumo ao portão.
Nick já estava lá, montado em seu cavalo, com a mochila nas costas e uma arco nas mãos. Ela estranhou, nunca havia visto o rapaz usar arco e flechas antes, mas não questionou, subiu em seu cavalo e tomaram rumo à cidade mais próxima.
Longos minutos se passaram, minutos em absoluto silêncio, como se um deles abrisse a boca fosse morrer. Nick parou e olhou para a ruiva.
— Acho que já estamos longe o bastante... — ele disse.
— Da cidade? Aparentemente sim...
— Não necessariamente da cidade... — o rapaz suspirou. — Mas dos "ouvidos de Thompson... Quanto menos falarmos a respeito disso na cidade, mais seguros ficamos.
Lizzie arqueou uma sobrancelha e o olhou com uma expressão confusa.
— Você deve se lembrar... — o rapaz continuou — Quando nos encontramos no Canadá, eu fui claramente deixado...
— Sim, isso era óbvio. — a ruiva comentou.
— O homem que estava dirigindo e o que arrastou a Alice para o carro são homens do Thompson... Não sei se eu deveria estar te contando isso... Você pode ter problemas por minha causa...
— Nick, esse homem tentou matar o meu pai e com certeza tem algo mais. Estamos juntos nessa.
O rapaz sorriu e abaixou a cabeça, respirou fundo e continuou:
— Não é a primeira vez que ele tenta se livrar de mim... Se não fosse por você, ele teria conseguido. O homem que segurou a Alice, o Brian, tem algum parentesco com o Thompson, eles são como uma dupla. Tenha cuidado se um dia se sentir observada.
— E por que ele quer você morto?
Nick fitou-a no fundo de seus olhos cor de esmeralda e engoliu em seco.
— Eu vi coisas Lizzie... Coisas que eu não queria ter visto... Thompson é um homem horrível... Ele... — Nick fez uma pausa e balançou a cabeça. — Ele estuprou garotas com a metade da sua idade. Eu vi. Eu ia contar ao meu tio, mas Brian me pegou antes que eu pudesse sair de fininho.
Lizzie arregalou os olhos e continuou encarando-o, esperando que o rapaz continuasse.
— O Thompson é como o braço direito do meu tio, a palavra dele é a que vale... Mas se eu conseguisse contar ao meu tio... Ele com certeza teria tomado as providências necessárias. Porém, Brian me pegou e me levou até ele... Eles me ameaçaram... Disseram que se eu contasse eles matariam meu tio e me fariam assistir a Alice ser estuprada, e só então me matariam. Eu permaneci em silêncio, mas eles não perdem a oportunidade da tentar me eliminar.
Nick abaixou a cabeça novamente, ponderando. Lizzie se aproximou e passou a mão em seus cabelos, depois apoiou a mão em seu ombro. Ele ergueu o olhar e ela sorriu.
— Estamos juntos nessa, nós podemos pará-lo. — ela disse.
— Sei que você tem esse poder... — ele sorriu de volta. — Mas eu não quero que nada aconteça com você...
— Não precisa se preocupar comigo. — ela piscou para ele e continuou a andar com o cavalo. — Eu sei me virar sozinha.
— Sei que sim. — Nick começou a encarar o céu, que estava ficando mais escuro. — Acho melhor fazermos uma fogueira e encontrarmos algo para comer. Vai escurecer logo.
A ruiva assentiu.
Os dois andaram mais um pouco até acharem um bom lugar para fazer uma fogueira e dormir. Nick conseguiu acender a chama e depois pegou o arco.
— Quer ver uma coisa legal? — ele sussurrou.
— O que? — a ruiva indagou no mesmo tom de voz.
Nick levantou. Com o arco e flecha, ele mirou no que parecia ser um veado no meio da vegetação, relaxou os músculos e estabilizou sua respiração. Ele estava pronto para soltar a linha, quando um estrondo ecoou ali, o som parecido com um trovão. Tiro de rifle. Lizzie conhecia bem esse estrondo.
A ruiva percebeu que o veado tombou e caiu, porém, Nick recebeu o mesmo solavanco e caiu para trás, desacordado. O desespero tomou conta da garota.
— NICK!! — foi tudo o que ela conseguiu dizer antes de correr até ele.
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