Apocalipse
17 O Jogo
Notas iniciais
Lizzie sentiu um calafrio percorrer seu corpo. Como se o sangue parasse de correr em suas veias, como se seus pulmões fossem tapados por uma força maior, como se seu coração parasse de pulsar. Foi como se tudo ficasse em câmera lenta a partir do momento em que o tiro de rifle rasgou o silêncio do local, ela observou o corpo de Nick tocar o chão violentamente, totalmente sem reação. Apenas segundos depois, quando recobrou a consciência, ela correu até o rapaz.
— NICK!! — ela o chamou. Mas era tarde, o jovem já havia perdido a consciência.
Ela se ajoelhou ao seu lado e observou manchas de sangue se espalharem pela sua roupa rapidamente, em três locais diferentes. Lizzie olhou em volta e viu um sorriso macabro por entre a vegetação, logo o cano do rifle reluziu com a pouca luz que ainda tinha no local, ele apontava em sua direção.
A garota rapidamente sacou sua arma e começou a atirar na direção da mata, mas suas mãos tremiam consideravelmente, tremiam o bastante para fazê-la errar o alvo. Apenas quando sua munição acabou ela voltou o olhar para Nick e começou a puxá-lo para onde os cavalos estavam amarrados, não havia tempo para recarregar a arma e certificar-se de que aquela pessoa estava caída no chão, com o sangue fluindo para fora de seu corpo, manchando a viva grama verde.
"O que eu faço? O que eu faço?! Rápido Lizzie!! Pense em algo!!" ela dizia para si mesma enquanto arrastava o rapaz. A ruiva desamarrou o cavalo preto e branco e o levou até um pequeno desnível, no qual ela conseguiria montar nele e trazer Nick consigo. E foi o que ela fez. Por mais que fosse difícil, Lizzie conseguiu por Nick em cima do cavalo, de forma que ela conseguisse segurá-lo enquanto guiava o cavalo.
Como nunca antes, ela fez o cavalo correr até chegar ao seu limite. Mas mesmo assim ainda era difícil guiá-lo e segurar seu parceiro. Alguns minutos se passaram, mas pareceram longas horas, a noite chegou mais rápido naquele dia, mas finalmente ela conseguiu avistar o portão da cidade.
— ABRAM O PORTÃO!! RÁPIDO!! — ela gritou para qualquer um que estivesse no topo da muralha.
Ela ouviu vozes, mas não deu muita atenção, concentrou-se em manter o ritmo até que penetrasse na cidade. Como um raio, o cavalo entrou na cidade e a garota o guiou na direção da Casa Branca. O toque de recolher já tinha soado, não havia pessoas nas ruas, o que facilitou o percurso.
Logo cruzaram as grades que dividiam as ruas com cascalho e pedras do gramado bem conservado da mansão, onde também tinha uma plantação. Alguns homem que saiam da casa se apressaram em ajudar a dupla assim que Lizzie parou o cavalo.
— Rápido, segura ele! — um dos homens disse.
Dois homens foram levando Nick para dentro, enquanto Lizzie tentava se acalmar. Sua roupa já estava manchada com o sangue do rapaz, sua respiração estava ofegante e suava frio, todo o seu corpo tremia com a tensão do momento.
— Lizzie. — Thomas a chamou na porta da mansão.
A ruiva desceu do cavalo, cambaleando, suas pernas estavam bambas. Thomas a segurou.
— Acho melhor você entrar também. — ele disse.
A garota assentiu positivamente e os dois entraram. Apoiada em Thomas, os dois passaram por alguns corredores e subiram algumas escadas até finalmente entrarem em uma sala grande que parecia de hospital. Alice e outras pessoas estavam lá, rodeando Nick, que ainda estava desacordado sobre uma cama.
— Ele tá perdendo muito sangue! — disse uma mulher. — Precisamos agir rápido.
— Mas não vai adiantar! Alguém vai ter que doar sangue pra ele. — disse um homem
— O Nick é A positivo. — disse Alice.
— A única pessoa que nós sabemos que é A positivo não está na cidade. — argumentou o mesmo homem.
— A positivo? — disse Lizzie, enquanto se apoiava na quina da porta. — Eu sou A positivo...
Alice a encarou por uns instantes, seus olhos brilhavam, e logo ela arrastou a garota até uma cadeira e preparou tudo para tirar o sangue da garota. Lizzie ficou observando seu sangue sendo extraído e assim que Alice retirou a agulha ela saiu do ar.
[***]
Lizzie acordou. Ficou observando o teto. Sua mente estava vazia, como se ela não recordasse dos acontecimentos passados, ou como se tudo não passasse de um sonho. Ela moveu o braço direito e sentiu um pouco de dor.
— Calma, calma... — era a voz de Alice.
A garota moveu a cabela na direção da voz e viu Alice, Juliette e Úrsula, todas sentadas em cadeiras.
— Onde eu estou? — a ruiva perguntou, um pouco confusa.
— Você tá na ala médica da Casa Branca. — explicou Alice, calmamente. — Me desculpe, parece que você desmaiou depois que eu tirei o seu sangue, mas eu tive que tirar de novo...
— Isso não é importante, e o Nick? — a ruiva indagou.
Alice apontou para o outro lado. Lizzie virou a cabeça e viu Nick deitado na maca ao lado, parecia estar dormindo.
— Muito obrigada por salvar o meu irmão... De novo. Se não fosse por você... — Alice fez uma pausa.
— Não foi nada. — ela virou-se e sorriu. — Eu ia ficar muito mal se ele morresse...
Alice sorriu.
— Você deve estar com fome. — disse Úrsula, se levantando. — Eu trouxe isso pra você.
A mulher colocou uma tapoer nas mãos da garota. Lizzie se moveu até conseguir ficar sentada e depois abriu a tapoer, dentro tinha alguns sanduíches.
— Obrigada. — a garota sorriu.
— Agora nós vamos indo. — começou Alice — Você precisa descansar. Tem um banheiro ali se precisar.
A ruiva assentiu e as outras saíram. Lizzie encostou a cabeça na parede e observou ao redor, o cômodo era bem simples, fora as macas, tinha um armário e uma janela grande, que possibilitava a entrada da luz do sol. Lizzie colocou a tapoer sobre uma espécie de criado-mudo e levantou, com um pouco de dificuldade, percebeu que sua mochila estava encostada no criado, pegou-a e levou consigo para o banheiro.
A garota deixou a mochila num canto e se olhou no espelho.
— Credo, que cara horrível! — ela disse para si mesma e riu.
Lavou o rosto e tomou um pouco de água, pois sua garganta estava tão seca que chegava a doer. Trocou a camisa suja de sangue por uma camisa limpa de manga longa. Remexeu sua mochila e tirou uma pistola, colocou na cintura. Estava prestes a sair quando ouviu uma conversa baixa, seguida por um som de porta abrindo e passos baixos.
Lizzie segurou a arma com a mão esquerda e abriu a porta com a outra, bem devagar. Thompson estava no quarto, se aproximando do rapaz com um travesseiro nas mãos. A garota apontou a arma em sua direção.
— Faça isso e você ganha um buraco no meio da sua testa. — ela disse.
Thompson olhou para ela e sorriu.
— Tudo bem, você ganhou. — Ele jogou o travesseiro na cama da garota e se encostou na parede da porta. — Soube que você andou pesquisando sobre mim...
— E...?
— E que eu tenho uma informação valiosa para você... Mas, sugiro que você sente em algum lugar...
Lizzie o olhou desconfiada e foi caminhando lentamente até sua cama, ainda apontando a arma para ele.
— Eu sei o que você fez... — ela disse friamente.
— Errado. Você sabe parte do que eu fiz. Você não conseguiu descobrir tudo... — ele deu um largo sorriso. — E eu adoraria deixar você descobrir... Eu vejo que você é forte psicologicamente, Lizzie, sorria bom jogar com você.
— Do que você está falando?
— Veja: eu tenho informantes por toda parte, sei de tudo por aqui. Mas você... Ah, é mais difícil conseguir informações suas... Aposto que você gostaria de saber o que aconteceu com o Steven...
Lizzie engoliu em seco, mas continuou fitando-o em silêncio.
— Eu vou contar o que aconteceu, mas antes, vou explicar as regras do jogo: você não pode compartilhar as informações que você descobrir à ninguém, caso o contrário, eles vão ter uma morte lenta e dolorosa... Ah, o Nick já está no jogo há algum tempo, você pode conversar com ele sobre isso, a propósito, foi ele que te colocou no jogo. Lembre-se eu sou a autoridade máxima aqui, não tente contar ao Alex...
— E se eu não quiser jogar? — ela indagou indiferente.
— Você não tem escolha... Eu acho que você está curiosa para saber o que aconteceu com o seu amiguinho, Steven. Ele estava indo te buscar, mas eu fui mais rápido... Eu peguei a querida família dele e matei na sua frente, depois eu o matei. — ele disse calmamente.
O ódio voltou aos olhos de Lizzie, deixando a habitual sombra negra em seus olhos verdes, seu sangue ferveu, ela teve vontade de enchê-lo de furos ali mesmo, mas se ela o fizesse teria grandes problemas.
— Bem, garota, bem-vinda ao jogo. — ele sorriu outra vez r tomou rumo à porta. — Durma bem essa noite...
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