Apocalipse

46 Conspiração


Notas iniciais
Hey yoo! Leitoras, Leitores... Sabe aquele capítulo que era pra sair ontem? Então... —Boa leitura! ~May ♥

10 de Janeiro de 05 P.A.
̶T̶a̶n̶t̶o̶ ̶t̶e̶m̶p̶o̶ ̶s̶e̶m̶ ̶e̶s̶c̶r̶e̶v̶e̶r̶ ̶q̶u̶e̶ ̶j̶á̶ ̶n̶e̶m̶ ̶l̶e̶m̶b̶r̶o̶ ̶m̶a̶i̶s̶ ̶c̶o̶m̶o̶ ̶s̶e̶g̶u̶r̶a̶r̶ ̶a̶ ̶c̶a̶n̶e̶t̶a̶.̶ ̶A̶ ̶L̶E̶T̶R̶A̶ ̶T̶Á̶ ̶T̶O̶D̶A̶ ̶T̶O̶R̶T̶A̶!̶!̶ ̶
Sinceramente... Eu poderia estar dormindo agora. Gostaria de saber o porquê de não conseguir voltar a dormi. Me sinto observada... É estranho. O Nick poderia estar aqui pra eu ficar irritando ele... Mas não, ele tinha que ter saído! Isso aqui tá um

— Ahh! Que ótimo! Agora me acaba a caneta da tinta! — reclamou a ruiva, atirando a caneta com força na parede e debruçando sobre a mesa, observando a cera da vela escorrer. Ficou um tempo com o cenho franzido até se dar conta do que tinha acabado de falar, e riu em seguida. — Espera... Isso não tá certo...

Suspirou e levantou-se. Escondeu as mãos nos bolsos e ficou andando em círculos pelo quarto. Nem tinha se passado um minuto inteiro quando a garota se cansou e voltou à mesa, ajoelhando sobre a mesa para poder ver através da pequena janela gradeada, procurando a lua com os olhos, porém o céu estava nublado. Como saberia se estava próximo do amanhecer?

Todo aquele tédio era torturante. Remexeu a mochila pela milésima vez, e tirou o walkman, mas estava sem bateria. Deixou a mochila de lado outra vez e deitou no chão, deixando o corpo estirado. Ficou um tempo com os olhos fechados. Ao abri-los novamente, notou que Aika a encarava, tinha as patas dianteiras para fora do colchão de sua cama, a cabeça tombada e as orelhas bem levantadas.

— O que foi? — Lizzie indagou, fitando os olhos brilhantes da collie. Aika, por sua vez, ganiu e se impulsionou para frente, lambendo o nariz da garota. — Eu não consigo dormir... Quer fazer alguma coisa?

Aika levantou e deu um latido baixo, enquanto suas patas batiam no colchão com animação.

— Então vamos andar um pouco. — levantou com um impulso e tirou a poeira das roupas.

Com seus passos silenciosos, saiu da cela e seguiu andando pela estrutura de ferro sem fazer barulho. Desceu as escadas sem a mínima pressa, atravessando o pequeno pátio como se fosse um reles vulto. Nem mesmo as unhas da collie faziam barulho contra o chão duro.

Seguiram caminhando pelos corredores vazios. A maioria estava tão escuro quando a noite lá fora. Achou estranho o fato das velas estarem apagadas, mas não deu tanta importância ao fato. Continuou chegando até que se deu conta de que estava perto do refeitório, e o local estava iluminado por velas, sendo possível ver silhuetas de corpos humanos se movimentando.

— Vamos ter que mudar o plano... — disse uma voz masculina bastante familiar. A ruiva parou antes que a luz pudesse denunciar sua presença, colou o corpo junto à parede e agachou, puxando Aika para mais perto. Esticou um pouco o corpo e notou que era o loiro que estava falando. — Se quisermos tirar a tenente do poder, teremos que eliminar os novos aliados dela primeiro...

— Você quer dizer... A ruiva que matou um dos nossos na tarde passada? — disse o outro, com certa insegurança na voz. — Não sei, Matthew... Você viu como ela o matou? E nem sentiu remorso!

— Se mal conseguimos nos livrar do Jon, acha que conseguimos nos livrar dela? — indagou um terceiro.

Matthew respirou fundo e soltou o ar calmamente, depois passou o polegar em sua barba, ponderando sobre algo. Lizzie continuava quieta em seu canto, ouvindo toda a conversa com atenção, as batidas de seu coração mal faziam barulho. O loiro cruzou os braços e escorou em uma das mesas, a luz da vela iluminava perfeitamente seu rosto.

— Talvez a resposta esteja bem debaixo do nosso nariz... Se não conseguimos atingir diretamente o grande objetivo, podemos começar com algo pequeno, mas que possa causar um grande abalo... — Matthew sugeriu. — de qualquer forma, vamos discutir isso ao amanhecer.

A chama da vela foi apagada e os homens começaram a se movimentar no refeitório. A ruiva se apressou e seguiu pelos corredores com passos apressados e silenciosos, voltando para o bloco de celas.

* * *

O dia pareceu chegar mais rápido. Em sua cabeça rodava todo o tipo de possibilidade. "O que ele quis dizer com 'algo pequeno que possa causar um grande abalo'?" a ruiva se perguntava. Permanecia deitada em sua cama, com os braços cruzados atrás da cabeça, contando as ripas da cama de cima. A collie estava dormindo sobre a garota, deitando a cabeça em sua barriga e esticando o resto do corpo sobre as pernas.

Subitamente, Lilian adentrou na cela, trazendo nas mãos algumas roupas em sacos plásticos transparentes. Lizzie voltou o olhar para a morena, arqueando uma sobrancelha enquanto fitava com intriga os sacos.

— Bom dia! — disse Lilian com um sorriso.

— Bom dia... — a ruiva respondeu.

— Você passou a noite bem aqui sozinha? — a morena indagou, colocando as coisas na mesa e escorando na mesma.

— Normal... — balançou os ombros. Pensou que seria melhor deixar a irmã fora de seus problemas. — O que você trouxe?

— A tenente me pediu pra trazer esse uniforme pra você... Eu acho que serve.

Lizzie ficou um tempo fitando a irmã. Antigamente tinha um certo rancor em relação à profissão, principalmente pelo modo como seu pai foi preso. Afastou Aika e levantou da cama, tirando os pelos da roupa. Lilian foi para o outro lado e puxou um lençol que servia de cortina para a cela, escorando na parede em seguida.

A garota se trocou em pouco tempo, e avaliou a si mesma. As roupas serviram perfeitamente. Pegou sua pistola e colocou no cinto, depois voltou o olhar para a irmã, que segurava o riso.

— Cadê a graça? Quero rir também. — disse com ironia, levantando as sobrancelhas.

— É que eu me lembrei daquelas festas de Halloween que a gente usava umas fantasias que só faziam sentido quando a gente tava uma do lado da outra... — Lilian comentou.

— Mas no caso, eu tava vestida de assaltante... — Lizzie, balançando a cabeça e abrindo um sorriso. — Vamos descer e fazer algo útil...

Lilian concordou com a cabeça e puxou o lençol de volta. Saíram da cela e desceram, seguindo com passos calmos até o outro lado do pátio.

— Quer procurar a tenente pra saber o que você vai fazer? — Lilian indagou.

— Pode ser... — balançou os ombros.

Seguiram andando pelos corredores, onde alguns homens passavam carregando caixas fechadas, até alcançarem a escada que levava ao segundo andar. Chegando à frente do escritório da tenente, viram que Oliver estava conversando com ela, e os dois riam juntos.

Lizzie fitou o pai com certa desconfiança, enquanto a gêmea pareceu não se importar, se aproximou com um sorriso. Oliver notou a presença das filhas e voltou o olhar para as mesmas, ainda sorrindo.

— Vejo que o uniforme serviu... — a loira comentou com um sorriso, enquanto fitava Lizzie de cima a baixo. — Precisam de alguma coisa?

— Você não de disse qual é a minha função... — Lizzie comentou.

— Ah, sim... No momento, eu quero que você fique de olhos abertos pra qualquer atitude suspeita... — observou a garota assentir. — Agora, se me dão licença, preciso resolver outras coisas.

Antes de seguir andando pelo corredor, a tenente trocou um olhar com Oliver. O homem a acompanhou com os olhos até que ela dobrasse o corredor, depois percebeu que Lizzie o encarava:

— O que foi? — o pai indagou.

— Naaada... — respondeu em tom sínico, cruzando os braços e estreitando os olhos.

— Não era você que dizia que eu tinha que procurar outra pessoa ao invés de ficar sofrendo pela sua mãe? — o homem respondeu no mesmo tom, sem poder conter o sorriso, cruzando os braços.

— Eu nunca disse isso. Você já tinha eu, pra quê outra pessoa? — Lizzie replicou, franzindo o cenho.

— Quem dizia isso era eu, pai... — a morena acrescentou.

Oliver alternou o olhar entre as filhas, sem ter o que dizer.

— Poderia ter me contado. — disse a ruiva.

— Desculpa! Eu esqueci que você é ciumenta! — Oliver replicou, levantando os braços.

Lizzie o fitou de cima a baixo e depois deu meia volta, seguindo para as escadas.

Saiu do interior da prisão, aspirando aos ares frios da manhã, por mais que o céu estivesse limpo, parecia que o sol estava ali apenas por estética. Escondeu as mãos nos bolsos da calça e voltou o olhar para o horizonte, notando que alguns homens tiravam a neve do pátio do estacionamento enquanto outros levavam alguma coisa para as torres.

Notou que os portões se abriam para a passagem de um carro, contudo, um movimento à esquerda de onde estava chamou a sua atenção. Pensou ter visto um vulto. Intrigada, seguiu andando com passos curtos, chegando aos limites da parede. Nunca tinha ido para as laterais da prisão antes, muito menos nos fundos.

Tudo parecia calmo e vazio, tendo um amontoado do que parecia ser mesas quebradas e outras coisas. Parou por alguns instantes, avaliando o local com o olhar. Pensou em voltar, entretanto ainda suspeitava do local. Seguiu andando com passos cautelosos, ouvindo os próprios pés afundando na neve. Assim que passou do amontoado de entulhos, começou a ouvir passadas duplicadas e subitamente parou, percebendo que os passos continuavam e logo em seguida pararam. Quando ameaçou virar-se, os passos voltaram a ecoar, como um impulso para corrida.

A ruiva teve tempo de puxar o canivete do bolso e virar-se, contudo, o homem que se escondia atrás dos entulhos foi mais rápido e agarrou seus pulsos.

— Por que você sempre tá metida nos nossos negócios? — o homem indagou, era uma das vozes que ouviu naquela madrugada.

Lizzie fitou seus olhos caramelo por alguns segundos e depois sorriu:

— Talvez seja intuição... Ou talvez eu tenha facilidade em descobrir esquemas que ameaçam a segurança das pessoas.

O homem riu em deboche e a empurrou na direção da parede, segurando seus pulsos acima da cabeça, mantendo-os afastados. Os rostos estavam tão próximos que podiam sentir a respiração um do outro.

— Seus olhos são lindos, adoraria arrancá-los e guardar num frasco com colírio. — Lizzie comentou, abrindo um sorriso zombeteiro.

— E você nem imagina o que eu gostaria de fazer com você... — ele respondeu com malícia.

— Hahah! Tenta a sorte! A minha voz vai ser a última coisa que você vai ouvir antes de morrer... — ela o ameaçou com um sorriso sínico.

— Veremos... — o homem replicou, juntando os pulsos da garota e os segurando com firmeza com uma das mãos, tirando o canivete de suas mãos e o jogando na neve em seguida. Com a mão livre, ele passou o polegar pelo rosto da ruiva. — Sabe, você fica bonitinha vestida de policial...

A garota não respondeu, apenas estreitou os olhos. Por mais que seu sangue estivesse fervendo, teria que pensar com calma antes de reagir. A mão do homem deslizou pela sua cintura, até chegar à barra da jaqueta que usava.

— Não ouse... — a ruiva o avisou.

Ele sorriu com deboche e começou a brincar com a barra do tecido, até que seus dedos gelados tocaram a pele quente da ruiva. Já sem paciência, ela tomou o impulso de um salto e chutou o abdômen do homem com os dois pés, fazendo-o se afastar e cair na neve. A garota se levantou com agilidade, alcançando o canivete caído na neve. O oponente recuperou o fôlego perdido e levantou com um impulso, mas antes que pudesse lançar-se contra a ruiva, foi atingido com um soco.

Lizzie observou o homem cambalear e notou que Nick o tinha golpeado, seu semblante estava sério e os punhos estavam cerrados. O rapaz não esperou o homem se recuperar do golpe, chutou a base de seus pés, fazendo-o cair na neve, e o imobilizou no chão, passando a golpeá-lo com socos fortes e firmes, abrindo cortes por todo o rosto do homem.

Nick parou apenas quando o rosto do homem estava coberto de sangue, sua respiração estava ofegante e os punhos estavam com o sangue do oponente. O homem estava imóvel, e a respiração bastante fraca.

— Acho que eu poderia me virar sozinha... — Lizzie comentou.

O rapaz lhe lançou um olhar sério e estendeu a mão ensanguentada para ela:

— Me empresta o canivete?

Ela balançou os ombros e lhe entregou a arma. Nick afundou a lâmina em um dos olhos do homem e, após levantar, pisou na parte exposta do cabo para garantir que a lâmina tinha perfurado o cérebro,

— Que pena... Achei que ia ganhar outro par de olhos pra minha coleção... — ela comentou com sarcasmo.

Nick riu do comentário infame e a abraçou em seguida:

— Também senti sua falta, Lizzie. — comentou em tom convencido.

Notas finais
Acho que o Nick ficou meio bravo -q Hueahueahueah :3 Sobre as teorias da conspiração, o que vocês acham que vai acontecer no próximo capítulo? e.e ~May ♥