Apocalipse

2 Amizade no Caos


Notas iniciais
Yoo Leitores! Trazendo logo em seguida o segundo capítulo. Este é mais longo :3 Lhes apresento os protagonistas. Tá dã! :P —Boa leitura! ~May ♥

A garota acorda com a luz do Sol em seu rosto, ela levanta e vai até a única abertura da janela, uma pequena, por onde olhava a rua deserta. Um vento úmido e gelado passava pela fresta. O céu nublado com poucos raios de Sol iluminando a rua empoeirada. Folhas secas sendo arrastadas pelo vento.

Espreguiçou-se, estalou as costas, o pescoço e os dedos e alongou todo o corpo. Estava preparada para um dia produtivo, o primeiro, após uma gripe. Olhou em volta: várias estantes com livros de todos os tipos, três sofás médios no centro, em um deles dormia Aika, máquinas de lanches vazias, pois já consumira tudo, que bloqueavam as poucas janelas enormes da biblioteca e, por fim, as mesas bloqueando as janelas restantes e a porta dos fundos. Tudo bem feito. Ela examina cada canto do local, despedindo-se. Há três anos ela não tinha um lugar seguro, como esse, para chamar de "lar". Sentiria muita falta dali, com certeza.

Foi até o sofá que dormia, sentou-se e puxou sua mochila, jogou no chão tudo que tinha dentro. O barulho acordou a collie, que ainda deitada, observava sua dona. Ela pega seu diário:

07 de Dezembro de 03 P. A.

É meu aniversário! Dezessete hoje. Vou ao shopping 'fazer compras'. Espero voltar inteira, se eu voltar...

Colocou o diário de lado e começou a arrumar sua mochila.

— Diário... Garrafas d'água... Velas, isqueiro, mapa bússola... Luvas ficam comigo. Munição fica comigo, junto com o canivete. Não vou precisar dessas roupas. — jogou-as de lado. — O facão e a pistola ficam. Livros... Se eu pudesse levaria todos. Mas vou levar só esses três. — fechou a mochila.

Prendeu seu cabelo ruivo em um rabo de cavalo alto, colocou seus tênis gastos e rasgados, arrumou sua calça suja e também rasgada, fechou o zíper de sua jaqueta azul-marinha respingada de sangue, vestiu suas luvas de couro, colocou o facão em seu cinto e a arma na cintura. Colocou a munição e o canivete no bolso, e com o pé-de-cabra na mão foi até a porta principal, arrastou a mesa pesada da bibliotecária e saiu com a collie.

Ela sentia seu corpo fraco, já estava a 16h sem comer. Estava no centro da cidade, totalmente deserta. Começou a vasculhar as lojas, porém, estavam vazias. Pararam para descansar em uma praça.

De repente ouve-se um disparo próximo, ela se levanta e segue o som. Logo começa a ouvir gritos vindos de um posto de gasolina. A garota se escondeu atrás de um muro, com a collie atrás de si, e ficou à espreita.

Uma cena de caos: um grupo foi atacado por um bando de infectados, inúmeros disparos, porém, a maioria não acertava o ponto vulnerável deles. Um garoto na frente com um revólver tentava atrasá-los, uma garota gritando enquanto era arrastada por um homem para o carro.

— Ele é meu irmão! — ela gritava. — Eu preciso ajudá-lo!

O grupo todo já estava dentro do carro, só faltava o garoto. Ele andava de costas, atirando, e acabou tropeçando e caindo de costas, com a perna direita em uma lança. O carro parte sem ele. A garota não se conteve, tirou o facão do cinto e correu até o garoto caído.

Com um movimento rápido com a mão direita, mão do pé-de-cabra, ela golpeia a cabeça do infectado que estava prestes a morder o garoto, o sangue jorra, sujando ambos, o pé-de-cabra fica preso na cabeça flácida do infectado.

— O que você tá esperando?! — ela grita para o garoto, enquanto puxa o pé-de-cabra de volta. — Rápido, levanta!

— Eu... — ele ofegava. — Não consigo...

Ela golpeia o próximo infectado com o facão, contando metade da cabeça fora, e se vira para ajudar o garoto. Ele se apoia nela e os dois começam a andar, o mais rápido possível, na tentativa de fugir. Andaram por algumas ruas até chegarem à um mercado.

— Tive uma ideia. — ela diz ao garoto.

Ela puxa um carrinho de supermercado, ajuda-o a entrar e coloca Aika dentro, junto com sua mochila. Para atrasar os infectados, ela bloqueia o caminho com outros carrinhos. Com muito esforço, ela empurra o carrinho.

— Para onde vamos? — ele questiona.

— Para o shopping. Melhor segurar firme.

***

Cerca de dez minutos depois ele chegam. A viagem foi silenciosa, ouviam-se apenas as rodinhas do carrinho.

— Está fechado... — o garoto começa. — Como vamos entrar?

— Você não é daqui, ou é?

— Não sou, vim dos Estados Unidos. Como sabe?

— Palpite de sorte. Digamos que eu sei diferenciar turistas.

A garota vai empurrando o carrinho beirando o shopping, até chegar aos fundos, com uma porta trancada. Com o canivete ela abre a porta.

— Tã dá! — ela exclama, empurrando o carrinho para dentro. — Sejam bem-vindos ao único shopping em Ottawa, e talvez de todo o mundo, que não foi infectado! — ela fecha a porta atrás de si e bloqueia com algumas prateleiras. — Vamos começar o passeio, por favor, permaneçam com mãos e patas dentro do carrinho. Primeira parada: farmácia.

Saíram da salinha que levava à porta dos fundos e entraram no grande salão principal do shopping. Totalmente vazio e silencioso. Iluminado apenas pelo teto solar cheio de folhas secas, que dificultava a passagem de luz, era possível ver as lojas fechadas, uma fonte no centro do enorme salão sem água, escadas rolantes paradas, placas informativas e corredores.

Ela o deixou sentado na beira da fonte com a collie enquanto ia na farmácia. O garoto sentia muita dor na perna, mal podia mexê-la, além de que sangrava muito. Logo a garota volta com um frasco de álcool, um rolo de faixa, uma caixa de algodão, um pedaço de pano e uma caixa de remédio. Ela se ajoelha em sua frente, pega o pano e molha-o com álcool.

— Isso vai arder um pouco. — ela diz dobrando a barra da calça.

— Eu aguento.

Enquanto ela limpava seu ferimento, o garoto fez uma expressão de dor, mas não puxou a perna. Depois ficou olhando-a enfaixar o ferimento, se perguntando o porquê tinha sido salvo.

— Por que me salvou?

— Não gosto de ver pessoas boas morrendo, eu vi como te deixaram para trás...

— Obrigado...

— Não foi nada. Seu ferimento não é tão fundo, em algumas semanas já estará melhor. Agora só tome esse remédio, vai ajudar com as dores.

Ela se levantou e pôs a mochila nas costas.

— Já que vamos ficar aqui, poderia me disser seu nome? — ele pergunta.

A garota pensa por alguns instantes e logo responde:

— Pode me chamar de "Lua".

— Já que não vai disser seu nome, não direi o meu.

— E como posso te chamar?

Ele pensou um pouco.

— Que tal "Hades"? — ele sugere.

— É um bom nome... Essa é Aika. Você vai ficar aqui? Nós vamos para o andar de cima pegar algo para comer.

— Ham... Tudo bem. Quem sabe eu descubro alguma coisa a mais sobre você...

— Quem sabe...?

Hades entrou no carrinho novamente, enquanto Lua empurrou-o até o andar de cima, pela escada rolante, que estava formando uma rampa. À esquerda o hipermercado do shopping, à direita mais lojas.

— Sabe o que seria divertido? — Lua pergunta animada.

— O que?

— Patinar aqui. Sempre quis fazer isso! Já volto.

Lua correu até uma loja de brinquedos, abriu o cadeado com o canivete e, minutos depois, voltou com um par de patins e um sorriso no rosto, o primeiro em três anos. Ela se senta no chão e coloca os patins.

— E eu? — Hades pergunta.

— Por que não pega um daqueles carrinhos motorizados?

— Não é má ideia.

— Tem um monte deles ali. — ela aponta. — Divirta-se! Vem Aika.

Lua pega uma cesta no chão e começa a patinar rapidamente pelos corredores, seguida por Aika, que corria alegremente. Lua sentia-se feliz, livre e despreocupada, há três anos não se divertia assim. Era como um sonho se tornando realidade: sempre se imaginou presa no shopping fazendo o que tivesse vontade.

Ela passou por alguns freezers e pegou algumas garrafas com água. Continuou patinando até chegar ao corredor dos animais, pegou uma tigela grande e pôs no chão, depois um pacote da melhor e mais cara ração, abriu e encheu até a boca. Aika devorava ferozmente. Pegou outra tigela, encheu com água e continuou patinando.

Passou pelo corredor de biscoitos, pegou seus cookies, wafers e biscoitos recheados favoritos. Voltou a correr pelos corredores, distraída, e não percebeu que Hades surgira de um deles, de pé. Ela não conseguiu parar a tempo, e acabou caindo sobre ele.

— Me desculpa! — ela disse se levantando. — Eu não o vi. Você está bem?

— Eu estou bem...

Lua o ajudou a levantar e recolheu os pacotes de biscoitos que caíram por todos os lados.

— Você deve gostar muito de biscoitos. — Hades diz voltando para seu caro.

— Gosto sim. E parece que eu já tenho o suficiente para essa noite. Só falta algo para beber.

— Já que está aqui, pode pegar aquela caixa de bombons la em cima?

***

Depois de pegarem o que comer, Lua e Hades foram para a praça de alimentação, sentaram-se em uma mesa do lado da janela. A chuva começava a cair, lavando a rua empoeirada e respingada de sangue.

— Como sabia que o shopping estava vazio? — ele pergunta.

Lua toma um gole de seu suco de caixinha, volta seu olhar para a janela e responde:

— Antes de isso tudo acontecer, eu tinha vindo aqui para Ottawa, para morar com minha tia, e ela era a gerente do shopping. Dois dias antes de o mundo ir ao delírio, o shopping fechou para uma manutenção anual. Os funcionários limparam e deixaram arrumado. No dia seguinte permaneceu fechado, dando uma folga para todos.

— E aí tudo isso começou.

— Sim...

— E de onde você era?

— Quebec. E você?

— Nova Iorque.

— E por que veio para cá?

— Eu fazia parte de um grupo de refugiados, com a sede em Washington, ocupamos toda a Casa Branca, temos água, comida, veículos... Decidimos expandir a área de busca, então viemos para cá.

— Entendo...

— Mas parece que fui descartado...

Ele tomou um gole de seu suco e depois continuou:

— Assim que eu melhorar eu vou atrás da minha irmã.

— Se é a sua vontade...

— Não quer ir comigo? Seria mais seguro.

— Eu... Não sei...

— Você tem medo de que eu esteja mentindo, não é? Entendo... Fiquei assim também, mas você verá que não estou mentindo. — ele sorriu.

Lua deu um sorriso falso. Aquele não era o real motivo.

— Já que vamos ficar juntos por um tempo, aqui no shopping, seria melhor ligarmos as luzes. — ela comenta.

— E dá pra fazer isso?

— Dá sim. O shopping tem um sistema independente de energia, tem painéis solares no telhado, só precisa limpar, mas é melhor esperar a chuva passar...

— Por mim tudo bem. Por enquanto podemos conversar.

— O que quer saber?

— Saber seu nome já seria um começo.

— Ganhe minha confiança que eu lhe digo. — ela sorriu.

— Justo. E sua idade?

— Dezessete. E a sua?

— Dezoito.

— Pergunta outra coisa.

— Hum... Por que está sozinha nesse mundo?

— Bem... É bem complicado. Eu acabei me perdendo dos meus familiares, eventualmente.

— E não conseguiu encontrá-los?

— Não... — ela abaixou a cabeça e suspirou. — Você tem sorte, tem uma irmã que se preocupa com você. — sua voz começa a mudar, ela começa a chorar. — Antes de isso tudo acontecer fui separada do meu pai e obrigada a vir para Ottawa... — lágrimas começam a pingar. — Eu não consegui me adaptar, comecei a ir mal na escola, não tinha amigos, além de que meu tio...

— Ele fez alguma coisa com você?

— Não... Não a mim. — ela enxugou as lágrimas. — Ele chegava bêbado todas as madrugadas, discutia e batia na minha tia... Mas eu fico feliz de que tudo acabou...

— Lua... — ele pegou em sua mão.

— Sabe... É bom ter alguém para conversar, depois de tanto tempo. A Aika é a minha única família. — ela suspirou. — Eu nem consegui encontrar meu pai... Nem sei se ele está vivo.

— Você pretende encontrá-lo?

— É a minha maior vontade, mas eu não conseguiria sozinha...

— Eu posso te ajudar.

— Não... Você precisa encontrar sua irmã.

— Ela está segura com o resto do grupo.

Ela pensou por uns instantes e logo voltou a falar:

— Preciso de um tempo...

Notas finais
Se gostou deixe um comentário, se não gostou comenta também. :3 Alguma ideia dos nomes? (eu ainda não escolhi o do Hades...) Próximo capítulo, bem leve também... Mas não se acostumem... ~May