Apocalipse
14 A Voluntária
Notas iniciais
Algumas horas depois chegaram à Nova Washington. A dupla cumprimentou os guardas e deixaram os cavalos no estábulo. Voltaram para seus apartamentos para guardar as mochilas e trocarem de roupas. Ellie abraçou Lizzie como se nunca mais fosse vê-la outra vez.
Perto do almoço, Nick convidou Lizzie para andar pela cidade, e ela aceitou, pois não tinha outra coisa para fazer.
A cidade foi atingida pela chuva também, o gramado estava encharcado e escorregadio, tinha lama em grande parte da cidade. Lizzie escorregou e precisou segurar-se em Nick para não cair, os dois quase caíram, mas após se recomporem começaram a rir da situação.
A dupla sentou em um banco debaixo de uma árvore e ficou olhando o céu. Ambos ficaram em silêncio, sentindo a brisa fresca daquele dia de sol com nuvens escuras no céu. De repente Nick ficou encarando um homem, este que tinha uma cabelo acinzentado que ia até os ombros e uma barba longa.
— O que foi? — ela indagou ao perceber que Nick o fitava de um jeito estranho.
— Nada demais... — ele disse, mas não tirava os olhos do homem.
O homem olhou os dois de relance e depois voltou para olhar outra vez, incrédulo.
— Nick? — o homem indagou.
— Não, não, o espírito dele... — Nick respondeu indiferente.
— Eu achei que estivesse morto! — o homem se aproximou sorrindo, para abraçar o rapaz.
Nick se levantou.
— Nem venha com esse seu jeito... Eu não esqueci o que você fez...
O homem parou e ficou sério.
— Você sabe que eu não fiz por mal... — ele olhou para Lizzie e se aproximou. — Eu conheço você...
Lizzie cruzou os braços e encarou os olhos de cores diferentes do homem.
— Pena que eu não. — ela sorriu ironicamente.
— É... Você é a filha do Oliver!
O coração de Lizzie quase parou, um calafrio correu pelo seu corpo, a ruiva de repente ficou séria e se levantou.
— O que você disse? — ela indagou.
— Você é a filha do Oliver. Você não deve se lembrar, eu era um dos comparsas do seu pai... Só nos vimos uma vez, talvez porque seu pai tinha medo de que acontecesse algo com você...
De repente ela se lembrou do homem de olhos divergentes que estava conversando com Steven no dia em que se mudaram para Quebec. A garota engoliu em seco.
— Soube que ele foi preso há alguns anos atrás... Sorte dele. — ele deu uma risada maléfica. — Eu mesmo o teria matado, se a polícia não o tivesse encontrado antes...
Lizzie estreitou os olhos e fechou o punho. Nick percebeu o movimento da garota e resolveu fazer algo antes que ela tentasse fazer alguma loucura.
— Venha, Li, não dê ouvidos a esse maluco... — ele pegou em sua mão e foi arrastando-a para longe da vista do homem.
Passaram por alguns estabelecimentos até avistarem Alex conversando com alguns guardas. Eles se aproximaram. Alex dispensou os homens assim que viu o sobrinho.
— Olá. — Alex sorriu. — Me disseram que chegaram mais cedo, mas não tive tempo de ir vê-los... Eu fiquei preocupado, tiveram problemas?
— Só pegamos um pouco de chuva, nada demais... Então passamos a noite em uma casa. — Nick respondeu.
— Entendo...
— O que você está fazendo? — Nick indagou ao ver um papel nas mãos do tio.
— Só conferindo para ver se a chuva não causou danos a cidade... — Alex começou. — E talvez eu monte uma equipe para ir buscar água nas cidades mais próximas...
— Por que não usam a água da chuva? — sugeriu Lizzie.
— Como? — Alex, como se não estivesse entendido a sugestão da ruiva.
— Por que vocês não armazenam a água da chuva? Da pra usar em algumas tarefas... É só ter algumas calhas nas construções e alguns barris limpos... — ela explicou.
Alex olhou para ela e sorriu.
— É uma ótima ideia! — ele rabiscou o papel antes de voltar a falar. — Você tem uma mente brilhante...
O homem começou a andar, se distanciando da dupla.
— Sério que ele nunca tinha pensado nisso? — ela indagou, olhando para Nick.
— As vezes ele pensa em soluções tão complexas que ele não consegue enxergar algo tão simples, como agora...
— Seu tio é estranho...
Nick riu.
— Venha, vamos comer algo... Depois vou te mostrar o outro lado da cidade. — o rapaz pegou em sua mão e começou a guiá-la.
Eles entraram em um tipo de lanchonete, sentaram em uma mesa ao lado da janela. Lizzie começou a observar em volta, tinha algumas pessoas sozinhas no balcão, comendo uma sopa, também tinha alguns grupos em outras mesas, conversavam e riam alto. Tinha bastante movimento.
— Gosto de vir aqui de vez em quando... — Nick começou.
Lizzie parou de observar em volta e voltou o olhar para o rapaz.
— Então, me conte mais sobre a cidade, como ela chegou a esse ponto? — ela questionou.
— Bom... Quando resolveram criar uma espécie de "colônia" — ele fez um sinal de aspas com os dedos. — Éramos um grupo menor. Sim, eu sou veterano... — os dois deram uma risadinha. — Tinha alguns soldados e algumas mulheres, com crianças, essas coisas... Nós conseguimos ocupar a Casa Branca. Conforme fomos trabalhando, fomos limpando e expandindo o território, o grupo foi crescendo... Meu tio organizava os grupos para fazerem tarefas distintas, as mulheres cuidavam de seus filhos e ajudavam com a comida, alguns soldados se voluntariaram para procurar suprimentos, outros para construir esses prédios e montar a guarda nas barragens. E assim foi...
— Hum... Interessante... Mas eu não entendi uma coisa: você me disse que é de Nova York, o que estava fazendo aqui? — ela arqueou uma sombrancelha.
Ele deu um sorriso.
— Meu tio trabalhava na Casa Branca, nós viemos passar um tempo aqui com ele, eu e minha irmã, e foi quando tudo aconteceu...
— Entendi...
Uma jovem de cabelos castanhos colocou duas xícaras com café na mesa, ela vestia um vestido preto e seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo no alto, deixando sua franja solta, ela carregava uma bandeja com outros pedidos.
— O café é por conta da casa... — ela disse timidamente. — Fico feliz em vê-lo de novo, Nick...
— Fico feliz em vê-la também. — ele sorriu.
A garota ficou corada, sorriu e se afastou. Nick tomou um gole de café e ficou olhando-a se afastar.
— Café? — Lizzie indagou.
— Uhum, e está muito bom...
Ela pegou o copo com cuidado, pois ela sentia o calor da xícara em seus dedos, assoprou e tomou um gole.
— No sul da cidade tem uma plantação, tem um pouco de tudo. — Nick explicou. — Tem também alguns animais que são usados para consumo, eventualmente... Nós ainda estamos trabalhando na parte sul, então não tem tantas construções como aqui.
— Parece ser bem legal... E sobre esse lance de pagamentos? É a segunda vez que ouço a menção de dinheiro...
— Ah, sim... Nós usamos dinheiro por aqui, não só o dólar, também tem trocas e outras coisas...
— Entendi...
— Mas algumas coisas são de graça, como a água... — Nick ficou observando a garçonete outra vez.
Lizzie seguiu o olhar do rapaz e depois abriu um sorriso largo.
— Sua namorada?
— Anm? O que? Não! Não. — ele tomou outro gole do café — É a melhor amiga da minha irmã, uma veterana também... A mãe dela costumava cozinhar na Casa Branca, eu e a Alice conversávamos bastante com ela...
Lizzie começou a rir.
— Eu só perguntei se era sua namorada, não precisava contar sua vida inteira, imagina se eu tivesse perguntado outra coisa. — ela ficou sem ar de tanto rir.
— Ora, sua... — ele bufou. — Enfim... Tem algumas formas de conseguir dinheiro e benefícios, se você se voluntariar para ajudar com algumas tarefas da cidade...
Lizzie parou de rir e suspirou de alívio, pois conseguiu recuperar todo o ar dos pulmões. Ela tomou outro gole de café antes de voltar a falar.
— Como o que? — ela arqueou uma sombrancelha.
— Tem bastante coisa... Tem que ver com calma...
Ela assentiu com a cabeça. Uma mulher vestida do mesmo jeito veio até a mesa e colocou duas tigelas de sopa na mesa.
— Que bom te ver de novo, Nick! — ela falou, apertando uma das bochechas de Nick — Pensei que nunca mais iria ter você aqui para experimentar meus quitutes... Por onde andou rapaz?
A mulher tinha os cabelos castanhos e curtos, também presos a um rabo de cavalo, ela era um pouco gordinha, mas não deixava de ser bonita.
— Canadá... — ele esfregou a bochecha.
— Ouvi dizer que estava morto, que tinha sido devorado por infectados...
— Quase. Mas ela me salvou, créditos pra ela — ele apontou para Lizzie.
A mulher olhou para a ruiva e sorriu.
— Muito obrigada por ter salvo o Nick. — ela estendeu a mão para a garota. — Me chamo Úrsula
— Ah, não foi nada... — ela sorriu de volta e apertou a mão da mulher. — Sou Lizzie, é um prazer conhecê-la.
— O prazer é todo meu. Aproveitem a sopa, e é por conta da casa.
A mulher se afastou. Lizzie olhou para Nick e sorriu.
— Ela é a mãe da Juliette, a garçonete que trouxe o café. — Nick explicou
— Simpática ela...
Ela pegou a colher e mexeu a sopa, o caldo era grosso e era possível ver pedaços de carne, legumes e macarrão. Sua boca encheu de água. Ela pegou um pouco do caldo e levou até sua boca, assoprou antes e depois experimentou, tinha sabor de carne levemente apimentado. Ela suspirou e fechou os olhos.
— Parece que você nunca tomou sopa na vida... — Nick riu.
— Ah cara... Faz um bom tempo que eu não como algo do tipo, comida de verdade... — ela olhou para ele e sorriu — Se eu soubesse cozinhar, talvez eu conseguisse fazer algo para me manter melhor, e a Aika também... Mas, como eu não consigo matar animais, eu vivia de qualquer coisa.
— Agora que eu parei para pensar, como você conseguiu sobreviver no inverno? — ele indagou curioso.
— Eu vivia de trabalho em equipe com a Aika, ela que matava alguns animais pequenos e eu conseguia acender uma fogueira para assar e nos aquecer, mas me admira ela não ter me comido... Não era todo dia que ela conseguia pegar alguma coisa ou eu encontrar alguma coisa para comer... Mas o primeiro inverno foi de longe o mais difícil...
Ela fez uma pausa para tomar sua sopa.
— A Aika era muito pequena para caçar alguma coisa. Eu costumava roubar alguns grupos ou invadir casas abandonadas. Na maior parte do tempo eu carregava ela dentro da minha jaqueta, isso ajudava a nos manter aquecidas...
— Deve ter sido muito difícil mesmo... — ele ponderou por alguns instantes e depois sorriu — Mas eu não acho que você deva se preocupar agora, eu estou aqui pra te ajudar.
Ela sorriu. Enquanto tomava sua sua sopa, a ruiva olhava para fora, observava o movimento na rua, Alex já tinha dado as orientações e alguns homens estavam instalando as calhas.
— Parece que vocês não perdem tempo mesmo... — ela comentou — E isso é bom, parece que vem mais chuva...
— Sim... Só espero que não seja como a de ontem.
*** *** *** *** ***
Depois de terminarem a sopa, a dupla agradeceu a Úrsula e Juliette e saíram. Nick achou melhor pegar os cavalos, pois ficava um pouco longe e demoraria muito para chegarem.
Os dois começaram a cavalgar para o sul. À medida que se aproximavam encontravam menos prédios e entravam em um vasto gramado encharcado, tinha algumas árvores frutíferas e flores aos arredores, eles seguiam por um caminho de pedras. Viram alguns homens trabalhando em construções e outras já prontas, mas ainda tinha poucas pessoas por lá.
Uma das construções já prontas chamou a atenção da ruiva: algo que parecia uma casa na cor vermelha, tinha janelas grandes e alguns vasos com flores na entrada.
— O que tem ali? — ela perguntou.
— É uma biblioteca.
— Oh, legal... Será que eles precisam de voluntários? — a ruiva não tirava os olhos da construção.
— Certamente... Ela é nova. Interessada, senhorita? — ele sorriu.
— Talvez... — ela virou e sorriu. — Antes de eu conhecer você eu morava em uma biblioteca...
— O que? Sério? — abriu-se um sorriso largo em seu rosto.
— Mais ou menos... Eu fiquei doente, aí eu fiquei lá um tempo até eu me recuperar.
— Entendi... Você gosta de animais, né?
Lizzie assentiu com a cabeça.
— Tem um lugar aqui que você vai gostar...
Eles seguiram em frente até chegarem em outro estabelecimento, Nick amarrou os cavalos e os dois entraram. Dentro, era como o hall de entrada de um hotel, tinha um rapaz na recepção, Nick o cumprimentou.
— Olá, James, como vai?
— Vou bem, obrigado, e você?
— Bem, também. — Nick sorriu. — Essa é Lizzie, ela está procurando um lugar para se voluntariar, tem alguma vaga aqui?
— Ah, tem sim... As pessoas não estão ligando muito para os animais... — James arrumou os óculos em seu rosto e pegou um caderno no balcão. — Tem vagas em praticamente todas as áreas...
— Legal... Podemos ver o lugar? — Nick perguntou.
— Claro, fiquem à vontade.
Nick seguiu caminho para os fundos, onde tinha um vasto campo com uma cerca de madeira, nele tinha vários cachorros de diferentes raças. Uma garota de pele morena estava colocando comida para os cachorros.
— Nossa, são tantos! — a ruiva comentou.
— São sim. Não é só os humanos que são resgatados... — ele sorriu. — Tem gatos também, mas eles vivem fugindo...
Ela riu. A morena notou a presença dos dois e os cumprimentou, ela vestia uma calça jeans e uma blusa xadrez, além de uma bota preta e um chapéu para proteger a cabeça.
— Olá! — ela cumprimentou
— Olá! — Lizzie acenou com a mão.
Nick fez um aceno com a mão também.
— Veio se voluntariar, Nick? — a morena perguntou.
— Eu não, só ela. — ele apontou para Lizzie.
— Oh, prazer, meu nome é Íris. — ela estendeu a mão para a ruiva.
— Lizzie. — ela apertou sua mão. — Prazer em conhecê-la.
— Que lindo cabelo você tem... Parece uma chama viva. — Íris não tirava os olhos do cabelo de Lizzie.
— Seu cabelo também é muito bonito, sempre quis ter cachos... — a ruiva comentou.
Íris sorriu.
— Então você gosta de cães? — a morena perguntou.
— Gosto sim, eu tenho uma border collie.
— É um bom cachorro...
— Ok, vou lá me voluntariar.
Os dois voltaram para o hall. James anotou o nome de Lizzie no caderno e deu um chapéu e uma blusa xadrez branca e azul para ela. O rapaz disse para ela voltar no outro dia, para começar o trabalho. A dupla saiu.
— Vamos lá na biblioteca, quero me voluntariar lá também... — Lizzie disse animada.
— Ok, senhorita faz-tudo. — ele riu.
Outra vez pegaram os cavalos e foram para lá, Nick amarrou-os na entrada e eles entraram. Uma senhora estava sentada atrás de uma mesa na recepção.
— Boa tarde. — a senhora os cumprimentou.
— Boa tarde. — Lizzie sorriu e se aproximou. — Está precisando de voluntários?
— Ah, estou sim...
— Eu gostaria de ajudar aqui.
— Então seja bem-vinda, minha jovem, me chamo Isabel.
— É um prazer conhecê-la, Sra. Isabel, me chamo Lizzie. Posso dar uma olhada aqui?
— Fique à vontade. — Isabel sorriu.
O local era grande por dentro, tinha estantes quase vazias e uma parte com mesas e cadeiras.
— Está beeeem vazio. — comentou Nick.
— Você mesmo disse que é nova. — ela sorriu. — Da próxima vez que eu sair da cidade vou trazer livros para cá...
— É uma boa ideia...
De repente o som de um trovão ecoou lá fora. A dupla voltou para a recepção.
— Dona Isabel, eu volto amanhã depois do meio dia. — disse Lizzie, despedindo-se.
E senhora assentiu com a cabeça. O céu estava escuro, não só por causa da chuva que se aproximava, mas também porque estava escurecendo. A dupla resolveu voltar para deixar os cavalos no estábulo do norte e ir para casa.
*** *** *** *** ***
Voltaram para o prédio, encontraram Alice e Josh no apartamento de Lizzie, eles conversavam sobre algo, Ellie brincava com Aika, elas corriam por todos os cômodos.
A dupla sentou no sofá para conversar.
— Vocês passaram o dia todo fora, praticamente, o que fizeram? — Josh perguntou.
— Eu fui mostrar a cidade pra Li. — comentou Nick.
— E eu vou começar a ajudar na biblioteca e no canil. — a ruiva completou com um sorriso.
— Que legal! — começou Alice. — Eu ajudo na ala médica.
— Eu to ajudando o Sr. Wilson na loja dele. — comentou Josh — É um tipo de loja de antiguidades...
— É bem a sua cara mesmo... — disse Lizzie. — E você, Nick?
— Eu sou um faz-tudo, geralmente eu ajudo mesmo sem ser registrado, mas eu ainda prefiro sair por aí, ajudar as pessoas de fora, procurar suprimentos...
— E é muito perigoso... — disse Alice.
— Não se preocupe, a Lizzie vai comigo, ela é minha parceira de busca agora.
Lizzie sorriu.
— Pelo menos eu fico mais tranquila assim... — Alice sorriu para a ruiva.
O som alto de um trovão ecoou mais próximo, a chuva começou a cair rapidamente, o interior da casa ficou mais escuro. Josh se levantou e acendeu as velas da sala, depois foi para seu quarto. Ellie correu para a sala e se jogou no sofá, ao lado de Lizzie, a garotinha a abraçou e fechou os olhos.
— Eu tenho medo de trovões... — ela disse baixinho.
Lá fora trovejava, e era possível ver a luz dos relâmpagos.
— Engraçado... Eu tenho medo de raios. — disse Alice, sentando ao lado do irmão e o abraçando.
— Sua medrosa. — disse Nick, abraçando a irmã de volta e rindo.
— Já que é pra falar dos medos, eu tenho medo de altura... — comentou Lizzie, abraçando a garotinha de volta e passando a mão em seus cabelos.
Josh voltou com um violão e sentou ao lado da ruiva.
— Olha o que eu achei na loja do velho, — Josh mostrou o violão para Lizzie. — Ele me deixou ficar.
— Então você vai tocar? — a ruiva sorriu.
— Se você quiser... — ele sorriu de volta.
— Lizzie, conta uma história? — Ellie perguntou baixinho.
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