Apocalipse
25 Vocês tem cigarros?
Notas iniciais
Ela suspirou.
Será que Taylor contou a ela?
- Bom... É... – Ela me interrompeu.
- Não precisa dizer, já entendi. – Ela desanimou totalmente. – Atlanta foi pro brejo. Já era, foi tomada. – ela falou baixinho, mais mesmo assim pude ouvir.
Ela colocou a mão no rosto, tirou seu óculos escuro e deixou algumas lágrimas escorrerem.
- Você tem certeza? – ela se virou para mim, seus olhos estavam abertos, são claros. Muito belos.
- Estive lá a algumas semanas. Se ela tiverem sorte, quem sabe. – forcei um sorriso, mesmo ela não podendo ver.
Ela deixou mais lágrimas caírem, ela estava ao meu lado. Eu a envolvi nos meus braços, ela me abraçou também. Ela chorava muito, meu ombro direito, onde seu rosto estava posicionado estava ensopado.
Taylor entrou na cozinha e assim que viu a cena, veio até nós. Ele nos abraçou.
- Anne, descanse um pouco. – Falei, Anne assentiu e me acompanhou até seu quarto.
Assim que abri a porta, um quarto com as paredes azuis claras com o rodapé branco, apareceu. Três janelas brancas com as cortinas brancas. O quarto tinha uma cama de casal branca, com os ededrom azuis claros. A escrivaninha é de vidro, marrom clara. O quarto é todo cheio de ursinhos de pelúcia. Também há um pufe branco.
- Deite aqui Anne. – Falei levando Anne até a cama. Ela se sentou.
- Spike! – Ela o chamou, o cão estúpido, logo apareceu. – Deita aqui Spike. – ela bateu duas vezes à mão na cama, o cachorro subiu nela e deitou. Ela tirou a coleira dele e se ajeitou na cama.
- Qual quer coisa, só me chamar. – falei e ela assentiu.
Encostei a porta do quarto de Anne e fui até a cozinha,Taylor tomava café.
- Ela era muito próxima das irmãs. – Ele falou entre um gole e outro. – Mais, até amanhã ela vai estar melhor.
- Talvez leve mais tempo.
- Não... Claro que não, ela vai sorrir ao máximo. Annabelle é uma criança. Está com 15 anos.
- E você? Tem quanto? 17?
- 19. Você vai ver, Annabelle é muito alegre, espontânea. Ela talvez amanhã não terá um sorriso sincero, mais depois ela terá.
- Se for para sorrir falso, não sorria. – falei tomando um gole de café. – As pessoas mudam Taylor. – Tomei mais um gole.
- Como sabe?
- Eu mudei.
- Annabelle não deve crescer, principalmente em um mundo assim.
- Ela deve crescer, deve ter opinião, deve saber o que quer. Principalmente em um mundo assim. Não estamos sozinhos Taylor, há mais sobreviventes, há mais pessoas vivas. Que respiram e pensam como nós. Elas não são santas, elas querem matar, elas querem o que você tem. Os fracos são roubados e mortos. Se ela não tiver opinião, se ela não tiver força e corajem ela será roubada, ela será morta.
- Não, ela não será roubada ou morta. Eu estou aqui para protegê-la.
— Mais não estará para sempre. – Ele ficou calado.
- Não pense que só porque é mais velha, só porque sabe lutar, significa que manda aqui. – Ele falou depois de alguns minutos em silêncio, ele colocou sua caneca na pia e saiu da cozinha. Fui até a pia e lavei as canecas.
Começou a esfriar, o fogão é a lenha e também há lareira nos quartos.
Fui até o meu quarto, peguei minha mochila, peguei meu arco, Aljava, o revolver, machado e a faca. O revolver e a faca, como sempre vão na Holster Hip. Coloquei a Aljava nas costas e fui até a sala. Taylor estava lá, novamente lendo.
- Onde vai? – ele perguntou.
- Cortar lenha, talvez caçar. – falei abrindo a porta.
- Temos lenha.
- Eu preciso de mais flechas.
- Vou com você. – ele se levantou e pegou o bastão.
- Não tem arma de fogo? – perguntei.
- Temos, mais eu não sei manusea-las. Meu pai sabia, ele as comprou, era pro caso dos lobos virem e pegarem as nossas ovelhas ou vacas. Também em caso de assalto.
- Deixe-me ver. – falei e Taylor foi andando em direção ao corredor dos quartos, o primeiro era onde o zumbi se encontra, o segundo é o ‘’ meu ‘’ , o terceiro é de Annabelle, o quarto é do Taylor, quinto dos pais dele (acho), sexto é um banheiro. No final do corredor, tinha um baú.
Ele abriu o baú, de lá tinha um CFR – Calibre.
- Meu pai tinha uma dessas. – falei assim que senti a arma em minha mão. – Meu pai falava dela o dia todo, ele disse que um dia daria ela para minha e minha Irma.
- Sabe qual o nome dela?
- CFR, Calibre. Com Luneta 4 por 32, Carabina de Ar comprimido, ação por mola, engatilha mento por alavanca abaixo do cano. Velocidade inicial de 220 metros por segundo, sistema tiro a tiro. Almofada de coronha ajustável para maior precisão. Calibre 5,5 mm.
- Uau, como sabe disso tudo?
- Como disse, meu pai falava sempre dela. – Arrumei a calibre em meu corpo. Olhei pela Luneta, Incrível.
- Eu e minha irmã pensávamos que meu pai era um bandido. Quando éramos crianças. – ele riu pelo nariz
- Essa arma é um calibre permitido para atiradores... Tem mais alguma?
- Tem esses dois revólveres. – ele pegou mais duas armas no baú.
- Isso não é um Revolver, — falei pegando a arma menor – É uma Pistola. Ela tem quinze tiros. Essa outra, ai sim é um revolver, ela tem seis tiros. Munição? Tem?
- Só o que esta na arma. – Ele pegou a pistola na minha mão e tentou abri-la, mais deixou ela apontada para mim.
- Ou – falei pegando delicadamente. – Se não sabe manusear, não tente abri-la apontando para alguém.
- Desculpe. – ele falou e foi até o quarto de Anne. – Anne, vamos cortar lenha. Tranque a porta e a janela do seu quarto. Logo voltamos.
- Ok. – ouvi Anne dizer.
- Vamos? – Taylor perguntou e eu assenti.
Saímos da casa e fomos em direção ao celeiro. Taylor pegou um machado. Entreguei para ele a Pistola.
- Eu não sei usar. – ele falou.
- É só mirar na cabeça e puxar o gatilho, simples. Só em caso de emergência. E por favor, só use-a se um zumbi tentar te matar ou me matar. Se não tiver como usar o machado, ou uma faca use-a. Entendeu? – ele assentiu.
Fomos até a floresta e começamos a cortar uma árvore.
(...)
As horas se passam, conseguimos colocar duas árvores no chão. E agora estamos levando os troncos para o celeiro. Agora que eu percebi, o celeiro fica bem ao lado da casa.
- Anne, chegamos. – Taylor anunciou assim que entrou na casa. – Está tudo bem?
- Sim! – ela respondeu já alegre novamente, garota Bipolar. Euein.
Avistei um zumbi de longe.
- Taylor, venha aqui. – falei e ele logo apareceu. – Já matou um zumbi?
- Não, se você quer saber, não matei um zumbi até hoje. Conseguimos ficar em silêncio e não atrair atenção.
- Então, aqui vai à primeira lição. – caminhei até o zumbi. Ele estava a uns cinco passos de mim, peguei a faca na Holster, o empurrei com o pé e enfiei a faca no meio da testa do zumbi. – Se você tem a chance de matar um zumbi em silêncio, mate-o. Só use a arma em casos de extremo risco. Temos que queimar o corpo, vamos fazer uma fogueira com pedras para não chamar atenção.
- Onde aprendeu a matar zumbis?
- Você não se ‘’ aprende ‘’ – fiz aspas com as mãos – Você tem que ter corajem, ou você tem para matar ou você não tem e é morto. Você quer proteger a sua irmã, então você tem que aprender a primeiro a se defender. Depois que você usa as armas silenciosas, limpe-as, se acha que o cheiro é ruim assim, espere daqui a dois dias.
- Eu tenho muito que aprender. – ele falou rindo.
- Você aprende rápido, daqui a quatro meses você tá fera. – Brinquei – Vamos falar sério, Taylor, Vocês vão querer me acompanhar?
- Eu quero aprender a proteger a minha família e você é a única pessoa viva a não ser minha irmã, que eu conheço que pode me ensinar. Então sim, nós vamos te acompanhar.
- Então precisamos nos mudar. – Falei séria, Taylor me olhou com os olhos arregalados – Estou falando sério, o inverno está chegando, vamos ter essa vantagem que os zumbis não vão conseguir correr, nem nós. Então precisamos de um local que esteja equipado para o inverno.
> * ( Pov Emily ) *
Esses dias foram difíceis, Daryl estava deprimido, triste. Andy chora toda noite com saudades da Stefany, Rick não consegue pensar ao certo e Deus, Ele matou Shane! Deus do céu, por que ele fez isso? Precisávamos dele! Ainda mais agora que o grupo ficou menor... Jason, Patrícia, Jimmy... Droga, perdemos pessoas! Meu irmãozinho morreu! Que droga! Porra! Justo ele?
Estou com falta dele... Moreno dos olhos azuis, o sonho de muitas garotas.
- Pensando nele? – Ben puxou assunto e se sentou ao meu lado, estava sentada em um tronco velho.
- Toda hora...
- E nela, você pensa?
- Sempre. Ela é minha irmã, ele também É a minha família!
- Você ainda tem o Andy, a Ashley.
- Poderia também ter a Stefany e o Jason. Poderia ter a minha tia, minha mãe, meu pai. Mais não, o mundo é injusto. – Ben ficou em silêncio. Ficamos alguns minutos em silêncio. – Por que brigamos mesmo?
- Eu não sei... – ele riu, ri com ele.
- Eu tenho pena do Daryl.
- Por quê?
- Ele perdeu a pessoa que ama o irmão.
> * ( Pov Stefany ) < *
- Stefany, me passa a carne por favor. – Anne pediu e eu passei a carne para ela. – Obrigada.
- Quer ajuda? – Taylor perguntou para Anne.
- Eu não sou uma criança... – Anne cantarolou.
-Voltando ao assunto – falei tentando voltar ao assunto anterior. – O que me dizem? Vão me acompanhar? Ou vão ficar aqui?
- Eu vou com você. – Anne falou e enfiou uma garfada na boca. – Spike também. – Ela jogou um pedaço de carne para Spike.
- Eu também. – Taylor falou e tomou um gole d’água.
Os grunhidos voltaram. Respirei fundo.
- Ela está amarrada? – perguntei tomando um gole d’água
- Não. – eles responderam juntos, dando de ombros.
Eu quase cuspi a água que tinha na boca.
- O QUE?! – gritei – Vocês são loucos! Se aquela coisa se estressar, ela arromba a porta. – falei sussurrando, para disfarçar o grito.
- Ela nunca derrubou a porta. – Taylor falou indiferente.
- Ela vai derrubar a porta, Ela está ao menos trancada?
Eles se entreolharam.
- Não. – Anne respondeu curiosa.
- Eu to indo nessa. – falei jogando o guardanapo de pano na mesa. – Vocês querem mesmo essa coisa aqui? – eles assentiram – Eu não durmo com uma coisa... Dessas... na minha porta. Fui. – falei indo até o meu quarto.
- Você não pode ir! – Anne exclamou.
- É! – Taylor apoiou.
- Eu sei que é difícil, eu sei como é isso. Mais tem que fazer algo, ou é ela ou sou eu. Qual escolhem?
- Não vamos matar a nossa tia. – Taylor falou para mim, assim que coloquei o pé na sala. – Mais também não vamos deixar você ir.
- Então deixem ela ai, vamos embora. – sugeri. Eles novamente se entreolharam.
- Nós vamos com você. – Anne falou – Bom, eu pelo menos vou. – Ela foi no seu quarto. – Stefany, me ajude com as roupas.
Fui até o quarto de Anne e abri seu closet.
- Pegue uma mochila pequena, não vamos levar muita coisa. – falei pegando umas roupas.
Uma calça jeans, Três camisetas, duas meias, três calcinhas, um Sutiã, um shorts. Um moletom. A mochila era mediana, ainda sobrou um espaço, coloquei mais uma calça confortável.
- Coloque essa blusa na cintura. – Entreguei um moletom á Anne. – Vamos levar um Ededrom de casal.
Peguei o Ededrom de Anne e o Dobrei, Peguei uma blusinha simples no closet de Anne, a rasguei e amarrei o Ededrom.
- Está pronto Taylor? – perguntei.
- Sim. – ele apareceu na porta do carro, com uma mala mediana, quase igual a da Anne.
— Você só precisa de uma calça jeans, duas camisetas, duas meias, três roupas intimas, um shorts e dois moletons, pegou tudo? – perguntei
- Deixe-me refazer a mala. – ele falou e voltou para o seu quarto.
Terminei de fazer a mala de Anne.
- Anne, se importa deu pegar um moletom seu? Minhas roupas foram com o resto do grupo.
- Claro que não, pegue quantos quiser. – ela sorriu.
Peguei dois moletons, coloquei um na cintura e outro na mochila. Peguei garrafas de água, enchi as minhas. Peguei as frutas que tinham na fruteira, os pacotes de bolacha que sobraram, uma panela pequena, Facas, pratos descartáveis e coloquei o restinho da ração de Spike em um saco. Peguei uma tigela. Arrumei tudo na mochila de costa que tinha, coloquei o revolver do pai de Taylor e Anne na mochila.
Taylor e Anne vieram até mim.
- Anne, sua mochila está pesada? – Ela negou. – Vou colocar algumas garrafas de água, pratos descartáveis e a ração de Spike ai, tudo bem?
- Sim, pode colocar. – ela falou e coloquei as coisas em sua mochila.
- Onde está a caixa de ferramentas? – perguntei.
- De baixo da pia. – Taylor falou e abri o armário da pia. Não tinha muitas ferramentas, o que é estranho. – Coloque na sua mochila, Taylor. – Ele abriu a mochila e coloquei as ferramentas arrumadinhas ali.
- O que tem na sua mochila? – Taylor perguntou.
- Frutas, algumas garrafas de água, pacotes de bolacha que sobraram, Facas pontudas, uma panela, tesoura. Um moletom, o revolver de seu pai, um machadinho, um pouco de madeira para fazer minhas flechas e corda. Está com a pistola? – ele assentiu e tirou a pistola do bolso da mochila.
- Ótimo, vamos ver... Vamos levar o seu machado e o bastão. Só tenho que ver como vamos levar tudo isso.
- Temos dois cavalos. – Taylor falou e Anne assentiu sorrindo.
- Demorou tanto para falar isso por quê? – perguntei irônica.
Fomos até o Estábulo, lá tinha dois cavalos.
- Eu vou com Anne e Spike vai com você. – Taylor falou.
- Como o Spike vai comigo? Ele é enorme e não vai conseguir ficar no cavalo. — falei
- Temos um bolso especial para cães.
- Ah. – Tirei um dos cavalos e o equipei. O que tirei é branco da crista branca
- O nome desse daí é Pegasus. – Taylor falou colocando as rédeas no outro cavalo malhado, branco e marrom com a crista marrom.
Spike veio com a coleira na boca e a entregou a Anne, que logo colocou em Spike.
- Ah, posso levar outro óculos de sol? – Anne perguntou sorridente. – Se não fizer mal.
- Claro que pode, já vamos voltar para ver se não faltou nada. – sorri de volta, sem mostrar os dentes.
Terminei de preparar o cavalo, Daryl e Taylor colocou Spike no ‘’ bolso especial para cães ‘’, é tipo um bolso normal, só que maior.
Voltamos para casa, prendemos os cavalos na madeira da varanda e entramos. Anne pegou outros dois óculos e voltou.
- Pegaram tudo? – perguntei, assentiram. – Falta pegar a pá, o bastão e o Machado. – me lembrei. – Fiquem aqui, qual quer coisa gritem.
Voltei pro celeiro, peguei o machado, a pá e o bastão. Coloquei a pá no bolso do meu cavalo e o bastão e o machado na do outro.
- Pegasus é o cavalo mais forte que temos, por isso Stefany vai com ele. Spike é muito pesado para ir com nós. – Taylor falou para Anne.
- Ah, ok. – Anne falou.
- Billy não conseguira aguentar todos nós. – Taylor completou. – Pronta Stefany?
- Sim. – respondi. – Vamos, — voltei para o lado de fora, notei que estava começando a anoitecer. – Vamos voltar pro Estábulo e guardar os cavalos.
- Por quê? – Anne perguntou.
- Está escurecendo, não é muito seguro andar por ai a noite. – respondi – Vamos dormir no Estábulo e assim que amanhecer, partimos.
Todos concordamos e voltamos para o estábulo. Amarramos os cavalos em um pilar de madeira e fechamos as portas. Taylor apareceu com uma lanterna.
- Vocês têm cigarros? – perguntei.
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