Apenas você
6 CapÍtulo 6
Notas iniciais
O vídeo não deveria surtir tanto efeito em Mindy, ela realmente declararia guerra contra quem ousasse machucar Kickass gravemente, e principalmente matar. E não iria deixar de forma alguma que esse cara fizesse mal a Dave, se preocupou ainda mais com o que ele falou no final, tomara que esse ‘’os dias dele estão contados’’ seja só uma expressão, mas era uma expressão, porque ela estava pensando de forma ridícula, era um problema sim, mas ela sabe que pode lhe dar com isso.
Ela esperou por Dave, que demorou cerca de uma hora até chegar, ela viu a camionete pela janela, sozinho, ele veio puxando o novo sofá. Passou pela porta, e a fechou.
–Dave, vem aqui ver uma coisa.
–Se é o vídeo do Bandaged me ameaçando, eu já vi lá na loja, passou no noticiário.
–Qual é a desse cara, ele não deve bater bem da cabeça mesmo.
–Eu achei estranho, eu pensei que ele e o Niveus fossem amigos, você percebeu quando ele o ameaçou.
–Sim, eu vi, isso é bom pra nós, eles não se darem bem.
–Ah, eu dei uma passada no Subway pegar uns sanduíches pra gente, por isso demorei um pouco, sem contar que eu fui fazer uma doação pra uma ONG que compra comida e roupas para os sem teto- Dave comentou, enquanto tirava o plástico que cobria o sofá, que ainda estava perto da porta, ele demonstrou que não se importou muito com o vídeo, e a garota decidiu que ia estra nessa.
–Uma ONG? Não sabia que era tão bondoso assim, senhor Lizewski- ela disse logo após fechar o computador, cruzando os braços, e fazendo uma cara de quem iria sorrir.
–É, quinze mil dólares, você precisava ver a cara de felicidade deles- disse o garoto, indo para frente do velho sofá.
–Você é humilde, mas só até saber que você tem 7 milhões em um cofre lá em baixo, e aí acaba toda a humildade.
– O que foi? Você sabe que a minha conta é bem instável, por exemplo, um mês antes de você chegar eu só tinha 5 mil, e daí eu fiz o que tinha que fazer ué, destruí um monte de quadrilhas por aí, peguei pra mim metade do que cada uma tinha, e BAM, fiquei milionário de novo.
–Muito bom.
Mindy ficou observando para ver o que o amigo iria fazer para arrumar os sofás, e até que foi meio impressionante. Até porque ela não estava acostumada e ver Dave erguendo coisas pesadas, como o que fez agora, pegou o sofá velho, e ergueu, andou por uns cinco metros para trás e o deixou no chão, pelas contas, aquele sofá de três lugares deveria pesar uns 80 quilos, e os longos braços dele eram capazes de manter o equilíbrio.
–Ufa- ele passou a mão na testa, mas não estava cansado.
–Larga mão de ser mulherzinha, eu consigo fazer isso sem reclamar- comentou Mindy rapidamente. O amigo apenas a olhou, tirando uma mecha do cabelo encaracolado da testa com um sopro.
Ele se encaminhou até o outro móvel, e fez o mesmo, deixando no lugar. E se sentando em cima. Dando pulos para testar o conforto, e logo depois, se relaxando.
–Ei, sai daí eu quero me deitar- Mindy começou a se levantar com dificuldade, e quando conseguiu tentou manter a pose, mas mancava, o amigo se levantou, e observou a garota chegando.
–Você parece aquelas velhinhas com osteoporose- ele riu. A fazendo o olhar para ele com os olhos semicerrados
–Vai a merda!- ela disse e logo após deitou no sofá.
–Eu vou por o outro lá no sótão- ele disse saído de perto.
Mindy ficou apenas observando do sofá, Dave pegou o móvel e o colocou até a escada, o som era de que estava tentando descer as escadas, pelo jeito ele tinha um pouco de diviculdade em fazer o sofá encaixar na escada e descer controladamente, até Mindy ouvir um...
–Uou...uou uou uou uou uou uou, não caralho, éééh- e logo após, um barulho alto, como se alguma coisa tivesse rolando e caindo.
–Dave?- Mindy o chamou.
–Eu estou bem, estou bem!... ai acho que quebrei uma costela- ele murmurou a última parte, mas não desistindo de por o móvel em seu novo lugar.
Cinco minutos depois....
Dave vinha da cozinha com um saco de gelo, se jogou na poltrona, e colocou o gelo na costela por baixo da camisa, gemendo de dor, enquanto relaxava ainda mais, pra falar mais a verdade, era meio que um gemido para grito, e os olhos dele estava quase virando para trás.
–Que barulho foi aquele?- ela o perguntou.
–Eu estava descendo o sofá nas escadas, mas aí ele travou em um degrau...- ele deu mais uma gemida-... e então começou a levantar e eu fui junto, fui pra frente, quase que virei uma pirueta, e então o sofá caiu em cima de mim- ele acabou gemendo de novo.
A garota pareceu pensativa por um momento, até se começar a rir freneticamente, colocando a mão no estomago, murmurando vários ‘’ai’’, mas ainda sim não parava com o deboche.
–Eu imaginei isso acontecendo...- começou a rir de novo-... ai meu estômago, merda, não me faça mais rir.
–Vamos pra cozinha comer os sanduíches, e não se esqueça de tomar cuidado com a tua gengiva que abriu- ele se levantou.
Mindy foi logo atrás, obviamente mais lenta, mas conseguiu se sentar numa boa, de tempo em tempo ela percebia que ia ficando mais fácil de fazer as coisas. Comeram os sanduíches, e beberam suco de caixa que Dave tinha na geladeira. Não conversaram muito, apenas sobre o frio, e de como a comida estava boa. Então, quando já estavam quase terminando, o celular do garoto resolve tocar, ele o pega do bolso, o atendendo.
–Alô- ele diz – O que? Aonde?..... certo mas espere por mim..... não..... ah cara..... merda espere eu já estou indo- Ele desliga o celular.
–O que foi?
–Uns bandidos foram assaltar uma loja de penhores e acabaram emboscados pela polícia, e eles tem um refém, o Todd quer ir lá resolver, e me chamou, eu vou ir agora mesmo.
–Vê se não demora.
–São só uns bandidos, vai ser moleza- ele se levanta da mesa e começa a ir para o porão.
Dave pega seu uniforme térmico, um colete a prova de balas, e dessa vez apenas levou seus bastões e para algum caso mais estremo, um canivete. As veste, e por cima coloca uma roupa normal para disfarçar, logo já estava passando pela sala.
–Você vai a pé?- Mindy o perguntou enquanto via Tv.
–Não, eu vou pegar um ônibus e parar em algum lugar perto.
–Camionete pra que?
–Pela milésima vez, eu não uso a camionete quando estou de Kickass, eu acho que vou ver uma moto pra mim quando essa neve acabar- Ele abre porta.
–Desde quando você sabe pilotar uma moto?- ela fez uma cara de pensativa, talvez tentando recordar alguma coisa sobre isso.
–Eu já tive umas experiências, e também sei os macetes- por fim ele sai.
Demorou algum tempo até ele chegar em um lugar por perto, se enfiou em um beco e se aprontou como Kickass, ficou em um lugar escondido observando a situação, a loja de penhores tinha um andar, era um quadrado enorme, e ficava em uma esquina, havia quatro viaturas da policia estacionadas, mas não estava tão calmo quanto ele sabia, já estavam trocando tiros, Todd pelo visto resolveu não aparecer, sempre que a coisa ficava séria ele dificilmente ia agir.
Mesmo com as ruas lisas, ele consegue manter o equilíbrio enquanto corre, sempre como um louco, saltou, e pulou em um capo da viatura, pegando impulso para mais um salto, caiu rolando no chão, e quando se levantou, precisou dar quatro passos corridos até arrombar a porta de uma vez só, nenhum tiro pegou nele, foi meio que uma surpresa para os ladrões, do nada ele estava ali, percebeu que eram cinco homens, nada tão difícil, ele pulou no balcão e começou a correr em cima, os ladrões tentavam atirar, mas não acertavam, então o herói pulou em cima de um deles, tomando a arma de sua mão, e usando seu corpo como escudo, e funcionou, cerca de dez tiros acertaram o corpo, Kickass dispara de volta com a arma que havia pegado, acertando um deles na cabeça. E como previsto, havia uma refém, era uma mulher de uns 25 anos.
Restavam apenas três, um deles com a mulher, Dave estava escondido atrás do balcão, com a pistola em punho, logo percebeu que estava sem munição. A policia ainda dispara alguns tiros, e os ladros são obrigados a devolver, o que dá brecha para Kickass. E em uma delas, ele aproveita, saca seus bastões, e corre em direção a um deles, lhe dá um golpe no meio da cara, a fazendo partir e sangrar, o homem caiu no chão sem ter como se movimentar. O segundo foi quase a mesma coisa, mas recebeu um golpe no peito, e outro nas pernas, o fazendo virar uma cambalhota desajeitada, e logo, ele lhe bate com o ‘’toco’’ do bastão no queixo, fazendo o bandido desmaiar.
–Ei, espera, não vai querer comprar briga com o Ralph D´amico não é? E também não vai querer que esta linda moça, sofra uma pequena alteração na cabeça, não ia ser legal ter um buraco na testa?- o ladrão se move para a mulher de um jeito onde nem os policiais podiam agir.
–Ralph D´amico, esse cara não está preso? Espera- Kickass dá uma boa olhada em volta da loja, e vê que praticamente nada foi roubado, estava apenas tudo destruído- Isso aqui não é um assalto, vocês vieram cobrar do dono da loja, e ele não tinha dinheiro pra pagar não é.
–Vejo que você é esperto- o homem sorri, ainda com a arma apontada para a cabeça da moça.
–Olha cara, não foi bom te conhecer- Dave faz uma cara de pena.
–O que você quer dizer com isso, hum?
Dave não o responde, apenas pega o canivete calmamente que estava em um bolso nas suas costas, e o atira para o homem, indo direto para o seu olho, ele grita, e quando perde a mira da mulher, ela corre para trás do herói, Kickass vai até o ladrão e o bate na cara, e chuta sua arma longe, ele ainda esta vivo, então tira seu canivete que estava preso no olho dele e guarda de volta no bolso, e o faz gritar ainda mais de dor.
–Você está bem?- ele pergunta a mulher.
Ela assinala com a cabeça que sim, então ele a faz ir até a porta, os policiais começam a entrar no local, e Dave apenas se senta na calçada, ele sabia que os guardas não iriam prende-lo, e até um deles foi conversar.
–Bom trabalho, senhor- o policial diz a ele, permanecendo em pé, era negro, deveria ter uns 50 anos, e era um pouco acima do peso.
–Você também, cara – Ele levanta a cabeça para vê-lo.
–Eu tenho um casal de filhos, e eles brincam de Hit Girl e Kickass todo dia, apesar de acharem nojento que vocês dois namorem.
Dave ri com o comentário.
–Nós dois não namoramos, isso é só marketing da TV pra ganhar audiência, eu acho- no fundo, o herói sentiu um pequeno amargo ao dizer isso, que até ele mesmo estranhou, certo que as vezes ele olhava para Mindy de um jeito diferente, mas agora...
–Sério? Sempre pensei que vocês... ah deixa pra lá, não quero tomar seu tempo te enchendo o saco, mas me responde uma coisa, onde você aprendeu todas essas coisas?
–Olha cara, essa é complicada, metade foi sozinho, e a outra metade foi com a ajuda das pessoas certas.
–Legal, bem, eu vou ter que ficar por aqui para fazer umas pericias, é melhor você sair daqui agora, porque daqui a pouco vai chegar umas autoridades maiores, e alguns deles não gostam de você.
–Certo, é...- ele olhou para o uniforme dele- policial Drake Miller, foi um prazer.
Ele se levanta, e sai, logo entra no beco, pega suas roupas escondidas, e volta a ser Dave Lizewski, já havia andado alguns quarteirões, ele ficou pensando, de como tudo isso foi rápido, ele levou mais tempo indo para o lugar, do que acabar com aquilo. logo ele pegou o celular e começou a discar para o número de Todd, perguntar o porque ele não deu as caras.
–Hey cara, porque não apareceu?
–Eu fui, mas aí começou o tiroteio e eu caí fora cara.
–Todd, eu não te treinei por 6 meses pra você fugir assim.
–É, não sei, ei sabia que o Marty vai largar a faculdade de Advocacia lá na Califórnia?
–Sério, quer dizer que ele vai voltar, quando?
–Eu acho que mês que vem, até ele ver tudo que tem por lá...
Dave começou seu caminho de volta para casa enquanto falava pelo celular, dessa vez iria ser de a pé, ele estava afim de pensar um pouco mais no caminho. Assim que desligou o celular.
A neve estava fofa, os focos que caíam do céu eram finos, e aconchegantes de ver, era difícil acreditar que no dia seguinte talvez, aquilo fosse se tornar o pesadelo de muitas pessoas, ele agradecia a alguém por ter uma casa, talvez Deus, ele nunca foi de acreditar nessas coisas, mas de uns tempos pra cá, ele começou a achar que fazia sentido. Chegou perto da beira de uma das ilhas de Manhattan, e olhava para a água, o que lhe dava a aparência mais gelada, havia alguns grandes barcos por ali, tudo parecia calmo, ‘’ bem que Mindy poderia estar aqui agora’’ pensou ele, e porque não, talvez um dia desses em que a neve estivesse assim de novo, e a garota pudesse se mover normalmente. Podiam tomar um chocolate quente vendo aquilo enquanto já estava quase escuro, iria ser no mínimo bom, ele voltou a olhar para os barcos, com as mãos nos bolsos, e se lembrou da vez em que explodiu um, cerca de uns 5 meses atrás, quando seguiu uns sequestradores, que haviam pegado o filho de um policial que supostamente prendeu o chefe deles. Mas essas lembranças não permaneciam muito tempo em sua mente, apenas a ideia de que sua amiga poderia estar ali.
Porém, sempre parece que Dave mesmo que ridiculamente e muito clichê para um herói, sempre atraia problemas, mas dessa vez não era um assalto, ou qualquer coisa do tipo, ele simplesmente ouviu uma forte batida de carro vindo da esquina, foi meio que um susto, realmente daqueles que se pergunta, o que foi que aconteceu? Mesmo sabendo a resposta, sua reação foi até que rápida e começou a correr para o lugar, algumas pessoas começavam a se aglomerar por volta para ver o que havia acontecido, de vista parecia que um carro comum bateu com uma camionete e tombou, provavelmente a neve deveria ter causado uma grande ajuda, ele parou por um momento, vendo que a gasolina vazava, e por algum motivo havia uns focos de fogo, aquilo certamente iria explodir, mas foi quando percebeu que o carro estava com crianças no banco de trás, que simplesmente seu instinto de herói não deixou de agir. Mas não havia tempo de por a mascara e virar Kickass, por isso ele correu diretamente para o veículo.
Era incrível como algumas pessoas ainda pegavam o celular para filmar o que estava acontecendo, nem quando Dave começou a se abaixar perto do carro os outros tomaram coragem de ter alguma atitude.
–Sai daí cara, esse carro vai explodir, você é maluco?- alguns diziam.
Mas Dave não deu ouvidos, logo que se abaixou na janela, viu uma mulher no banco de passageiro, e no do motorista, a imagem mais horrível que ele já viu em toda sua vida, com o impacto da batida, o corpo do que era pra sei o pai daquela família, virou numa espécie de carne gelatinosa esparramada para todos os lados, ele olhou para o banco de trás, três crianças, uma garota de uns 7 anos desacordada, ao lado, um bebê na cadeirinha, olhando para os lados, sem saber o que estava acontecendo e no outro canto um garoto de uns 11 anos também desacordado. Ele não conseguia pensar direito naquela hora, soltou a garota do cinto, e a levou para longe do carro, a gasolina começava a vazar ainda mais, e ele se arriscou mais uma vez, pegou a mulher e a soltou, e a levou ao lado da garota, mas logo que terminou, o terrível aconteceu.
O fogo aumentou, tomando conta de todo o carro, o choro do bebê começou a berrar mais alto, Dave não ligou, enfiou o corpo no fogo, e conseguiu tirar o bebê do carro, tentou tirar o garoto, mas estava preso nas ferragens, suas pernas estavam dilaceradas, ele não teve escolha, saiu e pegou a criança, e em dois passos, veio a explosão, ele foi arremessado longe, mas fez de tudo para proteger a neném do impacto. Seu casaco estava em chamas, ele o tirou e jogou na neve, o apagando. As pessoas se distanciaram drasticamente, não havia muitas.
Ele não sentiu dor, tudo que pensou em fazer era dar os primeiros socorros, a criança estava acordada e visualmente bem, já a garota e a mulher pareciam não reagir a nada, Dave começou a pressionar o peito da garota com a mão, mas nada, tinha que fazer isso com a mulher, mas aí que ele percebeu o que estava acontecendo, virou-se para as pessoas que apenas estavam olhando.
–Será que alguém aí pode ajudar?!- ele gritou inconformado, e no mesmo instante, alguns começaram a chegar.
Não muito tempo depois, algumas ambulâncias chegaram, a primeira a acordar, foi a mulher, a segunda a garota, e a neném, sofreu pequenas queimaduras no rosto. Pareceu como instantes atrás, Dave estava sentado novamente na calçada, observando o movimento do depois do ocorrido. Mas ele ainda olhava o carro, cujo as chamas já haviam diminuído, mas sofria por dentro, ele queria ter salvado o garoto, ele sabia que podia, mesmo o deixando viver sem as pernas, ele se culpava, achava que poderia ter sido mais rápido, talvez se aquelas pessoas ajudassem, iria ser muito mais fácil.
Tudo parecia estar em câmera lenta, desde os focos de neve, até as luzes da ambulância, e tudo parecia a mesma cena de antes, assim como o policial Drake Miller veio o ver logo após resolver o assalto a loja de penhores, outras pessoas vieram falar com ele ali, estava nítida o sofrimento dele por não salvar o garoto, então ele nem deu ouvidos.
Logo um enfermeiro da ambulância veio o conferir, mas Dave o repreendeu, ele estava com o uniforme de Kickass por baixo, além de um colete a prova de balas que graças ao frio, podia ser confundido com um casaco. Então só deixou ver seu rosto, que estava com alguns raspados, provavelmente bateu a cara em algum ferro quente do carro e nem percebeu.
A mulher dentro da ambulância chorava, era possível ouvir aquilo, Dave já descobriu, ela perdera o marido e o filho mais velho no acidente, a mulher que dirigia a camionete perdeu o controle do veículo, e por causa da neve, deslizou e acabou chocando contra o outro carro, que estava rápido demais.
Um carro do noticiário chegou, e quando o viu, Lizewski saiu dali imediatamente, lembrou que tinha que voltar para sua casa, deixando a mulher abalada, e suas filhas para trás, pegou seu casaco já meio virado em cinzas, e começou a trilhar seu caminho. Quase que sem ser percebido.
Mindy estava desenhando alguns uniformes novos, armaduras e esse tipo de coisa, estava com muitos planos na cabeça, melhorar o visual, e até mesmo estudando os golpes de Bandaged com o que lembrava da sua mente, tentando encontrar alguma saída para vencê-lo, não era tão difícil, o vilão tinha uma habilidade semelhante a de Dave, e por isso tinha dificuldade em derrota-lo, mas mesmo assim ele era um pouco melhor, logo escuta o amigo entrar pela porta, ela se sentiu muito bem por ele estar de volta. Porém quando o viu, percebeu que ele não estava lá muito bem.
–Dave? Porque essa cara?- perguntou ela, andando com dificuldade a ele.
–A gente conversa daqui a pouco, eu vou ir tomar um banho, estou fedendo- ele já estava subindo a escada, de dois em dois degraus. Jogando o casaco queimado na mesa.
Ela ficou apenas parada ali, olhando para a peça de roupa, pensando no que poderia ter acontecido, até que ouviu o barulho do chuveiro, estalou a mente e voltou a fazer as coisas, virou-se para a TV e a ligou para ver se passava algo que pudesse ter deixado Dave daquele jeito. Certamente que sempre que é de Kickass, a notícia se espalha em questão de minutos, mas não havia nada, somente notícias de esportes, clima e séries malditas.
Ele demora o mesmo tempo de sempre, se seca e não muito tempo depois já está lá em baixo na sala, quase desabando no sofá, os machucados do rosto quase não aparecem, não foram tão graves assim. Mindy o olha enquanto está sentada ao lado dele.
–Agora pode me contar o que aconteceu naquela loja?- ela o perguntou, não conseguia pensar em outra coisa que pudesse ter acontecido a não ser naquela loja.
–Não foi na loja Mindy, eu resolvi os problemas lá sem muitas dificuldades, o problema foi o que aconteceu depois, quando eu já estava voltando pra cá.
–E o que foi?- ela não percebeu, mas enquanto se olhavam, estavam de mãos dadas.
–Eu já não estava mais como o Kickass, como eu disse estava voltando pra casa, mas aí teve um acidente de carro, e eu fui ajudar, mas as pessoas ficaram só olhando, eu fiquei com raiva delas, por que elas não foram ajudar em vez de ficar ali filmando? Mesmo assim eu fui lá, era uma família de cinco pessoas que estava no carro tombado, um já estava morto, eu consegui tirar quase todos eles, mas sobrou um, era um garotinho... devia ter uns 11 anos, estava vivo, e eu o vi queimar, eu poderia ter salvado ele Mindy, se aquelas pessoas ajudassem, é por isso que arriscamos nossas vidas quase todos os dias, pra salvar pessoas que nem ajudariam o próximo? Como elas podem ser assim?- Dave a olhou, ele parecia firme e pensativo, e não triste. Na verdade, ele parecia aqueles professores inteligentes com opiniões políticas extremamente complexas e convencíveis.
–Dave, não querendo puxar muito para o lado sentimental, mas bem que talvez esse seja um dos motivos de nós saímos por aí fazendo o que sabemos de melhor, ele não sobreviveu porque você não pode salvar ele, era impossível fazer isso sozinho, se aquelas pessoas não foram ajudar, é porque elas não eram corajosas o suficiente, sabiam que só iam atrapalhar, ou talvez outros motivos que possa justificar, mas não as culpe, é errado, e muito mais ainda se culpar, se não fosse por você, os outros não estariam vivos, pense no lado bom, seja lá quem forem essas pessoas elas tem o que te agradecer agora.
–Não, eu não me culpo, eu fiz tudo o que pude e sei disso, apenas estou com raiva daquelas pessoas, elas poderiam ter ajudado. Mas você tem razão, eu não devo ficar bravo com isso.
–Eu sei, nem todas elas são como a gente, tipo, algumas delas não tem a condição física e mental necessária, você sabe o que eu quero dizer.
–Sim, entendo- ele olhou para as mãos, percebendo o que estava fazendo, mas não parando.
Mindy passou as mãos no cabelo molhado do garoto, sorrindo para ele, não importa o que acontecesse, ela sempre iria sorrir, apenas para deixa-lo confortável, ele sabia disso, e por esse motivo trocaram um abraço, ela ainda machucada se esforçava para poder aperta-lo daquele jeito bom, ficaram assim por um tempo, ambos pensando, com tudo o que vinha acontecendo, eles certamente tinham que passar por isso de pessoas morrerem, e o dia seguinte parecer normal, já estavam acostumado, mas o que aconteceria depois? O que o futuro aguardava para eles? O que eles iriam enfrentar? Pelo que iriam passar? E principalmente, qual será a próxima missão de grande dificuldade que iriam ter? Pois com certeza iriam ter.
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