Apenas um sussuro
10 Vou te proteger
Notas iniciais
Estou sentada no banco do juri, estou suando sobre o desconfortável banco de madeira, meu queixo treme enquanto eu tento sufocar o choro, isso não está adiantando muito. Josh estava ao meu lado, ambos estamos na primeira fila, está sendo como assistir uma futura tragédia de camarote. Josh parece inabalável no seu terno maior que o corpo, como se ele estivesse usando roupas de segunda mão de um gigante,mas vejo seu peito subindo e descendo com dificuldade, mesmo ele não fazendo nenhum ruído com a respiração, sei que isso é apenas o coração acelerado, entendo bem o que ele esta sentindo agora porque estou sentindo igual... O peito pesado e as marteladas que doem num ritmo agitado como um fumante que corre em uma meia maratona. Eu posso ver seu coração bater Josh, vejo ele batendo através do seu peito, assim como você deve estar vendo o meu, todos agora podem ver o meu. Nós dois somos parecemos fortes e inabaláveis, mas na verdade estamos aqui morrendo de medo, eu estou apavorada... realmente a coragem é só uma fachada.
–Então você é a legista que iria me dar perpétua né? -Um homem com humor negro balançava a grande arma à minha frente, meus conhecimentos sobre armas é limitado, mas sei que aquela pode fazer um grande estrago. Mas não é a grande arma que me chama a atenção agora, é a cicatriz que ele tem no rosto, um grande corte que não foi suturado direito do supercílio direito até o contorno do queixo.
–Que foi? Tá olhando minha cicatriz? Sabe quem fez? Foi sua amiguinha, aquela policial ordinária e o buldogue velho que fica bufando atrás dela.
–Senhor -um homem baixo interrompeu- Já desligamos todas as câmeras do prédio.
–Deixem uma ligada, quero platéia quando eu matar os reféns.
Senti um arrepio passar pelo meu corpo, como se eu tivesse colocado acidentalmente meu dedo na tomada. Sei o bastante para crer que esse homem não está de brincadeira, já vi o resultado da sua frieza passar por minha mesa, ele não discerne se é velho, criança, homem ou mulher, e já vi todos esses passarem por minha mesa... Sei que não posso desejar tal coisa, mas queria muito a Jane aqui comigo, segurar sua mão agora seria o bastante pra mim, no entanto não posso ter tal desejo, pois seria apenas egoísmo, seria arriscar a vida dela. Por que nas horas ruim desejamos apenas quem amamos mais?
O telefone tocou, pude ouvir ele fala com o negociador, a distância não me permite entender nada, e eu não posso me aproximar. Senti Josh tocar meu braço levemente.
–Calma, meu pai vai vir, e a Jane também.
–Esse é meu medo.
–Por que?
–É isso que esse homem quer, Korsak e Jane aqui, ele só quer vingança.
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–O que está acontecendo ali Korsak? -Jane passava as mãos no cabelo, olhos fixos no prédio
–Wilson tomou o prédio.
–O Wilson do Massacre de Beacon Hill? Como? Não! Não pode ser, o prédio foi evacuado pro julgamento dele.
–Parece que os pintores que trabalhavam no segundo andar trabalhavam pra ele também. Seguranças, policiais... todos mortos.
–O que está acontecendo Jane? Cade Maura? -Esquilo se aproximou, o boné do Red Sox maior que sua cabeça escondendo um rosto preocupado.
–Jane se virou ao ouvir a voz infantil, se abaixando com um fraco sorriso no rosto. -Tá tudo bem, ela só se atrasou. Volta pro carro que já vou lá, pode ligar o rádio e ouvir aquelas músicas de novo tá.
–Posso assistir um DVD?
–Pode. -Jane destravou com um toque na chave e voltou para Korsak após ver o garoto subir no banco de passageiro.
–A Maura tá lá dentro Korsak. Oh meu Deus! Eu tenho que entrar
Korsak segurou Jane antes que ela passasse pela fita de isolamento.
–Jane, meu filho também está lá dentro. Então eu sei o que você está sentindo, mas vamos confiar no Marques, ele é o melhor negociador de Massachusetts... Tô me segurando pra não entrar lá e tirar meu filho, a mãe dele já me ligou perguntando se ele tinha chegado bem.
–Se Josh está lá dentro, então não chame a atenção pra ele. Wilson te odeia e não vai pensar duas vezes em machucar ele pra te ferir. O que esse canalha já pediu?
–Ele quer um helicóptero, sacos de dormir e comida pra 12 pessoas.
–Então ele já tem um plano de fuga completo,dá pra atrasar até a Swat chegar.
–Não. ele já matou um refém por demorarmos, prometeu matar um a cada uma hora de atraso. Um dos nossos vai se passar por piloto.
–Boa! Essa é nossa chance.
Um helicóptero pousou no telhado, Jane observava toda a movimentação pelo binoculo. Viu as hélices diminuírem enquanto seu coração acelerava no peito. Tiros foram dados, e a morena arfou ao ver o piloto atirar em dois homens e receber uma chuva de tiros de outros que apareceram em seguida.
'Esse erro vai custar a vida de alguém, Meu Deus, proteja a Maura.
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–Sargento, ele ameaçou matar alguém.
Korsak e Jane entraram na vã estacionada após a fita amarela, ela era pequena e abafada, um ventilador espalhava ar quente ao redor.
Assistiam na tela pequena um homem sendo ajoelhado em uma sala-a sala dos juris- O homem movia os lábios como em uma prece silenciosa, então a prece foi interrompida com um único tiro em sua nuca. Outro homem ajoelhado, outra prece, a mesma cena prosseguia.
–Pelo amor de Deus! Dá tudo que esse homem quiser. -Jane gritava, a policial dando lugar a uma mulher apavorada.
–Calma detetive, não podemos arriscar dar tudo pra ele, você conhece os procedimentos. -Dizia o negociados, Korsak ainda estava paralisado, olhos fixos na pequena tela.
–Ele não tem receio de matar. Não podemos arriscar a vida de mais um inocente. -a vida de Maura ela quis dizer, mas guardou pra si.
–Compreendo detetive, mas peço calma, preciso de vocês dois porque vocês já enfrentaram o Wilson duas vezes. Mas quero vocês racionais, sei o quanto somos irracionais quando um ente querido está em perigo, mas agora prec...
–Olha! É a Maura que tá lá dentro tá -Jane gritava as palavras que explodiam dentro dela, o suor brilhando em sua testa.- Ela está com medo e sabe la Deus o que ela tá passando.
–Jane!- Korsak gritou
–Eu tenho que fazer alguma coisa, aquele homem é louco o bastante pra fazer qualquer coisa. Eu...
–Jane! -Korsak gritou, dessa vez mais alto
–Que foi Korsak?! -A morena gritou exaltada como se tirasse todo o ar do pulmão num único grito, nervos a flor da pele, mas congelou ao olhar para onde Korsak apontava,
–Esquilo...-Jane foi a porta da van ao encontro do menino do boné vermelho
–A Maura tá com medo? -O menino parecia querer chorar
–Calma, vai ficar tudo bem.
–Mas é a Maura, oh Jane, é a Maura, ela tem medo de 'homens mal'. Ela não queria entrar na policia sozinha e me chamou pra entrar com ela Jane, porque ela estava com medo, medo de ficar sozinha e medo de 'homens mal'-O menino falava atropelando as palavras, lágrimas arriscando cair dos olhos
–Esquilo calma-Jane segurava os ombros do menino olhando aqueles pequenos olhos que agora escorriam lágrimas silenciosas, a preocupação e o medo brilhavam ali. -A Maura vai sair daquele prédio tá bom, não precisa se preocupar.
–Mas ela tá sozinha, tá com medo.
–Ela vai ficar bem, tudo vai ficar bem,ok?
–Você disse isso quando minha mãe foi embora, e nada ficou bem. -O menino gritou e começou a chorar em silêncio, Jane sentiu seu próprio coração doer apertado, sentiu sua boca secar.
–Eu vou buscar ela Esquilo. Olha pra mim, eu não vou embora dessa vez, eu vou buscar ela. -Jane abraçou o menino que chorou mais forte, soluçava e tremia o corpo magro.
A morena abraçou mais forte aquele pequeno ser que se alinhava em seus braços e desejou poder chorar igual ele, poder se desesperar sem limites, ser apenas a mulher apavorada e perdida que ela estava sentindo ser, mas era Maura lá dentro, ela tinha que ser forte
–Jane! -Korsak chamou. -Vamos! Wilson finalmente atendeu o telefone.
–Esquilo, me escuta- Jane voltou a segurar os meninos pelos ombros, olhos verdes e castanhos se fitavam. -Fica calmo, eu vou buscar a Maura, mas
preciso que você fique no carro pra eu fazer isso, ok? Vou pedir a um policial pra ficar com você lá e...
–Não! Eu vou ir sozinho, já sou grande.
O menino correu enquanto Jane levantava. 'Meu Deus, tomara que não tenha sido eu que tenha ensinado isso pra ele. Teimosia não se pode ensinar certo?
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–E então doutora, eles querem um refém em troca do meu novo helicóptero, já que sabotaram meu meu último. Quem você acha que mando pra eles? Tenho que ser rápido porque falta apenas três horas para a Swat chegar.
Sei que isso pra ele é apenas um jogo, ele irá mandar a pessoa que menos tem peso pra ele, alguém que seja inútil para seus planos. Estou olhando fixo pra ele, sei que NÃO serei eu a escolhida, seus olhos me dizem isso, ele me quer aqui, ele quer a Jane aqui, ele quer ver ela sofrer, ele sabe como fazer ele sofrer.
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As emissoras de TV filmava dois policiais seguravam Jane.
–Por que ele mandou esse cara? Esse advogado idiota devia ter ficado lá! Só serve pra defender assassinos!
Korsak atravessou a barreira feita por policiais agarrando o advogado pela camisa, quase o retirando do solo.
–Pra onde eles vão? -O advogado apenas olhava assustado- Me fala desgraçado antes que eu te tranque numa cela com todos seus clientes que pegaram perpétua por você não saber defender direito! -três policiais conseguiram segurar o homem mais velho que estava vermelho, tentando ainda agarrar o advogado que respirava ruidoso, mãos nos joelhos tentando voltar ao normal.
Todos prenderam a respiração ao ouvirem uma das janelas do segundo andar ser quebrada e um homem de macacão de pintura cair por ela. Jane olhou para o prédio ao lado do tribunal.
'A Swat ainda está em Jamaica Plan, quem está atirando?'
–Ei Korsak! Chama o negociador e manda ele tirar a mídia daqui, acho que é fogo amigo. Sei lá quem é o atirador de elite, mas ele quer nos ajudar.
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Estou chorando, não consigo parar. O medo de nunca mais ver todas as coisas que amo está fazendo meu corpo sucumbir aos soluços. Fecho meus olhos na tentativa de ao abri-los tudo ser um sonho e eu acordar suada na minha cama de novo. Quero ver Jane de novo, quero abraça-la, quero pegar TJ no colo, quero devolver os livros que peguei emprestado da biblioteca, quero dar bom dia pra Ângela, quero tomar meu vinho, fazer aspargo na janta, quero viver, preciso viver mais. Eu não quero morrer, não!
Senti uma mão pequena segurar a minha, tive medo de abrir os olhos, medo do que poderia encontrar ali ao meu lado, mas eu precisava disso.
–
Esquilo, não. O que você está fazendo aqui? -sussurrei para o pequeno menino que me olhava sorridente, pequenos olhos verdes me trazendo um pouco de paz.
–Você tava com medo e eu vim aqui te proteger, assim você não terá mais medo de nada até a Jane chegar, sabia que ela tá vindo? Ela me prometeu e ela prometeu de verdade.
Senti meus olhos arderem, Jane ficará louca quando souber que ele está aqui, ela já deve estar louca.
–Ei! Quem é esse menino aí! -o homem baixo apontou a arma para o Esquilo, para meu salvador, ninguém encosta em meu salvador.
Não pensei, apenas entrei na frente daquela arma. Tudo aconteceu tão rápido, mas tive a impressão de ser em câmera lenta, foi simples, levantei colocando o garoto atrás de mim, eu era o obstaculo entre uma bala e a vida de uma criança que não ponderou os riscos a ir ao meu encontro. Também não vou ponderar, a vontade de recuar não existe agora, conheço ele a poucos dias, mas não vou deixar ninguém machuca-lo mais. Pra chegar nele vai ter que passar por cima de mim baixinho.
–Deixa ela Rui, -o homem de cicatriz abaixou a arma do mais baixo, do Rui, que nome ridículo para um matador.-Deixa esse garoto vivo, ele pode ser útil para alguma coisa.
–Mas se ele entrou aqui qualquer um pode entrar.
–Ele deve ter entrado pela porta que vocês abriram pra liberar o advogado de merda. Deixa a doutora se divertir um pouco com o pirralho.
Ouvi mais uma janela ser quebrada, espero que seja fogo amigo. Wilson mandou o comparsa ir ver quem estava quebrando as janelas... o rádio policial que eles roubaram não falaram sobre atiradores de elite, mas sei que é um... só espero que seja amigo, tem que ser amigo.
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–Ei Korsak, vou entrar.
–Você está louca Jane? Já conversamos sobre isso, não! Vamos esperar o sniper, ele está acabando com os comparsas e o negociador já tem tudo planejado.
–Korsak, não sabemos mais quantos homens armados tem, mas sabemos que só tem dois reféns. Não quero arriscar saber quem vai ser o próximo que verei naquela TV pequena da van, Liguem e falem que me ofereço para uma troca, fico no lugar de um dos dois e você me avisa quando descerem pra cá, assim eu posso tentar...
–Você tá louca né?
–Korsak, lá dentro posso fazer algo, aqui só posso esperar, eu não sei esperar, as vezes como arroz quase cru porque não aguento esperar ele ficar pronto. -Jane segurou nos ombros largos de Korsak.- Olha, Vince, é a Maura lá, é seu filho também, se você não me dar cobertura nessa eu vou entrar sozinha, mas eu entendo eu realmente queria contar com você.
Korsak abaixou a cabeça, parecia ponderar. Desafivelou o o coldre e o estendeu a Jane. -Leva minha arma, você está sem a sua.
–A Kikyou me deu uma dela.
–Então coloque meu coldre e leve minha arma nele e esconda a dela. Bandidos so confiscam a arma do coldre, eles nunca esperam que policiais tenham uma reserva.
Outra janela quebrada, Jane correu passando pela fita de isolamento, entrando no prédio pela porta de incêndio, a porta principal foi destruída por uma explosão. Sentiu as forças serem renovadas ao subir as escadas, iria ao encontro de Maura, mesmo que arrisca-se sua vida ela iria por Maura, sempre iria poe ela.
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Maura
–Ei cara levanta! Você que vai descer. -Um homem baixo empurrava Josh em direção a porta. Abracei Esquilo mais forte, eu seria a próxima a sentir a dor de um projétil passar por mim. Será uma execução militar, se for não sentirei dor, vou focar em mandar o Esquilo correr, ele deve se salvar, ele deve voltar pra Jane... Como eu queria voltar pra Jane. Fechei meus olhos e pude ver aquele sorriso em minha mente, e então senti seu cheiro, ele era tão presente que parecia que ela estava ali perto de mim.
–Ei Jane! — Esquilo gritou — Protegi a Maura até você chegar.
Abri meus olhos e encontrei os olhos castanhos olhando pra mim, olhos que intercalavam entre Esquilo e eu. Jane estava surpresa, estava preocupada. eu queria correr e ir ao encontro dela, queria morrer naqueles braços e não aqui, sentada nessa cadeira dura e desconfortável, mas simplesmente abracei mais forte o garoto no meu colo, eu tinha que ser racional, racional por nós três.
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Jane
Ver sentada naquela cadeira abraçada ao Esquilo me trouxe algo que não consigo explicar. Eu só queria colocar os dois em uma caixinha e guarda-los pra sempre, protegê-los do mundo, afastar a dor que eles sentem.
Queria pular nesses cinco homens armados. Fodas suas armas grandes! Fodas que eles são maiores e mais fortes que eu! Eles encostaram em Maura, ameaçaram Esquilo, e ninguém toca na minha família, eu tenho que fazer algo.
O helicóptero pousou no telhado, Josh estava andando devagar, desengonçado como um boneco de Olinda, por que ele não estava correndo?
–Corre rapaz! Corre! -o rapaz correu como se estivesse fugindo do fogo, ouvi seus passos rápidos na escada e encarei Wilson que me olhou de volta.
–Matem ele. -Wilson falou friamente- Rui, vá atrás dele e o mate antes que ele chegue ao térreo. Ele é Josh Manes, mais conhecido como Josh Korsak. Também fiz minhas pesquisas detetive Rizzoli, sei que o buldogue velho é padrasto desse rapaz idiota.
Observei o homem mais baixo correr, ele corria muito rápido, logo encontraria Josh, mas encontraria também uma armadilha no primeiro andar, encontraria o buldogue velho que agora estava raivoso.
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Vidros sendo quebrados chamou a atenção de todos, como se fossem tirados de um transe.
Wilson foi até o bando dos Juri e levantou Maura pelos braços. Esquilo tentou morder a mão do homem que o arremessou no banco.
–Por isso odeio crianças.
Jane estava no chão, a tentativa frustrada de tentar ajudar Maura lhe causou socos e chutes, ela agora estava inerte, sentindo o corpo latejar.
–Mantem essa maldita detetive, não demorem ou eu deixo vocês pra trás, não esqueçam que sou o único que sabe pilotar.
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Jane estava de joelhos, uma arma em sua nuca a fazia suar frio, dois homens riam atrás dela, como se disputassem com piadas quem iria puxar o gatilho. Três corpos no chão exalavam o cheiro de cobre... cheiro de sangue... cheiro da morte.
Seu maxilar latejava e queimava pelo golpe que recebeu antes.
O homem pressionou mais forte a arma e ela olhou para a grande janela a sua direita, será que essa seria a última vez que ela veria o pôr do sol? A última vez que veria as nuvens laranjas, o céu azul claro cedendo lugar para o turquesa e depois o negro. Relances de outros pôr-do-sol que ela assistiu passou por sua mente, eram poucos demais, eles estavam ali todos os dias, mas ela tinha visto tão poucos, e eles permaneceriam ali depois que ela se fosse, estaria ali para outra pessoa negligenciar sua beleza como ela tantas vezes fizera.
Não havia como fugir, a arma de Korsak estava na cintura do homem que não empunhava a arma, e não daria tempo de sacar a arma de Kikyo que estava escondida para atirar nos dois, talvez da-se o tempo de um, era arriscado demais... no entanto esperar por um milagre parecia mais arriscado, contou mentalmente os segundos para agir e escutou tiros no telhado, seu instintos ficaram alertas, ela teria que agir mais rápido agora.
Fechou os olhos e mentalmente calculou a distância e ouviu um baque a sua direita, sentiu algo pequeno bater em sua bochecha e arder, sentiu o sangue escorrer por ela... abriu os olhos e viu o sangue no chão, sangue que não era seu.
Olhou para a direita, para o prédio do outro lado e ouviu mais um estampido, era mais um tiro. E sentiu o chão tremer com um baque, olhou para a porta e viu um homem caído, arma na mão
'Eu não vi ele parado ali na porta, não sabia que ele estava ali, mas sua arma estava apontada para mim.'
O telefone vibrou em sua cintura e ela o atendeu, as sílabas não se formaram em sua mente, ela estava muda e inerte.
–Oi Jane! — O sotaque asiático denunciava e Jane sentiu seus olhos arderem- Dá pra parar com essa cara de paisagem e agir?
–Kikyou, você é o atirador? VOcê que atirou naqueles homens?
–Agradece depois. Non tenho visão do telhado, mas Frankie está lá, ele foi escondido no helicoptero, corre que eu acho que ele está com problemas. Cara isso tá parecendo um filme!
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Jane terminou as escadas e sentiu uma corrente de ar quente arder seu machucado na bochecha ao abrir a porta grande de ferro. O cheiro de sangue também a tomou.
A cena que presenciou foi tão rápida, mesmo estando em câmera lenta era um flash na história, e ela registrava tudo...
Esquilo nas costas do Wilson, o homem se contorcia tentando tirar a criança que mordia suas costas na tentativa de tirar um pedaço, Maura estava estática assistindo a cena, Frank estava baleado no chão, corpos espalhados eram apenas figurantes.
Esquilo foi arremessado ao chão, batendo o braço com força, Maura foi ao seu encontro, sendo puxada pelo homem que a arrastou para o helicóptero usando-a como escudo.
Num impulso a loira o empurrou, o fazendo cair no banco de couro.
–Eu vou te matar sua desgr...
Quatro tiros cortaram o vento atigindo o peito do homem. Jane estava abaixado, arma em punho enquanto assistia o homem cair para nunca mais voltar. Seus olhos pesaram no irmão e foi ao seu encontro, se ajoelhando em busca dos ferimentos.
–Frank! Frank!
–Calma Jane, não é dessa vez que você vai se livrar de mim. Tomei dois tiros
mas tô bem, olha. -Frank abriu a blusa, expondo o colete. -Entrei na frente de Maura, e agora cheguei a conclusão que precisamos dar um colete pra ela de Natal
–Oh maninho. -Jane sentiu as lágrimas arderem seus olhos ai caírem por seu
rosto.
–Fiquei o tempo todo com a Kikyo no rádio, ela é boa, não sobrou um comparsa pra contar história agora.
–Você também é muito bom maninho, o que você fez...- Jane colocou a mão na boca para suprir um soluço, ela sentiu que havia falhado.
Frank sentou e a abraçou. Enquanto era acolhida pelo irmão, ela olhava Maura tentando acalmar o garotinho que chorava desesperado com o dor, e era assim que ela se sentia também. Como uma garotinha que precisava ser acalmada.
'A coragem é apenas uma fachada, uma máscara que usamos para proteger quem amamos, mas no fundo sentimos tanto medo quanto elas... e o medo de perder alguém é o mais profundo de todos.'
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Ângela atravessou o corredor do hospital e viu sua filha encolhida no banco da sala de espera. Olhar perdido como se reavaliando um mundo de pensamentos e emoções.
–Oi filha. -Ângela sentou no banco, abraçando a filha.
–Oi Ma, estou só aguardando os resultados dos exames da Maura e do Esquilo, eles estão bem. Frankie também está bem.
–Eu sei, acabei de ve-lô no elevador.
Jane abaixou os olhos como se estudasse as mãos.
–Você deve estar desapontada comigo Ma.
–Não, não estou. -Ângela tirou uma mexa do rosto da filha.
–Mas agi sem pensar de novo. Coloquei em risco a vida de pessoas que eu amo, não esperei o negociador. Por minha culpa o esquilo está com o braço quebrado e a Maura está abalada lá dentro... Eu... Eu nem sei como olhar pra ela agora.
Jane se encolheu mais, como se esperando uma reprimida, e era aquilo mesmo que ela queria no momento.
–Não acho que tenha sido sua culpa Jane. Mas você quer que eu aponte meu dedo pra você e diga que você agiu impensadamente? Jane olhou nos olhos da mçae. -Você agiu e eu posso fazer isso, porém sei que você ama a Maura, assim como deve amar esse garotinho também, assim como sei que você ama seu irmão. E eles, todos eles provaram mais de uma vez que te amam também e confiam em você. Frankie só se arriscou no telhado porque contava com você, até aquele menino foi fazer companhia a Maura porque sabia que você chegaria, e Maura... tenho certeza que ela esperava por você. Receio que os próximos meses serão difíceis pra nós todos, mas isso não me faz desistir de orar toda noite por você, pela Maura, pelo Frankie, pela nossa família e por nossos amigos. Eu tenho orgulho de você Jane, tenho orgulho do que você faz, mesmo que eu morra cada vez que venho visitar você, a Maura ou o Frankie nesse hospital. e se você está querendo sentir culpa não peça a minha ajuda. Tudo que você vai receber de mim é meu apoio e meu respeito.
Ângela abraçou a filha que sem hesitação apenas deitou no colo da mãe.
–Ma, tenho que te contar uma coisa... han... Maura e eu, nós... han...
–eu sei Jane, mãe sempre sabe das coisas.
–Mães bisbilhoteiras?
–Principalmente essas.
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Marcos chegou no terceiro andar a procura da sala de raio X, acompanhado com um pequeno buquê com lírios e crisântemos e um barra de chocolate suíço.
–O que você quer aqui? -Frankie parou na sua frente de braços cruzados.
–Eu, eu vim visitar a Maura, vi nos jornais... ela tá bem?
–Está só fazendo exames de rotina e já vai embora, veja ela amanhã no laboratório.
–Quer saber! Vou ver ela agora. -o mais alto apontava um dedo para Frankie que pareceu não abalar com a atitude. -Eu vou ver ela e você pensou por um segundo que conseguiria me impedir?
–Talvez não. Talvez nem o segurança consiga, ou aqueles guardas ali parados, não sei, mas estou curioso pra tentar.
–O cavaleiro defensor da Maura, você ama ela né? Pena que você não passa de uma sombra da Jane, acho que ela tem mais chances que você.
Marcos empurrou as flores e o chocolate no peito de Frankie. -Diga que eu passei aqui.
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Jane ainda estava no corredor, estava sozinha, Frankie levou a mãe para o serviço. Um copo de café esquentava sua mão, e ela não notou uma presença delicada sentar ao seu lado.
–Oi
–Oi Maur
A morena olhava as frestas do azulejo no chão.
–O Esquilo está feliz clocando o gesso na ortopedia infantil, diz ele que quer nossos autógrafos. Acho que o pai dele vai brigar conosco.
–hum, ele deve ta em algum bar enchendo a cara e dando vexame. -Maura também começou a analisar as frestas do azulejo. -Maur, o Esquilo me contou o que você fez, entrando na frente dele, você foi muito corajosa.
–Foi o impulso, não pensei, só entrei na frente. Acredito que foi a adrenalina e o oxic...
–Ou o instinto materno. -Maura sorriu.
–Eu senti que podia pular no pescoço dauele homem, me senti uma leoa.
–Sei como é, mas não faz mais isso, ok? Fiquei aterrorizada ao saber .
–É assim que me sinto toda vez que você banca a heróina.
–Maur, esse não é seu mundo, eu posso me arriscar, você não.
–Jane, olha pra mim... Prefiro morrer a não ter você em meu mundo entendeu? Eu quero ter a certeza que vou dormir com você e poder planejar acordar ao seu lado todas as manhãs. -lágrimas chegaram aos olhos da loira, mas não ousaram cair. -Quero poder sonhar em construir uma família sem ter medo da sua ausência.
–Também quero essas coisas, mas não quero que nada ruim te aconteça.
–Você levar um tiro é a pior coisa que pode me acontecer. Seria demais te pedir pra nçao bancar a heróina? Algum dia nãocontaremos com a sorte, Korsak, Frankie ou Kikyou podem não chegar a tempo, talvez ninguém chegue a tempo. Essa é a única coisa que te peço.
–Maur, não posso prometer porque não sei o que acontecerá no futuro.
–Então me prometa que vai pensar em mim, na sua família e amigos antes?
–Prometo pensar antes, mas não prometo não agir.
Maura levantou e entendeu uma mão para Jane. -Vamos, Esquilo quer comer batata e sundae de morango, e eu quero fazer esse agrado antes antes dele voltar ao pai.
Jane levantou abrançando Maura e depositando um beijo carinhoso em sua bochecha. -Então hoje tá liberado as calorias uhhuu
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–Mais tarde naquele mesmo dia... -Jane tamborilava os dedos no volante enquanto aguardava na fila do drive tru.
–Tá demorando nossa vez ne? Mas o bom é que o Esquilo vai comer as batatinhas que ele tanto quer. -Maura olhou para tráz encontrando um sorriso que encontrava os olhos verdes brilhando.
–Pronto, chegamos na moça. Agora vamos fazer o pedido. -Jane puxou o freio de mão e abriu a janela próximo ao caixa de pedidos.
–Moça, posso ver o cardápio? -Maura pedia sorridente.
–Ah não! Você sabia o que ia pedir!
–Mudei de ideia e agora não sei mais.
–Justo agora que é nossa vez?
–Demorou tanto que me confudi.
–Eu quero um que vem com brinquedo e batata Jane, e aquele negócio de morango. -Esquilo dizia olhando para Maura com um sorriso satisfeito adornando o rosto.
–Isso garoto! Decisão! Você ouviu o homem aqui atrás. Um infantil e sundae de morango.
Businas atrás de carro.
–Dá pra parar de buzinar! -Jane gritava- Ai Maur, já estão reclamando.
–É você que tá contagiando todo mundo com a sua impaciência. Demoramos meia hora esperando, eles podem esperar também.
–Mas a demora é na entrega, não no pedido.
–Então faz seu pedido enquanto descido o meu.
–Quero um cheeseburguer com double cheddar, double picles, uma soda grande, batata grande e sundae de morango.
–Creeeeedo!! Que pedido tosco! Nem servente de pedreiro come esse tanto.
–Ao menos fiz meu pedido.
–Vou te ignorar. Moça, tem um lanche light?
–Ah não Maura! Tem não! Escolhe outro.
–Como você sabe? Só pede calorias.
–Mas pelo menos eu peço. Parem de buzinar!
–Maura, pedi igual ao meu, ai me da o brinquedo. -uma voz infantil suplicava atrás.
–Viu? Até ele tem que te ajudar.
–E você fica incentivando ele a comer só porcaria, vai ficar igual você quanto crescer.
–Ao menos vai fazer o pedido rápido.
–Ai que horror! Precisa ser grossa?
–Eu que sou grossa?! Você ta enrolando a fila, correndo o risco de algum cliente vir aqui me bater, humilhou minha comida e eu que sou grossa?
–Ai que estress. Já escolhi o que vou querer.
–Aleluia. -Jane e Esquilo vibraram juntos.
–Ai mas vocês dois.
–Parem de buzinar! Então, fala pra moça Maur.
–Oi moça, eu quero o mesmo que ela, e pode cobrar um brinquedo à parte.
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Jane parou o carro de Maura em frente ao DP. Kikyo veio ao seu encontro dando bom dia a ela e a Maura que saia do carro .
–Vai voltar hoje Kikyo. -Maura dizia sorridente.
–Amanhã, tenho coisas a resolver no meu antigo departamento.
–Casos abertos, entendo. -Maura avistou um homem. e foi em sua direção às escadas.
Marcos correu ate a loira, abraçando-a forte e soltando logo em seguida envergonhado. Maura também ficou embaraçada com o gesto e olhou sem graça para Jane, um olhar furtivo.
Jane e Kikyo estavam encostadas no carro, olhos fixos em Maura sendo gentil com o homem de branco.
–Jane, eu tenho uma pá no meu carro se precisar.
–Ouvi falar que na água o corpo decompõe quatro vezes mais rápido.
–A lagoa é próxima daqui.
–Bem próxima, talvez haja algum atalho também. Você tem sonífero?
–Non, mas tenho um soco de direita que cala na hora.
Maura entrou no DP.
–Kikyo, vem comigo, precisamos conversar.
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As duas detetives entraram em um campo de bayseball.
–Sabe jogar Kikyo? -Jane passava a mão em uma das grades que protegiam o campo,olhos ao redor.
–Non sou boa em esportes. Fiz só um gol no futebol, mas meu time perdeu de 1x0 nesse dia. E no tênis ei sempre acerto a rede... ou o chon.
–Mas ouvi falar que você é boa em artes marciais.
Senkey sentou em um banco próximo ao gramado. -As pessoas falam demais.
–Também sou detetive Kikyo
–Eu sei.
–Estranho, acabei de saber que você foi indicada para sargento da narcóticos ano passado e recusou, e logo depois pediu transferência para a balística. Como alguém recusa uma promoção dessa?
–Sou uma garota simples.
–Garotas simples também tem contas.
Jane sentou ao lado de Senkey, seus olhos também percorreram o gramado. -Você já tinha uma carreira feita na narcóticos, é até famosa lá e depois foi pra balística, e até onde sei você ganhou prestigio lá. Então me diz, por que vir pra Homicídios? O que tem na homicídios que te interessa tanto?
–Gosto das pessoas daqui, elas tem uma boa vibe. -Kikyo olhou sorrindo para Jane, um sorriso que não encontrava os olhos.
'Ela está tentando fugir do assunto'.
–Kikyo, você tem treinamento militar, tem licença de atirador de elite, isso nem consta em sua ficha, tive que saber por outros meios, por que esconder isso? Eu nunca vi uma mulher com treinamento militar e nem com licença de elite.
–É só passar um tempo em Costa Rica.
–Exato! Você morou dois anos lá, dois anos treinando, por que? Pra depois vir pra Boston, entrar na policia subindo pra detetive e ficar pulando entre setores? Se quisesse você poderia ser tenente da Narcóticos agora. -Jane levantou as mãos e as abaixou frustada.
–Como você mesma disse, eu cresci lá, o que me impede de crescer aqui?
–Você não pretende crescer na Homicídios, já reparei que você é altruísta com seus créditos. O atentado que houve no tribunal você deixou todos os créditos para o Frank, e eu o conheço bem o bastante pra saber que foi você. Então volto a pergunta: por que logo aqui?
Kikyo ficou em silêncio. Jane colocou os cotovelos no joelho e encontrou as mãos, colando-as em forma de triângulo perto do rosto, o ar quente de sua boca passando por elas.
–Eu não te entendo.
–Há quebra cabeças que já vem faltando peça desde a fábrica, acho que sou um deles.
Jane soltou um riso de lado, a frustração estava cedendo lugar para a irritação.
–O cara que botou seu pai na cadeia ainda tá solto, ne? Matou sua mãe e culparam seu pai. Esse homem matou muitas pessoas, ele é um assassino frio e metódico, e assassinos assim raramente são pegos e nunca param de matar.
Senkey cerrou os pulsos e Jane sentiu-se vitoriosa por arrancar alguma emoção da asiática ao seu lado. -Soube também Kikyo que a sua testemunha que foi silenciada era a única que se apresentou contra ele, a sua testemunha. Corremos todos os dias atrás de assassinos -Jane soltou as mãos em cima das pernas — Em algum momento estaremos encurralados e iremos atirar por nossa defesa. Ou precisaremos de um sniper como precisamos ontem... sempre somos obrigados a matar algum assassino.
Kikyo permanecia em silêncio, olhos fixos no chão.
–Sabe Kikyo, gosto do meu trabalho, a homicídios é a única que da livre acesso as celas, então mesmo que eu não mate, posso prendê-lo e visitá-lo na cela.-Jane entrelaçou os dedos perto do rosto novamente, os cotovelos sustentando as mãos. -Eu também sou detetive Kikyo.
–Non há nada pra investigar.
–Não apoio o que você quer fazer, mas não vou atrapalhar. -Jane levantou-se- Só não esqueça de uma coisa... A raiva te faz vítima, e o mundo já está cheio delas.
Kikyo virou lentamente o rosto para Jane, os olhos a estudaram.
–Você tem o hábito de investigar todos os seus colegas de trabalho ou eu sou especial?
Apesar das palavras terem sido ditas em tom baixo, Jane viu o cintilar de aço nos olhos quase negros. Sim, a fúria estava lá, mas sobre controle e direcionada para uma única pessoa, a pessoa que visitava e assombrava os sonhos da asiática.
'Nós todos temos pesadelos, nós todos fomos marcados de alguma forma, mas algumas cicatrizes são mais aparentes que outras. E essa é a forma que ela vive com a dor, com as marcas... mascarando com risos e piadas, mas são só lágrimas de um palhaço.
O telefone de Kikyo tocou, era Korsak.
–Korsak achou ligaçon entre as vítimas, parece que ficarei de vigia hoje à noite.
–Já estou sentindo o cheiro do café
–E amanhã vamos ao lugar onde nossa Xena foi, aquele outro endereço do GPS.
–Então vou com vocês amanhã.
–Você non pode, e non é só pelo fato de estar suspensa. -Kikyo levantou, sentindo o cheiro de grama sintética.
–Tem algo há mais ai... o que está acontecendo?
–Algumas evidências sumiram... relatórios também
–Então temos alguém corrupto ou infiltrado... ou os dois. hum... chame a Maura, ela irá recolher alguma amostra se precisar e assim eu tenho uma desculpa para ir.
–Um passeio com uma amiga né. Enton vamos precisar do carro dela também.
–Também? Por que? Qual o outro?
–O meu! Você acha que eu vou em uma cidade cheia de gente bonita com aqueles carros horríveis da central? Nunca? E enton, viemos aqui pra jogar? Tenho que aproveitar meu dia atoa.
–Achei que você tivesse resolvendo seu caso na narcóticos.
–Meu chefe também acha, tomei meu café da manhã agora e quero gastar a energia daqueles muffies... E você errou em uma única coisa, eu non procuro vingança, procuro justiça, por isso ele ainda está vivo.
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Jane decidiu jantar na casa de Maura, mas avistou um carro na garagem, bateu no vidro do carro... de Frank que estava teclando distraído ao telefone
–Ei, por que você está aqui fora?
–A Maura me chamou pra ajudar ela em uma coisa, mas um homem apareceu. Não reparei ele, mas eles estão lá dentro há horas.
Jane olhou o relógio em seu pulso. -E você não podia ir lá dar uma olhada.
–Não sou igual você, não fico bisbilhotando.
–Tá, mando um beijo pra Kikyo ai então.
–Como você sabe que estou teclando com ela.
Mas Jane não respondeu, seguiu silenciosa para a entrada, na esperança de ver alguma coisa pelo vidro lateral da porta. Aquilo seria bisbilhotar e Maura daria uma repreensão se descobri-se, mas ela não iria descobrir, Jane pensou.
Chegou sorrateira a porta porém não conseguiu ver nada, deu a volta até a cozinha fazendo uma nota mental que teria que aumentar a segurança daquele lugar.
A imagem que viu pela janela fez seu coração bater acelerado. Maura estava sentada à mesa dividindo um Xerex com... Jack?
'Não, não pode ser o Jack, não ele'
A cena pareceria simples a um observador casual, pois eram apenas dois velhos amigos dividindo uma bebida. Mas ela não era um observador casual, ela esteve presente nas noites em que Maura chorou por ele, por noites inteiras Jane teve que suportar em silêncio a dor nos olhos da amiga, uma dor que atingia a ela também.
A morena retornou a garagem batendo novamente no vidro do carro.
–Quando ela terminar, avisa que amanhã sairemos às 6 e não é pra falar pra ninguém.
–Por que você mesma não fala?
–Por que ela está ocupada demais e eu vou pra vigília com a Senkey.
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