Notas iniciais
Obrigada pelos comentários. Esse cap é um pouco mais leve, só uma ponte para o próximo que não será assim tão leve

Maura acordou com o corpo dolorido, mesmo após 9 horas de sono ainda sentia que não havia dormido o bastante. Lembranças da noite anterior invadiram sua mente, conseguia sentir novamente seu corpo tomado pelo medo. Sentou na cama e passou as mãos pelos cabelos tentando se livrar dos pensamentos que não paravam de perturbar,
Tomou banho com a porta do banheiro aberta, a porta do quarto trancada e a janela fechada. Pensou em comprar cadeados e mais trancas.

Foi isso que me tornei? Uma refém do medo? Estou igual as pessoas que vejo todos os dias no trabalho.

Um barulho na sala a fez terminar o banho rápido. Sabia que eram os técnicos instalando o sistema de alarme junto com Kikyou, mas mesmo assim a mente gostava de pregar peças.

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Maura estacionou o carro e reparou que havia um menino sentado na escadaria do DP, e logo o reconheceu.

–Oi rapazinho! -disse se abaixando ao lado dele, gostava de conversar olhando nos olhos das crianças.
–Oi moça bonita. Jane ainda não voltou?

Maura reparou que o garoto estava com o rosto machucado, um olho tão inchado que não conseguia abri-lo.

–Ela volta hoje.
–Sério?! -o menino se levantou, feliz levou a mão suja de terra na boca. Por impulso Maura puxou a mão do garoto, retirando-a da boca.
–Suas mãos estão sujas. Não ponha na boca.
–Por que? -Maura respirou um pouco pensando em como explicaria para um menino tão pequeno os males que os germes proporcionam.
–Porque tem bichinhos na sua mão que vão tudo pra sua barriguinha, e vão te fazer passar mal. Por isso é bom lavar as mãos, os bichinhos vão tudo embora na água.

O menino agora olhava para Maura com olhos assustados. Olhou para as próprias mãos e parecia ter medo delas.
Maura observava a cena e segurava um riso, ele parecia ser doce e muito impressionável. Sentou nas escadas, ao lado do menino.

–O que aconteceu com o seu rosto? — o menino a olhou em silêncio, como se estivesse estudando a loira. -Se você não quiser me falar tudo bem.

O garoto abriu um sorriso que chegou até os olhos e Maura pode ver seu dente quebrado recentemente,
–Por que você está rindo rapazinho? Não te perguntei nada demais.
O menino sentou novamente, ainda sorria para Maura.
–Você quer comer alguma coisa rapazinho?
–Jane sempre me dá cheeseburger e sundae.

Por isso ela comprou dois hamburgues e 3 sundaes aquele dia, foi pra você... e agora consigo perceber perfeitamente porque, também quero fazer o mesmo.


–Não é muito saudável, mas entra, vou te dar um. -Maura se levantou e foi subindo as escadas, parou ao perceber que não estava sendo seguida. Voltou se abaixando novamente.
–O que foi? Está com medo de entrar?
–Eu não tenho medo! -o menino protestou erguendo o queixo. -Mas tem policia lá dentro, e se eles me prenderem?

Colocou os dedos na boca por reflexo de medo e retirou rápido, cuspindo e limpando com a blusa mais suja que a mão. Maura riu do desespero do garoto.
–Olha, a Jane é policial e ela não te prendeu, né? -A loira percebeu que o menino ainda estava com medo pela forma como olhava para ela, ponderando uma escolha,

–Rapazinho, vou te contar um segredo, mas não pode falar com ninguém, ta bom? -o menino apenas balançou a cabeça em afirmativa, olhos fixos em Maura.

–Sabe, ontem um homem mal invadiu minha casa e agora eu tô com medo de ficar sozinha, tô com medo até de entrar ali sozinha. -a loira aguardou paciente alguma reação do menino que parecia surpreso intercalando o olhar entre ela e o DP.
–Não sabia que gente grande tinha medo.
–Sim, temos também. E agora é isso que estou sentindo.

O menino levantou a cabeça, enquadrou os ombros, e pegou na mão da Maura, puxando-a pela escada.
–Vamos! vou te proteger;

Maura sorriu acompanhando seu protetor escada acima. Não se importou com as mãos sujas, não se importou em não conhecer o garoto, ele era amigo de Jane e ela sabia o quanto a morena era uma boa julgadora de caráter.

Acho que estou começando a compreender porque a Jane gosta desse rapazinho.

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–Pronto! Lavei as mãos. -o menino levantou as mãos, dessa vez limpas, ele ria como uma típica criança feliz e Maura começou a gostar desse som.
–Isso mesmo. Mãos limpinhas.
–Agora sem bichinhos, eles não vão me fazer mal.
–Isso mesmo, aprendeu rápido. -Maura queria levar o garoto ao laboratório e mostrar no microscópio tudo sobre o Reino Monera, mas não podia. Mal o conhecia, não era nada dele, mas já estava se afeiçoando.
–Já pedi seu cheeseburger com fritas e um milkshake porque aqui não tem sundae, tá bom?
–É de morando? -o menino se sentava com dificuldade na cadeira alta demais para sua altura, grande demais para seu corpo pequeno e magro.
–Sim, pedi de morango porque é o sabor preferido da Jane e imaginei que você gostasse desse também.
–Sabia que morango é uma fruta híbrido?
–Sério? -Maura fingia surpresa, mas estava realmente surpresa em como uma palavra como essa estava no vocabulário de alguém tão jovem. -E você sabe o que é uma fruta híbrida?
–Não. -o pedido chegou e ambos ficaram em silêncio aguardando enquanto a garçonete colocava as bandejas sobre a mesa.

O menino se alimentava com voracidade, Maura observava as cicatrizes que ele possuía nas mãos, as marcas no rosto, os inchaços e por um instante teve vontade de chorar, talvez estivesse deprimida demais, mas imaginar o que aquele menino estava passando a machucava por dentro.
–Toma. Pega a batata, até agora você não comeu nada. -o menino estava com uma batata na mão, oferendo à loira que pegou surpresa.

Ele não tem muito, ou talvez não tenha nada, e mesmo assim quer dividir o lanche ganhado comigo? Eu posso comprar, por que ele está se preocupando comigo?

–Você quer um remédio pra aliviar a dor rapazinho? -Maura revirava a bolsa a procura de algum analgésico ou inflamatório.
–Vai me fazer mal? -o menino tentava alcançar seu canudinho, que parecia alto demais.
–Prometo que não, vai aliviar o desconforto que você está sentindo. -Maura abaixou o canudinho, enfiando-o mais no copo. -Assim você vai se sentir bem pra brincar com Jane quando ela voltar.
–Então eu quero!

Maura partiu o comprimido entregando metade para o garoto, que tomou junto com o milkshake.
–Olha, essa outra metade você vai tomar antes de dormir.
–Seu medo acabou? -Perguntava o menino lambendo o queijo dos dedos, boca suja de molho.
–Sim, você está me defendendo, aí não tenho medo de nada. -A loira pegou um guardanapo e limpou a boca do menino que deixou, fazendo um sorriso depois.

–Você cuida de mim igual minha mãe. -o menino voltou para o canudinho, um sorriso ainda no rosto.
–E cade sua mãe?
–Não sei, meu pai não fala dela. -o menino terminava a batata, afastando o hambúrguer devorado de lado.
–Qual seu nome rapazinho?
–Não sei, mas minha mãe me chamava de esquilinho. Então acho que sou esquilo.
–Hum, então senhor esquilo, o senhor está satisfeito?
–Barriga cheia. -Disse danto pequenos e leves tapas na própria barriga. Maura sorriu.
–E então? O que é uma fruta híbrida? -disse colocando o queixo sobre as mãos, olhos curiosos por uma resposta.

–Maura? -Thommy se aproximou da mesa, TJ nos braços.
Maura levantou e o abraçou. Ao se soltar foi apresentar o "esquilo", mas ele não estava mais lá. Havia sumido junto com seu copo de milkshake.
–Você já está trabalhando? Depois do que aconteceu ontem? você tá bem né?
–Hoje não trabalho, me dei folga, vim para ir buscar a Jane com o pessoal. -disse já pegando TJ no colo. -Mas infelizmente eles foram chamados, homicídios não dão folga.

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Jane vestiu sua roupa, não sentiria falta do macacão laranja e não tinha a pretensão de vesti-lo tão cedo.
Passou pelo corredor acompanhada por um oficial, pela janela via o sol se pondo, a visão nebliou os olhos.

Só damos valor a liberdade quando sentimos o frio de uma cela, chega de frio, quero só calor agora. O calor de um abraço

Mais uma grade foi aberta e ela entrou na última sala sozinha, o oficial ficou para trás. Andou devagar receosa, e avistou Kikyou a sua espera, sentada em uma cadeira e a imagem a entristeceu. Esperava por mais pessoas, e justificou a falta dos outros a atribuindo ao trabalho. Kikyou se aproximou lhe dando um abraço apertado.
–Sei que amou suas férias, e imagino o quanto deve estar sendo dolorido voltar pro mundo aqui de fora, mas pode tirar essa cara de cachorro que caiu do caminhon de mudança que todos eston te esperando lá fora.
Jane abriu um sorriso. -Por que não entraram?
–Sua mãe brigou com um guarda e quase que ela encontraria com você aí dentro. Deixaram só um entrar e eu entrei porque queria te entregar isso. -Kikyou tirou um corretivo e uma base do bolso.
–O resto da maquiagem ficou na outra calça, né? -Jane pegou os produtos.
–Sabe como é, gosto delas mais justas, ai non caberiam
–Obrigada, você é muito gentil
–Eles já eston muito preocupados, non precisam ver o reflexo da prison no seu rosto ne.
–Maura veio também?

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Ao passar pela porta viu o sol acabando de se pôr alaranjado atrás das nuvens e viu sua mãe correndo ao seu encontro, a abraçando com força.
–Ma, você vai quebrar meus ossos, afrouxa ai.

Korsak foi o segundo abraço, depois Nina que a abraçou com delicadeza.
Susie a abraçou em um pulo, agarrando seu pescoço, fazendo Jane quase se desequilibrar.
Tommy a abraçou com TJ, durante o abraço Jane avistou Frankie receoso.
–Ah vem por abraço também seu bobão. -e os três fecharam o abraço, fortalecendo o laço entre os irmãos. TJ chorou fazendo o abraço acabar e então Jane avistou Maura, sentiu o coração bater mais forte, a loira tinha lágrimas nos olhos e veio em sua direção.

–Senti tanto sua falta Maur. Até assistiria filmes legendados com você agora sem reclamar. -as duas se abraçaram.
Uma lágrima caiu dos olhos de Jane que apertou mais forte a loira, como se estivesse segurando todo o seu mundo naquele único abraço.

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A comemoração foi no apê de Frankie.
Korsak tocava seu violão enquanto Angela estava abraçada com TJ em uma cadeira. Tommy estava no sofá quase em cima de Kikyou, que parecia estar mais interessada no assunto de Frankie ao seu lado. Susie e Nina conversavam empolgadas sobre imagens computacionais.

Jane observava toda a cena sentada na poltrona, garrafa de cerveja na mão, Maura estava ao seu lado de pernas cruzadas no braço da poltrona, Jane a admirava bebendo sua taça. Agora não havia medo nem receio entre elas. Sim, elas teriam que conversar sobre aquilo, mas não ali, não durante aquele momento que parecia tão familiar.

Korsak começou uma nova música e todos começaram a cantar juntos.
Maura trocava sorrisos com Jane, a cumplicidade entre elas estavam maior que antes, era um caminho sem volta, e nenhuma delas pareciam querer voltar.

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Todos se despediram e foram em direção ao carro. Só restavam poucos carros. Kikyou conversava empolgada com Susie e Nina enquanto Jane levava Maura até o carro.
–Tem certeza que não quer ir pra minha casa detetive? -Maura dizia se aproximando da morena
–Maur, preciso urgente de um banho e de uma cama. -Jane encostava no carro ficando de frente a loira.
–Você pode encontrar isso tudo na minha casa também.
–Sim, mas você vai querer ficar falando e falando. E eu estou muito cansada, realmente vou só desmaiar na cama.
–Então me deixa te dar carona até sua casa?
–Vou com a Kikyou, temos que conversar algumas coisas -Maura olhou desconfiada.
–Achei que tivesse sentido minha falta, porque eu senti a sua. Me incomoda te ter só nos meus pensamentos.

Jane puxou Maura pela cintura, colando os corpos e as bocas.
–Hum, o que foi isso? -Maura perguntou passando os braços ao redor do pescoço de Jane que ainda a segurava pela cintura.
–Você usou o tempo errado, eu não senti sua falta, eu estou sentindo sua falta. É no presente, não no passado.
–Então vamos pra minha casa.
–Hoje não. Mas prometo que vou amanhã. -Mais um beijo que dessa vez ganhou força, quase o equivalente a saudade que sentiam.

Se afastaram quando as risadas se aproximaram.
–Já estamos indo meninas. Obrigada pela noite. -Nina abraçou as duas
–Obrigada você Nina, e você está sempre convidada para essas nossas happy hour. -Nina foi em direção ao carro, sorridente pela noite.

–Ah lembrei doutora! -Susie se aproximou de Maura. -Marcos pediu desculpas e queria saber se você vai despedi-lo.
–Ele não trabalha pra mim Susie, ele é do laboratório.
–Por que você poderia despedi-lo Maur? -Jane se aproximou desconfiada.
–É que ele beijou a Maura, nem foi trabalhar hoje. Acho que estava com vergonha.-Susie disse rápido, atropelando as palavras.
–Ai tocou na ferida. -Kikyou se afastou um pouco prevendo a reação de Jane. -E enton, aquele hippie é chato, non?
–Gosto dele, ele é simpático e super gentil. E tirando aquela barba horrível até que ele é bem bonito.
–Você non está ajudando Susie.

Maura reparou Jane cerrando os pulsos, semblante pesado.
–Vamos Kikyou. -Jane se virou indo em direção ao carro.
Maura abriu a porta do próprio carro e sentou no banco, mãos na cabeça, porta ainda aberta.
–Desculpa, falei alguma coisa que não devia? Não aconteceu nada demais, foi só um beijo e roubado ainda.
–Tudo bem Susie, preocupa não.
–Tem certeza?
–Sim, tenho. Sentirei sua falta, vamos marcar alguma coisa.

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Maura acordou com seu telefone chamando. Mais um caso a tirava da cama logo pela manhã.
Em menos de uma hora já estava no local. Kikyou veio ao seu encontro.
–Mais um caso de suicídio doutora. Exatamente igual ao de ontem, deve ser alguma nova moda.
–De ontem foi suicídio? -Maura colocava as luvas, ambas entraram no galpão.
–Sim, uma mulher num galpon abandonado, hoje é um homem em um restaurante abandonado. Pessoas adoram coisas abandonadas, né? Sou diferente, quando falam que é abandonado já penso em fantasmas e passo longe.
Maura riu. -Acredita em fantasmas detetive?
–Non,mas non sou eu que vou provar se eles existem ou nom né.

Chegaram próximo ao corpo que estava sobre uma poça grande de sangue.
–Essa não é uma cena comum de suicídio. -Maura se abaixou perto do corpo.
–Acha que foi forjado.
–Só saberei após a autópsia. A mulher ontem também estava nessa posição Kikyou?
–Tava. Algo estranho?
–Essa posição, parece que ele estava de joelhos, é anormal alguém se suicidar de joelhos. Não sei explicar, meus olhos viram alguma coisa errada aqui, mas parece que meu cérebro não identificou ainda.
–A senhora é complicada.
–Quero fotos e a autopsia do corpo de ontem, se ainda não tiverem liberado quero o corpo de ontem também. E eu declaro essa morte suspeita e necessita de avaliação pericial.

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Kikyou parou em frente ao seu carro quando escutou o barulho de uma porta de carro sendo aberta.
–Kikyou, -Maura estava ao seu lado, olhos curiosos, bochechas rosadas de vergonha. -A Jane estava muito brava ontem?
–No começo sim, mas depois non. Doutora, a senhora arriscou seu cargo por ela, acha mesmo que ela iria pensar que a senhora non a queria? Ainda mais por algo ton bobo.
–Isso me passou pela cabeça.
–Relaxa. -Senkey abriu a porta do carro. -Se ela tivesse pensado isso eu bateria nela até ela aprender a ser mulher. Non tenho paciência com mimimi.
–Pessoas são complicadas, ainda mais quando envolve ciúmes.
–E por falar em ciúmes, aconselho aquele hippie a andar com seguranças por um tempo, só uma dica. -Senkey entrou no carro.
–Kikyou, onde ela está?
–Foi visitar um amigo, e acho que vai passar o dia com ele, ela estava cheia de planos quando a deixei na casa dela ontem.

Esquilo, ela está com o esquilo.

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Jane ouviu batidas na porta, e foi abri-la, ainda terminando de fechar a blusa. Olhou pelo Olho mágico e decidiu não terminar de fechar a blusa.
–Oi Maur. -Jane abria a porta com um sorriso. -Estava me arrumando pra ir à sua casa.
–É assim que você atende a porta? Com essa blusa aberta, consigo ver seu top muito bem.
–Eu sabia que era você, então não tem problema.
Maura mordeu o canto do lábio inferior descendo e subindo lentamente os olhos pelo corpo da morena que ficou um pouco tímida.
–Trouxe pizza, espero que tenha um bom vinho. -Disse entrando no apartamento indo em direção ao balcão.
–Pra você sempre tenho os melhores, mesmo que custe uma segunda hipoteca.
–Exagerada... O que é isso aqui?
–Isso o que?
–Essa cesta enorme cheia de coisas. -Jane se aproximou da loira que estava com as duas mãos na cintura
–Ah, isso? Foi um presente. Foi lá do DP.
–Que fofo. Quem te deu?
–Nem sei, nem li o cartão.
–E cade o cartão?
–Deve estar em algum canto por aí. -Jane pegou um vinho o abrindo com o saca rolhas.
–Aposto que foi aquela policial novata que fica pegando café pra você.
–A Dani? Imagina. Ela só pega porque sabe que gosto de café.
–Mas toda hora?
–Eu gosto de muito café. -Jane encheu duas taças.
–Se não foi ela foi outra.
–Menos Maur, pode ter sido algum colega, qualquer um.
–Qualquer um? Olha essa cesta! Está cheia de salgadinhos, café instantâneo, Martini, potes de picles, atum enlatado e cerveja.
–E dai?
–É tudo que você gosta, logo essa pessoa te conhece bem.
–Ah Maur, até quem me vê na fila do banco sabe que eu gosto de cerveja.
–E acertou que você ama picles?
–Custa acreditar em acasos? coincidências? sorte?
–Hum, faltou só uma bola autografada por algum jogador de basebol.
–Então essa pessoa não me conhece tão bem.
–Aposto que você escondeu o cartão. Assim eu não duvidaria de ninguém.
–Mas já não está fazendo isso do mesmo jeito? Alias, você ainda não me explicou sobre aquele beijo lá.
–Ah, aquilo não foi nada. -Maura pegou a taça, sentando no sofá.
–Pra mim foi muito. -Jane sentou ao lado dela, colocando a caixa de pizza sobre a mesa de centro.
–Jane...
–Já posso encomendar o caixão dele? -Jane encostou no sofá passando o braço pelos ombros de Maura, a trazendo para mais perto do seu corpo.
–Não é pra tanto. Ele só confundiu as coisas. Mas conversei com ele. -Maura retirou o sapato colocando os pés no sofá, se aninhando melhor ao corpo da morena que a abraçava, o calor trazia conforto e proteção.
–Jane, fecha essa blusa.

Notas finais
Comentários, criticas, dicas, etc São bem vindos E está sendo incrivel como todos estão gostando tanto da Kikyou Senkey