Apenas um sussuro
9 Café da manhã
Notas iniciais
Jane estava vestida um macacão laranja enquanto era empurrada por um guarda alto, parecia um urso, uma figura ameaçadora que apertava seu braço a ponto de latejar. O corredor por onde andavam era estreito e escuro a ponto de não destinguir um palmo a frente. Gritos de dor e uivos humanos faziam seu coração disparar enquanto ecoavam ao seu redor, ela estava com medo.
O guarda abriu uma cela e retirou as algemas apertadas, Jane pensou em correr, mas seus pés não se moviam, eram pesados demais, membros adormecidos pelo medo. O guarda a empurrou para a cela negra enquanto gargalhava e Jane ouviu o som do metal contra metal, então um rosto conhecido surgiu da escuridão encarando-a, aguardando ansioso por ela com seu bisturi em mão, seu cheiro fez o estomago de Jane enjoar...
Jane acordou com o coração acelerado, as mãos suavam, por impulso olhou ao redor procurando o rosto que a assustara, o rosto de Hoit, enquanto esvaíam os últimos vestigios do pesadelo. Os pesadelos não tinham melhorado, e ela receava falar a respeito com alguém, revelar fragilidade era incomodo demais, e era um lado da sua personalidade que ela não desejava compartlhar.
Esfregou os olhos e então notou que ao seu lado repousava uma figura que lhe trouxe paz. Maura dormir de bruços, uma mecha loura subia e descia de seu rosto impulsionada pela respiração. A cena fez um sorriso brotar dos lábios de Jane que com cuidado retirou a mecha do rosto fazendo a loira franzir o nariz com cocegas ao sentir os fios passando por ele. Jane achou que aquela cena definitivamente era fofa, e ficou ali observando a mulher dormir e sem perceber estava coçando suas cicatrizes, terá sido o sonho um aviso, um mal presságio?
Um celular vibrou sobre o criado mudo, e Jane em um impulso o agarrou, levantando com cuidado da cama, fechando a porta logo em seguida ao sair do quarto. Olhou o visor e pensou duas vezes se seria correto atender um celular que não era seu.
–Celular da doutora Isles... Oi Marcos, tudo bem? -a voz vibrou mais falsa do que ela desejava e ela mal reconheceu a própria voz que estava emitindo. -Claro, aviso sim, algo mais?
Ela desligou se perguntando se seria infantilidade bloquear aquele número, e para fugir a tentação decidiu ir fazer o café.
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Maura acordou lentanmente sentindo o cheiro de Jane no edredon. Respirou fundo antes de abrir os olhos, a cama estava extraordinariamente confortável, trazendo a Maura aquela típica preguiça matinal. Enquanto se espreguiçava sentiu o aroma de café recém passado -do seu café- vindo da cozinha e se surpreendeu ao sentir aquele aroma ali, na casa de uma mulher que só optava pelo café instatâneo, da pressa. Essa era a deixa para ir tomar banho e se arrumar.
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Maura entrou sorrateira na cozinha, não queria chamar a atenção da morena que estava distraida lavando as vasilhas da pia, ou melhor, a bagunça da pia. Vasilhas lambuzadas com um liquido de cor indefinida ficavam limpos e brilhantes. -Até que ela tem um lado dona de casa... quando quer.
Maura ficou admirada com o balcão arrumado, adornado com um vaso com flores brancas, e ela sentou perto desse buque, aspirando o cheiro agridoce. Jane sentiu ser vigiada e virou com um sorriso nos lábios, dando a volta pelo balcão e dando um calmo beijo nos lábios da mulher que estava admirando todos aqueles gestos... a primeira fase de um namoro realmente é a melhor, a vontade de agradar sempre à frente. Outro beijo calmo e Maura pode sentir o gosto de café orgânico naqueles lábios viciantes, beijo com gosto de café.
–Bom dia doutora
–Bom dia detetive, gostou do café?.
–Até que não é ruim
–Assuma que as coisas que eu gosto estão te conquistando.
–As coisas que eu gosto te conquistam mais. A moça do Drive Tru já está te chamando pelo nome.
–Não exagera. -Maura pegou a xícara que lhe era oferecida.- Amei esse preparo do café da manhã
–Tentei fazer panqueca, mas o resultado não foi muito legal. -Maura se lembrou da meleca na pia que Jane lavava e deduziu que aquilo poderia ser qualquer coisa, menos panqueca. -Ai decidi sair pra comprar nosso café. Passei no Wall Mart e essa cafeteira linda olhou pra mim, então após a nossa troca íntima de olhares eu trouxe ela para os dias que você estiver aqui.
–Eu sempre venho aqui e você nunca se importou com café especial pra mim antes.
–Agora é diferente. -Jane tomou um gole generoso do seu café, envergonhada pela frase que disse.
Maura também deciciu beber seu café, o rosto queimava, ambas sabiam o que queriam, mas a tímidez não deixavam avançar para o próximo passo.
Jane colocou uma cesta com croassants próximo a Maura que resistiu à tentação dos amanteigados que ela tinha certeza que iriam derreter em sua boca de tão saborosos. Calorias a essa hora eram inaprópriadas.
Jane decidiu cortar o silêncio
–han, Marcos, han, ligou pra você. O outro corpo que você pediu não foi liberado, então ainda está lá no freezer. -Maura olhava assustada, a xícara parada perto da boca.
–E ele, ele... quer dizer, ele ainda...
–Ele ainda tá respirando, relaxa. Fui até educada com ele.
–Estou orgulhosa... e assustada
–Maura, por que você pediu um corpo já autopsiado?
–Só estou querendo ver com os meus próprios olhos. "auto" que vem do grego e significa próprio e "opsis" que significa ver, então estou apenas seguindo a semântica e "vendo com meus olhos".
–Tradução: sexto sentido.
–Não, só estou montando um teoria.
–Maura, você declarou morte suspeita para... pelo que me falaram, ser claramente suícidio, com certeza é sexto sentido.
Maura tomou mais um gole do seu café, não estava disposta a uma discursão sobre existir ou não o sexto sentindo tão cedo, isso ficaria para mais tarde. No momento ela queria curtir aquele momento, o cheiro dos lençóis, o balcão arrumado, o beijo com gosto de café.
Maura foi surpreendida com o abraço por trás, ela não viu a morena dando a volta pelo balcão, não sentiu se aproximando, mas gostou daquele momento, o calor da outra a esquentava de uma forma prazerosa, o cheiro de banho a incentivando a intimidade, a dar o próximo passo.
–Dormiu bem meu amor? -as últimas palavras não passaram despercebidas pela loira, nem a voz tão próxima ao ouvido a ponto dela sentir o hálito quente.
–Sim, ótima. Na verdade apaguei.
–Notei, mal entramos no quarto, eu ainda conversava com você quando eu entrei no banheiro pra tomar banho e quando saí você estava no quinto sono.
Maura riu baixo, as bochechas coradas. -Não estava tendo uma boa noite de sono nesses últimos dias.- ficou implicito o que ela queria dizer "você não estava para velar meu sono meu amor."
–Você podia ter me acordado Jane.
–Você parecia dormir tão tranquila, não queria incomodar.
Um beijo dado no pescoço, próximo a nuca fez Maura sentir uma onda de arrepio correr pelo corpo.
–Hum, isso foi inesperado.
–Foi ruim?
–Não, só me pegou de surpresa, não estava esperando.
–Acho que esse é o próximo passo.
Maura virou lentamente seu rosto,, encontrando os lábios da morena. Mais um beijo com gosto de café... Gosto de café orgânico. A loira rodou na cadeira, enlaçando os ombros da morena enquanto ficava de pé, os corpos se encaixando no ritmo que começava lento.
–Você tem que chegar cedo hoje Maur? -Jane falava rente aos lábios, uma mão firme na cintura da loira, afastando o espaço.
–Minha primeira autopsia será às dez.
Jane agarrou a cintura com mais força, o beijo ficando mais intenso fazendo ambas perderem rápido o folêgo, a tímidez dando lugar a excitação. Mãos desceram um pouco, agarrando as coxas enquanto a loira era suspensa, sendo sentada no balcão logo em seguida.
A excitação abrindo lugar para o desejo. Pernas enlaçavam a cintura da morena, enquanto mãos retiravam a camiseta vermelha atirando-a ao chão, um top branco e um abdomem foram revelados. Maura parou o beijo, correndo as mãos pelo abdomem definido, seus olhos seguindo o movimento, sentindo cada detalhe da pele que começava a suar. Essa mesma pele arrepiou-se ao contato com lábios molhados, a respiração quente intercalando os intervalos, mas a caminhada foi parada ao pedido da voz rouca que exigia mais beijos. Unhas ganharam vida indo às costas, passando pelos ombros, puxando, arranhado, explorando...
Jane intensificava o beijo e intercalava entre mordidas nos labios, descendo as vezes para a linha do queixo. Uma mão descia o ziper lateral do vestido azul, mãos deslizavam pela fenda.
Cabelos loiros foram afastados enquanto o pescoço recebia mordidas e leves chupões.
–Por favor, não deixe marcas hoje, não trouxe meu corretivo.
–Que pena, era uma boa forma de mostrar que você não está disponivel.
–Não preciso de marcas pra provar isso, eu já sou sua, só sua. -Jane sentiu uma dor prazerosa em seu ventre, um vestido foi tirado, beijos explorando a pele descoberta.
–Vamos pro quarto Jane. -Maura sussurrava lambendo os lábios.
–Não, agora não. Quero sentir seu sabor agora. -Maura soltou um gemido alto ao sentir uma abocanhada em seu seio através do sutia,.
Respirar era tarefa ardúa enquanto a morena descia para o abdomem, mãos brincando com o elástico da calcinha, peça essa que a loira implorava mentalmente para ser tirada. Sentiu a peça ser lentamente retirada, assim como seu sutiã, duas mãos a puxaram para frente, seu centro indo ao encontro de uma boca sedenta. A loira soltou um gemido com o toque surpresa, e lentamente seu quadril começou um ritmo próprio, como se dançasse uma música romântinca.
Pensamentos desconexos passavam por sua mente, a delícia de se entregar nunca foi tão satisfatória. Uma mão se perdia em cachos negros, a outra massageava o próprio seio. Mordia o lábio inferior enquanto sentia mãos a puxando ao encontro da boca que não parava, que parecia experimentar o sorvete mais gostoso.
Maura sentiu dois dedos a penetrarem, ritmos diversos, movimentos ritmados estavam criando uma onda em seu ventre, a fazendo agarrar firme a beirada do balcão.
Boca e dedos, desejo e amor. Gemidos sairam sem controle da sua boca e ecoavam pelas paredes da cozinha, mãos sendo seu único apoio, o ritmo do quadril acelerado. O café esfriava do outro lado do balcão, o calor emanava do lado oposto. A loira apertava firme as mãos no balcão, o suor descendo pelo seu abdomem, sentia um pulsar delirante..
O pulsar aumentou, dando origem a uma onda forte, como um tsunami interno, fazendo seu corpo tremer satisfeito.
Jane levantou, colando os corpos novamente, as respirações descompassadas.
–Agora podemos ir pro quarto Maur. -um sorriso satisfeito nos lábios.
–Tem certeza que nunca fez isso antes? -as palavras foram ditas através de uma respiração quase escassa.
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–Ela non está atendendo Korsak? -Kikyou estava com os braços cruzados, olhar sério para o homem ao seu lado.
–Não, já é a segunda vez que tentam ligar para ela e ela não antende. Eu mesmo vou ligar. -dizia o homem olhando frustrado para o celular em suas mãos.
–Non, liga pra Jane, se ela também non atender, chamamos outro legista.
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Jane estava suada deitada de costas em sua cama, os lençóis bagunçados jaziam ao chão, espamos ainda percorriam por seu corpo enquanto Maura deitava satisfeita ao seu lado.
–Estou feliz Maur, muito feliz.
–Eu também, você não imagina o quanto. E isso me assusta um pouco sabe, porque felicidade é momentânia demais.
–Você acha que isso entre a gente é momentâneo. -a pergunta assim, feita de forma direta pegou Maura de surpresa, fazendo as palavras sumirem de sua boca.
–Não, é que quando o nosso nível de oxitonina e dopamina diminuírem vamos ver as coisas com mais clareza. -o refugio na ciência era mais confortável.
–Então você está com medo? Te conheço tempo o suficiente pra perceber suas respostas vazias, cheias de informações, mas vazias.
–Eu tô com medo Jane, é isso. Medo da gente descobrir que tudo foi um erro, de outro alguém aparecer, medo da gente se afastar por isso, sermos duas estranhas. Porque relacionamentos são assim, num dia tudo é tão forte, e no outro quando termina, são só estranhos que dividiram o lençól.
–Maura pára. Pára de tentar analizar tudo, tentar explicar tudo com química, física, matemática ou qualquer coisa que os estudos falarem. Somos mais que isso, somo mais que simples equações, mais que hormônios. Somos nós que fazemos nossa felicidade.
Maura estava de bruços, estudando o travesseiro com a fronha amarrotada a sua frente. -Então o que vai ser agora? Eu não sei o que vai mudar.
Jane a olhava em silêncio e poderia dizer só de olhar a luta interna que a loira travava, as perguntas sem respostas...
–Maur, olha pra mim, nada vai mudar, ok? Nada precisa mudar. A única diferença agora é que se alguém tentar te beijar de novo eu mato.
Tô falando sério Jane.
–E você acha que eu tô brincando?
Maura deu um sorriso de lado e virou, ficando de frente para a Jane, uma mão passeava no tórax da morena e Maura assustou-se ao perceber o quanto aquele gesto simples era tão natural agora.
Jane olhava carinhosamente o gesto que recebia,
–Olha, eu sei que você tem milhares de perguntas e ainda vai criar teorias, ler livros a respeito e tudo mais, mas quero que você não se preocupe, tá? Vai dar tudo certo. -Jane virou-se para Maura, agora os olhos se conectavam completamente e um sorriso brotou em ambos os lábios.
–Maur, você não é apenas um desejo, uma carência ou uma curiosidade, você é o que eu quero pra minha vida. Eu não vou levantar nenhuma bandeira, não vou gritar nas ruas porque isso que eu sinto é tão natural que não preciso esbravejar, quero apenas viver esse sentimento com você, porque sei que ele não vai me limitar e nem me mudar, irá apenas me fazer uma pessoa melhor, coisa que você já fez, você me fez uma pessoa melhor. Eu só quero ser a sua Jane e você a minha Maura, entende? Então nada vai mudar.
Jane passou uma mecha loira para trás, os olhos acompanhando o movimento e deslizou os dedos até a bochecha macia.
–Talvez você não acredite Maur, mas é você que eu quero.
–Mesmo com minha boca de wikipedia?
–Até com ela e também com suas manias estranhas, mesmo que seja irritante ás vezes, tudo isso faz parte de você... sei lá, mesmo que eu pudesse criar alguém perfeito pra mim, tenho certeza que seria você, não é tão fácil me aguentar assim.
–Ainda bem que você sabe.
–Nossa Maur, podia me dar um desconto né, falar "nem tanto, você é muito agradável" ou coisa assim.
–Tenho mesmo que mentir?
Jane olhou sério para Maura, um olhar fixo.
–Por que você tá me olhando assim? Falei algo demais?
Jane deu selinho calmo nos lábios de Maura que sorriu docemente.
–Eu posso me acostumar com isso.
–Também. Jane, eu sempre me perguntei como acabaria, como seria pra gente. Tantos homens maravilhosos passaram em nossas vidas com a certeza que ficariam, mas sempre foram embora no final do dia, restanto só nos duas brindando em um bar, ou lá em casa.
–É o destino.
–Você sabe que não acredito em destino. Em acasos paralelos com um único propósito.
Jane entrelaçou seus dedos nos dedos de Maura, dois pares de olhos acompanharam o movimento.
–Somos loucas né Maur? Como não percebemos isso tudo antes?
–As vezes o medo de arriscar nos impede de fazer as coisas. Mas eu sei que estou plena das minhas faculdades mentais, você que parece não bater bem.
–Por que?
–Você quer mesmo que eu responda?
–Quero.
–Atirando em você, levando tiro a toda hora, pulando de ponte...
–Mas você não esquece dessas coisas mesmo heim. Já falei que isso é trabalho
–O que me entristece e não me deixa esquecer é que sei que você faria tudo de novo, e isso me assusta um pouco.
Jane olhava para Maura novamente, um sorriso nascendo nos lábios.
–Talvez pular de uma ponte não, ainda tenho pesadelos com isso, mas definitivamente eu levaria um tiro por você, sendo pelas minhas mãos ou não.
–Mas é isso que eu não quero Jane, quero você aqui comigo, poder acordar todo dia assim com você, falar sobre nosso trabalho, tirar fotos fofas com você, te beijar, rir de coisas idiotas e querer te matar por me fazer sentir essas coisas.
Ambas riram, de repente Jane levou a mão a boca assustada.
–A Ma vai ficar louca quando souber!
–Você vai contar pra ela? -Maura dizia baixo, havia um tom de medo na voz.
–Você acha que eu faria isso tudo se fosse pra ser segredo?... O que você tem heim? que fez todos os Rizzolis se apaixonarem por você?
–Em minha defesa eu afirmo que não provoquei ninguém, talvez só um Rizzoli. -Maura riu
–Espero que esse Rizzoli tenha sido eu. -Jane dizia desconfiada.
–Definitivamente foi você.
–Concordo em descordar porque fui eu que te provoquei.
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Dr. Parker estava agachado medindo a massa ecefálica branca próximo ao homem morto ao chão enquanto conversava sozinho. Senkey e Korsak observavam a cena de braços cruzados, a longa cena que seguia embaixo de um sol escaldante.
–Esse homem é louco? -Senkey sussurrava enquanto derretia dentro do casaco.
–Dizem que não, mas tenho minhas suspeitas. -dizia o mais velho passando um lenço pela testa suada. -Ei! Doutor Parker, falta muito? A perícia já está impaciente.
–Não, já acabei. Foi suícidio.
Senkey fechou os olhos para respirar fundo, a raiva crescendo.
–Non foi um suícidio!
–Olha aqui mocinha, sou legista a mais tempo que você tem de vida. E sou um excelente legista, então se eu falo algo, é sempre certo e...
–Sua boca está se movimentando e eston saindo sons dela, isso non parece ser bom. Como pode ser suícidio se é uma 12?. Essa rifle é tipo... É impossível se suicidar com um tiro na testa. Talvez se mirar na boca, mas mesmo assim é necessário braços bem longos. -Korsak olhava surpreso a reação da companheira, nunca imaginou a asiática explodindo desse jeito.
–Olha aqui mocinha -Parker apontava o dedo- A polvora envolta do ferimento comprova minha teoria.
–Comprova que houve contato, só isso. -Kikyou virou séria para Korsak- Ainda da tempo de chamar outro legista?
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–Me liga quando você sair, estarei aqui perto. -Jane estacionava o carro próximo ao DP.
–Vai fazer o que? -Maura olhava desconfiada.
–Vou almoçar com a Kikyou, depois vou buscar o Esquilo, vamos comprar ingressos pro basquete
–Você está usando esse menino como desculpa pra ir em todos os jogos né?
–E pra comprar cachorro quente e amendois, não esqueça essa parte. Ele é muito muito interessante, gosto da companhia dele.
–E ele também é protetor, teimoso, carente, se fosse seu filho não iria parecer tanto.
–Espera, você o conhece?
–Ele não falou de mim? Não acredito! Nos encontramos perto da minha casa e ali, naquelas escadas quando você estava... presa.
Jane sorriu, olhando pensativa o volante. -Garoto esperto, são os dois lugares que ensinei a ele, caso alguma coisa acontecesse era pra ele me procurar nesses dois lugares.
–Por que não seu apartamento?
–Por que fico mais na sua casa. Agora entendo a neura dele por lavar as mãos, tive que lavar a minha 4 vezes, deveria ter imaginado que tinha dedo seu.
–Ensinei um pouco sobre bactérias, só isso. Como você conheceu ele?
–A mãe dele era minha informante.
–Era?
–Longa história.
–A qual você não quer me contar agora né. -Jane abaixou os olhos como se estivesse analizando seus próprios sapatos.
Maura retirou o cinto pensativa, e olhou sério para a morena ao fazer uma pergunta.
–Jane, por que você vai almoçar com a Kikyo agora? Você anda muito com ela ultimamente.
–Um homem invadiu sua casa quando eu não estava, eu só posso entrar no DP como visitante agora. Alguém precisa me ajudar a encontrar esse desgraçado até eu voltar a ativa, não?
–É só isso mesmo?
Jane olhou nos olhos de Maura -Teria outra coisa? — E então a loira pode ver a raiva tilintando nos olhos castanhos, a raiva de mãos dadas com a culpa.
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O assistente de legista fechava o corpo necropsiado enquanto Maura terminava de ditar. Korsak entrou imponente na sala.
–Me chamou doutora.
–Sim, pra te mostrar isso. -A loira pegou uma bandeja, o conteúdo fazia um barulho agudo, metalizado. -Olha esse projétil estranho.
Korsak calçou as luvas e pegou a bala, olhando-a a luz florescente, parecia um triangulo pequeno, sua base igual uma estrela com pontas afiadas, um rosário do Norte mortal.
–Já vi essa bala recentemente, essa ponta e essa base são bem marcantes. -dizia o homem espetando levemente o dedo na estrela formada na base, fazendo um pequeno corte em sua luva.
–Deve ter sido no caso do homem que foi encontrado no galpão, aquele que haviam declarado suícidio e que eu solicitei uma nova necropsia.
–O que? Não. Eu não tive acesso a esse caso, ele foi da Kikyo.
–Então onde você a viu? Essa é bem incomum.
Korsak olhava assustado para Maura, uma mão enluvada passando pelo cavanhaque. -Doutora, você retirou uma dessa da Sarah, a nossa Xena.
Maura olhava para o projétil reluzindo na mão grande de Korsak, e se sentiu negligente, aquele caso estava enunvado em sua mente, não lembrava detalhes, o estress que ocorreu em sua vida na época parecia ter radicado aquela autopsia. O primeiro beijo em Jane, aquela noite no quarto, a briga, o sumiço,a prisão, tudo formando uma bola de neve que a havia deixado imersa a confusões a ponto de esquecer detalhes como esse.
–Desculpa, mas eu lembro que aquele projétil era um calibre diferente e veio de uma automática. Esse definitivamente veio de uma não automática. Realmente eu lembro que a detetive Senkey havia falado sobre a raridade desse projetil, mas não lembro detalhes.
–Qual a possibilidade de uma bala como essa estar em 3 corpos no prazo de duas semanas?
–As possibilidades aumentam quando é o mesmo assassino.
–Concordo, mesmo sendo de calibres diferentes essas balas são raras demais pra não ter ligação. Assim que a Kikyou... Detetive Senkey voltar vou pedir pra ela analizar isso aqui.
–Como assim? Quando ela voltar?
–Ela está de suspensão hoje por discutir com o Dr. Parker, foram mais de meia hora brigando
–Ele é muito dificil, mas não a ponto de uma suspensão.
–Por algum motivo ela estava muito nervosa e eles discutiram. Ele a denunciou e ela foi suspensa. -Korsak devolveu o projétil para a bandeja que Maura ainda segurava, um barulho metálico ecoou, trazendo a atenção do assistende de legista a conversa.- Vou ver se há alguma ligação entre os três casos.
–Korsak, espera. Há outra coisa que também quero lhe mostrar.- Maura se aproximou do corpo a mesa, apontando marcas nos tornozelos e pulsos da vítima.
–O que são essas marcas vermelhas? Parece alergia.
–Parece, e inclusive o outro legista acusou como tal, mas são marcas de pressão, feitas por um tecido que da possibilidade de respiração a pele, como faixas ou bandanas médicas.
–Melhor do que cordas e silver tape pra amarrar alguém. Com certeza não é suícidio.
Maura observava o corpo da mulher exposto a mesa, a linha do assistente de legista costurando a pele.
–doutora, lembro que a Xena teve um filho recentemente, essa também?
–Não.
–Então vou descartar uma teoria que parecia boa. A Jane precisa voltar logo, isso já está ficando complicado demais. E por falar em Jane, tentei falar com vocês mais cedo e não consegui.
Maura corou e olhou para seu assistente que ainda costurava a pele. -Vamos para a minha sala Korsak.
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Jane estava no carro de Senkey, ambas imersas em um silêncio.
–Fala comigo Kikyo, o que tá acontecendo?
–Nada, não se preocupe. -Senkey deu um sorriso amarelo.
–Estou a dez minutos no seu carro e até agora você não me fez rir, algo sério aconteceu. Não vou almoçar co você se você não me contar o que é.
Senkey estacionou o carro próximo a calçada e ligou o pisca alerta. Respirou fundo duas vezes e virou-se pra Jane.
–O homem que foi morto hoje, aquele que o Dr. Parker declarou suícidio que te falei, ele era uma testemunha minha. Era a única chave que colocava um inimigo meu de longa data atrás das grades.
Jane assistia em silêncio e percebia a raiva na voz da Kikyo, uma raiva que ela compartilhava pois já teve muitas testemunhas chaves silenciadas, vidas que depediam dela, e sabia que esse era o fracasso mais penoso para um detetive.
–E o pior é que eu sabia que algo assim poderia acontecer, mas non reagi aos sinais. -Kikyou olhou pela janela — É o mesmo modus operantes, a mesma arma do cara que quero prender. Eu non pude proteger a testemunha que confiou a própria vida a mim, agora vou ter que assistir a autopsia dele.
–Queria poder dizer algo que te reconfortasse, mas sei que não há nada que eu possa falar que vá ajudar.
–Abra o porta luvas, tem algo pra você ai dentro.
Jane abriu a pequena porta e retirou uma caixa, abrindo-a ficou surpresa com seu conteúdo.
–Uma arma? Ela é linda!
–Non é uma simples arma, é uma glock, além de linda é boa, potente, brilhante e non fica de tpm.
Jane sorriu — Essa arma... han... glock é cara Kikyo.
–Sei que você esta sem seu distintivo e arma e que non pode ter uma agora em seu nome até ser inocentada do caso da Xena, mas também sei que você tem muitos inimigos por aí e vai precisar de proteçom, enton... só evite atirar em alguém pra eu non ter problemas... no Marcos eu deixo, aquele hippie me deixa orissada.
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Maura entrava a passos lentos em sua sala sendo acompanhada por Korsak.
–É... Jane e eu... nós... é.. A gente.. Talvez nós...-Maura quase gagueja.
–Tá tudo bem doutora. Sei que vocês não vão escandalizar nada e que nada vai mudar. E sempre esperei por isso, então...
–Como? Você já sabia?
–Você está rodeada de detetives doutora, não esqueça disso.
Maura corou com o comentário, se sentindo transparente.
–Estou feliz por vocês, até a Kiki também torce por vocês e tenho certeza que se o Frost estivesse aqui ele estaria dançando aquelas danças esquisitas de tanta alegria.
Maura sorriu ao imaginar o velho amigo.
–Vocês dois sempre faziam de tudo pra nos ajudar né, sempre nos unia quando brigavamos.
–Só viamos o que estava exposto.
entao eu era cega, Maura refletia sendo assistida pelo grande homem a sua frente–Quer almoçar Korsak? Estou subindo pra cantina agora.
–Não, obrigado. Quero adiantar esses casos um pouco, estão complicados demais.
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Maura estava sentada na cantina, mal tocara na sua salada de alface, rúcula e tomates italianos com molho rosé. Estava imersa nos últimos acontecimentos. Um homem alto parou ao seu lado.
–Boa tarde doutora Isles, posso me sentar.
Maura observou melhor, era Marcos, que dessa vez trajava social, uma blusa preta social lhe trazia um charme que ela desconhecia, a barba dessa vez feita emoldurava seu rosto de uma forma graciosa. "Jane e Kikyo não poderão mais chamar ele de hippie, agora talvez um agente 007?". Maura apontou a cadeira e o homem sentou.
–Desculpe doutora, eu fui indelicado aquele dia na sua sala.
–Tudo bem, já passou. Ficamos embaraçados com aquilo, mas somos adultos e vamos deixar isso no passado.
–Maura, eu gosto de você, gosto desde o primeiro dia que cheguei aqui e você foi tão gentil comigo. Tentei fazer de tudo pra chamar sua atenção, e você não me notava. E então você me chamou pra sua casa naquela festa, então pensei que... que você finalmente havia me notado.
–Marcos, eu chamei todos do laboratoro,, aquela era a despedida da criminalista Chang, então todos do laboratório eram bem vindos.
o homem sorriu sem graça. -Então fui eu que confudi as coisas, desculpa se fui bobo. -Maura reparou em como aquele homem ficava fofo com vergonha.
–Marcos, eu ...desculpa, mas eu já tenho algué...
–Maura, eu até comprei essas roupas pra ficar mais agradavél aos seus olhos, passei o dia com elas e você não me notou. Acho melhor aceitar a oferta de trabalho na Flórida mesmo.- Maura olhava surpresa para o homem a sua frente e não percebeu a outra presença parada ao lado dos dois.
–Flórida é boa, é quente, você vai amar, vai quando? -Uma voz rouca vibrava. Jane intercalava os olhos entre Maura e Marcos, ambos desconcertados. — E então, assassinato é sempre um crime?
Marcos olhou assustado para Jane.
–Calma Marcos. Jane está só brincando, ela gosta de fazer essas brincadeiras.
–Estou?
–Desculpa, tenho que terminar um relatório. -Marcos saiu da mesa e Jane sentou em seu lugar.
–Precisava ser tão grossa?
–Eu não sou grossa, eu nunca sou grossa, eu sou?
–O importante é você acreditar nisso -Korsak disse chegando por trás, Jane levantou abraçando o amigo.
–Oh Korsak, não vou poder ficar, mas prometo que hoje vamos no Dirty.
–Tudo bem.
–É que hoje é o primeiro dia do julgamento do autor do Massacre em Beacon Hill, vou levar a Maura lá.
–Amanhã somos nós dois indo naquele tribunal, estou louco pra trancar ele numa cela e jogar a chave fora.
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Jane estacionou em frente ao prédio com janelas grandes, vidros que iam do chão ao teto, quatro andares bem arquitetados, uma visão que agradou os olhos de Maura.
–Vou buscar o Esquilo e comprar os ingressos agora, ai passamos aqui na volta pra te buscar, ok?
–Que tal nós três comermos algo juntos?
–Boa idéia, eu tô louca que ele experimentar um subway de atum que...
–Sem bobeiras por favor, vamos comer algo de verdade.
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Maura andava por um corredor bem iluminado pelas grandes janelas, próximo a porta de madeira avistou um rapaz familiar sentado em um banco.
–Oi Josh! Não sabia que tinha voltado à Boston.
–oi, é temporário, vim só para testemunhar em um julgamento de um amigo, me ligaram ontem.
–Assim, de repente? estranho
–É, também achei, nem sabia que esse amigo tinha sido preso. Acho que será depois desse que está rolando ai dentro, tá demorando uma eternindade. Esse cara deve ser da pesada, fecharam o prédio todo.
–Foi necessário, ele já escapou algumas outras vezes. Mas tem alguns pintores no segundo andar. E então, o que você está fazendo da vida?
–Tô estudando pra entrar pra policia.
–Korsak vai ficar orgulhoso, já contou pra ele?
–Ainda não, vou contar no final de semana quando formos pescar.
Uma explosão fez Maura e Josh se jogarem no chão por instindo, mãos protegendo a cabeça.
–O que foi isso? -Josh falava desesperado
–Parece que foi no primeiro andar.
Tiros atrás da grande porta de madeira e também no primeiro andar aceleram o pulso de Maura.
–O que vamos fazer? -Josh levantava passando a mão pelos cabelos, já transtornado.
–Calma, temos que descobrir da onde vem esses tiros pra irmos na direção opostas.
–Não podemos só ficar aqui parados?
–Olha, -Maura pegou nos ombros do rapaz, olhava em seus olhos- Esse homem que está sendo julgado ai dentro está respondendo por pérpetua por matar doze pessoas em uma chacina, eu não quero ser o treze da sorte. A explosão veio lá de baixo, então vamos ir pro telhado, ok?
Maura e Josh correram em direção as escadas, o telhado seria o andar seguinte, uma opção segura de esconderijo. Maura sentia o coração pulsando, ele parecia querer sair do peito, o racional dando lugar ao medo.
Antes que os dois chegassem a porta ela se abriu, e um homem de macacão sujo de tinta azul surgiu.
–Não senhor, volte! Está tendo um tiroreio atrás daquela porta, lá é perigoso demais agora.
–Todos os lugares são perigosos. -Maura observou melhor o homem, e sentiu seu próprio sangue gelar em suas veias. -Ali embaixo também teve um tiroteio, até mais glacioso que esse, mas infelizmente todos os policiais morreram, tadinhos
Então Maura percebeu a PT na mão do homem, ela sabia que correr era inútil diante daquela arma, mesmo que houvesse pra onde ir
Outros homens surgiram atrás do primeiro
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