Apenas um sussuro

13 Seus detalhes, suas manias


Notas iniciais
Não vou me desculpar pela demora, porque senão ficarei repetitiva, mas vou aprender a ser mais rápida, desculpe, horários apertados demais. Boa leitura e comentem por favor

–Sou a primeira detetive mulher da homicídios. Já enfrentei a morte millhares de vezes, levei tiros, e olha que eles doem pra caramba, mas travei na hora de responder a Maura.-Jane falava com o irmão enquanto andavam pela rua- Fui covarde e não criei nenhum argumento, ou ao menos um que prestasse.

–É mais fácil rolar no chão com um cara armado que enfrentar sentimentos.

–Por isso que você tá sozinho?


Frank olhou a irmã analizando se valia a pena responder enquanto entravam em um supermercado da pequena cidade na busca de encontrar alguém que conhecesse a mulher da foto, a Xena.


–Sabe Frank, esse negócio de sentimenos, sei la, é muito difícil viu.

–Jane, se fosse fácil todos amariam e seriam felizes para sempre.

–Nunca fui fã de contos de fadas mesmo. -Jane franziu o nariz

–Mas de terror por outro lado... Eu tinha pesadelos com aquelas histórias que você contava. -Frank apontava para ele mesmo.- E Tommy também sabia?

–Eu lembro de você molhando a cama.

–Foi refrigerante, eu derramei refrigerante tá.

–Não foi isso que o Tommy gritou quando vasou na beliche em baixo -Jane ria- em cima dele.


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Os irmãos saíram do comércio.

–Hum, até que não foi difícil, reconheceram a Xena fácil. Essa é uma das vantagens de ser bonita, as pessoas sempre lembram rostos bonitos.

–Hum, agora entendi porque ninguém lembra o seu.

Jane deu um soco no irmão. -Ei! Doeu!

–Era pra doer mesmo, se fosse pra fazer massagem eu chamaria uma massagista asiática... que são ótimas por sinal.

–Temos uma asíática. -Frank Sorriu.

–Eu vi ela derrubar um cara de quase dois metros -Jane torceu o nariz.
–Acho que ele ficou bem massagiado. Vamos voltar.

–Jane! Será que daria pra gente parar e comer alguma coisa antes?

–Mas você tá comendo toda hora, qualquer dia nem vai passar na porta no DP, e olha que ela abre dos dois lados.

–Tô em fase de crescimento

–Pr´os lados né.

–Mudei meu treinamento, por isso meu metabolismo está mais rápido, então tenho que comer mais.

–Metaboli... -Jane olhou desconfiada- Tá, vamos achar o Korsak e falar sobre esse tal chalé que a Xena alugava, antes que seu metabolismo mate você. Meu estomâgo também está pedindo comida, e como sempre devemos ouvir nossa voz interior eu vou almoçar -Eles deram alguns passos. -Sabe, ainda não tô entendendo porque a Maura fez aquilo.

–Jane, não tente quebrar a cabeça tentando entender, dê a resposta antes da pergunta.

–Se você está tentando soar profundo...-Jane disse meio de lado.


–Quero dizer que ao invés de você ficar com essa cara de "minha coxinha tá com pouco recheio", você deve reconquistar ela, no meio desse caminho você vai entender no que errou... e não errar mais, essas coisas sabe.

Jane olhava o irmão. -Ah Jane, não me olha assim, não custa nada tentar, você nunca foi de dar a batalha por vencido, por que logo agora? Por que logo com a Maura?

–Você anda fazendo terapia Frank? Ou tá lendo livros de romances? Já sei! Está vindo mais estórias de romance no meio dos pornos?

–Não posso ser um bom conselheiro não?

–Você é maninho, vou seguir seus conselhos. -Jane deu alguns passos e se virou para o irmão- Mas diminui no porno tá.... ou ao menos nos romances que estão vindo neles

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–Então vamos nesse chalé. -Korsak colocava mais um pedaço de lagosta na boca e limpando depois com um guardanapo. -Jane, vou deixar você ir, mas você não está no caso, você está de suspensão. Vamos só terminar esse almoço e ir.

–Espera, quem vai ficar com o Esquilo? -dizia Maura evitando o olhar de Jane- Eu tenho que ir devido as evidências.

Frank apressou em dizer enquanto pegava uma moeda no bolso. -Kikyo, será entre você e eu. O perdedor cuida do garoto. E então, você quer cara ou coroa?

–Eu quero a moeda.

Todos riram, menos Frank que ainda estava confuso com a resposta.

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–Cuidado com ursos. -Korsak bufava enquanto subia a ladeira com grama escorregadia, o rosto suado e vermelho.

–Ele tá bem? A subida pode ter deixado ele meio lelé. -Kikyo sussurou para Jane.

–Maine tem ursos, sabia não?

–Ué, eles existem mesmo? Juro que pensei que eles fossem alguma lenda, tipo... sei lá, lenda igual os pandas.

–Quantos anos você tem? Cinco? -Jane riu- Você só pode estar brincando.

–Nesse local é comum o urso negro -Informou Maura olhando ao redor, com a ansiedade de ver um urso surgir em meio as árvores. -Não seria nenhuma surpresa encontrar algum.

O grupo parou para esperar Korsak que sentou-se em uma pedra para pegar um pouco de ar fresco enquanto se abanava com a gravata.

–E ai Jane, tá afim de ser almoço de ursinho hoje? -Kikyo cortou o silêncio.

–Eles não iriam me querer, sou muito pra eles, não dariam conta.

–Ah iriam sim.

–Sou cheia de muscúlos, é carne demais pra eles. -Jane fazia um "muque"-Viu como não iriam?

–Acredito que eles precisem de palito de dente, então iriam sim. -Kikyo e Jane começaram a trocar tapas leves no ar.

–Parem vocês duas, parecem crianças. -ralhou Maura -Ursos negros são quase totalmente vegetarianos e têm mais medo da gente do que a gente dele.

–Qualquer animal teria medo da Jane. -Disse Korsak ao se juntar ao grupo.

–É o meu charme. -disse Jane fazendo pose.

Maura afastou-se do grupo, não entendia bem o que estava sentindo. Queria se aproximar mais de Jane, mas também queria brigar com ela. Havia uma explosão de sentimentos contraditórios dentro dela e ela não conseguia discernir mais o que sentia, o que pensava. Escutou um zumbido alto perto do seu ouvido esquerdo e por impulso estava levando a mão para afastar, quando assustou com a cortada de ar rente a sua bochecha. Era a mão de Jane que retirou algo realmente próximo ao rosto da loira.

Maura assistiu a cena calada, viu a morena jogar uma abelha no chão e pisar em cima com seu pé esquerdo.

–Maura, você tá bem? -a morena estudava o rosto da loira- Ela te mordeu.

Maura pensou em corrigir o "mordeu", mas estava encantada com o gesto que apenas respondeu com um menear de cabeça.

Durante a subida ela se questiona sobre o quanto a morena era gentil, ao correr o risco de ser ferroada pela abelha apenas para que o inseto não enroscasse nos cabelos loiros. Para um observador casual aquilo poderia ser algo simples, mas não para Maura, era nos pequenos detalhes que ela se apegava.

–Então chegamos ao famoso chalé que a nossa vítima alugava em todas as suas férias. -Korsak anunciou, braço estendido apontado o lugar como um mestre de cerimônias -Se aqui tivesse um bom lugar pra pescar até eu alugava, olha que vista linda.

Jane destrancou a porta e a abriu para Maura que entrou silenciosa.


Kikyo aproximou-se de Korsak.


–Quero pedir permisson pra fazer uma apresentação mais tarde a respeito da munisson utilizada nos últimos "suícidios" e no caso da Xena. E quero a presença da Jane.

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Senkey descia a ladeira verde coberta por musgo e folhas indo em direção a Frank.

–Levei um tombo ali, sorte que ninguém viu ou eu já estaria no youtube.

–Por que? -Frank sorriu enquanto se ajeitava no tronco que estava sentado, cedendo espaço para a asiática.

–Ué, Escorrei pra trás e machuquei o dedon da frente, entendi nada.

Frank riu. -Alguma novidade do chalé kikyo?

–Achamos algumas coisas que a Maura pegou lá e vamos levar pro laboratório. Kikyo sentou ao lado de Frank e retirou a bota para analizar seu "dedon".

–Kikyo, ri demais com seu pânico por lagartixa ontem, mas sei que foi falso. Você tem uma iguana como animal de estimação.

–Sou exótica ué. O que a "Couve" tem demais?

–Kikyo, uma lagartixa seria como um filhote da sua Couve, e você também é macho demais pra ter medo de algo tão pequeno.

–Non sou macho.

–Você tem 1,60 e derrubou um cara maior que eu.

–Foi sem querer.

–O braço quebrado dele discorda.

–Quem mandou ele apalpar minha bunda? Ralo demais no agachamento pra ela ficar assim.

Frank resistiu a tentação de "conferir" os efeitos dos exercícios. -Eu só quero entender por que você ajudou a Jane e a Maura... É claro que você gosta de uma delas.

–É a Maura é linda mesmo, quando vai de vestido coladinho enton ela fi...

–Não é a Maura, é alguém que te trás segurança, alguém que não tem medo de você.

–Sou ton assustadora assim?

–Não, você é doce Kikyo, doce e gentil a ponto de não se aproveitar da fragilidade que a relação das duas está agora, e você sabe que poderia... você poderia intervir.

–non son pessoas de fora que atrapalham uma relaçon Frank, é quem está dentro. Interventores apenas sofrem, ver quem você gosta feliz com outro dói, mas vê-la infeliz ao meu lado dói ainda mais.
Gosto demais, mas non posso gostar por duas... non tem lugar pra mim no meio delas.
Kikyo olhava o chão e Frank novamente resistiu a uma tentação, dessa vez de abraçar a mulher que parecia tão frágil e pequena ao seu lado.

–Eu te entendo. -Frank soltou o ar ponderando as palavras, -Também quero um amor pra mim... E não destinado a outra pessoa.

Kikyo estudou o rosto do homem ao seu lado. -Estranho ver um homem falar que quer um amor, normalmente correm três dias sem olhar pra trás quando escutam a palavra "relaçon"

–Então você não conhece homens, apenas moleques. Relações são complicadas, mas da pra resolver sem precisar fugir.

Senkey riu de lado enquanto calçava sua bota -Relações...Elas as vezes acabam em amor, e as vezes o amor só machuca. Eu non quero me machucar -Kikyo levantou e olhou para Frank- Cheguei na hora errada de amar e aceito isso.

Frank ficou sozinho olhando novamente a floresta ao seu redor.

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Maura estava sentada na cadeira de madeira enquanto olhava admirada Korsak brincando com Esquilo na gangorra, a cada subida uma nova gargalhada, sempre como se fosse a primeira vez. Foi inevitável o pensamento que correu por sua mente, em como estava sua vida. Ou em como sua vida era como aquela gangorra, altos e baixos a todo momento. E então ela novamente reavaliou as causas do fim de seu recente relacionamento com sua melhor amiga, mas até então não tinha avaliado as razões que as levaram a ele. E a vida é sempre assim, temos na ponta da língua o que nos faz odiar alguém, mas não conseguimos inumerar o que nos fez ama-la.

Jane acariciou lentamente o braço de Maura para chamar a atenção sem assusta-la.
–Maur, trouxe um suco pra você, a vendedora jurou que era natural.
Maura sorriu pegando o copo descartável da mão da morena.
Sim, ela sabia o que a fazia feliz, era aquele sorriso com covinhas, o olhar, o carinho, a atenção, a companhia... mas ela acreditava que aquilo não daria certo.

Somos perfeitas como melhores amigas, mas não... a saudade engana tão bem que parece amor, e é isso que estou sentindo, saudades. *

Jane observava Maura, que se sentiu um pouco incomodada com o olhar penetrante.

–O que foi Jane?

–Nada, só estou admirando suas tantas manias.

–Não tenho tantas manias assim.

–Tem muitas Maur, mania de sorrir desse jeito que você tá agora quando alguém te olha assim nos olhos; Mania de jogar o cabelo pro lado; Mania de apoiar as mãos na mesa e abaixar a cabeça quando está preocupada; Mania de olhar no visor do telefone como se houvesse chegado alguma coisa e você não ouviu; Mania de procurar dobras imaginárias na roupa quando está constrangida; Mania de não mentir por necessitar tanto da verdade; Mania de amenizar palavras para não machucar as pessoas, como se eufeminismos fossem mudar algo; Mania de compartilhar tudo que você lê nos livros e vê no Discovery; Mania de sorrisos, de olhares, de cuidados; Mania de revirar os olhos quando eu faço alguma piada boba; Mania de se preocupar com cada tosse ou espirro que eu dou, mesmo eu afirmando que é alergia. Mania de cuidar de mim e da minha família. São muitas manias Maur, e eu admiro cada uma delas.

Jane colocou uma mão por cima da mão de Maura que estava na mesa, um toque casto e sincero.

Frank chamou. -Ei! A Kikyo Já está esperando no carro.

Maura retirou a mão sob a da Jane e a colocou no colo


–Mas será que dá pra alguém pedir pra Kikyo diminuir na velocidade ou vão acabar nos prendendo. -Korsak disse enquanto arrumava sua gravata.

–Relaxa, pelo jeito que ela corre vamos morrer antes disso. -Jane dizia ao passar pelos colegas.

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–Resolvi fazer essa demonstraçon aqui, porque só posso fazer no BPD se o diretor da balística permitir... e eu non quero chamar a atençon agora. -Kikyo abria as caixas pardas sobre a mesa.

–Sem chamar a atenção, tudo bem, como se a vinda de 4 detetives e uma legista para o Maine já não chamasse tanto a atençao. -Jane dizia ao sentar na cadeira de madeira, próxima a Kikyo

–Essa arma é do FBI -Kikyo montava a arma- Ela possui o mesmo calibre da arma da Jane. E aquele colete ali pendurado na árvore é do Frank.

–Por que você não usou o seu? -Frank dizia apontando para a árvore.

–Por que o meu foi presente da minha vovó.

–Mas foi uma moça muito gosto...-Korsak interrompeu a frase ao sentir o olhar de Jane. -Muito gentil da Seguro & Proteções que entregou o seu de amostra na quinta.

–Vovó faz uns bicos.

–Mas ela era muito linda, muito mesmo

–Eu sei, é de família. -Kikyo colocou o silenciador- Enton, estou a mais ou menos 15 metros da árvore, vou usar o silenciador pra non assustar os animais daqui, non quero nenhum urso correndo pro lado errado, principalmente se for pro MEU lado.

Senky colocou a bala vermelha no pente e o encaixou na arma. -Olhe o que esse projétil faz. -Um único tampido fez o colete parecer balançar, como se estivesse sido impulsionado por um vento forte, o tampido não assustou os passáros ao redor, o silêncio da floresta permanecia o mesmo.

Jane buscou o colete, um buraco pequeno brilhava à luz, os outros se aproximaram.


Korsak passava a mão no cavanhaque -Como uma bala pode atravessar os nossos coletes?

–Essa atravessa. -Kikyo afirmou -Ela atravessou as duas asas porque não encontrou tecido mole. Esse prójetil meus queridos é a Red Talor, conhecido na balística como "Rosa vermelha letal"**, porque tem pontas afiadas como garras e que lembram uma flor e essa "flor" (que nada mais ´é do que a ponta oca que se abre como garras) que serve pra perder potência no tecido mole. Diferente da sua antecessora Black Talor, essa aqui pode ser usada a longa distância como eu mostrei e além disso atravessa metal, como as placas de metal dos nossos coletes.

–Já entendi tudo. -Jane entregou o colete para Frank que o pegou triste. -Essa bala aí é do exército, né? Ela é pra atirar no inimigo sem atingir inocentes.

–Exato, ela foi feita exclusivamente pr´o exército a 5 anos atrás. Mas como foi usada pra outros fins a Winchester interrompeu a produção no primeiro lote. A venda é vedada

–Quais fins?

–Massacre no camboja.

–Então é só olhar quem estava lá e teremos nossa lista de suspeitos. -Frank avaliou.

–Essa lista se restringe ao exército americano e inocentes. E todos os inocentes morreram... todos.

A última palavra quase sussurrada fez um arrepio frio subir pelas costas de Jane.

–Temos um problema gente, -Korsak estava pensativo -Se o rapaz baleado antes de ontem estiver sido assassinado com uma dessa, o assistente da Maura vai consultar o exército.

Todos passaram a mão na cabeça apreensivos, a certeza nos olhos de todos.

–O exército vai assumir a custódia de tudo, e tudo será acobertado e esquecido. -Resmungou frank

Jane estava pensativa roendo as unhas.

Kikyo falou animada. -A gente! Olha o lado positivo, aí tá a certeza que non foi a Jane, enton ela volta pra nós, inocente.

–Não kikyo, -Jane colocou as mãos na própria cintura e olhou fixo para a asiática-. Nessa época eu namorava um militar, e ele teve acesso as proximidades dessa região.

–Jane, por que tudo tem que ser ton complicado com você.


–Gente! -Korsak recolhia as caixas da mesa -Vamos embora. Amanhã vamos sentar e conversar sobre isso, você será bem vinda na reunião amanhã Jane, e isso é quase uma intimação.

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Maura estava entrando em seu carro quando foi surpreendida pelo toque suave de Jane em seu ombro.

–VOcê quer jantar comigo hoje?
Maura olhou nos olhos de Jane, não sabia quais eram as intenções da morena, talvez tivesse até medo delas, mas a vontade de ficar mais um pouco por perto, sentir um pouco melhor o cheiro de lavanda a estava levando a uma decisão precipitada.

–É só um jantar Maura, somos amigas ainda né?

"Amigas", uma palavra tão comum e natural entre elas, mas naquele momento, depois de tudo, "amigas" era a última coisa que ambas gostariam de ser.

–Tudo bem. Mas será na minha casa. Não estou disposta a sair hoje.

–Eu preparo o nosso jantar então.

Maura ficou surpresa e receosa. -Jane, tem certeza? Você não é muito...

–Maura, me dá uma chance, eu vou cozinhar algo gostoso pra gente.

–Sendo coméstivel já é um bom começo.

–Vou só levar o Esquilo pra casa dele e vou pra sua.

–Seria mais fácil se vocês dois fossem comigo. Assim eu poderia levar ele ao pai, enquanto você faz... nosso jantar. Tem certeza que não quer, talvez, pedir ajuda à sua mãe para esse jantar?

–Maura!

–Tudo bem. Só estou um pouco receosa. Pegue a cadeira infatil e coloque no meu carro por favor.

–E o Korsak e Frank?

–A Kikyo não pode ir sozinha, correto?

–O que tem eu ai? -Kikyou se aproximou das duas- Se tiver falando mal de mim me chama, tenho cada história assustadora sobre mim...

–Estávamos falando sobre como você dorme com a roupa que vai sair no outro dia Kikyo. -Respondeu Jane sarcástica.

–Ah! Non zoa. Eu non sou como a Maura que consegue se vestir bem de manhã, se arrumar e sair toda emperiquitada. Se eu non dormir assim, pronta pra sair, eu saio de casa no outro dia parecendo uma mendinga atropelada por um bode.

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Jane procurava nas gavetas um abridor para o vinho, a mesa já estava posta, a pia limpa e um leve aroma de jantar no ar.

Maura retirou a chave da bolsa e abriu a porta sentido-se entusiasmada com a noite, não esperava nada realmente diferente das noites que passava compartilhando um momento agradável com a melhor amiga.

–Você me trancou aqui, isso é carcére privado sabia?

–Então me prenda detetive. -Maura piscou

–Há muitas formas que eu posso usar minha algema. -Maura não respondeu, apenas colocou a bolsa sobre o sofá. -Desculpa Maura, essa não foi minha intenção.

A morena sentia-se culpada pelas palavras que não poderia retirar, mas toda brincadeira tem um fundo de verdade, certo?

–Tá tudo bem Jane, vamos aos poucos tudo bem? E eu não te prendi, você tem uma cópia da chave da minha casa, da minha garagem....

–Do quarto ainda não. -Jane colocou uma mão sobre a boca. -Desculpa Maura! Eu realmente não sei o que está acontecendo comigo hoje, desculpa. Vou ficar calada.

A loira percebeuo nervosismo e ansiedade pelas brincadeiras que a morena fazia, então foi em direção a mesa enquanto Jane trazia as vasilhas metalizadas e colocava uma a uma sobre o tecido branco.

–Só não achei o abridor de garrafas.

–Está na segunda gaveta à esquerda. Vai me acompanhar no vinho hoje?

–Claro! Cerveja eu bebo quando chegar em casa.

–E qual foi o prato especial que você preparou para nós?

Jane destampava as vasilhas, fazendo um barulho metálico. -Temos arroz de Jasmim com frango Tailândes.

Maura ficou surpresa e extasiada pelo cheiro bom dos alimentos.

–Isso é exótico Jane.

–Passei dois dias inteiros com uma asiática muito exótica, acho que fui influênciada.

–Faltou os guardanapos, deixa que eu pego enquanto você abre o vinho.

Enquanto Maura abria a gaveta, por curiosidade pisou no pé da lixeira, e esta revelou ao abrir sacolas e isopor de quentinhas do "My Thay in Box"***.

'Esse é o único restaurante aberto agora', mas dou dez pelo esforço', ao menos o esforço de pegar o telefone e pedir a comida

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–Então Maura, vou embora. -Jane estava hesitante na batente da porta, mãos no bolso revelavam sua não vontade de passar pela porta aberta. -Vou me preparar para a reunião amanhã no D.P.

–Também tenho que dormir, ontem e hoje me cansaram muito. Não imaginava que uma criança pudesse me cansar tanto.

–Você disse que queria ter filhos.

–Estou começando a reavaliar isso. -Maura sorriu, um sorriso malicioso. -Mas sempre podemos mudar de ideia né.


a troca de olhares foi intensa, e nenhuma das duas conseguia romper aquela conexão que seus olhos travaram.
Maura ainda estava com uma das mãos na porta, como se preparada para abri-la ou fecha-la.

–Então é isso. Vou indo. -Jane virou em direção a saída

–Obrigada pela noite, foi maravilhosa.

Jane voltou e deu dois passos em direção a Maura, com a intenção de beijar sua bochecha. Umedeceu os lábios, segurou levemente na cintura da loira e depositou um beijo lento na bochecha rosada.

Maura sentiu um arrepio percorrer suas costas com o contato e por reflexo também umedeceu os lábios.

Mas a mão não saiu da cintura, mesmo após o beijo inocente ter terminado. Ela ainda estava ali, sendo o combustível para algo a mais... agora só faltava riscar o fosforo.

Ambas as respirações estavam descompassadas, pesadas, agitadas.

–Jane, -Maura tocou o ombro da morena que estava com o rosto perigosamente próximo ao seu- Vou ir dormir, boa noit...

Jane puxou a loira pela cintura, não sendo selvagem, apenas acabando com o espaço que as separavam, colando os lábios sedentos.

O beijo começou calmo, e lentamente a loira colocou os braços por sobre os ombros da morena, trazendo-a para um beijo mais profundo, os corpos se colaram mais, encontrando o compasso que apenas eles juntos sabiam, a harmonia perfeita.

As línguas se enroscaram e começaram uma dança ritmada, como um bolero interpretado por profissionais. Maura deu um passo para trás trazendo Jane para o interior da casa novamente.

O beijo estava mais intenso, qualquer coisa poderia acontecer, enquanto elas deitavam lentamente no sofá.

Notas finais
Não coloquei " * " atoa, estão aqui os motivos deles. E obrigada por ler. * "A saudade engana tão bem que parece amor" - É uma frase do livro do cronista Fabrício Carpinejar ** O projétil Red Talor realmente existe e era de uso exclusivo do Exército americano, e fazia essas coisa ai mesmo que a Kikyo falou e até mais, porém ocorreram alguns casos em que a a ponta da bala se expandia dentro do cano da arma, explodindo-a e aí já era a mão do soldado -ou ele todo-, então ela não foi mais produzida. Aprendi sobre ela nos cursos de: armas de fogo e também de sucidiologia que fiz na facul, realmente maravilhosa a capacidade dessa Flor Vermelha Letal. Há também a "Flor Letal" que é a Black Talor, mas é outra história. *** "My Thay in Box" é um restaurante tailandes maravilhoso que faz entrega em São Paulo, pedi quando visitei a cidade, realmente maravilhoso.