Notas iniciais
Gente, desculpa a demora, viajo demais (em todos os sentidos da palavra viu) Aqui está mais um saindo do forno, espero que seu remédio para diabetes esteja à mão. 100% Rizzles, espero que gostem

Estavam paradas na porta, o olhar intenso de ambas e a pupila dilatada denunciavam o desejo. Maura apertou a mão na madeira da porta, dividida entre fechar e acabar com aquilo, ou simplesmente pedir para a morena entrar. A garganta estava seca, e por impulso umideceu os lábios, gesto esse que ela não soube interpletar se era o reflexo do desejo ou apenas sede. Sim, sede, era tudo que ela sentia agora ao reparar como Jane a olhou, fazendo um leve incomodo entre suas pernas, o corpo estava começando a falar por ela, uma linguagem que apenas a 'amiga' despertava.

–Então é isso, vou indo.
Jane virou em direção a saída, os pes ainda não passaram pela porta, ela ainda podia sentir o cheiro dos cabelos de Maura, ela podia sentir os sintomas que a loira causava nela.

–Jane... obrigada pela noite, -Jane virou o rosto e fitou Maura, fitou seus olhos e intercalou com a boca- Foi maravilhosa.

–A melhor parte da minha noite foi me apaixonar por você outra vez.

Jane não saberia dizer se foi o modo como Maura a olhava ou algum clima que ela ainda não tinha identificado no ar, mas trouxe a coragem aos seus pes que deram dois passos para dentro da casa enquanto umidecia os lábios para beijar a bochecha macia. E na maciez rosada com aroma de baunilha ela depositou um beijo casto.

Maura sentiu um arrepio percorrer suas costas, pescoço e concentrar no seu centro. E quando Jane enlaçou sua cintura em um abraço, por reflexo também umedeceu os lábios durante o abraço na morena.
O abraço não foi desfeito, continuou firme, a morena sabia o que queria, o que desejava agora.

As mãos não soltaram a cintura, no entanto os braços que estavam no ombro perderam a força, ameaçando acabar o enlace. -Jane, -o hálito quente tocou a bochecha da morena, a boca quase encostando na ponta da orelha, a respiração descompassada. -vou ir dormir, boa noit...

Os braços em volta da cintura ganharam força colando mais os corpos. Maura foi pega de surpresa e por impulso procurou pela boca que desejava. O beijo começou calmo e as mãos se perderam nos cachos negros.
A língua pediu espaço ao tocar os lábios, cada arrepio era um sensação diferente. As línguas dançavam o ritmo que o corpo queria tocar.

Maura deu um passo para trás, como se conduzisse um tango, Jane a seguiu entrando novamente na casa. A mão esquerda soltando a cintura para bater a porta, os corpos não se descolavam.

Maura sentou no braço do sofá e parou o beijo para olhar nos olhos negros que a encaravam.

–Eu te amo Maur, e não quero ficar sem você. -A declaração foi selada com um beijo enquanto elas escorregavam para o centro do sofá.

Maura deitou jogando uma almofada no chão, e Jane deitou sobre seu corpo, os beijos agora se concentravam no pescoço. A loira enlaçou a morena com as pernas, uma de cada lado fazendo o encaixe perfeito com o quadril acima de si, mãos adentrando abaixo da camiseta e casaco.

Palavras intercaladas com beijos -Não posso ficar sem você Maur.

Palavras intercaladas com sussurros -E eu não sobrevivo mais sem você.

Maura abraçou com mais força as costas da morena, como se pedisse para ela não ir embora. Jane apenas se soltou, encaixando no abraço apavorado da loira e sentiu uma umidade quente encostar em sua bochecha.
Maura estava chorando, duas lágrimas silenciosas deixaram o seu rastro salgado no rosto

–Eu não vou a lugar nenhum que você não esteja Maur. -Jane dizia ao limpar a marca da lágrima com o polegar. -Não precisa ficar triste, ok?

–Nem toda lágrima é de tristeza Jane. -E beijou os lábios da morena.

O casaco foi tirado devagar, elas estavam se controlando agora, aproveitando cada momento, gravando cada cena, sentindo cada toque, o mundo poderia esperar, agora o momento era apenas delas, o agora, o presente, a dádiva.

Jane tirou a camiseta verde, a pele revelada recebendo beijos molhados.

Maura retirou a blusa pêssego, a pele revelada recebendo doces lambidas.

Jane desafivelou o cinto, as costas recebiam leves arranhões.

Maura retirou a calça, e todo o controle havia acabado, agora tudo era uma loucura passional. Não havia mais cuidados com as roupas, que ficassem jogadas no chão, que fossem amassadas, não importava mais, nada importava mais.

A calcinha de renda lilas foi retirada aos poucos, enquanto a loira se remexia no sofá, perdendo o total controle dos movimentos, das vontades, das sensações.

Com um puxão mais forte, a loira trouxe o corpo definido para cima do seu novamente, enlaçando mais uma vez o quadril enquanto terminava de desabotoar a calça e retirar tudo junto, calcinha e calça preta.

Os sexos se tocavam, a umidade se tocavam

o desejo se tocavam

Jane sentiu o suor pingar do seu rosto, o calor não a incomodava enquanto movimentos pélvicos eram trocados. Maura a puxava para mais perto, como se fosse possível um contato maior, como se os corpos já não estivessem colados o bastante, porém a pressão em suas costas causava prazer, dando mais vontade de continuar.

Maura iniciou um beijo desesperado, como um afogado buscando por ar e todos os movimentos se concentraram no beijo. Jane desceu a mão pela pele suada da loira, descendo devagar, deslizando por seio, costela e quadril, e abrindo um pouco as pernas da mulher abaixo.

Introduziu três dedos devagar, causando uma leve ardência e prazer na loira que soltou um gemido agudo, cada feição sendo assistida pela morena que não desejava parar os movimentos.

A loira não conseguia mais respirar normalmente, as palavras sendo mal balbuciadas, os gemidos sendo abafados com beijos e mordidas leves nos lábios.

–Por que vo-cê n-não me deixa fa-zer isso com ... você? -As palavras cortadas pela respiração difícil, pelo movimento ritmico, pelas pausas a procura de ar.

–Hoje eu deixo. Hoje eu quero me entregar para você.

Jane beijou a loira ao perceber o clímax se aproximando. Gemidos, sussurros, o nome sendo chamado, convulsões, prazer e aceitação, aceitação da entrega, da devoção.

Maura se ajeitou no sofá, dando espaço para a morena deitar ao seu lado. Jane ficou de costas para a loira e foi abraçada, recebendo beijos e carinhos na nuca. Sorrateiramente uma mão deslizava para baixo.

–Me deixa te mostrar que também sei te amar de muitas maneiras.


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Maura estava sentada no sofá, pes repousando em cima da almofada que anteriormente ela jogou ao chão. Jane estava atrás, a abraçando e a aquecendo como um casaquinho, o queixo repousando nos ombros da loira que segurava uma taça de vinho.

Jane sorriu ao ver a situação que as duas estavam. -Adoro ficar assim.

–Nua?

–Não. -Jane revirou os olhos- Assim, abraçadinha com você.

–Nuas.

–Ihh! Qual o problema com você? Adoro ficar sendo seu casaquinho.

Maura sorriu e bebericou da taça a oferecendo a Jane.

–Jane, agora vamos parar de brigar né. Não temos mais 25 anos Jane, os 40 já bateu na porta e entrou.

As palavras pesaram e coraram a face da morena. Sim, os 40 chegou chutando a porta, arrebentando a trinca e espalhando a madeira pelo tapete. Ela não poderia mais ser tão "impulsiva", e então, finalmente, entendeu o que Maura tanto reclamava, o que sua mãe tanto reclamava, era a hora de ficar. Sem pontes escuras, tiros a esmo, momentos de loucuras impensadas. Era o momento de acomodar, de não guardar mais os sentimentos na gaveta desnivelada da comôda do quarto, a impludência ficaria na portaria, a coragem desmedida não saíria do elevador. Era a hora de se dividir e colocar as escovas próximas o bastante para se encostarem, do shampoo e condicionador de 200ml dar espaço para os de um litro, de uma gama de cremes e hidratantes que ela jamais imaginou existir ocupar quase que todo seu armário, era hora de ficar.

Ela que sempre acreditou que "ficar" era presença, era sentar e ver um filme juntas, uma carona no final da tarde, um acompanhamento a um médico, uma divisão sábia da pizza, agora, após uma breve separação ela não acredita mais no que acreditava. Há separações que servem mais para unir do que realmente apartar, ou simplesmente há pessoas que não nasceram pra ficar separadas, fracassarão sempre que tentarem separar, tem gente que não da certo junto, e tem gente que não da certo separados.

Porém agora, após a ligeira separação a detetive conseguiu resolver o mais difícil dos seus casos, o enigma do ficar, após investigar confusões, gerar hipóteses, reavaliar conversas e sentimentos, criar teorias conspiratórias, ela conseguiu imaginar o futuro, não ha nada mais doce do que imaginar, criar esperanças, ter fé...

–Jane? Você está calada, tá tudo bem?

–Sim, -Jane sorriu, tomando mais um gole do seu vinho tinto encorpado.-Só estou pensando um pouco.

Eu que adoro cerveja, tomo vinho para te acompanhar, ou imitar, não sei ainda, tudo que sei é que mesmo sem você eu reproduzo essas manias, essas mimicas. Na sua ausência te faço presente ao copiar quem você é, ao ver em quem você me transformou. Não sei quando aconteceu, mas sei que não quero que acabe. Odeio estar assim, mas amo estar assim, afinal nunca me senti assim antes.

–Eu confio em você Maur.

A frase foi espontânea e dita enquanto Jane beijava delicadamente os ombros com lindas e delicadas sardas. A palavra foi dita em quase sussurro, como um segredo que elas compartilhavam, algo só delas, algo único.

E ali estava a loira sendo conquistada com mais um detalhe. A confiança mútua era como um novo dialeto para os enamorados, mais forte do que o brilho de qualquer joia rara, e mais frágil que o brilho da manhã que sempre chega, porque nem sempre confiamos em todas as pessoas que amamos, mas SEMPRE amamos todas as pessoas que confiamos.

–Eu sei que errei Maur, e você pode me xingar, gritar comigo nos idiomas estranhos que você fala, mas eu não vou embora. Se eu estiver errada, assumirei meu erro, não vou deixar o tempo perdoar por mim, sugerir o que calei, falar por mim. Não ligo de perder uma briga, mas tenho medo de perder um amor...
tenho medo de perder você Maura.

Maura ainda estava abrigada no corpo de Jane, os braços magros da morena ainda eram seu casaquinho, e o cheiro dela ainda se misturava ao seu. Nada no ambiente mudou, tudo permanecia exatamente igual, como a taça vazia sobre a mesa de centro, a roupa espalhada pelo chão, as vasilhas na pia, o porta retrato com a viagem de férias para a Grécia ainda estava sobre a estante. Tudo estava exatamente igual, do lado de fora, não dentro daquele abraço, algo alí dentro mudou. O pulsar era diferente, as batidas aceleradas. A dor apertada e lancinante que sufocou as duas durante todo o final de semana eram agora apenas desvaneies que tropeçavam em mais um verso que o amor escreveu.

–Você não vai me perder Jane. Se nem nossas personalidades nos distanciam, não será um ciúmes besta né. -Maura virou, beijando delicadamente os lábios da detetive. -Você está com fome?

–Um pouco. -Jane sorriu e beijou mais uma vez os lábios viciantes.

–Vem, vou esquentar o jantar que você fez.

Talvez a mala não consiga descasar em nossa porta, talvez o aceno e o menear de cabeça seja para os outros, talvez as brigas que balancem lustres e deem vontade de rifar nosso passado não sejam pra nós. Nunca fui boa em despedidas mesmo. Mas percebo que na sua ausência você continua ao meu lado, você nunca me deixa Jane, mesmo quando tenta, mesmo quando eu tento, mesmo quando brigamos e você me aponta o dedo e eu como resposta abaixo a cabeça, não consigo olhar em seus olhos quando brigamos, tenho medo de ver algo além de carinho, e agora... agora eu vejo amor neles, e eu não quero mais parar de te olhar.


********************

Maura acordou pela manhã, as horas de sono que perdeu a deixariam exausta à tarde, mas valeria a pena, valeu a pena. Olhou ao seu redor e encontrou um pequeno bilhete escrito com letra de forma sobre o travesseiro.

"Sorry! I can´t wait 4 u. I´m already miss' u. Bye! I ♥ u"
–Desculpa! Eu não pude esperar por você. Já estou com saudades. Tchau! Te amo

Maura sorriu com o bilhete, sim, Jane também iria ficar exausta, mas ela tinha que ir mais cedo depor... Depor sobre o tempo em que se relacionou com Casey.

O caso ainda estava aberto, quanto mais tentavam inocentar Jane, mas evidências a complicavam, era como estar se afogando em area movediça, Jane ainda poderia retornar para trás das grades.

Então, levantou passando a mão pelos cabelos na tentativa de afastar o pensamento que a incomodava. Foi ao banheiro tomar seu banho e ficou estática ao olhar o box de vidro.

(Será que alguém algum dia vai escrever meu nome em um vidro embaçado?)

Maura perdeu a voz e sentiu seus olhos quererem queimar com lágrimas. E lá estava, escrito a mão canhota, à letra de forma no vidro embaçado. E era seu nome naquele vidro, não era qualquer outra palavra avulsa, era seu nome seguido da frase "eu te amo".
A espontaniedade fortifica o amor. Não precisou de uma serenada ou um buque de lírios e rosas vermelhas, bastou apenas um nome escrito em um vidro embaçado do banheiro para fazer a loira chorar. E ela chorou.

A felicidade é apenas um momento, são coisas simples que nem percebemos, como planejar um jantar a dois no restaurante mais chique da cidade e acabar debaixo da chuva comendo hambúrguer no drive tru, e mesmo assim ser imensamente grato pelas rizadas trocadas, piadas e gozações futuras. É fazer o mundo do outro mudar com um simples gesto, um doce olhar ou até uma piada sobre loiras bem contada. São coisas discretas que só quem ama entende, são os gestos que deciframos com o olhar, o mesmo olhar que Maura adorava aquela declaração simples de amor, de amor espontaneo

Notas finais
Ai 'Jane Rizzoli', vc que queria ver a Jane escrevendo no vidro embaçado, ta aí, demorou 13 capítulos mas chegou. O capitulo é pequeno mas é de coração, e quem queria me matar por ter terminado daquele jeito o último, ta aí o motivo, não sou tão cruel tá vendo... só um pouquinho