Apenas um sussuro
16 Pensamentos
Notas iniciais
Jane estava deitada na cama, os lençóis brancos cobriam até sua cintura enquanto ela observava Maura deitada de bruços ao seu lado. A morena se aproximou mais e começou a fazer desenhos abstratos com a ponta dos dedos nas costas da loira que se arrepiou ao toque, fazendo Jane sorrir.
–Jane, já são quase cinco horas da manhã, que tal dormir um pouco? Dormir oito horas por noite é essêncial. -a voz sonolenta de Maura fez a morena abrir mais o sorriso que mantinha no rosto, amanhecer em boa companhia tinha se tornado um vicío que Jane sabia que teria problemas em largar... e ela já estava dependente, tarde demais para voltar.
–Pode dormir, sei que você tem que levantar daqui a pouco. -A morena deu um beijo molhado e proposital no pescoço de Maura que novamente sentiu aquela corrente elétrica gostosa passear pelo seu corpo.
–Se você me deixar né. -A loira disse sorrindo ao puxar a mão da morena para cima de seu corpo,se envolvendo em um abraço. -Acho que não consigo mais acordar e não ter você na minha cama, quando isso aconteceu heim? Quando ficou tão necessitado assim?
–Você tá me pedindo em casamento dona? -Jane riu- Já conheço seus eufemismos, não adiantar negar.
Maura ficou em silêncio, pensativa, e Jane desejou retirar aquelas palavras.
–Maura... eu estava brincando tá, não precisa...
–Não é isso! -A loira começou a fazer carinho no braço que a envolvia. -Eu só... -Maura soltou o ar- Eu só não consigo parar de pensar no Esquilo, na situação dele.
Jane se assustou um pouco com a mudança ds assunto -Você está se apegando demais a esse garoto Maur.
–E você não? -A frase saiu espontânea calando a morena. -Jane, eu quero ajudar o pai daquele garoto -Maura se remexeu na cama- Quero poder fazer algo, apenas pegar aquele menino tão carinhoso para passeios não está sendo o suficiente, nem pra gente e nem pra ele.
–O que você qu... -Jane entendeu o rumo daquela conversa, compreendeu o que a loira pretendia fazer, e mesmo sendo seu desejo também não poderia arriscar tanto.-O que você quer fazer é um passo muito arriscado Maura. -Jane hesitou nas próximas palavras. –Você pode se machucar.
–E já não me machuco de qualquer jeito? Ao menos me machucarei ajudando alguém, alguém que gosto, alguém que merece. E afinal, todos os passos que damos são arriscados, são em falso, alias, as melhores danças foram criadas por passos em falsos.
–Maura, escuta- Jane se levantou um pouco para encarar a loira, colocando o peso em seu braço esquerdo e a olhando séria nos olhos. -Eu só quero evitar dores, entende? Eu quero te proteger delas porque eu sei o quanto dói apegar a alguém que com certeza um dia vai embora.
–Todos um dia vão embora Jane, não é novidade, vejo isso todo dia naquelas famílias que tenho que encarar. Vamos só aproveitar enquanto ainda estamos aqui, por favor?
A morena a abraçou forte.
O telefone anunciou uma mensagem, fazendo Maura sair do abraço para ler.
–Finalmente! Já estava ansiosa! -A loira disse ao bloquear o celular, um sorriso no rosto
–O que? Noticias do caso? O que aconteceu? Me conta! -Jane se sentou esfregando os olhos com as mãos e jogando o cabelo para trás.
–Você sabe que não posso te falar sobre o caso, é protocolo.
–A Kikyo me conta.
–Então pergunte pra ela. -Maura sentou, pronta para se levantar.
–Calma Maur. -Jane puxou a loira para um abraço, um abraço de urso, ou melhor, um abraço de Angela, certas manias eram hereditárias. -Eu estava só te provocando. Mas me conta, pelo que você estava ansiosa?
–Pela reprise de um filme maravilhoso de Buster Keaton. Eles readaptaram para o cinema atual.
–readap... Ah não!!! Filme antigo não! São chatos! Esses filmes são mais velhos que eu!
–Provavelmente, é filme mudo. Mas é lindo você vai amar!
–Vou amar meu sofá com uma cerveja bem gelada acompanhada de tacos. Ou spretel, ou tortilhas, ou...
–Exatamente isso que você falou! Você vai amar assistir um filme comigo no cinema com pipoca e refrigerante. -Maura se virou para a morena- Você prometeu que iria a todos os filmes comigo na semana cultural, e ela começa hoje.
–Tenho que diminuir na cerveja. -Jane riu ao receber o beslicão de Maura no braço. -Eu não fiz nada de errado, por que tenho que ir assistir filme mudo? E aposto que em preto e branco!
–Custa me acompanhar? Eu te acompanho nos jogos.
–Pra ficar comentando o quanto os jogadores são másculos, malhados e lindos. E fora que não aguento você gritando: "Rebate vermelho! Vai laranja! Torce pro laranja que a roupa é mais bonita."
–Você não me falou pra qual eu deveria torcer. -Maura deu de ombros
–Que tal torcer pro MEU TIME? Eu assisto todos os jogos da liga na sua tv, você já deveria saber o nome de todos os jogadores! É o minimo! É o que eu amo!
–Eu amo química e nem por isso você decorou a tabela periódica. E você assiste tanto jogo, é basebol, hóquei, basquete, tênis, aquele jogo que as pessoas ficam correndo atrás de uma única bola....Da uma pra bola pra cada um e termina aquela briga! E não foge do assunto! Você vai ao cinema assistir ao filme premiado do Buster Keaton comigo!
–Não tem nem aquelas músicas de fundo que dão emoção? Tipo do filme do tubarão.
–Não Jane. Nem legenda.
–Eu também não iria ler se tivesse. Ah Maura! -Jane bateu as mãos na cama. -Sem som não tem graça!
–A emoção está na expressão, e é ela que importa. Igual aos filmes de Chaplin.
–Não, é o som que importa. Master Chef por exemplo, eles colocam uma música que parece que você terá um ataque cardíaco de tanta tensão, e a pessoa tá só fazendo arroz.
–Isso é verdade. -Maura riu enquanto prendia o cabelo em um coque. -Você vai gostar Jane, será mais emocionante que um jogo do Sox.
–Maura, estamos falando de Red Sox! Nenhum filme me emociona mais que isso.
–Jane, Você chorou em Frozen.
–Foi um cisco que caiu no meu olho, eu já disse. E eu gostei daquele filme, tá
–Eu também gostei. Mas precisa até hoje subir todas as escadas que aparece pela frente cantando "let it go, let it go"?
–As pessoas no shopping gostam quando faço isso. Dizem até que imito direitinho.
–Claro! Parece até que vou ver a Demi Lovato sair debaixo da escada te acompanhado no "Let it Go"
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Rizzoli entrou bufando no DP, indo em direção a sala do tenente.
–Alguém anotou a placa?! -Kikyo falou ao ser quase atropelada por Jane que passou rápido ao seu lado, pisando forte no chão.
–Pediram o carro dela, como ela tá em suspensão tem que entregar né. -Korsak falou ao tomar quase em só um gole toda a garrafa de água que segurava.
–Mas precisa levar o chon junto? Tapete até levantou poeira quando ela passou.
–Isso são só os "trovões" avisando que o furacão Rizzoli está vindo por aí.
–Deus tenha piedade de nós. -Kikyo passou a mão no cabelo e ajeitou a camiseta branca.
–Achei que você acreditava em Buda
–Non sou chinesa. É só a gente ter olho puxado que vira chinês. Isso toca na ferida tá
–Desculpa. Em que pé estamos com a investigação? -Korsak sentou atrás de sua mesa. Tirando outra garrafa com água da sua gaveta.
–Non muito longe. Sabemos nada.
–Como assim sabemos nada?
–Ainda non sabemos porque aquele moça que parece a Xena foi morta e nem porque tentaram jogar a morte dela em cima da Jane e quem fez isso. Nem sabemos quem "suicidou" a marido da "moça Xena" ou onde está o filho deles bebê e quem matou o filho deles adolescente. Ou quem é aquela outro moça "suicidada" que encontramos ou quem era o morena que p estava no video lá do pneu do carro sendo esvaziado. Non sabemos quem invadiu o casa da Maura, quem anda furtando nossas evidências...
–Sabemos nada então
–Foi isso que eu disse
–Mas acho que eu sabia mais antes de te perguntar do que agora, entendi nada, você misturou tudo.
Korsak bebeu quase toda sua garrafa de água, deixando apenas um resto no fundo.
–Tá de ressaca sargento? -Kikyo falou ao observar a cena.
–Estou nervoso. Tenho uma audiência hoje, vou testemunhar sobre aquele incidente no prédio, aquele em que envolveu meu filho e a Maura. Por isso estou tão ansioso, ou nervoso
–Quando tô nervosa como quatro coxinha de catupiry
Korsak olhou assustado para a asiática.
–Que foi? -Se defendeu Kikyo- São quatro porque são de catupiry, se for sem aquela delicia cremosa eu como seis.
Korsak continuava surpreso. -E pra onde vai isso tudo? Você é magra.
–Non é porque sou osso e joelho que tenho que comer pouco non, amo coxinha. Coxinha é vida!
Korsak riu. -Que tal se a gente focar em quem é essa mulher que se parece com a Jane e o porque ela tentava incriminar nossa detetive furacão. E o por que da "moça Xena", como você disse, parecer ser o pivô de toda essa confusão.
–É uma ótima idéia. O senhor e o Frank faron um ótima investigaçon.
–E por que você não? -A voz de Korsak saiu mais grave do que ele pretendia, ele sentia medo de perder mais uma detetive.
–Tô suspensa da homicídio em campo a partir de amanhã, agora vou pra evidências. -Senkey tinha um sorriso suspeito nos lábios.
–O que você aprontou Kikyo? -Korsak disse pesaroso.
–Ameacei o barbicha de bode, falei que se ele mexesse com o Maura de novo ninguém encontraria o corpo dele. E acho que chamei ele de covarde. Como eu já tinha brigado com o dr. Parker, o tenente achou melhor me tirar de campo.
–Você não é de ameaçar Kikyo, você é de fazer, te conheço a pouco tempo, mas tenho certeza disso. O que você está aprontando?
–É melhor o senhor non saber. -Kikyo sorriu e Korsak a fitou com olhos cerrados, aquela garota poderia surpreender mais do que ele imaginava e ele sabia disso. Assim como ele já tinha percebido que ela nunca dava um ponto sem nó. 'Há muito por trás desse sorriso carismático que você ostenta garota'
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Maura estava em sua sala relendo um relatório para ir ao tribunal quando ouviu uma batida na porta. No mesmo instante sorriu.
–Bom dia de novo Jane.
Maura levantou-se indo em direção a morena que já a esperava de braços abertos.
–Também estou aqui, -Kikyo entrou na sala- ela non pode descer aqui sem acompanhamento policial, enton sem intimidades por favor, sou nervosa nas lei.
Maura e Jane riram ao se soltarem.
–O tenente me contou que o depoimento de Casey pode me complicar um pouco.-disse a morena de cabeça baixa
–Sim, eu soube. -Maura disse um pouco triste
–Mas só porque ele esteve aonde distribuiram aqueles projéteis lá, isso ainda non é nada. Só ele ter acesso non significa que você também teve acesso. Algumas namorados non sabem dividir as coisas, principalmente balas. Enton ânimo-Senkey tentou animar a dupla.
Os telefones tocaram.
–Rizzoli
–Isles
–Por que vocês só me ligam quando alguém morre? Senkey.
Jane desligou o celular e sussurrou: 'minha mãe precisa de mim'.
'Tudo bem', disse Maura enquanto segurava o celular e com a outra mão remexia nos papéis em cima da mesa.
Jane a segurou pela cintura e colou os lábios. Ambas sorriram e se afastaram com o toque espontâneo no local de trabalho, e ambas ficaram ruborizadas.
–Assassinato? -Jane perguntou se virando para Kikyo, e olhando ao redor na esperança de ninguém ter visto a cena anterior.
–Provavelmente, ninguém me liga pra me convidar pra um cinema, comer uma coxinha ou me dar dinheiro, coisas assim importantes na vida de uma pessoa.
Maura tentava segurar o riso e equilibrar o celular na mão, mal escutava o que lhe era falado do outro lado da linha.
–Ninguém tá te convidando pra sair mais não Kikyo? -Jane perguntou sorrindo, na esperança de rir um pouco.
–Nada. Tô na seca. Já tô ficando orissada com isso, vou até começar a usar calcinha bege viu! Daquelas que parecem um paraquedas, e com marquinha de cloro no meio, que fica beeem amassada porque fica jogada e esquecida no fundo da gaveta sabe. Se é pra ficar na seca, vou fazer a coisa direito.
Maura desligou o celular gargalhando com o "nervosismo" da asiática e os vários gestos que ela fazia ao falar.
–Você é muito extremista Kikyo — Ironizou Jane
–As vezes sou. É chato ser normal, pessoas normais son facilmente esquecidas, um drama de vez em quando e três fatias de pizza fazem bem a saúde.
–Kikyo, quer ir jantar na minha casa hoje? Maura perguntou um pouco timida e sustentou o olhar curioso de Jane, o convite para a morena estava implicito.
–Eu faço a comida! -Jane se empolgou com o dedo no ar já aceitando o convite nas entrelinhas.
–Enton vou levar a pizza
Maura sorriu com o comentário da asiática.
–Pow! Confia nas minhas habilidades na cozinha não? -Jane finjou raiva, olhos cerrados para Senkey, braços cruzados no peito.
–Non confio nem na minha. Como yorgut com queijo por preguiça de ir no supermercado comprar coisas.
–Hum, já comi! Fica maravilhoso quando misturado com queijo derretido no pão. Ouvi dizer que geleia de morango com frango frito e passas fica ótimo também.
–Tudo com frango frito e COXINHA fica ótimo. -Kikyo falou animada
Maura olhava as detetives com um olhar assustado.
–Kikyo, leva a pizza, mais seguro. -a loira afirmou ainda receosa com os pratos exóticos.
–Ok! Metade de mim é calabreza e a outra quatro queijos, e vocês?
–Leva duas dessas -acenou Jane- Tenho que ir Maur
–Leva meu carro -Maura tirou a chave da bolsa e a entregou a morena-
–Vou de táxi, não precisa Maur.
–Faço questão.-Maura estendeu a mão com a chave.- Qualquer coisa pego carona com Korsak, Frank ou Kikyo... ou até com você se der tempo de você voltar pra me buscar à noite.
A morena retornou os passos dados, pegou as chaves e se apoiou com as duas mãos sobre a mesa olhando a médica que estava na outra extremidade. -Você é sempre tão gentil Maur.
–Tudo bem, não se preocupa Jane, pode usá-lo quando precisar. -a loira colocou sua mão sobre a de Jane, ficar muito tempo sem sentir a pele da morena era estranho agora.
–Não quero abusar. -Jane puxou devagar sua mão e segurou a mão de Maura a apertando devagar, um leve sorriso nos lábios de ambas. -Tenho que ir.
–Eu também, um homicídio me espera. -Maura sorriu
Jane passou por Kikyo dando um tapinha leve em suas costas. Maura ainda organizava os papéis em sua mesa quando reparou que Kikyo permanecia parada em pé, próximo a sua mesa, os olhos perdidos no chão, a feição carregada
'Será que essa menina ainda gosta de Jane?'- Pensava Maura ao reparar nas feições tristes da pequena asiática. 'Se ela ainda gostar, ela deve estar sofrendo tanto, e mesmo assim não é egoísta, é sempre uma das primeiras a ajudar Jane e eu'
Maura olhou para as próprias mãos. 'Eu já estive no lugar dela, já ajudei Jane tantas vezes com os namoros. Não somos tão diferentes assim, essa menina e eu. Ambas ficamos satisfeitas com apenas um sorriso, o sorriso se torna um bálsamo para tanta dor de um amor unilateral.
–Kikyo? -Maura disse com a voz calma, condescendente com a asiática
–Sim? -A detetive a olhou nos olhos, os olhos castanhos estavam afogados em lágrimas que não ousavam cair. Ela estava engolindo a seco, como se segura-se uma emoção muito grande.
'E eu sei como é esse platonismo, já o vivi antes, é amargamente ingênuo e docemente compreensivo. Amamos demais, doAmos demais, doEmos demais.
–Alguma novidade Kikyo? -Maura tentou sorrir
Senkey respirou, soltando um ar pesado, o olhar ainda perdido no chão. A resposta veio de voz monótona, como se fosse um rôbo programado falando.
–Ainda non achamos o bebê desaparecida, mesmo tendo muita ajuda envolvida. Porém as evidências 'que non foram roubadas' do chalé que você recolheu, e mais algumas que ainda tínhamos, nos levaram a uma fábrica em little city. Você non vai querer saber os detalhes enton non vou falar demais sobre isso. Estamos de campana, vigiando 24h a fábrica.
–Vocês acreditam que a fábrica é faixada né.
–É uma faixada. Sempre é.
'Tudo as vezes é uma faixada.' Maura pensou
–E sobre a Jane? Aquelas provas que encontramos foram só para tirá-la da prisão preventiva, não para inocentá-la e isso me apavora um pouco, tenho medo dela voltar para trás das grades.
Senkey a olhou nos olhos novamente, mas dessa vez eles eram frios.
–Kikyo? -Maura a chamou novamente ao ver os olhos da detetive vagarem pela sala.
–Estamos deixando passar alguma coisa, você também non acha isso? Tenho que ir pegar minhas coisas, te espero no estacionamento.
Kikyo se afastou, e saiu pela sala.
'Eu te admiro garota, apesar de tudo. Sempre admirei as pessoas que se jogam de cabeça no amor, caindo na lama. Assim como admiro pessoas como você, que dão um passo para trás, pisando em espinhos, já fui assim...'
Maura ainda ficou pensativa por mais algum tempo, até que reparou a chave do seu carro em cima da mesa.. Decidiu subir e entregar a chave a Jane, na esperança que a morena ainda estive na recepção.
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Maura saiu do elevador e assistiu uma cena inesperada, uma cena que fez seu coração acelerar a ponto da martelada doer em seu peito.
Jane conversava com seu ex noivo no hall de entrada. Mantinham uma distância social, não se tocavam em nenhum momento, mas isso não evitou o desconforto na loira, afinal eles estavam lá, juntos. Não que isso fosse algo novo, quantas vezes ela havia apreciado essa mesma cena, mas agora era diferente, agora doía, mesmo a cena não tendo nada demais ela parecia sufocar, 'Quando me tornei essa mulher tão sentimental? Essa mulher parada aqui não sou eu, eu não sou assim.'
Maura não sabia se seria constragedor se aproximar, a prudência exigia distância, mas a emoção irracional gritava pela proximidade. E ela ficou ali parada por alguns segundos, hesitante, de um lado o controle emocional que sempre teve e do outro o ciúmes a cutucando. Cutucando-a e a incomodando como uma tia que pergunta sobre os namorados nas festas de família.
Era estranho pensar em Jane assim agora, acreditar que ela já amou outras pessoas, que o mesmo olhar que ela tanto admirava já foi doado a outras pessoas. Que a morena ali parada de braços cruzados conversando com Casey já foi de outras pessoas. Outras pessoas, sempre existiam outras pessoas.
Maura se aproximou devagar, o lado humano vencera, as duas mãos no bolso da calça social, um sorriso calculado e treinado no rosto.
–Oi Casey- E seus olhos correram de Casey a Jane que permanecia neutra com a nova presença.
–Oi Maura! -O homem fardado abriu um sorriso, porém só se cumprimentaram com um menear de cabeça.
–Já depôs? -A pergunta foi feita para evitar o silêncio que ameaçava o trio. Novamente Maura correu os olhos por Jane, a morena tinha o olhar de esfinje, totalmente enigmático.
–Vou subir agora, estou apenas aguardando o detetive vir me buscar, det. Korsak eu acho.
–Acho que ele já vai vir, também estou de saída, vou a campo com a detetive Senkey.
–Detetive nova na área, que bom -Casey sorriu, os olhos também percorreram entre Maura e Jane. Maura olhava fixo para Jane e esta... ele não saberia explicar, parecia não ter emoção ali.
–Vou ficar a semana toda na cidade -Casey falou esfregando as mãos, sorrindo sem graça- Nós três podemos marcar alguma coisa.
–Sim, qualquer coisa eu te aviso. -Jane finalmente falou algo, mas o olhar ainda permanecia indecifravel, o tom usado não foi revelador, foi social, o mesmo tom de voz que ela usaria com o porteiro ou com o rapaz Amazon.
Maura sorriu sem graça para Casey e os três cairam em silêncio novamente.
–Então? -Casey usou um tom mais agudo do que esperava- Alguma novidade? -Disse após limpar a garganta. Ele estava se sentindo um adolescente tímido perto da garota mais bonita da escola.
–Pulei de uma ponte, levei tiros, fui presa, apanhei na cadeia, tô quase voltando pra cadeia de novo, quase morri duas vezes. Coisas do cotidiano, nada novo. -Jane falava sem emoção, as mãos não soltando os braços cruzados em volta de seu corpo.
Casey ainda estava surpreso, boqueaberto absorvendo as tantas informações e Maura não pode deixar de notar a omissão da gravidez e aborto que Jane viveu, e do fato das duas estarem juntas agora. Maura reparou melhor no homem ao seu lado, ele tinha um tom grisalho começando a platear seus cabelos, estava mais magro, e com certeza passou mais colônia que o habitual para aquele momento, 'Ele ainda gosta de Jane' O pensamento foi inevitável.
–E viajamos pra grécia nas férias! -Maura acrescentou, e por um instante ela sentiu nostalgia daqueles momentos. As cenas passaram rápido, como o flash de uma camera em seus olhos. Relembrou a areia nos olhos, as explorações, os jantares, os passeios de lancha, e os resmungos de Jane sobre a comida, sobre calor, sobre o sol...
–Vocês sempre estão juntas, tirar férias juntas não é novidade.
Maura não sentiu irônia na voz do homem, era apenas um comentário, ou melhor, uma afirmação. Ele conhecia as duas muito bem, e ela não pôde deixar de achar estranho o fato de conhecer tanto alguém, as vezes até profundamente, cada segredo de sua vida, detalhes de seu corpo, planos de futuro e por algum motivo, depois de um tempo, se tornar estranho a essa alguém, como se nunca tivessem se tocado. O aperto em seu peito foi inevitável ao se imaginar ali, na posição daquele homem, na posição do passado de Jane. Ser apenas mais uma história a ser esquecida as vezes pode machucar, quase sempre.
Korsak se aproximou devagar e limpou a garganta.
–General Casey — O mais velho ofereceu a mão para o cumprimento e Maura soltou o ar aliviada.
Korsak e Casey seguiram em direção ao elevador após se despedirem das duas. E Maura reparou que a morena seguia os dois homens com os olhos, não sabia como começar uma conversa com Jane.
–A chave.
Jane olhou nos olhos da loira que segurava um chaveiro em uma das mãos. -Você esqueceu e eu vim aqui te entregar.
Jane ainda estava de braços cruzados, o olhar de esfinge ainda estava em seu rosto criando uma Maura aflita. -Mah me ligou de novo, ela quer sua presença também, parece que é uma festa surpresa para o aniversário do Frank. Você tem 20 minutos?
–Sim. Vou pedir para meu assistente ir no meu lugar ao local do crime. -Maura disse baixo, tão baixo que não sabia se foi ouvida, mas teve sua confirmação ao perceber o gesto da detetive pedindo que a seguisse.
*****
Kikyo pegava a arma e a chave na mesa quando frank se aproximou
–Ontem -começou o homem- quando você passou mal, fiquei preocupado, você melhorou?
–Precisa preocupar non, foi só um mal estar.
–Foi só isso mesmo?
Kikyo olhou para Frank, o olhar dele realmente era de preocupação.
'Por favor Frank, non faça isso. Non me faça te magoar por favor'
–Non estou grávida, se é isso que você tá pensando. Non tenho namorado Frank, non tem como isso acontecer tá.
–Se você estiver grávida, eu assumo o filho. -Frank disse rápido, atropelando as palavras no meio do caminho, mãos trêmulas indo para o bolso.
Kikyo parou a caminho do elevador e o olhou, olhou o homem que estava a sua frente, queixo ergguida com a barba por fazer, e então ela reparou as olheiras no rosto dele, o cansaço evidente.
'Será que você non dormiu pensando nisso?'
–Por que Frank? Você tem tanta vontade assim de ser pai?
–Não é isso! -Frank passou a mão no rosto limpando o suor inexistente. -É que meu pai foi meu herói, não desejaria que um menino crescesse sem um herói pra admirar, assim como eu admirava meu pai. E eu faria de tudo pra ser um bom pai, eu posso ser um bom pai pro garoto.
–E se fosse uma menina?
Frank sorriu -Ai ela seria a minha princesa.
–Mas non seria uma Rizzoli, non seria sua filha.
–Mas seria sua, pra mim isso já basta.
Aquela resposta deixou a asiática sem reação, ela apenas sorriu e olhou para o chão. 'Ele seria mesmo mesmo capaz disso? Acho que sim, ele é um bom rapaz, non faça isso conosco, por favor'
–Non estou grávida Frank, foi apenas um mal estar temporário, coisas de mulher.
Frank soltou o ar que pendia aliviada e suas bochechas foram aos poucos ficando ruborizadas, a asiática adorou isso. 'Quem manda ele parar de fazer essas coisas ton fofaaaass!'
–Mas se acontecer eu estou aqui?
Kikyo apertou o botão do elevador -Tenho que ir Frank, o assistente da Maura já está a caminho do local, e você tem que voltar pra campana na fábrica.
–E cadê a Maura?
–Saiu com a Jane- Kikyo entrou no elevador.
Frank hesitou nas palavras -Você ainda gosta dela?
–Faz diferença?
–Pra mim faz
As portas se fecharam.
Não somos didáticos no amor. Se o amor bate em nossa porta com cara de amor, atenderemos e fingiremos que não é conosco, não acreditamos que ele possa ser real, é mais fácil acreditar que a campainha tocada soou na casa errada. Complicamos a conversa, arrumamos desculpas ou justificativas, não escutamos até o fim. "Qualquer dia a gente marca alguma coisa" e esse dia nunca chega, assim como nunca chega o dia que damos valor a pessoa que se preocupa em como foi nosso dia, não sabemos dar uma chance. -Ter alguém que faça tudo por você não se repete-
Ter alguém que preocupa se você está bem, sobre o que sonhou, o que almoçou, alguém que esteja presente e disponível, que não deixa a chamada passar de três tons, que deixa a mensagem azul na hora e não demora meio minuto pra responder.
O amor muda quando se despe e olha no espelho.
Kikyo aproveitou o silêncio e solidão ao encostar as costas na parede do elevador evitando o espelho. Respirou fundo...
Ela queria uma amor como Maura e Jane, não por inveja. Ela não invejava Maura, pois sabia o quanto a loira merecia tudo que com custo estava conquistando, mas a vontade de estar em seu lugar doia um pouco. Senkey deseja qualquer sentimento vindo da morena, mesmo que pouco, um pouco já bastava para viver melhor, ela se contentaria com pouco, não exigia muito, nunca exigiu muito.
'Você sorrindo pra mim já é o bastante'
Optamos quase sempre pelo amor unilateral, pelo amor de caridade. Se o amor mendigado bate à porta, o chamamos para entrar e oferecemos um café. O amor acabado, infiel, egoísta e indiferente que nos desespera, nos faz sair à noite sem rumo, nos faz mudar para algo que jamais imaginamos ser, nos torna extremistas com arranjos suicidas pela janela e cartões rasgados.
Um amor de sobras.
Que nos faz varar noites acordados e deixar várias mensagens sem respostas em inbox.
'Só quero o que non posso ter e só preciso do que non quero' -Kikyo cantou o refrão da música ao sair do elevador.
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Jane e Maura retornavam da "reunião" com Ângela, uma reunião de três pessoas, mesmo após as conversas e rizadas com a matriarca, agora a médica e a detetive estavam caladas. Jane retornara com o olhar de esfinge e Maura estava encolhida no banco de passageiros.
'Eu vi que Jane queria ir atrás de Casey. Não trocamos uma palavra desde que nos despedimos de Angela.
'Isso quer dizer que sou uma segunda opção?
'As vezes acho que Jane ainda gosta dele, mas a decisão de ficar ao lado dela foi minha. Mesmo assim, mesmo achando'
Maura observou Jane, o olhar sério da morena no transito, os resmungos inapropriados direcionados aos outros motoristas, os cabelos caindo em cachos negros pelos ombros, a mania de tamborilar os dedos em cada parada ou sinal, o queixo meio quadrado, a forma precisa que trocava a marcha.
'Ai! Eu amo tanto ela e pensei que com todo esse tempo as coisas mudariam.
'Ninguém nunca despertou tanto em mim como Jane tão facilmente fez. Tudo. Inclusive o que não prestava, o que eu escondia, e mesmo assim ela fez as coisas mais simples e me entendeu, me apoiou, "ficou" quando poderia ter ido. Ela sempre ficava.
'Antes só conhecia uma parte de mim, a parte social, conhecia o lado cinza da vida, mas ela me trouxe o arco íris.'
Maura engoliu a seco e olhou pela janeka, como se os postes que passavam rápido à sua direita pudessem levar embora seus pensameos, sua insegurança.
'Eu só queria ficar com ela'
Jane paou o carro em frente ao DP. Maura retirou o cinto e tentou abrir a porta sem sucesso, estava travada. olhou para Jane como quem diz 'Não vai abrir'
–Espera -Jane também retirou o cinto e se inclinou para Maura — Quero conversar com você.
–Pode falar, -Maura abaixou a cabeça e começou a brincar com os próprios dedos sobre o colo- apesar que já imagino o que seja.
–Não imagina, porque se soubesse estaria olhando nos meus olhos. -Jane passou a mão nos cabelos, jogando-os para tras. -Não precisa se preocupar com Casey.
–Não estou preocupada! -Maura sentiu o rosto queimar e então olhou o painel.
Jane sorriu ao ver o rosto ruborizado da loira. -Eu não preciso de um ataque de urticárias pra saber que você está mentido, já te conheço bem o suficiente pra isso.
Mesmo sem levantar os olhos, Maura sabia que a morena estava sorrindo apenas pela sua respiração calma, e então sorriu junto.
–Olha -Jane colocou suas mãos sobre a de Maura- Tenho um passado com Casey, não vou negar. Mas você é meu presente e eu quero muito ter um futuro com você.
Maura levantou a cabeça, sustentando o olhar de Jane.
Quero muito ficar com você Maur. -E beijou devagar os lábios da loira. Em seguida deu um abraço forte sussurando ao ouvido da médica 'Não precisa ficar insegura.' Beijou sua testa 'Eu te amo'
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–Não é porque a casa é sua que você tem que monopolizar o controle! -Jane dizia ao se esticar no sofá pra tentar pegar o controle de Maura.
–Eu não vou assistir a mais um programa falando sobre esse jogo de Hoquei. Já basta ter assistido esses homens patinando no gelo batendo nesse disquinho ai por mais de uma hora.
–Só quero rever esse lance. Troca não!
–O disco entrou Jane, por que você tem que assistir mais 40 vezes em 3 programas diferente pra ter certeza?.. Ai! O apresentador já falou que entrou, por que ele iria mentir pra você?
–Só quero ver na camera invertida como realmente foi esse lance.
–Pra que? Pra ficar batendo portas, tropeçando no Bass e xingando todo mundo que passava na rua com a camisa do time que tava vencendo como você fez no intervalo quando te pedi pra irmos comprar refrigerante?
–Mas eles ficam esfregando a vitória roubada na minha cara com aquelas camisas.
–Por que você aceita que as vezes seu time perde honestamente
A campainha tocou e Jane levantou-se do sofá
–Você escapou de ouvir uma resposta mais reflexiva e mais profunda que seus filmes mimicos tá.
Jane abriu a porta
–A delicia chegou! — Kikyo entrou sorridente com seu jeans rasgado e camiseta vermelha
–Você quer dizer as pizzas na sua mão né. -Jane rebateu.
–Elas também, mas eu sou mais.
–Ainda prefiro a pizza. -Jane riu
–Só queria colfetes, da pra ajudar non?
–Tá! Você também. -Jane pegou as duas caixas de pizza e colocou-as sobre o balcão.
–Ei Maura! -Kikyo ascenou- Ué! Cadê o garoto?
–Esquilo? -Maura se aproximou das detetives.
–Ele mesmo! Trouxe até uma camisa de basquete na esperança de viciar o menino.
Maura olhou com olhos de piedade para Jane. -Já faz dois dias que não vejo ele Jane.
–Non sei fazer esse olhar de gato de botas que ela fez non, mas também quero o garoto.
–Tá! -Jane bufou! -Vou ir busca-lo.
Maura deu pulinhos e bateu palmas, como uma criança que canta parabéns
–Nunca imaginei esse lado criança da doutora- Kikyo disse baixo para Jane.
–É um dos lados que mais amo nela -Jane disse sorrindo ao pegar a chave.
Ao sair tropeçou em Bass, o cagádo desnorteado correu (tentou correr) para debaixo do sofá, arrancando gargalhadas de Maura e Kikyo.
–Bebeu quantas hoje?! -Kikyo não resistiu a piada
–Acredita que ainda nem comecei. -Jane saiu fechando a porta devagar.
–Também tropeço o tempo todo -Kikyo se apoiou no balcão- As vezes parece que a gravidade é maior pra mim.
–Deve ser algum problema de equilibrio. Algumas pessoas com labirintite ou alguma doença neurológica costumam cair ou tropeçar bastante.
–Enton você quer dizer que tenho um parafuso a menos?
Maura riu -Você sabe que não quis dizer isso.
–Eu sei. Teve uma noite que eu estava no Juke BOx em L.A com meus amigos, tipo todo mundo no tutz tutz tutz, isso desde cedo, enton um amigo e eu decidimos bicar a boate vizinha, achar uns bofes ou gatas mais apetitosos né.
Maura colocou a mão discretamente no queixo, já se preparando para a gargalhada que iria dar.
–Enton, chegamos lá. -Kikyo gesticulava cada palavra-Era uma área bem grande, tipo de um estádio Hoquéi. Tinha mas escadas e lá em baixo um palco imenso com um DJ gato muito bom tocando. Descemos as escadas e tal. Ai falei 'Vamos chamar as meninas pra bagunça'.
Subimos as escadas correndo, mó pique, chegou no último degrau eu non consegui esticar a perna toda, na verdade a perna já estava no limite, mal de ser pequena né. Meu Deus!!! Pra que fui correr?!! Por que non subi devagar?! Pow! Meti a ponta do pé na escada, sai catando tudo que é coisa pela frente tentando non cair, tentando me equilibrar e nada.
Todo mundo parou, parece que até a música parou e eu bem linda caída de barriga no chon. Meu amigo nem conseguiu me levantar de tanto que riu e a geral ali me olhando, achando que eu estava bêbada.
Maura gargalhava
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A noite seguiu em meio a gargalhadas e histórias constragedoras. Um jogo de tabuleiro era uma segunda diversão. E nem todo o conhecimento de Maura era capaz de combater os espirítos competitivos de Jane e Esquilo, ois dois eram a equipe perfeita.
E Jane amou aquele momento. Amou a gargalhada vizinha do choro e da tosse. A pizza meio devorada no prato, o suco de morango, a cerveja, o vinho de Maura. Amou as peças do jogo e os olhares cumplices, as zoações e a vitória massacrante sobre Kikyo e Maura.
Jane amou poder se emocionar com a própria alegria. Amou quase morrer de rir das histórias loucas de Kikyo, das histórias exploratórias e aventureiras de Esquilo, e das narrações minunciosas de Maura. A morena não se cansaria de ouvir todas aquelas histórias de novo.
Jane amou raspar o brigadeiro de panela após a desastrosa tentativa de fazer pipoca doce. Amou o desespero de Maura ao ver pipoca por toda a extensão da cozinha, e da crise de riso de Kikyo e Esquilo pela bronca que a morena levou.
Amou levar esporro, e isso ela jamais imaginou que poderia gostar.
Amou dividir vassoura e pá, detergente e espuma com Kikyo enquanto traziam um cheiro de limpeza a cozinha de Maura. Amou arrumar a bagunça ao som de ABBA enquanto Maura estava encantando Esquilo com algum livro de biologia marinha.
Amou segurar o lixo de 50 litrospara Kikyo enche-lo com pipoca, restos de pizza e garrafas vazias, enquanto as duas riam ao lembrar das coreografias ridiculas que fizeram ouvindo músicas dos naos 80. -motivo que levou ao desastre com a pipoca-
'Dançar Cindy Louper e fazer pipoca são duas coisas que não combinam quando feitas ao mesmo tempo. ' Jane anotou mentalmente.
Amou discutir sobre as diferenças entre basquete e baseball com Kikyo e Esquilo. Amou a conversa que durou horas sobre Red Sox com Esquilo, mesmo ele não entendo quase nada, mal piscava com medo de perder alguma palavra, amou não ter que leva lo pra casa.
Amou o abraço forte de despedida que recebeu de Kikyo, amou preparar a cama para Esquilo e ver Maura correndo pela casa atrás dele para faze lo tomar banho.
Esquilo correndo de cueca, pulando por Bass e Maura descalça atrás dele merecia uma foto, foto essa que Jane iria imprimir e colocar na geladeira da sua casa.
Amou a forma carinhosa como Maura dava banho nele, e a forma que ela ficou toda molhada quando Jane revelou o segredo do chuveirinho para Esquilo. Amou a gargalhada que os três deram quando Jane levou um esguicho de água no rosto, a vingança de Maura era cruel, e sim, Maura era boa na pontaria.
Amou começar a ler 'O pequeno principe', para Esquilo e amou prometer que iria terminar de ler aquela história para ele.
Jane amou cada segundo, cada cena, e amou todas as milhares de fotos que tirou aquela noite, com certeza ela teria dificuldades de achar sua geladeira embaixo de tantas fotos.
Amou dormir de conchinha e pes dados
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