Notas iniciais
Mais um. Os outros não irão demorar. Se possível deem uma olhada na minha nova fic Mirrors

– Bom dia. Ué! Achei que a Kikyo estivesse aqui. — Jane perguntou confusa ao entrar na cozinha de Maura.

– Ela estava, mas teve que ir embora. –Frank respondeu um pouco desanimado. – Na verdade acho que ela não quer ficar muito tempo perto de mim.

Jane apenas observou em silêncio a declaração triste do irmão.

– Aconteceu alguma coisa entre vocês Frank. – colocou a mão no queixo pensativa.

– Nada. E aí está o problema, não aconteceu nada e agora ela fica assim. Toma aí seu café que vou levar o Esquilo pra casa. Pra casa dele.

– Maura levou o carro né.

– É mesmo, você está sem carro. Tinha esquecido. Então vou te esperar porque hoje você vai pro DP.

– Outro interrogatório? Mas já falei tudo que sabia e mais um pouco.

– Sim, outro interrogatório, mas não é o seu. Pára de se sentir uma bala na agulha maninha. Encontraram um cara la na fábrica.

– Que fábrica?! – disse ao dar uma golada no café fumegante, se arrependendo depois por ter queimado a lingua.

– Tá quente Zé ruela! A fábrica em Little City, lembra? Que ficamos de campana lá. Pois é, acharam um cara e Korsak e eu vamos interroga – lo hoje. Quero sua astúcia.

– Então você admite que sou boa né. – falou dando um soquinho no ombro do irmão.

– Não melhor que eu. – gargalhou – Mas você irá apenas observar, vai ficar caladinha. Não podemos errar em nada nesse caso.

– Claro que não. É minha liberdade em jogo.

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– Bom dia Maura. – disse Jane ao entrar na sala da médica

– Eu não quero um bichinho de estimação Jane!

Jane abraçou a loira –Okay, Tudo bem. Bass ficará feliz ao saber disso

– Não é isso! – Maura soltou- se do abraço, encarando a morena. – Eu vou adotar o Esquilo.

– Como assim? – Jane olha surpresa a namorada – Você quer dizer adotar tipo mãe?

– Mais ou menos, por enquanto terei só a tutela dele. Conversei com o pai dele hoje.

– E ele deixou assim fácil? Não acredito.

– Jane, lembra aqueles machucados no Esquilo que você jurou que não fosse o Daniel, o pai – Maura hesitou – Era ele. Quando ele estava bêbado.

– O QUE?! Você só pode estar brincando! ELE JUROU NA MINHA CARA QUE NÃO FOI ELE! Vou matar aquele desgraçado! – Jane ameaçou sair, sendo segurada pela namorada.

– Jane calma.

– CALMA?! Você só pode estar brincando! Ele bateu em uma criança de quase cinco anos! Vou acabar com ele!

– Jane me escuta. Combinei que se ele passasse a tutela do Esquilo pra mim eu pagaria uma clínica de reabilitação pra ele.

– E vai ser só isso? – Jane disse irônica – bate em um ser indefeso e vai curtir umas férias em uma clinica? Bom demais assim! Depois volta e faz tudo de novo!

– Conversei com meu advogado, tudo será pela justiça. Será uma luta um pouco árdua, porém estou confiante. Eu quero aquele menino Jane.

– Maura isso que você quer fazer é pra sempre, você não poderá desistir dele, entende? Ele não poderá ser um prato de doce que você enjoa e diz que não quer mais, ou um daqueles vestidos seu que você dá pra adoção. É uma responsabilidade eterna.

– Jane, meu animal de estimação é um cágado, você faz ideia quantos anos ele vive?

– Maur, você tem certeza disso?

– Nunca tive tanta certeza de algo na minha vida.

– Então minha mãe acaba de ganhar um novo neto. – Maura olhou surpresa para Jane — O que? Tá achando que você tá sozinha nessa? Que nada, vou estragar muito aquele menino.

Maura abraçou Jane com força, olhos marejados com lágrimas, lágrimas de felicidade. – Eu sabia que podia contar com você meu amor.

– Sabia que essa é a primeira vez que você me chama assim?

– Não tinha pensado a respeito. Sabe que gostei.

– Também gostei. Mas como será? Sobre o Esquilo.

– Os papéis da tutela sairão daqui 40 dias. Uma assistente social irá periodicamente à minha casa. Já arrumei uma escola boa pra ele, foi difícil porque estamos fora de época de matricula, mas nada como um sobrenome pra conseguir apertar algumas mãos.

– Você subornou a diretora pra conseguir uma vaga?

– Não foi um suborno. Você sabe que não faço essas coisas. Só ofereci uma ajuda de custo à instituição em troca de o Esquilo estudar lá.

– Ainda bem que isso não é um suborno né. E o que mais? –disse abraçando-a novamente.

– Teremos que levar o Esquilo para visitar o pai na clinica todo sábado...

– Isso não! Ele bateu no garoto Maura!

– Mas ainda é o pai. E essa foi a única coisa que ele exigiu.

– Tá bom, mas terei uma conversa séria com aquele idiota.

– Sem violência. Não prejudique o processo por favor. – Maura soltou-se do abraço indo em direção à mesa.

– Violência? Eu não sou violenta. ... Tá tudo bem, não precisa fazer essa cara pra mim.

– Terei uma reunião com a equipe sobre a saída do Marcos, e depois irei levar o Esquilo as compras! Quer ir comigo? – disse empolgada

– Barbixa vai embora?! Melhor noticia do ano!

– Você ouviu só essa parte?

– Foi a melhor parte, admita. Peça minha mãe pra ir com você. Ela vai adorar.

– Ela já vai. Na verdade ela está cuidando do Esquilo agora. Pedi que ela buscasse ele.

– Então por que você quer que eu vou?

– Porque você é meu amorzinho.

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Jane chegou à sala de interrogatórios, parando ao lado de Kikyo que observava Frank pelo vidro.

– Achei que já tivesse começado. – disse Jane ao encostar-se ao vidro. — E achei que fosse você quem iria interrogar junto com o Frank.

– Não sou mais desse departamento. – Kikyo foi em direção a cadeira e se jogou, olhos mirando o teto.

– Tenho que te contar uma coisa... Agora sou mãe. –Um sorriso largo tomava conta do rosto de Jane ao dizer cada palavra.

– Eu usei camisinha, eu juro! Então não é meu. Não vou pagar pensão, nem vem Jane.

– Panaca. – Jane gargalhava – Vou ser mãe do Esquilo.

– Já estava na hora. Você parecia uma mosca morta, fazia nada pra ficar com o garoto. Aposto que foi a Maura que deu o primeiro passo. Bruno merece.

– Quem?!

– Não acredito que você vai adotar o garoto e nem sabe o nome dele!

– E como você sabe?

– Quem você acha que está ajudando a Maura seu Zé ruela.

Jane lembrou ter ouvido isso mais cedo. ‘Será que Kikyo está... apaixonada?” Não, foi só coincidência... pessoas copiam manias e expressões a todo tempo, claro que apenas de quem admira ou gosta... mas, melhor não pensar nisso.

– E como está o caso lá na sua área administrativa?

– Tá la. Tá indo

– E o seus casos arquivados?

– Estão lá. Estão indo.

– E as séries? Tà assistindo alguma?

– Menina! Senta aqui, deixa eu te contar. Tô seguindo The blacklist sabe...

– Sabia que sobre isso você ia falar.

– A série é realmente boa, vale a pena falar.

– Isso é doença, vai se tratar. E por falar em doença... Barbicha vai sair né.

– Aquele covarde? Vai sim. Deus existe mesmo.

– E as “coisas” vão parar de sumir no laboratório?

– Infelizmente não é ele. Mas tenho minhas suspeitas.

– Então vamos acompanhar o interrogatório. Tenho que sair daqui a pouco com uma consumista que me deixará vários dólares mais pobre – dizia frustrada.

– Se eu sou a Maura e você fala de mim desse jeito... Eu dou com minha havaiana na sua cara.

– Ai! Mas o que tem demais?! Odeio fazer compras!

– Aceitou namorar não aceitou? Inventou não inventou? Então agora aguenta!

– Terei que fazer compras com minha mãe do lado. Você tem ideia do que significa isso?

– Sentirei saudades de você quando você pular pela janela do shopping.

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Frank estava sentado na lanchonete do DP, remexia devagar a salada com o garfo, olhos perdidos na mesa, e aquela cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança cortou meu coração.

– Eu também faria essa cara se estivesse comendo brócolos com alface. –ele me deu um sorriso sem humor e continuou mexendo na salada. – O que tá pegando Frank?

– Nada não. – E riu sem graça, aparentemente constrangido.

– Sei que alguma coisa esta te preocupando, e sei disso não como detetive, mas como sua irmã, sua amiga. Você pode me falar o que quiser, você sabe disso.

– É ... – gaguejou – Você! O problema é você!

– Que eu fiz? — Oi? Como assim sou eu?

– Você tem uma namorada linda, agora é mãe e ... ah esquece!

– Esqueço não, fala. – Frank coçou a cabeça pensativo.

– E você tem a Kikyo. – falou soltando o ar. Sabia que essa cara de cachorro abandonado só podia ser por causa de mulher.

– Eu não a tenho. Você sabe disso.

– Ela te ama tá! Não se finja de boba. – apontou o dedo pra mim, depois voltou a atenção ao prato. – Não é inveja, mas eu só queria nem que fosse por um único dia que a Kikyo olha-se pra mim como ela olha pra você. Queria poder ter um filho, nem que fosse adotado assim como o seu. – riu sem humor, quase um sorriso de deboche – Sou ridículo querendo sua vida né?

Segurei as mãos dele nas minhas – Não. Não é. Isso é você querendo ser feliz. Sobre a Kikyo gostar de mim, sim eu sei, sempre soube. E sabe o que mais? Ela nunca fez nada pra lutar por mim, nada mesmo! Eu já pedi um beijo a ela – ele me olhou assustado e na hora me arrependi do comentário – e sabe o que ela fez? Negou! Negou um beijo meu acredita? E ainda me deu uma lição de moral pra completar minha rejeição. – ele ainda me olhava assustado – Ela poderia ter tido algo comigo fácil, mas não teve, me respeitou, respeitou a Maura e você sabe o quanto ela ajudou nós duas.

– Sei bem. Me lembro de todos os detalhes.

– Então... – respirei fundo antes de continuar – Ela sabe qual o papel dela na minha vida, e aceitou isso.

– Mas não aceitou o papel que eu quero ter na vida dela! Será o que? Será meu cabelo? Se for o caso eu deixo crescer igual o seu – foi inevitável não imaginar Frank com uma juba de leão, obvio que vou contar isso para a Maura mais tarde – Porque eu sou detetive assim como você, tenho o mesmo sobrenome que você. Caramba! Tenho até a mesma mãe que você!

– Sogra não motiva ninguém Frank

– Qual a diferença entre nós dois então?! – pensei em dar muitas respostas, mas fiquei em silêncio.

Ele soltou minhas mãos, levando aos olhos, só então percebi as lágrimas represadas ali. – Frank, olha – tentei pegar a mão dele de novo e ele evitou, fazendo um bico de choro. Frank as vezes sabe ser muito fofo. – Não é nada dessas coisa ai tá. Tire isso da cabeça.

– Eu queria ter um filho Jane. – a mudança rápida de assunto me deixou confusa – Thommy tem o TJ, você agora tem o Esquilo, e eu estou sem ninguém.

– Você sempre quis ser pai, sei disso. Lembro de você pegando minhas bonecas que eu nunca

usava e trocando fraldas e as fazendo dormir.

– Enquanto você pegava meus carrinhos e arco e flecha. Pela lógica eu deveria ser pai.

– E por essa lógica eu uma caminhoneira ou índio. – ambos rimos. – Nada nesse mundo é perfeito Frank. Sua vez ainda vai chegar. Relaxa.

– E por falar em relaxar. Nossa mãe já me intimou para te levar ao shopping. Maura vai atrasar.

– Você está falando isso para me apavorar né.

– Por mais que eu não consiga esconder esse sorriso do meu rosto, tenho que admitir que é verdade.

– Por que Maura vai se atrasar?

– Festa de despedida do Marcos. – e ele falou assim... simples! Como se estivesse me dando um comentário simples.

– E logo quando eu penso que meu dia não poderia ficar pior! – reclamei e senti uma mão em meu ombro. Invocada virei para trás com alguns palavrões na ponta da língua e vi o dono da mão. – Oi Casey

Notas finais
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